quarta-feira - 09/04/2025 - 19:30h
Piruetas e surtos

Trump dá um passo atrás no tarifaço, mas exclui a China

Trump: a cara dos EUA (Foto: Web)

Trump, um recuo estratégico para poder dar um freio de arrumação (Foto: Web)

O presidente americano Donald Trump anunciou no início da tarde desta quarta-feira uma pausa de 90 dias na cobrança de tarifas em todos os países que não retaliaram a cobrança. A medida não vale para a China, que terá sua alíquota de importados aumentada para 125%.

“Com base no fato de que mais de 75 países entraram em contato com representantes dos Estados Unidos — incluindo os Departamentos de Comércio, Tesouro e o Representação Comercial (USTR) — para negociar uma solução para os temas em discussão relacionados a comércio, barreiras comerciais, tarifas, manipulação cambial e tarifas não monetárias, e que esses países, por minha forte recomendação, não retaliaram de forma alguma contra os Estados Unidos, autorizei uma PAUSA de 90 dias, e uma tarifa recíproca substancialmente reduzida, de 10%, também com efeito imediato”, afirmou Trump por meio de sua rede social, a Truth Social.

Para a China, que anunciou nesta manhã um aumento para 84% em importados americanos, a tarifa dos EUA sobre produtos chineses aumentará dos atuais 104% para 125%:

“Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou, por meio deste, aumentando a tarifa cobrada da China pelos Estados Unidos da América para 125%, com efeito imediato”, afirmou o republicano.

No Brasil, o dólar, que chegou a operar em alta de mais de 1% e encostou nos R$ 6,10 na manhã desta quarta, iniciou trajetória de queda e alcançou os R$ 5,87 na mínima do dia. Às 14h26, a moeda americana operava em baixa de 1,5%, aos R$ 5,89.

Trump também afirmou que limitará as tarifas, quando voltar a cobrar após 90 dias, em 10%. No caso do Vietnã, que sofreu cobrança de 46%, terá a partir de julho cobrança de apenas 10% sobre os preços.

Nota do BCS – Impressiona as piruetas e surtos desse senhor. Parece birra de criança mimada. Que coisa!

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Com informações de O Globo.

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Categoria(s): Economia / Política
domingo - 06/04/2025 - 03:40h

O Alumioso

Por François Silvestre

Imagem em estilo surrealista gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Imagem em estilo surrealista gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Estou a falar de Sinésio, entrando em Taperoá, no meio dia, com seu chapéu de alumínio, brilhando ao sol de escaldo, no sertão da Paraíba? Não. Falo, do verbo falar, e não do membro fálico do herói que aqui trato.

Isso. O herói aqui tratado nem é daqui. Mesmo sendo louvado pela desfalacidade dos escassos e flácidos falos dos seus admiradores daqui. De quem falo? De Donald Trump, o alumioso da desluminosidade.

Meu ídolo! Ave Trump!…Morituri te salutant! Como saudação aos Césares pelos gladiadores no teatro da monumental estupidez humana. Nada é mais exuberante na condição humana do que a estupidez. Somos deliciosa e genialmente estúpidos.

Se eu pudesse interferir, em retorno, na minha condição, gostaria de ser qualquer coisa, menos humano. Calango, sapo, pirilampo, qualquer coisa, menos a merda que sou.

Porém, entretanto mas porém, eis que me aparece um brilho na escuridão. No picadeiro um palhaço genial desmoraliza o trapézio. A face rosa, cabelo de boneca de milho verde, torcida do pescoço de quem esnoba a plateia, eis o meu herói. Donald Trump.

Marx e Engels tentaram, não conseguiram. Lenin também, não conseguiu. Mao Tse Tung e Chu en lai quiseram, também falharam. Todos, sem exceção, quebraram a cara contra o Capitalismo. A relação econômica mais eficiente e invicta. Onde se aboletam a ganância, a exploração dos espertos sobre os ingênuos, a concentração de poder e grana, a dominação sofista das igrejas, a mentira fantasiada de verdade plena, a negação da dúvida, a lâmpada da escuridão nas mentes embotadas, tudo, absolutamente tudo, no estuário da hipocrisia e descaramento. Suavemente embalados no berço da patifaria.

Eis que surge Trump, o alumioso! Não de Taperoá. Não. Faz uma semana que o Capitalismo não sabe pra onde vai. Nada mais gaiato do que ver e ouvir as explicações, conjecturas e esperneio dos economistas, colunistas, cientistas dessa merda toda. Tá uma delícia. Brigado, Trump. Muito obrigado. Mas, não se iluda, logo logo eles vão inventar uma munganga pra se livrarem de você.

Não se preocupe com seus adversários. Esses estão satisfeitos! Cuidado com os seus “aliados”. Os que lhe cercam, eles estão em desespero. É aí, perto de você, onde mora o perigo!

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Crônica
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quarta-feira - 02/04/2025 - 12:32h
Governo Trump

Tarifaço dos Estados Unidos assusta governo brasileiro

Arte ilustrativa gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Sem avanço nas negociações com os Estados Unidos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega pessimista ao dia do anúncio do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, previsto para esta quarta-feira (2), às 17 h (de Brasília).

Com poucos sinais de Washington, o Brasil teme que a possível tarifa linear se some a outras taxas já em vigor, como as aplicadas recentemente sobre o aço e o alumínio, gerando um efeito cumulativo.

Produtos semiacabados de aço, como blocos e placas, estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, ao lado de petróleo bruto, produtos semiacabados de ferro e aeronaves. Segundo dados do governo americano, o Brasil está entre os três maiores fornecedores de aço ao país (ao lado de México e Canadá), com US$ 2,66 bilhões vendidos no ano passado.

Recentemente, Trump também anunciou tarifas sobre automóveis importados, medida que pode impactar o setor de autopeças nacional. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão em componentes do tipo para os Estados Unidos.

Nas últimas semanas, o Palácio do Planalto começou a trabalhar com a expectativa de um quadro mais extremo do que o inicialmente previsto. Além das já anunciadas taxas sobre aço e alumínio, o governo admitiu a possibilidade de ser afetado por um imposto linear sobre praticamente toda a pauta exportadora brasileira para os EUA.

Um integrante da Casa Branca confirmou essa expectativa ao dizer na semana passada que, se o Brasil for incluído na lista dos países alvo, as tarifas serão lineares e aplicadas a todos os bens.

Segundo um membro do governo brasileiro, não será surpresa se a medida anunciada pelos americanos for “a pior” possível para o Brasil. Essa pessoa admite que é alto o risco de o Brasil estar entre os países mais afetados pelo tarifaço, apesar dos esforços diplomáticos para esclarecer pontos da relação comercial. Entre esses pontos estão a tarifa efetiva média sobre produtos importados dos EUA e o fato de a balança comercial ser historicamente favorável aos americanos.

Na Esplanada, há a avaliação de que documentos e declarações da administração Trump sugerem que os EUA consideram o Brasil problemático devido à discrepância tarifária e demais barreiras não tarifárias.

Documento divulgado nesta segunda (31) pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) apontou que o Brasil impõe tarifas de importação relativamente altas a uma vasta gama de setores, como automóveis e suas peças, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, maquinário industrial, aço, têxteis e vestuário.

Negociação de cotas

Para dois membros do governo, o esforço feito em Washington na última semana focou principalmente na negociação de cotas para as tarifas aplicadas sobre aço e alumínio. Isso porque, como o governo não sabe quais sobretaxas “recíprocas” serão aplicadas ao país, não havia o que negociar.

Integrantes da administração Lula estão em um momento de extrema imprevisibilidade às vésperas do anúncio. A conversa que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria nesta segunda com o chefe do USTR, Jamieson Greer, acabou cancelada. Por ora, não há perspectivas de nova reunião.

Por causa dessa incerteza, funcionários do governo dizem que o governo só saberá, de fato, o que vai enfrentar após o anúncio nesta quarta.

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Com informações da Folha de São Paulo e outras fontes.

