“Seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos, ou não somos coisa nenhuma”.
Monteiro Lobato
Jornalismo com Opinião
“Seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos, ou não somos coisa nenhuma”.
Monteiro Lobato
Por Lauro Jardim (Coluna Radar On-Line, Veja)
De forma discreta, Henrique Eduardo Alves (PMDB) começou a correr a Câmara com sua campanha para suceder Marco Maia (PT-RS) em fevereiro. Alves já pediu apoio para quase todos os líderes partidários e planeja agora “se colocar à disposição” para conversar com os colegas sobre propostas para a candidatura à presidência da Câmara em 2013.
Aconselhado por Michel Temer, que presidiu a Câmara por três vezes, Alves planeja ir de gabinete em gabinete para ouvir cada um dos 512 deputados e “colher sugestões” para sua campanha. Em cada um dos encontros que já teve para discutir a eleição, porém, Alves fez questão de dizer que a bancada do PMDB só escolherá seu candidato em outubro. Ele, claro, será um dos pré-candidatos. Diz Alves:
– Você não pode ser ansioso demais nem chato de ficar negando que não é candidato. Estou indo devagarinho.
O vereador Genivan Vale (PR), que durante todo seu primeiro mandato como vereador de Mossoró tem sido um combativo oposicionista, já repensa rumos.
Indócil e refratário à ideia de uma guinada de 180 graus na rota do partido em Mossoró, o vereador não pretende contrariar João Maia – deputado federal e dirigente estadual da sigla. Confronto está descartado.
João, desapontando o próprio Genivan e a maioria dos filiados em Mossoró, leva o PR para apoio à pré-candidata a prefeito Cláudia Regina (DEM). O vereador é da corrente pró-Larissa Rosado (PSB), deputada estadual e pré-candidata a prefeito em faixa oposicionista.
Mas quem deu maiores garantias a Genivan, segundo uma fonte governista, foi o próprio marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM). Em recente conversa com Genivan em Natal, encaminhada pelo próprio João, Carlos foi incisivo:
– A candidatura de Cláudia é para valer. Não podemos perder em Mossoró.
Cláudia e Genivan têm uma convivência respeitosa na Câmara Municipal, apesar das posturas opostas até aqui. Os dois são dos mais articulados parlamentares da legislatura em andamento.
Mas além de mudar de lado e de discurso, Genivan precisará superar outro cipoal: sua postulação pode ser vetada legalmente, devido dificuldades com prestação de contas da sua candidatura a deputado estadual em 2010. A matéria subiu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) considerá-lo inelegível.
O PT mossoroense, que através de algumas de suas forças procura sustentar a candidatura a prefeito do professor Josivan Barbosa, também precisa se empenhar em levantar recursos vultosos à disputa.
Do Diretório Nacional do partido – caso Josivan seja mesmo candidato -, não deverá ser despejado um ‘vintém’ para alimentar a campanha do petista.
Josivan, já está muito claro, não faz parte da prioridade do Diretório Nacional como candidato. Virou moeda de troca num escambo de interesses maiores com o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos.
Do Blog do Barbosa
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), conforme anunciou o Jornal Nacional desta segunda-feira (14) se manifestou sobre denúncias de desvio de recursos de sentenças judiciais no Rio Grande do Norte, mostradas no domingo (13) no Fantástico.
A nota do conselho afirma que a corregedoria já está apurando os fatos com base em informações de um magistrado local (leia-se, desembargador Caio Regalado, presidente da Comissão de Sindicância instalada no TJRN para apurar o caso) e que deve julgar o caso no dia 21.
O CNJ declarou que prioriza o julgamento de processos que ajudem a combater o desvio de dinheiro público.
Os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro, citados na reportagem, negaram a acusação.
Segue a nota do CNJ:
– Com referência às graves denúncias veiculadas pelo programa dominical “Fantástico”, o Poder Judiciário brasileiro, pelo seu Conselho Nacional de Justiça, informa que os fatos narrados pela reportagem já vêm sendo objeto de apuração pela Corregedoria do CNJ a partir de informações prestadas por magistrado do próprio estado do Rio Grande do Norte.
