Imagem deste domingo (1º), reproduzida pela página @orgulhodeserpotiguar_
Sangria da barragem do Santuário do Lima, em Patu, região Oeste do RN.
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Jornalismo com Opinião
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Segundo a Rádio Cabugi do Seridó, faltando poucos centímetros para transbordar, a comporta da Barragem Dinamarca, em Serra Negra do Norte, região Seridó, foi aberta no começo da tarde deste domingo 1º).
A capacidade total é de 2.373.066 m³ de água.
A última sangria da barragem foi em 24 de janeiro de 2025.
🎥 Lucas Vaqueiro.
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Por Wilson Gomes (Do Canal Meio para o BCS)
A política é atividade competitiva por excelência, pois o seu ponto de partida é a divergência e o conflito de interesses, vontades e valores. E não há nada de errado nisso; ao contrário, trata-se de forma mais civilizada de mediação dos inevitáveis conflitos que resultam da liberdade e da singularidade humanas.
Já a polarização é um problema porque produz uma série de efeitos corrosivos sobre a política democrática. Em primeiro lugar, ela intensifica a hostilidade entre cidadãos e grupos, frequentemente associando a identidade política a sentimentos de aversão, medo e desconfiança. Essa animosidade não permanece no plano simbólico, pois pode se traduzir em violência, intimidação e outras formas de agressão dirigidas a indivíduos em razão de sua filiação política. Em segundo lugar, a polarização fragiliza a coesão social, uma vez que transforma adversários em inimigos morais e favorece processos de desumanização recíproca que tornam mais difícil o reconhecimento mútuo necessário à convivência democrática.
Além disso, a polarização alimenta percepções distorcidas sobre o grupo rival, reforça estereótipos negativos e sustenta a crença de que o outro representa uma ameaça existencial à ordem política. Esse clima de antagonismo favorece a radicalização, na medida em que indivíduos passam a considerar aceitável o uso de meios ilegais ou antidemocráticos para impedir a vitória do adversário, que já não é visto como um concorrente legítimo, mas como um perigo a ser neutralizado. Por fim, ao generalizar emoções negativas e legitimar atitudes extremas, a polarização contribui para um ambiente político instável e destrutivo, enfraquecendo a confiança nas instituições e tornando as democracias mais vulneráveis à ruptura e à erosão interna.
É verdade que vem se tornando frequente no Brasil, principalmente na esquerda, o negacionismo da polarização. Ainda esta semana, Reinaldo Azevedo gravou um vídeo para supostamente desmascarar a má-fé de quem fala de polarização no país. A razão é simples: não existe aqui um radicalismo proporcional de esquerda e de direita. A direita radical, de fato, tem número suficiente para vencer eleições, conquistar governos e produzir leis, mas não existe uma extrema-esquerda no país que represente uma ameaça semelhante.
A direita é que se radicalizou, enquanto a esquerda continua no ponto onde sempre esteve. A suposição desse argumento é que, para haver polarização, seria necessário haver dois polos políticos radicais com igual apelo ou filiação. Além disso, sustenta-se que, ao dizer que existe polarização, se está atribuindo à esquerda uma imputação moral por uma situação negativa que não seria responsabilidade dela.
Ora, a premissa implícita nesse raciocínio é falsa, porque polarização não exige simetria entre os polos, seja em grau de radicalização, em tamanho ou em poder político. A polarização pode, inclusive, ser assimétrica. Não se trata de um conceito que descreve posições no espectro ideológico, mas sim da estrutura da relação entre grupos políticos.
Há polarização quando grupos passam a se perceber como moralmente incompatíveis, seja entre si, seja em relação ao restante da sociedade. Isso também ocorre quando a identificação política se transforma na identidade social central, como no caso de quem afirma “eu não voto em Bolsonaro, eu sou Bolsonaro”. Da mesma forma, há polarização quando o adversário deixa de ser visto como concorrente legítimo e passa a ser percebido como uma ameaça que não deve, em hipótese alguma, ser “normalizada”. O fenômeno também se manifesta quando a distância entre posições se torna tão grande que impede soluções de compromisso ou quando o centro e a moderação passam a ser abandonados e desqualificados pela maioria. Se tais características podem ser encontradas em grande volume em nossa sociedade, então, meus amigos, a polarização está entre nós.
A divergência deixou de ser vista como parte normal da vida democrática e passou a ser interpretada como sinal de ameaça
O fato é que a polarização política se tornou um dos traços mais visíveis das democracias contemporâneas. Ela aparece nas análises acadêmicas, nas colunas de jornal e na experiência cotidiana de cidadãos que passaram a perceber o adversário não apenas como alguém com posições diferentes, mas como representante de uma visão de mundo considerada moralmente ilegítima. A divergência deixou de ser vista como parte normal da vida democrática e passou a ser interpretada como sinal de ameaça.
Nesse contexto, surge uma pergunta inevitável. A polarização, que tem se intensificado em toda parte nos últimos anos, é uma condição irreversível das democracias contemporâneas ou um fenômeno que pode ser reduzido?
Um estudo recente oferece uma resposta que merece atenção. O artigo foi publicado na revista Political Psychology e assinado por Steffen Moritz, professor do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Universitätsklinikum Hamburg-Eppendorf, em colaboração com pesquisadores da Universität Augsburg e do mesmo centro clínico em Hamburgo. O grupo investiga há décadas os mecanismos cognitivos que sustentam convicções rígidas e resistentes à correção, inicialmente no contexto clínico de pacientes que sustentam ideias falsas com certeza absoluta e, mais recentemente, no campo da psicologia política.
Os pesquisadores queriam testar se a hostilidade política entre grupos rivais poderia ser reduzida por meio de uma intervenção metacognitiva extremamente simples. Essa intervenção consistia em expor as pessoas a seus próprios erros em julgamentos factuais sobre o “outro lado”, especialmente quando esses julgamentos eram sustentados com alto grau de convicção. O termo “metacognitiva” indica que o objetivo não era persuadir os participantes a mudar suas convicções políticas, mas levá-los a refletir sobre a confiabilidade de seus próprios julgamentos. Isso ocorria sobretudo quando descobriam que certezas que sustentavam com segurança sobre o grupo adversário não correspondiam à realidade.
O experimento concentrou-se em eleitores de dois partidos que representam polos opostos da política alemã contemporânea: o Alternative für Deutschland (AfD), frequentemente associado à direita radical populista, e o Bündnis 90/Die Grünen, o Partido Verde, identificado com a esquerda progressista. Esses dois grupos não foram escolhidos ao acaso. Ambos simbolizam, no contexto alemão, a distância ideológica que caracteriza a polarização contemporânea e têm sido alvos frequentes de hostilidade política recíproca.
