domingo - 05/12/2021 - 06:42h

Deus está vendo

Por Marcos Ferreira

Talvez eu não passe do primeiro parágrafo, não estou em condições muito favoráveis, no entanto retorno a este computador para escrever alguma coisa. Qualquer coisa. Foram vinte dias sem produzir uma linha e ainda me encontro sem bússola e sem ânimo. Nesse espaço de tempo, entre ajustes nos meus psicotrópicos e efeitos colaterais, senti que esta cidade está cada vez mais desumana, insensível. Reparem nesse monte de gente desvalida que hoje mendiga em toda parte.

Olho à minha volta e reflito sobre minha condição. Esta é uma casa velha, cheia de buracos e cupins, certamente a mais modesta e feia desta Euclides Deocleciano, entretanto aqui estou guardado, protegido, com alguns pequenos luxos como uma geladeira, um ventilador e uma cafeteira. Tenho sempre algo para comer e vou conseguindo pagar ao menos as minhas contas de água e luz.

Grande parte do meu auxílio-doença, mediante laudo do meu psiquiatra Dirceu Lopes, é empregada na aquisição de medicamentos. Porém, ao andar pelas ruas de Mossoró, eu me sinto um privilegiado, afortunado. Penso que poderia ser eu (sob este nosso sol implacável) a exibir cartazes nos semáforos, pedidos de socorro. Sim, as pessoas estão pedindo socorro. Suplicam por qualquer alimento ou moedinha. Vez por outra, medindo minhas possibilidades, tento ajudá-las.

Enquanto isso, dentro dos seus carrões refrigerados, a maioria dos motoristas não baixa o vidro, sequer olha de lado. Tal súplica se arrasta desde o começo do dia e segue noite adentro. Indivíduos de todas as idades, homens, mulheres e crianças tentam vender coisas ao público motorizado, especialmente garrafinhas de água mineral, dindins, picolés, bombons e até desinfetante caseiro.

Essas pessoas, nesta Mossoró desarborizada, ficam expostas a sol e chuva. Mas chuva é algo raro por aqui. Sobre seus produtos, quando conseguem vender, têm lucro de centavos. Como se consegue subsistir numa carestia como esta em que se acha este país ganhando centavos? Aos demais, os que não têm nada para tentar vender, só resta a mendicância. A esta hora, meio-dia e quinze, enquanto escrevo esta página, eles estão nos semáforos, sob o sol, ignorados e famintos.

Onde estão os vereadores, o ilustre senhor prefeito, a Igreja Católica, as igrejas evangélicas, os donos de redes de supermercados e vários outros empresários e poderosos que não se mobilizam em favor dos pobres? Ou só vão doar alguma comida quando chegar o Natal? Acham que os miseráveis não têm fome nos outros dias? Não vejo distribuição de cestas básicas em parte alguma.

Cadê os poetas de Mossoró, escritores, jornalistas, intelectuais? É preciso união da classe pensante, a fim de se pressionar o poder público e a sociedade como um todo. A prefeitura queima muita grana com fogos de artifício, enfeites natalinos e diversos adornos, enquanto os pedintes definham de estômagos vazios. Por sua vez, a Câmara Municipal aprova verba para todo tipo de coisa. Inclusive, fato notório, aumentaram os já polpudos salários dos próprios parlamentares.

O que os caros (e dispendiosos) vereadores pretendem fazer pelos desvalidos? Algum desses legisladores ou legisladoras, por gentileza, poderia me responder? Não foram todos eleitos, principalmente, com a promessa de assistir o povo carente da terra de Santa Luzia? Tomara. Estamos esperando. Ainda há tempo. Façam valer os votos que receberam. Mostrem serviço, caríssimos!fome_pobreza_ss_1

Os mandachuvas do Executivo e do Legislativo precisam deixar as suas confortáveis poltronas e os seus gabinetes geladinhos e olhar de perto, fora dos seus carros de luxo, a fome estampada nos rostos de quem esmola nos semáforos, praças e canteiros. Há mulheres com crianças pequeninas, sofridas, desnutridas, implorando a caridade dos que podem ajudar e não ajudam. Porque muitos dos potentados desta província, infelizmente, viram o rosto diante dos infelizes.

