domingo - 08/11/2026 - 11:48h

Das grandes e das pequenas coisas

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Há pessoas que têm um tipo de preconceito, digamos, “turístico”. Apesar de possuírem as condições para tanto (físicas, financeiras, de tempo), não viajam para determinados lugares de forma alguma. Normalmente evitam culturas diferentes e/ou países com condições de vida mais difíceis. Bom, fazer o quê? Cada um – se pode, claro – vai aonde quer. Ao menos por enquanto, o nosso direito de ir e vir ainda é sagrado.

Na maioria dos casos de preconceito “turístico”, estamos lidando com tipos cujo horizonte cognitivo/cultural é por demais estreito para poder “aceitar” e muito menos “compreender” outras civilizações. Aqui, paciência.

Mas, em outras circunstâncias, temos até o contrário. Um tipo erudito de miopia cultural. “É que”, como já dizia o nosso Caetano Veloso, na belíssima “Sampa”, “Narciso acha feio o que não é espelho”. Afonso Arinos de Melo Franco, em “Amor a Roma” (Nova Fronteira, 1982), exemplifica: “Há casos em que a erudição chega a dificultar a compreensão, como o de H. Taine, na parte romana da sua volumosa Viagem à Itália. O sentimento risível de superioridade que aquele francês do Segundo Império nutria em relação ao então novo Reino Italiano faz sua visão de Roma mendiga de emotividade, embora rica de erudição. O resultado é um desajustamento ridículo entre a grandeza romana, que ele identifica, ou antes concede, e as pequenas vicissitudes da vida do poupado turista francês, que são antolhos ao olhar do artista. Nunca a incompreensão do cenário se chocou tanto com o conhecimento da cena. Taine custa a disfarçar seu desamor pela Roma que via, embora existisse, nele, o saber daquela que não podia ver. No entanto, aquela Roma que ele contemplava era, praticamente, a mesma que haviam contemplado Montesquieu, Goethe, Chateaubriand, Stendhal, Byron e Shelley, cujos escritos romanos, até hoje, nos exaltam e enternecem”.

E chego ao meu ponto: gostar e viajar para lugares diferentes/exóticos, “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve” (como diriam os “trekkies”), não tem necessária relação com o tamanho do nosso cabedal de conhecimento/cultura. É mais uma questão de mentalidade. De “approach”. De “open mind”. De saber flanar, sem preconceitos ou modismos, entre as grandes e as pequenas coisas da vida. E de saber como absorver isso, um conhecimento sensorial e imediato, para o resto da vida. E isso vale tanto para as ruínas da Itália como para as pirâmides do Egito.

Na edição que possuo de “Viagem à Itália” (Companhia das Letras, 1999), de Goethe, consta: “Em carta de Roma, de dois de dezembro de 1786, cerca de três meses depois de ter iniciado sua peregrinação pela Itália, Goethe alertava os amigos de Weimar: ‘Sigo sendo sempre a mesma pessoa, mas creio ter mudado até os ossos’. Pouco depois, escrevendo dos arredores de Nápoles, o poeta acentuava a transformação: ‘Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: Ou você era louco antes ou tornou-se agora’. (…) Talvez por isso mesmo, desde que pisa solo italiano (‘solo clássico’, como ele diz), Goethe se move em estado de encantamento. Tarefas as mais prosaicas — trocar dinheiro, carregar malas, procurar um quarto — fazem nascer em seu espírito ‘uma elasticidade inteiramente nova’. A cor e o aroma das frutas; os rostos de homens e mulheres; os movimentos dos braços dos veroneses quando caminham; o burburinho das ruas e das oficinas; a poeira da estrada sob as rodas das carruagens. Nada escapa ao viajante, que, de coração aberto, acolhe cada dado dos sentidos como uma dádiva”.

Goethe, talvez o mais célebre dos “viajantes” à Itália de então, um país ainda em formação, “subdesenvolvido” em relação aos Estados Alemães ou à França Imperial, mas pródigo em história e vida, ali esteve – e amou Roma, Verona, Vicenza, Veneza – não como erudito, mas, sim, como poeta e amante. Das grandes e das pequenas coisas.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 08/11/2026 - 10:38h

Desdém

Por Bruno Ernesto

Tronco amarrado no jardim de Dona Lourdes, minha mãe Foto do autor da crônica)

Tronco amarrado no jardim de Dona Lourdes, minha mãe (Foto do autor da crônica)

Manhã de sexta-feira de carnaval, passei para falar com minha mãe antes do feriadão começar e poder me certificar quais plantas do jardim dela precisam de um cuidado adicional.

Embora esteja chovendo copiosamente, todo cuidado é pouco.

Apressada para poder pegar a estrada, saiu me apontando os jarros que ela queria mais atenção.

Olhou, olhou. Puxou um, outro. Trocou de lugar um jarro com uma muda de cróton.

Tinha várias novidades.

Ergueu um pequeno jarro contendo uma planta de folhas bem verdes, listras brancas – quase como estivesse sido feitas com um lápis giz -, e uma pequena flor amarela bem no topo.

– Cuidado com essa. Essa precisa só de um gole d´água. Não sei o nome dela.

Para facilitar a vida – eis umas das vantagens da inteligência artificial -, utilizo um aplicativo gratuito (PlantNet) instalado no celular que identifica rapidamente a flora. Basta fotografar e escolher como identificar: pela folha, flor, fruto, casca e hábito.

Era uma pequena zebra.

Percorremos o jardim e ela a me apontar cada planta, como se fosse uma médica apontando cada paciente em seu leito numa troca de plantão.

Me chamou para perto do portão pequeno e me apontou outras novidades, cujos nomes ainda não decorou.

Mais uma vez me vali do aplicativo: Dois Amores e uma Euphorbia Lactea Cristata, uma suculenta esquisita, popularmente conhecida como cacto monstro.

Apontando para o cacto, disse preocupada que o neto caçula, meu sobrinho Lucas – um príncipe de quase dois anos de idade e dono de uma personalidade que vai lhe ser muito útil -, já anda investigando o jardim, e vez ou outra aponta as mãozinhas no cacto monstro.

Entretanto, o que me chamou a atenção foi que ali, bem ao lado do cacto mostro, no meio da folhagem bem verde, se destacava uma flor com cinco pétalas, aveludada e bem vermelha. Única flor.

Como gosto de registrar as florações, cuidei de tirar algumas fotos dela e ao mudar de ângulo, percebi que, embora se tratasse de uma rosa-do-deserto, ela não era aquela típica rosa-do-deserto que se assemelha a um baobá em miniatura.

Seu caule era alongado e lembrava o do buquê-de-noiva, e estava amarrada num velho cabo de vassoura, já bem enferrujado e que serviu como guia quando a muda foi plantada naquele jarro.

Bem onde estava amarrado, o barbante laçado apertou-lhe o caule de tal forma que o marcou definitivamente, mas não impediu o seu crescimento. Certamente dificultou.

Como resultado, brotou uma única e solitária flor. A planta, porém, com desdém, caprichou.

Mais ou menos como devemos ser na vida.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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domingo - 08/11/2026 - 09:48h

“A Mais Bela Voz” tem o nome de um menino sonhador – Edy Lemos

Por Eriberto Monteiro

Edy Lemos em 1976 encantou plateia e ganhou premiação de "A mais bela voz" (Foto: Acervo do artista)

Edy Lemos em 1976 encantou plateia e ganhou premiação de “A mais bela voz” (Foto: Acervo do artista)

Algumas fotografias têm o poder de nos fazer viajar no tempo, trazendo à tona acontecimentos que marcaram a vida de pessoas e ajudaram a construir a memória de nossa cidade. É o caso da imagem inicial que acompanha esta publicação, registrada em 26 de dezembro de 1976, durante uma disputa musical realizado em Mossoró, no já popular concurso mossoroense ‘A mais bela voz”.

Naquela manhã, um garoto de apenas 12 anos, movido pelo talento e pelo sonho de se tornar cantor, conquistava uma importante premiação que marcaria o início de uma trajetória artística de reconhecimento e muitas realizações. Seu nome: Edmilson Lemos, que mais tarde se tornaria conhecido artisticamente como Edy Lemos.

