sexta-feira - 10/08/2007 - 11:48h

Nada será como antes

O áspero discurso ontem, do líder do governo na Assembléia Legislativa, Gustavo Carvalho (PSB), tratando a secretária da Educação do RN, Ana Cristina Medeiros, por "autoritária" e "prepotente", não está diluído. 

Nas entranhas do governo Wilma de Faria (PSB), as palavras terão repercussão consideráveis adiante. Difícil é prever exatamente o que ocorrerá. Entretanto, nada será como antes.

A iminente acomodação de interesses entre governo e grevistas da Educação, a partir de reunião à noite passada, da qual participou diretamente Ana Cristina, não aplaca o mal-estar. As sequelas ainda não podem ser dimensionadas.

Tudo será melhor esquadrinhado posteriormente.

Sorrisos amarelos e declarações amistosas daqui para frente vão apenas maquiar o visível desconforto, com a permanência da secretária na titularidade do cargo. Pode até ficar, porém manietada pelo medo de nova repreensão pública e o poder de quem pode: a governadora. Virou zumbi.

Quem em sua primeira gestão estadual botou cinco secretários na pasta, mudar Ana Cristina não será incomum. Wilma raciocina pragmaticamente, com um cartesianismo implacável. Primeiro ela, depois ela…

Seus interesses políticos passam por uma aposta no deputado federal Rogério Marinho (PSB), a prefeito de Natal em 2008. A secretária desgastada, indicada por ele e que ganhou seu apoio público, em dicurso na Câmara Federal, arranhou a fuselagem do governo. E do próprio padrinho.

Conhecendo a lógica política de Wilma, não há porque duvidar: o tom da fala de Gustavo Carvalho, apesar de enérgico e pessoal, foi a representação da vontade da governadora. Assim, atrás das cortinas, ela estilhaça o estorvo Ana Cristina, mas se preserva perante o professorado.

O projeto Rogério Marinho, creio, está mantido. Entretanto não seria irreversível. Tudo vai depender do "cenário" em 2008. Se for bom para Wilma, o deputado será o candidato. Não sendo…

Nesse episódio, Wilma foi outra vez Wilma. Implacavelmente Wilma. Diante de antípodas que se digladiavam, sai impávida em meio aos destroços de uma guerra fraticida. 

Lembra o cardeal Jules Mazarin, o todo-poderoso da corte de Luís XIII e XIV. Vale sua vontade.  E seus meios. 

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Categoria(s): Blog

Comentários

  1. ana maria soares diz:

    Discordo de vc caro jornalista,Vilma não sai ilesa não,sai muito desgastada.Afinal aquelas medidas duras eram dadas com o aval dela que quando viu a barca afundar deu jeito de colocar Augusto Carvalho para amenizar e dar o tom do descontentamento ,quanto a Rogerio este sim tem seu projeto para 2008 arranhando,pelo menos junto ao professorado ele já dançou.

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