“Eu não tenho paredes, só tenho horizontes”.
Mario Quintana
Jornalismo com Opinião
“Eu não tenho paredes, só tenho horizontes”.
Mario Quintana
A família Fernandes Freire comunica a todos os amigos o falecimento de Sérgio de Souza Freire, fato que ocorreu hoje (26.8.2019) à tarde no Hospital Wilson Rosado.
O velório acontece na Capela da São Vicente, desde as 21h de hoje (26.08) e o sepultamento no Cemitério São Sebastião, amanhã (terça-feira, 27.08) às 16h30.
A família agradece todas as manifestações de solidariedade e carinho de todos os familiares, amigos e conhecidos.
Esposa Gorete Fernandes Freire; seus filhos: Sérgio Freire, Karenine Fernandes Freire e Carol Fernandes Freire; e netos Renata, Lucas, Maria, Sérgio e Victor.
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A governadora Fátima Bezerra (PT) apresenta, na manhã desta terça-feira (27), às 9h, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o Projeto de Lei Moto Legal.
Tem por objetivo incentivar a regularização da transferência de propriedade e do licenciamento de motocicletas, motonetas ou ciclomotores de até 155cc.
O assunto tem gerado muita polêmica, a ponto do Ministério Público do RN (MPRN) ter aberto procedimento preparatório para apurar, em caráter preliminar, “possível inobservância do princípio do respeito ao ordenamento jurídico.”
No entendimento do MP, interesses políticos estão se sobrepondo à legislação de trânsito.
Leia também: Interferência política no trânsito leva MP a interpelar governo.
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Do Território Livre, Blog Carlos Santos e outras fontes
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu suspender os efeitos da Lista Tríplice que concorre à vaga de Desembargador pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-21).
Um dos concorrentes na lista sêxtupla, advogado Eduardo Rocha, provocou o CNJ, apontando que o presidente do TRT-21, Bento Herculano, não poderia votar, haja vista relações próximas e interesses convergentes com um dos nomes concorrentes, o de Marisa Almeida.
O CNJ amparou seu arrazoado. Concedeu liminar nesta segunda-feira (26).
Eduardo Rocha acabou sobrando da lista tríplice depois de um desempate, que gerou a judicialização.
Marcha à ré
O advogado Marcelo Barros, mais votado da lista sêxtupla, foi eleito como o primeiro nome da nova lista. A advogada Marisa Almeida foi escolhida para a segunda vaga da lista e o advogado Augusto Maranhão foi o terceiro nome.
O pleito no pleno do TRT-21 aconteceu no dia 15 deste mês (veja AQUI). A lista deveria seguir para o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e, depois, para ao Ministério da Justiça que encaminhará os nomes para a escola do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Agora, houve uma marcha à ré.
Nota do Blog Carlos Santos – Situação embaraçosa para o TRT 21. Poderia ter evitado esse mal-estar. Na verdade, os vocábulos “embaraçosa” e “mal-estar” são generosidades do Blog.
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Do Mossoró Hoje, Blog Carlos Santos e outras fontes
O juiz Osvaldo Cândido da Silva Junior, da Comarca de Pau dos Ferros, decretou a prisão preventiva do empresário Francisco Gladyson Jácome de Abrantes Sarnento (Gladyson de Chico do Bar). Ele é natural de Tenente Ananias-RN, mas com residência no Edifício Portal do Sol, Centro da cidade de Sousa-PB.
Ele provocou um gravíssimo acidente na BR-405 no sábado (24) à noite, à altura do município de José da Penha, que resultou em cinco mortes. Segundo relatos preliminares, Gladyson pilotava uma picape Hilux, ano 2019, placas QGU 4J65, cor branca, quando bateu em três motos, resultando nessa tragédia.
Morreram Edimar Lima Morais, 40; José Loíde Fontes Rego, 58; Kleverson Ryan de Almeida Araújo, 18; Fernando Fernandes Fontes, 22; e Fabrício Gonçalves da Costa, 16. Esses dois últimos faleceram já em atendimento hospitalar. Os outros três, no local.
A versão corrente, é de que Gladyson já tinha provocado um acidente em Uiraúna-PB (limite/divisa) com o Rio Grande do Nortes, mas sem vítima fatal. A Hilux bateu em uma árvore na Avenida José Leonam Fernandes, em frente ao Hospital Velho.
Fuga e mortes
Em fuga, entrou no RN (município de Luís Gomes) usando a 405.
Passou por Major Sales e em seguida colidiu com três motos (com cinco ocupantes) em José da Penha, num trecho conhecido como Sítio Alto da Baixa do Fogo, região do Alto Oeste do RN. Três pessoas morreram no local e Gladyson perdeu controle da picape, que desceu a pista. Ele abandonou o veículo e fugiu.
O delegado Paulo Pereira, do plantão da Polícia Civil de Pau dos Ferros, tão logo soube do acidente, já iniciou as diligências, apurando o que teria ocasionado e as consequências.
O fato foi comunicado à Justiça, que emitiu um pedido de prisão preventiva para o acusado Gladyson, que fugiu (abandonou o carro) do local do acidente sem prestar socorro as vítimas.
De posse da ordem judicial, os policiais civis realizam diligências em vários endereços de Gladyson, não tendo o encontrado.
Versão
O advogado Ozael Fernandes, contratado para defender o empresário dos segmentos de pneus e variedades em atacado, disse neste domingo (25) ao Blog do Levi que “Gladyson de Chico do Bar”, como é conhecido, deixou o local temendo ser linchado e que vem dando toda assistência aos familiares das vítimas.