A imagem com autoria indefinida, gentilmente cedida pelo próprio artista, registra um momento especial de sua trajetória. Nela aparecem, da esquerda para a direita, Monsenhor Américo Simonetti, Renato Severiano e o jovem Edy Lemos.

Em conversa via rede social, Edy recorda:

“Era 26 de dezembro de 1976. Eu tinha apenas 12 anos. Eram 9h30 da manhã e o Clube ACEU, em Mossoró, estava completamente lotado. A expectativa era enorme. Participavam daquele acontecimento representantes de 27 municípios das regiões Oeste, Centro-Oeste e Seridó do Rio Grande do Norte. A banda Elo Musical preparava os primeiros acordes para dar início às apresentações. Sobre o palco, uma mesa ornamentada com troféus, galardões e medalhas destinados aos três primeiros colocados anunciava a importância da competição. A comissão julgadora era formada por oito integrantes. Eu estava ali, ainda menino, carregando comigo um sonho que alimentava desde muito pequeno: tornar-me cantor. Naquela manhã, interpretei a canção ‘A Noiva’, conhecida na voz de Agnaldo Timóteo. Foi um momento inesquecível. O Clube ACÉU veio abaixo em aplausos, vivas e manifestações de entusiasmo. A emoção tomou conta de mim. Para minha felicidade, conquistei a primeira colocação como Voz do Oeste e também o primeiro lugar no concurso A Mais Bela Voz de 1976. Recebi o tão desejado Troféu Sabiá, trazido pela irmã Amábilis e pelo padre Roque Schneider.”

Imagino a emoção daquele menino diante de uma plateia entusiasmada, recebendo o reconhecimento por algo que, até então, parecia pertencer apenas ao universo de seus sonhos e dos adultos.

Aquela conquista representava muito mais que um troféu. Era a confirmação de que o talento, quando acompanhado de perseverança, poderia abrir caminhos até então inimagináveis.

O tempo passou, mas a voz daquele menino continuou encontrando novos caminhos, pois com uma potência vocal admirável, afinação marcante e grande capacidade interpretativa, Edy Lemos construiu uma trajetória artística que ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Sua carreira ganhou projeção também no exterior, especialmente em Portugal, onde residiu por muitos anos e soltou a voz em incontáveis palcos, com expressiva repercussão.

Segundo informações compartilhadas pelo próprio artista, seu trabalho chegou a mais de 100 países. Entre suas realizações, destaca-se a canção “Conceição, nome de santa”, que, conforme seu relato, alcançou a marca de mais de 80 mil cópias vendidas somente na terra de Camões.

Sou admirador de Edy Lemos há muitos anos. Sempre me impressionaram sua potência vocal, a segurança de sua afinação e, sobretudo, a maneira como consegue transmitir sentimentos por meio da música. Ele possui uma daquelas vozes que não passam despercebidas. Uma voz que emociona, que marca e que permanece guardada na memória de quem a escuta.

E digo não somente como forma de tietagem. Existe algo particularmente emocionante nessa composição. Trata-se de uma homenagem à sua mãe, dona Maria da Conceição que não ganhou apenas o mundo como também a minha admiração e da minha querida mãe, Ivanilde Zirca, conhecida carinhosamente como Nenenzinha. É justamente nesse ponto que a história de Edy Lemos encontra uma lembrança muito especial da minha própria vida.

Sempre que tenho oportunidade, faço questão de cantar e tocar essa música para minha mãe, num momento singelo, mas carregado de um significado que dificilmente poderia ser traduzido em palavras. Nessa ocasião, a música deixa de ser apenas uma combinação de notas e melodias. Transforma-se em carinho, lembrança, gratidão e afeto.

É bonito e importante perceber como uma composição nascida do amor de um filho por sua mãe consegue atravessar distâncias e encontrar abrigo no coração de outras famílias.

Entre outras lembranças que guardo com satisfação dele está uma experiência vivida em 2013, durante um dos festejos da Paróquia de São João Batista, em Mossoró.

Naquela oportunidade, tive o privilégio de participar de um momento musical ao lado de Yatagã Menezes, acompanhando Edy Lemos em duas canções.

Para alguém que sempre admirou seu talento, participar daquela apresentação representou uma experiência particularmente gratificante e a realização de um sonho.

Não se tratava apenas de estar próximo de um artista consagrado, mas de compartilhar, ainda que por alguns instantes, a linguagem universal que tanto nos aproxima: a música.

Guardo também, com especial carinho, um CD intitulado “Tributo à Voz”, que integra minha coleção pessoal. O exemplar possui uma dedicatória escrita de próprio punho pelo cantor e compositor: “Com carinho a Eriberto e Meyry – Edy Lemos.”

Voz e dedicatória (Reprodução a partir de acervo do autor do texto)

Voz e dedicatória (Reprodução a partir de acervo do autor do texto)

Aqui cabe uma pequena observação, dessas que dão um tempero especial às nossas lembranças. Na dedicatória, Edy Lemos escreveu o nome de minha esposa, Meire, como “Meyry”. Imagino que tenha sido uma espécie de licença poética, afinal, ele como artista tem dessas liberdades criativas. E minha esposa, por obra e graça do talento artístico de Edy Lemos, ganhou um nome de aparência internacional. Esse encarte é uma dessas pequenas preciosidades que guardo não apenas em minha coleção, mas também na memória afetiva.

E voltando aos palcos da vida de Edy Lemos, sua carreira e trajetória estão nas lembranças de sua infância humilde, quando o sonho de cantar começava a ganhar forma. Muito antes dos palcos reais, dos aplausos, dos troféus e das apresentações internacionais, existia apenas um menino, uma voz e a vontade imensa de ser ouvido.

O próprio Edy Lemos recorda esse período com palavras que dispensam qualquer complemento:

“Um dia sonhei que queria ser cantor. Subi para os últimos galhos das cajaraneiras do quintal da minha humilde casa. Cantava alto para que a vizinhança ouvisse a minha voz. Eles aplaudiam e eu via e sentia, daquele palco, a minha plateia feliz.”

A imagem de um menino no alto de uma cajaraneira, transformando os galhos de uma árvore em palco, sem refletores, sem microfones, sem estruturas. Os vizinhos em plateia, sua voz, o sonho e a felicidade de cantar mostra como ele iniciou toda sua trajetória.

Ali havia algo que nenhum palco grandioso poderia oferecer: a pureza de um sonho nascendo. E é justamente essa imagem que mais me emociona na trajetória de Edy Lemos, pois, antes de conquistar troféus, plateias e reconhecimento, ele já havia conquistado algo essencial: a certeza de que cantar era o seu destino.

E talvez aquele garoto ainda não pudesse imaginar que, anos depois, sua voz atravessaria o oceano e encontraria ouvintes em terras distantes e fãs aqui mesmo em sua terra natal.

Hoje, ao revisitar aquela fotografia de 1976, que registra o menino de 12 anos cantando e recebendo sua merecida premiação, não vejo apenas os primeiros passos de uma promissora carreira musical. Vejo também um importante capítulo da história cultural de Mossoró, que se entrelaça com minhas próprias lembranças, afinal, tive a satisfação de compartilhar ele musicalmente em duas canções. E, como testemunho desse carinho e admiração, guardo em minha coleção um mimo com uma dedicatória escrita de próprio punho pelo cantor.

São registros de épocas diferentes, mas unidos pelo mesmo sentimento de reconhecimento e apreço por um talento que nasceu em nossa terra e conquistou outros horizontes. Para mim, preservar essas lembranças é também uma maneira de valorizar a trajetória de Edy Lemos e contribuir para que sua história permaneça viva na memória cultural mossoroense, pois, os grandes sonhos nem sempre começam nos grandes palcos.

Monsenhor Américo Simonetti, Renato Severiano e Edy Lemos em 1976 (Foto: Acervo do artista)

Monsenhor Américo Simonetti, Renato Severiano e Edy Lemos em 1976 (Foto: Acervo do artista)

Às vezes, começam no alto de uma árvore, embalados pela voz de um menino e pelos aplausos generosos de seus vizinhos.

E foi assim que Edy Lemos começou a cantar para o mundo e conquistou minha admiração e de milhares de amantes da música.