“Ah, senhor cronista, essa fome toda não é só neste município”, dirá alguém no espaço reservado à opinião do leitor. Eu sei disso. Todos nós sabemos, embora certas pessoas prefiram fingir que não estão vendo nada. O Brasil das camadas inferiores vem padecendo em demasia nestes últimos anos. São quase vinte milhões de brasileiros passando fome e quinze milhões de desempregados.

Mesmo nesta residência estragada do subúrbio, com todos os indícios de um morador sem recursos ou haveres, aqui e acolá um cristão aproxima a cara dos combogós do muro, bate palmas e grita: “Ô de casa!” Vou atender, sem abrir o portão, e deparo com alguém pedindo qualquer tipo de auxílio. Às vezes é uma idosa, um idoso, ou mãe com um ou mais filhos pequenos em sua companhia. Isso me dói no coração e na alma. Abro o armário, a geladeira, e lhes ofereço algo.

— Que Deus lhe abençoe — agradecem.

Aqui, portanto, entre estas paredes velhas, torno a refletir: sou um privilegiado, um homem de sorte, apesar de certas privações e da minha gangorra psicológica. Disponho de um velho computador, que vem caducando há vários anos, uma TV, telefone, internet, um fogão que quase não uso, uma motocicleta e os meus poucos e empoeirados livros numa estante. São o meu futuro espólio.

E aquelas pessoas desassistidas, possivelmente sem um teto, o dia todo à mercê da benevolência de terceiros, expostas a um sol forte, sem um banheiro que porventura precisem utilizar? Uma tarde, ao parar no semáforo defronte ao cemitério São Sebastião, eu vi quando um homem desses que exibem cartazes apanhou do chão o que me pareceu ser uma manga apodrecida, tirou a terra com as mãos e começou a comê-la. Outros mais reviram lixeiras de supermercados e restaurantes.

Não há boa vontade dos que efetivamente poderiam agir. A Petrobras, que tem um papel social no seu quadro de ações, não se mexe, não põe a cara fora. Temos duas grandes indústrias de cimento aqui bem próximo, além de ricos proprietários de postos de combustíveis, segmentos estes que faturam alto em nosso município, contudo se preocupam apenas em se tornarem ainda mais ricos.

Deus, aparentemente, também não tem feito nada em favor dos que estão aí pelas ruas em busca de uns centavos, sobretudo de alimento. Mas Deus não falha e está vendo, não se enganem, a sovinice, avareza e falta de compaixão dos ricaços, dos potentados, abastados e políticos desta cidade. Sei que no Brasil inteiro a situação não é diferente, repito, porém me atenho ao torrão onde nasci há meio século. É necessário, e com urgência, que outros escribas e vozes se levantem.

Como sermos felizes, estarmos com as nossas consciências leves, quando vemos tantas pessoas suplicando por uma refeição? Não podemos simplesmente dizer para nós mesmos que não temos nada a ver com isso, lavar as mãos, virar o rosto, ignorar. Então, senhoras e senhores, que o espírito natalino toque os nossos corações e nós possamos abrir a carteira e estender a mão aos necessitados.

Mas não só porque Deus está vendo tudo.

Marcos Ferreira é escritor

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Odemirton Filho diz:

    Fico feliz em ver o seu retorno a este espaço, amigo. Sim, é preciso a união da sociedade para minimizar a fome. Aliás, Inácio Augusto de Almeida vem, há tempos, levantando essa bandeira.
    Abraços!

    • Marcos Ferreira diz:

      Obrigado, amigo. Espero sustentar esse compromisso semanal com a escrita. Sim, Inácio é, que eu me lembre, quem primeiro levantou essa bandeira da fome em Mossoró. Mas essa fome é no Brasil todo, infelizmente.

