domingo - 18/01/2026 - 12:04h
História de vida

Taxista Américo tem mais de 60 anos de atividade como motorista

Por Vonúvio Praxedes do Diário Político para o BCS

Américo Augusto de Moraes segue uma rotina de trabalho diário (Foto: Vonúvio Praxedes)

Américo Augusto de Moraes segue uma rotina de trabalho diário (Foto: Vonúvio Praxedes)

O Gol branco se aproxima silenciosamente e estaciona ao lado da calçada do mercado. Um senhor idoso passa a mão no banco traseiro e ajeita o estofado para ficar sempre confortável. Ao descer, baixa os dois bancos da frente para ‘pegar menos sol.’ Com chapéu e óculos escuros, ele caminha com um pouco de dificuldade e coloca a placa “TÁXI” no teto do carro. Depois, senta-se numa das cadeiras colocadas pelo amigo Chico Gouveia. Inicia a partir deste instante a espera por passageiros.

Américo repete esta rotina há décadas e enquanto aguarda as corridas, cada vez mais difíceis, conversa com amigos sobre o dia a dia da cidade e relembra do passado com saudosismo.

Em Caraúbas, uma história de resistência, trabalho e simplicidade atravessa gerações e permanece viva no ponto de taxistas localizado no Mercado Público Municipal. Aos 86 anos, mais de 60 no volante, Américo Augusto de Moraes segue fazendo aquilo que aprendeu desde o início da vida adulta: transportar pessoas, ouvir histórias e servir à comunidade onde construiu sua vida.

Nascido numa comunidade rural do município de Umarizal, no dia 13 de março de 1939, Américo veio ainda jovem para Caraúbas, cidade que adotou como lar definitivo. Antes de assumir o volante, passou cerca de 15 anos trabalhando como marchante, profissão tradicional no interior, lidando diariamente com o comércio de carnes.

Corcel

A virada de rumo veio quando decidiu ingressar no transporte de passageiros. O início foi desafiador. Américo começou utilizando um jipe de grande porte, com capacidade para até oito pessoas, mas tinha um problema: muitas vezes o carro transportava apenas um passageiro, que não aceitava pagar o valor necessário para cobrir os custos da viagem. O prejuízo era certo.

Com experiência adquirida e já contando com uma clientela fiel, Américo decidiu vender o jipe e comprou um carro menor, um Corcel, que marcou definitivamente sua trajetória como taxista. A partir daí, consolidou-se no transporte urbano e rural, levando passageiros não apenas dentro de Caraúbas, mas também para comunidades rurais e municípios vizinhos.

Casado, pai de quatro filhos e membro da Assembleia de Deus, garante ter conquistado tudo que sempre quis, com esforço, respeito e simplicidade.

Américo garante que seu celular (lanterninha) continua ligado para atender aos chamados da clientela que precisa de transporte.

Sem CNH e sem acidentes

Ao longo de 62 anos de praça, um detalhe chama atenção. É que Américo nunca teve Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Motorista prático, afirma sempre respeitar as leis e regras de trânsito e, em mais de seis décadas ao volante, nunca se envolveu em acidentes. Chegou a tentar regularizar a situação, mas, segundo ele, acabou sendo enganado e nunca recebeu o documento.

Cadeira na calçada do mercado, chapéu na cabeça e celular lanterinha no bolso, América bate-papo com amigos (Foto: Vonúvio Praxedes)

Cadeira na calçada do mercado, chapéu na cabeça e celular lanterinha no bolso, América bate-papo com amigos (Foto: Vonúvio Praxedes)

Hoje aposentado, Américo não abandonou completamente a rotina que o acompanhou por toda a vida. Diariamente no período da manhã, por volta das 8h, ele chega ao Mercado Público de Caraúbas, onde permanece até cerca de 10h30 ou 11h, aguardando algum passageiro eventual. O ritmo é mais tranquilo, sem a pressão de antes, mas com o mesmo prazer de conversar e ajudar quem precisa de transporte. Quando perguntado até quando vai ser taxista a resposta é objetiva: “até o dia que morrer”, respondeu firme.

A história de Américo é o retrato de uma geração que aprendeu a trabalhar cedo, construiu a vida com esforço e manteve os laços com a comunidade. Patrimônio caraubense, em cada corrida feita, em cada manhã no mercado, carrega não apenas passageiros, mas memórias vivas da história de Caraúbas.

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domingo - 18/01/2026 - 11:28h
Comunicação e política

A aliança secreta que quase tira dos Marinhos a Rede Globo

Grupo dos EUA injetou milhões de dólares na emissora e CPI quase põe fim à concessão pública

Do Bastidores do Poder

Roberto Marinho criou uma marca gigante, que esteve a ponto de desabar nos primeiros anos (Foto: UOL/Acervo)

Roberto Marinho criou uma marca gigante, que esteve a ponto de desabar nos primeiros anos (Foto: UOL/Acervo)

Antes de se tornar a força onipresente que moldaria a cultura e a política brasileira por meio século, a Rede Globo viveu um episódio de extrema fragilidade. Um “se” histórico que quase abortou o império antes do nascimento. Nos primeiros anos da década de 1960, enquanto o país experimentava o otimismo desenvolvimentista de Juscelino e o caos institucional que o sucedeu, Roberto Marinho, então dono do Jornal O Globo, sonhava em transformar uma concessão de TV ainda incipiente no coração de um império de comunicação.

O problema era o mesmo que assolava boa parte das ambições brasileiras da época, faltava dinheiro e know-how. O Canal 4 do Rio de Janeiro, embrião da futura Rede Globo, precisava de equipamentos, estúdios, técnicos e de uma estrutura de produção que o país simplesmente não tinha. A televisão nacional ainda engatinhava e os custos para alcançar o padrão americano eram impeditivos. Foi nesse cenário que o empresário enxergou na associação com um gigante estrangeiro a tábua de salvação e, sem saber, assinou o que a história lembraria como o pecado original da emissora.

A parceira escolhida foi o grupo Time-Life, conglomerado que controlava as revistas Time e Life e expandia o império para o audiovisual. O acordo selado em 1962 prometia mais do que os cerca de US$ 6 milhões, uma fortuna para o período, mas também a importação do modelo de gestão e das técnicas de produção americanas. No papel, parecia a solução perfeita. Na prática, seria o início de uma das maiores crises políticas da história da televisão brasileira.