A ideia por trás do estudo era que a hostilidade política depende de três elementos centrais: estereótipos rígidos sobre o outro lado, percepções equivocadas sobre o que o outro pensa e excesso de confiança nas próprias convicções. Esse excesso de confiança produz rigidez cognitiva, que, por sua vez, favorece a desumanização e intensifica a hostilidade contra o “outro lado”, podendo inclusive levar à legitimação da violência. A implicação mais forte é clara: a intolerância política não depende apenas de ideologia, mas também de um estado cognitivo específico, que consiste na incapacidade de reconhecer a falibilidade da própria perspectiva. A intervenção, como veremos, atua precisamente nesse terceiro ponto, criando o que os autores chamam de “sementes de dúvida”, isto é, dúvidas de natureza metacognitiva.
Para isso, os pesquisadores aplicaram um procedimento conhecido como treinamento metacognitivo (Metacognitive Training, MCT), um método originalmente desenvolvido para tratar pacientes que sustentam convicções falsas com elevado grau de certeza. O método foi originalmente desenvolvido para o tratamento de pacientes com esquizofrenia que apresentam delírios persistentes. Seu alvo não é o conteúdo das convicções, mas o excesso de confiança com que são sustentadas. Os pesquisadores aplicaram esse mesmo princípio ao estudo da polarização política, partindo da hipótese de que a hostilidade entre grupos rivais é alimentada por um mecanismo cognitivo semelhante: a tendência de tratar como absolutamente certas interpretações que podem estar equivocadas.
O experimento foi conduzido com pouco mais de mil participantes recrutados na Alemanha, todos identificados como eleitores de um dos dois partidos analisados. Os participantes responderam a uma série de perguntas factuais sobre o grupo político rival e também tiveram de indicar o grau de confiança em suas respostas.
Esse detalhe é decisivo. Após responderem, receberam imediatamente o feedback correto, acompanhado da indicação de que haviam respondido incorretamente em questões nas quais haviam declarado alta convicção. Esse confronto entre certeza subjetiva e erro constitui o processo de semeadura de dúvidas, pois produz a experiência direta de que uma convicção sustentada com segurança pode estar errada. O objetivo, naturalmente, era enfraquecer a convicção implícita de que percepções sustentadas com absoluta certeza sobre o adversário seriam necessariamente corretas. Tratava-se, portanto, de alterar a relação das pessoas com a própria certeza.
Imagine ser indagado se a maioria dos eleitores do partido adversário apoia determinada posição política e responder com segurança que sim. Em seguida, você descobre que os dados mostram o contrário e que sua resposta estava errada. O experimento consistiu precisamente em produzir esse tipo de experiência.
Esse método faz parte de um conjunto mais amplo de intervenções experimentais destinadas a reduzir a polarização. Entre elas estão o chamado pensamento paradoxal, que expõe versões exacerbadas das próprias convicções para que o indivíduo se dê conta dos exageros implícitos em suas crenças, e a exposição a contraestereótipos, que apresenta exemplos capazes de contradizer caricaturas comuns sobre o grupo adversário. Essas abordagens têm em comum o objetivo de enfraquecer a rigidez cognitiva que sustenta a hostilidade política, restaurando a capacidade de reconhecer a complexidade do mundo social. O treinamento metacognitivo, no entanto, atua em um nível ainda mais profundo, pois não confronta diretamente o conteúdo das convicções, mas a certeza com que são sustentadas.
Os resultados do estudo foram claros. Após uma única intervenção breve, os participantes passaram a expressar níveis significativamente menores de hostilidade em relação ao grupo político rival. Eles não abandonaram suas convicções políticas nem passaram a concordar com o adversário. O que mudou foi a forma como percebiam o outro lado. O adversário deixou de ser visto como uma ameaça absoluta e passou a ser percebido como um grupo legítimo, ainda que equivocado em suas posições.
Quanto maior a certeza com que sustenta uma convicção falsa, maior a mudança após a confrontação com a realidade
O aspecto mais revelador do estudo, no entanto, não foi simplesmente a redução da hostilidade, mas o fator que a tornou possível. A variável decisiva não foi o nível de informação política dos participantes, nem sua escolaridade, nem sua posição ideológica. O fator determinante foi o número de vezes em que descobriram que estavam errados em julgamentos que haviam sustentado com elevada confiança. Quanto maior a certeza com que sustentavam uma convicção falsa, maior foi a mudança após a confrontação com a realidade .
Esse resultado revela algo fundamental sobre a natureza da polarização contemporânea. O que transforma divergência em polarização destrutiva não é a distância entre as posições, mas a convicção de que a própria posição é infalível e de que a posição adversária só pode ser fruto de ignorância ou má-fé. O problema não é que discordamos demais, mas que temos confiança excessiva em nossas próprias convicções.
Essa certeza manifesta-se de formas facilmente reconhecíveis. Ela aparece quando alguém conclui que qualquer pessoa que vota no partido adversário só pode ser ignorante ou manipulada. Aparece quando a divergência deixa de ser interpretada como diferença de julgamento e passa a ser vista como evidência de falha moral. Aparece também quando deixamos de perguntar por que o outro pensa de forma diferente e passamos a supor que sua posição é simplesmente ilegítima.
O estudo conduzido por Moritz e seus colegas sugere que a polarização é sustentada por um mecanismo cognitivo específico, que consiste no excesso de confiança nas próprias convicções. Esse excesso de certeza produz uma forma de rigidez mental que impede o reconhecimento da própria falibilidade. Quando essa rigidez é enfraquecida, ainda que momentaneamente, a hostilidade diminui. Isso não ocorre porque as pessoas abandonem suas posições, mas porque deixam de ver o adversário como uma ameaça existencial.
Esses resultados permitem responder à pergunta inicial com maior precisão. A polarização não é uma condição irreversível nem uma consequência inevitável da diversidade social. Ela é sustentada por mecanismos cognitivos que podem ser modificados. O conflito político não desaparecerá, nem deveria desaparecer. O que pode mudar é a forma como os indivíduos se relacionam com suas próprias convicções e com aqueles que sustentam posições diferentes.
A democracia não depende da ausência de divergências. Ela depende, isto sim, da capacidade de conviver com divergências. Essa capacidade não exige que abandonemos nossas convicções, mas que reconheçamos sua natureza falível. A polarização não nasce da divergência, mas da certeza absoluta. E é precisamente por isso que ela pode ser reduzida.
Wilson Gomes é doutor em filosofia, professor titular da Universidade Federal da Bahia e autor de “Crônica de uma Tragédia Anunciada”
Por Odemirton Filho
Há algum tempo não abordo temas sobre Direito Eleitoral, ramo que lecionei por muito tempo na Universidade Potiguar (UnP), vez que a intolerância político-eleitoral tomou o espaço do bom debate. Quase não existe razoabilidade nos diálogos, uma vez que cada interlocutor quer impor o seu ponto de vista e, principalmente, o seu viés político-partidário.
De toda forma, por se tratar de ano de eleições, abordarei de forma sucinta o tema da propaganda eleitoral antecipada, no intuito de jogar luz sobre o assunto.
