terça-feira - 17/03/2026 - 12:30h
Mossoró

Grupo do empresário Júnior Rebouças construirá Arena Nogueirão

Parceria Público-Privada também edificará o Centro Administrativo do município
Arena Nogueirão terá edificação tocada por grupo empresarial local (Arte: Reprodução)

Arena Nogueirão terá edificação tocada por grupo empresarial local (Arte: Reprodução)

Do TCM Notícia

A Prefeitura de Mossoró homologou, na noite dessa segunda-feira (16), o resultado do processo licitatório que habilitou a Nacional Incorporadora e Construtora LTDA para a execução do projeto de construção da nova Arena Nogueirão. A obra será realizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) e prevê a permuta de uma parcela do atual terreno do estádio por uma área onde deverá ser construído o novo Centro Administrativo Municipal.

A construtora declarada vencedora do processo é administrada pelo empresário de Mossoró, Júnior Rebouças, também proprietário de uma rede supermercadoatacadista. A informação sobre o interesse do empresário no edital foi publicada com exclusividade pelo TCM Notícia no dia 10 de março.

A sessão do processo licitatório foi retomada nesta segunda-feira (16), com a análise final da proposta técnica apresentada pela empresa, que acabou sendo homologada pela gestão municipal. Uma segunda proposta, da empresa Plano A Construtora LTDA, também foi apresentada, porém não avançou na avaliação do processo.

O investimento total para a execução das duas obras será de R$ 215.143,883,45 (Arte: Reprodução)

O investimento total para a execução das duas obras será de R$ 215.143,883,45 (Arte: Reprodução)

O projeto de Júnior Rebouças prevê a construção da Arena Nogueirão com capacidade para 15.229 espectadores, incluindo 76 assentos destinados a pessoas com deficiência e 100% das arquibancadas cobertas. O campo de jogo seguirá o padrão internacional, com gramado natural e sistema automatizado de irrigação.

Estão previstos 10 camarotes corporativos climatizados, arquibancada premium, cabines para comentaristas, tribunas de imprensa e dois estúdios de TV. A estrutura incluirá ainda bares, lanchonetes, núcleos de banheiros distribuídos pelos setores e um Museu do Esporte Mossoroense, destinado à preservação da memória esportiva local.

O projeto também prevê 1.268 vagas de estacionamento em dois pavimentos de subsolo, além de áreas destinadas à circulação de torcedores, equipes e serviços de emergência.

A proposta também cita a implantação de um shopping center na área de permuta ligada ao projeto da arena.

Centro Administrativo 

Como parte da permuta da área localizada na Avenida João da Escóssia, o novo Centro Administrativo deverá ser construído em um terreno de 25 mil metros quadrados na Avenida Rio Branco, no bairro Santo Antônio, nas proximidades de um atacarejo do grupo Rebouças.

De acordo com o cronograma apresentado, o prazo estimado para conclusão da Arena Nogueirão é de 18 meses, mesmo período previsto para o Centro Administrativo. A conclusão total do conjunto de obras, incluindo todas as etapas do empreendimento, tem prazo de até 43 meses.

Prazo estimado para conclusão da Arena Nogueirão é de 18 meses (Arte: Reprodução)

Prazo estimado para conclusão da Arena Nogueirão é de 18 meses (Arte: Reprodução)

O investimento total para a execução das duas obras será de R$ 215.143,883,45.

O resultado do processo licitatório, já finalizado, foi adjudicado e homologado pelo secretário de Administração de Mossoró, Washington Filho.

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terça-feira - 17/03/2026 - 09:24h
Luto

Educação mossoroense perde o professor Carlos Alberto Filgueira

Screenshot

Screenshot

A Associação dos Docentes da Universidade do Estado do RN (ADUERN) noticia o falecimento do professor e seu ex-dirigente, Carlos Alberto Filgueira, 81.

Não é detalhado nada sobre velório e sepultamento, mas atualizaremos dados nesta mesma postagem. Leia abaixo o registro da Aduern:

É com extrema tristeza que a ADUERN comunica o falecimento do professor aposentado e ex-presidente do sindicato Carlos Alberto Filgueira.

Carlinhos, além de ex- presidente (entre 1999/2001), foi vice e diretor diversas vezes da entidade, além disso, ele também dirigiu, nos anos 80, a AFFURN, hoje SINTAUERN, sendo assim uma das figuras mais emblemáticas do movimento sindical na UERN.

A ADUERN, em nome de seus associados e associadas, lamenta o falecimento de Carlinhos e reforça que sua história jamais será esquecida. Temos absoluta certeza que seu trabalho na UERN e sua luta em defesa do sindicato permanecerão vivos na memória de todos.

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terça-feira - 17/03/2026 - 08:06h
Senado

Possível retorno de Flávio Rocha esbarra no Coronel Hélio

Flávio: vice? (Foto: Cláudio Belli)

Flávio: política segue latente (Foto: Cláudio Belli/Arquivo)

A chegada de ‘última hora’ do empresário Flávio Rocha para se viabilizar como segundo nome ao Senado, do bolsonarismo, não vai prosperar.

O Partido Liberal (PL) fechou questão com o Coronel Hélio Oliveira, único bolsonarista-raiz da futura chapa majoritária.

Justo, justíssimo.

Rocha foi deputado federal por dois mandatos (1987 e 1990) e saracoteou-se como nome à presidência da República nos anos 90 e já neste século, lançando o projeto “Brasil 200.” Não avançou.

Abandonou vida pública espontaneamente há mais de 30 anos, para focar esforços no grupo empresarial Guararapes/Riachuelo.

Numa declaração à saída da política partidária, ele afirmou que se despedia “sem rancor e sem saudades”.

Pelo visto, a política continua latente nele.

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terça-feira - 17/03/2026 - 06:52h
Fecomércio/RN

“Mulheres em movimento” fortalece empreendedorismo feminino

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Realizado pela Câmara da Mulher Empreendedora – Fecomércio Com Elas, o evento “Mulheres em Movimento” ocorre nesta quarta-feira (18), no Praiamar Arena (antigo Holiday Inn), com o apoio da Caixa Econômica Federal.

Com os acessos esgotados, a programação contará com a LinkedIn Top Voicer e destaque no TEDx, Michelle Schneider, com a palestra “O Profissional do Futuro”, na qual aborda temas ligados à inovação, carreira e transformação digital.

O evento também contará com a participação da diretora-geral executiva da CNC, Simone Guimarães, que ministrará uma palestra sobre os desafios da atuação feminina em cargos de liderança no Brasil, com foco em gestão e desenvolvimento executivo.

Além disso, ela integrará o painel “Mulheres, Poder e Transformação”, ao lado da ex-juíza eleitoral e autora do livro “As mulheres e os Espaços de Poder no Rio Grande do Norte”, Adriana Magalhães, e da empresária Kênia Raíssa.

Na ocasião, com o objetivo de fomentar o empreendedorismo feminino, será lançado o programa Mulheres em Movimento, que, sob o escopo da Câmara da Mulher Empreendedora, oferecerá gratuitamente uma imersão em oito módulos de capacitação voltados às empresárias. Entre os temas abordados por especialistas estão Liderança e Influência Positiva, Inovação, Comunicação, Finanças, Autoconhecimento, Networking, Gerenciamento e Posicionamento.