Quando os primeiros dólares atravessaram o Atlântico, vieram juntos os primeiros fantasmas. O Brasil tinha leis claras: a Constituição de 1946, no Artigo 160, proibia a participação estrangeira em empresas de radiodifusão e jornalismo. O Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) reforçava o veto. A Globo havia encontrado o capital que faltava, mas à custa de violar o texto constitucional.

O sonho e a realidade do capital

O acordo firmado em 1962 previa financiamento e assistência técnica da Time-Life. Inicialmente, os americanos tinham direito a 30% dos lucros, com relatos de ampliação para 45% em 1965. Além do dinheiro, a parceria trouxe quadros experientes, como Joseph Wallach, e práticas administrativas importadas que, segundo a literatura, influenciaram a gestão e até a programação da jovem emissora. Oficialmente, o contrato era apenas de assistência técnica e financeira, uma versão sustentada até hoje pela Globo.

Para os críticos, tratava-se de uma sociedade disfarçada, com ingerência indevida de estrangeiros sobre uma concessão pública.

A engenharia jurídica para manter o acordo de pé era digna de um truque de ilusionismo corporativo. O dinheiro entrava como financiamento, mas as cláusulas davam à Time-Life poder de veto e influência operacional. Era o suficiente para que os adversários vissem ali uma violação aberta à soberania nacional e um prato cheio para a disputa política que fervia entre civis e militares nos bastidores de Brasília.

CPI da Globo foi instigada por Carlos Lacerda em 1966 (Reprodução do Bastidores do Poder)

CPI da Globo foi instigada por Carlos Lacerda em 1966 (Reprodução do Bastidores do Poder)

A CPI e o risco da implosão

Em 1966, sob pressão crescente de concorrentes e de setores nacionalistas, foi instaurada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Globo. A ofensiva foi impulsionada por Carlos Lacerda, então governador da Guanabara e velho desafeto dos Marinho, e politicamente articulada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), presidida por João Calmon, na Câmara dos Deputados. O objetivo era apurar se a TV Globo estava sob controle de capital estrangeiro e, em caso afirmativo, aplicar a punição prevista em lei, que acarretaria no rompimento da concessão.

Os meses seguintes foram um teste de sobrevivência. Deputados convocaram executivos, examinaram contratos e ouviram testemunhos. O relatório final, assinado pelo deputado Djalma Marinho, foi taxativo ao reconhecer que o acordo feria a Constituição de 1946 e recomendava ao Executivo aplicar as sanções legais, com o rompimento do vínculo com a Time-Life. O império que ainda mal se erguera parecia prestes a ruir.

A salvação pela política

O destino da Globo, no entanto, não seria decidido no plenário, mas sim nos corredores do poder. Em março de 1967, o governo de marechal Castello Branco concluiu oficialmente que as acusações eram “infundadas” e arquivou o caso. A decisão soou como um perdão velado.

Para o regime militar, recém-instalado e em busca de meios eficientes de comunicação com a população, era estratégico preservar uma emissora em ascensão, moderna e tecnicamente superior às concorrentes.

Dois anos depois, em 1969, a Time-Life deixou o negócio e Roberto Marinho comprou novamente a participação americana com financiamento do Banco do Estado da Guanabara. A crise estava contida e o episódio se converteu em uma lição. No Brasil, um império de mídia se constrói com audiência e faturamento, mas ainda mais com a habilidade de navegar a favor do vento político.

O próprio jornal do grupo noticia o 'fim' das relações com grupo estrangeiro (Reprodução do Bastidores do Poder)

O próprio jornal do grupo noticia o ‘fim’ das relações com grupo estrangeiro (Reprodução do Bastidores do Poder)

A herança do pecado

O caso Globo e Time-Life encerrou-se nos papéis, mas nunca de fato desapareceu da biografia da emissora. O episódio ensinou a Roberto Marinho que, no Brasil, a legalidade é apenas uma das dimensões do poder e, talvez, não a mais determinante.

A Globo sobreviveu porque compreendeu o jogo. Para existir, era preciso estar dentro do sistema e não contra ele. A lição foi assimilada com precisão cirúrgica. Daquele momento em diante, a emissora passou a cultivar uma relação com o Estado que oscilava entre o pragmatismo e o vínculo. O “pecado original” foi o batismo de uma lógica de sobrevivência que atravessaria governos, crises e redemocratizações.

Com o tempo, o escândalo virou rodapé de livro didático e a Globo, purificada pela própria história que ajudou a narrar, transformou-se em voz dominante da nação. Sua influência política e cultural cresceu a ponto de se confundir com o próprio país que a quase devorou no berço.

O acordo com a Time-Life foi enterrado, mas o DNA permaneceu, com a crença de que nenhuma lei é intransponível quando se tem poder de audiência e de que, no Brasil, o perdão oficial costuma ser apenas uma questão de timing.

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domingo - 18/01/2026 - 10:44h

Filosofar

Por Honório de Medeiros

Arte ilustrativa (Reprodução do BCS)

Arte ilustrativa (Reprodução do BCS)

Diz a tradição que o filósofo é um amigo da sabedoria. Acrescento que pode ser um inimigo, também.

Mas é algo além disso, até porque não são todos os amigos da sabedoria que são filósofos, desde que a entendamos como conhecimento – termo quiçá desconhecido na Grécia antiga onde foi cunhada a definição de filosofia.

É bem mais que isso, pois há os inimigos do conhecimento que são filósofos – dentre eles os irracionalistas de todos os matizes, incluindo os niilistas que seriam os terroristas contra o saber.

Da mesma forma que há amigos da sabedoria que, em relação a ela, cultivam um amor unilateral, não correspondido, pleno de atenção e aparato – pompa e circunstância – assim o são os eruditos, a quem se atribui a condição de citar autores e obras sem lhes entender verdadeiramente o conteúdo.

Essa amizade há de ser crítica, é uma condição fundamental, para não ser ligeira e pouco consistente.

Crítica no sentido da busca deliberada, metódica, determinada, de falhas, contradições, erros, equívocos, na sabedoria exposta, objetivada, anunciada: tudo quanto está oculto no espírito dos filósofos não interessa ao mundo, assim como a poesia que não se faz conhecida não será admirada ou enaltecida.

Há outra condição, um dever-ser, um valor: deve haver honestidade de propósitos no que diz respeito à busca da Verdade.

Sem que se faça presente esse pré-requisito o pseudofilósofo enreda seus argumentos nas armadilhas do ego e encontra miragens onde sequer há desertos.

Portanto há critérios para alguém ser considerado filósofo: é preciso haver apreço pela busca ao conhecimento; é preciso que haja a crítica dessa trajetória; é preciso que essa busca e essas críticas sejam metódicas; é preciso ter o espírito honesto nessa caminhada.

O filósofo deve ter o olhar da razão treinado para perceber as contradições da realidade na qual está imerso, sem esquecer que dela é parte integrante e inafastável.

Não há olhar neutro. O filósofa que indaga, observa, propõe é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto desse olhar.

E o treinamento deve ter sido, deve ser, obsessivo, é a ginástica do espírito: ler, ler novamente, reler; pensar, pensar o pensamento, pensar o pensamento pensado – livros e a vida, a vida que é um livro e os livros que são vidas.

Por fim a filosofia é, então, o resultado de uma atitude.

O filósofo, amigo crítico, metódico e honesto da sabedoria, assume uma postura em relação à Verdade; a ela tem afeto, quer sua companhia, não a desrespeita nesse propósito, e a procura com critério.

Talvez, para alguns, não seja simpática essa atitude, como o demonstra, por um lado, o martírio de Sócrates na Grécia antiga; a humilhação de Galileu, na Idade Média; o assassínio de Trotsky na era contemporânea; e, por outro lado, o menoscabo da elite, tão revelador, para com a filosofia e poesia.

Não importa. Se as ideias movem o mundo – e de fato o é, para o bem ou para o mal, quem as elabora, necessariamente, são os filósofos.

Ou não foi isso que Karl Marx fez?

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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domingo - 18/01/2026 - 09:30h

O coração ainda bate

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

Certa vez, lá na cidade de Areia Branca, cheguei à casa de uma senhora e bati à porta. Ela estava escutando música gospel, “nas alturas”, e tive que esperar o intervalo entre uma música e outra para chamá-la novamente. A senhora, então, veio me atender, mas não abriu a porta. Identifiquei-me. Disse-lhe que era oficial de Justiça e estava à procura de fulano de tal. Pelas rótulas, ela disse que a pessoa que eu estava procurando não morava naquele endereço.

Contudo, após agradecer pela informação, o que me espantou foi o seu choro compulsivo. Perguntei se estava tudo bem, a qual respondeu que sim, estava apenas pensando na vida e chorando. O que aquela senhora estava a enfrentar? Só Deus sabe. Cada um de nós, diariamente trava uma batalha interior renhida. São tantas dificuldades que a alma, às vezes, transborda lágrimas.

No cotidiano do meu ofício é comum encontrar situações, as quais me deixam comovido. Muitos aproveitam a minha presença para desabafar. Falam que o pai não quer pagar a pensão da criança, que dá uma “mixaria” e acha que está “abafando”. Outros, alegam que não pagaram a dívida, pois estão atravessando uma difícil situação financeira. Já fui recepcionado por pessoas arrogantes, mas, doutro lado, também já presenciei homens e mulheres com os olhos marejados.

Uma vez, tive que proceder à busca e apreensão de um veículo, o qual era usado por um cidadão para fazer a linha entre Areia Branca e Mossoró. Disse-me que atrasou as prestações do carro, pois somente conseguia fazer uma ou duas corridas por dia. Percebi que, ao retirar os seus pertences de dentro do automóvel, ele ficou cabisbaixo. Creio que deve ter pensado: como ganhar o pão a partir daquele momento?

Sabemos que há má-fé aqui e ali. Muitas pessoas, por exemplo, vendem o carro, e o comprador não transfere a titularidade junto ao Detran, cometendo várias infrações de trânsito e, por conseguinte, uma enxurrada de multas. E há os maus pagadores, os que vivem de dar golpes, aqueles que dão o passo maior que a pena e depois ficam “aperreados”. Nessa vida, existe de tudo e mais um pouco.

Assim, apesar de cumprir os mandados judiciais sem questionar a justiça ou a injustiça das decisões, pois não me cabe, compadeço-me diante da fragilidade e dificuldades humanas. Graças a Deus, o coração ainda bate.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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domingo - 18/01/2026 - 08:38h

Uma formação meio brasileira

Por Marcelo Alves

Joaquim Nabuco (Reprodução: Web)

Joaquim Nabuco (Reprodução: Web)

Dia desses, conversamos aqui sobre o “romance de formação”, gênero literário de origem germânica, cujo enredo gira em torno da evolução moral e psicológica de um protagonista desde a sua juventude até a idade adulta. Designado pela expressão alemã “bildungsroman”, ele tem em “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister”, de Goethe, o seu marco referencial, com enorme influência sobre a subsequente literatura ficcional no estilo.

Hoje conversaremos sobre uma “formação brasileira” que, embora não seja um romance na precisão técnica do termo, pode ser degustada, pela maravilha do estilo, como tal: “Minha Formação” (1900), de Joaquim Nabuco (1849-1910).

Pernambucano de nascença, Nabuco foi um dos mais ilustres filhos do Brasil. Político e grande orador, jurista (iniciando os estudos em São Paulo, mas terminando no Recife), diplomata, historiador e jornalista, poeta e memorialista. Como político, ao lado de Rui Barbosa, lutou a favor da liberdade religiosa e pela separação entre Estado e religião. Como jurista, defendeu a interpretação mutável e progressiva da Constituição e advogou para o Brasil na (malograda) querela com a Inglaterra acerca dos limites da Guiana.

Foi um homem que, nascido em família escravocrata (era filho e neto de vultos políticos do Império), tornou-se grande abolicionista, advogado de escravos, em luta que abraçou por quase toda a vida. Autor de belíssimas obras – “O Abolicionismo” (1883), “Um Estadista do Império” (1897-1899), “Pensées détachées et souvenirs” (1906) e “Diários” (inéditos até 2005), entre outros –, Nabuco foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e grande amigo de Machado de Assis.