Conforme o Art.-36-A da Lei n. 9.504/97, “não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet, como a participação de filiados a partidos políticos ou de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos, observado pelas emissoras de rádio e de televisão o dever de conferir tratamento isonômico. Ressalte-se, que existem outros atos que também podem ser praticados.
Com efeito, é natural que os pré-candidatos comecem a se movimentar com certa antecedência, pois o período para a propaganda eleitoral se tornou exíguo, exigindo dos pretensos candidatos fazerem-se conhecidos, sobretudo, no mundo contemporâneo, no qual a internet e as redes sociais são o principal palco de visibilidade.
No entanto, é preciso cautela. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que “há propaganda eleitoral extemporânea quando se tem, cumulativamente ou não, a presença dos seguintes elementos: i) referência direta ao pleito vindouro ou ao cargo em disputa; ii) pedido explícito de voto, de não voto ou o uso de palavras mágicas para esse fim; iii) realização por forma vedada de propaganda eleitoral no período permitido; e iv) violação à paridade de armas entre os possíveis concorrentes”.
Observe-se que o uso das “palavras mágicas” pode caracterizar a propaganda eleitoral antecipada, isto é, “o pedido explícito de voto não se limita ao uso da locução ‘vote em’, podendo ser inferido de termos e expressões que transmitam o mesmo conteúdo” (parágrafo único do Art. 3-A da Resolução 23.610/19).
Ademais, não é inoportuno lembrar, que a Ação de Investigação Judicial Eleitoral, a famosa AIJE, poderá ser ajuizada no período cabível, devidamente fundamentada no abuso de poder político/econômico praticado pelo pré-candidato, ainda na fase da pré-campanha.
É o que diz o Art.22 da Lei Complementar 64/90:
“Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político” (…)
Sobre o abuso de poder, o TSE assevera que “para se caracterizar o abuso de poder, impõe-se a comprovação de forma segura, da gravidade dos fatos imputados, demonstrada a partir da verificação do alto grau de reprovabilidade da conduta (aspecto qualitativo) e de sua significativa repercussão a fim de influenciar o equilíbrio da disputa eleitoral (aspecto quantitativo)”. (Ac de 16.3.2023 no AgR-AREspE N. 060036293). Ou seja, somente o caso concreto dirá.
Destaque-se, de igual modo, que se revela possível a produção antecipada de provas, quando haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação, nos termos do Art. 381 do Código de Processo Civil.
Do exposto, é prudente que os pré-candidatos sigam as orientações de suas assessorias jurídicas, evitando-se a aplicação de multas ou, a depender dos fatos apresentados na AIJE, a cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos
Por Honório de Medeiros

O cartoon de Dalcio Machado é o vencedor do Salon International de la Caricature et du Cartoon em 2024
Li, e fiquei impressionado, com Clãs Políticos no Congresso Nacional, da pesquisadora Lauren Schoenster, “Transparência Brasil”.
Procurem no Google. Leiam. Vão redescobrir o óbvio. Ou serem surpreendidos.
Mudaram pouco os coronéis. Principalmente nos rincões. Não mudou o coronelismo. É a mesma estrutura de Poder de antes. Poucos mandam, muitos obedecem. Será que Jorge Luiz Borges sempre esteve certo? A democracia é mesmo uma ficção estatística?
Quando a massa consegue alguma coisa, fruto de um espasmo circunstancial tipo uma manobra politiqueira de um segmento integrante dos poucos que mandam, o Sistema se abala, mas volta logo ao normal e tudo continua como dantes.
Certo, também, Giuseppi di Lampeduza e sua célebre frase em O Leopardo, “algo deve mudar para que tudo fique como está”.
Entretanto, os poucos que mandam, mandam mesmo? É certo que, mandando ou não, vivem bem, às custas do “Zé Povinho”.
Nos tempos de hoje, o malandro não é mais o Barão da Ralé, como disse Chico Buarque, em samba antológico, a não ser que seja um malandreco.
Os coronéis criam e manipulam os malandros e os malandros, para os coronéis, são ralé do mesmo jeito, nada de Barões.
Eles, também, terminam sendo usados pelo dinheiro que pasmem para esse antropomorfismo, tem vida própria, cria, dita, interpreta e impõe as regras do jogo.
Cada ser humano que o segura em suas mãos inocentes ou criminosas nada mais faz que ser uma marionete nesse jogo imenso, colossal, incomensurável, no qual cada um de nós dá mais de si, seja de que forma seja, do que o necessário para aumentar a vida do dinheiro e alimentar cada um dos membros da Ralé que compõem a teia, a malha, o sistema, que sem ter um ponto de partida nem de chegada, é algo em si mesmo e enreda tudo e todos…
O filósofo francês Jean Baudrillard, em quem os criadores de “Matrix” se inspiraram, disse, em Simulacros e Simulações, que o que a humanidade vive não é a realidade. Sustenta ele que a Sociedade, hoje, substituiu a realidade por signos e símbolos. Pode ser que esteja certo e tudo isso não passe de um imenso simulacro a esgotar cada um de nós, grão de areia perdido no cerne de um incomensurável deserto.
Eu, pelo meu lado, penso que a criatura engoliu o criador.
Nada mais.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN
Por Marcelo Alves
Refiro-me mais uma vez a André Gide (1869-1951), desta feita para ilustrar a fecunda mistura entre direito e literatura, vindo esta ajudar no entendimento e aprendizado daquele.
Como sabemos, em “Os subterrâneos do Vaticano” (“Les Caves du Vatican”, 1914), Lafcádio, protagonista da trama, comete o que ele acredita ser um crime sem motivo, um homicídio, para, na sua crença mística do “ato gratuito”, provar a existência dessa espécie de conduta/delito. Mas esse tal “crime sem motivo” existe mesmo? Os entendidos recomendam: “Follow the money”. Os franceses dizem: “Cherchez la femme”. O que vocês acham?
Fui alertado por um amigo a xeretar a resposta no grande Nélson Hungria (1891-1969), que foi ministro do Supremo Tribunal Federal e, talvez, apelidado de “príncipe”, o maior dos penalistas brasileiros.