Eriberto Monteiro é escritor, pesquisador e um dos administradores da página do Facebook Mossoró do passado

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Categoria(s): Crônica
domingo - 08/11/2026 - 08:50h

Um eterno aprendiz

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Tenho um pouquinho mais de meio século de vida. Já vivenciei um bocado de coisas. Da infância, trago no coração a casa da rua Tiradentes, na qual desfrutei os meus tempos de menino/rapaz. Carrego, ainda, os momentos vividos na padaria do meu pai, localizada na rua José de Alencar.

Não esqueço o jogo de bola na rua, ao lado de amigos que moravam na vizinhança; o futebol na rua de Seis de Janeiro com os meus primos; os jantares na casa de meus avós, os inesquecíveis vesperais no Cine Pax.

Andar de bicicleta no adro da Igreja de São Vicente era uma das minhas brincadeiras prediletas. Volto no tempo e vejo uma criança calma, que nunca gostou de confusão, um garoto, digamos, reflexivo, muitas vezes, imerso na solidão dos pensamentos.

Já adolescente, as farras dos sábados à noite, as viagens pra curtir as vaquejadas nas cidades circunvizinhas, bem como, os poucos locais que existiam na Mossoró da minha juventude.

Lembro, com carinho, das férias na cidade-praia de Tibau, a joia mais valiosa da minha infância, cenário de doces dias.

Confesso que nunca fui estudioso, dava um trabalho danado aos meus pais nesse aspecto. No entanto, a vida me instigou, obrigou-me a trilhar o caminho do conhecimento. Só então, tomei gosto. Cursei a faculdade de Direito, depois, lecionei durante vários anos.

Destaco que a leitura sempre fez parte dos meus dias, e viajei mundo afora nas páginas dos romances, dos contos e da crônica, essa última, minha paixão.

Trabalhei em várias atividades comerciais, uma vez que precisava ganhar o pão de cada dia. Em consequência, vivenciei um pouco de muitas coisas, conheci pessoas de várias índoles.

Aprendi um tantinho de coisas, e trago na bagagem boas e más lembranças. Tenho certeza que você também já enfrentou poucas e boas, pois todos nós atravessamos uma jornada silenciosa, às vezes ásperas, repletas de curvas.

As lágrimas e sorrisos foram inestimáveis lições que a vida me proporcionou. Cada erro, cada acerto, foram valiosas experiências para o meu amadurecimento pessoal e profissional. Por isso, sigo em frente, entre erros e acertos, mas sempre acreditando na “beleza de ser um eterno aprendiz”.

Odemirton Filho é oficial de justiça

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domingo - 08/11/2026 - 07:28h

A política e a natureza humana – reflexões à luz do pensamento de Maquiavel

Por Cesar Amorim

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA, prospectada pelo próprio autor do texto para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA, prospectada pelo próprio autor do texto para o BCS

A política é muito mais do que alianças, discursos, promessas e disputas eleitorais. É, sobretudo, um universo de interesses, ambições, conveniências e relações humanas. Para compreender sua dinâmica, é necessário olhar além das palavras, observar os comportamentos e, principalmente, compreender a natureza humana.

Nesse contexto, o pensamento de Nicolau Maquiavel, especialmente em sua obra O Príncipe, publicada postumamente em 1532, continua oferecendo importantes reflexões sobre as relações de poder, as estratégias políticas e o comportamento das pessoas.

Uma das principais contribuições de Maquiavel está em nos provocar a enxergar a política como ela realmente acontece, e não apenas como gostaríamos que acontecesse. Sua análise parte de uma observação realista da conduta humana, reconhecendo que interesses particulares, ambições e conveniências frequentemente influenciam as decisões e as relações de poder.

Essa compreensão não significa abandonar os princípios ou desacreditar de todas as relações humanas. Significa reconhecer que não se pode construir uma trajetória política sustentada exclusivamente na expectativa de que as pessoas agirão com a mesma lealdade, coerência e honestidade que esperamos delas.

A natureza humana e os interesses por trás das relações 

Na política, as relações nem sempre são sustentadas pelos mesmos valores apresentados nos discursos. Amizade, gratidão, confiança e lealdade são importantes, mas não se pode ignorar que interesses e conveniências também exercem forte influência sobre os comportamentos.

Muitas vezes, as pessoas permanecem próximas enquanto encontram vantagens na relação. Quando as circunstâncias mudam, as posições também podem mudar. Compromissos anteriormente assumidos passam a ser relativizados, alianças são revistas e antigas proximidades deixam de representar as mesmas afinidades.

Isso não significa que todas as relações políticas sejam falsas ou que não existam compromissos verdadeiros. Significa compreender que a lealdade não pode ser presumida como absoluta e que as relações precisam ser avaliadas também pelas atitudes concretas.

Maquiavel nos ajuda a perceber essa complexidade ao demonstrar que, no universo do poder, as intenções declaradas não são suficientes para explicar as condutas. É necessário observar os interesses envolvidos, as circunstâncias e, principalmente, a maneira como as pessoas agem quando suas conveniências são colocadas à prova.

Na política, as palavras revelam intenções, mas são as atitudes, especialmente nos momentos difíceis, que demonstram a consistência dos compromissos.

O silêncio diante das injustiças: prudência ou erro tático?

Talvez uma das maiores armadilhas para quem deseja construir uma carreira política seja acreditar que o silêncio diante das injustiças, das deslealdades e até das traições será interpretado como maturidade, equilíbrio ou capacidade de articulação.

É preciso questionar essa lógica.

Existe uma diferença entre saber escolher o momento de falar e permanecer calado diante de situações que exigem posicionamento. A prudência é uma qualidade política, mas não deve ser confundida com omissão.

A capacidade de dialogar é importante, assim como a habilidade de evitar conflitos desnecessários. Entretanto, nenhuma dessas qualidades deve significar aceitar indefinidamente situações de desrespeito.

Muitas vezes, quem permanece em silêncio acredita estar preservando uma aliança, evitando um desgaste ou aguardando uma oportunidade mais favorável para se posicionar. Entretanto, enquanto espera, pode permitir que outros construam versões dos acontecimentos, ocupem espaços e estabeleçam narrativas que dificilmente serão desfeitas depois.

O silêncio também comunica. Mas nem sempre comunica aquilo que seu autor gostaria.

Diante de uma injustiça, pode ser interpretado como concordância. Diante de uma traição, pode ser confundido com aceitação. Diante de uma deslealdade, pode transmitir a ideia de que não existem consequências para determinadas atitudes.

Por isso, acreditar que suportar tudo calado produzirá reconhecimento futuro pode representar um equívoco estratégico.

Quem se cala diante de tudo, na expectativa de conquistar espaço amanhã, corre o risco de perder o respeito e a posição que deveria preservar hoje.

Isso não significa que toda provocação mereça resposta ou que todo conflito deva ser transformado em confronto público. Significa compreender que existem momentos em que o posicionamento é tão importante quanto o silêncio e que a prudência perde seu sentido quando passa a justificar a aceitação permanente de situações injustas.

O perigo de esperar pelo momento ideal

Outro equívoco é acreditar que as pessoas necessariamente reconhecerão, no futuro, aquilo que foi feito no presente.

Existe quem imagine que a tolerância será lembrada como grandeza, que a ausência de confronto será reconhecida como lealdade e que o silêncio será recompensado quando chegar o momento oportuno.

Mas a política não funciona necessariamente dessa maneira.

Enquanto alguns esperam, outros ocupam espaços, constroem relações, fortalecem suas posições e consolidam suas narrativas. Quando chega o momento considerado ideal para agir, o cenário pode já ter mudado completamente.

O tempo político não fica parado à espera de ninguém.

A paciência pode ser uma virtude, mas, quando utilizada para justificar a omissão permanente, transforma-se em obstáculo. Quem deseja construir uma trajetória política precisa compreender que não basta escolher o momento de agir. É necessário avaliar também o preço de não agir enquanto as circunstâncias se desenvolvem.

Nesse aspecto, o pensamento de Maquiavel oferece uma reflexão particularmente interessante.

Não basta esperar que as circunstâncias se tornem favoráveis. É preciso desenvolver capacidade de ação, perceber as oportunidades e reconhecer os momentos em que uma decisão se torna necessária.

Na política, esperar pode ser uma estratégia. Mas esperar indefinidamente, sem avaliar as consequências da própria inércia, pode significar entregar aos outros a condução dos acontecimentos.

