domingo - 22/02/2026 - 05:24h

Confortável quietude

Por Marcos Ferreira

Local de escrita (Foto elaborada pelo autor da crônica)

Local de escrita (Foto elaborada pelo autor da crônica)

Agora dou início a esta página exatamente no dia 21 de fevereiro deste beligerante 2026. São quinze horas e vinte e dois minutos de um sábado com o maior jeitão de domingo. É o que eu acho. Quase não se escuta um veículo cruzando esta periférica Euclides Deocleciano, aqui no Conjunto Walfredo Gurgel. Alguém há de dizer, e está coberto de razão, que falo demais acerca de meu endereço nestas surradas crônicas que apresento dominicalmente neste espaço de opinião e cultura. O leitor e escritor Luiz Soares Filho, por exemplo, já me alertou sobre esse detalhe.

Há pouco, embora sofrendo com a coluna e convalescendo de uma forte crise de labirintite, concluí a faxina deste domicílio. Uma sensação por demais amena. Vejo-me curtindo um ócio criativo; o banho afugentou quase a totalidade da fadiga. Usufruo do bem-estar de me ver nesta casa limpinha. Banalidade que me propicia ânimo para tocar esta página cujo rumo ainda não sei qual será. Imagino que, de um modo ou de outro, algo de interessante restará. Embora com o corpo meio cansado, repito, desfruto de um agradável estado de espírito. Não preciso de nada de muito valor (como uma vultosa quantia na conta-corrente) para me sentir à vontade, em paz e, como se pode perceber, motivado para produzir, aos pouquinhos, estas linhas um tanto prolixas. Trata-se, a meu ver, de uma receitinha tipicamente caseira.

Acho que é isto. Falo tão somente com meus botões, de mim para comigo. É como pretendo que seja a minha narrativa: serena, pacífica. Nenhuma vírgula acerca de política. Um texto leve e escorreito como uma crônica de Odemirton Filho. Pois é, a escrita de Odemirton é uma seda. Deixemos, enfim, a política de lado. E reparem que têm surgido, há mais ou menos duas semanas, certas novidades nesse mundaréu dos homens e mulheres públicos. Em especial no tocante às diatribes do senhor Trump. Mas nada que o tempo não se encarregue de resolver. Ele, assim como os outros, passará. Não desejo, portanto, me ocupar com os assuntos da hora e da moda. Fico com este relato tão quente e revoltoso quanto uma pedra de gelo. Não me disponho a cutucar os engravatados. Há muita gente versada, pronta e afoita para tal expediente.

Gosto dessa confortável quietude, do remanso que permeia este meu recinto. Juju, após se divertir com seus brinquedos de borracha e correr à beça para um lado e outro, encontra-se tirando um cochilo no meio da sala. Estou satisfeito com a felicidade que Juju expõe nesses instantes de lazer e energia. Às vezes, cheia de autoridade, ela se põe a latir quando avista um felino cruzando o muro.

Neste minuto a paz reina absoluta. Ouço mais claramente apenas o barulhinho do teclado. Pedaço de tarde bem tranquilo, quieto como se fora meia-noite, madrugada. Algo assim raro. Silêncio (nesses caminhos velozes e agônicos que percorremos) não é nada comum. Isso me recorda o meu livrinho de versos “A Hora Azul do Silêncio”, trabalho que, em grande parte, foi gestado a horas mortas, nas propícias quietudes daqueles remotos meses do ano de 2005. Nossa! Lá se foram vinte e um anos. Por falar nisso, instigado por alguns amigos, talvez eu traga a lume até dezembro próximo uma de minhas obras de ficção confinadas nas entranhas do computador. Pois é. Não lanço uma obra há décadas. É que autopublicação custa uma grana alta.

Neste minuto, enfim, dou esta conversa por concluída. Suponho que cumpri o desafio de produzir mais um relato pretensamente literário neste blogue. Ao menos no meu universo, que vem a ser o País de Mossoró. Aqui, com raras exceções, encontra-se reunida minha dúzia ou um pouco mais de leitores.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Odemirton Filho diz:

    Obrigado pela deferência, caro amigo. Realmente, eu procuro trazer textos leves a este espaço, pois no mundo de intolerância no qual vivemos, é preciso umas doses de amenidades.
    Tenha uma semana abençoada, meu querido, com muitas bençãos.
    Abraços!

  2. Francisco Amaral Campina diz:

    Bom dia!
    Vamos aguardar a próxima obra .

    • Marcos Ferreira diz:

      Caro Francisco Amaral Campina,
      Saudações. Hoje devo começar mais uma dessas páginas para o BCS – Blog Carlos Santos. Uma semana com muita saúde e paz para você e sua família.
      Um grande abraço.

  3. Francisco Nolasco diz:

    Boa tarde, poeta…. Acho que você está mais para ouvir o silêncio da própria voz, desacelerando e se resguardando no Interior do seu interior…. Isso nos dá um alento a mais a nossa alma. É bom sinal para a continuidade na leveza das próximas crônicas.
    Tenha um bom domingo e uma promissora semana!

  4. Luiz Soares Filho diz:

    Caro Jornalista Carlos Santos.

    O objetivo do comento é tao-somente para dizer da satisfação que tenho em poder bisbilhotar as notícias publicadas neste prestigioso espaço.
    Principalmente, as publicadas aos domingos.
    Onde por meio dele, temos a oportunidade de saborear uma diversidade de leituras. Tanto dos artigos de cunho sofisticados no que se refere patrões jurídico/tecnológicos quanto nos que tange a contar as histórias e estórias do cotidiano do dia a dia dos nativos e eventuais transeutes da nossa cidade Mossoró.
    Refiro -me as crônicas escritas e assinadas pelo escritor senhor MARCOS FEREIRA; onde por meio das quais, de forma bastantes pragmáticas e fidedigna, nos deleita o sentido em aguçar o olfato, o tato, o paladar.
    Pelomenos nos impulsiona o desejo em participar de algo que nos parece belo e saboroso ao ouvido e a mente.
    Vez que, as suas crônicas e contos dominicais, nos relembra o lendário escritor Euclides da Cunha, que na obra “Meus Verdes Mundos” conta uma serie de nuances inclusive, coincidencia ou nao, quando se refere à sua amiga de todas as horas, de nome lulu.
    Enquanto naquele, potencializa em suas obras os contos vividos no cotidiano regional dos nordestinos brasileiros, este, o senhor Marcos Ferreira, nos trás detalhes da nossa vida local. Inclusive o modo e jeito como infrenta as proprias vicissitudes ocorridas na vida.
    Mais ainda, Conta-nos, com riqueza de detalhes, sem nenhum preconceito de cor, de raça, de condições sociais ou de ideologia tantas, o que nos acontece no dia a dia. Tanto de bom quanto as desfavoráveis.
    Na minha opinião pessoal, acredito Eu que, com essa miscelânea de fatos, contados em linguagem simples e popular, para uns concretos para outros nem tanto, ele fala por muitos de nós.
    Por derradeiro, me dijo ao senhor Marcos.
    Continue assim, meu bom escritor.
    O conhecimento é o caminho mais próximo para se conhecer a casa onde mora a felicidade.
    Obrigado.

    • Marcos Ferreira diz:

      Prezado escritor Luiz Soares Filho,
      Que bom contar com sua leitura e opinião aqui no espaço dos leitores. Suas palavras são de grande incentivo e equilíbrio. Grato pela deferência e carinho. Desejo uma semana com muita saúde e paz para você e os seus.
      Forte abraço.

  5. Luiz Soares Filho diz:

    Em tempo.
    No comentário acima, feito por Luiz Soares Filho.
    Faz-se necessário algumas correções.
    1. Onde lê-se Euclides da Cunha, leia-se José Lins do Rego.
    2. Onde lê-se Meus verdes mundos
    leia-se meus verdes anos.
    Obrigado.

  6. Bernadete Lino diz:

    Todas as pessoas deveriam procurar criar momentos de quietude; são momentos criativos, de encontro com a própria essência. Vivemos num tempo acelerado e cheio de cobranças. Poder criar essa atmosfera ou aproveitar esse momento, é sábio. Você contribui com a harmonia do seu entorno. Desejo que viva muitos mais. Que consiga vencer essa labirintite e as dores de coluna. Que tenha uma semana feliz! Abraço meu nobre amigo!

    • Marcos Ferreira diz:

      Querida amiga Bernadete Lino,
      Muitíssimo obrigado (mais uma vez) por sua atenção, depoimento e carinho. Que esta semana transcorra com muita paz e saúde para você e sua família.
      Um forte abraço.

  7. Airton Cilon da Silva diz:

    Nessa vida, vamos nos equilibrando entre dias e noites, tempestades e calmaria, o sol e a treva…
    Abraços caro amigo Marcos Ferreira.

    • Marcos Ferreira diz:

      É isso, caro Airton Cilon.
      Estamos, queiramos ou não, nessa gangorra da vida em sociedade. Obrigado por seu gentil e pertinente comentário.
      Abraços.

  8. Marcos Pinto. diz:

    Cutei a minha tal Labiribtite com o consumo diario de Cachacite.. Emparelhei as tonturas. Pois não é que deu certo. Não é que esyimulo o alcoolismo desenfreado. O segredo consiste em beber todo dia, e não o dia todo. Pronto ! – falei.

    • Marcos Ferreira diz:

      Meu ilustrado xará Marcos Pinto,
      Obrigado por seu incentivo e costumeiro carinho.
      Não seguirei os ritos da “cachacite’, porém agradeço a dica.
      Forte abraço.

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