Também lançou dedução de que as vítimas estavam em motos com faróis apagados e sem equipamentos de segurança.
Quanto ao acidente em Uiraúna, ninguém se feriu, mas mesmo assim Francisco Gladyson foi agredido por um filho de uma mulher conhecida como “Dona Graças”, e perseguido por dois motociclistas.
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O ex-prefeito de Macau, Flávio Vieira Veras, deve devolver R$ 95 mil aos cofres públicos. A recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).
Está publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e indica que o atual prefeito – Túlio Lemos (PSD) – promova a execução judicial da condenação de ressarcimento ao Erário imputada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) ao ex-gestor do Município.
Um Procedimento Preparatório instaurado pela Promotoria de Justiça da comarca detectou a existência de acórdão da Corte de Contas, o qual condenou o antigo prefeito de Macau a ressarcir o erário pela omissão da prestação de contas de convênio.
Na publicação do DOE, o MPRN reitera que os agentes públicos responsáveis pela representação e consultoria judiciais do Estado e do Município podem ser responsabilizados por ato de improbidade administrativa, caso se omitam. O atual prefeito tem 30 dias para informar o MPRN sobre as providências adotadas.
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A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou agora à tarde, na Governadoria em Natal, a venda da folha de pagamento dos servidores ao Banco do Brasil. A negociação foi tratada em negociação feita com a diretoria executiva nacional.
O montante do negócio chega a R$ 251 milhões por cinco anos, cerca de R$ 100 milhões a mais que o valor oferecido pela Caixa Econômica Federal (CEF).
Desse montante, R$ 102 milhões serão destinados ao pagamento da dívida com o Banco do Brasil referente aos empréstimos consignados e R$ 23 milhões de pro rata (em proporção) do período de janeiro a abril de 2020.
O valor restante (R$ 123 milhões) será recebido pelo Estado em dezembro, a ser somado com novas negociações que visam o quitamento dos salários atrasados deixados pela gestão anterior.
Com isto, a Secretária de Administração Vírginia Ferreira anunciou que, a partir de setembro, estará liberado o empréstimo consignado pelo Banco do Brasil, com uma carência de seis meses. Ou seja, o servidor só começa a descontar as parcelas a partir de fevereiro do próximo ano.
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O Fórum dos Servidores do RN participa amanhã (terça-feira, 27), às 15h, de audiência com o Governo do Estado.
O encontro será realizado no Centro Administrativo, em Natal.
A audiência terá como principais pontos de discussão a urgência no pagamento dos salários em atraso e realização de concurso público para as diferentes instituições do estado.
Também é cobrado reajuste de 16,38%, igual ao já recebido por outras categorias do estado e garantia de condições de trabalho para os trabalhadores do Rio Grande do Norte.
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Servidores da Estratégia Saúde da Família (ESF) vão finalmente ser recebidos pela prefeita Rosalba Ciarlini (PP).Ufa! A confirmação foi dada pela chefe de Gabinete da municipalidade, Fernanda Kallyne.

Profissionais foram em bloco à sede da municipalidade cobrarem confirmação de audiência (Foto: cedida)
Ela recebeu nesta segunda-feira (26), numeroso grupo de profissionais que integram esse programa. Eles esperam há meses serem recebidos pela prefeita, para tratarem de perdas salarias que se acumulam há 12 anos.
A audiência já foi pré-agendada uma vez para o dia 13 deste mês, adiada para o dia 27 (amanhã) e, agora, salta para o dia 11 de setembro próximo.
Kallyne disse à delegação do ESF, que no dia 11 haverá apresentação de estudos sobre impacto financeiro e possibilidades de atendimento à demanda.
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Por Josias de Souza (UOL)e G1
Jair Bolsonaro (PSD) reagiu com um ruidoso silêncio à manifestação que seus simpatizantes fizeram. Foi a terceira incursão dos bolsonaristas às ruas desde o início do governo.
Dessa vez, Bolsonaro e seu clã tomaram distância do meio-fio. Há método no silêncio.
Bolsonaro e o pedaço do asfalto que lhe é fiel passaram a trafegar em faixas opostas.
O presidente frita Sergio Moro, gruda em Deltan Dallagnol a pecha de esquerdista, hesita em vetar artigos da lei de abuso de autoridade. Tudo isso e mais a proximidade com Dias Toffoli.
A rua enaltece Moro, sonha com Deltan na Procuradoria, pede o veto integral à lei anti-Lava Jato. E ainda exige o impeachment de Dias Toffoli.
Manifestações
Ontem, manifestantes vestindo verde e amarelo se reuniram em 46 cidades de 21 estados mais DF para protestar contra a lei de abuso de autoridade.
Os protestos, convocados pelo Vem pra Rua, pediram, por exemplo, a indicação de Deltan à Procuradoria-Geral da República. (G1)
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Sábado (24) foi em Apodi e Currais Novos, eventos da Juventude do MDB e Escola da Assembleia Legislativa; domingo (25), Mossoró, em visita à Liga de Mossoroense de Estudo e Combate ao Câncer (LMECC).
Em dois dias, em cidades estratégicas do Oeste, o presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira (PSDB), seguiu rotina que tem empreendido como se estivesse em campanha.
Está, sim.
Mira cadeira ao Senado.