Aparência, discurso e realidade

Outra reflexão importante de Maquiavel diz respeito à diferença entre aquilo que as pessoas aparentam ser e aquilo que efetivamente demonstram por suas atitudes.

Em O Príncipe, o autor dedica atenção à importância das aparências na vida política. Sua análise considera que a imagem pública, a percepção dos outros e a capacidade de transmitir determinadas qualidades podem influenciar diretamente as relações de poder.

Essa reflexão permanece atual quando observamos que discursos de amizade, fidelidade e compromisso nem sempre correspondem às disposições reais das pessoas.

Nem sempre quem demonstra proximidade está verdadeiramente comprometido. Nem sempre quem fala em lealdade está disposto a sustentá-la quando surgem dificuldades.

As circunstâncias adversas costumam revelar aspectos das relações que permaneciam escondidos nos momentos de tranquilidade.

É fácil demonstrar lealdade quando os interesses estão alinhados. O verdadeiro compromisso é colocado à prova quando as conveniências deixam de coincidir.

Por isso, é fundamental observar comportamentos, compreender interesses e não construir expectativas exclusivamente sobre discursos. Na política, a aparência pode influenciar a percepção, mas são as atitudes que permitem compreender a consistência das relações.

Princípios são sinônimos de ingenuidade

Compreender Maquiavel não significa defender a falsidade, a deslealdade ou a ausência de princípios. Significa reconhecer que a política exige capacidade de interpretar a realidade.

O realismo político não precisa representar o abandono dos valores. É possível cultivar relações verdadeiras, defender convicções e manter compromissos sem ser ingênuo.

Ter princípios não significa aceitar injustiças em nome da conveniência. Ser leal não significa tolerar indefinidamente a deslealdade alheia. Ser prudente não significa abrir mão da própria voz.

A maturidade política está justamente na capacidade de conciliar valores e realismo, sabendo quando dialogar, quando esperar e quando se posicionar.

É possível ser correto sem ser ingênuo, ser leal sem ser submisso e ser prudente sem ser omisso.

Essa talvez seja uma das maiores dificuldades de quem pretende construir uma trajetória na vida pública: compreender que preservar a própria identidade e respeitar os próprios princípios também exige coragem para enfrentar situações em que a conveniência recomendaria o silêncio.

A política exige posicionamento, compreensão e coragem

A política é um ambiente de relações em permanente transformação. Alianças se formam, interesses mudam, compromissos são testados e circunstâncias alteram posições.

Quem pretende construir uma trajetória política precisa compreender que nem toda situação pode ser enfrentada com silêncio, nem toda injustiça pode ser suportada em nome de uma aliança e nem toda traição deve ser tratada como um simples episódio a ser esquecido.

A estratégia de permanecer calado esperando que o tempo produza reconhecimento pode custar caro. Em determinadas circunstâncias, o silêncio não preserva alianças: apenas adia decisões e permite que outros determinem os rumos dos acontecimentos.

A grande contribuição do pensamento maquiaveliano está em nos provocar a abandonar uma visão excessivamente idealizada das relações de poder. Não basta imaginar como as pessoas deveriam agir. É necessário observar como efetivamente agem e compreender os interesses que orientam suas decisões.

Uma carreira política não se constrói apenas com paciência, tolerância e capacidade de articulação. Também exige identidade, posicionamento e coerência.

Na política, não basta saber a hora de falar. É preciso compreender quando o silêncio começa a custar mais caro do que o próprio confronto.

Afinal, quem pretende conquistar espaço na vida pública precisa entender que a prudência não pode ser confundida com passividade, a lealdade não pode exigir submissão e a preservação de uma aliança não pode custar a própria dignidade.

E há uma última reflexão que merece permanecer:

Ter princípios é uma escolha. Compreender a natureza humana é uma necessidade. E saber conciliar essas duas coisas talvez seja um dos maiores desafios de quem deseja compreender verdadeiramente a política.

Algumas lições finais sobre política, poder e comportamento humano

A partir dessas reflexões, algumas ideias merecem atenção:

·        Não confunda proximidade com lealdade. Relações precisam ser avaliadas também pelas atitudes.

·        O silêncio e a ausência de confronto nem sempre produzem o reconhecimento esperado.

·        Não pense que paciência é sempre a melhor estratégia. É necessário compreender o que acontece enquanto o tempo passa.

·        Não dependa exclusivamente da gratidão. O reconhecimento passado não garante compromissos futuros.

·        Não subestime os movimentos dos outros. Enquanto você observa, outras pessoas também estão construindo seus espaços.

·        Confronte discursos com atitudes. Os comportamentos concretos frequentemente revelam mais do que as palavras.

·        Não abandone seus princípios, mas também não ignore a realidade. Valores e prudência precisam caminhar juntos.

·        Não espere que todos interpretem suas atitudes conforme suas intenções. Cada pessoa possui seus próprios interesses e sua própria leitura dos acontecimentos.

·        Não construa estratégias sobre expectativas irreais. Considere os interesses, as circunstâncias e as possíveis mudanças de posicionamento das pessoas.

Essas não são fórmulas para vencer disputas ou conquistar poder. São reflexões para compreender melhor as relações humanas e os desafios de qualquer ambiente em que interesses, decisões e responsabilidades se encontram.

Contribuição ao debate inspirada no pensamento político de Nicolau Maquiavel, especialmente em sua obra O Príncipe.

Cesar Amorim é advogado

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Categoria(s): Artigo
domingo - 08/11/2026 - 06:28h

Quem Acolhe Quem? (ou “A Regra dos Três Metros”)

Por Marcos Mairton

"Evangivaldo" aproveita o abrigo do guarda-chuva e deixa implícita uma mensagem: proteção, sim; clausura, jamais (Foto: Natália Guberev)

“Evangivaldo” aproveita o abrigo do guarda-chuva e deixa implícita uma mensagem: proteção, sim; clausura, jamais (Foto: Natália Guberev)

Eram umas sete da manhã quando pus água no fogo para fazer meu café matinal. Ao abrir a janela da cozinha, deparei-me com meu gato tomando banho de sol, em uma pose esquisita, daquelas que só os gatos conseguem fazer.

Aliás, ao dizer “meu gato”, cometo uma imprecisão. Evangivaldo não é meu, nem de ninguém. É completamente livre e apenas escolheu nossa casa como ponto de apoio.

Suas primeiras aparições por aqui têm entre cinco e seis anos. Chegava de mansinho, atrás de alguma sobra de comida ou de filhotes de pássaros nas árvores do jardim. Desde que o Max – nosso shihtzu – virou estrelinha, há pouco mais de um ano, Evangivaldo ficou mais à vontade. Cochila nas cadeiras da varanda, toma sol deitado na grama e até se aproxima da porta da cozinha quando os sons da casa anunciam o jantar.

Mas nunca entra. Também não permite que nenhum de nós se aproxime dele a menos de três metros. Talvez guarde alguma lembrança não muito agradável de humanos que chegaram perto demais.

Vivemos assim, sob um acordo não escrito. Ele aceita nossa comida e nosso abrigo, mas não abre mão do próprio espaço.

Ontem, no fim da tarde, abrigou-se sob um guarda-chuva aberto na varanda. Pareceu-me a síntese do pacto: proteção, sim; clausura, jamais.

E nós? Recebemos alguma compensação por acolher Evangivaldo?

Sem dúvida. Ele nos ensina que é possível conviver sem renunciar à independência, sobretudo quando ela foi conquistada a duras penas. De quebra, ainda nos lembra, de vez em quando, o valor de um bom alongamento e do sol da manhã.

Mas, enquanto escrevo essas linhas, questiono-me se a pergunta sobre acolhimento e recompensa não estaria mal formulada. Talvez seja um equívoco supor que nós o acolhemos. Bem pode ser o contrário: é ele quem nos acolhe, ao conceder à nossa casa e à nossa família, o privilégio da sua presença.

Afinal, é ele quem escolhe quando vir, quanto demorar e quando ir. Sabemos que Evangivaldo não é nosso gato, mas talvez ele nos considere seus humanos.

E, pensando bem, há relações humanas nas quais seria prudente aplicarmos a regra dos três metros.