Conforme aprovado na última Sessão do Plenário do CNJ e seguindo prioridade que decorre da própria Constituição Federal (§ 4º do Art. 37), o Conselho confere primazia ao julgamento de processos que impliquem o mais eficaz combate à apropriação indevida de dinheiros, bens e valores públicos. Donde a previsão de julgamento, já no próximo dia 21 de maio, de Reclamação Disciplinar sobre os fatos noticiados no referido programa “Fantástico”.
Brasília, 14 de Maio de 2012
Ministro Ayres Britto
Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça
Ministra Eliana Calmon
Corregedora Nacional de Justiça
Aconteceu na manhã desta segunda-feira (14), reunião do juiz da 33ª Zona Eleitoral, José Herval Sampaio Júnior, com representantes de partidos políticos e de veículos de comunicação de Mossoró e região.
O encontro, realizado nas dependências do Fórum Eleitoral Celina Guimarães Viana, foi avaliado positivamente pelos presentes. Na oportunidade, o magistrado confirmou que no atual momento do calendário eleitoral é vedada a realização de qualquer espécie de propaganda.
Herval Sampaio fez questão de ler tópicos da legislação que versa sobre o tema. “Até 06 de julho, estão proibidas todas as manifestações de propaganda, inclusive movimentações externas promovidas por partidos políticos”, acrescentou. Falando aos representantes de veículos de comunicação, Sampaio explicou que, antes de 06 de julho, podem ser realizadas entrevistas com pré-candidatos, contanto que não se apele pelo voto.
Também foi dito que será permitida a propaganda através das redes sociais, mas somente após 06 de julho. Enunciou-se também que foram oficiados administradores de todos os municípios, de modo que estes informem, no prazo de 10 dias, os gastos com publicidade nos últimos três anos, bem assim a despesa até este mês, tudo para que sejam observadas as vedações existentes aos agentes públicos no período eleitoral.
Informou ainda o magistrado que o eleitor poderá ser punido ao solicitar ou receber qualquer vantagem financeira em troca do voto, e que tal situação será devidamente fiscalizada, no atual momento e, principalmente, no período de propaganda.
Ao final ficou, agendada outra reunião para o próximo dia 11 de junho, às 15h, oportunidade em que as demais regras da propaganda serão abordadas, tudo para que os interessados e a própria imprensa não aleguem desconhecimento das leis e resoluções do TSE.
Do Blog Panorama Político (Anna Ruth)
O Ministério Público anexou ao processo da “Operação Sinal Fechado”, onde denuncia um grande esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte, mais dois DVDs contendo depoimentos do lobista Alcides Fernandes.
Além dos DVDs, os promotores também já protocolaram para anexar ao processo a transcrição parcial do depoimento prestado por Alcides Fernandes ao MP.
No extenso depoimento ao Ministério Público, Alcides reiterou denúncias contra os ex-governadores Wilma de Faria (PSB) e Iberê Ferreira (PSB) e ainda envolveu novos políticos no esquema de corrupção, citando o senador José Agripino Maia (DEM), o deputado Ezequiel Ferreira (PTB) e ainda o desembargador Expedito Ferreira.
Ouvido ao chão, como bom índio Sioux, Apache, Comanche ou Navajo.
O PDT de Mossoró costura providências para anunciar formalmente no sábado (26), pela manhã, no Hotel VillaOeste, apoio à postulação à prefeitura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB).
A propósito, no último final de semana, Larissa e o presidente do pedetismo mossoroense, empresário Rútilo Coelho, estavam ziguezagueando entre mesas de um evento festival no bairro Nova Vida (antigo Malvinas).
Rútilo é um dos nomes colocados à mesa para vice de Larissa.
O Juiz Eleitoral Herval Sampaio Júnior fará uma reunião nesta segunda-feira, às 10h, na sede do cartório eleitoral de Mossoró, no conjunto Abolição 2.
Vai tratar de linhas gerais sobre campanha e eleições em Mossoró. Representantes de partidos políticos envolvidos nesse processo foram convidados para a reunião.
Herval é titular da 33ª Zona Eleitoral.