Ezequiel surfa num enorme vácuo de lideranças e fragilização de forças tradicionais do RN, abaladas nas urnas de 2018. Ele é um sobrevivente e um dos nomes mais influentes da atual fase da política potiguar.
Sonhar com o Senado não é descabido.
O campo está aberto e ninguém tem superpoderes. Ele tem a força, que será muito testada até lá.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), esteve nesse domingo (25) em Mossoró. O parlamentar conheceu as instalações da Liga Mossoroense de Estudo e Combate ao Câncer (LMECC), referência no tratamento oncológico na região Oeste potiguar.
A diretoria da Liga enfatizou a importância da unidade obter credenciamento para cirurgia pediátrica e oncológica. A medida possibilitará estender os serviços na região, melhorando a assistência no que diz respeito ao tratamento e também reduzindo o deslocamento de pacientes para outras unidades.
Apenas no primeiro semestre de 2019, a LMECC realizou mais de 4,5 mil atendimentos de quimioterapia. A instituição é formada pela Casa de Saúde Santa Luzia e Hospital da Solidariedade. As unidades atendem usuários de 64 municípios da região.
Acompanharam a visita os vereadores de Mossoró, Sandra Rosado (PSDB), João Gentil (sem partido), Alex do Frango (PMB), Genilson Alves (PMN), Aline Couto (Avante), Zé Peixeiro (MDB) e Maria das Malhas (PSD), além da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSDB) e ex-vereador Jório Nogueira (PSD).
“É a diferença de opinião que preserva o mundo de sucumbir.”
G.K. Chesterton
Por Jaime Rubio Hancock (El País)
No Twitter (e nas demais redes sociais) têm mais sucesso as mensagens que apelam às nossas emoções. Um novo estudo mostra que não somente nos sentimos mais impulsionados a compartilhar esses tuítes, como além disso as palavras que se referem às emoções e à moral captam mais nossa atenção do que as neutras.
O trabalho dos psicólogos Ana P. Gantman, William J. Brady e Jay Van Bavel mostra que os termos que apelam ao que acreditamos que é bom ou ruim “são particularmente efetivos no momento de captar nossa atenção”. Isso, como escrevem em um artigo publicado na revista Scientific American, “pode ajudar a explicar a nova realidade política”.
Na primeira experiência de seu trabalho, foram mostrados aos participantes tuítes fictícios com diferentes tipos de palavras usadas como hashtags: as referidas à moral (“crime”, “piedade”, “direito”), à emoção (“medo”, “amor”, “choro”) e às duas coisas ao mesmo tempo (“abuso”, “honra”, “despeito”) captavam mais atenção do que as neutras.
Além disso, também examinaram quase 50.000 tuítes reais sobre três assuntos: o controle de armas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a mudança climática. Os mais compartilhados tendiam também a incluir termos emocionais e morais. De fato, e de acordo com outro estudo anterior dos mesmos autores, é pelo menos 20% mais provável compartilharmos um tuíte se contém uma palavra dessa classe.
Os autores alertam que esse não é o único motivo que explica o sucesso de uma publicação. Por exemplo, o fato de que está sendo muito compartilhada e já seja muito popular pode fazer com que seu sucesso aumente ainda mais.
O papel das emoções nas redes sociais já era conhecido, ainda que isso não tenha evitado que sejam usadas para nos manipular (ou tentá-lo) com boatos, mensagens políticas extremamente partidarizadas e provocações.
Jonah Berger, professor da Universidade da Pensilvânia, explicou em seu livro Contagioso, de 2013, que as emoções que nos impulsionam em maior medida a compartilhar conteúdos na Internet estão ligadas ao espanto. Pode ser pela parte negativa, como a indignação por um fato reprovável que nos surpreende, como em sua vertente positiva, como o humor.
A neurocientista norte-americana M. J. Crockett revisou recentemente na revista Nature Human Behavior os últimos estudos sobre o assunto, lembrando que nas redes encontramos mais ações que nos parecem censuráveis do que em pessoa. Talvez um dia vejamos um vizinho que não recicla e constatamos com aborrecimento que o prefeito colocou outra rotatória caótica, mas nas redes podemos encontrar inúmeros erros e más ações de qualquer parte do mundo sem sequer sair do sofá.
Além disso, é mais fácil mostrar nossa indignação: não temos que discutir com nosso vizinho, nos manifestar nas ruas e escrever uma raivosa carta à diretoria do jornal, basta retuitar.
Tudo isso não precisa ser negativo: a indignação pública também tem benefícios à sociedade, ao permitir que todos nós possamos castigar ou pelo menos recriminar comportamentos censurados pela maioria (como a corrupção), além de reforçar nossa adesão a uma causa e grupo social com o qual nos identificamos.
Mas tem riscos, como aponta Crockett. Pelo menos três: primeiro, a possibilidade de que nossa participação em movimentos cívicos e sociais seja menos significativa. Já não precisamos cooperar como voluntários e fazer doações, nos satisfazemos somente retuitando.
Segundo, também diminui o nível da indignação: como é fácil nos indignar, pode chegar um momento em que não distinguiremos entre as ofensas reais e as coisas que nos são somente desagradáveis. Para dar um exemplo próximo: é realmente tão indignante que uma conta anônima e quase sem seguidores do Twitter publique piadas ouvidas milhares de vezes sobre Carrero Blanco?
Terceiro, nossas opiniões tendem a se polarizar. As próprias redes permitem que nos agrupemos em câmaras de eco com audiências semelhantes. E, como escreve o psicólogo Jonathan Haidt em A Mente dos Justos, nos unimos a “equipes políticas que compartilham narrativas morais”. Ou seja, o famoso filtro bolha de Eli Pariser.