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Categoria(s): Economia / Política
domingo - 30/03/2025 - 05:28h

Trump é o Stalin da Direita

Por François Silvestre

Imagem gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Imagem gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

O mundo parou de girar, estático, como toda burrice, empacou. Ninguém quer ou tenta querer fazer esse burro caminhar. Ponto.

Os astros giram, que é do feitio do Universo, o deus de Spinoza, imanente, contido em si mesmo, sem pretensão ou cobrança, sem a burrice dos ingênuos tangidos pela esperteza cretina dos larápios das igrejas. Quaisquer delas!

Voltemos pra cá, terra de Tupã, onde navega, nesse mar da idiotice, disputa política que causa canseira até no caminhar da preguiça. Não falo do animal, mas da minha própria indisposição com a apreciação do quadro.

Vejamos. O Brasil, colônia cultural incurável, doença infantil adquirida, sarampo mal curado, erisipela de crosta litorânea, viroses ideológicas dos sertões, criança mental hospedada nas cabeças de adultos atávicos. Retroativos da estupidez aqui plantada, regada e de colheita permanentemente.

Pois pois, vos digo. Nesse quadro, estamos ante nossa relação com o mundo dito civilizado. Qual? Nossa metrópole econômica, nosso modelo democrático, nossa face distorcida do espelho. Ó! Que admiração! Estados Unidos da América. O nosso complexo de inferioridade nasce aí. Portugal, uma corte mórbida, alvo de gracejos.

E quando tudo parece perdido, nesse pantanal de mediocridade, eis que surge uma lanterna na proa, iluminando as ondas do por vir. Qual? Donald Trump! O alumioso.

Trump é o Stalin do capitalismo. E se Stalin, pela truculência da estupidez mais desabrida, conseguiu matar a única alternativa possível ao capitalismo, Trump consegue agora, querendo ou não, igual a Stalin, ferir de morte o capitalismo ocidental.

Registre-se aí uma evidência histórica nunca prevista, nem imaginada. Como um equipamento astrológico, um James Webb, desvendando fatos, expondo verdades e pondo mentiras no lixo. Trump é a negação útil do capitalismo inútil. É a flecha lançada pelo arco da negação do arqueiro. O timoneiro de um barco à deriva. O idiota que mobiliza multidões de adeptos. Uns tanto, outros nem tanto, mas cada um com sua dose de idiotice.

Aí, nasce a China. Não a milenar. Não. Essa nasceu antes dos milênios. A China que nasce agora, com o stalinismo de Trump, é a parteira do ocaso do capitalismo ocidental. Transformando em caricatura do domínio financeiro um decadente império de mentira e fanfarra!.

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 06/03/2025 - 02:52h
Política internacional

Trump cita Brasil como alvo de tarifas e ameaça outros países

Ilustração Canva

Ilustração Canva

Do Canal Meio e outras fontes

Em tom de permanente campanha, Donald Trump fez seu primeiro discurso ao Congresso no novo mandato, nessa quarta-feira (05), defendendo de forma enfática as muitas medidas polêmicas que adotou desde a volta à Casa Branca, a começar pela imposição de tarifas às importações dos vizinhos Canadá e México e da rival China. Mais que isso, avisou que outros países, incluindo Brasil e Índia, estão na fila para novas tarifas por tratarem os EUA “de forma injusta” no comércio internacional.

O apelo à união nacional, comum na primeira fala de um presidente ao Legislativo, foi jogado para o alto, com Trump citando o antecessor Joe Biden 12 vezes para culpá-lo tanto pela alta do preço dos ovos quanto pelos gastos no apoio à Ucrânia, aproveitando para reafirmar que está “trabalhando incansavelmente” para encerrar a guerra. Mas a política interna foi o tema principal do discurso de uma hora e 40 minutos – o mais longo já feito por um presidente no Congresso.

Trump decretou a morte da “cultura woke” – termo identificado com políticas progressistas – nas escolas, no governo e nas Forças Armadas, e defendeu a ação de Elon Musk, alvo de críticas até dentro do governo pelo desmonte em instituições públicas. (CNN)

A reação ao discurso de Trump mostrou a divisão dentro da oposição democrata. O líder Hakeem Jeffries queria uma resposta sóbria, mas alguns se exaltaram. O deputado Al Green, do Texas, levantou-se e interrompeu Trump tantas vezes que acabou retirado do Plenário. Alguns deixaram o recinto em protesto, enquanto outros levantaram placas onde se lia “Elon rouba” e “isso é mentira”. (Politico)

Retaliação

No mesmo dia em que as novas tarifas entraram em vigor, China, México e Canadá anunciaram que vão retaliar. A partir do dia 10, a China vai impor tarifas de até 15% a uma série de produtos agrícolas americanos e colocou mais de 20 empresas em uma lista suja que inclui até mesmo a proibição de negociar ou investir no país. O premiê canadense, Justin Trudeau, condenou a “guerra comercial americana”. Embora tenha dito que encontrar uma solução para a disputa comercial é sua prioridade, Trudeau anunciou tarifas imediatas sobre US$ 30 bilhões em importações americanas. Já a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse que seu governo está preparado para retaliar. (Washington Post)

Em meio ao temor de uma guerra comercial com os vizinhos, o secretário americano do Comércio, Howard Lutnick, disse que a administração Trump pode anunciar um acordo com canadenses e mexicanos ainda hoje. “Tanto os mexicanos quanto os canadenses estiveram ao telefone comigo o dia todo tentando mostrar que farão melhor, e o presidente está ouvindo, porque você sabe que ele é muito, muito justo e razoável”, afirmou, acrescentando que desta vez não será uma pausa. (The Hill)

Jamil Chade: “O uso do Brasil como exemplo de protecionismo se contrasta com os números do comércio bilateral. A Câmara de Comércio Brasil EUA destaca como a tarifa média cobrada pelo Brasil aos bens dos EUA é de apenas 2,7% e que o superávit americano é de mais de US$ 200 bilhões”. (UOL)

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Categoria(s): Política
domingo - 02/03/2025 - 05:34h

O imperialismo trumpista e a reconfiguração da política brasileira

Por Christian Lynch

Donald Trump ruge e tenta impor ao mundo os valores do seu modelo de poder (Foto: arquivo)

Donald Trump ruge e tenta impor ao mundo os valores do seu modelo de poder (Foto: arquivo)

O mundo vive um novo ciclo histórico de retração da globalização, e com ele ressurgem formas de dominação que pareciam superadas. O trumpismo, mais do que um fenômeno político interno dos Estados Unidos, emerge como um projeto imperialista de reordenação do sistema internacional, retomando, sob novas roupagens, o velho princípio da Doutrina Monroe e do Destino Manifesto. Ele se articula em torno de três frentes principais: a econômica, que emprega tarifas punitivas para fechar seu mercado e ao mesmo tempo obrigar os países mais fracos a abrir os deles; a ideológica, pela captura das redes sociais como instrumentos de propaganda da extrema direita, seja fascista, reacionária ou libertariana; e a política, pelo cerco a instituições e lideranças que resistam à nova ordem imposta dentro e fora dos EUA.

O imperialismo de Trump é orientado para favorecer por toda a parte a implantação de governos extremistas que lhes sejam dóceis ou subordinados. O objetivo é subordinar os demais países da América e aliados da Europa Ocidental aos desígnios de seu governo, ignorando o princípio de autodeterminação dos povos e desprestigiando governos que se recusem a alinhar-se com o autoritarismo.

Têm sido vítimas desse imperialismo relançado a Ucrânia, a Groenlândia, o Canadá, o México e o Panamá. O que não impede Trump de falar respeitosamente com governos autocráticos, que ele aliás admira: Maduro, Putin e Xi Jiping. Ou presidentes que aspiram à autocracia interna e à vassalagem externa, como Javier Milei.

Não por acaso, a família Bolsonaro vê na intervenção da Internacional Facho-Reacionária uma boia de salvação, contando com a pressão de Washington não só para impedir sua prisão, como para reverter sua inelegibilidade.

