sexta-feira - 21/08/2009 - 00:57h

Rosalba Ciarlini – Política e Poder III (Segunda parte)

Fúria de Canindé Queiroz ajuda a fabricar vitória e um novo “mito” político

Depois da tempestade, a bonança. Mas Rosalba não se viu apenas diante de tormentas naturais, e trapaças da vida para colher a placidez adiante. O ano de 1996 é de redenção, mas com muitas chagas talvez insanáveis.

Dores torturantes.

Na condição de mais influente jornalista entre a metade dos anos 80 e os anos 90, em Mossoró, Canindé Queiroz – aquele mesmo que produzira a candidata Rosalba Ciarlini em “laboratório”, em 1988, entendeu de extirpá-la. Para ele, sua “criatura” se transformara numa “ratazana”. Era um “câncer”.

Aqui, reproduzo apenas dois conceitos jornalisticamente publicáveis – por este Blog.

Em essência, Canindé trovejava como um vulcão. Cuspia impropérios em quantidade diluviana. Rosalba era seu principal alvo.

A catilinária chocava e insultava. Desfigurava.

Talvez tenha sido o fator determinante na construção daquilo que queria destruir àquele tempo: Rosalba, o mito. Até aí, ele tem papel preponderante nesse enredo. Irado, passional, conseguiu o inverso do pretendido.

Graças à sua fúria, terminou fazendo da ex-prefeita o arquétipo da vítima, personagem ao gosto da massa acostumada a reagir guiada pelo inconsciente. É o "contágio emotivo", como os psicólogos sociais tratam o fenômeno.

O povão não costuma raciocinar. Age por impulsos.

Junte-se a isso, o desmanche do governo Dix-huit Rosado, além de adversários de peso inferior às exigências excepcionais da contenda tão complexa. Melhor, impossível.

Deparou-se com o engenheiro Valtércio Silveira (PMN), ex-secretário de Obras do próprio Dix-huit. Um estreante que tinha a obrigação de defender o indefensável.

Sandra Rosado

Confrontou-se com o economiário Jorge de Castro (PT), com um discurso ideológico, longe de ser digerido por uma sociedade de maria-vai-com-as-outras.

E, principalmente, a ex-prefeita bateu de frente com Sandra Rosado (PMDB), que personificava à ocasião, o substrato do radicalismo.

No dia 29 de junho de 1996, Rosalba e o ex-deputado estadual Antônio Capistrano (PSDB) eram homologados pela coligação Força do Povo para a disputa municipal. No mesmo dia Valtércio e Sandra também tinham suas respectivas convenções.

A Frente Popular, do PT, com Jorge de Castro, já promovera a sua dia 22.

O que se viu a partir daí foi uma das mais abjetas campanhas municipais da história de Mossoró. Um vale-tudo travado na mídia e nas ruas. Além do próprio campo judicial.

Rosalba apostou numa campanha fora dos debates e no corpo-a-corpo. Acertou. O papel de mártir lhe caiu bem.

Não faltou até um incidente rocambolesco nesse período. No dia 19 de julho, Carlos Augusto Rosado (PFL) chega de supetão à sede da FM Resistência (do grupo de Sandra Rosado) e chuta uma porta. Causa alvoroço. O episódio terminou no campo juedicial, além de rechear o disse-que disse da corrida eleitoral.

Mário Rosado, filho de Dix-huit Rosado, a pretexto de defender o pai e o seu governo, do qual passou a fazer parte como secretário, também mantinha seu bate-estaca verbal. Há muito seguia o estilo arrasa-quarteirão de Canindé.

A seu modo, com muito sacarmos, não deixava nada sem resposta e guerreava em todas as direções. Seu tio, professor Vingt-um Rosado, chegou a ponto de publicar uma carta no Diário de Natal, apelando ao irmão Dix-huit para que cancelasse o programa “Passando a limpo”, na Rádio Tapuyo:

– O inimigo mais cruel dos Rosado – assim Vingt-un denominou Mário no jornal, dia 5 de janeiro de 1996.

Ao final das eleições no dia 3 de outubro (cheia de conflitos e intervenções de forças federais), Rosalba despontou vencendo em todas as urnas. Impôs uma maioria acachapante sobre os adversários, conforme resultado final no dia 5.  

Veja abaixo os números da eleição:

– Rosalba Ciarlini – 57.407 (52.64%);
– Sandra Rosado – 26.118 (28.50%);
– Jorge de Castro – 4.878 (5.32%);
– Valtércio Silveira – 3.237 (3.53%);
– Bancos – 1.549 (1.69%);
– Nulos – 3.802 (…);
– Maioria pró-Rosalba de 31.289 (24.14%).

Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.

P.S – Antes de tomar posse no dia 1º de janeiro de 1997, para seu segundo mandato, Rosalba ainda acompanhou de longe dois acontecimentos inesperados: a morte do prefeito Dix-huit Rosado no dia 22 de outubro às 20h35 por complicações cardíacas e a posse de Sandra no dia seguinte, para mandato que durou até 31 de dezembro.

Foto – Canindé Queiroz (À direita, de barba) com o ex-ministro Ciro Gomes, em 1998 em Mossoró (Acervo do Blog do Carlos Santos). 

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Categoria(s): Blog

Comentários

  1. Fabio Valentim diz:

    Eu me lembro da maioria dessas estórias da campanha de 96! O Mário meu filho era um bordão que o povo gostava de repetir…

    Por onde anda Mário Rosado? O política cheia de chafurdo essa de Mossoró! Cada munguenga que aparece…rsrsrsrsrs

  2. Ronaldo Fernandes diz:

    Carlos Santos, parabéns pela séria de reportangens. Contudo, quanto a esta terceira parte, acho que faltou um pouco mais de detalhes quanto ao que levou esse radicalismo de Canindé Queiroz em relação a Rosalba. Se puder acrescentar algo, a posteriori, completará o brilhante enredo.

  3. Anna Alice diz:

    Minha sugestão é vc transformar essa série de reportagens em um livro sobre a “Política em Mossoró de 1988 aos dias atuais”. Acho que faltou mais detalhes do porquê da fúria de Canindé Queiroz com Rosalba. Não ficou claro por qual motivo ele se “rebelou”. Parabéns!

  4. FRANSUELDO VIEIRA DE ARAÚJO diz:

    Caro Carlos, simplesmente brilhante a narrativa dos fatos vivenciados por todos da provincia do país de mossoró ,e, por poucos realmente dimencionados, você, caro joranlista, não apenas possui um grande e farto material, mas sobretudo, possui a capacidade de saber utilizá-lo…. bom trabalho boa sorte e, que os seguidos e bem narrados acontecimentos se transformem num histórico livro para que os atuais leitores e a posteridade, tenham a real informação jornalistica diante dos fatos.

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.

    ADVOGADO.

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