Por fim nos acostumamos a falar a um público com o qual concordamos, procurando principalmente “recompensas de reputação” ou, nas palavras de Berger, “divisa social”. Ou seja, queremos ganhar pontos com os nossos, não iniciar uma conversa.
Isso faz com que a troca de opiniões com pessoas que pensam diferente (e que simplesmente se enganaram) seja midiatizada (e caricaturizada) por outros membros do grupo. Como escreve o professor de Direito da Universidade Harvard Cass Susstein em seu livro #Republic, as conversas profundas que cruzam barreiras ideológicas são extremamente escassas nas redes sociais.
Consequentemente, corremos o risco de ver os outros como pessoas malvadas e estúpidas em vez de, simplesmente, como pessoas que opinam que há outra maneira de se fazer as coisas que não coincide com o que nós consideramos mais adequado.
Além disso, essas mecânicas nos fazem mais vulneráveis à manipulação: é fácil provocar uma onda de indignação com o objetivo de potencializar uma polarização que o político e o grupo da vez consideram benéfica aos seus interesses, como diz Susstein. De fato, é um dos motivos que ajudam a entender que Donald Trump dedique tanto tempo ao Twitter, diz o linguista George Lakoff. Soltar uma barbaridade nessa rede social o ajuda a marcar o debate: não importa que as mensagens sejam de apoio ou contrárias, seu objetivo é simplesmente pautar a agenda e o faz provocando a indignação e o confronto. Seu caso não é único, evidentemente.
O panorama parece desolador, mas os autores do estudo apontam algumas questões que dão um certo otimismo.
De entrada, ainda que se costume prestar atenção à indignação e à manipulação, pelo perigo que significam, somos movidos tanto pelas emoções negativas como pelas positivas. A experiência não oferecia somente etiquetas como “inimigo”, “ódio” e “vergonha”, e sim também “bom”, “herói” e “honra”. De fato, em seu artigo dão o exemplo real da difusão da hashtag #lovewins em 2015: o dia em que os Estados Unidos legalizaram o casamento homossexual em seus 50 Estados, a hashtag teve mais de 2,5 milhões de mensagens no Twitter.
Uma segunda questão é que entender como as emoções nos motivam (indignação incluída) pode nos ajudar a parar segundos antes de compartilhar e tuitar certos conteúdos.
Chris Wetherell, o programador do botão de retuitar no Twitter, introduzido em 2009, se manifestou de maneira semelhante. Recentemente falou sobre essa inovação, afirmando que “provavelmente demos uma arma carregada a uma criança de 4 anos”. Antes era preciso escrever esse RT à mão, o que nos dava alguns segundos para refletir sobre o que iríamos compartilhar.
Em seu editorial da publicação de setembro a Scientific American sugere imaginar que ao lado do botão de retuitar há um botão de pausa. Clicar nele poderia nos servir para pensar se estamos respondendo a um tuíte que somente quer causar barulho, se vale a pena ler o artigo e não somente a manchete, e se só queremos ficar bem diante de nossos amigos e seguidores, demonstrando-lhes que, mais uma vez, somos os bonzinhos.
Precisamos imaginar esse botão porque o Twitter dificilmente o incorporará. Como disse a jornalista Delia Rodríguez, “se a essa altura as plataformas não desenvolveram redes menos nocivas é pela mesma razão pela qual as fábricas tabagistas não criaram cigarros de plantas medicinais. Vai contra a própria essência de seu negócio”. Quanto mais conteúdo publicarmos e compartilharmos, melhor para elas. Mesmo que nos custe uma úlcera.
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Por Paulo Linhares
Que têm a ver Érico Veríssimo e Elino Julião? Por desconcertante que isto possa ser para alguns, muitas coisas os unem, a partir da plataforma comum de que ambos foram artistas, no sentido mais profundo e legítimo dessa palavra. O primeiro, escritor gaúcho e um dos maiores romancistas da literatura brasileira.
Um dos belos romances de Veríssimo, de sua fase mais madura, “O Senhor Embaixador”, narra o livro a vida na republiqueta fictícia de Sacramento, um estado-ilha latino-americano, tendo como personagem central o embaixador desse pequeno país nos Estados Unidos da América, o velho militar Gabriel Heliodoro que é íntimo do sanguinário ditador de Sacramento.
À frente de numerosa família, Gabriel rompe com a esposa Franscisquita e família, indo viver a aventura de um duplo romance ao lado de uma amante glamourosa, a sua conterrânea Rosalia Vivanco, e de Frances Andersen, americana branca, loira, fútil e rica.
Na trama, faz contraponto com o corrupto e dissoluto embaixador Gabriel, o jovem Pablo Ortega, secretário da embaixada, com menos de 30 anos, filho e neto de revolucionários que, apesar de hostil à ditadura de seu país, mantém um relacionamento de amizade com aquele. Outras personagens comparecem num cenário de muitas tramas individuais, além de um movimento revolucionário que abala Sacramento. Enfim, uma excelente obra literária de Veríssimo conhecido pelas personagens complexas, a riqueza com que são construídas suas as tramas.
Por seu turno, Elino Julião, foi um dos mais notáveis compositores da música nordestina, do estilo “baião” tornado célebre por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos e Sivuca, entre outros. A lembrança aqui focaliza uma canção de autoria de Julião, um dos seus grandes sucessos, “Filho de Goiamum”, naquela estrofe primeira que diz: “É filho de guaiamum/ É filho de guaiamum/ Todo mundo tem um pai/ E eu não tenho um (…)”.
