O projeto de reforma administrativa que a prefeita de direito de Mossoró, Fátima Rosado (DEM), “Fafá”, entregou ontem aos vereadores governista, é o “cartão de apresentação” do próximo governo. Será parte da identidade político-gerencial da prefeita eleita Cláudia Regina (DEM).
O projeto é anunciado como resultado de um trabalho da “equipe de transição municipal e pelos profissionais da Falconi Consultoria e Planejamento”, empresa que Cláudia atraiu para esse fim e outras ações de consultoria – como este Blog já anunciara.
“O novo organograma administrativo torna a máquina administrativa mais ‘enxuta’ e eficiente e dá mais autonomia a áreas importantes da Prefeitura Municipal de Mossoró. O número de secretarias, por exemplo, cai de 11 para 10. Mas a maior redução acontece nas gerências (16), que agora passam a ser sub-secretarias (06)”, informa a Assessoria de Imprensa de Cláudia.
Acrescenta, que “no novo formato administrativo, gerências com as de Saúde, Educação, Comunicação Social e Cultura passam a ser secretarias, vinculadas diretamente à prefeita. A transformação promove maior autonomia das pastas e melhor acompanhamento pela prefeita dos serviços executados.”
Com essa reforma, o poder de gestão da Prefeitura de Mossoró deverá voltar na prática e por direito, ao gabinete do prefeito (a), como não ocorre há anos. O atual modelo, implantado ainda na era Rosalba Ciarlini (DEM), há cerca de 12 anos, criou a figura do supersecretário. O de Cidadania, por exemplo, controla cerca de 75% do orçamento municipal.
Com a reforma, fica mais do que claro que Cláudia Regina não deseja delegar a nada e a ninguém tantos poderes. Ao mesmo tempo, cria uma necessária e lógica isonomia entre os secretários, extinguindo as gerências que na verdade são secretarias com outra nomenclatura.
Papel cosmético
No período de Fafá Rosado, que chega ao oitavo ano consecutivo (dois mandatos), ela praticamente foi refém do seu irmão e prefeito de fato – Gustavo Rosado (PV), chefe de Gabinete. Esse transformou o professor Chico Carlos (PV) em seu lugar-tenente e “guru”, lhe conferindo superpoderes na pasta da Cidadania.
A Fafá coube papel cosmético e de fachada, para justificar seu dever-direito como prefeita.
De fato, nunca administrou patavina. Continuou como antes: uma socialite, mas na cadeira de prefeito.
Com Cláudia, política de perfil autônomo e proativo, os tempos de faz-de-conta parecem contados.
Mossoró tende a sentir uma mudança substancial na quebra da mitologia de “ascensão” da mulher, que em verdade não ocorreu na política paroquial. Tem sido uma continuada farsa.
A submissão foi camuflada por uma engenharia política que teve o consentimento do próprio povo despolitizado.
Pelo visto, Mossoró finalmente terá um prefeito (a) eleito que aparece na foto e realmente manda.
Carlos Augusto
Bem diferente de Fafá e da própria Rosalba, que também nunca governou coisa alguma. Apenas assinava processos, protocolos e projetos – muitas vezes sem sequer ler. Eram comuns situações em que a prefeita Rosalba tinha direito de apenas assinar documentos, previamente marcados com “x”, nos espaços em que caberiam sua rubrica.
O marido e prefeito de verdade, ex-deputado Carlos Augusto Rosado (DEM), fazia tudo por ela. “Não precisa ler nada não, ‘mãinha’ (forma afetiva como ele a trata reservadamente). Eu já vi tudo. Pode assinar” – era uma manifestação regular do marido-prefeito de fato.
Carlos Augusto Rosado chegou a ter uma sala contígua ao gabinete da prefeita, local em que fazia os principais despachos com secretários, outros auxiliares, políticos e eventuais representantes de empresas prestadoras de serviços e fornecedoras da municipalidade.
A experiência de Fafá com Gustavo, seu mano menor, é ainda mais patética e traumática. Fafá era impedida de receber determinadas pessoas interessadas em conversar diretamente com ela. Houve incidentes até mesmo com parentes próximos, barrados por Gustavo.
Mulher de grande carisma, acostumada ao trânsito social e ao contato com o povo, Fafá foi “aprisionada” em seu gabinete e em incontáveis ocasiões ficava em sua mansão, local em que recebia representantes do “prefeito de fato” – ou o próprio – para assinar documentos oficiais.
Com Cláudia Regina, há possibilidade crescente de que o mito da mulher emancipada, politizada e voltada para o poder, finalmente se realize em Mossoró como verdade. Até aqui, não passa de um enredo que ridiculariza a realidade, tão real quanto às lendas da Mula-sem-cabeça e Saci-Pererê.
Coisa que a imprensa amestrada repete e muitos incautos acreditam. Por isso está se perpetuando, numa mutilação da própria história.




























