Por Odemirton Filho
O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, é uma das obras-primas da literatura mundial; é também um dos meus livros preferidos. Em um dos diálogos da história, um dos personagens afirma que para todos os males há dois remédios: o tempo e o silêncio.
Não sei se afirmação é verdadeira, mas, sem dúvida, leva-nos à reflexão. O tempo, senhor da razão, como se costuma dizer, pode acalmar um coração atribulado. Quer um exemplo? Às vezes, sentimos saudade de alguém ou dum momento vivido. O tempo nos ajuda a conviver com a saudade, apesar de não conseguir afastá-la, pois as lembranças ficam gravadas na memória afetiva.
Além do mais, as coisas costumam se acomodar com o tempo ou, quem sabe, nos conformamos com o acontecido, e deixamos a vida seguir o seu fluxo. Certamente, na alma ficarão cicatrizes. Contudo, aprendemos a conviver com a dor, com a decepção, com a saudade.
Num mundo repleto de egoísmo e vaidade, no qual o ser humano muitas vezes se acha infalível, o tempo mostra a verdade, ensinando-nos da pior forma. Há pessoas que passam a vida inteira cometendo o mesmo erro. Todavia, chegará o momento em que a vida cobrará o preço de nossas escolhas.
Por outro lado, vivemos tempos de muito barulho, sobretudo, nas redes sociais. As pessoas se expõem demais, mostrando a sua intimidade, o seu dia a dia, pois o importante é obter curtidas. Quanto mais, melhor.
Esquecem, porém, de guardar o silêncio. Deixam de conversar consigo mesmo, de sentir o coração, de ouvir a voz suave de Deus. Hoje, todos têm certezas, mesmo que não possuam o mínimo conhecimento sobre o assunto. Confundem liberdade de expressão com liberdade de agressão, sem falar naquelas pessoas que adoram ser desagradáveis ou deselegantes em seus comentários.
Enfim, eu não sei você, no entanto, eu confio na maturidade que o tempo traz e, em algumas situações, adoto o silêncio como resposta. Poucas coisas na vida valem o nosso sossego.
Odemirton Filho é oficial de justiça










