Eis trechos de Hungria nos seus “Comentários ao Código Penal” (edição da Forense, 1979): “Será possível um crime inteiramente gratuito, desprovido de motivo, oriundo de uma volição sem causa ou sem finalidade? Em sentido afirmativo responde André Gide, no seu livro Les Caves du Vatican. O jovem Lafcádio, empurrando para o abismo a Fleurissoire, teria realizado o que se pode chamar um ‘ato puro’, sem o lastro de qualquer motivação, sem outro antecedente subjetivo que um desejo espontâneo, sine matre creatus”. De logo, Hungria reconhece que o jovem Lafcádio não veste as “roupas feitas” do “homem normal” de Cesare Lombroso (1835-1909), seja lá o que isso for (suponho que seja o homem médio e razoável). A não ser pelo impulso de um motivo, este (o tal “homem normal”) não praticaria um crime de homicídio. Mas “é certo que a vontade consciente não é prerrogativa do homo medius, pois existe também nos loucos de sentimento, nos imbecis de afetividade, nos analfabetos de senso moral, nos enfermos psíquicos em geral; mas ainda em tais casos não será possível reconhecer-se uma vontade imotivada. O motivo da iniciativa da vontade será fútil, insuficiente, excêntrico, extravagante, irrisório, mas não deixará de existir. (…). É dessa casta o herói de Gide: não passa de um psicopata ou de um anômalo da afetividade. O seu gesto homicida, retraçado na sua gênese, não foi inteiramente destituído de motivo. Analisado o fato, segundo a própria atraente narrativa de Gide, percebe-se que Lafádio foi decisivamente influenciado por motivos, embora fossem estes inadequados, ou mesmo de cômica frivolidade”. Realmente, basta lembrar as elucubrações de Lafcádio instantes antes de cometer o crime. Ademais, “a insuficiência de motivação não pode ser confundida com ausência de motivos. O preponderante motivo de Lafcádio foi, certamente, o propósito de praticar um crime sem motivo. Motivo paradoxal, disparatado, mas motivo, quand même. (…). O crime gratuito, como fato de um indivíduo campos sui ou psiquicamente íntegro, segundo a concepção de Gide, não é deste mundo”.
Estou com Nélson Hungria, evidentemente. Vivo no mesmo mundo onde viveu o nosso grande penalista. Se já menos verde, se já mais aquecido, é a mesma velha e boa terra redonda.
Todo crime tem o seu motivo. E este é sopesado para diversos fins no direito penal. O crime de Gide pertence ao imaginário chocante, mas “pedagógico”, da literatura, muito embora, para o nosso deleite, esses dois mundos, o real e o imaginário, se misturem nas grandes obras de arte.
De toda sorte, fazendo uso do termo “pedagógico”, chego aonde quero chegar. Com os grandes autores, com suas belas estórias, aprendemos muito direito.
Na literatura, há estórias que enfrentam e resolvem satisfatoriamente problemas jurídicos. E mesmo não havendo correspondência entre o texto literário e a realidade do mundo jurídico (uma vez que estamos tratando de ficção), essa mistura vale a pena, até porque, o estudo do direito, assim, através de obras-primas da literatura, torna-se uma maravilha. Então, viva Gide, viva Hungria.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL
Por Bruno Ernesto
Desde setembro de 2023, quando passei a contribuir com o Blog Carlos Santos, procuro desconectar os textos de minha atividade profissional como advogado militante, e convirjo para o conteúdo cultural, sem pretensão de inculcar ideias, dogmas, correntes filosóficas, convencer alguém ou pregar o escárnio. Este, se necessário, talvez.
Proponho apenas contribuir com o domingo dos leitores com que se dispõem a lê-los, pois acredito que após uma semana intensa, esticada e estresso-irritante, ninguém queira ler conteúdo técnico ou enfadonho num espaço dominical.
Não por onde, embora exclua o viés técnico, não esqueça que entre a cadeira do escritório e as salas dos fóruns, há o cotidiano.
Embora há mais de vinte anos o processo judicial virtual seja uma realidade, a pandemia do Covid-19 acelerou o fim da papelada e sedimentou a virtualização do Judiciário.
Até mesmo o que mais resistia a ser implementado, que eram as audiências virtuais para todas as esferas foi, enfim, sedimentado, de modo que hoje, quando apenas imprescindível, as audiências são realizadas presencialmente.
Consequência disso, foi o esvaziamento dos corredores dos fóruns.
Esse esvaziamento também interrompeu uma cadeia intrincada de atividades e serviços correlacionados ao fluxo de pessoas, especialmente a socialização.
Aquele simples ato de chegar ao fórum e se deparar com vários amigos, colegas e conhecidos, por si só, muitas vezes já representava um ponto de ruptura da tensão do dia.
Uma breve, porém descontraída e cordial conserva entre advogados, servidores, magistrados, promotores, e todas as pessoas que frequentam, azeitam essa complexa engrenagem social – lembre-se, o Judiciário serve de controle social –, pois todos ainda são de carne e osso.
A presença, de alma e corpo é tão importante nesse ambiente, que essa semana, ao me dirigir para uma diligência presencial no Fórum de Mossoró, o vigilante que sempre nos recepciona com muita gentileza e cordialidade, disse que estava contente em ver o grande movimento do dia, pois ver os corredores vazios é uma tristeza só:
– Ninguém quer vir mais ao Fórum.
– Ninguém encontra mais nenhum conhecido.
– Não se tem notícia das pessoas, da vida. Nada.
Embora estivesse apressado, aquele breve momento me fez desacelerar e parei para conversar com ele. Claro, tive que concordar com ele.
Muitas vezes sequer olhamos para as pessoas, pois o nosso hiperfoco é o tempo. Sempre, e a todo tempo, o tempo.
Após uma breve conversa, entre risos e nostalgia, disse a ele que o que mais sentimos saudade da vida nos corredores dos fóruns – além dessas excelentes conversas – são as confusões. Nada como uma confusão, um arranca-rabo presencial!
Ele deu uma gaitada tão generosa, que ganhei o dia.
No fundo – não sei – tenha plantado uma semente desnecessária, pois, pensando melhor, de agora em diante, talvez ele até torça para que um arranca-rabo se suceda, sem maiores consequências, decerto. Ainda somos de carne e osso.
Lembre-se, caro leitor: todo mundo pode proporcionar uma grande alegria no dia alguém. Uns com a sua chegada, outros com a sua saída.
Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM
Por Cinthia Moreno
O câncer avançado, que não responde ao tratamento curativo, pode gerar muitos sintomas e sofrimento, nos aspectos físico, emocional, social e espiritual, o que compromete a qualidade de vida do paciente e, também, de seus familiares, principalmente, de seu cuidador principal.
A dor e a fadiga são os sintomas mais comuns, mas outros sintomas físicos, como limitação da mobilidade e incapacidade de gerar força muscular, de forma adequada, comprometem a capacidade funcional e a execução de atividades, como tomar banho, se trocar e se alimentar, de forma independente.
Com a mobilidade geral reduzida, ocorrem outras alterações como a constipação. Há uma relação muito estreita entre a influência dos fatores físicos nos fatores emocionais e vice-versa. Tudo isso, gera comprometimento no paciente e pode ser motivo de internações mais frequentes.
A fisioterapia, através de exercícios, técnicas específicas e medidas de conforto, pode beneficiar o paciente nessa fase da doença, para que tenha qualidade de vida e sensação de bem-estar. Orientar e demonstrar um posicionamento adequado, quando estiver deitado ou sentado, já faz diferença na respiração e na prevenção de lesões por pressão. Se o paciente já tiver alguma lesão, as mudanças de posição vão favorecer o processo de cicatrização.