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) visitou o vereador Chico da Prefeitura (DEM) no Hospital Wilson Rosado – em Mossoró. Foi no sábado (12). Ele estava na corrida para ser escolhido candidato a prefeito por seu grupo.
Ela esteve com familiares e o próprio Chico, que vive considerável melhora em seu quadro clínico, mas ainda não tem condições de travar uma interlocução normal.
Rosalba desembarcou na cidade para participar da programação comemorativa pelos 100 anos de nascimento do prefeito Dix-huit Rosado, falecido no dia 22 de outubro de 1996. O evento ocorreu no Memorial da Resistência, centro da cidade, à noite do próprio sábado.
Chico está internado desde a tarde do dia 24 de abril. Passou por angioplastia e cateterismo, foi intubado e submetido a comas induzidos devido a problemas coronarianos.
Minha segunda-feira (14 de maio de 2012) não amanhece luz.
Morreu à madrugada de hoje em Mossoró, um velho amigo querido: Manoel Barreto, 71, ex-presidente do Potiguar, empresário, ex-vizinho etc. Teve parada cardíaca.
Lembranças de nossas conversas, da paixão comum pelo Potiguar, da amizade entre nossas famílias. Lembranças de sua correção e serenidade. Daquele sorriso espontâneo e enorme capacidade de conviver entre contrários.
Abraços, meu querido. Descanse em paz.
“O impossível existe nas mãos inertes dos que não tentam.”
Epicuro
Neste domingo, Dia das Mães, a boa nova é em grená, verde e branco. “Eu sou é tricolor”. Na série Letra e Música, abro uma concessão e exceção, “democraticamente”, para saudar minha afeição pelo Fluminense, que conseguiu hoje mais um título carioca ao vencer o valoroso Botafogo por 1 x 0 (gol de Rafael Moura).
O Hino do Fluminense, na caixa acima, tem letra sob autoria do genial Lamartine Babo e música de Lyrio Panicalli. Nessa gravação, um coral de crianças entoa os versos que contagiam e emocionam tricolores em qualquer tempo e hora, em qualquer lugar ou situação.
É para a minha semana nascer feliz. E para homenagear um amigo que perdi há poucos meses, Toinho Oliveira. Ele certamente estaria com o coração batendo mais acelerado. É para você, meu querido. Ouça aí, vai!!
Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor
Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor
Vence o Fluminense
Com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias
E vitórias mil
Vence o Fluminense
Com o sangue do encarnado
Com calor e com vigor
Faz a torcida querida
Vibrar de emoção o tricampeão
Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor
Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor
Vence o Fluminense
Usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha com o sol
Da manhã
Com a luz de um refletor
Salve o Tricolor.
É pouco provável que pelo menos três partidos que vão participar da campanha municipal de Mossoró, marchem unidos internamente até às urnas. As divergências internas prometem rachas profundos.
O PT, por exemplo, vive uma crise babélica. A pré-candidatura do professor Josivan Barbosa (PT) não deve vingar. É a própria Direção Nacional do partido que estabeleceu uma resolução interna, avocando para si o poder “democrático” de vetá-la. Botou a cabeça de Josivan na ‘bandeja’ para fazer um escambo com o PSB em nível nacional.
O PR é outro exemplo de “democracia” de cima para baixo. Seu presidente estadual e deputado federal, João Maia, depois de anos falando em independência e autonomia do diretório, puxou para si o poder de levar a sigla a se compor com o governismo municipal, mesmo o partido há mais de três anos fazendo oposição à gestão Fafá Rosado (DEM).
No PMDB, a barafunda não é menor. O partido até possui o advogado Wellington Filho como pré-candidato a prefeito da vereadora Cláudia Regina (DEM). Entretanto, dificilmente estará inteiro no palanque governista.
Haverá revoada de militantes e filiados no sentido da oposição. Anote. Depois cobre ao Blog essa previsão.
Nos três casos há um conflito entre desejo das bases e interesses dos “donos” desses partidos. Mas ao contrário do que ocorria num passado remoto, o “cabresto” não terá força para conter o ‘estouro da boiada’.
