Por Bruno Ernesto
Desde setembro de 2023, quando passei a contribuir com o Blog Carlos Santos, procuro desconectar os textos de minha atividade profissional como advogado militante, e convirjo para o conteúdo cultural, sem pretensão de inculcar ideias, dogmas, correntes filosóficas, convencer alguém ou pregar o escárnio. Este, se necessário, talvez.
Proponho apenas contribuir com o domingo dos leitores com que se dispõem a lê-los, pois acredito que após uma semana intensa, esticada e estresso-irritante, ninguém queira ler conteúdo técnico ou enfadonho num espaço dominical.
Não por onde, embora exclua o viés técnico, não esqueça que entre a cadeira do escritório e as salas dos fóruns, há o cotidiano.
Embora há mais de vinte anos o processo judicial virtual seja uma realidade, a pandemia do Covid-19 acelerou o fim da papelada e sedimentou a virtualização do Judiciário.
Até mesmo o que mais resistia a ser implementado, que eram as audiências virtuais para todas as esferas foi, enfim, sedimentado, de modo que hoje, quando apenas imprescindÃvel, as audiências são realizadas presencialmente.
Consequência disso, foi o esvaziamento dos corredores dos fóruns.
Esse esvaziamento também interrompeu uma cadeia intrincada de atividades e serviços correlacionados ao fluxo de pessoas, especialmente a socialização.
Aquele simples ato de chegar ao fórum e se deparar com vários amigos, colegas e conhecidos, por si só, muitas vezes já representava um ponto de ruptura da tensão do dia.
Uma breve, porém descontraÃda e cordial conserva entre advogados, servidores, magistrados, promotores, e todas as pessoas que frequentam, azeitam essa complexa engrenagem social – lembre-se, o Judiciário serve de controle social –, pois todos ainda são de carne e osso.
A presença, de alma e corpo é tão importante nesse ambiente, que essa semana, ao me dirigir para uma diligência presencial no Fórum de Mossoró, o vigilante que sempre nos recepciona com muita gentileza e cordialidade, disse que estava contente em ver o grande movimento do dia, pois ver os corredores vazios é uma tristeza só:
– Ninguém quer vir mais ao Fórum.
– Ninguém encontra mais nenhum conhecido.
– Não se tem notÃcia das pessoas, da vida. Nada.
Embora estivesse apressado, aquele breve momento me fez desacelerar e parei para conversar com ele. Claro, tive que concordar com ele.
Muitas vezes sequer olhamos para as pessoas, pois o nosso hiperfoco é o tempo. Sempre, e a todo tempo, o tempo.
Após uma breve conversa, entre risos e nostalgia, disse a ele que o que mais sentimos saudade da vida nos corredores dos fóruns – além dessas excelentes conversas – são as confusões. Nada como uma confusão, um arranca-rabo presencial!
Ele deu uma gaitada tão generosa, que ganhei o dia.
No fundo – não sei – tenha plantado uma semente desnecessária, pois, pensando melhor, de agora em diante, talvez ele até torça para que um arranca-rabo se suceda, sem maiores consequências, decerto. Ainda somos de carne e osso.
Lembre-se, caro leitor: todo mundo pode proporcionar uma grande alegria no dia alguém. Uns com a sua chegada, outros com a sua saÃda.
Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM
























Show
Parabena pelo contextualizante e interatuvo texto. Diante este corre-corre cotidiabi, so me resta a aconchegante certeza de que serei cem pir cento feluz quando me mudar “de mala e cuia” pra riba da amada serra do Apodi, onde dormirei em rede armada sob pés de Cajaranas quase centenários. Nada mais espirityalizante do que acorrdar ouvindo o canto inconfundivel e eternuzanre so pássaro de nome “Casaca-de-Couro”, cuja linda plumagem tem a mesma cor de um marrom escuro, cor que simbokiza as vestes dos Monges Franciscanos.