Marcos Mairton é juiz federal e escritor

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 08/11/2026 - 04:44h

Ao nosso editor com carinho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Por Marcos Ferreira

Hoje em dia, ao contrário de antes, não mais existem em Mossoró muitos espaços tradicionalmente reservados às letras. Não quanto o BCS — Blog Carlos Santos. Fico imaginando (sem mau agouro) se isso tiver um fim. Aliás, como tudo neste mundo, chegará a hora em que já não poderemos contar com esse reduto de opinião e cultura. O que será de nós, diletantes manejadores da palavra escrita?

O término do BCS deve representar o encerramento de nosso varejo literário. Falo sobretudo por mim. Não descarto, entretanto, a possibilidade de que outros literatos pendurem as suas chuteiras. Isto, obviamente, no tocante à publicação de seus textos.

Para onde irão, por exemplo, os cronistas Bruno Ernesto e Odemirton Filho, assíduos e profícuos manejadores do alfabeto? Não vejo opção. Não ao menos no que tange a um espaço com a natureza do referido blogue. Aqui encontramos uma seleção, um escrete que ilustra e enriquece este ambiente abnegado e propício à difusão do que existe de mais relevante na literatura destes confins.

Ao longo de vários anos de pertinácia e resistência, à maneira de um azougue que atraiu escribas de diversos saberes e méritos, pouco a pouco Carlos Santos supriu uma carência que se tornou abissal com o desaparecimento dos veículos impressos. Eram redutos que, dominicalmente, abrigavam a produção de literatos deste município e estado. Os cadernos de cultura bateram as botas, sucumbiram juntamente com todo o conteúdo da imprensa escrita, e deixaram à deriva operários do verbo de numerosos recantos de uma mídia que era a mais presente no cotidiano do público.

Portanto, assim como uns poucos, nosso editor foi um dos principais pioneiros da blogosfera em Mossoró e no Rio Grande do Norte. Ele migrou para a plataforma digital quando a internet ainda era algo fora do alcance da maior parte da população.

Considero oportuno, senhoras e senhores, dar o crédito, destacar o vanguardismo do letrado Carlos Santos, que sempre manteve um pé na atividade puramente noticiosa e o outro no âmbito intelectual desta província.

Graças a isso, portanto, os fidedignos leitores do BCS têm à sua disposição toda uma gama de artigos, crônicas, poesia, contos e até mesmo romances publicados em capítulos semanais, sempre nas manhãs de domingo, à moda dos outrora festejados folhetins. Aqui, correndo o perigo da omissão, permitam-me citar a escrita relevante, dentre outras, do professor, advogado e escritor Marcos Araújo. Temos ainda assíduos e notáveis articulistas, figuras ilustradas como Honório de Medeiros, Marcelo Alves Dias de Souza, Júlio Rosado, Eriberto Monteiro e tantos mais que contribuem com este portal de modo esporádico, feito o escritor François Silvestre.

Esta é uma singela e merecida homenagem a esse homem de imprensa que tem feito muito mais por nossas letras do que uma Secretaria de Cultura, organismo historicamente omisso quando tratamos, de modo específico, da arte de escrever.

Parabéns, enfim, ao bravo jornalista e editor Carlos Santos.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 08/11/2026 - 03:00h

…E o palhaço o que é?

Por Júlio Rosado

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Em qualquer pequeno circo itinerante, creio que para evitar custos e pela própria escassez de talentos artísticos para executar algumas funções, vemos que atividades de naturezas diversas são assumidas por uma mesma pessoa. Assim é que a moça dos malabares poderá ser a mesma que se arrisca no trapézio e vende maçãs caramelizadas. O dono do circo é quem anuncia o espetáculo e vende ingressos. O mágico, por sua vez, se dispõe a ser, concomitantemente, o atirador de facas, enquanto o palhaço se presta a pilotar no globo da morte. Todos se alternam e se ajudam vendendo pipocas e algodão doce ou fazendo parte da equipe de manutenção.

Reconhecidamente, o ofício da arte circense é uma atividade que envolve famílias e, nestas, suas descendências. Ser de circo é assimilar o glamour, vivenciando tanto a fartura quanto a escassez, no imprevisto do momento. É estar disposto a levar ao público o melhor do entretenimento, mesmo se a própria alma estiver dilacerada. O artista sabe que o show não pode parar.

No caso de Claudino, sabemos que ele não nasceu no circo. Foi assimilado como parte da trupe aos seis anos de idade após sua mãe, Fátima, se juntar ao grupo por se envolver romanticamente com o ‘Palhaço Panelinha’. Para ela, à época mãe solo e faxineira ocasional nas casas alheias, o mundo circense pareceu a solução mais viável para fugir da rotina tediosa e carente que vivenciava. Com o padrasto, o pequeno Claudino aprendeu facilmente as técnicas de fazer rir e logo se tornou ‘escada’ para as situações de humor no picadeiro. Ainda criança, seu ponto alto era o encerramento das apresentações, ao repetir o bordão ‘… e o palhaço o que é?’, apontando para o padrasto e ouvindo da plateia, como resposta, um sonoro ‘… é ladrão de mulher’.

Além da posição no circo, o enteado de ‘Panelinha’ herdou a derivação torta de seu nome de ‘clown’, ’Canelinha’, e o latente estilo mulherengo daquele que é ‘ladrão de mulher’. Desde o fim de sua adolescência, era comum flagrá-lo por trás das lonas se agarrando com as jovens mais salientes dos lugarejos onde se apresentavam. Aquele comportamento era uma constante preocupação para a mãe, que precisava amenizar a ira dos pais ou companheiros aborrecidos com as investidas do rapaz. Tantas namoradas até faziam parecer que ‘Canelinha’ seria filho biológico de ‘Panelinha’. Ambos cultivaram semelhança e cumplicidade em muitas coisas.

Fátima sentiu alivio em seu coração ao perceber que o filho se interessara por Gizelda, que recentemente migrara com o irmão, o fenomenal mágico Rodan, de um outro circo concorrente para se agregar à nova formação. A bela, além de pilotar no globo da morte e ser habilidosa como maquiadora, se dispunha a fazer ‘escada’ para o palhaço ‘Canelinha’, que lhe o nome artístico ‘Gizdecêra’, em referência a seu próprio nome, sugerindo um conceito lúdico, quase pedagógico, a sua persona.

O possível relacionamento do filho com alguém do métier deu tranquilidade a Fátima. De certo modo, temia que sua história viesse a se repetir e o filho aparecesse com uma companheira de fora daquele universo particular. Ela sabia o quanto foram extenuantes as provações diárias de resiliência a que fora submetida durante o processo de adaptação para ser aceita na trupe. Contudo, sua maior preocupação era com a possibilidade real de uma tragédia, o que poderia acontecer caso o filho viesse a se envolver com alguma mulher comprometida. Afinal, influenciado pelo padrasto, Claudino cresceu estimulado a se imaginar, naturalmente, como o próprio ‘ladrão de mulher’. Fátima sabia que isso poderia significar um grande problema para o filho.

Considerando a boa lábia como uma de suas características, ‘Canelinha’ era o escolhido para negociar, com os administradores municipais, as permissões necessárias para instalação e apresentações do circo. Desenrolado, conhecedor das vaidades humanas, após acertar as taxas administrativas, Claudino sempre tinha a iniciativa de doar uma volumosa remessa de ingressos para que se fizesse a distribuição entre alunos das escolas públicas.

Com este gesto, além de agradar os gestores, garantia a ocupação das cadeiras e arquibancadas do circo nos dias iniciais. ‘Canelinha’ tinha convicção de que a presença de muitas pessoas, tal como os espetáculos, atrai mais pessoas para o circo. Casa lotada é a maior propaganda que existe, dizia.

Quando o filho foi negociar a permanência do circo na cidade de Lagoa das Seriemas, a mãe de Claudino teve o cuidado de pedir a ‘Gizdecêra’ para acompanhá-lo. É certo que queria aproximá-los, mas havia um outro motivo para a solicitação: Fátima tinha forte intuição, desde quando ‘Panelinha’ desempenhava essa função em anos anteriores, que Lindaura, mulher do paradoxalmente simpático e truculento Prefeito Éder, se insinuava aos visitantes. Com ciúmes acumulados e precauções em relação ao filho, a presença de Gizelda serviria para conter os avanços da primeira dama.

