Por Cesar Amorim
A gente corre como se houvesse uma linha de chegada invisível.
E aprendemos a sentir culpa sempre que ousamos estacionar.
O dia começa antes mesmo de o corpo acordar.
O celular vibra, a mente dispara, e o tempo já parece atrasado mesmo sem ter começado.
Tudo é urgente.
Tudo exige resposta.
Tudo pede pressa.
Mas viver nunca foi uma atividade de alta velocidade.
Desacelerar virou sinônimo de perder tempo, quando, na verdade, talvez seja o único jeito de encontrá-lo.
É na pausa que o café revela o gosto.
É no silêncio que a conversa ganha sentido.
É no intervalo que a gente se percebe inteiro.
Houve um tempo em que esperar não causava angústia:
a fila, o semáforo, a tarde sem compromisso.
Hoje, qualquer segundo vazio parece uma falha do sistema.
Talvez o cansaço não venha apenas do excesso de tarefas,
mas da falta de presença nelas.
Desacelerar não é desistir.
É escolher.
É entender que nem tudo precisa acontecer agora;
e que quase nada acontece melhor quando estamos apressados.
A vida não cobra velocidade.
Ela pede atenção.
E talvez viver bem seja justamente isso:
aprender a caminhar mais devagar
num mundo que insiste em correr.
Para não chegar rápido demais
a um lugar que não vale a pena.
Cesar Amorim é advogado especialista em Direito dos Servidores Públicos
























Excelente, meu caro César Amorim.
Texto escrito com sabedoria e talento.
Forte abraço. Bom domingo.
É isso, meu caro Amorim. Devemos ir devagar pelo caminho e, como já disseram, apreciando a jornada.Parabéns pela crônica.
Não sei por qual razão me vem ao bestunto a consagrada verve e poesia do Amigo e Mestre Crispiniano Neto, que sempre me fascina e me inspira ::
“SAIR em partir
Ficar quando parte
A vida reparte
Teu peito em metades “.
Em adendo :
Sair SEM PARTIR.