As participantes também terão acesso a um autodiagnóstico do negócio e a um Plano de Desenvolvimento Individual, com acompanhamento. Toda a capacitação será oferecida pelo Senac, instituição de ensino com certificação reconhecida nacionalmente.

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terça-feira - 17/03/2026 - 06:32h
Eleições 2026

Ezequiel comanda mudança e fortalecimento do Republicanos

Eriko Jácome, Ezequiel Ferreira, Paulinho Freire e Fábio Dantas: Republicanos (Foto

Eriko Jácome, Ezequiel Ferreira, Paulinho Freire e Fábio Dantas: Republicanos (Foto

Do Tribuna do Norte

O Republicanos no Rio Grande do Norte trocará de comando nas próximas semanas. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira deve deixar o PSDB e passar a presidir o partido no Estado. O convite partiu do presidente da Câmara dos Deputados, o paraibano Hugo Motta, que foi colega do prefeito de Natal, Paulinho Freire, quando este era deputado federal até dezembro de 2024. Paulinho deverá deixar o União Brasil e assinar a ficha do Republicanos.

Outros dois pilares nas articulações são o presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, que deixará o PP. Além do ex-vice-governador Fábio Dantas, conhecedor e articulador de várias nominatas, que deixa o Solidariedade. Os últimos dias tem sido de intensas reuniões e contatos, inclusive no final de semana, fazendo contas e convidando nomes para compor a nominata estadual e federal. Até o fim deste mês, serão apresentados os 25 nomes que integrarão a nominata do Republicanos para a Assembleia Legislativa, além dos nove que já estão sendo articulados para concorrer a deputado federal pela legenda.

São nomes de deputados que concorrerão à reeleição na Assembleia Legislativa, e outros que virão fortalecer representando várias regiões do Estado, onde o  Republicanos receberá forças.

Para Assembleia Legislativa, a imprensa já tinha vazado os deputados Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, Ubaldo Fernandes, Cristiane Dantas, Terezinha Maia e Eudiane Macedo, além do presidente da Casa, Ezequiel Ferreira. Outros nomes fortes são do médico e ex-prefeito de Assú, Dr. Gustavo Soares, o presidente da Câmara de Natal, Ériko Jácome, o vereador mais votado da capital, Robson Carvalho.

Apresentador de TV, Léo Souza, que foi eleito vereador com mais de cinco mil votos. O ex-deputado Getúlio Rego, votado no Alto Oeste Potiguar e o ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Berói, forte liderança no Agreste Potiguar. A apresentadora da Band Natal, Juliana Celli, influencer com mais de 60 mil seguidores somente no Instagram, são novidades das últimas informações.

Nota do BCS – Republicanos no RN ainda está nas mãos do pré-candidato a governador Álvaro Dias. Mas no próximo sábado (21) vai se filiar ao PL do senador Rogério Marinho.

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segunda-feira - 16/03/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Não há nada que determine mais o que seremos do que as coisas que optamos ignorar.”

Sandor Mcnab

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segunda-feira - 16/03/2026 - 23:44h
Saúde

Hospital recebe tomógrafo que avançará em diagnóstico

Equipamento teve custo de R$ 2,5 milhões (Foto: Divulgação)

Equipamento teve custo de R$ 2,5 milhões (Foto: Divulgação)

O Hospital Infantil Varela Santiago, situado em Natal, acaba de receber um importante reforço para a área de diagnóstico por imagem. A instituição foi contemplada com a doação de um tomógrafo Philips Incisive CT, avaliado em R$ 2,5 milhões. O equipamento foi doado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, do estado do Rio Grande do Sul, e representa um avanço significativo na capacidade tecnológica do hospital.

Com tecnologia de 64 canais, o novo tomógrafo substitui o equipamento anterior de 16 canais e proporciona ganhos expressivos em velocidade de aquisição de imagens, qualidade diagnóstica e precisão na identificação de doenças. O avanço é especialmente relevante no diagnóstico de casos complexos, como o câncer infantojuvenil, permitindo identificar tumores, microlesões e nódulos muito pequenos com maior nitidez e segurança.

A tecnologia de múltiplos detectores permite captar um volume maior de informações a cada rotação do aparelho, resultando em imagens mais detalhadas e de alta definição. Esse nível de precisão contribui para diagnósticos mais rápidos e confiáveis, além de favorecer o acompanhamento da evolução dos tratamentos.

Precisão

Entre os principais benefícios do novo equipamento estão a detecção mais precoce de lesões, maior precisão na caracterização dos tumores e redução de artefatos de movimento durante os exames. A aquisição das imagens ocorre de forma mais rápida, o que reduz interferências provocadas por movimentos respiratórios ou batimentos cardíacos — fator especialmente importante em exames de tórax e abdômen.

O tomógrafo também amplia a capacidade do hospital para a realização de estudos vasculares de alta precisão, como angiotomografias, fundamentais para o planejamento de cirurgias e para a avaliação detalhada da vascularização tumoral.

Outro benefício importante está no conforto e na segurança dos pacientes. Como os exames são realizados em menos tempo, crianças e adolescentes em estado de maior fragilidade precisam permanecer menos tempo em apneia ou imobilidade, tornando o procedimento mais ágil e humanizado. O equipamento também permite otimizar protocolos de exame, contribuindo para maior eficiência e melhor controle das doses de radiação.

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segunda-feira - 16/03/2026 - 23:34h
Reservas hídricas

Oiticica bate 32,17% de sua capacidade; Armando Ribeiro a 41,69%

Armando Ribeiro fica no Vale do Açu (Foto: Igarn)

Armando Ribeiro fica no Vale do Açu (Foto: Igarn)

O Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN) divulga Relatório atualizado divulgado nesta segunda-feira (16) sobre as reservas hídricas superficiais totais do RN acumulam 2.082.834.093 m³, o que corresponde a 39,36% da capacidade total, estimada em 5.291.480.649 m³.

O reservatório que apresentou maior recarga em decorrência das últimas chuvas foi a barragem Campo Grande, localizada no município de São Paulo do Potengi. O manancial teve aumento de 4,16% em relação ao relatório da última segunda-feira (09 de março), passando de 21.464.849 m³ (92,76%) para 22.427.823 m³, o que corresponde a 96,92% da sua capacidade total, que é de 23.139.587 m³.

Outro reservatório que apresentou recarga percentual significativa foi o açude Pinga, localizado em Cerro Corá, que atualmente acumula 3.494.936 m³, equivalentes a 88,42% da sua capacidade total, que é de 3.952.610 m³. O volume representa um aumento de 2,35% em relação ao relatório anterior, quando o manancial registrava 3.402.075 m³ (86,07%).

O açude Inharé, localizado em Santa Cruz, acumula 6.290.950 m³, correspondentes a 35,74% da sua capacidade total, que é de 17.600.000 m³. No relatório do dia 09 de março, o reservatório registrava 5.893.000 m³, equivalentes a 33,48% da sua capacidade total.

A barragem de Oiticica, segundo maior reservatório do estado, acumula atualmente 238.885.309 m³, o que corresponde a 32,17% da sua capacidade total, de 742.632.840 m³. O volume representa um aumento de 1,27% em relação ao último relatório, quando o manancial registrava 229.462.373 m³ (30,90%).

Já a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, acumula 989.326.689 m³, correspondentes a 41,69% da sua capacidade total, que é de 2.373.066.000 m³. No relatório anterior, o manancial registrava 995.593.025 m³ (41,95%).