Embora não esteja entre as prioridades de Trump, sua investida contra o Brasil é questão de tempo. Bolsonaro, seu êmulo, não só foi julgado inelegível depois de derrotado, como está em vias de ser processado e provavelmente condenado pelos crimes por si cometidos. Processado e condenado por um Supremo Tribunal que resiste à pretensão de aliados de Trump de ignorar a soberania brasileira. Não por acaso, a família Bolsonaro vê na intervenção da Internacional Facho-Reacionária uma boia de salvação, contando com a pressão de Washington não só para impedir sua prisão, como para reverter sua inelegibilidade.

Aliados de Bolsonaro, como senador Marcos Do Val, já clamam por uma invasão americana. Atitude que não surpreende ninguém que compreenda o estofo colonial de que é feito o pretenso patriotismo da extrema direita bolsonarista.

É conhecida a posição de fragilidade em que se encontra Bolsonaro. Sua inelegibilidade, os escândalos de corrupção e a perda progressiva de apoio entre setores da direita tradicional fazem com que sua utilidade para o trumpismo se torne incerta. Sua eventual prisão não necessariamente gerará uma reação massiva de seus apoiadores. A desmobilização da direita em torno de sua figura tem sido visível desde 2022. Os próprios sucessores potenciais de Bolsonaro — Ronaldo Caiado, Tarcisio de Fritas, Ratinho Júnior — têm todo o interesse em afastá-lo do tabuleiro político, de modo a herdar seu espólio eleitoral sem carregar o ônus de sua decadência.

Que impacto sobre esse cenário poderá ter a investida de Trump sobre a política brasileira? O embate não se dará apenas no plano institucional, mas também no controle da esfera pública, já que as big techs colocaram suas plataformas a serviço do projeto trumpista. A defesa de uma “liberdade de expressão” contrária aos regramentos jurídicos de cada país não passa de eufemismo para para a propagação ideológica reacionária.

No Brasil, essa estratégia se traduzirá em tentativas de interferência no processo eleitoral de 2026, seja por meio da manipulação algorítmica, da desinformação em massa ou de pressões econômicas diretas sobre o país. Já houve precedentes, e as ações de Musk neste sentido, inclusive nas recentes eleições alemãs, não deixam dúvidas do que pode vir por aqui.

Se a esquerda souber articular um discurso que mobilize o eleitorado contra o imperialismo trumpista, poderá deslocar a polarização atual para um embate entre soberanismo e entreguismo.

Curiosamente, a investida trumpista poderá servir de boia, não para Bolsonaro, mas para a esquerda e, quem sabe, para o governo Lula, que ainda não disse ao que veio e sofre com a impopularidade. Ainda identificada com o cosmopolitismo da globalização declinante e pautada pela agenda identitária, a esquerda tem dificuldade em adaptar-se à nova conjuntura.

No entanto, à medida que o imperialismo trumpista avançar e impuser sua veleidade de subordinação, a tendência é que a esquerda passe a reivindicar a defesa da soberania nacional como eixo central de sua agenda. Se a esquerda souber articular um discurso que mobilize o eleitorado contra o imperialismo trumpista, poderá deslocar a polarização atual para um embate entre soberanismo e entreguismo.

E aí, como ocorre hoje no Canadá, quem ficaria mal das pernas seria a direita oposicionista identificada com um personagem como Tarcísio de Freitas, que tenta posar de moderado, mas se recusa a condenar o golpismo de Bolsonaro e põe na cabeça o boné do MAGA.

Também a direita terá de decidir se vai se apresentar ao eleitorado como um satélite do trumpismo, como é hoje o bolsonarismo, ou se buscará um discurso de maior autonomia, o que terá importantes repercussões eleitorais no ano que vem. Este será um imbróglio que se apresentará fatalmente nos próximos meses, conforme se desenrole o processo de Bolsonaro e seus comparsas golpistas, obrigando os atores politicos a moverem as peças do tabuleiro conforme a nova configuração da política interna brasileira, imposta pelo imperialismo de Trump.

Aguardemos o espetáculo.

Chrystian Lynch é cientista político, editor da revista Insight Inteligência e professor do IESP-UERJ

*Texto especial do Canal Meio para o BCS

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sexta-feira - 14/02/2025 - 07:20h
É guerra comercial

Trump adota tarifas recíprocas e atinge de novo o Brasil

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

Do Canal Meio e outras fontes

Em mais um passo na direção de uma guerra comercial global, Donald Trump assinou uma ordem para implementar tarifas recíprocas a parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida inclui não apenas taxas cobradas dos EUA, mas também imposto de importação, subsídios, câmbio e outros recursos que o republicano não considera justos. Segundo Trump, a medida é necessária para equilibrar relações “injustas” e impedir que outros países tenham vantagens comerciais. Ele deixou claro que o seu objetivo final é forçar as empresas a levarem sua produção de volta para o território americano.

“Se você fabrica seu produto nos EUA, não há tarifas”, disse no Salão Oval. A decisão deve dar início a negociações intensas com governos cujas economias dependem das exportações para os EUA, assim como provocar guerras comerciais em múltiplas frentes se outros países quiserem retaliação. Além das tarifas recíprocas, Trump disse que seus conselheiros se reunirão nas próximas quatro semanas para discutir medidas sobre automóveis, itens farmacêuticos, chips e outros produtos. (Washington Post)

Por décadas, os EUA definiram seus níveis tarifários através de negociações em organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio. A definição de novas taxas eliminaria efetivamente esse sistema, sendo substituído por outro determinado exclusivamente pelas autoridades americanas e com base em seus próprios critérios. O advogado Timothy Brightbill, da Wiley Rein, explica que um movimento em direção a um sistema tarifário baseado na reciprocidade é “uma mudança fundamental na política comercial dos EUA e uma das maiores em mais de 75 anos, desde a criação do atual sistema comercial multilateral”, em 1947. (New York Times)

Um alto funcionário da Casa Branca disse que as tarifas serão impostas “país por país” e começarão com aqueles com os quais os Estados Unidos têm o maior déficit comercial. As tarifas serão anunciadas “no tempo Trump”, disse o funcionário, “o que significa muito rapidamente”.

No memorando que assinou, Trump descreveu o déficit comercial americano como uma ameaça à segurança nacional, preparando terreno para emitir tarifas sem a necessidade de ir ao Congresso. (Financial Times)

Brasil em apuros

O Brasil será um dos países com tarifas recíprocas devido à cobrança de uma taxa de 18% sobre o etanol estrangeiro. “A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil impõe uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões para eles”, disse a Casa Branca em nota. No Brasil, a tarifa média de importação sobre produtos americanos é de 12% a 13%, segundo a agência AFP, enquanto a média dos Estados Unidos para os itens brasileiros é de 3%. (Valor)

Após o anúncio de Trump, o vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, reiterou que a intenção do governo brasileiro é manter o diálogo com as autoridades americanas, “conversando e ouvindo a iniciativa privada”. Ele destacou que o memorando não é específico para o Brasil e é natural que o governo americano queira avaliar seu comércio exterior. “Reciprocidade não é alíquota igual, é onde você é mais competitivo você vende mais, onde é menos competitivo você compra, produtos que você não tem, você adquire. É nesse princípio que vamos trabalhar.” (g1)

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o governo está fazendo um balanço das tarifas americanas e ele acredita que há espaço para negociação. “A maneira como estão sendo anunciadas as medidas é um pouco confusa. Então, temos que aguardar para ter uma ideia do que é concreto e efetivo.” (Globo)

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Categoria(s): Economia / Política
segunda-feira - 27/01/2025 - 07:30h
Política internacional

Maus-tratos a deportados geram crise; Trump não recua e faz ameaças

Arte ilustrativa de Inteligência Artificial - BCS

Arte ilustrativa de Inteligência Artificial – BCS

Do Canal Meio e outras fontes

Donald Trump venceu rapidamente sua primeira queda de braço com a América Latina por conta das deportações de imigrantes ilegais. Sob a ameaça de sanções comerciais, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, cedeu e aceitou que aviões militares dos Estados Unidos pousassem no país trazendo de volta colombianos deportados. Mais cedo, diante da recusa de Petro de aceitar os voos, a Casa Branca havia anunciado, entre outras medidas, uma taxação de 25% sobre todos os produtos colombianos, a ser elevada para 50% em uma semana. O governo de Bogotá chegou a anunciar uma taxação igual para importações dos EUA, e Petro, que já foi preso político, publicou em redes sociais em recado a Trump: “Resisti à tortura e resisto a você”.

