domingo - 10/07/2022 - 10:48h

O grande negócio do melão no mundo

Por Josivan Barbosa

Estamos iniciando o plantio das primeiras áreas de melão e melancia da safra 2022/23 para atender ao mercado internacional. Assim, é importante que o nosso produtor conheça os seus potenciais concorrentes e sua produtividade. Na Tabela abaixo colocamos uma síntese em termos mundial.

A produção mundial de melão atingiu 28,468 milhões de toneladas ocupando uma área de 1.068.238 hectares, com produtividade média de 26,6 toneladas por hectare.

Melão é um produto de grande apelo comercial (Reprodução)

Melão é um produto de grande apelo comercial (Reprodução)

A nossa produtividade está muito abaixo daquela de países tradicionais no cultivo de melão como China e Espanha, entretanto, precisamos avaliar que percentual dessas áreas cultivadas pelos dois países são em campo aberto como é 100% da nossa produção.

Outro aspecto importante é que a Espanha trabalha muito com o melão Pele de Sapo e no nosso caso trabalhamos com praticamente todos os grupos de melão. A China produz muito melão cantaloupe que normalmente apresentam uma produtividade maior do que o tradicional melão amarelo, muito cultivado no Brasil.

No próximo ano completaremos 40 anos de cultivo de melão no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE com destino ao mercado externo. Nesse período de 40 anos acumulamos muito conhecimento técnico e passamos de duas empresas na primeira metade dos anos 80 para cerca de 50 empresas na primeira metade dos anos 2020.

Todo esse crescimento foi feito graças ao setor privado, verdadeiros herói   e aos investimentos do Governo Federal em obras de infraestrutura hídrica, como as barragens do Castanhão (Nova Jaguaribara – Alto Santo – CE), Armando Ribeiro Gonçalves (Açu – Itajá – São Rafael), Santa Cruz (Apodi), entre outras.

País Área plantada (milhões de ha) Produção (milhões de toneladas) Produtividade (toneladas/ha)
China 385.756 13,838 35,9
Turquia 76.129 1,725 22,7
Índia 59.000 1,33 22,5
Iran 58.520 1,28 21,9
 Cazaquistão  51.258 1,17 22,7
Guatemala 28.384 0,665 23,1
Brasil 23.827 0,614 25,8
Espanha 18.520 0,611 33,0
Marrocos 16.830 0,505 30,0
França 13.110 0,267 20,3
Egito 7.848 0,216 27,5

Tabela: Área cultivada (ha), Produção (milhões de toneladas) e produtividade (toneladas por hectare) de melão em países produtores. Fonte: FAOSTAT (2020). A coluna da esquerda não está na ordem de volume de produção. A Espanha está em décimo primeiro no ranking mundial.

O Governo Federal e os governos estaduais também investiram em obras de infraestrutura de perímetros irrigados como o DIBA (Distrito Irrigado Baixo Açu – Alto do Rodrigues), DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe – Apodi – Limoeiro do Norte), DISTAR (Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas – Russas), entre outros.

Cajarana chega à Serra do Mel

Durante a nossa visita à Feira de Orgânicos de Mossoró conversamos com os sócios da Associação dos Produtores do PA Favela, que apesar de pertencer ao município de Mossoró, se relaciona mais com a municipalidade da Serra do Mel em função de estar instalado na divisa dos dois municípios.

A boa notícia é que os produtores já viabilizaram a instalação de 4,5 ha de cajarana e estão incentivados a aumentar a área.

Os produtores estão usando dois tipos de cajarana. Uma que produz frutos grandes (inicia a produção mais cedo – janeiro/fevereiro) e a que produz frutos pequenos e saborosos (produção mais tardia).

A concretização dos pomares de cajarana no PA Favela pode servir de modelo para que outras agrovilas possam implantar os pomares de cajarana e facilitar a instalação futura de uma fábrica de polpa de cajarana, agregando renda ao produtor. Também facilita a negociação com fábricas de polpa instaladas em outras regiões, como está acontecendo com o PA Pitomba em Governador Dix-Sept Rosado que negocia com o apoio do município a entrega do fruto para uma grande fábrica de polpa instalada na Serra de Pereiro.

