Por Tácito Costa
“Posso tocar no senhor?” Pergunta a professora na academia, antes de me mostrar como fazer corretamente um exercício. Fico pasmo por um instante. Mas logo recobro a naturalidade: imagino que ela tenha recebido orientações para tratar os clientes assim.
A isso se soma a onda de cancelamentos nas redes sociais. Praticamente toda semana acompanhamos, perplexos, algum novo caso. Ninguém está a salvo das patrulhas digitais.
Tudo isso nos afeta e nos deixa com medo — quando escrevemos, evitando temas e palavras que possam provocar reação; e no dia a dia. No elevador do condomínio, fico no canto, mãos para trás, olhando pro teto quando estou sozinho com outra pessoa.
Situações diferentes, mesma origem: o medo de se expor, de opinar, de ser mal interpretado.
Acabou-se o bom senso — e as redes têm culpa, ao amplificar disparates e agressividade. O silêncio de muita gente não é concordância: é medo ou cansaço de discussões que saem do controle.
No fim, talvez o mais preocupante seja justamente isso: estamos começando a mudar nosso comportamento não porque fizemos algo errado, mas pelo receio de que alguém possa enxergar errado aquilo que fazemos.
Tácito Costa é jornalista
























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