Atendendo ao pleiteado por Fátima, a pretensa nora demonstrou entender a gravidade da situação e sugeriu que, aproveitando para divulgar, ambos fossem vestidos de palhaços. Acreditava que, estando caracterizados, inibiriam a libido da ‘Linda de Éder’. A decisão, entretanto, viria a se confirmar um erro de interpretação. Ao chegaram ao gabinete municipal, Lindaura fez questão de estar presente ao lado do marido Prefeito para recebê-los e logo se posicionou com os visitantes, passando boa parte da manhã tirando fotos, abraçando e se pondo entre ‘Canelinha’ e ‘Gizdecêra’.

Fã assumida das artes circenses, ao ver a dupla Claudino e Gizelda caracterizados, a Primeira Dama sentiu aflorar um fetiche até então pouco percebido. Devido ao furor que tomou de conta de suas atitudes, Lindaura quase não conseguiu disfarçar o desejo, a muito custo reprimido. A realidade estava à sua frente. Haveria de se compor para não comprometer sua imagem perante a cidade.

No íntimo, a mulher do Prefeito já planejara o que iria fazer para dar vazão a seus instintos. Após a estreia do circo, assistiria a todas as apresentações da primeira semana de exibições. Em algum momento conseguiria o encontro que saciaria seu desejo. Teria que dar certo. Nada a impediria de tomar sua decisão. Lindaura sabia que um outro circo demoraria a aparecer na cidade. ‘Teria que dar certo’, repetia inconscientemente. A excitação se apossava de seus pensamentos. Um leve frenesi, do seu corpo.

Éder já percebera que a mulher ficava agitada quando um circo visitava a cidade, mas nunca se preocupou com isso. Certamente, a situação se devia à ansiedade de morar em uma cidade pequena, sem opções para concorrer com a magia do circo. Ademais, é sabido que a violência é uma característica sua. A mulher não se arriscaria a ser pega em uma aventura amorosa e ninguém teria coragem de encostar na ‘Linda’.

Todavia, o que despertou a atenção do Prefeito foi ouvir, no encerramento do encontro, ‘Gizdecêra’ empolgada, apontando para ‘Canelinha’, repetir o bordão ‘… e o palhaço o que é?’, recebendo a animada resposta de Lindaura: ‘… é ladrão de mulher’. A cena inusitada lhe pareceu mais do que coincidência. A partir desse instante, observaria o comportamento da companheira. Qualquer coisa, os ‘meninos’ da segurança dariam um ‘corretivo’ no incauto que se insinuasse para sua venerada primeira dama.

Naquela semana, a pretexto de acompanhar os estudantes, Lindaura forçou visitas diárias aos bastidores do circo sob a desculpa de despertar-lhes o interesse pelas artes. Coube a Gizelda guiar esses grupos, dando atenção à ‘Linda’, que aguardava uma oportunidade para dar vazão a suas fantasias. Insistiria até conseguir.

O Prefeito Éder, que ouvira rumores, não poderia ser imprudente. Reconhecia a grande projeção de Lindaura sobre o eleitorado, a maior responsável por suas vitórias. Sua empatia com o público era algo natural e o povo votaria em qualquer candidato que ela indicasse. Decidiu, então, que nada faria enquanto não ocorresse nada que o afetasse. Na quinta-feira à noite, porém, duas horas após encerrar a última exibição, recebeu a informação de que a esposa não retornara ao lar.

De imediato convocou seus capangas e determinou que encontrassem o Palhaço atrevido. ‘Não tenham dó. Podem quebrar as canelas do ‘Canelinha’. O importante é resgatar a primeira dama’.

No início da madrugada, o Prefeito chega ao circo para conferir o motivo da demora em ter suas ordens cumpridas. Recostada num velho baú, Fátima chora, silenciosamente, com o filho espancado em seu colo, numa cena que remete à escultura ‘Pietá’, de Michelângelo. Os seguranças, procurando a ‘Linda de Éder’ quebram tudo no trailer que Claudino dividia com a mãe. O silêncio e a culpa imperam no ambiente.

Do lado de fora da habitação uma pequena multidão se avoluma em busca de saber o que estaria ocorrendo. Claudino, entre um suspiro e um urro de dor, balbucia algo de modo quase inaudível. Éder se debruça sobre sua vítima para ouvir melhor. Demorando para entender, escuta que ‘o show não pode parar’. Ansioso, pergunta por sua ‘Linda’ e ouve do palhaço, com uma lágrima escorrendo pelo rosto: ‘Gizdecêra’.

Solenemente, o mágico Rodan se aproxima de Éder e lê o bilhete em que a irmã confidencia ter encontrado seu grande amor em Lindaura. Elas partiram resolvidas numa das potentes motos do globo da morte para construir vida nova em outro circo. Ao ouvir o que o mágico falara, Claudino, com a boca ensanguentada, corpo dolorido da surra que levara, sorri e chora simultaneamente para, apontando o fraturado dedo indicador para Éder, o violento marido abandonado, repetir o bordão: ‘…e o palhaço o que é?’

Júlio Rosado (@juliorosado.escritor) é escritor

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Categoria(s): Conto/Romance
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 07/11/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te.”

Pitágoras

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sábado - 07/11/2026 - 17:22h
GESTÃO MUNICIPAL

Thiago Marques deixa Câmara para ser secretário de Marcos Medeiros

Thiago Marques já tinha ocupado outras funções na gestão municipal (Foto: Arquivo)

Thiago Marques passa a cumprir missão importante no governo Marcos Medeiros (Foto: Arquivo do BCS)

O prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (Republicanos), anunciou, neste sábado (07) uma mudança no comando da Secretaria Municipal de Governo (SEGOV).

A atual secretária, Isabela Freitas, deixa a pasta para se dedicar a outros projetos. O prefeito agradeceu pelo trabalho desenvolvido e pelo compromisso durante sua passagem pela secretaria.

“Agradeço a Isabela por toda a parceria, pelo compromisso com o serviço público e pela disposição em trabalhar por Mossoró”, afirmou Marcos.

O vereador Thiago Marques (Solidariedade) assumirá a Secretaria Municipal de Governo e se licenciará do mandato na Câmara Municipal para ocupar a nova função. Thiago já esteve à frente da Segov, quando também atuou na articulação institucional e no diálogo entre o Executivo e o Legislativo municipal.

Em seu lugar entra o suplente Leonardo obteve 1.069 (Solidariedade). Ele é primo do ex-prefeito Allyson Bezerra (UB).

Nota do BCS – Marques foi um coringa nas gestões do ex-prefeito Allyson Bezerra, como assessor especial, Desenvolvimento Social, novamente assessor especial e também passagem pelo Planejamento, além da Segov. Em 2024 foi um aposta do governismo para vereança, conseguindo seu primeiro mandato, com destaque na Câmara Municipal. Obteve 4.272, sendo o segundo mais bem votado.

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Categoria(s): Política
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 07/11/2026 - 10:38h
CULTURA

Cine Árido estreia com “Yellow Cake” e homenageia César Ferrário

Tânia Maria volta à telona após sucesso de "O agente secreto" (Foto: Divulgação)

Tânia Maria volta à telona após sucesso de “O agente secreto” (Foto: Divulgação)

O Festival de Cinema do Semiárido – Cine Árido abre sua programação de filmes, na próxima terça-feira (10), às 18h30, com uma sessão especial. Na noite de abertura da 4ª edição, no Banco do Nordeste Cultural Mossoró, o público poderá assistir, gratuitamente, “Yellow Cake.” É o novo filme protagonizado pela atriz potiguar Tânia Maria, destaque em “O agente secreto” e “Bacurau.”

É um longa de Tiago Melo (“Azougue Nazaré”) com trama ambientada em um Brasil quase distópico, onde um grupo de cientistas monta sua base de estudo na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, para conduzir um experimento secreto com urânio e erradicar o mosquito Aedes Aegypti. O filme faz sua estreia nos cinemas de todo o Brasil em 26 de novembro, com distribuição da Olhar Filmes, mas chega ao Cine Árido primeiro, por meio de parceria com a distribuidora.

Estrelado por Rejane Faria (“Marte Um”, “Vicentina Pede Desculpas”) e Tânia Maria (“O Agente Secreto”),  o enredo surgiu como um desenvolvimento a partir do curta documental “Urânio Picuí”, também dirigido por Tiago Melo – ao lado Antônio Carrilho –, que aborda a história de exploração de terras raras no Brasil, por norte-americanos, durante a II Guerra Mundial. No novo longa, o cineasta volta a discutir sobre mineração e traça paralelos entre ciência e saberes ancestrais, utilizando elementos de ficção científica e fantasia.

Homenagem

Além da sessão especial de Yellow Cake, o Cine Árido fará também uma noite de homenagem ao ator, diretor e dramaturgo mossoroense César Ferrario. Ele é um dos homenageados desta edição do festival, que presta um reconhecimento ao trabalho, talento, e trajetória do artista na cultura brasileira e potiguar.

Graduado em Comunicação Social pela Universidade Potiguar e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRN – PPGARC, onde desenvolveu pesquisa sobre a escrita dramática. Já atuou em produções audiovisuais como Território do Crime (Netflix), Cangaço Novo (Amazon), Acampamento Luminum – DPA, Aruanas, Sob Pressão – 3a temporada -, Amores Roubados, e O Rebu.

Na televisão, atuou nas novelas Nobreza do Amor, Mar do Sertão, Pantanal, A Dona do Pedaço, O Outro Lado do Paraíso, e Cheias de Charme (2012), todas da Rede Globo de Televisão. No cinema ainda atuou nos filmes “As Órfãs da Rainha”, dir. Elza Cataldo (MG); “Joana”, dir. Patrícia de Aquino (PB); “Enquanto o Sol se Põe” (2017), dir. Márcia Lohss (RN), “Repulsa” (2017), dir. Eduardo Morotó (PE) e “Fronteira” (2015), dir. Carito Cavalcanti (RN).

No teatro dirigiu os espetáculos “Sinapse Darwin” (2021) e “Meu Seridó” (2017), realizados pela produtora Casa de Zoé (RN); também “Alegria de Náufragos” (2016), do Grupo Ser Tão Teatro (PB). Como autor fez a dramaturgia dos espetáculos “Sinapse Darwin” (2020), da Casa de Zoé; “Abrazo” (2014), para os Clowns de Shakespeare (RN); “Guerra Formigas e Palhaços” (2012) e “O Quintal de Luís” (2014), para o Grupo Estação de Teatro (RN); “Os Cavaleiros da Triste Figura” (2017), o para Grupo de Teatro Boca de Cena (SE) e “Mulheres Invisíveis” (2018), para o Grupo Estandarte de Teatro (RN).

Também no teatro, como ator, entre os espetáculos mais recentes, compôs o elenco de “Sua Incelença, Ricardo III”, dirigido por Gabriel Villela (SP/MG); “Hamlet – um relato dramático medieval”, dirigido por Marcio Aurélio (SP) e “Dois Amores y um Bicho”, dirigido por Renato Carrera (RJ).

Multifacetado no ambiente cultural, Ferrário tem origem mossoroense (Foto: Divulagação)

Multifacetado no ambiente cultural, Ferrário tem origem mossoroense (Foto: Divulagação)

Convite

“Convidamos todo o público mossoroense a participar com a gente desta noite especial de abertura da 4ª edição do Cine Árido, com uma sessão muito interessante, com o filme Yellow Cake, e uma homenagem ao nosso conterrâneo, César Ferrario. A entrada é totalmente gratuita”, comenta Esdras Marchezan, criador e diretor do festival.

Cine Árido

O Festival de Cinema do Semiárido – Cine Árido é uma realização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), por meio do projeto de extensão Vozes do Semiárido, do curso de Jornalismo, e do Banco do Nordeste Cultural Mossoró.

Nesta edição, conta com apoio do Multicine Cinemas, TS2 Pesquisas, Sistema Fecomércio RN por meio do Sesc RN, Crias Uern e vereador Petras Vinícius. O festival acontece entre os dias 10 e 14 de Novembro. Todos os detalhes podem ser acessados na conta do festival no Instagram (@cinearido).

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Categoria(s): Cultura
sábado - 07/11/2026 - 07:32h
"EM FAMÍLIA"

Novos diálogos mostram que Vorcaro via Moraes como um “paizão”

Diálogo é apresentado por jornal; muita proximidade, segundo se vê (Reprodução do BCS)

Diálogo é apresentado pelo portal UOL; muita proximidade, segundo se vê (Reprodução do BCS)

Agência The News para o BCS

Todo mundo já está careca de saber das mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, o UOL identificou 316 interações entre os dois no celular do banqueiro nos dois meses anteriores à sua prisão.

Explicando… Essas interações podem ser, por exemplo, fotos, textos ou vídeos. Ao todo, 187 delas foram enviadas por Vorcaro e 129 são atribuídas a Moraes ou a avisos do sistema.

Apesar de não conseguir saber o conteúdo de todas, a UOL conseguiu recuperar 17 mensagens inéditas — além das 52 mensagens que já tinham sido identificadas pela PF.

Os novos materiais incluem diálogos que apontam proximidade entre o banqueiro e Moraes.

Em um deles Moraes diz: “Não basta ser pai, tem de participar rsrs”. Vorcaro responde: “Você é paizão” e “Mande abraço para todos.”

Na sequência, eles conversam sobre um encontro em Brasília em 14 de novembro, três dias antes da prisão do banqueiro. Vorcaro viajou de São Paulo a Brasília em seu jato particular, e os registros mostram Moraes perguntando se ele já havia pousado e dizendo que estava a caminho.

E o outro lado? Em vazamentos anteriores, Moraes nega ter trocado mensagens com Vorcaro e questiona a autenticidade do material e a cadeia de custódia do celular. A defesa do banqueiro também levanta dúvidas sobre a integridade do aparelho.

Por enquanto, o STF analisa os diálogos vazados anteriormente e deve decidir ainda neste ano se abre uma investigação sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 06/11/2026 - 23:52h

Pensando bem…

“Os íntimos são aqueles que mais podem nos ferir.”

Augusto Cury

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sexta-feira - 06/11/2026 - 23:26h
BRASIL

Três bets voltam a funcionar com decisão da Justiça Federal

Vício nos jogos está desviando finalidade do Bolsa Família (Foto: Joédsom Alves)

Empresas fazem parte do grupo CDA Gaming (Foto: Joédsom Alves/Arquivo do BCS)

The News e outras fontes para o BCS

A Justiça Federal autorizou três bets a voltar a funcionar no Brasil: Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, todas da CDA Gaming. A decisão é provisória e prevê multa de R$ 200 mil por dia ao governo se não for cumprida. Pelo menos uma delas já voltou ao ar.

O argumento?

A empresa pagou R$ 30 milhões por uma licença que valia até 2029. Para a desembargadora, suspender empresas já autorizadas sem indenizá-las seria um “verdadeiro confisco”. O pedido tinha sido negado 2x antes. Agora, a Advocacia Geral da União (AGU) vai recorrer.

A proibição foi anunciada por Lula em 25/09, por medida provisória, em plena campanha eleitoral, acirrada, em que ele precisava de mais “combustão” para enfrentar o adversário Flávio Bolsonaro (PL). O caso está no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem Luiz Fux como relator.

O ministro defendeu o banimento, mas disse que a medida levanta dúvidas sobre segurança jurídica e impacto econômico.

A decisão da juíza para essas três casas pode abrir precedente para pedidos de outras bets serem autorizados por outros juízes.

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sexta-feira - 06/11/2026 - 22:38h
POLÍTICA

Sem reeleição, acomodação de Mineiro não deve ser com Cadu

MIneiro começa seu primeiro mandato federal (Foto: Anny Karoline)

Mineiro tem mandato federal em vias de conclusão (Foto: Anny Karoline/2023/Arquivo do BCS)

Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Apache, Comanche, Navajo, Cheyenne ou Cherokee.

Ao contrário do que tem sido noticiado, especulado ou comentado por aí, o deputado federal Fernando Mineiro (PT) não deve ser acomodado num cargo no futuro governo Cadu Xavier (PT).

O que ouvi aponta noutra direção: o parlamentar que não conseguiu se reeleger este ano pode ficar ser na esfera federal.