  2. Roncalli José Guimarães Cunha diz:

    Que bela crônica embora com conteúdo trágico. Feliz por saber que outra pessoa percebe o que está acontecendo e principalmente registra esse descaso desumano . A desasistencia política aos que vivem em situação de rua em Mossoró é vergonhoso. A Câmara acabou de realizar a lei orçamentária para 2022 e nenhuma citação sobre ações e recursos para assistência à esses desvalidos . A única atitude da câmara e do Poder executivo de mossoro foi transferir os moradores de rua da praça da catedral para a praça do codo , a visão de dezenas de sem teto dormindo debaixo da marquise da câmara incomodava a ” paisagem ” urbana .

  3. Francisco Amaral CAMPINA diz:

    Bom dia,, estamos voltando a anos de miséria extrema, lindo texto.

  4. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Aí está o testemunho do Marcos Ferreira. A miséria se alastra nesta cidade rica que pobre se tornou por conta da corrupção impune. Juízes condenam por prática de corrupção a longos anos de cadeia e por conta de recurso protelatório a presunção de inocência livra o condenado da cadeia. E na festa da padroeira aparecem, recebendo atenção especial, afrontando a tudo e a todos.
    Os mendigos, aos milhares, gritam por justiça. Mas os ouvidos dos covardes só escutam o que convém.
    Ouvirão alguma coisa quando os cabelos das suas nucas forem cortados. Aí será muito tarde e, cinicamente, dirão eu não fiz nada, como se a omissão não fosse um crime.
    A Igreja preocupada com o btilhantismo da festa da padroeira, entidades outras à espera dos holofotes, porque fazer sem divulgar não combina com a filantropia que praticam. Estes, Marcos Ferreira, que sequer baixam o vidro dos seus carros, estarão sentados nas cadeiras da primeiras fileiras das missas e cultos dominicais.
    Você, Marcos, se referiu aos políticos. Eles, Marcos, só têm tempo para conchavos políticos, viagens a Brasília e desfrute de mordomias pagas por um povo faminto. Sequer prestam contas das verbas da assistência social e não explicam o que fazem para mitigar a fome dos que esmolam nas ruas da cidade rica que empobreceu vítima da corrupção impune. Nem vacina estes mais pobres recebem. Não recebem porque o programa VACINA ITINERANTE em Mossoró é ignorado.
    DEUS TUDO VÊ.
    NINGUÉM SE ILUDA.
    Parabéns, Marcos, pelo berro de revolta contido neste seu relato.

    • Marcos Ferreira diz:

      Prezado Inácio,
      Como Odemirton disse, e eu concordo, você foi quem primeiro levantou essa bandeira da fome que assola o povo pobre de Mossoró. Nossos políticos, instituições e a classe endinheirada desta cidade, infelizmente, fazem ouvido de mercador.
      Abraço.

      • Inácio Augusto de Almeida diz:

        Obrigado digo eu por vc ter lido meu comentário e se juntar aos que buscam uma solução para erradicar a fome.
        Minha próxima crônica aborda o problema da fome e aponta caminhos para nos livrar da vergonha de todos os dias morrerem 10 crianças de fome neste país tão rico.
        Os dados são do SUS. Dispensável dizer o governo de tudo sabe. E isto não vem de agora, criança morrer de fome.
        Vc se lembra do programa ALIMENTOS PARA O BEM DO BRASIL? Já naquela época, 59/60, os americanos mandavam leite em pó em sacos de farinha e os políticos FURTAVAM para distribuir com seus eleitores, deixando crianças famintas morrerem de fome porque os pais não eram seus eleitores.
        ISTO EU VI ACONTECER NO MARANHÃO
        Sei que muitos não entendem tanto ódio que tenho por corrupto.
        Se tivessem visto e passado o que eu passei, entenderiam.
        NUNCA APERTE A MÃO DE UM CORRUPTO. NUNCA DEMONSTRE RESPEITO POR UM CORRUPTO.