À noite, porém, a chancelaria colombiana divulgou uma nota dizendo que “o impasse com o governo americano havia sido superado”. Trump suspendeu as tarifas, mas manteve, por exemplo, a restrição à emissão de vistos para colombianos até o pouso do primeiro voo de deportados. E comemorou a vitória: “Os eventos de hoje deixaram claro para o mundo que a América voltou a ser respeitada”, disse, em nota. (New York Times)

O envio de deportados também criou tensão em Brasília. O voo que trouxe 88 brasileiros, com relatos de violência, maus-tratos e pessoas algemadas, causou o primeiro incidente diplomático entre os governos Lula e Trump. O Itamaraty publicou ontem uma nota sobre os brasileiros que desembarcaram em Belo Horizonte às 21h10 de sábado. Eles chegaram à capital mineira já sem algemas, retiradas por ordem do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, após o avião descer em Manaus por problemas técnicos.

Na nota, o ministério das Relações Exteriores afirma que o uso indiscriminado de algemas viola os termos de um acordo firmado entre os dois países “que prevê tratamento digno, respeitoso e humano dos repatriados”. “O governo brasileiro considera inaceitável que as condições acordadas não sejam respeitadas”, diz o Itamaraty, sem citar os termos do acordo. O Itamaraty também disse ter pedido explicações aos Estados Unidos sobre o “tratamento degradante dispensado aos passageiros”. “Maltrataram a gente, bateram na gente algemado”, disse Vitor Gustavo da Silva, de 21 anos, ex-morador de Atlanta. (Estadão)

Muitos contaram ter ficado 50 horas algemados, sem ar condicionado no voo e sujeitos a abusos. “Nem cachorro merecia ser tratado daquele jeito”, disse Jefferson Maia, que ficou dois meses preso após atravessar a fronteira com o México. “Ficamos sem comer e estou há cinco dias sem tomar banho.”

Segundo ele, um agente da imigração o agrediu em Manaus, quando os norte-americanos tentavam fazer o avião decolar mesmo com falha no motor. Nesse momento, os migrantes pediram para sair da aeronave por causa do calor. “O agente me enforcou e puxou a corrente das algemas até meu braço sangrar”, denuncia.

Os deportados contaram que só conseguiram pedir ajuda à PF após abrirem uma das portas de emergência do avião gritando por socorro. A aeronave, que partiu sexta-feira da cidade de Alexandria, na Virgínia, apresentou falhas ainda em solo americano e precisou parar na Louisiana. Depois, parou de novo no Panamá e em Manaus. (Folha)

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Categoria(s): Política
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sexta-feira - 08/11/2024 - 06:24h
2026

Êxito de Trump leva Bolsonaro a ter esperança em ser candidato

Ex-presidente não pagou multas, fez investimento e não detalhou nada publicamente (Foto: Wilton Júnior/Estadão)

Ex-presidente aposta em saída para poder ser candidato em 2026 (Foto: Wilton Júnior/Estadão)

Do Canal Meio e outras fontes

Enquanto o mundo tenta entender o que levou Donald Trump de volta à Casa Branca mesmo com 34 acusações criminais, uma condenação e dois processos de impeachment, o Brasil começa a ter os primeiros sinais de como a consagração de Trump pode ecoar na extrema direita por aqui. Jair Bolsonaro (PL) está inelegível até 2030 e ainda é investigado por tentativa de golpe e por ter surrupiado e vendido as joias sauditas, podendo ser condenado a até 23 anos de prisão.

Mas a vitória expressiva do republicano alimenta nele a esperança de retornar ao poder já nas eleições presidenciais de 2026. E o caminho para se candidatar no próximo pleito seria uma anistia do Congresso, que Bolsonaro considera capaz de conseguir para reverter sua situação jurídica.

“O Congresso é o caminho para quase tudo. O poder mais importante é o Legislativo”, afirmou em entrevista ao Globo. Ele nega participação na tentativa de ruptura democrática de 8 de janeiro de 2023 e alega que apenas procurou “remédios constitucionais” para “buscar uma maneira de questionar o processo eleitoral”. Também afirma que os atos golpistas foram orquestrados pela esquerda. (Globo)

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, ainda não oficializou a criação do grupo de trabalho que discutirá o projeto de lei que pretende anistiar os condenados pelos ataques golpistas em Brasília. No último dia 28, Lira retirou o projeto da Comissão de Constituição e Justiça e anunciou a criação da comissão especial. Na prática, a discussão do projeto recomeçará do zero. (Folha)

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segunda-feira - 22/07/2024 - 08:38h
EUA

Presidente desiste de tentar reeleição; vice é apresentada como opção

Do Canal Meio e outras fontes

Harris e Biden, uma mudança ainda não confirmada na disputa  (Foto: APA/BBC News Brasil)

Harris e Biden, uma mudança ainda não confirmada na disputa (Foto: EPA/BBC News Brasil)

Após três semanas de pressão dos democratas, o presidente Joe Biden anunciou que não vai concorrer à reeleição nos Estados Unidos. “Foi a maior honra da minha vida servir como seu presidente”, disse em carta publicada nas redes sociais. “E, embora tenha sido minha intenção procurar a reeleição, acredito que é do interesse do meu partido e do país que eu me retire e me concentre apenas no cumprimento dos meus deveres como presidente durante o resto do meu mandato.”

Em outra postagem nas redes, Biden endossou a vice-presidente, Kamala Harris, como sua substituta na corrida eleitoral. “Hoje quero oferecer todo o meu apoio para que Kamala seja a indicada do nosso partido este ano”, escreveu. “Democratas – é hora de nos unirmos e derrotar Trump. Vamos fazer isso.” O anúncio foi recebido com entusiasmo pelos democratas, que doaram, apenas no domingo, mais de US$ 50 milhões. (New York Times)

Poucas horas depois, Kamala disse que sua “intenção é merecer e conquistar” a indicação presidencial democrata. Ela agradeceu ao presidente por sua liderança e disse que “faria tudo para unir os democratas e a nação”. Ao contrário de muitos colegas de partido, ela foi leal a Biden até o fim. E continuou em sua defesa após o anúncio. “O presidente está fazendo o que sempre fez ao longo de sua vida de serviço: colocar o povo americano e nosso país acima de tudo” , disse.

Financiamento

Os quase US$ 96 milhões de financiamento recebidos pela campanha foram transferidos para o nome de Kamala ontem à tarde. Embora ainda não tenha havido nomeação oficial, a campanha mudou o nome do comitê na Comissão Eleitoral Federal para “Harris para Presidente”. Biden e o casal Bill e Hillary Clinton já a apoiaram publicamente, mas Harris sabe que os responsáveis pela sua confirmação como candidata são os delegados democratas – e ontem mesmo já começou a telefonar para eles. (Axios)

Durante o domingo, vários líderes democratas declararam apoio a Harris e elogiaram a decisão de Biden, mas nomes de peso como Barack e Michelle Obama, e também a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, ainda não o fizeram. No Medium, o ex-presidente da República disse confiar que os líderes do partido serão capazes de criar um processo do qual “surgirá um candidato notável”. (Washington Post)

Trump zomba

O ex-presidente Donald Trump, em publicação na sua rede, Truth Social, disse que Biden “não estava apto a concorrer à presidência e certamente não está apto para ser presidente – nunca esteve”. Ele falou em uma conspiração de “seu médico e da mídia” para esconder a condição física e mental do presidente. E disse à CNN que Kamala será mais fácil de derrotar do que Biden. No dia anterior, em seu primeiro comício após o atentado, Trump já incluiu a vice-presidente em seus ataques. (CNN)

Pesquisas recentes, anteriores ao afastamento de Biden e também ao atentado contra Trump, mostraram Kamala Harris atrás do republicano por apenas dois pontos percentuais em média nacional, 46% a 48%. Biden estava pior, três pontos percentuais atrás, 47% a 44%.