Da Rede Globo de Televisão
O programa “Fantástico” mostra uma farra milionária bancada com o dinheiro do contribuinte. Dinheiro aos montes, desviado de um tribunal de justiça no Nordeste. Um casal que participava da falcatrua conta em detalhes como era a vida de luxo que levava e acusa dois ex-presidentes do tribunal de integrar o esquema. A reportagem é de Eduardo Faustini.
Você já viu um papel higiênico todo estampado com notas de dinheiro? E ainda por cima dinheiro europeu?
“Foram retirados quase R$ 20 milhões. Não chega a R$ 20 milhões”, conta Carla Ubarana Leal, funcionária do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
O papel higiênico foi encontrado pela polícia em um dos imóveis de Carla. Mas os R$ 20 milhões que ela menciona não foram jogados no vaso sanitário. É tudo dinheiro de verdade – dinheiro público – desviado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. E, segundo Carla, os cerca de R$ 20 milhões roubados foram divididos entre ela e dois desembargadores. “Entreguei a desembargador Osvaldo Cruz e entreguei a desembargador Rafael Godeiro”, revela.
Com a parte dela no esquema, Carla e o marido compraram, entre outras coisas, uma mansão na beira do mar.
“Ela tem, como diz meu marido, mais de dois mil metros só de grama”, diz Carla.
Veja texto completo e vídeo da reportagem clicando AQUI.
Do jornal O Globo
Segundo o levantamento “Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia”, que investigou a importância crescente da web na rotina dos brasileiros, mostra que a internet é considerado o meio mais importante para 82% dos 2.075 entrevistados. As pessoas ouvidas pelo instituto são usuárias da rede, têm entre 15 e 55 anos – 51% homens e 49% mulheres.
Segundo dados do Interactive Advertising Bureau (IAB), mais de 40% dos entrevistados passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na internet (por vários dispositivos digitais), enquanto apenas 25% gastam o mesmo tempo assistindo TV.
A internet aparece como a atividade preferida por todas as faixas etárias, de renda, gênero e região quando se tem pouco tempo livre, somando 62%.
Em casa, a web é mais acessada em casa pela manhã quando 69% se conectam, 78% também acessam à tarde e 73% à noite. E também é a mídia mais popular em todos os demais lugares como trabalho, escola, restaurantes, shoppings e na casa de amigos.
“Todos os dados confirmam a expansão do mercado, que tende a se acentuar com as iniciativas de ampliação do acesso a banda larga e também ao aumento da base de smartphones. Estamos apenas no limiar de uma grande transformação”, disse Fabio Coelho, presidente do IAB.
Por Mário Prata
Samuel Wainer, o grande Samuel, estaria, se vivo fosse, dando sonoras gargalhadas, remexendo suas sobrancelhas desencontradas, colocando os óculos em cima da cabeça, tomando seu uisquinho ao ler a hilária discussão sobre a natalidade do japonês (ou não) Fujimori. Eu explico.
Samuel passou pela mesma acusação há mais de quarenta anos. Exatamente no começo dos anos 50. Tudo começou quando Samuel voltava de uma reportagem em Montevidéo para os Diários do Chatô.
De repente o piloto do bimotor avisou:
– Estamos sobrevoando a fazenda do Getúlio.
– Então desce.
– Descer?
Samuel saiu dali com uma reportagem sobre a volta do Getúlio Vargas. Um dos maiores furos da imprensa brasileira de então. “Diga ao Povo que Voltarei”, ou coisa parecida. Getúlio voltou e foi eleito presidente do Brasil. 1950.
Em 51/52 Samuel o convence a dar um jornal para ele, um jornal popular e nacional. O Banco do Brasil financiou e assim surgia no país o jornal “Última Hora” que iria revolucionar a imprensa brasileira gráfica, editorial e salarialmente.
É aqui que começa a história. O jornal fez um retumbante sucesso e o Carlos Lacerda, o ‘Corvo’, resolveu processar o Samuel dizendo que ele tinha nascido na Bessarábia e, portanto, pelas nossas leis, não poderia ser dono de um jornal. A coisa pegou fogo.