Entre os reservatórios monitorados pelo IGARN, 19 ainda permanecem com volumes inferiores a 10% da capacidade total. São eles: Itans, em Caicó (0,05%); Sabugi, em São João do Sabugi (1,80%); Passagem das Traíras, em São José do Seridó (0,03%); Esguicho, em Ouro Branco (2,41%); Bonito II, em São Miguel (4,17%); Dourado, em Currais Novos (5,19%); Apanha Peixe, em Caraúbas (3,13%); Gangorra, em Rafael Fernandes (3%); Jesus Maria José, em Tenente Ananias (0,30%); Beldroega, em Paraú (4,93%); Tourão, em Patu (2,41%); Zangarelhas, em Jardim do Seridó (6,97%); Alecrim, em Santana do Matos (8,27%); Brejo, em Olho D’Água do Borges (0,27%); 25 de Março, em Pau dos Ferros (4,12%); São Gonçalo, em São Francisco do Oeste (3,34%); Mundo Novo, em Caicó (permanece seco); Inspetoria, em Umarizal (3,42%); e Lulu Pinto, em Luís Gomes (0,01%).

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segunda-feira - 16/03/2026 - 22:50h
Edital

Codern fará concurso para níveis médio e superior

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A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) publica nesta segunda-feira (16) o edital de seu novo concurso público, que será executado pelo Instituto AOCP. O certame prevê vagas e formação de cadastro de reserva para cargos de níveis médio e superior.

As oportunidades são para os cargos de Auxiliar Portuário Operacional (Eletricista Operacional), Assistente Administrativo, Assistente Administrativo (Operações Portuárias), Técnico em Segurança do Trabalho, Técnico Desenvolvedor de Software, Administrador, Contador, Advogado, Economista, Analista de Sistemas e Engenheiro Civil.

Os cargos possuem carga horária mensal que varia entre 180 e 220 horas, e a remuneração até R$ 5.723,35, de acordo com o cargo.

As taxas de inscrição são de R$ 80,00 para os cargos de nível médio e de R$ 140,00 para os cargos de nível superior.

Inscrições

As inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet, por meio do site do Instituto AOCP. Para participar, o candidato deverá preencher o Formulário de Solicitação de Inscrição, declarando estar ciente das condições exigidas para admissão e das normas estabelecidas no edital.

Após o preenchimento, será necessário imprimir o boleto bancário e efetuar o pagamento da taxa de inscrição até a data de vencimento. Inscrições cujo pagamento seja realizado fora do prazo não serão aceitas.

Edital completo

O edital completo, contendo todos os requisitos, programas das provas, extratos e demais documentos referentes às etapas do concurso, estará disponível nesse site:

www.institutoaocp.org.br

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segunda-feira - 16/03/2026 - 22:22h
Março e abril

Circuito Potiguar alcançará Mossoró e Assú

Parte da equipe do projeto Circuito Potiguar (Foto: divulgação)

Parte da equipe do projeto Circuito Potiguar (Foto: divulgação)

O Circuito Potiguar entra em nova etapa com ações voltadas à educação ambiental, capacitação de catadores e descarte correto de resíduos eletrônicos nos municípios de Mossoró e Assú.

A programação inclui oficinas interativas para alunos e professores da rede pública municipal, abordando de forma prática temas como o que são equipamentos eletroeletrônicos, os riscos do descarte incorreto, formas adequadas de destinação e a importância do consumo consciente e de práticas sustentáveis.

Paralelamente, o projeto promoverá capacitação para catadores de materiais recicláveis, com foco na reciclagem de eletroeletrônicos, ampliando qualificação técnica, geração de renda e o reconhecimento desses profissionais como agentes ambientais.

As capacitações ocorrerão das 8h às 12h:

17 de março de 2026 – Escola Municipal Marineide Pereira da Cunha, em Mossoró

24 de março de 2026 – Escola Municipal Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti, em Assú

A etapa seguinte será o *Mutirão do Eletroeletrônico*, aberto à comunidade escolar e à população, permitindo o descarte adequado de equipamentos eletrônicos.

Os mutirões também ocorrerão das 8h às 12h:

7 de abril de 2026 – em Mossoró

14 de abril de 2026 – em Assú

Durante as ações, o caminhão da Natal Reciclagem será responsável pelo recolhimento dos equipamentos, enquanto equipes do projeto conduzirão atividades educativas com estudantes e comunidade. A meta é recolher 20 toneladas de lixo.

A iniciativa integra o edital de gestão de resíduos eletrônicos da Entidade Administradora da Faixa, que selecionou projetos voltados à economia circular, educação ambiental e gestão responsável de resíduos no Nordeste.

Edital de Gestão de Resíduos Eletrônicos

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) está destinando R$ 1 milhão em 10 projetos selecionados pelo edital de gestão de resíduos eletrônicos no Nordeste. As iniciativas, voltadas para a economia circular, educação ambiental e gestão responsável, vão beneficiar, ao todo, aproximadamente 50 cidades nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A ação está relacionada ao programa Siga Antenado, que instalou 5 milhões de novas parabólicas digitais no país entre 2024 e 2025 e promove a responsabilidade socioambiental por meio deste investimento nas iniciativas de descarte adequado de resíduos eletrônicos.

Sobre a EAF

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3.5 GHz, essencial para a operação do 5G no país; a execução dos programas Siga Antenado e Brasil Antenado; a implantação das infovias na região amazônica, para expandir a infraestrutura de telecomunicações no Norte do Brasil; e o desenvolvimento das redes privativas de comunicação para o Governo Federal.

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segunda-feira - 16/03/2026 - 18:22h
Mossoró

Allyson renuncia dia 30; duplicação de avenida está planejada

Em entrevista coletiva nesse domingo (15), em meio à programação de entrega do Complexo Viário 15 de Março, o prefeito mossoroense Allyson Bezerra (UB) anunciou que renunciará ao mandato no próximo dia 30. Concorrerá ao governo estadual.

Mas não ficou só nisso.

Também destacou que a Avenida Francisco Mota, extensão da BR-110 (Areia Branca-Mossoró), onde se situa o Hospital Municipal e o Campus Central da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) será duplicada. Segundo ele afirmou, ao lado do vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD), o projeto está sendo trabalhado e caberá ao seu sucessor assegurar a construção dessa obra.

Inauguração

A entrega do Complexo Viário 15 de Março cumpriu uma programação que começou às 6h com passeio ciclístico. Na sequencia, às 16h30, a vez foi de corredores e pessoas caminhando na pista. Estrutura social e de saúde da municipalidade também foi acionada com prestação de vários serviços.

A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, entre elas a senadora Zenaide Maia (PSD), o vice-governador do Estado, Walter Alves (MDB); os deputados estaduais Hermano Morais MDB) e Neilton Diógenes (PP); o deputado federal João Maia (PP); os prefeitos Marianna Almeida (Pau dos Ferros), Pezão (Umarizal), Sabino (Apodi); além de vereadores, secretários municipais.

Vídeo e reportagem de Cézar Alves do portal Mossoró Hoje.

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segunda-feira - 16/03/2026 - 11:30h
Rádio

Mercado de comunicação está agitado no RN

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

Mercado de comunicação anda agitado no RN.

Em Parnamirim, a 104.7 FM Trampolim da Vitória, do espólio do ex-prefeito Agnelo Alves (In memoriam), está em negociação avançada.

Informação é que o grupo do empresário Agnelo Cândido, o “A. Cândido”, há décadas no setor de transporte coletivo com a marca Santa Maria, é o interessado.

