Por Odemirton Filho
Conforme o calendário eleitoral, a partir de hoje os candidatos podem realizar propaganda, ou seja, podem fazer campanha pra valer, começar o “moído”, como se costuma dizer. Com certeza, serão as promessas de sempre. De minha parte, não me animo mais, nem acredito em palavras jogadas ao vento, como nos tempos da minha juventude.
No entanto, para mim, as melhores campanhas eleitorais foram as de 1986 e 1988, nas quais se sagraram vencedores, respectivamente, Geraldo Melo para o governo do estado, e Rosalba Ciarlini à prefeitura de Mossoró. Ali, sim, foram campanhas memoráveis.
Na de 1986, o “tamborete” embalou multidões com os seus jingles inesquecíveis. Até hoje não escutei músicas mais bonitas. Via-se nos rostos a alegria de cantar, de acompanhar o candidato nas passeatas e nos comícios. Orador de primeira linha, Geraldo sabia impressionar os eleitores, “novos ventos, novos tempos”.
Em relação à campanha de 1988, a “Rosa” fez uma campanha marcante. No início, ninguém acreditava em sua vitória. Mas ela conseguiu embalar os eleitores, “a rosa vermelha é do bem-querer, a rosa vermelha e branca hei de amar-te até morrer”… e, ao final, venceu o pleito.
Curti vários comícios no largo do Jumbo, da Cobal, no Ferro de engomar; vi muitas passeatas descerem o grande Alto de São Manoel, um mar de gente. Na verdade, a maioria das pessoas gostava era de curtir as bandas de expressão nacional que tocavam em cima dos trios elétricos.
Recordo-me que, no dia das passeatas, ônibus faziam o transporte de homens, mulheres e crianças da zona rural para a cidade; as carrocerias das camionetes ficavam lotadas com gente de todas as idades, de meninos a idosos, os comícios eram verdadeiros showmícios.
Hoje, os tempos mudaram. As campanhas eleitorais são realizadas, sobretudo, nas redes sociais, onde as fake news fazem a festa. Naqueles tempos, porém, as mentiras corriam boca a boca, nas ruas e nos pés das calçadas.
Odemirton Filho é oficial de justiça
























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