domingo - 04/01/2026 - 04:00h

Curral dos Porcos – Capítulo 1

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Consultou o reloginho de aço que ganhou de presente do falecido marido no Natal do ano passado. Eram nove horas e cinco minutos da manhã. Ainda não havia parado de chover por inteiro. Caía uma garoa em meio a um vento frio. O sol permanecia oculto. Alguns postes da rede elétrica continuavam acesos desde a noite anterior. Era possível que o mau tempo voltasse a qualquer instante. Apesar disso Matilde colocou sua máscara, pegou o velho guarda-chuva, afagou a cabeça das meninas e disse que não abrissem a porta para ninguém. Exceto se fosse Das Neves, única irmã de Euclides, ou a antipática senhora Esmeralda, mãe do morto. Incomodava-a o fato de se ver obrigada a deixar as filhas sozinhas.

Naquele momento, porém, não tinha opção. No armário da comida restara apenas massa de milho, um pouco de açúcar e um pacote de café. Apreensiva, olhos tristonhos, seguiu para o armazém do senhor Euzébio Suassuna, uma das vendas mais sortidas do pequeno município de Curral dos Porcos.

O bairro de Boa Vista se encontrava quase deserto. Poças d’água e lama logo atingiram as sandálias de Matilde, sujando seus dedos e calcanhares. O bairro não tinha pavimentação, contudo se encontrava distante das áreas inundadas. Pendurada no ombro direito, para a eventualidade de que o comerciante lhe confiasse a compra dos mantimentos, conduzia uma bolsa de palha de tamanho médio.

Ruas quase desertas. Aqui e acolá, debaixo dos seus guarda-chuvas e usando máscaras de proteção contra o vírus, alguns moradores se aventuravam na garoa. Decerto por força das circunstâncias. É evidente que não estariam ali por espontânea vontade; vultos em meio à neblina. Ninguém parava para conversar com ninguém àquele instante. Outros simplesmente observavam o mínimo movimento com os cotovelos apoiados sobre o parapeito de suas janelas. Pássaros dispersos riscavam o céu escurecido. O vento foi ficando mais forte, sibilando nos fios do posteamento.

Indiferente às condições climáticas, a jovem mulher seguiu seu rumo exposta à possibilidade de a chuva cair de vez e alcançá-la no meio do trajeto. Quando dobrou na esquina da farmácia, Matilde empalideceu. A mercearia do senhor Euzébio estava de portas fechadas. Ocorreu-lhe chamá-lo na casa contígua ao comércio, residência do homem, e explicar-lhe o momento de sufoco em que se encontrava. Considerou, entretanto, que seria audácia importunar alguém naquelas condições para comprar sob promessa de pagamento. Com os pés enlameados e roupas enxovalhadas, deu meia-volta levando a bolsa de palha. Não tinha outro lugar onde pudesse conseguir crédito. Recordou-se de que era sábado e que talvez o senhor Euzébio tivesse resolvido não abrir por causa disso. Aquelas chuvaradas representavam um motivo a mais.

Parou sob a marquise da farmácia e se pôs a refletir.

— E agora, meu Deus? — murmurou.

Precisava engolir o orgulho e pedir ajuda a quem ela não gostaria. Embora não fosse muito bem-vinda ali, restava-lhe a casa da sogra, com a qual nunca tivera boa relação. E os problemas pioraram após a morte de Euclides. A senhora Esmeralda, como é comum entre as famílias do interior, desejava que o filho namorasse e se casasse com uma certa prima. Contudo ele se encantou por Matilde desde quando a conheceu trabalhando em casa do senhor prefeito Gilberto Pedrosa. Ela fora recomendada à família do político por uma irmã deste, a senhora Albertina, residente em Aroeira Santa e patroa dos pais de Matilde. Os genitores da moça haviam morrido num desastre com um ônibus na estrada de Aroeira Santa para a capital, Belo Jardim.

Não tardou e Euclides e Matilde começaram a namorar. Ele tinha à época seus vinte e oito anos e ela contava apenas vinte e três. Após dezoito meses de relacionamento, contrariando todos os cuidados, ela engravidou e deu à luz a primeira filha, batizada com o nome Vanda. Na metade da gravidez Matilde precisou deixar o trabalho na casa do prefeito. Depois do parto, dispondo da ajuda de Das Neves, dedicou-se a cuidar da filha e da casa.