E o que isso tem a ver com o “Senhor Embaixador”? Quase tudo! Ora, o presidente Bolsonaro tem mostrado uma inequívoca propensão autoritária no comando do governo da República, quando trata com enorme e não menos irresponsável desdém importantes instituições jurídico-políticas e valores fundamentais das sociedades civilizadas.
A sua insistência em entronizar o filho Eduardo Bolsonaro no posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América tem dado azo a inacreditáveis bizarrices. Exemplo disso foi o que disse o presidente em entrevista à jornalista Leda Nagle, quando defendeu que se o novo embaixador do Brasil em Washington “tem que ser filho de alguém, então por que não pode ser o meu?”.
Uma coisa é certa: filho de goiamum não pode ser embaixador; é sempre filho de alguém, sobretudo, “filho d’algo” como se dizia antanho, que se torna embaixador. O problema é que Eduardo Bolsonaro, a despeito de ser o deputado federal que obteve maior votação em 2018 e de ser o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, teima em ser o embaixador do Brasil em Washington.
Ora, o nosso primeiro embaixador nos EUA foi nada mais nada menos que Joaquim Nabuco; depois, manteve-se a tradição de manter naquele posto diplomático os melhores quadros do Itamaraty. Enfim, ser embaixador dor Brasil nos States não é tarefa para amadores, sobretudo, para quem fala um inglês macarrônico e cuja maior experiência naquele país foi fritar desqualificados hamburgers, se é que estes podem ser tidos como comida aceitável.
Fato é que o ônus do presidente Bolsonaro para entronizar o seu polêmico filho Eduardo na embaixada do Brasil em Washington é enorme. Além de ser essa investidura contrária à tradição da diplomacia brasileira, constituiria inequívoco caso de nepotismo.
Mais grave é que, na obrigatória sabatina de Eduardo Bolsonaro no Senado Federal, dificilmente será aceita: em números atuais, o jovem Bolsonaro obteria míseros 14 votos num universo de 81, o que deixa claro que ninguém de juízo gostaria de ver no posto mais importante da diplomacia brasileira alguém inexperiente e, o pior, claramente um sabujo das reinações de mister Trump. Nos últimos dias, o presidente Bolsonaro tem mostrado cansaço nessa empreitada: fazê-lo o senhor embaixador do Brasil em Washington pode representar um enorme e desnecessário desgaste.
Enfim, o menino Bolsonaro não deve ser o nosso embaixador em Washington. Se o pai, tiver algum juízo. Se mantiver o fantástico argumento de que, repita-se, “tem que ser filho de alguém, então por que não pode ser o meu?”, deverá sofrer grande derrota política.
Vai o presidente Bolsonaro bancar isso? Talvez não, aliás, já dá mostras de que mandar o seu serelepe filho para babar o alaranjado Trump implica incompensáveis ônus políticos. O Brasil não precisa desse canhestro senhor embaixador, mesmo que não seja um reles filho de guiamum. É mais da conta!
Paulo Linhares é professor e advogado
Por Odemirton Filho
No Brasil contemporâneo não é fácil filtrar as informações que chegam pelas redes sociais e outros veículos de comunicação.
A sociedade é bombardeada, diuturnamente, com notícias de todos os tipos, violência, carência de serviços públicos, o fraco desempenho da economia, o desemprego, a política do país e os fatos do cotidiano.
O ambiente político, sobretudo, é useiro e vezeiro em produzir notícias, muitas vezes destituídas de verdade, as chamadas fake news.
O que se almeja, na maioria dos casos, é construir ou destruir reputações de algumas pessoas ou esconder a realidade. Tudo para defender ou achacar esse ou aquele político.
Assim, a sociedade fica à mercê de notícias infundadas, que escondem a verossimilhança dos fatos.
Desde a campanha passada, ou, talvez, desde sempre, o brasileiro se ver em uma guerra de informações de todo o tipo.
Atualmente, na era da internet, muitos compartilham notícias falsas, não se dando ao trabalho de verificar a sua autenticidade.
No Brasil existem notícias para todos os gostos e desgostos. Se há um alinhamento à direita, defende-se, com fervor, as ações do seu político de estimação.
Ao contrário, se o viés é à esquerda, de igual modo, incensa-se as atitudes dos seus ídolos.
Nesse fogo cruzado, se o cidadão não coaduna com nenhuma tendência político-partidária fica órfão da verdade.
É certo que não se pode cobrar isenção de quem escreve ou ler algum texto, pois, como dizia o filósofo, “não há fatos, apenas interpretações”, haja vista todos terem o seu ponto de vista ou tendência ideológica.
Todavia, é imprescindível que o cidadão comprove a veracidade da informação fazendo consulta a várias mídias, além de analisar o contexto dos fatos.
Nos últimos dias as informações sobre o que está acontecendo na Amazônia viraram um cabo de guerra.
Dados, estatísticas, fotos de animais, da devastação, das queimadas, enfim, tudo que possa subsidiar a opinião daqueles que vivem a se digladiar nas redes sociais.
Para agravar, o presidente da República insiste em colocar lenha na fogueira, no intuito de tornar o ambiente político-eleitoral cada vez mais beligerante e polarizado.
E, o pior, seja verdade ou não a extensão dos danos causados à floresta o mundo inteiro presencia esse espetáculo deprimente.