As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), associadas ou não à fisioterapia, também, contribuem para melhora na qualidade de vida. A terapia manual, com massagens e uso de óleos essenciais (aromaterapia), promove bem-estar, melhora no humor e ajudam a aliviar dor e outros sintomas, como constipação. Acupuntura e auriculoterapia, também, mostram bons resultados.
Diante de um paciente com doença avançada, o fisioterapeuta deve ter sua atuação baseada em evidências, buscando estratégias e técnicas, que, comprovadamente, beneficiar o paciente, mas, para além disso, deve atuar de forma compassiva.
Cinthia Moreno é fisioterapeuta Casa Durval Paiva
Por Cesar Amorim
No complexo universo do Direito Administrativo, a linha que separa a legítima reorganização da máquina pública de uma manobra para suprimir direitos é, por vezes, tênue. No entanto, a análise do Decreto nº 31.169/21, editado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, revela um caso em que essa linha foi inequivocamente cruzada, em prejuízo direto dos policiais civis que se encontram na linha de frente da segurança pública.
Sob o pretexto de “otimizar os serviços de polícia judiciária”, o referido decreto promoveu uma ampla fusão de delegacias no interior do estado. Unidades policiais de cidades menores foram formalmente extintas, e suas áreas de circunscrição, absorvidas por delegacias de municípios vizinhos. À primeira vista, um ato de gestão. Na realidade, um artifício jurídico para um fim específico: cessar o pagamento da gratificação por acumulação de trabalho, um direito garantido em lei.
A questão é simples: policiais que antes eram responsáveis pela sua delegacia e, ao mesmo tempo, respondiam por outra unidade vaga, recebiam uma gratificação por essa sobrecarga, conforme previsto no art. 97 da Lei Complementar nº 270/2004 (a Lei Orgânica da Polícia Civil). Com a “canetada” do decreto, o Estado passou a argumentar que, se a outra delegacia “não existe mais” no papel, o acúmulo também deixa de existir. Um argumento que não sobrevive a uma análise jurídica séria.
O Direito não se compraz com ficções. O Princípio da Primazia da Realidade nos ensina que a verdade dos fatos deve prevalecer sobre arranjos meramente formais. A pergunta que se impõe é: o trabalho desapareceu? A população daquela cidade deixou de precisar dos serviços de polícia judiciária? As ocorrências e investigações cessaram? A resposta é um sonoro não.
O que o decreto fez foi extinguir um nome no organograma, mas a carga de trabalho, a responsabilidade territorial e a demanda social foram integralmente transferidas para o policial da delegacia vizinha. O acúmulo, fato gerador da gratificação, não só persiste como se torna ainda mais pesado, agora sem a devida contraprestação.
Aqui reside a flagrante ilegalidade. Um decreto, ato normativo do Poder Executivo, não possui força para revogar ou limitar um direito estabelecido por uma Lei Complementar, norma hierarquicamente superior emanada do Poder Legislativo. Ao criar um cenário que impede a aplicação do art. 97, o decreto exorbita seu poder regulamentar e invade a competência do legislador.
Mais grave ainda, a manobra configura um claro enriquecimento ilícito do Estado. A Administração Pública continua a se beneficiar do trabalho acumulado do servidor, mas se recusa a pagar por ele. Exige-se o bônus do serviço prestado em dobro, mas nega-se o ônus da remuneração correspondente. Tal prática é vedada pelo nosso ordenamento jurídico e viola a boa-fé que deve reger as relações entre o Estado e seus servidores.
A situação se agrava ao considerarmos que o Poder Judiciário potiguar já havia consolidado o entendimento sobre o tema através da Súmula nº 56/2022, da Turma de Uniformização dos Juizados Especiais, que garante o direito à gratificação em casos de acúmulo por vacância. A estratégia do Governo, portanto, não apenas lesa os policiais, mas também contorna uma posição já pacificada pela Justiça.
Em conclusão, o Decreto nº 31.169/21, embora revestido de uma aparente legalidade administrativa, é, em sua essência, um ato que promove a precarização do trabalho policial e a redução indireta de vencimentos. Não se trata de eficiência, mas de uma economia que penaliza quem já se sacrifica em um cenário de notório déficit de efetivo.
Cabe agora, aos servidores lesados, buscar a tutela do Poder Judiciário para restaurar a legalidade, fazendo valer a máxima de que, no Estado de Direito, a realidade do trabalho se sobrepõe à ficção dos papéis, e todo labor, especialmente aquele que excede o ordinário, deve ser justamente remunerado.
Mas a questão transcende a mera ilegalidade. É aqui que cabe à imprensa livre, aos especialistas em segurança pública, aos sindicatos e à sociedade civil organizada cumprirem seu papel fiscalizador e declararem, em alto e bom som, a imoralidade desta prática. Não se trata apenas de uma rubrica no contracheque; trata-se do respeito ao trabalho, da valorização de quem arrisca a vida pela população e da recusa em aceitar que a “eficiência” administrativa seja um pretexto para a injustiça.
Leia também: “Eficiência” com corte de gratificação prejudica policiais civis do RN
Uma polícia desvalorizada é o primeiro passo para uma segurança pública enfraquecida. E essa é uma conta que, no final, toda a sociedade paga.
César Amorim é advogado especialista em Direito dos Servidores Públicos
Por Marcos Ferreira
Acredito que se passaram três semanas, senão um mês ou mais, que uma passarinha colorida começou a construir um ninho com pequenos ramos de mato seco no recanto de duas linhas de madeira apoiadas sobre uma coluna de minha área de serviço. Achei que fosse desistir da empreitada, o mato estava caindo com frequência. Mas, graças aos recursos da natureza, ela superou as dificuldades e o ninho ficou pronto. Ali depositou três ovinhos.
Desde então, toda vez que olho para o local, lá está a pequena ave fiel ao seu propósito de chocar os ovos. Não sei como faz para adquirir meios para manter a si própria, como adquirir comida e água. Porque sempre a vejo acomodada em seu ninho, empenhada em sua obstinação materna.
Daí para cá tenho evitado movimentos bruscos no terraço, a fim de não assustar a avezinha e fazer com que ela saia momentaneamente do local. Porque isso já aconteceu algumas vezes, na fase de construção da estrutura. À noite, quando necessário, acendo a luz da área de serviço durante o menor tempo possível, isso para que a claridade não incomode esta que em breve terá filhotes.
Admito que me preocupo com a chegada dos rebentos que estão (quem sabe) prestes a quebrar a casquinha dos ovos. Temo que algum desabe enquanto a mãe estiver fora, em busca de alimento para si e as suas crias. Receio ainda que, no caso de algum cair, Juju abocanhe o recém-nascido, mesmo que não tenha a intenção de comer o passarinho implume. Juju ainda é uma cadelinha muito nova, cheia de infantilidade e desastrada. Receio que machuque ou mate a ave. Seria uma fatalidade ante a qual me vejo impotente, sem meios de evitar a queda e os dentinhos de Juju. Torço para que nenhum dos seres alados despenque de sua morada provisória.