Samuel sempre dizia, até o dia da morte dele:
– Nasci no Bom Retiro, em São Paulo.
Nem no seu livro de memória ele assumiria não ser brasileiro. Mas um dia, poucos dias antes de morrer, disse para mim e para a Marta Góes:
– Vou confessar uma coisa para vocês. Eu nasci mesmo foi na Bessarária.
– E por que você não quer colocar isso no livro?
Sorrindo, entornando o uísque:
– É que quando o Lacerda começou a me encher o saco, 45 grandes intelectuais brasileiros assinaram um documento provando que eu tinha nascido na rua da Glória.
– E daí?
– Daí que tem uns que ainda estão vivos. Não posso fazer isso com eles. Seria muito deselegante.
Este era o leal Samuel Wainer. Morreu dizendo que era brasileiro. Aliás, cá entre nós, ninguém foi tão brasileiro quanto ele. Poderia escrever um livro inteiro sobre ele. Um mestre, um galã, uma inteligência rapidíssima.
Um dia fomos a um coquetel e eu estava andando de um lugar para o outro para cumprimentar as pessoas. Ele me segura pelo braço e ensina: “Todo coquetel tem uma coluna. Assim que você chegar acha logo a sua e fica encostado e deixa que o coquetel passe por você. Seja procurado, não procure. E fica tranquilo que os salgadinhos e a bebida também passam.”
E o dia que ele publicou, na primeira página do jornal, uma foto enorme dos ditadores militares batendo continência no desfile de 7 de setembro. Tudo normal, se ele não tivesse invertido a foto e apareceram todos os carrancudos militares a bater continência com a mão esquerda. Imagine o rolo que não deu. Ele ria gostoso. Parecia um moleque.
A última vez que vi o Samuel. Liga para mim e a Marta convidando para sair com ele e uma jornalista dinamarquesa que estava de passagem, para ir entrevistar o Borges em Buenos Ayres, a um show brasileiro. Ia levar a gringa para ver um show do Adoniran Barbosa. Pode? Com ele tudo podia. Fomos para lá.
Imaginávamos uma velha chata que o Samuel não queria aturar sozinho. Chegamos e vimos o Samuel numa mesa, com sua sempre camisa branca de gola rolê e paletó azul escuro, já encantando uma loira lindíssima de 25 anos, mais alta do que ele e uns quarenta anos a menos. E soltando todo seu irresistível e famoso charme de olhos azuis. Em francês, diga-se de passagem.
Terminado o show ele queria levar a moça (encantada com ele) para dançar no Hippopotamus.
– Samuel, seu pulmão não anda bom. Deixa isso pra lá. Não vá dançar… Eles insistiram. Deixamos os dois lá. Era um sábado. Na segunda de madrugada ele estava morto. Havia dançado mais o que devia. Definitivamente: Samuel nasceu na Bessarábia e morreu nos embalos de uma dinamarquesa.
Sua frase predileta:
– Eu estava lá. E era verdade. Sempre no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa. E no país certo.
O seu bessarabiano Brasil.
Mário Prata – É escritor, jornalista, dramaturgo e cronista nascido em Uberaba-MG
Nota do Blog – “Minha Razão de Viver”, de Samuel Wainer, foi um livro que consumi num domingo de carnaval, nos anos 90. Devorei-o. Conteúdo e narrativa envolventes, indispensável para quem tem paixão pelo jornalismo.
À noite de hoje, o contribuinte potiguar tem um programa especial para acompanhar: o “Fantástico” da Rede Globo de Televisão, a revista eletrônica semanal da poderosa platinada.
No ar, reportagem especial sobre o Caso dos Precatórios no Tribunal de Justiça do RN (TJRN).
Carla Ubarana, que vive em prisão domiciliar em Natal, conforme chamada veiculada há dias pela Globo, vai explicar o óbvio: como chefe do setor de precatórios do TJRN, ela não poderia desviar sozinha estimados – por enquanto – R$ 20 milhões.
Qualquer pessoa medianamente bem-informada sabe que no serviço público a formação de quadrilha sempre se configura, à realização de qualquer outro crime de desvio de recursos.
