Seria um "encosto?"
O presidente foi claro: "É bobagem!" Só tergiversou quando apontou a origem dessa onda: "É falta de assunto da oposição." Menos, presidente.
Entre setores do governismo o assunto borbulhou em tom de seriedade. A oposição apenas realimenta o caso, com natural apreensão.
A reeleição em si é casuísmo, sobretudo num país com as características socio-econômicas, culturais e políticas como o Brasil. Oficializa o uso da coisa pública em favor de pessoas, grupos e partidos.
A isonomia necessária numa disputa eleitoral majoritária, é banida com o instituto da reeleição. Mesmo não querendo, o governante no exercício do poder é impelido a manipular e aparelhar a máquina estatal a seu favor. O resto que se dane.
Há na própria essência da reeleição, uma violenta negação da democracia. O princípio da alternância no poder é decepado com naturalidade. Se não existe alternância, inexiste democracia. Não adianta ficar maquiando os fatos com uma enxurrada de eleições viciadas.
É frágil o argumento da "continuidade administrativa" que seus defensores utilizam para sustentá-la. A reeleição pode garantir também o "continuísmo", sinônimo de atitudes abjetas e nocivas à sociedade. Tem sido assim no Brasil. Do Planalto ao sertão.
A continuidade gerencial é possível, mesmo entre governos distintos, rivalizantes, desde que tenhamos instituições mais sólidas e um Estado de Leis de verdade. Uma nação que se propõe a ser democrática e civilizada, não pode viver a remendar sua Constituição ao sabor das ambições de alguns espertalhões.
Chega de reeleição. Com ou sem Lula.

