Considero admirável demais a tenacidade e zelo com que a passarinha se mantém ali cuidando da minúscula e precária habitação por ela construída de forma intuitiva, instintiva. Deduzo que seja esta a primeira vez que se empenhou nesse desafio, possivelmente se alimentando mal e também passando sede. É muita pureza de instinto, amor desmedido dessa mãe à espera de seus filhos.
Isso tudo me recorda uma história por demais triste e dramática que ouvi narrada por uma de minhas vizinhas na calçada onde nos reunimos com cadeiras para falar um pouco da vida alheia do final da tarde até certo horário da noite. Sim, tratamos um pouco sobre a vida de terceiros, que ninguém é de ferro. Não recordo a fonte de onde a senhora Cilene Freitas (eis o nome da vizinha) obteve esta informação: uma jovem mãe, com aproximadamente catorze ou quinze anos, vendeu o filho com apenas três meses de idade em uma boca de fumo. Corajosa, a avó interveio, enfrentou os marginais e recuperou o neto. Maldito vício (precisamente o crack) que faz com que uma dependente química troque sua criancinha por esse tipo de droga.
Enquanto isso, com amor, pertinácia, e sem dependência em nenhuma espécie de substância, a ave que se aninhou no meu terraço aguarda pacientemente a chegada dos seus nascituros. É admirável o quanto esses seres ditos irracionais nos dão certas lições de vida. Fico aqui esperando os filhotes. De alguma maneira me sinto responsável pela segurança e o bem-estar dessas criaturinhas.
Marcos Ferreira é escritor
Do Catraca Livre
Você provavelmente já ouviu que ficar sentado o dia todo faz mal, que o sedentarismo é um dos maiores vilões da saúde moderna e que correr é a solução para quase tudo.
Mas e se a ciência dissesse que essa narrativa está, pelo menos em parte, errada?
É exatamente isso que o professor de Biologia Evolutiva da Universidade de Harvard, Daniel E. Lieberman, defende no livro Exercício, uma obra que virou o senso comum de cabeça para baixo ao argumentar que os seres humanos não foram biologicamente projetados para correr, e que sentar, ao contrário do que se prega por aí, é uma atividade completamente natural para a nossa espécie.
O que diz o livro
Lieberman argumenta que, ao longo da história evolutiva humana, nossos antepassados viviam em ambientes onde não havia nenhuma necessidade de ficar em pé por longos períodos ou praticar atividades físicas intensas por prazer. O que os movia era a necessidade de sobreviver, coletar alimentos e caçar.
No restante do tempo, sentar em círculo ao redor de uma fogueira, descansar e conversar era o comportamento padrão da espécie. Ou seja, o repouso não era preguiça, era estratégia de sobrevivência.
O autor vai além ao afirmar que o ser humano desenvolveu, ao longo de milênios, um instinto inato de economizar energia.
Isso explica, segundo ele, por que tanta gente tem dificuldade em manter uma rotina de exercícios: não é falta de disciplina, é biologia. Em uma entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Lieberman foi direto ao dizer que nunca evoluímos para fazer exercícios e que essa resistência ao esforço físico desnecessário faz parte da nossa programação natural enquanto espécie.
Em resumo, para Daniel Lieberman, somos evolutivamente capazes de correr maratonas (e muito mais), mas a nossa biologia prioriza a eficiência energética e o movimento moderado em vez do exercício intenso de alto impacto.
Sentar faz tão mal quanto dizem?
Uma das ideias mais provocadoras do livro é justamente a defesa do ato de sentar.
Durante anos, comparações populares colocaram o sedentarismo no mesmo nível de hábitos altamente prejudiciais à saúde, criando um alarmismo que, segundo Lieberman, confunde mais do que ajuda.
Para ele, demonizar uma atividade tão natural para o corpo humano não tem base científica sólida e acaba desacreditando mensagens de saúde que realmente importam.
O que o professor defende não é que se passe o dia inteiro na mesma posição sem se mover, mas sim que o problema não está em sentar, e sim em sentar de forma contínua e prolongada sem nenhuma interrupção. A diferença é importante e muda completamente a forma de encarar a questão.
As recomendações dele apontam para um comportamento mais equilibrado, como levantar com frequência ao longo do dia, em vez de transformar o simples ato de sentar em um inimigo a ser eliminado.
Dados que surpreendem
O livro reúne uma série de dados que surpreendem até quem já tem alguma familiaridade com o tema. Alguns dos pontos mais curiosos que Lieberman levanta ao longo das páginas de Exercício são:
Nossos ancestrais caminhavam mais de 12 quilômetros por dia, não para se exercitar, mas para conseguir alimento por meio da caça e da coleta. Esse tipo de esforço tinha uma finalidade prática e era seguido de longos períodos de repouso, o que é muito diferente da ideia moderna de exercício como atividade de lazer ou estética.
O metabolismo basal consome entre 60% e 75% de toda a energia gasta diariamente, mesmo sem nenhuma atividade física. Isso significa que uma pessoa de 82 quilos pode gastar cerca de 1.700 calorias por dia simplesmente existindo, respirando e mantendo o coração funcionando, sem sair do lugar.
Corpo é adaptado para caminhar
Lieberman destaca que o corpo humano está muito mais adaptado para caminhar do que para correr.
A corrida, especialmente em volumes altos e com frequência elevada, representa uma sobrecarga que o organismo não está naturalmente preparado para absorver sem consequências.
Isso não significa que correr seja proibido ou prejudicial em si, mas que existe uma diferença enorme entre o esforço moderado que nossos corpos toleram bem e o excesso que as redes sociais frequentemente glorificam como ideal de saúde.
O professor aponta que o problema contemporâneo não é o exercício em si, mas a forma como ele é apresentado culturalmente, como se mais fosse sempre melhor e como se qualquer pausa fosse um fracasso.
O livro defende o exercício moderado, com destaque para caminhadas regulares, e até menciona a recomendação de 10.000 passos por dia como uma referência acessível e compatível com a biologia humana, sem transformar o movimento em uma obsessão ou em uma competição contra os próprios limites do corpo.
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“Se você quer uma mudança permanente, pare de focar no tamanho de seus problemas e comece a focar no seu tamanho!”
T. Harv Eker
O setor imobiliário de Natal e região metropolitana registrou crescimento no último trimestre de 2025, conforme revela o Censo Imobiliário, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, e encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (SINDUSCON/RN) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN (SEBRAE/RN).
