segunda-feira - 01/03/2010 - 15:10h

O “Partido Melancia” e o “gene replicante” – Eleições 2010

A versão "Partido Melancia" (verde por fora e vermelho por dentro), que o PMDB potiguar protagoniza este ano, está em xeque. Surgem sérias dificuldades político-legais à manobra.

O problema mais recente e praticamente intransponível, é a obstrução criada pela própria legislação eleitoral interpretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte não fechará os olhos para a tentativa do peemedebismo de se transformar em "dois", sendo governo e adversário ao mesmo tempo.

O partido tenta um "esquartejamento" que se propõe a satisfazer projetos pessoais de seus principais líderes no RN, senador Garibaldi Filho (PMDB) e seu primo-deputado federal Henrique Alves (PMDB). O primeiro, pela oposição e o segundo no governo. Ou seja, até a onipresença partidária é trabalhada a qualquer meio.

No Rio Grande do Norte, o PMDB caminhava para ter uma aliança na faixa majoritária, além de uma ou mais na esfera proporcional (Assembleia Legislativa e Câmara Federal). Uma banda com o DEM da senadora Rosalba Ciarlini, que é pré-candidata a governador na oposição, outra com grupo do vice-governador Iberê Ferreira (PSB), pré-candidato do governismo.

Essa suruba não será possível.

Segundo o TSE decidiu no dia 23 último, "permite-se a formação de mais de uma coligação apenas para eleição proporcional desde que entre partidos que integrem a coligação para o pleito majoritário ao qual não é possível a celebração de mais de uma coligação".

Cabo-de-guerra

Simplificando: O PMDB compõe-se com Iberê ou com Rosalba. Fica de um lado ou do outro nesse cabo-de-guerra.

Se houver formalização de apoio a Iberê, o partido não tem amparo legal para "liberar" Garibaldi à composição com Rosalba. E qualquer coligação na proporcional terá que ser com partidos da mesma coalizão.

A posição do TSE é absolutamente coerente. Desrespeitoso é o comportamento dos donos do partido no estado. Querem produzir laboratorialmente uma espécie de "gene replicante" do antigo "MDB", para que original e cópia funcionem em duas frentes que se rivalizam, mas com o fim de vencer em qualquer circunstância.

Com essa postura, não possuem qualquer autoridade moral à cobrança, por exemplo, de "fidelidade" e "coerência" aos filiados ou áulicos peemedebistas. E ainda correm risco de surpresa desagradável ou "punição", como queira, nas urnas.

Esse quadro mostra como está esgotado o modelo político-partidário da terra potiguar, que durantes décadas viveu de alegorias e faz-de-conta, "verde x encarnado"; "bacurau x bicudo". Hoje, nem isso.

Sobrou apenas uma lei: a do "vale-tudo".

Foto – Rosalba, Garibaldi e Henrique diante de uma legislação que freia parte do "vale-tudo" (Acervo Blog do Carlos Santos

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Comentários

  1. José Valdi diz:

    Prezado Carlos Santos.
    A inversão de valores na política (traição, fisiologismo, conveniência, cara-de-pau, etc.), transformou-se em virtudes… ” a transvalorização dos valores?¨ Não. Por outro lado o PT se mantem firme na defesa da ética, do compromisso partidário (fidelidade), e lamentavelmente isso não é exaltado, sobretudo lembrado pelos nossos meus de comunicação e formadores de opinião.

  2. Alexandra Ambrosio diz:

    Amigo, de qual PT você está falando?Ética? Fidelidade? Tá zombando né?

  3. Everton Carlos da Costa Cardoso diz:

    O PT se mantém firme na defesa da ética? Ah, então você não soube nada do mensalão do PT (que já foi herdado do PSDB). José Dirceu, que era o “braço direito” do presidente Lula, era chefe de uma quadrilha de ladrões que estavam roubando o dinheiro das estatais. E vamos parando por aqui, porque existe muita coisa podre do PT (Partido dos Trambiqueiros).

  4. Anderson de Almeida diz:

    Muito interessante suas observaçôes Carlos Santos…Porém vejo bem mais incoerência do Senador que do deputado. Afinal, Henrique segue o governismo tanto no cenário local como no nacional. Já Garibaldi é DEM no RN e já declarou ser PT de Dilma no plano nacional. Eis a questão: onde fica a ideologia Partidária tanto defendida pelos do Movimento Democrata Brasileiro? É muita incoerência Política deflagrada em prol dos interesses pessoais exalada. Ao menos para mim eleitor é inaceitável.

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