  5. Sayonara Amorim diz:

    Marcos, nessa crônica você fez uma radiografia precisa da situação de milhares de famílias aqui em nosso município. Essa insensibilidade e descaso de todos nós, apontados por você, é muito real. A fome e a miséria são muito presentes em nossa cidade, isso é fato e foi muito bem retrato.

  6. Carlos Silva diz:

    Como sempre, a realidade nua e crua descrita com perfeição. Parabéns pela crônica.

  7. Valdemar Siqueira Filho diz:

    Trágica a situação e para quem está com dificuldades para escrever, seu texto põe o dedo na ferida. Penso que a chamada sociedade sempre foi excludente e para poucos, mas em alguns momentos ela foi um pouco generosa, mas passa logo e volta a miséria, este parece ser se modelo predileto. Produzimos 11 kg de grãos por pessoa neste país, temos o maior rebanho bovino no mundo, como resultado 1% da população se apropria de 50% do que produzimos, em uma forma de produção que mata o planeta. Falta política para a vida, como diz seu texto, política é isto, a ação concreta que faremos com nossos recursos, ou concentrar na mão de poucos ou buscar justiça social. Por isto que para estes 1% da população é importante que desacreditemos da política, que votemos em gente que não fala nada sobre a fome, mas sobre o desenvolvimento e o problema da corrupção. Sou um otimista objetivo, a história muda e mudará está tragédia que vivemos. Lindo texto.

  8. Jessé de Andrade Alexandria diz:

    Há uma passagem na crônica do poeta Marcos Ferreira que faz menção ao fato de muitas pessoas sequer baixarem o vidro de seus carros, nos sinais de trânsito, ante a aproximação de um pedinte. Isso tem nome: indiferença. Na canção “Solo le pido a Diós”, de León Gieco, poeta argentino, a súplica, presente em vários versos, é para que não sejamos indiferentes diante de tantas misérias: a guerra, a fome, a exploração. É a mesma súplica do poeta e cronista Marcos Ferreira: abaixemos os vidros dos carros, estendamos a mão a quem precisa, dividamos o pão, como nos ensina o Cristo, tratemos o semelhante, mesmo um estranho, como a um irmão. E não é preciso que esperemos o Natal chegar para recebermos a visita dos três espíritos dickensianos, a nos mostrarem nossas faltas e defeitos. Se essa crônica sensibilizar uma única pessoa, caro amigo, não terá sido em vão escrevê-la. Creio que já não o foi, enquanto escrevo. E se não sensibilizar a ninguém mais, a culpa não terá sido do cronista, mas de todos nós, que seguimos em frente sem olhar para o outro e reconhecer, naquele cujo olhar nos procura, um homem igual a nós.

  9. RAIMUNDO ANTONIO DE SOUZA LOPES diz:

    Infelizmente, quando a sociedade civil se omite, o estado se torna ainda mais ausente do seu papel. O homem, por si só, é egoísta, e quando pensa, pensa primeiramente em seu bem-estar. A indiferença faz parte, neste caso, pois, individualmente, dizemos que o problema não é nosso, que não temos culpa pelo desemprego, pela quantidade de pessoas em estado de miséria; dos que estão a pedir-nos o mínimo, nos semáforos e esquinas da vida, a transferência de responsabilidade… Difícil. A consciência é, na maioria das vezes, blindada nesses casos. Que saibamos escolher nossos representantes (não aqueles que se beneficiam da máquina pública), que tenhamos compreensão de que somos parte ativa dos problemas sociais que afetam aos menos favorecidos. A sua voz, Marcos, ecoa bravamente por essas linhas e, tenho certeza, servirá, no mínimo, de uma reflexão mais aprofundada. Parabéns!