Outro aspecto importante é que a cajarana passaria a ser uma fonte de renda no primeiro semestre e o caju no segundo semestre, como já é tradicional.

Prioridades de políticas públicas para o negócio rural

Nesses tempos em que se antecede as candidaturas ao Governo do RN, se faz necessário uma análise da situação atual do desenvolvimento do negócio rural do RN. Ambas, agricultura empresarial e agricultura familiar, precisam ser pensadas dentro das suas prioridades e necessidades. Vamos começar pelas demandas da nossa agricultura irrigada. Depois, abordaremos o tema para a agricultura familiar:

Construção de faixas de velocidade lenta ao longo da BR 304 para melhorar o fluxo de veículos pesados para os Portos de Natal, Mucuripe e Pecém e, como consequência, melhorar o fluxo de veículos pequenos.

Ligação da BR 304 a BR 406, com a construção de duas pontes (Macau e Areia Branca) facilitando o escoamento da produção da agricultura irrigada para o porto de Natal e o fluxo de turistas na Costa Branca.

Reinício do projeto de irrigação Santa Cruz do Apodi com o redirecionamento para um perímetro irrigado de agricultura sustentável (agricultura orgânica, agroecologia, agricultura sintrópica e similar).

Requalificação da área de lazer da Barragem de Santa Cruz visando melhorar o fluxo de turistas da região e, como consequência, atrair a população que trabalha no negócio rural da Chapada do Apodi.

Construção da Estrada do Arenito para beneficiar os produtores de caju, ligando os municípios de Severiano Melo e Apodi ao município de Tabuleiro do Norte (Olho Dágua da Bica), facilitando a ligação com a BR 116 e, consequentemente, com os portos cearenses (Mucuripe e Pecém).

Reinício da construção da Estrada do Melão (Etapa II) para beneficiar os produtores de Mossoró e Baraúna facilitando o escoamento da produção via BR 304 ou via RN 015 (Mossoró-Baraúna), e, como consequência, facilitar o escoamento da produção de derivados da indústria do calcário, já que na região há três fábricas de cimento e inúmeras fábricas de cal.

A estrada do melão também vai facilitar o acesso da população do Vale do Jaguaribe para as praias da Costa Branca do RN, notadamente Tibau, Grossos e Areia Branca.

Construção de uma via ligando a BR 110 a RN 117 a altura dos assentamentos Monte Alegre I e II para beneficiar o escoamento da produção de frutos tropicais, pois naquela microrregião já existe várias empresas instaladas e outras em processo de instalação.

Instalação de um packinghouse coletivo para embalar os frutos produzidos pelos pequenos produtores destinados ao mercado externo.

Requalificação do sistema de poços profundos dos assentamentos da região da grande MAISA como forma de beneficiar os produtores assentados.

Duplicação da RN 015 (Mossoró-Baraúna) facilitando o desenvolvimento da agricultura irrigada, da indústria do calcário e atração da população do Vale do Jaguaribe para o setor de comércio e serviços de Mossoró.

Requalificação da Estrada do Cajueiro, facilitando o acesso à Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte e Tabuleiro do Norte). Integração das águas da Barragem de Santa Cruz com a Lagoa do Apanha peixe como forma de perenizar a mais tradicional lagoa da região do Apodi – Caraúbas e Felipe Guerra.

O Semiárido ampliará a exportação de manga na safra 22/23

O Brasil trabalha com a expectativa de ampliar em cerca de 8% a exportação de manga, apesar da preocupação das empresas exportadoras com a logística de colocação do produto no mercado de destino no tempo em que o produto ainda chega com a qualidade que o consumidor deseja.

Os principais problemas de logística verificados no ano passado como escassez de contêineres e frequência de navio devem se repetir na atual safra.

Como praticamente toda a exportação de manga para os Estados Unidos e Europa é feita por empresas instaladas no Semiárido (Polo do Submédio do São Francisco – Juazeiro Petrolina e Polo de Agricultura Irrigada RN – CE) então, pode-se afirmar que o Semiárido será responsável pelo incremento.

