Por Bruno Ernesto
No exato momento em que escrevi este texto, estava tomando um café em Congonhas, aguardando a boa vontade da companhia aérea para seguir viagem com destino a Belo Horizonte.
E, registre-se: como é bom constatar que as companhias aéreas continuam, ainda que mínima e timidamente, temente a Deus.
O vale que me deram pelo atraso – desculpe, já esgotei minha cota de estrangeirismo por hoje e não queria escrever voucher – foi suficiente para cumprir o direito fundamental e subjetivo do mínimo existencial.
Desde que você confronte a companhia, nada de má vontade lhe será fornecido.
É como diz o ditado: quem tem boca vaia Roma. Se bem que não queria necessariamente vaiar, porém queria ir mesmo, como sempre dizem.
Como é interessante o sobressalto do espírito republicano dos passageiros ali reunidos, circundando o balcão da companhia como se estivessem em plena Ágora. Cada qual com seus argumentos convergentes. E tem gente que ainda diz que não gosta de unanimidade.
Nada que o poder de persuasão incisiva de uma turba não resolva de forma caótica, quando a indignação de uma das partes se sobreponha à boa vontade de não resolver da outra.
É preciso que exercitemos a impaciência sempre que possível.
Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor