domingo - 08/03/2026 - 09:00h

A urgência de ir devagar

Por Cesar Amorim

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

A gente corre como se houvesse uma linha de chegada invisível.
E aprendemos a sentir culpa sempre que ousamos estacionar.

O dia começa antes mesmo de o corpo acordar.
O celular vibra, a mente dispara, e o tempo já parece atrasado mesmo sem ter começado.

Tudo é urgente.
Tudo exige resposta.
Tudo pede pressa.

Mas viver nunca foi uma atividade de alta velocidade.

Desacelerar virou sinônimo de perder tempo, quando, na verdade, talvez seja o único jeito de encontrá-lo.

É na pausa que o café revela o gosto.
É no silêncio que a conversa ganha sentido.
É no intervalo que a gente se percebe inteiro.

Houve um tempo em que esperar não causava angústia:
a fila, o semáforo, a tarde sem compromisso.

Hoje, qualquer segundo vazio parece uma falha do sistema.

Talvez o cansaço não venha apenas do excesso de tarefas,
mas da falta de presença nelas.

Desacelerar não é desistir.
É escolher.

É entender que nem tudo precisa acontecer agora;
e que quase nada acontece melhor quando estamos apressados.

A vida não cobra velocidade.
Ela pede atenção.

E talvez viver bem seja justamente isso:
aprender a caminhar mais devagar
num mundo que insiste em correr.

Para não chegar rápido demais
a um lugar que não vale a pena.

Cesar Amorim é advogado especialista em Direito dos Servidores Públicos

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Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Marcos Ferreira diz:

    Excelente, meu caro César Amorim.
    Texto escrito com sabedoria e talento.
    Forte abraço. Bom domingo.

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