Aguardemos o Fantástico, com pipocas e guaraná.
O ex-deputado estadual e ex-chefe de Gabinete Civil do Estado, Paulo de Tarso Fernandes, não aceitou sua indicação para compor o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A tentativa de sedução ocorreu há poucos dias no Rio de Janeiro.
Ele, após longos meses de abalo nas relações com o casal ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM)-governadora Rosalba Ciarlini (DEM), aceitou convite de ambos para um jantar no Copacabana Palace, endereço da fina burguesa carioca. Marcou sua reaproximação com Carlos. Antes já estivera com Rosalba em sua terra natal, Santana do Matos.
À mesa, um agradecimento do casal a Paulo, por ter aceito redigir discurso de Rosalba à saudação ao arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha. A governadora ligara para ele com a preocupação de impressionar o clérigo. Encomendou-lhe o discurso. Paulo aquiesceu, sem rodeios.
Quem noticiou o regabofe amistoso em primeira mão foi o jornalista Vicente Serejo, em sua coluna Cena Urbana, n´O Jornal de Hoje, na sexta-feira (11).
Sobre a indicação para o TCE, Paulo esquivou-se com a elegância que lhe foi ausente em outubro do ano passado. Àquela época, ele saiu do governo atirando para todos os lados, o que causou fratura numa convivência de longos anos com Carlos e Rosalba (veja AQUI).
Nota do Blog – A vacância no TCE vem desde outubro do ano passado, com a aposentadoria do conselheiro Alcimar Torquato. A propósito, Torquato foi nomeado recentemente para o comando da Junta Comercial do RN (JUCERN), no lugar do mossoroense Pedro Alcântara Lopes, que pediu demissão.
Por Samuel Paiva
Olá, eu sou Samuel de Oliveira Paiva, aluno matriculado no 4°Período de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O relógio do canto inferior direito do meu computador aponta 01h30min da madrugada de Domingo para Segunda. Em verdade gostaria de estar dormindo para acordar bem para a aula.
Como se sabe, no entanto, estamos mais uma vez em greve, depois dos homéricos 106 dias. Gostaria de descer a certas minúcias que outros veículos ainda não desceram.
A aula era de Ciência Política, um homem baixinho, bem vestido, de modos polidos, gestos comedidos, voz tenra, e um jeito de falar que mais escondia que expunha, adentrou na sala. Sim era Anselmo Carvalho, o atual secretário-chefe do Gabinete Civil do Governo.
Educado, inteligente, mas com uma apatia que afastava qualquer dinâmica, o mestre nos explicava seus slides que misturavam os ensinamentos de Dalmo de Abreu Dallari e Paulo Bonavides. Uma vez eu perguntei-lhe se poderíamos chamar os Rosado de oligarquia. Ele abriu os braços, esticou um lábio, não respondeu. Insisti. “Cada um diz o que quer”, limitou-se a dizer.
Repare que com isso não quero ganhar tratamento de crítico agudo, rapaz ciente, ou qualquer estandarte que o valha. Acho simplesmente que aquilo fora prova de certa fraqueza, afinal um professor de Ciência Política não poderia se furtar a uma problemática desse tipo, ainda que fosse para argumentar de maneira diversa.
Era como se a Teoria não fosse digna da prática.
Lembro que Anselmo sempre nos indicava a leitura dos “Escritos Políticos” de Winston Churchill. Se compararmos suas frases que versam nesse sentido: “Só faremos o pagamento quando a lei de responsabilidade fiscal permitir”, com uma de Churchill, “não adianta dizer: Estamos fazendo o melhor que podemos. Temos que conseguir o que quer que seja necessário”, novamente somos tomados pela impressão de que para certas figuras a Teoria não merece a prática.
Sua curiosidade pelos livros é a mesma de um transeunte pelo corpo de um individuo que acaba de acidentar-se, olha, impressiona-se e vai embora tentando esquecer o horror que vira. Acho triste e incompreensível que alguém se satisfaça em ser cão de guarda alheio, um cão de guarda frio e burocrático.
De Rosalba Ciarlini (DEM) não esperava outra coisa. Só os neuróticos não sabem que na nossa política funciona o costume contra legem, não há segredos nisso, os prefeitos e vereadores compram eleitores avulsos, os governadores compram em atacado, por meio de “apoio”. Perceba que o “jogo político” na época de eleições faz com que, principalmente nas cidades pequenas, o candidato a Governo troque de prefeito cerca de quatros vezes.
Então sabemos que os alicerces são podres, logo sobre ele não se fixam grandes edifícios. Na campanha a qual Rosalba sagrou-se governadora, lembro que ela passou em minha cidade natal, como em muitos outros lugarejos. Lá encontrou, na zona rural, um circo – de fato era um circo – e centenas de eleitores apertados em trajes cor-de-rosa comprados às pressas, já que até duas semanas atrás o prefeito apoiava outro candidato.
Rosalba, junto com Zé Agripino, tirou fotos com um chapelão de palha na cabeça. Chamamos a isso de “festa da Democracia”. A poetisa Hilda Hist dizia que, etimologicamente, Democracia quer dizer Governo do Demônio (Demo=Demônio, Cracia=Governo). Rosalba era, por tanto, igual a todos, como poderia esperar que algo diferente brotasse desse seio político viciado?
Carlos Drummond verseja, como metáfora claro, de uma Flor que brota no meio do asfalto. Vendo-a surrada, insossa, esmilinguida, ele diz “É feia, mas é uma Flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.
Escrevi um Cordel dizendo “É Rosa, mas não é uma Flor”.
A Uern precisa de muita coisa, vontade acima de tudo. Das mais simples informações a livros e papel-higiênico. Falta também respeito por parte de muitos professores aos estatutos de nossa faculdade, cronograma e outras coisas que as sucessivas greves bagunçam ainda mais.
Apesar de tudo, tenho muito orgulho e sinto-me deveras feliz em cruzar sua entrada de portões arriados.
Os professores têm que lutar por melhores salários sim. Às vezes nós alunos injustamente reclamamos de suas posturas, ocorre que no máximo passaremos cinco anos na faculdade, ansiamos levantar voo, só que a luta dos professores é a luta de uma vida inteira. Refiro-me aos verdadeiros professores, há muitos que não merecem esse título. Como há alunos que não o merecem.
O Curso de Direito recebeu o selo OAB. É apenas a prova de que somos bons em provas. Passamos por uma crise paradigmática no Direito, tremendo excesso de contingente, falta de consciente. Lênio Luiz Streck costuma perguntar em suas aulas se alguém aceitaria ser operado por um cardiologista que tivesse estudado por um livro intitulado “Manual de Cirurgia Cardíaca Descomplicado” ou “esquematizado”. No Direito isso é uma constante, somos obrigados a tal.
Torço para que nós alunos não nos percamos em nossas reinvidicações, tenhamos olhos abertos, dispensando as vias extremas e duvidando das muito fáceis. A luta é por Educação, somos de um país, de uma região, de um estado, deseducado.
Educação é prática, é como caridade. É a própria vida. Reflete-se desde a hora de votar até a de dizer sem alarme que sente a morte roubar-lhe as forças.
Samuel Paiva é estudante do quarto período de Direito da Uern e se apresenta ainda como “escritor amador” em seu blog denominado de “O efeito cafeína”.
Ligo para um amigo e o alcanço ‘passando por Assu’, diz-me ao celular. A voz é quase inaudível; foge e torna a interlocução quase impossível.
– Amigo, vou para Recife! Vou ver minha mãe. Não posso perder a oportunidade de ficar com ela mais um pouco – adianta-me.
– Ela tem 82 anos e cada momento como esse é precioso – justifica.
A conversa poderia se alongar. Mas não era preciso. Ouvi o suficiente. Restou-me o gosto seco, na boca, para lhe dizer… “vai, vai beijar sua mãe. Diga-lhe que mandei um beijo também.”
O beijo que não posso dar mais à minha…
“A sabedoria da vida é sempre mais profunda e mais vasta do que a sabedoria dos homens.”
Maximo Gorki


