domingo - 01/02/2026 - 09:30h

Quando o mar chamar

Por Bruno Ernesto

Foto do autor da crônica em março de 2025

Foto do autor da crônica em março de 2025

Você não acreditou, mas bem que eu avisei na semana passada (//blogcarlossantos.com.br/dona-mafisa/), e se ainda não se mexeu, corra! Dá tempo!

Prepare o balaio com flores, alfazema e decore a prece. Roupa branca e pés descalços na beira da praia, no quebrar das ondas ou no barco, amanhã é o dia de agradecer à Rainha do Mar. Nossa Senhora dos Navegantes também estará lá.

Se amanhã não conseguir ir ao mar, sete rosas brancas com os cabos cortados numa vasilha com água e perfume de alfazema resolve. Ofereça e agradeça mais do que pede ao seu orixá favorito, que jamais baixa a guarda.

Se você ainda não percebeu, registro que até um conhecido meu – que jura ser ateu – casou-se vestido com um puro linho branco e rosas brancas na decoração. A celebração no dia de Yemanjá foi mera coincidência.

Vá, vista-se de branco. Leve o balaio com flores e seu cachorrinho de estimação com você. Lance as flores ao mar como quem lança para ele correr e lhe trazer de volta. Ninguém desconfiará.

Se alguém questionar e insistir em dizer que não sabia que você também a reverencia, diga que foi mera coincidência. Que embora seja a primeira vez na vida que você faz isso e que não sabia que se agradece jogando flores ao mar, justifique que todos os anos você faz a mesma coisa. Ninguém perceberá.

Se lhe virem na procissão marítima com roupas brancas, diga que esqueceu onde estacionou o carro.

Acaso lhe flagrem jogando champanhe branca no mar, diga que está quente e que é melhor não estragar.

Lembre-se, quando o mar chamar, não tem quem não diga Odoyá.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM

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Categoria(s): Crônica

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