  10. Simone Martins de Souza Quinane diz:

    Querido Marcos,
    As pessoas estão tão voltadas para dentro de si mesmas, que não se apercebem o que se passa no entorno de suas vidas, ou simplesmente ignoram como se não fosse da competência deles tal problema. Sinto que, com a Pandemia, esse interesse pelo outrem tornou-se cada vez mais distante e “assim caminha a humanidade”…
    A impotência diante de tais situações agravam, sobremaneira, nosso íntimo já preocupado com nossa própria condição humana.
    Resta-nos fazer o que está ao nosso alcance, o que é irrelevante diante da gritante desigualdade social.
    Estimo melhoras. Grande abraço!
    Sua eterna professora que te admira muito!

  11. Amorim Analista de retrato diz:

    Caro Marcos Ferreira, bem vindo de volta.
    Você nos faz aflorar sentimentos mais profundos bloqueados; pelo nosso egoísmo!
    Um abraçaço!

  12. HERBENIA FERREIRA DA SILVA diz:

    Um texto para ler, reler e compartilhar.
    Está muito difícil sair às ruas no atual contexto. Quem tem um mínimo de sensibilidade ao se deparar com o sofrimento alheio pela fome, também sofre e volta pra casa destruído emocionalmente. Também me sinto assim. Desolada! 😩

  13. Aurineide Pereira de Oliveira diz:

    Qdo vou ao Centro de Mossoró, vejo a hora chegar em casa sem nada! As lágrimas escorrem ao ver essa situação! Gestores estão cegos e, a Humanidade, cada vez mais desumana!

  14. Vanda Maria Jacinto diz:

    Boa tarde, Marcos!
    Que bom tê-lo de volta…

    O assunto por você abordado, tem sido alvo de minhas preocupações.
    Pior que observar a pobreza e as necessidades alheias que nos rodeiam, é sentir-se de mãos atadas… Saber que não tem como ajudar a todos…
    Sei o quanto é angustiante, mas tenho priorizado o próximo mais próximo, no entanto, na medida do possível, procuro atender aos que a mim chegam.
    Obrigada por nós ensejar momentos de reflexão! Nunca é demais!

    Abraços

  15. Samara Mendes diz:

    Maravilhoso e lúcido

  16. Airton Cilon diz:

    Infelizmente meu caro amigo, vivemos uma grande calamidade. Essa pandemia, desnodou ainda mais as desigualdades sociais, como uma grande ferida aberta! Contudo, a sociedade, e as autoridades políticas e religiosas, precisam se mobilizarem, para amenizar essa agonia panêmica que é a fome. E não é só o espírito natalino por por si só, que vai salvar esses desvalidos sociais da extrema pobreza. E sim um espírito humanitário efetivo… A fome não espera! Abraços meu caro Marcos Fereira.

  17. Aluísio Barros de Oliveira diz:

    A fome que nos habita, me avisa Kakinha sobre ser este o tema da crônica dominical de M.F.
    Feliz fico pela beleza do texto [coisa mais barroca é essa, né, enxergar o belo num texto, q traz para a luz o desamparo em que se encontram os desvalidos. Paradoxo, talvez, diria aquele poeta dos versos medidos, sobre quem nunca mais vi sombra nem notícia].
    Marcos, estamos naquele momento em que 15 passos foram dados para trás. Não foi apenas a pandemia, não, que nos trouxe a fome de volta: as noivas de Aristides têm muito a ver com isso de ruim que nos assola.
    Tava mesmo era com saudades dessas tuas letras. Bonjour.

    • Marcos Ferreira diz:

      Querido Aluísio,
      A pandemia é o de menos.
      A maior desgraça é esse governo genocida.
      Sim, estou de volta. Assim pretendo.
      Grato pelo carinho.
      Abraço.