Li “Minha Formação” uma primeira vez, ainda muito jovem, por sugestão do meu pai. Era uma edição já antiga, de 1970, da W. M. Jackson Inc. editores. E ali estava o Nabuco que evocava, com insuperável beleza e emoção, sua terra (Pernambuco), suas origens e a “Massangana” de sua infância. Mas que também falava, com igual beleza, de sua formação em Paris, Londres, Nova York, Washington e no Vaticano. Era o Nabuco multifacetado, mas que, como disse a filha Carolina Nabuco no prefácio dessa edição, foi “um exemplo de equilíbrio feliz. (…) em cada uma das brilhantes facetas da sua personalidade e da sua inteligência, harmonioso consigo mesmo e com o meio”. Me encantou…

Nestes dias de verão em Pirangi/RN, estou relendo “Minha Formação”, desta feita numa edição de 2004 da Editora Itatiaia, que adquiri baratinho (10 reais) numa dessas felizes promoções da vida. Mais maduro, confirmo a excelência das memórias/autobiografia do “primeiro homem público brasileiro a descobrir-se [embora não totalmente, para proveito dos seus biógrafos] com a própria mão de grande escritor”, uma “autobiografia tão psicológica como sociologicamente valiosa, além de notável pela sua qualidade literária. Uma das expressões mais altas da literatura em língua portuguesa”, como disse no prefácio o não menos notável e pernambucano Gilberto Freyre.

De toda sorte, retrospectivamente analisando, para mim, o que há de mais especial em “Minha Formação” será mesmo a sua “pluralidade”. A humanidade do livro espelha a vida de um dos homens mais completos de nossa terra – e aqui falo de Pernambuco, do Nordeste, do Brasil. É a apresentação de uma alma, de um ambiente, de uma sociedade, de uma civilização, a brasileira. Como dito na apresentação da Editora Itatiaia, “algumas das qualidades mestras da alma brasileira, a bondade, a delicadeza, a doçura, a tolerância, a simpatia humana, a afabilidade, tudo se encontra nas suas páginas inesquecíveis”.

Todavia, ele é também um livro marcadamente cosmopolita. Indo até “Paris, Londres, Nova York, Washington e no Vaticano”. Viajando, no tempo e no espaço, e aprendendo/ensinando, dos engenhos da outrora civilização da cana-de-açúcar às coisas da Zoropa. Isso me marcou deveras. E certamente me formou…

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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domingo - 18/01/2026 - 07:22h

Bem-vindo à Papudinha

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Verdade seja dita. Não vales o que os gatos ocultam dentro de minúsculas covinhas, aquelas que eles logo cobrem com um pouco de terra. És podre, mau, execrável. Existe uma cambada de políticos talvez tão escrotos quanto o senhor, malandro que hoje se diz debilitado, precisando de cuidados médicos desde a prisão domiciliar na sua portentosa mansão cinco estrelas, lá no bem-bom. Ainda ontem, cheio de audácia, atrevimento e vigor, ocupavas palanques com discursos ferozes contra a democracia, instigado e aplaudido por um sem-número de alienados bajuladores.

Num passado bastante recente, portanto, participavas de motociatas em diversas capitais, além de se exibir sobre motos aquáticas, mais conhecidas como jet-ski.

Hoje, depois de muito aprontar pelos quatro cantos do Brasil, de agredir jornalistas verbalmente, de cuspir para cima e fazer pouco-caso até de famílias enlutadas, gente que perdeu entes queridos na pandemia, estás no lugar onde deverias estar há bastante tempo: na Papudinha. Assim mesmo estás no lucro. Deverias cumprir tua pena na própria Papuda ou no completo penitenciário de Bangu 8.

De qualquer jeito, ainda que gozando de mordomia, pois ora ocupas uma cela que mais parece um apartamento todo equipado e mobiliado, sentimos um gostinho de vitória, aquele sentimento de que a justiça foi feita, uma agradável sensação de que não ficaste impune por tantos crimes cometidos e outros notoriamente arquitetados. Ah, senhor Percevejo, a casa caiu para ti, que te achavas imbatível e intocável, acima de tudo e de todos. Cadê aqueles teus patriotas, a caterva de vândalos fidelíssimos e raivosos que apoiavam o pseudo-mito?

Ninguém saiu às ruas para protestar contra o teu encarceramento. Todo mundo está em suas casas cuidando da própria vida. Tu que te fodeste, estrepado de verde e amarelo. Cadê o malandro que se queixava de possuir histórico de atleta, que se gabava dizendo que, se contraísse o vírus, sentiria tão só um resfriadinho, uma gripezinha, porém tomaste a vacina às escondidas? É bom que peças a Deus para que Adélio Bispo, o ninja, não seja transferido para a Papudinha. Aí o senhor Bispo vai cancelar teu CPF, pois, segundo tu, bandido bom é bandido morto.

Não te queixes, não maldigas tua sorte. Embora no xilindró, desfrutas de regalias que noventa e nove por cento dos presidiários deste país não experimentam. É melhor ires te acostumando. Onde está o cara arrochado? Cadê o valentão que, segundo tu, não teme nada? Cadê, senhor Percevejo, o soldado cuja especialidade é matar? Nos últimos tempos tens chorado lágrimas de crocodilo. És um réptil soluçante, um saco de estrume, uma pústula escancarada. O Nove-Dedos puxou cadeia durante quinhentos e oitenta dias sem derramar uma lágrima. Chega de mi-mi-mi! Mais pareces um bebê chorão. Curta o teu novo endereço. Bem-vindo à Papudinha.

Marcos Ferreira é escritor

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domingo - 18/01/2026 - 04:30h

História e historiografia

Por Bruno Ernesto

Fortaleza dos Reis Magos, Natal/RN Foto: Bruno Ernesto, 12/2025)

Fortaleza dos Reis Magos, Natal/RN (Foto: Bruno Ernesto, 12/2025)

Nem percebemos, – e passa despercebido por muitos- mas uma simples diferenciação conceitual faz toda a diferença quando falamos sobre um fato histórico.

Não basta contar um fato (História), é preciso compreender como ele é contado (Historiografia). E essa compreensão, claro, vai se conformando com o passar do tempo.

É por isso que há uma certa resistência tácita em se considerar um fato histórico sob a ótica da própria geração, pois o momento histórico influencia sobremaneira, não apenas a forma contar essa história, mas, sobretudo, de compreendê-la.

