domingo - 01/10/2023 - 10:46h

Extramuros

Por Bruno Ernesto

Cemitério de São Sebastião (Foto: Glauber Soares)

Cemitério de São Sebastião (Foto: Glauber Soares)

Trago na memória, desde tenra idade, a imagem do cemitério público municipal São Sebastião, localizado no centro de Mossoró. Desde sempre, passo diariamente em frente a ele. Várias vezes ao dia.

Tive a tristeza de ir me despedir de vários amigos que lá estão sepultados. Até visitei os túmulos algumas vezes tempos depois.

Falar da morte pode não soar muito bem para a maioria das pessoas. Penso que é um assunto que deve ser tratado com naturalidade. Porém, reconheço que quando ocorre próximo da gente, sempre cabe uma reflexão. Como disse Manoel Bandeira: “Tudo é milagre. Tudo, menos a morte.”

Na nossa tradição cristã, especificamente católica, até meados do Século XIX, ante a inexistência de cemitérios como estamos acostumados a ver hoje, os sepultamentos se davam nos adros.

Com o crescimento populacional e a ocorrência de epidemias e, por vezes, desastres, que passaram a vitimar mais pessoas num curto espaço de tempo, os adros já não mais comportavam as inumações como antes a tradição católica exigia. A partir de meados do Século XIX foram construídos os primeiros cemitérios nos moldes que ainda podemos ver, com túmulos ornamentados, alamedas, epitáfios e, por vezes, esculturas.

Com o passar do tempo, além do seu propósito, também passaram a ser local de grande expressão artística, aliado ao aspecto religioso que, desde o início, guardam. Veja-se, por exemplo, que suas administrações eram feitas por congregações religiosas, notadamente católicas.

No caso de Mossoró, com a construção do cemitério público São Sebastião no ano de 1869, o cemitério velho, idealizado pelo Vigário Rodrigues, os sepultamentos que se davam nos adros da igreja da Mata Fresca, Capela de Santa Luzia, Casa de Oração do Bairro da Igreja Velha e, por fim, na Matriz, passaram a ser feitos no mesmo. Suas dimensões atuais se estabeleceram nos anos de 1877-1879, ampliação feita em razão de uma grande seca que vitimou grande número de pessoas em Mossoró, havendo registros de que centenas de pessoas eram sepultadas diariamente em grandes valas abertas detrás da capela do cemitério.

Cemitério de São Sebastião (Foto: Glauber Soares)

Cemitério de São Sebastião (Foto: Glauber Soares)

Retomando o raciocínio inicial, os cemitérios passaram a ser não apenas um local de despedida e repouso final dos nossos entes queridos e amigos, cujo aspecto religioso ainda guarda forte traço de espiritualidade – afinal, o grande dogma do cristianismo é a ressureição -, passando após, a ser um verdadeiro centro de expressão artística. Vem daí a construção de túmulos e mausoléus que são verdadeiras obras de arte, com seus significados e representações, e que nos levam a refletir sobre a própria morte; como podemos constatar nos famosos cemitérios da Recoleta, da Consolação e do Père-Lachaise.

Em verdade, os cemitérios revelam o que pensa determinada sociedade sobre a morte.

Hoje, independentemente do porte, das personalidades enterradas, da importância e representatividade dos construtores e artistas que, verdadeiramente, assinaram suas obras de artes nesses antigos cemitérios, e, até mesmo da religião de quem lá está sepultado, o que se revela é que a morte vem sendo ressignificada para nós. Porém, a simbologia se mantém inalterada, posto que tem por função perpetuar a memória de quem deixou a vida terrena.

Razão disso, há pessoas que visitam regularmente os cemitérios para orar pelo ente querido, para refletir sobre a própria existência, ou mesmo contemplar o cemitério, como é o caso daqueles famosos cemitérios ou daqueles mais modestos, que, no entanto, cumprem fielmente sua função, especialmente a espiritual.

A morte sempre possuiu uma simbologia. Para uns, de irresignação. Para outros, de reflexão.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

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domingo - 29/05/2022 - 10:46h
Mossoró

Catedral de Santa Luzia será fechada para revitalização

Pároco da Catedral, padre Flávio Augusto mostrará detalhes do projeto para a imprensa

A Catedral de Santa Luzia fecha suas portas neste domingo, dia 29, após a missa das 19h. Vai passar por serviços de revitalização interna e externa em suas estruturas. A Diocese de Mossoró ainda detalhará informações quanto às obras e a retomada de suas atividades.

Catedral se confunde com o próprio nascimento do município de Mossoró (Foto: Glauber Soares)

Catedral se confunde com o próprio nascimento do município de Mossoró (Foto: Glauber Soares)

Em face dessa situação excepcional, as missas diárias e dominicais acontecerão em dois novos lugares: a missa da semana, das 17h, de segunda a sexta-feira, passará para o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, e as dominicais (6h, 9h, 11h e às 19h) para o ginásio do Colégio Sagrado Coração de Maria, mais conhecido como Colégio das Irmãs, Centro de Mossoró.

Na segunda-feira, 30, a partir das 7h, o vigário geral e pároco da Catedral, padre Flávio Augusto, estará recebendo a imprensa para apresentar todos os detalhes dessa primeira etapa de um grande projeto de reforma da Catedral de Santa Luzia.

Nesta primeira etapa, a igreja ganhará energia solar, climatização, reorganização de toda estrutura elétrica, grande tratamento acústico, revitalização do piso, pintura e outras melhorias.

A Paróquia de Santa Luzia tem em mãos um projeto de reforma ampla da Catedral elaborado pelo Apostolado Litúrgico de Arquitetura das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, em São Paulo. Trata-se do mais importante escritório de arquitetura sacra do país, especializado em projetos arquitetônicos de construção, reforma, interiores e vitrais, bem como o desenho e execução de painéis artísticos.

A Catedral de Santa Luzia representa o marco de desenvolvimento urbanístico de Mossoró e abriga o maior patrimônio religioso do seu povo, a devoção a Santa Luzia, padroeira da cidade, celebrada todos os anos em dezembro, levando mais de 100 mil pessoas às ruas.

História 

A história da Paróquia de Santa Luzia está tão ligada à fundação do município de Mossoró que chega a se confundir uma com a outra. Isso porque ao redor da capela começou a surgir a localidade denominada Santa Luzia, cuja evolução, do povoado que virou município, está estreitamente relacionada à trajetória da capela que hoje é a Catedral.

Catedral de Santa Luzia, com as torres inacabadas (Reprodução Canal BCS)

Catedral de Santa Luzia, com as torres inacabadas (Reprodução Canal BCS)

A capela de Santa Luzia ficou pronta em 5 de agosto de 1772. O sargento-mor da ribeira de Mossoró, Antônio de Souza Machado, e sua esposa Rosa Fernandes, tiveram autorização para a construção de modesta capela em sua propriedade rural, onde depois surgiu a igreja e muitas décadas seguintes o templo com status de catedral.

Em 24 de março de 1858 teve início a sua reconstrução, que só foi concluída cerca de dez anos depois, mas sem as torres. Em 28 de julho de 1934, com a criação da Diocese de Mossoró, a igreja de Santa Luzia foi elevada à categoria de catedral diocesana.

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