Os dados mostraram avanço significativo no volume de unidades verticais lançadas no período. A variação entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025 foi positiva, com aumento expressivo tanto em Natal quanto na região metropolitana. Essa e outras informações foram apresentadas nessa quinta-feira (26), na Federação das Indústrias do Estado do RN (FIERN).
Entre os bairros com maior concentração de lançamentos no quarto trimestre, destacam-se Capim Macio, Tirol e áreas de expansão em Parnamirim, com predominância de unidades de 2 e 3 dormitórios e produtos de médio padrão e luxo.
O levantamento indicou ainda forte crescimento nas vendas de unidades verticais no comparativo anual. A variação entre o quarto trimestre de 2024 e 2025 superou a marca de 100% em Natal, enquanto a região metropolitana registrou avanço ainda mais expressivo. No acumulado de 12 meses, as vendas mantiveram desempenho positivo de 41%, reforçando o aquecimento da demanda.
O estudo apontou que empreendimentos específicos contribuíram para picos de comercialização ao longo do período, demonstrando o impacto de projetos de grande porte no desempenho geral do mercado.
A oferta final de unidades verticais apresentou crescimento moderado no comparativo anual em Natal, indicando equilíbrio entre lançamentos e absorção do estoque. Já na região metropolitana, a tendência foi de redução da oferta, refletindo a velocidade das vendas e menor volume de novos produtos disponíveis.
Preço médio
O preço médio do metro quadrado vertical em Natal (R$ R$ 9.449/m²) continuou em trajetória de alta e encerrou o quarto trimestre de 2025 com valorização acumulada relevante. Desde 2022, o indicador registra crescimento consistente, tendo 17% de crescimento, apenas nos últimos 12 meses, o que reflete fatores como aumento de custos, qualificação dos empreendimentos e demanda aquecida.
Entre os bairros com maior valor por metro quadrado estão Petrópolis, Tirol e Areia Preta, enquanto regiões como Pajuçara e Cidade da Esperança aparecem entre os menores valores, evidenciando a diversidade de perfis e oportunidades no mercado local.
Segundo Lucas Finoti, consultor da Brain, 2025 foi um ano bastante positivo para o mercado imobiliário da capital e da região metropolitana. “Tivemos crescimento tanto nos lançamentos quanto nas vendas, alcançando recordes no período pós-pandemia. Um dos principais fatores que explicam esse desempenho é a estabilidade no nível de emprego no Brasil, com taxas de desemprego historicamente baixas. Esse cenário aumenta a confiança do comprador e impulsiona a decisão de aquisição do imóvel”, avaliou.
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A Prefeitura de Mossoró, através da Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEINFRA) e Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural (SEADRU), entrega neste domingo (1º) a rede de abastecimento de água das comunidades de Melancias, Passagem de Pedra, Carmo, Sussuarana e Piquiri. A solenidade está marcada para as 13h, em Passagem de Pedra. O sistema adutor beneficiará mais de 700 famílias destas comunidades, o que representa mais de 3 mil pessoas.
O Município investiu mais de R$ 6 milhões na construção do sistema adutor, que faz parte do programa “Mossoró Realiza”, e também com recursos da Petrobrás. A implantação da adutora tem como objetivo garantir o fornecimento de água potável de forma contínua, segura e eficiente, promovendo melhorias significativas na saúde pública, qualidade de vida e desenvolvimento social das comunidades atendidas.
A obra beneficiará 770 famílias (residências), por meio da implantação de aproximadamente 70 quilômetros de rede de distribuição, sendo 31 km de adutora (rede principal), 39 km de rede auxiliar (rede de distribuição), além da instalação de sistema de bombeamento e reservatórios em pontos estratégicos, assegurando maior confiabilidade operacional e regularidade no abastecimento.
“Serão mais de 3 mil pessoas beneficiadas nestas comunidades rurais com esta adutora recebendo água diretamente em suas casas sem necessitar de carro pipa e qualquer outra fonte de água a não ser desta adutora. São 70 quilômetros de adutora que vão garantir qualidade de vida e dignidade para as comunidades rurais contempladas”, destacou Faviano Moreira, titular da Secretaria de Agricultura de Mossoró.
A comunidade de Piquiri tem o maior número de famílias beneficiadas, chegando a 242 no total. Na sequência vem Passagem de Pedras (232 famílias), Sussuarana (212 famílias), Melancias (45 famílias) e Carmo (39 famílias).
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Sob a batuta dos sócios Ewerton Machado e Adolpho Medeiros, o Oliver Restaurante deve inaugurar até o finzinho de março seu endereço próprio.
Há anos tem funcionado no International Drive, à Rua Amaro Duarte, 270, bairro Nova Betânia em Mossoró.
Agora, o imóvel onde se instalará fica no Abolição II, proximidades do condomínio Varandas do Nascente.
Um salto necessário à sua crescente demanda.
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A Polícia Civil do Rio Grande do Norte expressa sua mais profunda gratidão a todos os policiais civis, familiares, amigos, profissionais da segurança pública e membros da sociedade em geral que participaram da doação de sangue realizada nesta sexta-feira (27), no Hemonorte, em favor do policial civil Thiago de Medeiros Celestino.
A mobilização foi marcada por uma corrente de solidariedade e empatia, resultando em mais de 150 doações de sangue. O gesto coletivo demonstra a união e o compromisso com a vida, valores que norteiam não apenas a atuação policial, mas também o espírito de humanidade que nos conecta como sociedade.
Informamos que o policial civil passou por procedimento cirúrgico e segue estável, sob cuidados médicos, com acompanhamento contínuo das equipes de saúde.
Além de contribuir diretamente para o tratamento do policial civil, as doações realizadas irão reforçar os estoques do hemocentro e beneficiarão inúmeras outras pessoas que necessitam de transfusões, ampliando o alcance desse ato de amor ao próximo.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte agradece, de forma sincera, a cada pessoa que se dispôs a ajudar, seja por meio da doação, do apoio, das mensagens de incentivo ou das orações. Seguimos confiantes na recuperação do nosso colega e certos de que a solidariedade demonstrada hoje permanecerá como exemplo de união e valorização da vida.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Polícia Civil/RN – SECOMS
Nota do BCS – Você vai ficar bem e plenamente recuperado, cara. Amém!
P. S – Ele foi ferido à bala em São João do Sabugi durante o cumprimento de mandados judiciais contra faccionados, ontem (veja AQUI).
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“Nunca responda quando estiver com raiva, nunca prometa quando estiver feliz, nunca decida quando estiver triste.”
Bruce Lee
Choveu 140 milímetros em Lajes-RN, até o final da tarde desta sexta-feira (27).
Ruas, praças e avenidas alagadas, e uma ponte que divide os bairros Alto da Beleza e Alvorada, sob ameaça de desabamento. Eis o quadro hoje nesta cidade do Sertão Central.
A Defesa Civil interditou esse trecho, e vai aguardar as águas baixarem para averiguar melhor a situação.