O A. Cândido trabalha com imóveis, a STA Motors (concessionárias Mercedes Benz em Natal, Campina Grande e em João Pessoa), concessão de transporte público na capital paraibana e outras marcas comerciais.

Cândido já adquiriu outra FM há cerca de cinco anos, do Grupo Hapvida, em sociedade com o empresário Haroldo Azevedo, da 94 FM.

Leia também: Grupo empresarial poderá ter rede com 12 emissoras

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Categoria(s): Comunicação
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segunda-feira - 16/03/2026 - 07:24h
Investigações

Caso Banco Master eleva tensão entre poderes

A 'caixa-preta' do master parece angustiar muita gente (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Banco Master Santander Agência envolve nomes de peso (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Do Canal Meio e outras fontes para o BCS

O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master elevou a temperatura entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a preocupar o governo Lula pelo potencial desgaste eleitoral que o caso pode gerar. Além disso, há tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula do Congresso com o governo federal.

Nos bastidores, políticos e magistrados dizem enxergar aval do Planalto na condução da Polícia Federal (PF) nas investigações. Além disso, avaliam que o entorno do presidente Lula fez coro às críticas a Dias Toffoli, expondo o ministro e a Corte como um todo.

Já congressistas acusam o Planalto de influenciar a atuação da PF para prejudicar adversários políticos de Lula. Na sexta-feira, a segunda turma do STF formou maioria para manter a prisãode Daniel Vorcaro. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça, e o decano Gilmar Mendes tem até a próxima sexta para votar. Dias Toffoli se declarou impedido. (Globo)

Uma troca na defesa de Vorcaro pode contribuir para a elevação dos ânimos. O advogado Pierpaolo Bottini, que é contra acordos de delação, deixou o caso. O dono do Banco Master passará a ser defendido por José Luis Oliveira Lima, que entende a delação premiada como um meio de defesa. A mudança veio logo após se formar maioria para manter a prisão do banqueiro. (g1)

Eliane Cantanhêde: “A delação de Vorcaro é esperada com pânico pelos múltiplos suspeitos e com ansiedade por investigadores e pela sociedade brasileira, já desconfiada de que um só cidadão, com um sócio embrenhado no mundo político, um cunhado pastor e um criminoso contratado, não seria capaz de corromper tantos, ao mesmo tempo. Afinal, Vorcaro é o dono do Master e o cérebro de tudo isso, ou é apenas parte pública e visível de uma engrenagem muito maior?” (Estadão)

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Categoria(s): Política
domingo - 15/03/2026 - 23:48h

Pensando bem…

“A sua irritação não solucionará problema algum. O seu mau humor não modifica a vida. Não estrague o seu dia.”

Chico Xavier
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domingo - 15/03/2026 - 15:22h
Mossoró - 174 Anos

Uma história que orgulha o Brasil

Em vídeo da página oficial da Prefeitura de Mossoró, o historiador e pesquisador Geraldo Maia faz um resumo da história do município que completa 174 anos neste domingo (15).

Foi aqui que aconteceram alguns dos maiores atos de coragem do nosso país:

A resistência ao bando de Lampião;

O primeiro voto feminino do Brasil;

A libertação dos escravos antes da Lei Áurea e O Motim das Mulheres

Tantos e tantos acontecimentos colocaram nossa cidade no mapa da história nacional.

Terra de gente valente, de mulheres e homens que nunca tiveram medo de fazer diferente.

Celebrar Mossoró é lembrar de tudo o que já foi conquistado e acreditar em tudo o que ainda podemos construir.

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domingo - 15/03/2026 - 12:24h

Lembranças da campanha eleitoral de 1982

Por Odemirton Filho

Arte de Cássio Costa da Agência Senado

Arte de Cássio Costa da Agência Senado

O ano era 1982. Eu tinha somente dez anos de idade. Em ano de eleição, vem à memória campanhas eleitorais que presenciei. Ao lado dos meus pais, que sempre gostaram de ver as movimentações eleitorais, principalmente, os comícios, acompanhávamos pelas ruas de Mossoró as passeatas e carreatas dos candidatos.

Talvez, daí eu tenha herdado o hábito de, até hoje, ficar nas esquinas, “curiando” as movimentações eleitorais dos candidatos de todas as tendências partidárias, em ano de eleição. Como o voto ainda é secreto, somente eu e a urna conhecemos os meus “eleitos”.

Naquela eleição, a disputa para o Governo do Rio Grande do Norte foi entre Aluízio Alves e José Agripino. Foi a primeira campanha eleitoral guardada na minha lembrança. Antes, no entanto, houve campanhas memoráveis, sobretudo as realizadas pelo “cigano feiticeiro”. “Rio Grande do Norte, cem anos avançou, depois que Aluízio Alves se elegeu governador” .

Cabe um regaste histórico: Aluízio Alves foi governador entre 1961 e 1966; Monsenhor Walfredo Gurgel de 1966 a 1971; Cortez Pereira governou de 1971 a 1975; Tarcísio Maia de 1975 a 1979 e Lavoisier Maia de 1979 a 1982. Em 15 de novembro de 1982 houve a eleição para governador. Apurados os votos, depois de dias de expectativa, Zé Agripino obteve 389,677 (57,59%) e Aluízio Alves 283.366 (41,88%).

Na campanha eleitoral de 1982 se falava muito sobre o voto “camarão”. Eu, ainda criança, não entendia bem essa questão, e indagava: que danado é o voto “camarão”? Meus pais devem ter explicado, ou, pelo menos, tentaram explicar.

Lembro que esperamos o candidato, no caso Zé Agripino, para acompanhá-lo na movimentação, no aeroporto de Mossoró. Depois, saímos em carreata/passeata pelas ruas. Era uma ruma de gente; o povo bebendo e cantando as músicas.

Parecia uma festa. E era, na verdade, pois cantores consagrados nacionalmente faziam showmícios, na década de oitenta. Não lembro se à época já tocava a famosa ‘lambada”, música que, até hoje, embala quase todas as campanhas eleitorais.

Como já contei em crônicas anteriores, o ato final da movimentação, o comício, era realizado no largo do Jumbo ou da Cobal. Ali, os candidatos, fossem “bacuraus ou bicudos”, usavam toda a sua oratória para envolver a multidão, falando bonito, utilizando frases de efeito. A retórica permanece a mesma de lá pra cá, apenas saiu das ruas para as redes sociais.

Foi há quarenta e quatro anos. O povo esperava por dias melhores. E ainda espera.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica / Política
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domingo - 15/03/2026 - 11:50h

A dona da rua

Por Marcelo Alves

Rive Gauche (Reprodução do WIkipedia)

Rive Gauche (Reprodução do WIkipedia)

Minha estada na festiva Paris, quando jovem, não se resumiu a café e cafeterias. Até acho que, de longe, a coisa que mais fiz foi caminhar. Muitas vezes sem destino, apenas pelo simples prazer de flanar. Pela Rive Droite (a tal margem direita do Sena), do Louvre à Opéra Garnier e pelos bulevares que dali partem. Pela Avenue des Champs-Élysées até o Arc de Triomphe. Pelo entorno do Centre Georges-Pompidou. Pelo agradabilíssimo Marais. E por aí vai.