Disso resulta que, eventualmente, surgem novas análises, revisões históricas e questionamentos sobre certas narrativas históricas, daí a importância de diferenciarmos a história da historiografia; sobre os fatos em si e sobre como se escreve sobre ele, as teorias, os pontos de vista e forma de abordagem.

Isso é tão importante que não é incomum surgir uma discussão acalourada sobre determinado fato histórico praticamente adormecido, como foi o caso recente de uma revisão histórica conduzida pelos físicos Carlos Chesman (UFRN) e Cláudio Furtado (UFPB) e publicada no Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge, a qual analisou o real local de descobrimento do Brasil pelos portugueses, dessa vez a partir de observações de expedições anteriores, dados numéricos da carta de Pero Vaz Caminha, ventos – lembre-se que eram barcos à vela – e correntes marinhas, e, ao correlacionar com as rotas prováveis, converge para a tese de que os Cabral só poderia ter desembarcado no litoral Potiguar, em 22 de abril de 1500.

A discussão tomou tamanha proporção, que foi destaque em diversos jornais aqui e no exterior, além de ter causado alvoroço e discussões acirradas nos meio acadêmico e pesquisadores independentes.

Afinal, a esquadra de Cabral boiou primeiro até o Rio Grande do Norte ou desceu até a Bahia?

A despeito disso, sempre gosto de destacar que, sem computadores ou modelos de simulação matemática, Luiz da Câmara Cascudo, há quase cem anos, quando do seu ingresso como professor efetivo do Colégio Atheneu norte-rio-grandense, escreveu a tese acadêmica “Dois Ensaios de História: A intencionalidade do descobrimento do Brasil. O mais antigo marco de posse”, já defendia a tese de que a chegada da esquadra portuguesa se deu de forma deliberada, com rota traçada intencionalmente para se chegar ao litoral do Rio Grande do Norte, não sendo mero acaso.

Não por onde, a discussão ainda renderá muitos e calorosos debates, pois o que diferencia uma tese da outra é apenas a intenção dos portugueses, ainda que a conclusão seja a mesma.

Uma é história, outra é historiografia.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)

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sábado - 17/01/2026 - 07:24h
Eleições 2026

União-Progressista, PL e PT terão 49,58% do Fundo Eleitoral

Arte ilustrativa (Politize)

Arte ilustrativa (Politize)

Um levantamento feito pela Fundação 1º de Maio, ligada ao partido Solidariedade, apontou que a federação União-Progressista, o PL e o PT concentrarão 49,58% do fundão eleitoral nesta eleição — que está previsto para ser de R$ 4,9 bilhões.

União-PP (109 deputados e 12 senadores): R$ 953,6 milhões.

PL (88 deputados e 15 senadores): R$ 886,7 milhões.

PT (67 deputados e 9 senadores): R$ 619,7 milhões.

No ano passado, deputados e senadores, aprovaram que o fundo eleitoral teria pelo menos R$ 4,9 bilhões — um número cerca de 4 vezes maior do que a proposta original.

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sexta-feira - 16/01/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“É mais fácil construir crianças fortes do que reconstruir adultos quebrados.”

Frederick Douglas

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sexta-feira - 16/01/2026 - 18:44h
Pesquisa Mensal

Comércio potiguar apresenta desempenho significativo, diz IBGE

Atividade comercial segue um ordenamento previamente acertado entre comerciários e Sindivarejo (Foto ilustrativa)

Foi o oitavo mês consecutivo de aumento (Foto ilustrativa)

A receita do comércio varejista do Rio Grande do Norte cresceu 8,2% em novembro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, registrando o oitavo mês consecutivo de aumento e o segundo mês com variação superior a 8%.

Os números são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (15).

Com isso, de acordo com análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), o varejo potiguar foi o segundo melhor desempenho do Brasil em novembro e o melhor entre os estados do Nordeste.

Já no acumulado do ano até novembro, o varejo do RN avançou 4,5%, cifra que representa o triplo da média nacional (1,5%) e coloca o estado entre os destaques regionais e nacionais: segundo maior crescimento do Nordeste (atrás apenas da Paraíba) e quarto lugar no ranking nacional.

Varejo ampliado

Quando incluídos os segmentos de veículos, motos e peças e de material de construção — compondo o Varejo Ampliado — o Rio Grande do Norte registrou alta de 2,9% em novembro e, no acumulado do ano, de 2,4%.

Segundo o IFC, a sequência de resultados positivos do varejo restrito demonstra recuperação e resiliência do comércio potiguar, com vendas que se mantêm firmes em um cenário macroeconômico mais desafiador.

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sexta-feira - 16/01/2026 - 17:28h
Mossoró

Horas após ser inaugurado, Hospital Municipal tem intensa atividade

Hospital começou a funcionar poucas horas após ser inaugurado (Foto: PMM)

Hospital começou a funcionar poucas horas após ser inaugurado (Foto: PMM)

Na manhã desta sexta-feira (16), o Hospital Municipal de Mossoró Francisca Conceição da Silva iniciou o seu pleno funcionamento. As primeiras cirurgias eletivas começaram a ser realizadas, no equipamento inaugurado pelo prefeito Allyson Bezerra (UB) à noite dessa quinta-feira (15).

Neste primeiro dia de funcionamento, 100 pequenos procedimentos cirúrgicos, além das cirurgias ginecológicas e ainda consultas com especialistas, começaram a ser realizados. “Todos os serviços realizados aqui no hospital vêm por meio da regulação. O paciente procura uma unidade básica e é atendido pelo médico da clínica geral. Ele vai dar o encaminhamento para o especialista que é de necessidade do paciente. Com isso, esse paciente será agendado para o hospital”, evidenciou Morgana Dantas, secretária municipal de Saúde.

Acerca das cirurgias eletivas, o Hospital Municipal começa trabalho intenso com procedimentos de pequeno e médio porte: ginecologia, cirurgia geral, urologia, ortopedia e otorrinolaringologia são algumas das especialidades à disposição.

O Hospital Municipal disponibiliza consultas em clínica médica, cardiologia, endocrinologia, geriatria, pediatria, psiquiatria, ortopedia, urologia, ginecologia, mastologia, dermatologia, gastroenterologia, angiologia/vascular, otorrinolaringologia e proctologia.