O imóvel foi adquirido graças à generosidade do patrão, que lhes vendeu o terreno por uma pechincha e deu baixa na carteira de Euclides, de maneira que este pudesse fazer uso da verba rescisória. Pouco depois o senhor Gilberto o readmitiu no serviço da olaria. Euclides, apesar da contrariedade da mãe, foi ajudado pela própria senhora Esmeralda e pelo pai, o senhor Adonias, funcionário aposentado da Receita, morto também no ano passado em decorrência de um enfarto.

Claro que a saída de Matilde da residência do senhor Gilberto causou frustração. O prefeito nutria expectativas de ter um caso com a moça. Esta, contudo, sempre se esquivou das indiretas e diretas do empregador.

Do modesto lar de Euclides e Matilde, entretanto, foi concluída tão só a parte estrutural, algo que consideravam uma grande vitória. Pois, ao contrário de muita gente, não estavam no cabresto do aluguel nem morando com os pais de Euclides, suportando os humores da senhora Esmeralda. “Vamos fazendo o restante aos poucos”, dizia o oleiro. Assim passaram a residir na modesta casa dispondo do básico. Estavam felizes com essa nova fase de suas vidas, em particular pela chegada de Vanda. O piso, o reboco, revestimento do banheiro, entre outras pendências, planejavam fazer mais adiante com as economias que pudessem manter em uma caderneta de poupança. Mas veio Ritinha (segunda filha) e as melhorias do domicílio emperraram.

Quase dez horas. A ventania açoitava o guarda-chuva com mais força. Matilde chegou à casa da sogra e esta a recebeu de cenho trancado. A velha já supunha que a moça estava ali por necessidade. Do contrário não teria saído de casa naquelas condições. Logo pôde concluir, para aumentar-lhe o ranço gratuito, que outra vez a nora deixara suas netas sozinhas. Demorou alguns segundos para abrir a porta.

— O que faz aqui, com esse tempo? — resmungou.

— Vim lhes pedir ajuda. Estamos sem comida. O dinheiro acabou e não disponho de nada para dar às meninas de hoje para amanhã.

— Podemos ajudar — antecipou-se Das Neves, sua cunhada.

— Agradeço. Só me abalei até aqui por causa disso.

— Claro que vamos ajudar — confirmou a sogra. — Não vou deixar as minhas netas com fome. Não sou tão cruel como você pensa. Bata os pés no capacho e pode entrar. Sinta-se em casa — disse com alguma ironia.

— Eu nunca falei que a senhora é cruel.

— Pelo seu olhar, é como se imaginasse.

— Que olhar? Está enganada. Sou muito grata a vocês.

— Chega dessa conversa — interveio Das Neves. — Venha, Matilde, vamos à cozinha. Podemos lhe arrumar algumas coisas. Não é muito, mas irá lhe socorrer até que consiga dinheiro para fazer umas compras.

— Fui ao comércio do senhor Euzébio Suassuna, mas estava fechado. Eu queria saber se ele me venderia algumas mercadorias no fiado.

A senhora Esmeralda transferira a entrega dos víveres para a filha. Continuou na sala, na cadeira de balanço, manejando as agulhas de tricô. Apesar da cara trancada de costume, sentia que precisava ajudar a nora e, sobretudo, as netinhas. No íntimo, como de outras vezes, gostava que Das Neves tomasse a iniciativa de ir à despensa e arranjar alguns alimentos para aquelas pobres necessitadas.

Das Neves encheu a bolsa de palha com gêneros alimentícios, inclusive leite em pó, e a entregou sorridente. A outra parecia ter os olhos marejados. Quando passou pela sala, a viuvinha disse “obrigada” à sogra. A velha fez de conta que não ouviu. Matilde deu um abraço em Das Neves e voltou para casa. Ao abrir a porta encontrou as meninas no sofá, diante da televisão, que ela deixara ligada.

As crianças notaram que a mãe trazia a bolsa cheia de mantimentos, todavia não imaginavam a origem das coisas. Matilde já havia batido os pés na calçada, de modo que a terra caísse das sandálias, mas ainda assim deixou os calçados perto da porta, pois os recolocaria somente após tomar um banho.

