domingo - 21/11/2021 - 10:02h

Dividido, PSDB escolhe o perdedor da eleição?

Por Ney Lopes

Hoje serão realizadas as prévias do PSDB para escolha de quem representará os tucanos na disputa presidencial de 2022.

Foram tantas as diferenças observadas na disputa dos pré-candidatos, que a prévia é vista como o meio de indicar aquele que irá “perder” a eleição.

João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio disputam a preferência dos tucanos do país (Fotomontagem O Globo)

João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio disputam a preferência dos tucanos do país (Fotomontagem O Globo)

São muitas as diferenças entre as alas políticas dentro do PSDB. A divisão parece ser   inevitável, após o processo de escolha.

Dos 1,3 milhão de membros do partido, 44.700 filiados e mandatários se inscreveram para votar no processo

A prévia é uma forma democrática de seleção de candidatos num partido.

Porém, é necessário que o sistema eleitoral seja compatível.

Nos EEUU, por exemplo, ocorrem as prévias, lutas internas violentas, porém como prevalece o bipartidarismo, ao final os perdedores se acomodam.

No Brasil, além de mais de 30 partidos, a lei permite que até abril ocorram mudanças partidárias, sem prejuízo das candidaturas. Isso é um convite a fragmentação dos quadros políticos, “rachados” numa luta interna como a do PSDB.

A polarização entre Dória e Leite colocou em “cheque” até a legitimidade do processo de escolha.

Quem perder dificilmente vai apoiar o vencedor. Restarão fissuras.

Além do mais, o PSDB adotou uma tal história de “peso” no voto dos convencionais. Uns valem mais do que outros. Notória discriminação.

Foi derrotada a proposta do voto universal, ou seja, todos os filiados terem o mesmo peso.

Prevaleceram diferenças entre os filiados, parlamentares, prefeitos e vice, com cálculo do percentual de cada voto diferente para a totalização final dos votos.

Tudo leva a crer, que após as prévias, o PSDB não será mais o mesmo partido de antes, salvo um milagre político. O resultado está previsto para sair até as 19 horas.

O sonho de que o partido liderasse uma terceira via está distante.

Tudo em razão, profundas rixas internas e em parte por uma disputa por recursos para as futuras campanhas eleitorais

O vencedor das prévias enfrentará o desafio de conter a   debandada de parlamentares tucanos, o que pode encolher a bancada federal do partido.

Há previsões de até 15 dos 34 deputados federais deixarem a legenda na janela de transferência partidária de 2022, que permite mudar de agremiação, sem perder o mandato

Há alas partidárias cientes das possíveis consequências. Avaliam que será necessário um gesto para unificar o partido, depois das prévias.

Já se combina nos bastidores um encontro de aproximação com a bancada e a presença dos dois governadores (SP e RGS), independente de quem for o vencedor do pleito interno.

A leitura é que será preciso recuperar o eleitor tucano que migrou para o bolsonarismo após as eleições de 2018, quando o PSDB registrou o pior resultado de sua história em uma eleição presidencial.

A sorte está lançada.

O partido que ganhou a fama de sempre acomodar-se “em cima do muro”, acumulou ao longo dos anos significativas divisões internas.

Aguarda-se o que ocorrerá, após essas primárias.

Será que virá a conciliação?

Ou, se consolidará a ruptura definitiva, anulando a influência da sigla na eleição presidencial de 2022?]

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Categoria(s): Artigo / Política

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