A região do Submédio São Francisco (polarizada por Juazeiro e Petrolina) responde por cerca de 90% das exportações de manga do país.

O país exporta manga durante todo o ano, mas o grosso da exportação ocorre no segundo semestre.

O ano passado o Brasil exportou 272 mil toneladas de manga, o que correspondeu a cerca de 250 milhões de dólares, ou ¼ das divisas do país em termos de exportação de frutos frescos.

Os produtores trabalham com um rendimento médio de 30 toneladas por hectare.

O mercado mais importante para a manga do Semiárido Brasileiro é o da União Européia (EU), sendo o Porto de Roterdã (Holanda) responsável pelo recebimento de 70% dos volumes de exportação. Os outros portos de destino da nossa manga são os da Espanha e Reino Unido.

O país exporta manga também para os Estados Unidos e, em menor volume, para Coréia do Sul e Oriente Médio.

Nessa safra o produtor trabalha com receios dos preços da manga no mercado internacional em função do problema mundial da inflação e do comportamento da economia como um todo nos países importadores.

Mossoró sustentável

Após avançar na troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de led, o município de Mossoró precisa agora dar um passo a frente no aspecto de sustentabilidade ambiental. É necessário sintonia da gestão municipal com a nova realidade do país. Esse movimento já foi iniciado por dezenas de prefeituras ao redor do país, embora os passos ainda sejam lentos.

A troca de luminárias vai proporcionar também uma enorme redução no custo final de energia à PMM (Foto: PMM)

A troca de luminárias proporciona também uma enorme redução no custo final de energia à PMM (Foto: PMM)

Em São Paulo, o Desenvolve SP, banco de fomento do governo estadual, criou linhas de crédito especialmente voltadas a projetos de eficiência energética e energia renovável. Uma das orientações é promover a construção, nos municípios, de usinas fotovoltaicas para gerar energia solar, limpa e de baixo custo.

Segundo dados do Desenvolve SP, desde o início da pandemia, em março de 2020, até maio deste ano, foram financiados R$ 213,2 milhões para 59 prefeituras paulistas – o Estado tem 645 municípios. Os recursos foram utilizados para projetos de infraestrutura urbana, incluindo energia renovável, eficiência energética, água, saneamento, pavimentação e recapeamento. Nos dois anos anteriores à crise sanitária (2018 e 2019), foram financiados R$ 185,8 milhões. Portanto, houve aumento de 15%.

No setor privado, o Desenvolve SP reporta alta de 81,7% no financiamento para projetos sustentáveis em 2021. No ano passado foram desembolsados R$ 186,2 milhões para projetos que atendem a critérios ESG, contra R$ 102,5 milhões em 2020.

Seguindo o exemplo de São Paulo, o município de Mossoró pode trabalhar em sinergia com o Governo do Estado ou procurar um financiamento para instalar uma fazenda solar em bancos de desenvolvimento. O incentivo de bancos de fomento, inclusive do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é fundamental para acelerar o processo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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Categoria(s): Artigo / Economia
domingo - 01/05/2022 - 11:34h

O sabor do êxito na produção e exportação de manga do semiárido

Por Josivan Barbosa

A produção de manga no Submédio do Vale do São Francisco já ultrapassa 50 mil hectares. A região do Submédio do São Francisco possui uma área irrigada de 120 mil hectares de um total irrigável de 360 mil hectares. A região tem muitas vantagens para a produção de frutos tropicais entre elas: 3000 h sol/ano e precipitação média de 450 mm/ano, o que permite mais de 2 safras de manga/ano, dependendo da cultivar utilizada pelo produtor.

Produto tem grande aceitação externa e é exportado principalmente por via marítima (Foto ilustrativa)

Produto tem grande aceitação externa e é exportado principalmente por via marítima (Foto ilustrativa)

Em média, as áreas produtoras de manga do Submédio do Vale do São Francisco estão distantes 930 km do Porto do Pecém, 500 km do Porto de Salvador (principal porto usado na logística de exportação), 700 km dos Portos de Recife e 900 km do Porto de Natal (usados esporadicamente). O Porto de Recife não é adaptado para a exportação de frutos e o de Natal, apesar de ser muito bom, é distante.