Kamala estava apenas um ponto percentual abaixo no crucial e indeciso estado da Pensilvânia, mas vencia por confortáveis cinco pontos percentuais na Virgínia, onde Biden estava apenas uma margem muito estreita à frente. (New York Times)

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domingo - 14/07/2024 - 10:00h
EUA

Trump é ferido em atentado à bala e atirador termina morto

Trump cerra punho direito, mesmo ferido na orelha (Foto: Rebecca Droke/AFP/Divulgação)

Trump cerra punho direito, mesmo ferido na orelha (Foto: Rebecca Droke/AFP/Divulgação)

Do Canal Meio e outras fontes

A violência na campanha eleitoral dos Estados Unidos saiu da retórica nas redes sociais na tarde de sábado (13), noite no Brasil, quando o ex-presidente Donald Trump, agora candidato à Casa Branca, foi alvo de um atentado a tiros durante um comício na cidade de Butler, na Pensilvânia. O político e empresário de 78 anos sofreu um ferimento leve na orelha direita.

Uma pessoa que assistia ao evento morreu e duas ficaram feridas em estado grave, e o atirador foi morto por agentes das forças de segurança.

Trump apresentava à plateia de apoiadores números em um telão quando diversos disparos foram ouvidos. Ele levou a mão à orelha direita e abaixou-se, sendo cercado em seguida por agentes do Serviço Secreto que fazem sua segurança, enquanto a multidão gritava e estampidos continuaram a soar (veja o momento aos 8’30’’ deste vídeo da PBS).

O fotógrafo Doug Mills capturou o instante em que uma bala parece passar perto do rosto do candidato. Em seguida, os agentes o retiraram do palanque, mas o ex-presidente, com sangue no rosto, ainda levantou o punho para a plateia, aparentemente indicando estar bem e criando o que deve ser de agora em diante a imagem de sua campanha.

Segurança

Cerca de meia hora depois dos tiros, um porta-voz do serviço secreto, Anthony Guglielmi, disse que Trump estava “seguro” após “um incidente acontecer” durante o comício, e a equipe do ex-presidente publicou uma nota no X informando que ele estava “bem e passando por exames médicos em um hospital” e agradecendo a pronta reação dos agentes de segurança.

Após a alta, Trump voou para Nova Jersey, onde passou a noite. Um vídeo mostra o ex-presidente descendo do avião sem dificuldade, mas, pelo ângulo da filmagem, não é possível ver a parte ferida do rosto. O ataque a Trump acontece às vésperas da convenção republicana, que começa nesta segunda-feira e deve confirmar sua candidatura. (New York Times)

Trump se pronuncia

Horas depois, o próprio Trump usou sua própria rede, a Truth Social, para relatar o atentado: “Eu quero agradecer ao Serviço Secreto dos Estados Unidos e a todos os agentes de segurança por sua rápida resposta aos tiros que aconteceram em Butler, Pensilvânia. Mais importante, quero expressar minhas condolências à família da pessoa que foi morta no comício e à da que está ferida em estado grave. É incrível que algo assim possa acontecer em nosso país. Nada se sabe até o momento sobre o atirador, que está morto. Fui atingido por uma bala que perfurou a parte superior de minha orelha direita. Percebi imediatamente que havia algo errado quando ouvi um zumbido, tiros e imediatamente senti a bala rasgando minha pele. Sangrei muito, e então entendi o que estava acontecendo. Deus abençoe a América!” (Truth Social)

Atirador é identificado

O FBI identificou o autor dos disparos como Thomas Matthew Crooks, de 20 anos, morador de Bethel Park, na Pensilvânia. Ainda não se sabe se ele agiu sozinho nem quais os motivos para a tentativa de assassinato. A inclinação política do atirador também não está clara. Crooks era eleitor registrado do Partido Republicano no estado, mas fez uma pequena doação em dinheiro a um comitê de políticas progressistas no dia da posse de Joe Biden, em 2021. Segundo Kevin Rojek, chefe da agência do FBI em Pittsburgh, ele estava no telhado de um prédio próximo ao local do comício, e sua presença não foi notada antes que começasse a atirar. “Foi uma surpresa”, disse Rojek, destacando a quantidade de disparos que o jovem conseguiu fazer antes de ser morto. (AP)

Presidente liga para Trump

O presidente Joe Biden, adversário de Trump na corrida eleitoral, disse que falou diretamente com o republicano, horas depois do atentado. Em entrevista, ele disse que tentou o contato mais cedo, mas o ex-presidente estava sendo atendido pelos médicos.

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“Não há lugar na América para esse tipo de violência. É doentio, doentio”, afirmou aos repórteres. A Casa Branca soltou uma nota oficial na qual Biden disse que ele e a primeira-dama, Jill, estavam “rezando por Trump e sua família e por todos os que estavam no comício” e que o país precisa se unir para condenar a violência política. (ABC News)

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domingo - 11/06/2023 - 09:26h

Trump será preso? Poderá ser candidato?

Por Ney Lopes

Donald Trump durante entrevista coletiva na tarde de domingo, na Casa Branca (Foto Getty Image)

Donald Trump durante entrevista na Casa Branca (Foto Getty Image)

Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, em três meses foi acusado duas vezes pela Polícia e justiça americana.

Ao sair da Casa Branca, depois de derrotado por Joe Biden, nas eleições presidenciais de 2020, Trump levou consigo caixas cheias de documentos

Milhares de documentos encontrados pelo FBI na propriedade de Trump na Flórida, incluindo cerca de 100 documentos classificados como confidenciais.

Esses documentos eram escondidos no chuveiro, escritório, salão de baile e quarto, além dele compartilhar com pessoas sem autorização e dar ordens para que um assessor os escondessem da Justiça.

Todos os documentos oficiais de um presidente, triviais ou não, são considerados de propriedade pública, segundo a Lei de Registros Presidenciais de 1978.

Quando o presidente deixa o cargo, esses papéis vão para o Arquivo Nacional e, mais tarde, são encaminhados para uma biblioteca presidencial.

Além disso, por lei, documentos sigilosos só podem ser vistos em lugares com a segurança adequada e por pessoas autorizadas.

Dos 31 documentos específicos que Trump é acusado de ter intencionalmente sob sua posse, 21 são classificados como ultrassecretos, seis como secretos e um não tem marcação, mas envolve “planos militares de contingência dos Estados Unidos”.

Cada uma das acusações por violar a Lei de Espionagem têm um tempo máximo de prisão de 10 anos — ou seja, um total de 310 anos. As outras acusações somadas podem render ao favorito para ser o candidato republicano nas eleições presidenciais do ano que vem mais 90 anos atrás das grades. É muito raro, contudo, que o tempo máximo de detenção seja aplicado.

Trump, sobre quem pairam dúvidas também sobre suas faculdades mentais, não esperava e não aceitou a derrota, baseando sua estratégia em tentar desacreditar o complexo sistema eleitoral de seu país.

Tentou até o último instante, mesmo depois de concluídas as apurações e apontado o vencedor, conspirando para que o resultado não fosse formalmente declarado.

Antes disso, comprovou-se agora, incitou seus correligionários para uma grande manifestação diante da Casa Branca, de onde partiria uma marcha em direção ao Capitólio, que resultou em baderna.

Essa invasão pode tirá-lo da corrida presidencial, já que a 14ª Emenda da Constituição americana proíbe que participantes de insurreições ou rebeliões ocupem cargos públicos.

Há também uma acusação que tem evoluído nas investigações.

O magnata chinês, Guo Wengui, amigo pessoal de Trump, foi alvo de 12 acusações relacionadas com uma alegada fraude avaliada em mil milhões de dólares

O chinês é acusado de encher os bolsos com o dinheiro que roubou”, tendo usado esse para comprar uma mansão, um carro desportivo e um iate de luxo para si e para os seus familiares.