Por fim, não é novidade, o filme do Brasil, junto com a fauna e a flora, anda queimado há tempos.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
Por Josivan Barbosa
No último dia 09 de agosto aconteceu o primeiro Seminário do Turismo de Felipe Guerra. O encontro contou com a brilhante participação dos principais expoentes da Secretaria Estadual de Turismo, representantes do Governo Municipal e da Assembleia Legislativa e teve, ainda, uma expressiva participação da sociedade local, envolvendo microempresários e ONGs e a comunidade em geral (veja AQUI).
O foco do evento foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Pedra de Abelha ou outro modelo jurídico que venha a ser adotado para o parque de cavernas, cachoeiras e o Lajedo de Felipe Guerra.

Caverna do Crote, fotografada por Canindé Soares, é um dos espaços à espera de exploração sustentável em Felipe Guerra
A criação de Unidades de Conservação (UC’s) tem sido o principal instrumento para a manutenção da biodiversidade, tendo se mostrado eficiente e necessária até que a sociedade seja capaz de gerenciar os recursos naturais de maneira sustentável. As primeiras UC’s foram criadas durante o século XIX objetivando preservar paisagens de relevante beleza cênica para as futuras gerações, mas foi durante o século XX que este instrumento se popularizou devido ao conhecimento das altas taxas de extinção de espécies, resultando na criação da maioria das áreas protegidas atualmente existentes.
APA Pedra de Abelha II
Áreas como essas cavernas, cachoeiras e lajedos de Felipe Guerra apresentam severas dificuldades quanto à definição de estratégias de conservação em virtude da fragilidade intrínseca dos sistemas, que dependem da permeabilidade hídrica, e das distintas características da biodiversidade associada. A presença de espécies com alto grau de endemismo, com especializações evolutivas ao sistema subterrâneo, em geral dependentes da importação de recursos do ambiente epígeo e que apresentam uma elevada sensibilidade a flutuações climáticas ambientais, são alguns dos fatores que indicam a fragilidade destas comunidades.
APA Pedra de Abelha III
Esta área que representa a maior concentração de cavernas do Estado, 496 (de acordo com o CMBio) nos municípios de Felipe Guerra, Governador Dix-Sept Rosado e Caraúbas, permanece fora de áreas protegidas. A área apresenta ainda o patrimônio espeleológico com a maior relevância no RN. Portanto, precisamos nos unir e acelerar o processo de transformação da área num modelo jurídico adequado e que seja um catalisador do turismo regional, trazendo benefícios para a população local e tornando o município de Felipe Guerra como diferenciado na atração de turistas.
APA Pedra de Abelha IV
Nesse sentido já há um importante artigo científico publicado com o objetivo de apresentar a proposta de criação de uma UC Federal, a Área Proteção Ambiental (APA) Pedra de Abelha, visando à conservação e uso sustentável do patrimônio espeleológico da região. No artigo são apresentados uma caracterização da área e compilação das informações atualmente disponíveis sobre o patrimônio espeleológico ali existente, um levantamento dos impactos, atuais e potenciais, aos quais esse patrimônio está exposto, a relevância da área frente ao atual cenário da conservação da Caatinga e do patrimônio espeleológico e, por fim, o trabalho mostra a área proposta para a criação da UC e as justificativas da escolha do grupo e categoria de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.
APA Pedra de Abelha V
No artigo científico (veja referência no final da coluna) é revelado que são conhecidas atualmente 496 cavernas na área da proposta, sendo 354 em Felipe Guerra, 125 em Governador Dix-Sept Rosado e 17 em Caraúbas, totalizando 52,3% das cavernas conhecidas no RN.
Caverna Catedral no Lajedo do Rosário em Felipe Guerra, uma atração turística pouco explorada (Foto: Fernando Chiriboga)
Os atributos biológicos elevam a maioria das cavernas à relevância máxima: 24 podem ser consideradas habitats de troglóbios raros, endêmicos ou relictos. Em Felipe Guerra: gruta dos Troglóbios, caverna dos Crotes, gruta dos Três Lagos, caverna da Rainha, caverna Abissal, gruta da Carrapateira, caverna da Rumana, caverna do Complexo Suiço, Lapa I/Engano, caverna da Seta, caverna do Chocalho, caverna do Urubu, caverna do Pau, gruta do Geilson, caverna da Descoberta, caverna do Trapiá e caverna Boa. Em Governador Dix-Sept Rosado: gruta da Boniteza, gruta da Capoeira de João Carlos, caverna do Marimbondo Caboclo, caverna da Água, gruta do Poço Feio, caverna Boca de Peixe e caverna do Lajedo Grande.
APA Pedra de Abelha VI
O artigo científico mostra ainda que em relação a impactos em função de visitação desordenada até o momento não foi identificada na área da proposta nenhuma caverna com turismo sistemático, ocorrendo apenas visitação esporádica e na quase totalidade dos casos realizada por pessoas das comunidades próximas às cavernas.
Em função disso, apenas quatro cavernas (0,8%) apresentam impactos causados por visitantes: a gruta dos Três Lagos e a caverna da Catedral, em Felipe Guerra, e a gruta do Poço Feio e a gruta do Cabaré, em Governador Dix-Sept Rosado. Apesar do pequeno número de cavernas, com exceção da gruta do Cabaré todas as outras são de relevância máxima, o que torna necessárias medidas urgentes visando à conservação das cavernas e entorno.