No complexo hospitalar, a população terá a oferta de exames diversos, como eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassonografias, citologia oncótica, colposcopia e biópsias.

O Hospital Municipal de Mossoró fica localizado na avenida Francisco Mota, no bairro Costa e Silva, ao lado da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Tem um total de 1.701,93 m² de área construída, com terreno amplo para eventual crescimento no futuro.

Inauguração foi à noite dessa quinta-feira (Foto: Célio Duarte)

Inauguração foi à noite dessa quinta-feira (Foto: Célio Duarte)

Estrutura

Para garantir assistência qualificada e segura, o complexo hospitalar conta com centro cirúrgico estruturado, composto por 3 salas cirúrgicas, áreas de pré e pós-anestesia, radiologia, esterilização e apoio técnico, bem como enfermarias femininas e masculinas para internação. A unidade também dispõe de postos de enfermagem, farmácia e ambientes de apoio administrativo e operacional, além de áreas de repouso para os profissionais de saúde, consolidando um equipamento público preparado para oferecer atendimento humanizado e de excelência à população.

Os ambientes estão totalmente adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, atendendo plenamente às normas de acessibilidade. Entre os espaços adequados estão consultórios acessíveis, consultório ginecológico adaptado, banheiros para pessoas com deficiência, áreas de circulação amplas, sinalização adequada e mobiliário compatível, garantindo autonomia, segurança e dignidade a todos os usuário.

Energia solar, segurança

Em sua estrutura há gerador de energia, usina de oxigênio e cobertura com energia solar com 105,60 kWp de potência, composto por 192 placas solares, mostrando o viés de sustentabilidade. Em termos de segurança, opera com um sistema moderno de videomonitoramento ligado ao Centro Integrado de Operações de Trânsito e Segurança Pública (CIOTS), que funciona na Secretaria Municipal de Segurança, Defesa Civil, Mobilidade Urbana e Trânsito (Sesdem). Ao todo, 38 câmeras acompanham, em tempo real, áreas internas e externas da unidade.

Videomonitoramento reforça segurança no novo equipamento de saúde pública (Foto: PMM)

Videomonitoramento reforça segurança no novo equipamento de saúde pública (Foto: PMM)

Concursados

Na terça-feira (13), o Diário Oficial de Mossoró (DOM) publicou uma nova convocação de mais 184 aprovados no certame da Saúde. Já foram chamados 513 aprovados no certame realizado em 2024, que em seu edital ofertava 330 vagas. Os profissionais irão atuar nas unidades de saúde do município, incluindo o Hospital Municipal.

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sexta-feira - 16/01/2026 - 11:50h
Luto

Morre no Hospital do Coração em Natal o ex-prefeito Galbê Maia

Galbê era economista e técnico em mineração (Foto: Redes sociais)

Galbê era economista e técnico em mineração (Foto: Redes sociais)

Galbê Maia, 82, ex-prefeito de Jardim de Piranhas, na região Seridó, irmão da senadora Zenaide Maia (PSD) e do deputado federal João Maia (PP), faleceu em Natal nessa quinta-feira (15). Estava internado no Hospital do Coração, quando sofreu parada cardíaca.

As despedidas acontecem nesta sexta-feira (16) no Crematório e Centro Funerário São José, localizado no bairro de Lagoa Seca, a partir das 12h, em Natal.

O político também será velado na Prefeitura de Jardim de Piranhas, durante à noite, com cortejo na manhã do sábado (17), para sepultamento no cemitério local.

Natural de Brejo do Cruz, na Paraíba, economista e técnico em mineração, ele construiu sua trajetória pessoal, familiar e política no Seridó do Rio Grande do Norte, onde deixa seu legado, além de três filhos e esposa, dona Josidete Maia.

Nota do BCS – Que descanse em paz.

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sexta-feira - 16/01/2026 - 10:28h
Papudinha

Bolsonaro é transferido para prisão “mais confortável”

Jair Bolsonaro enfrenta agora demanda penal (Foto de Adriano Machado/Reuters/06/03/2025)

Jair Bolsonaro fica em espaço exclusivo, onde caberiam quatro presos (Foto de Adriano Machado/Reuters/06/03/2025)

Depois de reclamar muito das condições da cela onde estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido para a Papudinha, uma área dentro do Complexo Penitenciário da Papuda em Brasília. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução da pena, e prevê que Bolsonaro fique custodiado em uma sala de Estado-Maior do batalhão da PM dentro do complexo.

O STF informou que a cela destinada ao ex-presidente é equivalente à ocupada por outros réus do 8 de Janeiro, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques.

Embora o espaço comporte até quatro pessoas, será usado exclusivamente por Bolsonaro. Torres e Vasques dividem outra unidade semelhante. Na decisão, Moraes estabeleceu uma série de condições especiais. Bolsonaro terá assistência médica integral, 24 horas por dia. Em caso de urgência, está autorizado o deslocamento imediato para hospitais, com comunicação obrigatória ao STF em até 24 horas. (g1)

A cela para onde  Bolsonaro foi transferido dispõe de cozinha, lavanderia e espaço para a instalação de equipamentos para exercícios. Segundo Moraes, a instalação permitirá maior flexibilidade para visitas de familiares, a realização de banho de sol e exercícios físicos em qualquer horário. A cela conta ainda com banheiro com chuveiro de água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão. Veja um vídeo do local, divulgado pelo STF. (Folha)

Mais cedo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi até o STF para se encontrar com o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes. Durante a conversa, ela pediu ajuda para que a prisão de Bolsonaro fosse convertida em prisão domiciliar, alegando estar preocupada com a condição de saúde do marido, vítima de constantes soluços. A domiciliar não veio, mas a transferência deve garantir mais conforto ao ex-presidente. (CNN Brasil)

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sexta-feira - 16/01/2026 - 09:30h
Poder

Cunhado de Vorcaro comprou resort da família de Toffoli

Do Canal Meio para o BCS

Zettel e Toffoli: apenas negócio de família (Reprodução/Linkedin e Rosinei Coutinho/SCO STF)

Zettel e Toffoli: apenas negócio de família (Fotos: Reprodução/Linkedin e Rosinei Coutinho/SCO STF)

O pastor evangélico e empresário Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comprou parte do resort que pertencia a parentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso sobre as supostas fraudes que levaram à liquidação do Master. Detido pela Polícia Federal na quarta-feira e liberado em seguida, Zettel era o único cotista do fundo Leal, por sua vez único cotista do fundo Arleem, que comprou por R$ 6,6 milhões parte do Tayayá Resort, de dois irmãos e um primo de Toffoli.