O magnata foi detido esta semana pela polícia. Ekle se considera auto exilado com ligações estreitas a republicanos que são apoiantes de Trump, entre os quais Steve Bannon, conselheiro do ex-presidente.

Caso se confirme a prisão, Trump será o primeiro Presidente ou ex-Presidente formalmente acusado de um crime.

Ele deve se apresentar a um tribunal federal em Miami na tarde de terça (13), quando as acusações serão formalizadas, e se declarar inocente

Mesmo diante desse vendaval na Justiça, Trump insiste a candidatura a presidente em 2024.

Duas pessoas já concorreram à Presidência dos EUA com condenações criminais.

Em 1920, o candidato socialista Eugene Debs condenado pela Lei de Espionagem em conexão com um discurso anti-guerra de 1918.

O economista Lyndon LaRouche também concorreu à Presidência em várias ocasiões, apesar de ter sido condenado por fraude em 1988.

Uma de suas candidaturas presidenciais, em 1992, ocorreu enquanto ele estava em uma prisão federal em Minnesota.

Ambos perderam a eleição.

Quanto à possibilidade de prisão de Trump é cedo para qualquer palpite.

Ele diz que tudo é mentira dos democratas.

Terá de provar nos autos dos processos.

Quanto à possibilidade de vir a ser candidato à presidência em 2024, não há nada na Constituição americana que impeça um réu de concorrer à Presidência da República.

Os únicos critérios da Carta são que o postulante deve ser um cidadão nato americano e ter mais de 35 anos.

Portanto, mesmo que venha a ser condenado, Trump poderia eventualmente voltar a à Casa Branca caso seja eleito.

Trump talvez não possa votar em si mesmo, em alguns estados.

Em 22 estados americanos, detentos perdem seus direitos a voto quando estão atrás das grades, mas podem voltar a exercê-los ao serem soltos.

Em 15 estados, geralmente ficam sem poder votar por um período subsequente ao encarceramento, geralmente quando estão em condicional ou têm multas pendentes

O mais preocupante é que um político com o perfil de Donald Trump tenha tantos “admiradores” no Brasil.

Que Deus nos proteja!

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

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domingo - 02/04/2023 - 10:42h

Trump pode ou não ser preso?

Por Ney Lopes

Trump: a cara dos EUA (Foto: Web)

Trump: acusação séria (Foto: Web)

Pela primeira vez um antigo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi formalmente acusado e apresenta-se à justiça, na próxima terça-feira.

 O que realmente aconteceu?

Essa acusação prejudica a candidatura dele à presidência da República?

Trump é acusado de ter pago 130 mil dólares (perto de 120 mil euros) para comprar o silêncio da estrela pornográfica Stormy Daniels sobre um suposto relacionamento sexual entre os dois, poucos meses antes das presidenciais de 2016.

O suborno a Stormy Daniels é um crime menor. Constitui uma violação da lei eleitoral, geralmente punida com multa.

Porém, ao declarar que o montante U$ 130 mil dólares foi “despesa legal”, poderá ter violado a lei eleitoral e “falsificado os registos financeiros de um negócio”, dado que o pagamento encobriu presumido crime.

Pode valer uma pena de prisão até quatro anos. Trump é o primeiro ex-Presidente dos Estados Unidos a enfrentar formalmente acusações criminais no país.

Trump também foi acusado de efetuar pagamentos secretos a uma segunda mulher, a ex-modelo da Playboy Karen McDougal, que igualmente afirmou ter mantido relações sexuais com o ex-presidente.

Além dessas acusações, o ex-presidente enfrenta pelo menos quatro mais graves denúncias.

No Departamento de Justiça, decorrem investigações relativas à sua responsabilidade na invasão ao Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, e também sobre a possível interferência eleitoral na Geórgia, exercendo pressão para que o resultado nesse estado fosse invertido.

Há ainda investigações sobre os documentos classificados encontrados pelo FBI no seu resort em Mar-a-Lago, na Florida, e outras relativas a possíveis crimes fiscais no âmbito dos seus negócios.

Qualquer destes casos poderá ter para Trump consequências mais graves do que o pagamento pelo silêncio da estrela pornográfica Stormy Daniels.

Trump garantiu que continuaria em campanha, mesmo que acossado pela Justiça.

Qualifica as acusações como “caça às bruxas” dos seus inimigos políticos.

A Constituição norte-americana é omissa relativamente à possibilidade de desqualificar candidatos com base em acusações criminais ou condenações na justiça.

Consagra apenas três requisitos: ser cidadão nascido no país, ter no mínimo 35 anos no dia da tomada de posse e residir nos Estados Unidos há pelo menos 14 anos.

Trump publicou uma mensagem na sua própria rede social, a Truth Social, em que afirmou que alertava país um potencial cenário de “violência catastrófica” no país, em decorrência da acusação que lhe faziam.

Usa o seu estilo tradicional de ameaçar, característica de todo o seu mandato.

Após entregar-se à justiça, Trump tirará a fotografia para identificação, deixará as impressões digitais e receberá ordem de detenção.

Poderá ou não ser algemado.

Depois será levado a um juiz que lerá a acusação e — depois de Trump se declarar “culpado” ou “inocente” — determinará se aguardará julgamento preso, ou em liberdade.

Ao longo de toda a vida, Trump sempre escapou às consequências dos seus atos ao nível pessoal, profissional e político”.

Essa é a primeira vez que não conseguiu escapar.

Bom lembrar, que Al Capone acabou detido num processo de fuga ao fisco, não pelos assassinatos.

Diante desse cenário desafiador, o futuro político de Donald Trump parece incerto.

O indiciamento pode afetá-lo nas próximas corridas presidenciais.

Somente o futuro esclarecerá, quais serão as implicações desses eventos, no cenário político dos Estados Unidos.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

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sexta-feira - 25/11/2022 - 07:48h
Política

Família Bolsonaro traça estratégia pós-eleições com aliados de Trump

Do Poder 360 e Washington Post

Pessoas do círculo íntimo do presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram com assessores do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Eles discutiram os “próximos passos” depois da derrota do chefe do Executivo para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição para o Palácio do Planalto.

Bolsonaro e Trump já tiveram encontros administrativos e políticos (Foto: Alan Santos/arquivo)

Bolsonaro e Trump já tiveram encontros administrativos e políticos (Foto: Alan Santos/arquivo)

As informações são do Washington Post. Segundo apuração do jornal norte-americano, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se encontrou com Trump na casa do republicano na Flórida, o resort Mar-a-Lago. Durante a visita, eles conversaram com aliados políticos do ex-presidente dos EUA para traçar estratégias.

Uma das conversas foi com Steve Bannon sobre o “poder das manifestações pró-Bolsonaro” e “possíveis desafios aos resultados das eleições brasileiras”. Ao Washington Post, o ex-assessor de Trump disse que “o que está acontecendo no Brasil é um evento mundial”. Afirmou que as manifestações “foram além da [família Bolsonaro] da mesma forma que nos EUA foi além de Trump”.

Bannon e alguns aliados de Trump aconselharam o presidente brasileiro a contestar o resultado das eleições. Disseram que a ação “provavelmente falharia, mas encorajaria os manifestantes”.

Veja íntegra AQUI.

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domingo - 14/08/2022 - 10:50h

O que acontece com Trump

Por Ney Lopes

A política internacional vem sendo agitada desde a última segunda, 8, quando a mansão do ex-presidente americano Donald Trump no Estado da Florida foi ocupada alguns instantes por agentes da polícia federal americana (FBI) e que eles inclusive teriam arrombado um cofre de sua casa.

Donald Trump (Foto: arquivo)

Donald Trump (Foto: arquivo)

O ex-presidente estava em NY na ocasião.

A busca, com ordem judicial, fez parte de uma investigação sobre documentos oficiais violados pelo ex-presidente republicano.

Por lei, os presidentes estão obrigados a transferirem todas as cartas, documentos de trabalho e emails para os Arquivos Nacionais, sendo que Trump é acusado também de destruir vários registros quando ainda estava na Casa Branca.