Entretanto, a minha praia mesmo era a Rive Gauche, especialmente as regiões de Saint-Germain-des-Prés (onde morava) e do Quartier Latin. Sempre que podia, saía do meu hotel na Rue Madame, rezava um Santo Anjo na Igreja de Saint-Sulpice e passava na pertíssima livraria La Procure. Observava muitos rostos no Boulevard Saint-Germain. Chegava no Boulevard Saint Michel. Ali xeretava as enormes livrarias Gibert Joseph e Gibert Jeune. Voltava em direção à Notre Dame e à Shakespeare & Cia. Bisbilhotava os bouquinistes do Sena. E fazia tantas outras coisas que retornava, já tarde da noite, qual o elefante do poeta, invariavelmente fatigado.

Já na mistura de Saint-Germain-des-Prés com Montparnasse, havia uma jornada que eu fazia todos os dias, animado, para assistir aula na Alliance Française, no Boulevard Raspail, 101. E não demorei para descobrir que esse caminho passava em frente a um dos mais significativos endereços da Paris literária: a antiga casa de Gertrude Stein (1874-1946), na Rue de Fleurus, 27.

Conhecia Gertrude Stein de fama e, em especial, das suas memórias “A autobiografia de Alice B. Toklas”, de 1933. Na edição que tenho em mãos (L&PM, 2006) consta: “Mais moderna do que todos os modernos, mais vanguardista do que os cubistas cujos quadros forravam as paredes da sua casa, Gertrude Stein – mulher de opiniões inusitadas, opção sexual heterodoxa, americana auto-exilada na Europa – embebeu sua literatura com o caráter experimental da sua vida”.

Inteligentemente, ela “redigiu a autobiografia da sua amante, apenas para nela aparecer como personagem e narrar suas próprias experiências na terceira pessoa”. E essa sacada, um dos mais coloridos retratos da vida intelectual e artística de Paris, “transformou a influente escritora, crítica e colecionadora de arte Gertrude Stein em um dos célebres nomes da literatura norte-americana da primeira metade do século XX”.

De fora, a famosa habitação, com aquela placa indicando a ex-moradora, logo me pareceu elegante, mas não chique. Mas dizem que era apenas a escritora ou a sua amante abrirem a porta e o visitante quedava impressionado. O interior era luxuoso, com móveis em estilo renascentista italiano. Pouco confortáveis, também dizem. As paredes eram preenchidas, chão a teto, com quadros e telas. E aquele salão, sábado à noite, estava sempre “repleto de gênios, quase gênios e futuros gênios”, nas palavras da própria Gertrude.

De início, gente como Apollinaire, Picasso, Matisse, Braque e Juan Gris, tirando o primeiro, todos pintores, com obras expostas ali. Mas foi com o fim da 1ª Guerra Mundial, na virada de 1919 para os anos 1920, que a coisa, para o meu gosto, tornou-se mais interessante. Como anota Jessica Powell, em “Literary Paris: a Guide” (The Little Bookroom, 2006), uma nova leva de “americanos havia chegado em Paris e novos rostos logo encheram o seu apartamento térreo, entre eles Sherwood Anderson, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Robert McAlmon e Ford Madox Ford.

A casa de Gertrude Stein (1874-1946)

A casa de Gertrude Stein (1874-1946)

A tradição do velho salão de Stein seria substituída nos anos 1920 por essa ‘geração perdida’ (um termo mais tarde atribuído a Gertrude mas que ela alegava lhe ter sido dito por um gerente de hotel francês). Stein, então aproximando-se dos 50 anos, era tida por alguns desses jovens escritores como a ‘mãe de todos nós’, em parte pelo seu papel de mentora”. Consta, para dar um exemplo, que Hemingway lhe era grande devedor na formatação dos seus primeiros contos.

Nunca entrei no endereço da Rue de Fleurus. Apenas sonhava com o café e a conversa naquele salão avant-garde, de ideias radicais e geniais, numa Paris de outrora. Paciência. Devo me contentar em reler “A autobiografia”. Há muitas fofocas e meias-verdades no livro, dizem. Os americanos adoraram. Alguns ilustres franceses também. Outros nem tanto, Braque, Matisse e Tzara entre eles. Amigos romperam com a autora. Bom, eu não tenho nada com isso. Acreditarei em tudo. E vai ver Miss Stein, assim como fez com Hemingway, procede à minha instrução.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 10:50h

E se Boechat estivesse vivo?

Por Cesar Amorim

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Domingos têm um ritmo próprio. Não são apenas a pausa entre duas semanas; são também um breve intervalo de contemplação, quando o ruído da política parece baixar alguns decibéis e o país respira antes de retomar sua habitual turbulência.

​​São nesses momentos que percebemos a falta de certas vozes, entre elas, a de Ricardo Boechat.

​​Diante das recentes controvérsias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o chamado “Caso Master, é inevitável imaginar como Boechat reagiria a mais um episódio em que poder, evidências e narrativas se entrelaçam no palco da vida pública.

Não porque ele oferecesse respostas definitivas, esse, aliás, nunca foi o seu método. Seu talento residia em algo mais raro e mais incômodo: formular, com ironia peculiar, as perguntas certas.

​​Boechat não era um moralista de ocasião, tampouco um comentarista inclinado a aderir às paixões instantâneas da política brasileira. Havia em sua voz uma lucidez desconcertante. Tratava temas graves com a clareza de quem conversa com o ouvinte comum, mas sem abrir mão da densidade que os assuntos públicos exigem.

Num episódio como o atual, é provável que ele começasse pelo essencial, aquilo que frequentemente se perde no labirinto de versões, notas oficiais e disputas partidárias: a confiança pública.

Instituições vivem de credibilidade. E poucas no Brasil concentram tanta autoridade quanto o Supremo Tribunal Federal. Não se trata apenas de um tribunal que interpreta a Constituição; trata-se de um dos pilares da arquitetura institucional do país. Por isso mesmo, qualquer dúvida que alcance um de seus ministros deixa de ser apenas pessoal. Torna-se, inevitavelmente, institucional.

​ ​Boechat costumava lembrar algo simples e, por isso mesmo, poderoso: transparência não é favor do poder, é exigência da democracia.

Não se trata de presumir culpa, tampouco de estimular julgamentos precipitados. Trata-se de reconhecer que quem exerce enorme autoridade pública carrega também uma responsabilidade proporcional.

O problema é que, no Brasil contemporâneo, as crises raramente percorrem esse caminho sereno. Escândalos e suspeitas logo se transformam em munição política. O debate se organiza em trincheiras: de um lado, os que condenam antes da apuração; de outro, os que tratam qualquer pergunta como conspiração.

Era justamente nesse terreno que Boechat se destacava.

Ele desconfiava das unanimidades e das torcidas organizadas. Sabia que a verdade raramente floresce em ambientes dominados pela paixão partidária.

Se Boechat ainda estivesse entre nós, provavelmente faria o que sempre fez. Colocaria a pergunta certa no centro da conversa.

E lembraria, com sua serenidade crítica, que a legitimidade das instituições não se sustenta apenas na autoridade formal de seus cargos, mas na confiança silenciosa da sociedade que as observa.

Domingos têm mesmo esse efeito curioso. Entre uma semana e outra, olhamos para o país com um pouco mais de distância e percebemos que, em meio ao barulho constante do debate público, certas vozes continuam fazendo falta.

​Fazem falta porque tinham algo cada vez mais raro no Brasil: a coragem simples de perguntar.

Cesar Amorim é advogado militante e especialista em Direito Administrativo.

