sexta-feira - 10/04/2026 - 12:36h
Pesquisa e gente

“O que diz a rua”?, uma lição de doutor Tarcísio de Vasconcelos Maia

Tarcísio Maia não abria mão de pesquisas, mas sabia ouvir a voz das ruas (Fotomontagem FJA)

Tarcísio Maia não abria mão de pesquisas, mas sabia ouvir a voz das ruas (Fotomontagem FJA)

O ano? Não lembro. Era comecinho da década de 90, redação do jornal Gazeta do Oeste. Ao lado do repórter político Gutemberg Moura e do repórter fotográfico Raimundo Nunes, desabei para a Fazenda São João, coisa aí de uns seis quilômetros – a partir do Centro de Mossoró, às margens da RN-015, rodovia até Baraúna.

Missão: fazermos uma entrevista à estreia da série que criei na Editoria Geral do periódico, denominada de “Conversando com…”. Teríamos bate-papo “pingue-pongue” (perguntas e respostas diretas), para publicação em página inteira no domingo. À nossa espera, o ex-governador Tarcísio de Vasconcelos Maia.

Chinelos de couro, cadeira de balanço, pernas cruzadas, sem nenhuma alteração de voz, com a mesma modulação, ele premiou-nos com uma conversa que fez o Gazeta do Oeste pipocar no interesse do leitor. Gutemberg Moura, assim recordamos há pouco, também não esquece a mesa pro almoço com carneiro e tudo que gostamos da culinária sertaneja. À mesa, ainda, o deputado estadual Carlos Augusto Rosado.

Por que mesmo todo esse nariz de cera (jargão do jornalismo que indica uma abertura longa que não chega ao assunto que interessa)? Por um detalhe que me remete aos dias de hoje, com essa avalanche de pesquisas para todos os gostos e muitas descrenças e dúvidas.

“O que diz a rua?” Assim Doutor Tarcísio emendava a prosa, off da entrevista, assuntando sobre o jogo do poder, a luta pelo voto. Sempre atento a pesquisas, ele conhecia números e o pensamento popular por emaranhados de dados. Mas jamais, jamais mesmo, deixava de ouvir a voz que vinha da massa-gente, do povo.

Era importante o que se dizia pela boca do engraxate, no Café e Bar Mossoró, no Posto Cinco, entre as paredes do Alto do Louvor, na pedra do Mercado Central, no Buraco do Tatu ou Praça do Pax. O rádio e o jornal impresso valiam, claro.

Celular e essa barafunda das redes de horrores sociais não existiam, é importante sublinharmos.

Quando hoje alguém me pergunta se essa ou aquela pesquisa é a certa, calado estou e calado fico. Lembro de Doutor Tarcísio.

“O que diz a rua?”

P.S – No dia 10 de abril de 1998, Tarcísio Maia faleceu no Rio de Janeiro, aos 81 anos. Coincidência essa postagem. Estamos em 10 de abril de 2026.

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Categoria(s): Política

Comentários

  1. Leonardo Rodrigues diz:

    É verdade. Já tivemos aqui eleições que indicavam que tínhamos um “governador de férias” só esperando a eleição chegar e quando a eleição chegou o eleito foi outro.

  2. Marco Domingos diz:

    Boa tarde,boa crônica de uma passagem de sua vida nos bastidores da política, parabéns pelas linhas traçadas, sempre aqui lendo suas opiniões.

  3. Marcos Pinto. diz:

    Á propósito, o meu saudoaio tio-avô o famigerado “Coronel” Lucas Pinto nascido em 1899 , cresceu aprendendo as nuances politicas do primo Coronel João Jázimo de Oluveira Pinto, este, falecido em Março de 1927, já tendo dado continuidade do primo e sogro Coronel Antonio Ferreura Pinto.. os Anaia da historia politica potiguar registram que as duas maua antigas Oligarquias politico-familuares do RN foram a dis ALBUQUERQUE MARANHÃO (Desde o período Holandês – 1630-1654, e a da família Pinto – 1817-1962, com ramificaçõea em Mossoró (Vide Prefeito Luiz Colombo Ferreira Pinto (1927-1928). Com a prematura morte do Prefeito Rodolfo Fernandes no Rio de Janeirio, angustiado com a descoberta da trama urdida nos bastidores pelo trio satânico Tilon Gurgel e seu cunhado Felipe Guerra, e seu Compadre Jerônimo Rosado).

  4. Marcos Pinto. diz:

    A respeito da zigarquia político-familiar PINTo, vide Livro ” ROTEIROS DA ZONA OESTE” – Autir : Historiador Raimundo Nonato da Silva – Coleção Mossoroense”. Ano 1966.

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