Especialistas dizem que para uma operação dessa natureza receber autorização judicial é preciso haver praticamente a confirmação de crimes praticados.

Trump é acusado de ter rasgado ilegalmente muitos documentos.

Em um livro a ser publicado, Confidence Man, a jornalista do New York Times Maggie Haberman alega que funcionários da Casa Branca ocasionalmente encontravam pedaços de papel entupindo vasos sanitários.

A jornalista obteve fotos que, segundo ela, mostram papéis em um vaso sanitário da Casa Branca.

Há décadas, o Departamento de Justiça americano segue a doutrina, expressa em dois memorandos vinculantes de 1973 e 2000, de que um presidente não pode ser processado no exercício do mandato.

Após deixar a Casa Branca, porém, essa proteção desaparece.

O processo contra Trump, diante de provas materiais colhidos, é passo sem precedentes nos Estados Unidos.

A operação na mansão de Trump ocorre em meio a notícias de que o republicano se prepara para voltar a concorrer à Presidência em 2024.

Um funcionário de alto escalão da Casa Branca disse à imprensa que o governo do presidente Joe Biden não foi avisado da busca do FBI.

São várias as acusações contra Trump.

O ex-presidente violou a lei ao tentar evitar a derrota nas eleições de novembro de 2021 e instigar o ataque ao Capitólio.

Na lei significa conspirar para fraudar as eleições e derrubar o governo eleito.

Trump arrecadou 250 milhões de dólares dos seus apoiantes para ir ao tribunal provar que as eleições lhe foram roubadas.

Contudo, a maior parte do dinheiro foi usado para outros propósitos.

A 2 de janeiro de 2021, Trump telefonou ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, e pediu-lhe para “encontrar” os votos necessários para reverter a sua derrota no estado.

Por isso é acusado de conspiração para cometer fraude eleitoral, solicitação criminosa para cometer fraude eleitoral e interferência intencional no desempenho das funções eleitorais.

Outra lei vigente é a que proíbe a ocultação, remoção ou mutilação deliberada de registros do governo.

Essa lei ameaça como punição a desqualificação “de ocupar qualquer cargo nos Estados Unidos”.

Traduz, em outras palavras, a inelegibilidade de Trump em 2024.

Fatos realmente constrangedores acontecem na maior democracia global.

Porém, é necessário apurá-los com rigor, sobretudo para que seja possível defender a democracia pelas vias legais e nunca pela violência ou golpes de estado.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

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terça-feira - 15/02/2022 - 14:22h
Opinião

Biden e…

Biden derrotou Donald Trump na disputa presidencial (Foto: outubro/2021/Adam Schultz)

Biden derrotou Donald Trump na disputa presidencial (Foto: outubro/2021/Adam Schultz)

Por François Silvestre

a democracia dos democratas.

A única coisa boa de Joe Biden foi derrotar Donald Trump. Só. No resto é um democrata da democracia deles, americanos. O restante do mundo serve apenas para lustrar a adjetivação do termo, muito bonito e mais ainda prostituído.

Não se iludam. Essa conversa de que os democratas são progressistas é uma balela. O progressismo interno. Pros de fora, retrocesso.

Donald Trump foi um estrupício, não se nega. Porém, se você olhar com cuidado histórico, vai descobrir que os presidentes americanos mais transformadores de melhorias humanas, tanto no campo pessoal quanto social, foram do Partido Republicano. Abraham Lincoln é o mais exuberante exemplo dessa assertiva.

Nos tempos recentes inventaram esse progressismo dos Democratas, por conta do conservadorismo Republicano. John Kennedy é o modelo inverso. Vendido como progressista, era intervencionista e estimulador de ditaduras pelo mundo. Teve participação ativa no golpe militar de 1964. E ajudou a implantar e consolidar a ditadura.

Os Democratas são aliados de indústria bélica multinacional. Não é por outra razão que todo dia, há mais de mês, Biden diz: “A Rússia vai invadir a Ucrânia a qualquer momento”. Todo dia. Parece até Bolsonaro, que toda semana promete um “milagre” golpista para evitar as eleições.

A última de Biden foi: “A Rússia vai invadir a Ucrânia até o fim dos jogos de inverno da China”. E a indústria bélica lambendo os dedos. Dedos no gatilho

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quinta-feira - 07/01/2021 - 08:50h
A 'democracia' na América

EUA testemunham invasão de Congresso com registro de mortes

Do Canal Meio

Estados Unidos - Invasão do Capitólio (Congresso) em 06-01-21

Invasão juntou tipos estranhos e raivosos com repercussão em todo o mundo (Foto: web)

Já se aproximava das 6h no Brasil, agora na manhã de hoje, quando no exercício ritual de comando do Senado o vice-presidente americano Mike Pence declarou eleitos Joseph R. Biden Jr e Kamala D. Harris.

Na Geórgia, enquanto isso, o reverendo Raphael Warnock e o documentarista Jon Ossoff foram eleitos senadores, confirmando assim que o Partido Democrata terá maioria na Câmara e no Senado durante o biênio 2021-22. Há vinte anos o estado só elegia republicanos — ontem foram dois da oposição, de uma só tacada.

E assim o processo eleitoral americano enfim terminou. Não há mais passos ou possibilidade de reverter, o Congresso Nacional sancionou o resultado da corrida presidencial. Mas não era para ter sido tão tarde.

Deputados e senadores tiveram de parar por várias horas seu trabalho pois tiveram a vida posta em risco. Também ontem, pela primeira vez em mais de 200 anos de história, um presidente americano – Donald Trump – incitou uma turba em fúria para que invadisse o Parlamento de forma a impedir que a escolha popular fosse confirmada.

Democracia ferida

Justamente quando o Congresso se reunia para homologar a eleição presidencial, Trump foi à frente dos jardins da Casa Branca de onde discursou para a turba, repetiu sua afirmação sem qualquer prova de fraude eleitoral, e a incitou. “Nós vamos agora andar até o Capitólio”, ele disse, “e vamos celebrar nossos bravos senadores e deputados e deputadas, e talvez não celebremos alguns deles.”

A multidão atravessou então os quase três quilômetros que separam a residência presidencial do Congresso e, após pressionar, vários ganharam acesso ao prédio pegando a segurança desprevenida.

Mike Pence foi o primeiro evacuado às pressas, depois por ordem os senadores e os deputados — mas ainda havia parlamentares no plenário do Senado quando os vândalos o invadiram.

Um homem desfilou com uma bandeira confederada — símbolo daqueles que, nos anos 1860, quiseram cindir o país. Uma dupla substituiu a bandeira nacional no exterior do Parlamento por uma na qual se inscrevia apenas o nome do líder em letras garrafais — Trump.

Bandeira confederada é empunhada no Capitólio (Foto: Saul Loeb/AFP-Getty)

Bandeira confederada é empunhada no Capitólio (Foto: Saul Loeb/AFP-Getty)

Outro circulou com na camiseta a estampa Campo Auschwitz.

Invadiram gabinetes de deputados e senadores, fotografaram o que estava nas telas dos computadores largados às pressas, ocuparam sem ter sido eleitos os assentos no plenário incluindo aquele dedicado ao presidente da Casa. Discursaram.

Quando a prefeitura de Washington pediu ao Departamento de Defesa ajuda da Guarda Nacional, ouviu não. O assalto ao Capitólio já durava duas horas quando Joe Biden apareceu.

“Este é um assalto ao que há mais sagrado na América”, afirmou. “O trabalho de debater os temas do povo.” E então chamou Trump à responsabilidade. “Apareça em cadeia nacional, cumpra seu juramento, defenda a Constituição e exija o fim do cerco.”

Poucos minutos depois, nas redes sociais, veio o vídeo do presidente. “Vão para casa”, pediu. “Nós amamos vocês.” Demorou ainda mais de hora para que a Guarda Nacional, agora convocada pelo vice-presidente, pudesse evacuar enfim o prédio.

Ao todo quatro pessoas morreram por conta da invasão ao Capitólio – veja AQUI também.

