
Vorcaro e Eduardo Bolsonaro estão na mira das investigações (Fotos: Reprodução Redes Sociais e Saul Loeb/AFP
Do Canal Meio e outras fontes
A Polícia Federal apura se parte dos recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido usada para custear a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação busca esclarecer se os valores enviados ao exterior foram efetivamente destinados à produção cinematográfica Dark Horse ou se o projeto serviu como justificativa para transferências financeiras ligadas a outras atividades políticas e jurídicas no exterior.
Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025. Um dos documentos citados aponta transferência de US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a um advogado de Eduardo Bolsonaro. (Globo)
Em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter usado o dinheiro que pediu a Vorcaro para bancar as despesas pessoais do irmão, mas admitiu ter mentido ao negar relações com o ex-dono do Master, alegando que estava vinculado a uma cláusula de confidencialidade relacionada ao financiamento de Dark Horse. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual?”, declarou o senador, ao ser questionado sobre entrevistas anteriores nas quais dizia não ter contato com Vorcaro nem haver ligação da família Bolsonaro com o banqueiro. Flávio insistiu, porém, que sua relação com Vorcaro era “exclusivamente” ligada ao financiamento do filme. (g1)
Apesar de afirmar que sua relação com Daniel Vorcaro se resumia a financiar Dark Horse, Flávio Bolsonaro tentou organizar um encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro do Master para a exibição de um documentário em Brasília. Flávio e o deputado Mario Frias (PL-SP) queriam levar Jair Bolsonaro à casa do banqueiro para assistir ao documentário A Colisão dos Destinos. O encontro acabou não acontecendo. (Intercept Brasil)
Já a Go Up, produtora de Dark Horse negou ter recebido recursos de Vorcaro para financiar Dark Horse. Karina Ferreira da Gama, sócia-executiva da empresa, afirmou que a produção conta apenas com investimentos estrangeiros e que não há qualquer vínculo financeiro com Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, Flávio pode ter buscado apoio privado por iniciativa própria, mas isso não teria resultado em contratos, transferências ou negociações formais. Karina também controla organizações culturais beneficiadas por emendas parlamentares de deputados do PL, entre eles, Mario Frias. Ele é produtor-executivo do longa e também negou que tenha havido repasses financeiros do banqueiro para a produção. (Folha)
A ligação entre Frias e Karina Ferreira anda na mira do STF. O tribunal tenta há mais de um mês intimar o deputado para que ele preste esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela. A investigação foi aberta após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que pediu apuração sobre repasses de recursos públicos ao que classificou como um “ecossistema” de empresas e organizações ligadas à produção do filme Dark Horse. (g1)
Além disso, a empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediadora de pagamentos do Banco Master para o filme, movimentou ao menos R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com esquemas criminosos ligados ao PCC e à máfia italiana. (Globo)
E o diretor americano Oliver Stone negou que seu documentário Lula tenha recebido qualquer recurso de Daniel Vorcaro, em resposta a movimentações de aliados bolsonaristas que tentavam associar o ex-banqueiro também a produções ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Folha)
Produção caríssima
O valor que teria sido solicitado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar Dark Horse coloca a produção entre os projetos cinematográficos mais caros já associados ao mercado brasileiro. É muito até para padrões internacionais. Com US$ 24 milhões, seria possível financiar diversos vencedores recentes do Oscar de melhor filme, incluindo produções independentes como Parasita, Moonlight e Anora. (InfoMoney)
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