Lugar dele caminha para ser no Governo Lula, numa autarquia ou função com espaço equivalente.

Veremos.

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 06/11/2026 - 21:42h
VPC20

Prefeitura oferta vacina especial para pessoas a partir de 85 anos

A partir de segunda-feira (9) a VPC-20 estará disponível (Foto: PMM)

A partir de segunda-feira (9) a VPC20 estará disponível (Foto: PMM)

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através do Departamento do Programa Nacional de Imunização (DPNI), passa a ofertar a Vacina Pneumocócica 20-valente (VPC20) para idosos a partir de 85 anos. A medida vale a partir de segunda-feira (9).

A meta é prevenir as formas graves da doença pneumocócica, reduzir hospitalizações e óbitos por pneumonia nessa população altamente vulnerável (devido à imunossenescência e maior carga da doença). A vacina recomendada é dose única de Vacina Pneumocócica 20 (VPC20), mas a conduta exata depende do que o usuário já recebeu no passado.

O coordenador do DPNI, Etevaldo Lima, explica que dependerá do histórico de vacinação do idoso para receber o imunizante. “Não será todo o idoso a partir de 85 anos que tomará a vacina. Será de acordo com o histórico de vacinação da doença Pneumocócica”.

O imunizante amplia a cobertura contra sorotipos relacionados à pneumonia invasiva, incluindo os tipos 3, 6A e 19ª. As doenças pneumocócicas também estão associadas a internações hospitalares e atendimentos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com o avançar da idade, as infecções pneumocócicas tendem a apresentar maior gravidade, risco de complicações e taxas de mortalidade mais elevadas. Entre os fatores que aumentam essa vulnerabilidade, estão o processo natural de envelhecimento do sistema imunológico (imunossenescência), e a maior frequência de comorbidades.

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Categoria(s): Saúde
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sexta-feira - 06/11/2026 - 21:14h
SOBREVIVÊNCIA

Em atrofia eleitoral, PDT decide compor a Federação SDD-Avante-PRD

Foto ilustrativa

Imagem ilustrativa

Do Congresso em Foco

A executiva nacional do PDT aprovou em reunião realizada nesta sexta-feira (6), a adesão da sigla à Federação Solidariedade (SDD)-Avante-PRD. Juntos, os quatro partidos passam a reunir o número necessário de votos e de cadeiras na Câmara para cumprir a cláusula de desempenho, ficando aptos a preservar o pleno recebimento dos fundos Partidário e Eleitoral.

As quatro siglas somam 18 deputados eleitos para 2027, uma cadeira no Senado e 58 deputados estaduais, além de 427 prefeituras conquistadas em 2024 e 6.693 vereadores. Com a decisão referendada internamente, os partidos encaminharão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de ampliação da federação.

È pretensão das legendas convidar o PSB a compor o bloco. Com 15 deputados eleitos, o partido alcançou os requisitos da cláusula de desempenho, não sendo obrigado a aderir a uma federação para preservar seus instrumentos de divulgação eleitoral.

Cláusula de desempenho

O PDT, o Avante e a Federação Solidariedade-PRD não alcançaram individualmente os requisitos da cláusula de desempenho nas eleições de 2026.

Para assegurar o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão a partir de 2027, precisavam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com votação mínima de 1,5% em nove Estados, ou eleger 13 deputados distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação.

Sem cumprir esses critérios, as legendas perderiam os recursos destinados à manutenção de suas estruturas administrativas e atividades permanentes, além do direito à propaganda partidária gratuita. A restrição não impede a continuidade dos partidos nem a posse de seus parlamentares eleitos. Por outro lado, após empossados, os parlamentares ficam aptos a trocar de partido sem perder o mandato.

A federação permite somar os votos e as bancadas de seus integrantes para o cumprimento da cláusula, preservando a identidade e a autonomia de cada sigla. Em contrapartida, os partidos devem atuar conjuntamente no Congresso e nas eleições, permanecendo reunidos por pelo menos quatro anos.

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 06/11/2026 - 20:50h
MUSIBOL

Programa comemorará 50 anos de sucesso

Banner de divulgação

Banner de divulgação

Agende-se e participe da história. No próximo dia 19, às 21 horas, no 27 Saideira, em Mossoró, o radialista Diassis Linhares vai festejar uma marca raríssima: 50 anos do programa radiofônico “Musibol.”

Arthur Linhares e Bobinzband serão as atrações principais da festa.

Música e futebol

O Musibol nasceu em 1976, na hoje extinta Rádio Tapuyo de Mossoró, sob o comando do jovem Diassis Linhares.

Ao longo dessas décadas, música de boa qualidade e ampla cobertura esportiva, sobretudo do futebol, fazem parte da essência do programa. E há alguns anos ele é apresentado pelo mesmo Diassis na Sal da Terra Rádio Web (ouça AQUI).

Senhas: (84) 99926-9721

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Categoria(s): Comunicação / Gerais
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sexta-feira - 06/11/2026 - 07:38h
JORNAL DA GLOBO

Rogério diz que Senado será filtro contra aparelhamento do STF

Lançado pelo PL como candidato à presidência do Senado, o senador Rogério Marinho (PL) afirmou que esse poder deve agir “como filtro”, capaz de impedir o aparelhamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Sua referência foi em relação à indicação de nomes para ingresso nessa Corte.

Ele falou ao Jornal da Globo nessa quinta-feira (5).

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Categoria(s): Política
quinta-feira - 05/11/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“A ciência nos traz conhecimento; a vida, sabedoria.”

Will Durant

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
quinta-feira - 05/11/2026 - 22:34h
FIM DE ANO

Brasil deve registrar cerca de 530 mil contratos temporários

Cuidados especiais com cartões de crédito (Foto: bando de imagem da Pexel)

Comércio tem previsão de 129,6 mil vagas até o fim de ano (Foto: banco de imagem da Pexel/Arquivo do BCS)

O Brasil deve registrar cerca de 530 mil contratos de trabalho temporário até dezembro de 2026, crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção foi divulgada pela Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM).

No comércio, a previsão é de 129,6 mil vagas para o fim de ano, sendo 42,6 mil associadas à preferência declarada dos empresários pela contratação de mulheres, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Mas, para muitos profissionais, a oportunidade de fim de ano pode ir além do contrato de curta duração: segundo a ASSERTTEM, cerca de 20% dos trabalhadores temporários acabam sendo efetivados.

Apesar de o Natal colocar o varejo em evidência, é a indústria que concentra a maior parte das contratações temporárias no país, respondendo por 45% das vagas, de acordo com a ASSERTTEM. Os serviços aparecem na sequência, com 35%, seguidos pelo comércio (20%).

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Categoria(s): Economia / Gerais
quinta-feira - 05/11/2026 - 20:50h
MOSSORÓ

Igreja promove a “Bênção dos Estudantes” antes do Enem

Banner de divulgação

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Nesta sexta-feira (6) de novembro, todas as Missas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus terão uma bênção especial para os estudantes que irão participar do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2026, cuja primeira etapa acontece neste domingo, dia 8.

Será um momento de confiar ao Sagrado Coração de Jesus os sonhos, os esforços e o futuro de nossos jovens, pedindo sabedoria, serenidade e confiança para este importante momento de suas vidas.

⛪ PROGRAMAÇÃO – 6 DE NOVEMBRO

📍 Missas: 6h, 12h e 17h30

🙏 Adoração ao Santíssimo: 7h às 16h30

📿 Tarde de oração:

* 14h30 – Coroa das Lágrimas
* 15h – Terço da Misericórdia

📚 ENEM 2026 | ATENÇÃO, ESTUDANTES!

A primeira etapa acontece neste domingo, 8 de novembro.

⏰ Horários (Brasília):

* 12h – Abertura dos portões
* 13h – Fechamento dos portões
* 13h30 – Início das provas
* 19h – Término das provas

❤️ Que o Sagrado Coração de Jesus ilumine a mente e tranquilize o coração de cada estudante. Que todo esforço seja acompanhado pela fé e pela certeza de que Deus caminha conosco em cada etapa da vida.

Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós!

📍 Igreja do Sagrado Coração de Jesus – Rua Jerônimo Rosado, Centro de Mossoró (RN).

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Categoria(s): Gerais
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