APA Pedra de Abelha VII
Finalmente o referido artigo mostra que a criação da APA Pedra de Abelha resultaria em um acréscimo de 26,75% na área oficialmente protegida no Estado, percentual que se elevaria a quase 94% se considerados apenas ambientes terrestres. Considerando apenas a área protegida sob regime federal o acréscimo seria de 165,5%, mas o enorme ganho seria para a conservação do Bioma Caatinga, já que a área oficialmente protegida sextuplicaria (aumento de 604,4%).
Isso, no entanto, apesar de ser um enorme avanço, mostra o quanto o bioma permanece esquecido no que se refere à conservação já que a área de Caatinga protegida representaria apenas 2,25% da área de ocorrência do bioma no RN.
Fonte: ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL PEDRA DE ABELHA: PROPOSTA PARA A CONSERVAÇÃO DA MAIOR CONCENTRAÇÃO DE CAVERNAS DO RIO GRANDE DO NORTE
Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa)
Por Inácio Augusto de Almeida
Maurílio passara em frente ao Grêmio Mossoró, mas não entrara. Sabia que lá dentro só estavam os carteadores. A turma do bilhar nunca comparecia pela manhã. E como o Grêmio aos domingos só funcionava até o meio-dia, o médico resolveu ir papear no barzinho do Carlos, como sempre fazia quando não ia a Tibau, a exemplo da metade da população de Mossoró.
Nas manchetes dos jornais espalhados pela calçada de forma ordenada, leu que Jânio Quadros prometia varrer a corrupção do país. Riu, discretamente, intimamente, riu. A dúvida era se ria do Jânio ou de si mesmo. Mas tinha certeza de que alguém estava pensando que alguém era ingênuo.
Enquanto atravessava a rua observou que, no átrio da igreja, algumas pessoas papeavam.
– Maurílio, Maurílio!
Era Conversinha com aquele seu jeitinho insinuante e agradável. Sentiu que não escaparia de algumas cervejas.
– Viu as manchetes, Conversinha?
– A do O INDEPENDENTE eu li.
– E você acredita que ele consiga?
– Há, há, há.
– Tá rindo de quê?
– Da sua pergunta, há,há,há.
– Você é mesmo um gozador.
– Eu? Ou você que tá querendo zombetear…
– Vai uma cerveja?
– Claro, claro.
A garapeira do velho Guará estava fechada. Ele nunca a abria aos domingos. Quem gostava disto era o Pelado, pois assim podia ir dar o seu mergulho nas águas quentes de Tibau. Durante toda a semana, Pelado era o incansável servidor de caldo de cana e pão semolina. Mas aos domingos, ninguém o afastava da praia.
-Veio tomar cerveja, Maurílio, ou tá querendo caldo de cana? Você não pára de olhar para a garapeira.
-Sabe, Conversinha, eu às vezes ainda me surpreendo com a solidariedade que existe entre os pobres. Você sabe que o Pelado, o Pelado do Guará.
Fez uma pausa. Engoliu um pouco de cerveja, como se quisesse recompor-se.
-Vai, continua. Eu sei quem é o Pelado. Todos em Mossoró conhecem-no.
Com este conhecem-no do Conversinha, numa conversa de beira de balcão regada a cerveja numa manhã de domingo, Maurílio trocou o ar sério, quase sorumbático, por um meio riso.
– Pois bem. O Pelado, um homem pobre, inculto, é capaz de atos fraternos, de atos fraternos, de atos solidários, coisa que muita gente que vive papando hóstias, pessoas ditas cultas, não são capazes de fazer.
– Maurílio, limpar hostiários não significa estar com Deus. E este tipos a que você se referiu como ditos cultos, na realidade são cultos. Muito cultos. Só que sensibilidade, amor ao próximo, bondade, não são coisas que se aprende lendo. Franz Kafka, Niccoló Machiavel, Michel de Montaigne ou Bernardo de Almeida, todos eles colocaram em suas obras a importância da solidariedade, da fraternidade, do amor. Mas isto não depende de quem escreve. Estes sentimentos são inerentes aos puros, aos de bom coração. Não, não se adquire estes valores através da cultura. Eles brotam de dentro, do fundo do coração.
Maurílio olhava para Conversinha de maneira respeitosa. Sabia das traquinagens que o jornalista fazia, dos “traços” que dava em alguns poderosos e vaidosos. Mas sabia também da bondade existente na alma daquele homem de menos de metro e meio de altura.
– Você tem razão, Conversinha. Enquanto o Pelado arrisca o emprego, a sobrevivência, para dar dois pães a quem só tem ficha pra um, por saber que ali está a primeira e talvez a única refeição de pobres meninos de rua, tipos ricos e cultos negam uma moeda a pedintes famintos.
– Maurílio, o domingo tá bonito, a cerveja tá bem gelada e já vai para quase dois mil anos que Cristo foi pregado numa cruz. A injustiça social vem desde que começou o mundo. Eu já estou é para fundar o PIS.
– PIS, Conversinha?
– Sim, Maurílio. O Partido da Injustiça Social. Uma coisa que já existe há tanto tempo, que todo mundo diz combater e que continua existindo, só pode ser uma coisa muito forte. Forte e boa para quem a quem pratica. E já tenho as palavras de ordem. Veja: pela exploração do homem pelo homem. Pela desigualdade social. Por aumento nas taxas de juros. Pela criança fora da escola. Por uma anistia ampla e irrestrita a todos os deslizes do colarinho branco.
– Deslizes, Conversinha?