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domingo - 15/03/2026 - 09:30h

Lembranças do meu avô bossa-nova

Por Marcello Benevolo

José Benévolo Xavier e JK (Foto colorizada com uso de IA)

José Benévolo Xavier e JK (Foto colorizada com uso de IA)

José Benévolo Xavier nasceu em 29 de outubro de 1903, em Caicó (RN). A cidade, carinhosamente apelidada de “Meu Pedacinho do Céu”, fica encravada no Seridó, o coração do sertão potiguar. Caicó é famosa por sua carne de sol, pela linguiça sertaneja, pelos queijos de manteiga, pelos doces e pelos finos bordados.

Seresteiro e tocador de bandolim, casado com dona Maria Amália, ele tocou noite adentro quando do nascimento de minha tia Ana Teresa, a caçula e ponta da rama. O festejo veio após vovó parir uma sequência digna de um time de futebol de salão, composto pelo meu pai, Edmar (babá), e meus tios Ismael (do Bandern) e José (da gata), já falecidos, João (palha) e Cornélio (ou Nelhão).

Vovô Benévolo — ou Benevinho, como vovó Amália carinhosamente o chamava (certamente quando estavam de bem) — foi um comerciante conhecido e respeitado. A Bodega de Zé Benevolo funcionava na esquina do Mercado Central, na rua Felipe Guerra. Abastecia Caicó em um tempo no qual supermercados ainda não eram realidade por aquelas bandas. Segundo o Censo de 1950, a população local girava em torno de 24 mil habitantes.

De fala mansa, cordial e conciliador, como eu ouvia mamãe dizer, ele conquistou a prefeitura da cidade entre os anos de 1954 e 1958. Foi um candidato de consenso pelo então PSD, contando inclusive com as bênçãos da oposição udenista. Zé Benévolo transitava bem no meio político e, com sua facilidade em cultivar amizades, foi eleito para comandar Caicó.

Prefeito de um mandato só — numa época em que não existia reeleição e o mandato durava um quinquênio —, li em pesquisas na internet que foi considerado um gestor eficiente e, acima de tudo, honesto. Com ele, dois mais dois sempre dava quatro, repetia mamãe, orgulhosa do sogro querido.

Aqui e acolá, ainda encontro entre os pertences deixados por minha mãe, falecida há três anos, fotografias antigas de Caicó. Meus tios também contribuem com registros no grupo de WhatsApp da família Benévolo. Para mim, que amo fotografia, é uma verdadeira viagem no tempo.

Essas imagens revelam a importância política e estratégica de Caicó para o Rio Grande do Norte e, por vezes, para o cenário nacional. O “Pedacinho do Céu” era – e ainda é – sempre parada obrigatória para os grandes nomes da política. Vovô recebeu figuras de peso: mamãe relatava almoços e jantares na residência humilde de Zé Benévolo e Maria Amália, na antiga Rua do Serrote.

Alguns desses registros fotográficos flagram as visitas do futuro Presidente Bossa-Nova, o mineiro Juscelino Kubitschek. Em outra oportunidade, os Benevólosreceberam o então candidato à presidência da República pelo PSD, Juarez Távora, acompanhado do governador de São Paulo, Jânio Quadros, e sua comitiva — conforme anotado no verso de uma foto enviada por um amigo do meu avô, Sílvio Bezerra Filho.

Das muitas lembranças que guardo, as mais afetivas envolvem sua paixão pela leitura. Contos e poesias matutas eram seus temas preferidos; papai costumava presenteá-lo com livros todo final de ano.

Vovô amava declamar, mas não bastava a voz: ele precisava encenar. Certo dia, em nossa casa no Recife, pediu que mamãe trouxesse um facão da cozinha. Empunhando uma almofada do sofá, encenou a história (cujo nome não me lembro) de uma donzela que morria por amor. Contudo, a performance mais clássica e imbatível era “Flor de Puxinanã”, do paraibano Zé da Luz. O poema matuto narra a formosura das três irmãs Augusta, Guilhermina e Maroca.

Eu, criança, morria de rir quando ele falava das “três cachorra da moléstia”— expressão que só anos mais tarde entendi significar como irresistíveis. Eu chorava de rir na parte em que ele declamava: “A tercêra, era Maroca. Cum um cóipo muito má feito. Mas porém, tinha nos peito dois cuscús de mandioca.”

Lembro-me também de seu cuidado com a saúde, especialmente após duas operações na cabeça. Raramente andava descalço e vestia a camisa logo após tomar sopa para evitar a friagem. Já velhinho, mas sempre bom de boca, traçava o que viesse no prato. “Tenho fastio não”, repetia.

Juarez Távora e Jânio Quadros com a companhia de “Vovô Benévolo” (Foto colorizada com recursos de IA)

Juarez Távora e Jânio Quadros com a companhia de “Vovô Benévolo” (Foto colorizada com recursos de IA)

Devoto de Sant’Ana, rezava o terço com frequência diante de um pequeno oratório com algumas imagens de santos organizado dentro de um guarda-roupa, no quarto de visitas onde passava boa parte do dia deitado na rede. Isso já em sua casa em Natal, na Rua Estácio de Sá (Lagoa Nova), hoje renomeada Rua José Benevolo Xavier em sua homenagem.

Curiosamente, aquele guarda-roupa abrigava, em perfeita harmonia, o sagrado e o profano. Na porta ao lado do oratório, repousava sempre uma garrafa de uísque — o segundo melhor presente, atrás apenas dos livros. Ele batia no rótulo e dizia ao meu pai: “Esse é do bom, meu filho”. Antes do almoço, vinha a chamadinha. Bastava vovó anunciar a refeição para ele dar um pulo da rede e tomar um dedinho de uísque caubói, que ele garantia ser prescrição médica.

Vovô Benevolo partiu em uma tarde de 26 de agosto de 2002, aos 98 anos. Não chegou aos sonhados 100 — marca superada por sua mãe, que viveu até os 101. Na época, eu morava em Brasília e não pude comparecer ao sepultamento em Natal.

Ficam as lembranças e a saudade de Zé Benevolo, que nos deixou um legado de retidão, fé e, acima de tudo, um imenso amor à família.

Marcello Benevolo é advogado e jornalista pernambucano radicado em Natal

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 08:40h
Religião e voto

O muro entre evangélicos continua de pé

É necessário aprofundar no país a compreensão da política e dos campos religiosos
Mudanças profundas reconfiguram uma multidão que precisa ser entendida (Foto: Miguel Schincariol / AFP)

Mudanças profundas reconfiguram uma multidão que precisa ser entendida (Foto: Miguel Schincariol / AFP)

Por Ana Carolina Evangelista, do Canal Meio, para o BCS

O Brasil vai para a eleição presidencial de 2026 com as forças partidárias e ideológicas ainda presas a velhos dilemas em relação ao voto evangélico. O primeiro deles é também o mais recorrente: tratar o “voto evangélico” assim mesmo, no singular, como se fosse uma categoria única.

A ideia de um “voto evangélico” homogêneo sempre foi um equívoco analítico. O segmento evangélico é social, denominacional e politicamente diverso. Essa diversidade atravessa renda, escolaridade, território, práticas religiosas e orientações ideológicas. Mas é assim, no meio dessa diversidade, que o segmento tem mudado a cara da política brasileira.