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O helicóptero Potiguar 02 fez o transporte ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, do policial civil Thiago de Medeiros Celestino – ferido à bala, no rosto, em confronto nesta sexta-feira (27), na região do Seridó.
A ação ocorreu entre os municípios de Caicó e São João do Sabugi durante o cumprimento de mandados judiciais.
Houve resistência de bandidos no Sítio Bom Jesus. Um suspeito morreu no local e um policial civil foi ferido durante a ocorrência.
O agente foi socorrido inicialmente para o hospital do Seridó e, em seguida, transferido em UTI aérea pelo helicóptero Potiguar 02 até o Hospital Walfredo Gurgel.
Nota do BCS – Estamos na torcida e na fé para que esse agente possa se recuperar plenamente. Que assim seja.
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A produção científica do Rio Grande do Norte ganha destaque com a conclusão do doutorado da mossoroense Kelly Kercy Nogueira da Silva, que desenvolveu uma pesquisa inovadora voltada para a análise do efeito cicatrizante induzido pela espécie Sesuvium portulacastrum em feridas.
O estudo foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB), no Curso de Doutorado Profissional em Biotecnologia da Saúde da Universidade Potiguar (UnP), sob orientação do Dr. Fausto Pierdoná Guzen, pesquisador com atuação consolidada na área da saúde e da biotecnologia.
Biodiversidade nordestina como fonte de inovação
A pesquisa parte de um olhar atento para a biodiversidade brasileira, especialmente para espécies adaptadas às condições adversas do Nordeste. A Sesuvium portulacastrum é uma planta halófita, capaz de sobreviver em ambientes salinos, frequentemente encontrados em regiões litorâneas e áreas com solos impactados pela salinidade presente em diversos territórios nordestinos.
Segundo Kelly, a motivação para o estudo surgiu da busca por alternativas terapêuticas sustentáveis, acessíveis e baseadas em recursos naturais nacionais.
“A literatura científica já apontava propriedades antioxidantes e antifúngicas da espécie. A partir disso, decidimos investigar seu potencial cicatrizante, considerando também o baixo custo e o impacto ambiental reduzido”, explica a pesquisadora.
Potencial ampliado
Além das propriedades terapêuticas, a planta também apresenta capacidade de fitorremediação no processo de recuperação de solos contaminados, o que amplia ainda mais seu potencial ecológico e biotecnológico.
Na região da Costa Branca potiguar, que abrange municípios como Mossoró, Areia Branca, Grossos e Macau, a produção de sal é uma das principais atividades econômicas. Por ser rica em salinas, a região apresenta grande incidência dessa espécie vegetal em seu entorno.
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No dia 19 de outubro de 2018, final do segundo turno, Ezequiel garantiu apoio seu e do seu grupo à Fátima (Foto: arquivo)
Fique certo: a escolha indireta do próximo governador do RN, que permita a renúncia ‘tranquila’ da governadora Fátima Bezerra (PT), passa pelo atual presidente da Assembleia Legislativa do RN (ALRN), deputado Ezequiel Ferreira (PSDB).
Sem ele, nada feito.
O nome?
Alguém da confiança da governadora, com trânsito livre entre grupos que formam a Casa, manufaturado e avalizado pelo próprio Ferreira, que é aliado importante de Fátima Bezerra desde o fim da campanha do segundo turno das eleições de 2018 (veja AQUI).
Sozinha e com os meios que dispõe, sendo governo, Fátima não junta votos suficientes na Assembleia Legislativa para fazer seu sucessor. O governador-tampão será ungido porque o vice Walter Alves (MDB) não quer assumir; mesma decisão de Ezequiel Ferreira, pré-candidato à reeleição à ALRN.
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A deputada Cristiane Dantas (SDD) utilizou a sessão plenária desta quinta-feira (26) para reforçar o apelo por maior atenção e políticas públicas efetivas para as pessoas com doenças raras no Rio Grande do Norte. Em seu pronunciamento, a parlamenta enfatizou os desafios enfrentados por esses pacientes e suas famílias, especialmente na capital potiguar.
A legisladora iniciou sua fala questionando os presentes sobre a esclerodermia, uma das inúmeras condições raras existentes. Ela explicou que se trata de uma doença autoimune e crônica, caracterizada pela inflamação e endurecimento da pele, podendo afetar órgãos internos devido à produção excessiva de colágeno. Cristiane ressaltou que, no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas vivem com alguma enfermidade de baixa prevalência, muitas delas enfrentando dores constantes e um cenário de incerteza.
Sensibilizada com a causa e a necessidade de visibilidade, Cristiane Dantas lembrou que foi a propositora da Lei Estadual nº 11.477/2023, que institui o último dia de fevereiro como o Dia Estadual das Doenças Raras, data que será celebrada neste próximo sábado, dia 28. Acompanhando o discurso da parlamentar na galeria, estavam representantes da Associação de Doenças Raras do Rio Grande do Norte e de outras entidades de pacientes, a quem a deputada se dirigiu: “Vejam ali na galeria, não são só números, são pessoas, são mães, pais, são crianças, são pacientes que enfrentam dor, incerteza, e muitas vezes a invisibilidade do poder público”, afirmou.
Sem cura
A deputada destacou que a maioria dessas enfermidades é permanente, progressiva e sem cura, exigindo acompanhamento contínuo, equipe multiprofissional e acesso regular a medicamentos. No entanto, o cenário atual no estado apresenta “diagnósticos que demoram anos, falta de geneticista na rede pública estadual, déficit de reumatologistas, ausência de concurso e carência de medicamentos essenciais, levando famílias à judicialização pela UNICAT para garantir o que já deveria ser direito”. Ela classificou a situação como “inadmissível”.
Embora tenha reconhecido a importância da inauguração do primeiro serviço especializado em doenças raras em Mossoró, a representante pontuou que “não é suficiente”, especialmente porque a capital, Natal, concentra grande parte da demanda e ainda carece de um centro de referência estruturado para atendimento integral e contínuo. “Já realizei audiência pública nesta Casa para discutir essa pauta. E estamos aqui cobrando, mais uma vez, ações mais concretas”, declarou.
Entre as reivindicações apresentadas pela deputada Cristiane Dantas, constam a implantação de um centro de referência em doenças raras e crônicas em Natal, articulado à unidade de Mossoró; a contratação imediata de médicos geneticistas (atualmente há apenas um no estado); a realização de concurso público para reumatologistas; a garantia de fornecimento regular de medicamentos; a criação de linhas estaduais de cuidado; a transparência e respeito às prioridades legais; e o atendimento multiprofissional estruturado.
“Não estamos pedindo privilégios. Estamos falando de direito à saúde, previsto na Constituição. O Rio Grande do Norte precisa avançar, e precisa avançar agora”, concluiu a legisladora, enfatizando que “a luta das pessoas com doenças raras é uma luta por dignidade, e a Casa Legislativa não pode se omitir”.
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