Nota do Blog – Preciso voltar a ler (depois de décadas) “A democracia na América”, de Alex de Tocqueville. Centenas de páginas que precisam ser revistas, agora sob um novo olhar, com mais maturidade, em confronto com isso que testemunho agora. Que tempos estranhos!

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quarta-feira - 06/01/2021 - 18:00h
Opinião

O Partido Republicano morreu!

Partido republicano dos Estados Unidos - LogoPor François Silvestre

Foi algum comunista que disse? Ou algum esquerdista americano? Ou o presidente da Venezuela? Ou um líder cubano? Não, não, não.

Foi Donald Trump, hoje, num discurso insuflando a massa a invadir o Capitólio. Disse e conseguiu o intento. Bagunçou o congresso, esculhambou a democracia americana e deu bananas para o processo eleitoral.

Daí podem sair várias consequências:

I- O fim do bipartidarismo americano, com a criação de um partido trumpista, que acolherá os idiotas úteis que o cercam e veneram.

II- O Congresso votar, em regime de urgência, o impeatcheam de Donald Trump, por inúmeros motivos. Crime contra a ordem pública, crime de lesa pátria, crime contra a ordem democrática, crime de mentira, crime contra o funcionamento regular do Congresso, etc…etc…é um passeio pelo Código Penal americano.

III- Se nada disso acontecer, constata-se: A decantada democracia americana deixou cair a máscara e perde a autoridade moral para cobrar democracia em qualquer lugar do mundo. Simples assim.

Leia também: Congresso dos EUA é invadido por manifestantes pró-Trump.

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segunda-feira - 04/01/2021 - 07:56h
Opinião

O serviço de Donald Trump…

Por François Silvestre

contra a hipocrisia.

Essa coisa do não reconhecimento da derrota e de não convidar o vencedor à Casa Branca, civilizadamente, como costumava acontecer há séculos, retirou a máscara da decantada “perfeição” da democracia americana. A História fica devendo isso a Donald Trump. Palmas para ele.

Donald: derrotas e mais derrotas (Foto: arquivo)

O engraçado é que os americanófilos brasileiros, trumpistas, esquecem que, ao apoiar o esperneio de Trump, acabam por equiparar a democracia idolatrada do Tio Sam à democracia eleitoral da Venezuela. Qual a diferença? Segundo Trump, nenhuma. “Foi a eleição mais roubada da história”. Disse e repete Donald Trump. E seus fanáticos seguidores aplaudem e confirmam a denúncia. Inclusive os daqui.

Quer dizer o quê? Que era tudo uma grandiosa farsa. O Próprio Donald Trump perdeu para Hilary Clinton nos votos populares gerais. Mas ganhou nas mumunhas democráticas da eleição indiretaBarak Obama e a própria Hilary reconheceram a derrota. E Trump foi convidado à Casa Branca, antes da posse.

Agora, Joe Biden ganhou nas eleições populares gerais com mais de sete milhões de votos de maioria. Não bastando, ganhou no Colégio Eleitoral de lavada. Vitorioso nas diretas e na indireta. Não aceitando a derrota, Donald Trump foi à luta. Denunciou fraudes, sem prová-las ou não, não sei. Perdeu todas as ações judiciais. Não se conformou e diz que foi roubado.

Pôs dúvida na eleição, pôs dúvida na apuração, pôs dúvida na certificação pelo Colégio Eleitoral. Agora, está demonstrando que até a Justiça da decantada democracia americana é uma grandessíssima merda. Kkkkkkkkkkk. Meus tempos de Casa do Estudante não mereceram um presente de tamanho júbilo. Obrigado, Donald Trump. Foi tarde, mas valeu!

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quarta-feira - 11/11/2020 - 11:26h
Opinião

Fascismo derrotado

Trump: derrota (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Donald Trump perdeu de lavada, e eu previra. Só não aceitam a realidade da derrota o próprio Trump e seu animalzinho de estimação Bolsonaro, que ainda saliva esperando do chefe autorização para reconhecer.

Seu reconhecimento chegará tarde e será ignorado. Até a maioria dos líderes do Partido Republicano já publicaram os parabéns ao vitorioso. Em governos de Estados, Senado e Câmara.

Essa derrota do fascismo não é derrota da Direita democrática, merecedora de respeito. Não. Na Bolívia e no Chile a diferença favorável à Democracia não é mérito somente da Esquerda. Foi vitória dos progressistas e conservadores legítimos.

Esquerda, centro esquerda, centro e direita democrática têm suas assinaturas nessa vitória.

O fascismo não é conservador, destruir é da sua natureza. O conservador guarda princípios respeitáveis, mesmo que se discorde deles. Não se confunde com o fascismo. Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet, Stalin, Garrastazu são fascistas, portando, destruidores. Nada edificaram, apenas demoliram.

Venceu, nos Estados Unidos, a conservação. Apoiada pelos progressistas, que terão voz, conforme já declarou publicamente Joe Biden. O resto, falaremos depois, é choro muito, da nossa direita integralista e babaca. Anauê!

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domingo - 08/11/2020 - 07:48h

Estrupício X Zé Bodin (eleição americana)

Por François Silvestre

Deu Zé Bodin, menomale. É assim o complexo de vira lata, assumido, filho do canil de Nelson Rodrigues, desse Brasil idiota, que vejo e comemoro a derrota do estrupício.Tudo contido num quatro de terror, numa ribalta de horrores. Onde cada luz posta esmorece nas trevas estabelecidas. Na boca do palco, ao baixar o pano, a escuridão nem se curva para receber aplausos da ignorância.

Me vem à memória o diálogo final de “A Tempestade”, a peça quase esquecida de Shakespeare. Próspero, conquistador da ilha onde pontificava Calibã, teve com o nativo o último embate diante da revolta do conquistado.

Eras uma figura ignóbil e eu te dei compleição humana”, disse próspero. “Mas a ilha era minha e tu ma tomaste”. Respondeu Calibã. Ao que Próspero argumentou: “Mas eu te ensinei minha língua”. E Calibã encerrou: “No que a mim só serve para nela eu poder amaldiçoar-te”.

Pois é. Nós daqui somos a ilha de Calibã. Aprendemos a língua de Próspero, mas não aprendemos a lição de Calibã. Não amaldiçoamos a desgraça cultural que nos sufoca, nem a violência econômica que nos escraviza.

Porém, cada Próspero tem seu jeito. O último que estava lá não era apenas o mal da ilha, mas o mal da humanidade. Nós, Calibãs, após aprendermos a língua de Próspero, precisamos muito mais do que apenas amaldiçoá-lo na sua língua. Muito mais. Precisamos engasgar a sua língua, para resgatar e manter a cultura bruta e nativa de Calibã. (esse texto continua)

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 15/01/2020 - 10:08h
OECD

Trump vai cumprir promessa feita a Bolsonaro

Do Canal Meio

A mudança de governo na Argentina terminou por beneficiar o Brasil em seu pleito para se juntar à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD). O presidente americano Donald Trump já havia prometido indicar o país a seu par brasileiro, Jair Bolsonaro, no primeiro semestre de 2019. As ações dos EUA, porém, não davam sinal de cumprimento da promessa para além das palavras — nas recomendações oficiais foram apresentados os nomes de Argentina e Romênia.

Ontem, mudou.

O Departamento de Estado afirmou que gostaria de substituir a Argentina pelo Brasil.

Democracia e economia de mercado

Washington ainda não se comprometeu com um cronograma para o início do processo de admissão. Há um debate entre EUA e União Europeia — os europeus desejam acelerar a expansão da OCDE, permitindo a entrada de um país de fora da UE e outro de dentro por vez. Por isso, agora, Brasil e Romênia.

Os americanos querem que o crescimento seja mais lento. Ainda não há data para início do processo, que ao todo deve durar três anos. (Estadão)

A OCDE, que nasceu para reerguimento da Europa no pós-Segunda Guerra na gestão do Plano Marshall, é composta hoje por 36 países que, em comum, se comprometem com princípios de democracia representativa e economia de mercado.

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Categoria(s): Economia / Política
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