  18. Rocha Neto diz:

    É por Deus estar vendo tudo Caro Marcos Ferreira, que tenho a alegria de novamente estar lendo e analisando cada parágrafo de sua tão verdadeira crônica de hoje, é mais uma peça que nos remete ao íntimo deixando nossos corações em frangalhos e ao mesmo tempo agradecidos, isto porque diante de tantas desigualdades da vida, ainda existe um fio de esperança e fé; dois alicerces que conseguem deixar nossas almas em quietude e paciente, porque aqueles que se resignam neste vale de lágrimas que é a vida de cada um de nós, com certeza quando atender ao chamado de Deus para viver na sua bem-aventurança se fartará e muito do alimento espiritual e das bençãos divinas, pois Deus é pai e não padastro, Ele quando aqui esteve neste mundo ensandecido, aonde a vaidade, o poder e a riqueza material é quem mostra o valor de cada homem, deixou bem claro para todos nós, que feliz seria aqueles que passassem por todas as provações e que não reclamassem das tempestades, porque o amanhã seria de bonanças sem fim.
    Amigo Marcos Ferreira, são estes pilares de fé, crença, esperança e certeza em uma vida melhor, que nos faz ficar de pé e fortes para receber as bordoadas do cotidiano (e são muitas), que nos faz firme como uma rocha para vencermos e vivermos cada dia permitido pelo dono de nossas vidas.
    Quantos possuidores de fortunas materiais são felizes ? Não sabemos! Mais creio que são raríssimos, pois o homem dificilmente se contenta com aquilo que possui, sempre estar a querer mais e mais… e isto o faz um infeliz.
    Quantos afortunados se encontram com males incuráveis, capaz de entregar toda sua fortuna para ter saúde do corpo e da alma e não conseguem realizar este seu desejo e sonho ?? Amigo, a vida de cada um de nós é uma incógnita que só Deus é quem a decifra, o homem comum por mais sábio, inteligente, rico e mesmo por bondoso que seja, não ficou com a capacidade de decifrar aquilo que cada ser humano possui na sua mente, e por isto devemos e muito agradecer a Deus, pois do contrário aí de cada um de nós se isto fosse possível o homem saber!!!
    Melhor viver na humildade e ter paz, do que habitar em palácios e tentar dormir envolto por tecidos de cedas e travesseiros macios e não conseguir fechar os olhos porque a paz não tem.
    Que Deus nos abençoe com saúde e paz.
    Inté domingo!!

    • Marcos Ferreira diz:

      Caro Rocha Neto,
      Só Deus para acudir esses necessitados de Mossoró.
      Os políticos e a sociedade locais só enxergam o próprio umbigo.
      Abraço.

  19. Pedro Idalino Ciriaco Filho diz:

    Muito bem esclarecedor e deve servir de reflexão política. Pois acredito que é pela política, que podemos transformar esse tipo de situação.

  20. Martim Soares diz:

    Você, nobre escritor. Retratou com toda simplicidade a realidade nua e crua da nossa sociedade.Com certeza sua alusão a Mossoró do cotidiano daqui, é um exemplo do que ocorre no resto desse nosso rico país, porém, pobre de espírito, de governantes e pior ainda na minha visào, de uma sociedade elitizada mesquinha e que nào acorda para perceber que hoje , os miseráveis são os que cita na sua crônica, amanhã, bem breve, serão todos e principalmente eles que terão mais a quem sugar, a quem fornecer, a quem sem poder nenhum, o transfomarão em miseráeis elitizados.

  21. João Bezerra de Castro diz:

    Quem se senta à mesa do computador para escrever “qualquer coisa” e constrói uma crônica dessa magnitude, com o título “Deus está vendo”, só pode ter recebido inspiração desse mesmo Deus que, segundo o autor, “não falha e está vendo a sovinice, avareza e falta de compaixão dos ricaços, dos potentados, abastados e políticos desta cidade”.
    Esta é a lógica do capitalismo neoliberal: de um lado, um exército de miseráveis; do outro, uma minoria egoísta, insensível, arrogante.
    Em alguns momentos da vida a gente sente um desânimo danado.
    Mas não podemos desistir. Mesmo caindo aos pedaços, a gente deve persistir.
    Avante, poeta! Estou com você!

