The News, Canal Meio e outras fontes para o BCS
Na noite de quarta, os Estados Unidos aprovaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas ilegais. Segundo o anúncio, a medida entra em vigor na próxima semana — e já gerou polêmica entre os dois países.
Apesar de milhares de itens estarem incluídos na lista de taxação, o governo americano também publicou uma extensa lista de produtos que ficaram isentos. Devido a isso, especialistas apontam que o impacto deve ser restrito.
Uma das principais acusações dos EUA era de que o Pix atrapalhava empresas financeiras americanas. Acontece que diretores da Visa afirmaram que a empresa cresceu no Brasil após a criação do sistema e negaram ter pedido ajuda ao governo Trump.
A repercussão
Após o anúncio das tarifas, Marco Rubio publicou um tweet dizendo que Lula “não negociou de boa-fé” e que suas políticas econômicas seriam “ruins para os americanos e para os brasileiros”.
Em resposta a Rubio, o governo brasileiro afirmou que foram mais de 30 reuniões com autoridades americanas desde março de 2025 — incluindo 11 contatos só com ele e o chefe do USTR, Jamieson Greer, além de um encontro entre Lula e Trump.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, classificou as alegações dos EUA como sem “lastro na realidade”. O governo brasileiro também anunciou que vai acionar a Lei da Reciprocidade, que autoriza retaliar países que impõem barreiras comerciais unilaterais.
Perda de competitividade
Representantes de setores atingidos pelo tarifaço afirmam que a medida poderá provocar perda de competitividade, queda nas exportações e demissões caso não seja revertida rapidamente. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) alertou que a sobretaxa inviabiliza parte das exportações para o mercado americano, principal destino dos calçados brasileiros. Já a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) diz que a tarifa aumenta a incerteza no comércio bilateral e pode elevar custos, reduzir a competitividade e comprometer investimentos. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) criticou a tarifa adicional sobre o etanol brasileiro e afirmou que a política adotada pelo Brasil está conforme as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). (Folha)
Flávio culpa Lula, mas atmosfera é negativa para ele
Enquanto isso… O senador Flávio Bolsonaro e membros da direita culparam Lula pela decisão dos EUA, citando a mensagem do secretário de Estado americano.
Porém, nas redes sociais e pesquisa, essa atmosfera é negativa para seu discurso. Pesquisa Genial/Quaest indica que a maioria dos brasileiros atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilidade pelo novo tarifaço. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão do governo de que Flávio contribuiu para a adoção da medida pelo governo Donald Trump. Outros 30% avaliam que o senador tentou convencer os Estados Unidos a não aplicar as tarifas, enquanto 19% não souberam responder. (Estadão)
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