Reconhecer essa multiplicidade, porém, não significa ignorar padrões eleitorais consistentes. Desde 2018, um deles se tornou particularmente visível: quando a disputa envolve o PT ou candidaturas claramente identificadas com o partido, a preferência majoritária entre eleitores evangélicos tem se dirigido ao campo bolsonarista, acompanhada de um alinhamento com pautas ultraconservadoras e simbologias que evocam ameaças morais.

Os dados das últimas eleições presidenciais ajudam a dimensionar essa tendência. Eles sintetizam estimativas das pesquisas do Datafolha, Ibope e Ipec, realizadas na véspera do 2º turno das disputas presidenciais:

Boxe do Canal Meio

Boxe do Canal Meio

Como se vê, foi a partir de 2018 que essa clivagem se tornou especialmente marcada. No segundo turno daquele ano consolidou-se o número que ficou conhecido como o “70 a 30”: cerca de 70% dos eleitores evangélicos declararam voto em Jair Bolsonaro e aproximadamente 30% em Fernando Haddad (PT-SP). Em 2022, houve apenas uma pequena variação, com o padrão permanecendo próximo de 65% para Bolsonaro e pouco mais de 30% para Luiz Inácio Lula da Silva.

Hoje, ao observarmos pesquisas mais recentes de intenção de voto para o primeiro turno presidencial, constatamos que a estrutura geral desse comportamento eleitoral permanece semelhante. Levantamentos que simulam disputas envolvendo nomes associados ao bolsonarismo, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicam proporções entre eleitores evangélicos próximas daquelas observadas nas duas últimas eleições presidenciais: 61%-65% para o candidato bolsonarista e 31%-33% para Lula.

Outras pesquisas que recortam especificamente o eleitorado evangélico, como Meio/Ideia, Datafolha e Quaest, ainda mostram níveis elevados de indecisão e variações dependendo do cenário testado, com nomes como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas. Ainda assim, um padrão se mantém: candidaturas associadas diretamente à família Bolsonaro ou apoiadas pelo ex-presidente seguem com ampla vantagem nesse segmento.

Em cenários como o que opõe Flávio Bolsonaro a Ratinho Jr. (PSD-PR), por exemplo, Lula tende a manter desempenho mais equilibrado entre eleitores do Nordeste, católicos e pessoas de menor renda e escolaridade, enquanto o candidato bolsonarista se destaca entre evangélicos e eleitores das regiões Sul, Sudeste e Norte/Centro-Oeste, reproduzindo em grande medida o perfil sociodemográfico que sustentou Jair Bolsonaro desde 2018.

Outros indicadores ajudam a compreender essa estabilidade. Segundo pesquisa recente da Quaest, por exemplo, 61% dos evangélicos desaprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 34% aprovam. O perfil desse grupo se aproxima, em grande medida, do eleitorado que sustentou o bolsonarismo nas últimas eleições: maior presença nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, predominância masculina, eleitores mais jovens e segmentos com renda mais elevada.

Esses dados não indicam uniformidade, mas revelam que, dentro de um segmento plural, existem regularidades que ajudam a compreender seu comportamento político.

Diferentes denominações e lideranças passaram a reivindicar maior presença no debate público e nas instituições políticas

Também é necessário situar esse fenômeno em um processo social mais amplo. O crescimento da população evangélica nas últimas décadas alterou profundamente o cenário religioso brasileiro e ampliou o peso político desse grupo. Ao mesmo tempo, diferentes denominações e lideranças passaram a reivindicar maior presença no debate público e nas instituições políticas.

Esse movimento vai além do Brasil. Nas últimas décadas, diferentes democracias têm assistido ao fortalecimento de identidades religiosas na arena pública e eleitoral. No caso brasileiro, esse processo coincidiu com um momento de forte polarização política e de reorganização do sistema partidário. Foi nesse contexto que o bolsonarismo se consolidou como um campo político capaz de articular diferentes demandas conservadoras, muitas delas associadas a disputas morais, culturais e identitárias. A partir de então, esse alinhamento passou a se expressar de forma relativamente estável entre parcelas significativas do eleitorado evangélico.

Uma pista interessante sobre essa dinâmica apareceu nas eleições municipais de 2024. Em capitais onde a candidatura oposicionista era percebida como diretamente vinculada ao campo petista, como no caso de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, a clivagem entre eleitores evangélicos permaneceu próxima da proporção observada nas eleições presidenciais.

Já em capitais onde a candidatura em oposição ao campo bolsonarista não era claramente identificada com o PT ou apoiada explicitamente pelo partido, alguns candidatos conseguiram reduzir a altura desse muro entre eleitores evangélicos. Foi o caso de Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, e João Campos (PSB), em Recife. Paes quase empatou com o segundo colocado entre evangélicos, enquanto João Campos praticamente inverteu a proporção de 70 a 30 a seu favor.

Esse tipo de variação levanta uma pergunta relevante: trata-se de um voto predominantemente bolsonarista ou de um voto essencialmente antipetista? Responder a essa questão exige cuidado com simplificações.

Diferenças profundas

Ninguém é apenas evangélico. Assim como ninguém é apenas católico, apenas mulher ou apenas trabalhador. As identidades religiosas coexistem com outras identidades sociais e políticas. Dentro do universo evangélico existem diferenças profundas de renda, escolaridade, pertencimento denominacional e posicionamento ideológico.

Ainda assim, um fato permanece: desde que o bolsonarismo se estruturou como polo político organizado e passou a aglutinar demandas conservadoras em torno da figura de Jair Bolsonaro, a distribuição do voto evangélico em disputas nacionais mudou muito pouco. Ou quase nada.

Ao mesmo tempo, o debate público passou a ser dominado por outra pergunta recorrente: como dialogar com os evangélicos? A formulação virou um mantra que, muitas vezes, reforça estereótipos. Ela acaba nomeando o problema do muro que se consolidou dentro do próprio segmento evangélico entre quem vota em Lula (ou em candidatos da esquerda mais associada ao PT) e quem vota em integrantes da família Bolsonaro ou em nomes do campo bolsonarista.

Repetida desde 2018, essa pergunta – “como dialogar com os evangélicos?” – muitas vezes simplifica mais do que esclarece. Em vez de contribuir para uma análise mais precisa do fenômeno, tende a reforçar estereótipos tanto sobre o campo religioso quanto sobre os campos políticos em disputa.

De um lado, constrói-se a narrativa de uma esquerda incapaz de dialogar com esse eleitorado. De outro, a ideia de que a direita teria simplesmente aprendido a fazê-lo melhor. Ambas as interpretações reduzem um processo social muito mais complexo.

A clivagem eleitoral que se consolidou entre parte do eleitorado evangélico não pode ser compreendida apenas como resultado de estratégias de comunicação ou de disputas morais. Ela também é produto de transformações sociais, institucionais e religiosas que vêm redefinindo as relações entre religião, política e esfera pública no Brasil. Talvez por isso a insistência na mesma pergunta tenha produzido poucos avanços analíticos.

O desafio é compreender as transformações de uma sociedade em que a religião voltou a ocupar um lugar central nas disputas políticas

O problema não é apenas como dialogar com os evangélicos. O desafio é compreender as transformações de uma sociedade em que a religião voltou a ocupar um lugar central nas disputas políticas.

Precisamos mudar as perguntas e os caminhos de análise. É necessário aprofundar a compreensão tanto da política quanto dos campos religiosos, ambos em mutação constante, e ao mesmo tempo realizar as autocríticas necessárias no campo progressista.

