A festança em torno da "Ponte de Todos," obra emblemática do governo Wilma de Faria (PSB), guarda nova polêmica. Mais uma. A obra nasceu com essa marca.
A discussão em que o próprio Ministério Público acrescenta mais "lenha," querendo saber detalhes do custo da esbórnia com a grana do erário, bem poderia ser evitada. Bastaria que tivéssemos uma legislação proibindo a farra a expensas do erário.
Há casos Brasil afora, em que a festa de inauguração sai mais cara do que o próprio empreendimento de concreto.
Diz-se, ainda superficialmente, que o Estado vai torrar mais de R$ 1,15 milhão com o pagamento de cachês irreais a artistas locais e de fora, além de estruturas de sonorização, palco etc. Claro que não há inclusão do aparato já existente e de outras fontes estatais, na soma final dessa louvação à governadora e não à ponte.
O lema do "pão e circo" dos romanos, para aplacar a fúria das massas e desviá-la de interesses mais relevantes, é seguido há séculos. Da direita à esquerda, a regra é inoculada de cima para baixo, fazendo do povão mentecapto um ótimo exército de zumbis, pronto para servir aos propósitos do senhor da ocasião.
Mas antes dos romanos, Ciro II – o Grande, rei da Pérsia, área onde hoje existem Iraque e Irã, há 2.500 anos revelava sua inteligência na dominação do mundo, através da ilusão festeira. Sem sacrificar uma vida.
Vencedor de uma dramática batalha na Lídia (hoje Turquia), Ciro capturou o rei Creso – o levando prisioneiro. Mas sabedor que havia revolta implacável, resolveu agir para sufocar o motim popular.
Em vez de utilizar a força, promovendo uma chacina sem precedentes e destruição de belos monumentos, optou por um ardil mais eficiente. Determinou a abertura de tabernas, bordéis e a promoção de jogos populares ao público.
Ao mesmo tempo, baixava decreto para que todos os cidadãos de Sardes, capital da Lídia, aproveitassem gratuitamente as benesses. Resultado: a conspiração foi arrefecida e Ciro – tido como um sábio, pôde dormir tranquilo em relação ao reino dominado.
Qualquer semelhança com comunas e "reinados" contemporâneos, não é mera coincidência.
Jornalista Carlos Santos gostaria de lhe parabenizar pela coragem de denunciar essa farra do dinheiro público com a inauguração da ponte Newton Navarro. Não vi até agora nenhum órgão de imprensa ter feito o que você fez, parabéns. Gasta mais de 1 milhão nessa inauguração enquanto os hospitais públicos padecem de minimas condições de atendimento, a educação na lanterna no Brasil, programas de habitação sem funcionar e tantas outras prioridades que são esquecidas pelo governo. Isso é um vergonha.