Pendurou o guarda-chuva em um armador de rede da sala, retirou a máscara de proteção e começou a distribuir o conteúdo da bolsa sobre a mesa da cozinha. Em seguida, ao respirar fundo, foi guardando os gêneros no armário de metal fixado na parede, entre a geladeira e o fogão. Sentia-se aliviada com o fato de que teria alimento para si e para as filhas por mais três ou quatro dias.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Conto/Romance
sábado - 03/01/2026 - 23:40h

Pensando bem…

“Todo o ser humano é um estranho ímpar.“

Carlos Drummond de Andrade

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 03/01/2026 - 08:48h
Mudança

Bárbara Paloma assume presidência da OAB/RN interinamente

Carlos Kelsen passou comando de entidade à Bárbara Paloma (Foto: OAB/RN)

Carlos Kelsen passou comando de entidade à Bárbara Paloma (Foto: OAB/RN)

A vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN), Bárbara Paloma F. de Vasconcelos Bezerra, assume interinamente a presidência da Seccional Potiguar no período de 31 de dezembro de 2025 a 19 de janeiro de 2026. O anúncio foi feito pela OAB do RN nessa sexta-feira (02).

A condução ao cargo ocorre em razão do afastamento temporário do presidente Carlos Kelsen, durante o recesso institucional, conforme portaria publicada pelo Conselho Seccional da OAB/RN em 29 de dezembro de 2025.

Ao assumir a Presidência, Bárbara Paloma destacou o sentimento de honra e responsabilidade que marca o início da nova missão.

“É com imenso orgulho e profundo senso de responsabilidade que inicio essa missão. Servir à advocacia e à nossa instituição nunca foi apenas uma função, mas uma vocação, um propósito e uma crença. Acredito que o mundo só se transforma quando cada um de nós decide fazer a sua parte, com coragem, ética e compromisso com o coletivo”.

Bárbara Paloma é mossoroense, graduada em Direito pela Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi (2007), possui MBA em Holding, Planejamento Patrimonial e Sucessório (EBPOS) e Especialização em Recuperação de Tributos (IBIJUS).

É sócia fundadora do FSV Advogados e atua há 18 anos na área empresarial.

Bárbara atuou como Presidente da OAB Mossoró/RN no triênio 2019-2021, além de ter sido membro do Conselho e Secretária-Geral da Subseccional Mossoró da OAB. É membro do IAP – Instituto dos Advogados Potiguares e da ABMCJ – Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica.

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sábado - 03/01/2026 - 06:50h
Internacional

Trump anuncia ataque à Venezuela e captura de Maduro

Maduro é ditador venezuelano e Trump mostra força do imperialismo (Foto: Jesus Vargas e Aaron SchwartzCNPBloombergGetty Images)

Maduro é ditador e Trump mostra força do imperialismo (Foto: Jesus Vargas e Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg/Getty Images)

Do G1 e CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea.”

De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados.

Trump afirmou ainda que mais detalhes sobre a operação serão apresentados durante uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, horário de Brasília.

Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos.

Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.

Venezuela acusa os EUA

Logo após as explosões, o governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Segundo a nota, o presidente Nicolás Maduro convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.

“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o texto.

“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista.”

O governo venezuelano afirmou ainda que o objetivo da operação americana seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais. No comunicado, Caracas disse que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”.

Por fim, a Venezuela declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.

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sexta-feira - 02/01/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“Os otimistas são ingênuos, os pessimistas são amargos, mas vale ser um realista esperançoso.”

Ariano Suassuna

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sexta-feira - 02/01/2026 - 12:26h
Walter Alves

Núcleo do PT trabalha para evitar maior estrago

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

No núcleo duro do PT do RN, precisamente no entorno da governadora Fátima Bezerra, ninguém acredita que o vice-governador Walter Alves (MDB) dê passo atrás, na decisão de não assumir governo em março deste ano.

A prevista rodada de conversas em Brasília entre executivas do PT e MDB, além da intervenção direta do presidente Lula da Silva (PT), é encarada como tentativa de diminuir o estrago.

Leia tambémFátima e Walter se reúnem, mas não se entendem, para 2026

Leia também: Um mal necessário aos olhos do petismo

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sexta-feira - 02/01/2026 - 09:30h
Tecnologia e filantropia

Irmãos utilizam Inteligência Artificial para salvar vidas em hospitais

Imagem de Maura Losch  Axios)

Imagem de Maura Losch Axios)

Quando se fala em inteligência artificial, talvez a primeira coisa que venha à sua mente seja Big Techs e Vale do Silício. Mas tem empresa brasileira que também tem crescido neste mercado. Uma delas é a NoHarm, startup de AI criada por dois irmãos brasileiros para reduzir erros médicos. Ana Helena Ulbrich (Farmacêutica) e Henrique Dias (cientista da computação) são esses nomes.