  22. Simone Martins de Souza Quinane diz:

    Querido Marcos,
    Fiquei tão sensibilizada com a sua crônica que, apesar de já tê-la comentado, senti-me impelida a compartilhar com os leitores algo que me aconteceu hoje pela manhã.
    Estou, atualmente, morando em Grossos, cuidando da minha mãe, uma agradável senhora de 92 anos. Às segundas costumo aguar um jardim que temos logo na entrada da casa e aproveito para molhar a calçada a fim de diminuir a poeira neste tempo seco. Quando estava na calçada com a mangueira em punho, vejo caminhando ,em minha direção, um jovem de uns vinte e poucos anos, pele branca queimada do sol, olhos claros, com um saco às costas, maltrapilho e sujo, mas de feições belas; olhou pra mim com aqueles olhos de anjo e me pediu “deixe eu tomar um pouquinho dessa água”, no mesmo instante eu lhe respondi “não, está quente, eu vou buscar uma água geladinha pra você”, entrei e ele ficou no portão. Naquele instante, passou vários medos em minha mente: Quem será? De onde vem? Para onde vai? Quer assaltar? Mas eu só queria matar a sede e a fome dele. Mandei a água por alguém e fui preparar, rapidamente, algo para ele comer, mas quando voltei à calçada ele já havia partido. O rapaz que levou a água para ele, a meu pedido, disse que ele perguntou aonde chegaria se seguisse aquele caminho, o rapaz disse que ele chegaria a Mossoró e ele respondeu é pra lá que eu vou.
    Lamentei por não ter lhe proporcionado aquele simples lanche que, talvez, para ele, seria um delicioso banquete. E as indagações perturbam o meu juízo até agora como o barulho irritante de uma cerca elétrica desregulada: Onde está a família daquele ser humano? O que ele fez para andar errante sem destino? O que o fez chegar àquela condição degradante e desumana?
    Minha vontade era pegar o carro e ir atrás dele para lhe dar, pelo menos, aquele lanche, mas a minha vida grita que eu preciso voltar as minhas atividades diárias, minha mãe chama por mim, ela quer água, ela é cadeirante, preciso dar o remédio dela, mas aquele rapaz poderia ser meu filho…
    Pobres miseráveis somos nós, impotentes, diante da desgraça humana!
    Estou sensível, pensativa e triste! Só lembro o rostinho dele, parecia um anjo, me pedindo para beber um pouquinho daquela água morna e insípida!
    Agradeçamos a Deus porque temos onde descansar a nossa cabeça, porque sabemos onde se encontram os nossos filhos e peçamos, diariamente, ao Senhor de todas as coisas que proteja esses desvalidos da sociedade.
    Enfim… Amanhã é um novo dia…

  23. FRANSUELDO VIEIRA DE ARAUJO diz:

    Caro Marcos Ferreira, uma vez mais, parabéns pela sua verve no ato de escrever, bem como pela sua sensibilidade crítica acerca de assuntos que muitos fazem questão de varrer pra debaixo do tapete!!!

    Oportuno evidenciar,.que, muito embora muitos tentem naturalizar, a fome nada tem de natural, sobretudo num país chamado Brasil, abençoada pela NATUREZA e miseravelmente desgovernado pela perversa natureza ideológica dos que desde 1500, detém o escravista, hegemônico e hereditário poder em suas mãos!

    Aqui , INFELIZMENTE, a fome, o desemprego, a falta de oportunidades e a .miséria Lato Sensu, faz parte da agenda política da extrema DIREITA, esta, desde sempre no poder sob o signo da ALIENACAO, da ignorância da maioria e, consequentemente do latente imobilismo social !!!

    Um baraço
    FRANSUELDO VIEIRA DE ARAUJO
    OAB/RN. 7318

Faça um Comentário

*


Current day month ye@r *

Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2022. Todos os Direitos Reservados.