– Deslizes, sim, Maurílio. Pobre é que comete crime. A turma do colarinho branco fica só no deslize. Deixe-me continuar, ou você não quer saber o restante do programa do nosso partido?
Esforçando-se para controlar o riso, Maurílio conseguiu dizer:
– Nosso, não. O seu partido.
– Meu ou nosso, vamos em frente. Por igrejas alternativas mais fortes e em maior quantidade. Pela manutenção dos privilégios e criação de novas castas. Pela acentuação da divisão de classes. E como ponto inegociável do nosso programa: a defesa do direito adquirido! Neste não admitimos que ninguém toque. Ninguém!
Maurílio ria a não mais poder. Chegava mesmo a curvar o corpo. Os seus olhos ficaram cheios de lágrimas, talvez de tanto rir ou, quem sabe, de constatar que tudo aquilo que o Conversinha falava acontecia realmente todos os dias e ninguém se tocava.
Olhou para Conversinha com uma enorme simpatia. Taí a razão de gostar daquele jornalista falante. E quando pensava em dizer alguma coisa, sentiu uma mão pousar no seu ombro.
– Na cervejinha, hein, Doutor. Vai ver o Conversinha já lhe fez dar umas boas risadas.
– Ainda não, Lopes. Hoje ele está mais para o trágico do que para o cômico.
Inácio Augusto de Almeida é jornalista
Dirigente do Democratas em Mossoró, a ex-prefeita Cláudia Regina está relativamente distante das conversas e eventuais articulações à formação de chapa oposicionista no próximo ano. Mas nem por isso, omite-se.
– “Se os egos derem espaço para um projeto coletivo, sim, é possível que a oposição vença as eleições municipais – opina em conversa com o Blog Carlos Santos.
A ex-prefeita tem direitos políticos suprimidos ainda em relação ao próximo pleito municipal (2020), devido cassação, porém afirma que “estamos de olho nos movimentos de pré-candidaturas a prefeito”.
Internamente, a prioridade é “a organização do partido, além de nominata, conversa com outras forças políticas.
– Estamos fazendo tudo sem alardes – sussurra.
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Do Globo Esporte e Blog Carlos Santos
A última rodada da Série C não poderia ter sido mais melancólica para os dois representantes do Rio Grande do Norte. Já rebaixado, o ABC venceu o Globo FC por 2 a 0 no Estádio Barretão neste sábado (24) e decretou a queda da equipe de Ceará-Mirim para a Série D.
É isso mesmo. Os dois estarão juntos na última divisão do Campeonato Brasileiro em 2020.
Os gols do Alvinegro foram marcados por Wallyson e Jefinho, ambos no segundo tempo.
O ABC terminou a Série C com 18 pontos, na nona posição. A campanha teve quatro vitórias, seis empates e oito derrotas. O Globo, que entrou na zona de rebaixamento apenas na penúltima rodada, acabou como lanterna, com 16 pontos. Foram quatro vitórias, quatro empates e 10 derrotas. O Treze, que empatou com o Botafogo-PB por 2 a 2, foi o primeiro fora do Z-2, com 19 pontos.
“Irregularidade”
Mas existe um fio de esperança para o ABC continuar na C, livre da Série D no próximo ano, onde já estão irremediavelmente o ABC e o América.
O ABC apresentou no Superior Tribunal de Justiça Desportivo (STJD) uma notícia de infração contra o Treze por uma suposta irregularidade do técnico Celso Teixeira.
Ele teria atuado no penúltimo jogo do time paraibano, mesmo estando suspenso por três jogos. Isso ensejaria perda de seis pontos do clube de Campina Grande, que seria o outro rebaixado, em vez do time natalense.
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O Projeto Coleção 70, desenvolvido pela Fundação Vingt-un Rosado, em comemoração aos 70 anos da Coleção Mossoroense, divulga a relação de vencedores do seu Concurso Literário.
A informação é passada pelo escritor Eriberto Monteiro, idealizador e atual editor da Coleção Mossoroense.
As categorias disponíveis para a disputa deste concurso foram: conto, crônica, poesia e trabalho jornalístico, tendo uma baixa participação popular.
Cada ganhador e os que foram agraciados com menções honrosas, receberão premiação na Noite da Cultura a ser realizado no dia 26 de setembro em comemoração ao aniversário de Vingt-un Rosado e da própria Coleção Mossoroense.
Veja abaixo:
1º lugar – Raimundo Lopes – Texto: Um parto diferente
2º lugar – Misherlany Gouthier – Texto: A Velha Ursa do Paraú
3º lugar – Thiago Galdino – Texto: Óleo sobre tela
1º lugar – Ângela Gurgel – Texto: Obras publicadas, sonhos realizados pela Coleção Mossoroense
2º lugar – Josselene Marques – Texto: A realização de um sonho;
3º lugar – Edilson Segundo – Texto: Jerônimo Rosado, o avô da Coleção Mossoroense
1º lugar – Gualter Alencar – Texto: 70 anos da coleção mossoroense de Vingt-un a Dix-sept Sobrinho;
2º lugar – Margareth Freire – Texto: Vingt-un;
3º lugar – Paulo Ricardo – Texto: Renascimento de uma Coleção.
Única participação – Francisca Anastasia – Coleção Mossoroense, um legado de Vingt-un para o mundo.
Mais informações na própria página da Fundação Vingt-un Rosado (veja AQUI), que mantém a Coleção Mossoroense como o maior movimento editorial sem fins lucrativo do Brasil.
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