Os dois fundos eram administrados pela Reag Trust, investigada tanto pela participação nas supostas fraudes do Master quanto por lavagem de dinheiro do PCC. Zettel diz ter deixado o investimento em 2022; Toffoli e seus irmãos não se manifestaram. (Estadão)

Na quinta-feira, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust por “graves violações às normas” do sistema financeiro. João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, foi um dos alvos da operação da PF esta semana no caso Master. Ele deixou a corretora em setembro do ano passado, para tentar conter a perda de credibilidade da empresa após a operação contra o esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. (Folha)

E Dias Toffoli fez mais um recuo parcial na polêmica decisão de tirar da PF as provas apreendidas na quarta-feira. Inicialmente, elas deveriam ficar lacradas no próprio STF, mas, após a repercussão negativa da medida, foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na quinta-feira, Toffoli autorizou quatro especialistas da PF a periciarem os celulares apreendidos na operação do caso Banco Master sob supervisão da PGR. (g1)

Lauro Jardim: “A controvertida decisão de Dias Toffoli de determinar que a PF entregasse ‘lacrados e acautelados’ ao STF todos os bens e materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero foi entendida como parte de um movimento de desestabilização das instituições que estão investigando o escândalo”. (Globo)

Hélio Schwartsman: “O caso Master virou uma batata quentepara o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.” (Folha)

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quinta-feira - 15/01/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“A coragem é como um músculo. Nós a fortalecemos com o uso.”

Ruth Gordon

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quinta-feira - 15/01/2026 - 11:22h
Entendimento

Fazenda prorroga prazo para regularizar Simples Nacional

Setores público e privado afinam entendimento sobre o Simples (Foto ilustrativa)

Setores público e privado afinam entendimento sobre o Simples (Foto ilustrativa)

Contribuintes optantes pelo Simples Nacional em Mossoró ganharam um prazo extra para regularizar pendências no PGDAS-D. Após um cenário de sobrecarga operacional, a Secretaria Municipal da Fazenda concedeu mais 60 dias para que as empresas façam retificações, justificativas ou regularizações tributárias. O novo prazo vai até 2 de março de 2026.

A medida é uma resposta direta a uma nova malha fiscal iniciada pela prefeitura, que identificou divergências e pendências relativas aos últimos cinco anos de exercício das empresas. O Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Norte (CRCRN), por meio do Ofício nº 341/2025, alertou que o volume de dados retroativos exige um tempo de maturação e conferência que ultrapassa a capacidade técnica de execução no prazo original de 30 dias.

Após analisar os argumentos, o Secretário da Fazenda, Edilson de Oliveira Bezerra Junior, reconheceu a sobrecarga operacional dos escritórios, acentuada pelo encerramento do exercício fiscal e pelas adaptações exigidas pela Reforma Tributária, deferindo a solicitação do Conselho.

Cooperação

Para a presidente do CRCRN, Radna Rocha, a decisão demonstra a força do diálogo entre o Conselho e o poder público. “Prorrogar este prazo é um respeito à classe e uma segurança para o contribuinte, que poderá evitar multas pesadas através da autorregularização orientada”, destaca Radna.

A Secretaria ressaltou que a medida visa assegurar a conformidade tributária e o espírito de cooperação institucional. Claudia Leite, Vice Presidente de Desenvolvimento Profissional, alerta os contadores que atuam na região: “Não deixem para a última hora. Usem esses 60 dias adicionais para realizar um pente-fino rigoroso nos últimos cinco anos das empresas, focando no cruzamento de dados entre o faturamento declarado e a movimentação financeira”.

O CRCRN orienta que os profissionais da contabilidade que atuam em Mossoró informem seus clientes sobre o novo prazo e aproveitem o período adicional para regularizar eventuais pendências no PGDAS-D, evitando penalidades futuras.

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quinta-feira - 15/01/2026 - 08:14h
Banco Master

Operação da Federal provoca tensão com ministro do STF

Do Canal Meio para o BCS

Master e Toffoli, uma relação de muito estresse e várias interrogações (Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil e Rosinei Coutinho/SCO STF)

Master e Toffoli, uma relação de muito estresse e várias interrogações (Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil e Rosinei Coutinho/SCO STF)

Uma nova operação da Polícia Federal sobre o suposto esquema de fraudes financeiras do Banco Master provocou tensão entre a PF e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que havia autorizado a ação. A PF fez buscas e apreensões em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e a parentes dele, além de outros nomes do mercado. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando embarcava para os Emirados Árabes Unidos.

Além disso, foram bloqueados bens que superam R$ 5,7 bilhões. A investigação aponta captação de recursos, aplicação em fundos e desvio de dinheiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. O celular do empresário foi apreendido. Também foram alvos o empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC. (g1)

Embora ele próprio tivesse autorizado a operação, o ministro Dias Toffoli fez ainda pela manhã uma crítica dura à PF. Em despacho, ele acusou a corporação de atrasar a ação e descumprir o prazo fixado pelo Supremo. Segundo o ministro, a decisão que autorizava os 42 mandados de busca e apreensão foi assinada na segunda-feira às 14h52, com ordem de cumprimento em até 24 horas, o que não ocorreu. Para Toffoli, a demora pode ter permitido a descaracterização de provas e eventual frustração das medidas cautelares seria resultado de “inércia exclusiva da PF”. Em um primeiro momento, Toffoli determinou que todo o material apreendido na quarta-feira fosse lacrado e enviado ao STF, o que provocou reações na PF. Os agentes temiam, por exemplo, que telefones celulares apreendidos fossem acessados remotamente e tivessem dados apagados. (CNN Brasil)