Talvez a pergunta precise ser recolocada de outra forma: como a política, entendida como seus agentes e instituições, precisa se adaptar para escutar uma sociedade em transformação?

O muro continua lá. Mas possivelmente a tarefa agora seja menos perguntar como superá-lo e mais entender por que ele foi construído, por que permanece de pé, o que já sabíamos há anos e o que mudou, e quais dinâmicas sociais continuam sustentando sua existência. Isso exige dados mais detalhados sobre um eleitorado de peso crescente e novas perguntas sobre uma sociedade que também está mudando. Enquanto insistirmos nas mesmas perguntas, o muro provavelmente continuará lá.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial
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domingo - 15/03/2026 - 07:02h

Cumprimos bem a nossa missão?

Por Passos Júnior

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Hoje acordei com esse questionamento e busquei respostas nas estatísticas oficiais para me certificar, tecnicamente e com base sólida, de uma resposta para mim mesmo. Estou falando de filhos – ou melhor, da educação dos filhos.

Não é raro ouvir que a educação não tem preço, e hoje reconheço essa realidade diante de tantos sacrifícios, renúncias, “tira dali para pôr acolá”, enfim, malabarismos de quem tem apenas duas tampas para cobrir três garrafas. Com esse argumento simplório, que retomarei mais adiante, volto à educação.

Quem me conhece sabe que temos três filhos. Hoje, todos graduados no ensino superior: Fisioterapia, Ciência da Computação e Ciências Sociais. Um deles já concluiu mestrado e doutorado, e os outros dois estão com o mestrado em curso, sendo que um ingressou no mestrado antes mesmo de colar grau como cientista social – motivo que reforça a reflexão a que me debruço.

Diante dessa realidade familiar, dados do Censo 2022 (PNAD/IBGE) apontam que apenas 13% dos jovens brasileiros conseguem concluir o ensino superior. Em se tratando de pós-graduação, esse percentual cai para entre 2% e 2,5%, e, no caso do doutorado, para menos de 1%, ficando entre 0,5% e 0,8%. Devemos considerar ainda que, na região Nordeste, esses percentuais são ligeiramente menores do que a média nacional.

Essa realidade significa que apenas cerca de um em cada 10 jovens nordestinos, entre 25 e 30 anos, consegue chegar ao ensino superior público. E, se falarmos de mestrado e doutorado, estamos tratando de uma elite educacional: cerca de um jovem em cada 100 com mestrado e 1 jovem em cada 300 a 500 com doutorado.

Analisando esse cenário nacional, dou-me conta de que a minha realidade acadêmica familiar não é apenas uma estatística satisfatória, mas também um projeto de vida de pais que souberam administrar apenas duas tampinhas para três garrafas. Um projeto construído com fé na educação como o caminho mais seguro para transformar destinos.

Hoje, ao me preparar para participar da solenidade de colação de grau do nosso último filho como cientista social, somos tomados pela sensação de dever cumprido, de caminhada reta, de coerência entre discurso e prática e, sobretudo, de muitos renascimentos.

Esse sentimento que nos toma, a nós, pais, faz brotar lágrimas nos olhos e nos gratifica por saber que todo o esforço não foi em vão. Como pai e mãe, como cidadãos, contribuímos para formar pessoas mais qualificadas, que prestarão melhores serviços à sociedade. E, como seres humanos, acreditamos deixar um legado que ultrapassará gerações, com a consciência tranquila de que cada esforço valeu a pena.

Permanece ainda nítida em minha memória a metáfora das duas tampas para três garrafas, tantas vezes utilizada na direção da antiga escola CELM Zona Sul (Centro Educacional Libânia Medeiros), em Nova Parnamirim, ao tentar sensibilizar o professor Carlos Bola (diretor/sócio) para obter descontos de 50% e até 100% na mensalidade de um dos filhos, garantindo que o trio permanecesse na escola e participasse das atividades esportivas, que também eram pagas.

A cada final de ano, quantos décimos terceiros salários foram destinados exclusivamente à compra de material escolar, livros e renovação de matrículas. Em contrapartida, também foram muitas as exigências – que digam eles – no acompanhamento rigoroso da vida escolar dos nossos meninos. Criamos até um método pedagógico-financeiro nada convencional: para cada nota 10, uma recompensa de R$ 10,00, com valor proporcional até a nota 7,0. Mas havia uma condição: bastava uma única nota abaixo de 6,0 para que todo o saldo fosse automaticamente zerado. Que Paulo Freire me perdoe por essa invenção inversamente pedagógica.

Para não me alongar ainda mais no despertar dessas memórias familiares, quero apenas registrar, com serenidade, que sentimos orgulho, sim – essa alegria mansa que nos invade – e, acima de tudo, uma imensa gratidão a Deus pela missão cumprida e, principalmente, por termos acreditado no poder da educação, da família e do afeto. Choramos. Sorrimos. Agradecemos. Porque, no fim das contas, cada esforço valeu a pena. “A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.” (Paulo Freire).

Passos Júnior é jornalista da Ufersa

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Categoria(s): Crônica
domingo - 15/03/2026 - 05:20h

Eudaimonia

Por Bruno Ernesto

Foto ilustrativa produzida por Larissa Amorim

Foto ilustrativa produzida por Larissa Amorim

A par do que os “livros” de autoajuda têm pregado aos quatro ventos nos últimos anos, abarrotando livrarias duvidosas, fertilizando cal, pedra, além de regar filosofias de vida com água destilada, viver de forma plena e virtuosa, como a verdadeira filosofia aristotélica eudaimônica ainda é um desafio.

Se não pessoal, ao menos prático, diria.

Embora gostemos em grande parte de pequenas poções de felicidade, que, de fato, são as que mais nos marcam, esse prazer passageiro também pode representar um sério perigo a longo prazo.

O bom é – seria – a realização plena.  Pequenas poções de felicidade plenas.

A despeito disso, sempre gosto de tomar como exemplo um fato que um amigo norueguês me contou quando fui visitá-lo em Oslo.

Seu pai, um grande apreciador de vinhos, sempre o alertava que poderia tomar os vinhos que quisesse da adega. Salvo, um tal rótulo.

O tal rótulo era de uma safra específica; com corpo, acidez e perfil aromático que só enólogos sabem comentar.

Aliás. Confesso que de vinho, só sei falar com propriedade da ressaca.

Foi então que meu amigo, nos arroubos das juventude, numa noite descontraída com uma turma de amigos, após tomarem várias salvas de vinhos; garrafas após garrafas, resolveram beber o tal rótulo.

No dia seguinte, seu pai – muito atento -, percebeu que seu vinho especial havia sido deliberadamente bebido na noite anterior.

Como a autêntica estabilidade emocional de um norueguês, ele aguardou meu amigo acordar e queria saber se o vinho do tal rótulo havia sido bebido primeiro que os demais.

Meu amigo, ainda sonolento, respondeu negativamente.

-Então vocês sequer o degustaram?

-Não.

Claro que seu pai entendeu que o que ele e seus amigos fizeram era naturalmente esperado de uma turma de jovens ávidos por uma boa noite – gélida – regada a vinho e, provavelmente, brunost.

Seu desapontamento foi maior, pois aquela pequena felicidade engarrafada, efêmera, de uns poucos goles; aquela pequena poção de felicidade, se desfez na ebriedade imotivada.

Não foi pelo vinho.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográf

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Categoria(s): Crônica
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