Atualmente, a NoHarm está presente em cerca de 200 hospitais e analisa milhões de prescrições por mês — além de funcionar gratuitamente no SUS.

Como funciona: A tecnologia cruza dados clínicos e identifica riscos em receitas médicas antes do medicamento chegar ao paciente. A AI não decide sozinha: alerta, e o farmacêutico avalia.

Em um hospital público de Minas Gerais, por exemplo, a taxa de prescrições analisadas saltou de 0,6% para 49%, enquanto os erros caíram de 13% para apenas 0,3%.

Por que isso importa? Erros de prescrição estão entre as principais causas de falhas evitáveis no cuidado médico no Brasil. Estimativas apontam que 829 pessoas morrem todos os dias por falhas desse tipo — cerca de 3 óbitos a cada 5 minutos.

Curiosidade: Mesmo reconhecida globalmente — a cofundadora Ana Helena Ulbrich entrou para a lista da TIME das 100 pessoas mais influentes do mundo em AI — a NoHarm recusou até R$ 10 milhões em investimentos para manter o acesso gratuito no sistema público.

O projeto é todo financiado por investimentos sociais e por contratos com hospitais privados.

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sexta-feira - 02/01/2026 - 08:32h
Brasília

Bolsonaro recebe alta hospitalar e volta para cela na Polícia Federal

Veículo com Bolsonaro sai de hospital, em Brasília, direto para a PF (Foto: Nathália Sarmento/Poder 360)

Veículo com Bolsonaro sai de hospital, em Brasília, direto para a PF (Foto: Nathália Sarmento/Poder 360)

Do Poder 360

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta do Hospital DF Star, em Brasília, na noite desta 5ª feira (1º.jan.2026). Ele volta agora para a Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.

Bolsonaro estava internado desde 24 de dezembro, quando deu entrada para realizar uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. Além da cirurgia de hérnia, Bolsonaro também foi submetido a procedimentos médicos para tentar conter as crises de soluço. A equipe médica responsável pelo acompanhamento do ex-presidente afirmou na 4ª feira (31.dez) que ele passou a fazer uso de medicação antidepressiva, a pedido.

A defesa de Bolsonaro havia pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para ele ficar em prisão domiciliar por razões humanitárias. O magistrado negou a solicitação e determinou que Bolsonaro vá direto para a sua cela na PF ao receber alta.

Citou “reiterados descumprimentos das medidas cautelares diversas da prisão e de atos concretos visando a fuga, inclusive com dolosa destruição da tornozeleira eletrônica”.

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quinta-feira - 01/01/2026 - 18:14h
Economia

Novo salário mínimo brasileiro de R$ 1.621 entra em vigor

Salário tem efeitos nas contas públicas (Foto ilustrativa)

Salário tem efeitos nas contas públicas (Foto ilustrativa)

O novo salário mínimo para 2026, no valor de R$ 1.621, passa a vigorar nesta quinta-feira (1º). O valor representa um reajuste de R$ 103, ou 6,79% em relação aos R$ 1.518 de 2025.

Com isso, os trabalhadores passam a receber o novo salário a partir do pagamento de fevereiro. O valor mínimo da diária de trabalho corresponde a R$ 54,04, com o mínimo da hora trabalhada em R$ 7,37.

Além da remuneração efetiva, a alta do piso salarial também eleva diversos benefícios sociais que estão atrelados ao piso, como pagamentos previdenciários do INSS, seguro-desemprego, abono salarial e BPC (Benefício de Prestação Continuada). Com isso, os gastos públicos crescem.

Segundo cálculo da equipe econômica, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo, cria-se uma despesa de aproximadamente R$ 429,3 milhões. Com isso, os cofres do governo terão novos gastos obrigatórios de cerca de R$ 44,2 bilhões para 2026.

O cálculo para aumento do salário mínimo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, que cresceu 4,18% no acumulado de 12 meses. Além deste índice, entra em conta o crescimento da economia de 2 anos anteriores.

Para 2026, o cálculo considerou o Produto Interno Bruto de 2024, que cresceu 3,4%. No entanto, o arcabouço fiscal estabelece uma trava de que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%.

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Categoria(s): Economia
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