
Javier Milei protagonizou as baixarias da convenção de Flávio Bolsonaro (Foto: Allison Sales/NurPhoto via AFP)
Do Canal Meio e outras fontes para o BCS
O governo brasileiro chamou de volta a Brasília, para consultas, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, após os ataques de Javier Milei contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, no sábado. No evento, o presidente argentino classificou Moraes como “lixo careca” por ter negado seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
Além disso, disparou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”.
A convocação de um embaixador é um dos principais instrumentos diplomáticos de demonstração de descontentamento entre países. Segundo o Itamaraty, Bitelli retorna hoje ao Brasil. A medida não encontra precedente semelhante entre Brasil e Argentina desde a redemocratização. (Folha)
O Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre os ataques de Milei. Em nota, a chancelaria brasileira diz que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”. (CNN Brasil)
Em outra frente, o Ministério das Relações Exteriores recusou o pedido de visto de dois funcionários do governo dos Estados Unidos. De acordo com o Itamaraty, os americanos alegaram que viriam ao país fazer contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão, mas pretendiam questionar o sistema eleitoral brasileiro.
O Departamento de Estado dos EUA negou que eles tivessem o objetivo de interferir nas eleições, sem detalhar os planos de viagem dos dois funcionários. O Brasil costuma receber observadores internacionais nas eleições, mas a avaliação da chancelaria é de que os dois funcionários americanos não se enquadram nessa classificação. (Jornal Nacional)
Lula no Washington Post
Em um artigo publicado no Washington Post (um dos mais influentes jornais do país), o presidente Lula endureceu o discurso contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, classificando as medidas como “injustas” e um “erro estratégico” para a economia americana e a relação entre os dois países. O petista rebateu as justificativas apresentadas pelo presidente Donald Trump, negou que o Pix discrimine empresas americanas e defendeu a regulação das plataformas, afirmando que liberdade de expressão “não é carta branca para atividades criminosas”.
Ao final, ponderou que o Brasil “não será derrotado com base em mentiras” e que o destino do país cabe aos brasileiros, “sem interferência estrangeira ou subserviência”. (Washington Post)
Nota do BCS – O “Post”, como é tratado muitas vezes por seus leitores, é tradicionalmente classificado como de centro-esquerda ou liberal nos padrões políticos dos Estados Unidos. Em outubro de 2024, sob a direção e influência de seu proprietário, o bilionário Jeff Bezos (fundador da Amazon), o jornal abdicou da tradição de endossar candidatos presidenciais (democratas), adotando formalmente uma postura de neutralidade institucional.
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