Mais tarde, no entanto, Toffoli voltou atrás e decidiu que o material apreendido será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro reconsiderou sua decisão após pedido do procurador-geral Paulo Gonet, entendendo que cabe ao Ministério Público, como titular da ação penal, conduzir a extração e a perícia dos dados. Com isso, celulares, documentos e demais materiais apreendidos pela Polícia Federal serão remetidos à PGR, com a orientação de que os aparelhos fiquem preservados e fora de redes até a análise técnica. (UOL)

A acusação de Toffoli sobre a suposta “inércia da PF” foi recebida com surpresa. Como conta Malu Gaspar, as medidas cautelares autorizadas na segunda-feira haviam sido pedidas pela Polícia Federal em outubro do ano passado, antes mesmo da liquidação do Master e da decisão de Toffoli de puxar para si todo o caso. (Globo)

Enquanto isso… O também ministro do STF Alexandre de Moraes abriu de ofício (sem pedido da PGR ou da PF) um inquérito para apurar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quebraram ilegalmente o sigilo fiscal de ministros da Corte e seus parentes. A determinação aconteceu após ser divulgado que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tem um contrato com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos. (Poder360)

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quinta-feira - 15/01/2026 - 07:02h
Sucessão estadual

Walter Alves e MDB marcham na direção de Allyson Bezerra

Arte ilustrativa “Sobre o tempo”

Arte ilustrativa “Sobre o tempo”

Tempo, tempo, mano velho
Falta um tanto ainda, eu sei

(Sobre o tempo, música/letra da banda Pato Fu)

O vice-governador Walter Alves (MDB) não vai mais esticar a corda e postergar uma posição oficial que parece irremediável e notória: anúncio de apoio pessoal e do seu partido ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT).

Nos intramuros da política da capital, a informação é de que o “martelo” foi batido e Waltinho vai se pronunciar.

Ele sabe que se demorar no tatibitati, no encolhe-estica, ficará mais e mais para trás na marcha dos acontecimentos. O tempo urge e ruge. Chegou a hora. Ou passa da hora de ser claro.

No sistema da governadora, os cálculos são feitos para dimensionar como diminuir o estrago político da debandada de Waltinho e do MDB, maior legenda em atividade no RN.

Tempo, tempo, mano velho…

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quinta-feira - 15/01/2026 - 06:34h
Desdobramentos

Apoio de Kleber Rodrigues a Allyson gera efeito dominó

Allyson recebeu apoio público de Kleber dia passado, com vídeo conjunto (Reprodução do BCS)

Allyson recebeu apoio público de Kleber dia passado, com vídeo conjunto (Reprodução do BCS)

A decisão pública de apoio do deputado estadual governista Kleber Rodrigues (PSDB) ao nome do prefeito Allyson Bezerra (UB), ao governo do RN (veja AQUI), provoca um frisson nos bastidores políticos em Natal.

O eco vai até o interior mais remoto do estado.

Os desdobramentos caminham para outros apoios significativos e arranham postulações concorrentes.

O efeito dominó enseja uma sucessão de eventos de impacto, interligados, todos favoráveis ao prefeito mossoroense.

Ouvido ao chão, como bom índio Sioux, Apache, Cherokke, Comanche, Navajo ou Cheyenne.

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quarta-feira - 14/01/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“As pessoas aprenderiam mais com os seus erros se não estivessem tão ocupadas negando-os.”

Harold J. Smith

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quarta-feira - 14/01/2026 - 21:48h
Governo do RN

Hermano Morais continua no radar para encaixe como vice

Hermano mostra exemplo recente de fiscalização, que prova abuso no setor (Foto: João Gilberto)

Hermano Morais é um nome de perfil leve para a chapa majoritária (Foto: João Gilberto/Arquivo)

Por Vicente Serejo (Cena Urbana, Tribuna do Norte)

O nome do deputado estadual Hermano Morais (PV) continua no radar do prefeito Alysson Bezerra (UB) para ser candidato a vice na sua chapa. Ele tem o perfil visto ideal, mesmo que não seja o único.

O vice ideal, argumentam as melhores fontes, não precisa ser um grande garantidor de votos. Precisa ter ficha limpa ao longo da vida política e com presença positiva na classe média.

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quarta-feira - 14/01/2026 - 20:50h
2026

Inverno se desenha com chuvas que não são animadoras

Segunda quinzena deste mês alimenta boa perspectiva de chuvas (Foto: Carmem Félix)

Segunda quinzena deste mês alimenta boa perspectiva de chuvas (Foto: Carmem Félix)

A Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) divulgou a previsão climática para o trimestre deste ano, mais precisamente para os meses de janeiro, fevereiro e março. O prognóstico é de chuvas na categoria normal a abaixo do normal, segundo boletim emitido pelo setor.

A escassa ocorrência de chuvas na primeira quinzena de janeiro, ocorreu devido a Oscilação Intrassazonal Madden-Julian (OMJ) de forma desfavorável, condição que deve mudar na segunda quinzena, favorecendo a ocorrência das precipitações.

O documento ressalta também que janeiro e fevereiro são meses da pré-estação chuvosa, onde atuam sistemas meteorológicos de curta duração e baixa previsibilidade como os Vórtices Ciclônicos (VCANS), Linha de Instabilidades (LI) e Frentes Frias (FF) – que podem ou não trazer chuvas. O volume depende do posicionamento e das condições atmosféricas.

De acordo com o boletim climático, durante o mês de fevereiro, a atuação da Oscilação Intrassazonal Madden-Julian (OMJ) favorecerá a condição de ocorrência de chuvas nas primeiras semanas do mês. Para a segunda quinzena, a ocorrência de chuvas vai depender da atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Para março, considerado o mês mais chuvoso do primeiro trimestre do ano, as chuvas dependem diretamente das condições termodinâmicas dos Oceanos Pacífico e Atlântico.

Tendência de ocorrência de chuvas para janeiro a maio nas microrregiões do Rio Grande do Norte:

MESORREGIÃO    JAN/26    FEV/26      MAR/26

 

Oeste                   76,7 mm  116,5 mm   197,5 mm

Central                 59,3 mm   93,2 mm     155,1 mm

Agreste                45,9 mm   69,6 mm     119,2 mm

Leste                   59,8 mm    92,2 mm     166,9 mm

Estado                  60,4 mm   92,9 mm     159,7 mm

Para mais informações sobre meteorologia no Rio Grande do Norte, acesse:www.meteorologia.emparn.rn.gov.br

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