O principal modal de exportação da manga é o marítimo (92%), sendo o aéreo e o rodoviário em torno de 4% cada um.

Atualmente, o transporte de carga no Aeroporto de Petrolina está suspenso desde que iniciou-se a pandemia Covid 19.

Área cultivada

A Valexport trabalha com a estimativa de 51 mil hectares sendo 21 mil hectares cultivados nos perímetros irrigados e 30 mil hectares fora dos perímetros irrigados. Bem acima da área cultivada com uva que é em torno de 14 mil hectares.

Os perímetros irrigados instalados naquela região do Semiárido a partir de 1970 são: Bebedouro, Tourão (Juazeiro), Nilo Coelho, Maniçoba, Curaçá, Maria Tereza (ampliação do Nilo Coelho), Salitre (Rio Salitre, afluente do São Francisco), Pontal (em início de operação) e os perímetros de áreas de assentamentos (Santa Maria da Boa Vista, Orocó, Belém do São Francisco), além das áreas irrigadas de Sobradinho (lotes de 6 ha).

Certificação

Os principais sistemas de certificação adotados são: PIF, Global GAP, USA GAP, Fair Trade, Tesko/Marckspenser e Rainforest Aliance. Este último é o mais importante e o primeiro que é o brasileiro, praticamente nenhum país aceita.

A CEE (Comunidade Econômica Europeia) permite apenas o uso de até 3 agroquímicos e com apenas 1/3 do LMR da legislação Europeia.

A mosca-das-frutas (ceratis capitata) é a principal praga da fruticultura na região.

Exportação e empregos

O principal destino de exportação da manga do Submédio do Vale do São Francisco é a Europa (120 toneladas/ano) e o segundo destino é os EUA. A exportação de manga rendeu no ano passado para o país U$ 224 milhões. Se somado o valor da uva chega a U$ 376 milhões.

Em 2021 a região do Submédio do Vale do São Francisco que, também, é denominada de RIDE (Região Integrada de Desenvolvimento Econômico) exportou 245 mil toneladas de manga.

A Agrodan é a principal empresa exportadora.

O setor gera 250 mil empregos diretos e quase 1 milhão de empregos diretos e indiretos.

A organização da exportação, a política do setor e a responsabilidade da certificação sanitária fica a cargo da Valexport que assume o ônus de todo o setor frutícola do Submédio do Vale do São Francisco.

Variedades

A Tommy Atkins e a Palmer são as principais variedades de manga cultivadas no Submédio do Vale do São Francisco. A Tommy Atkins é muito conhecida no mercado nacional e tem uma vida útil pós-colheita boa, mas é fibrosa. A Palmer é mais saborosa, menos fibrosa, mas o ciclo produtivo é de 180 dias e a Tommy Atkins é de apenas 120 dias. A Palmer é de fácil indução floral, produz 12 meses por ano, mas apresenta uma vida útil pós-colheita menor do que a Tommy Atkins. A Palmer apresenta boa produtividade (50 toneladas/ha).

A produção é mais concentrada no segundo semestre (70%) e 30% no primeiro semestre. A temperatura baixa a partir de maio favorece a floração.

As variedades Kent e Keitt são saborosas, pouco fibrosas e são muito aceitas na Europa.

A manga Ataulfo (doce e sem fibra), bastante conhecida no México, não tem apresentado boa produtividade. Média de 8 toneladas/ha.

Transporte e mercado

O transporte aéreo é usado apenas para a Ásia (Japão e Coréia do Sul). O transporte marítimo é usado para a Europa, EUA e África do Sul. A manga é transportada em contêiner refrigerado (10 graus).

A Valexport contratou a consultoria da Mango Board para ampliar a divulgação da manga do Submédio do Vale do São Francisco nos EUA.

Os principais mercados são: Mercado Comum Europeu (ME), Norte Americano (EUA e Canadá). O Canadá não tem exigências fitossanitárias a exemplo da Europa. O produto ainda é exportado para a Ásia (Japão e Coréia do Sul), África (África do Sul), Mercosul (Argentina e Uruguai) e Chile.

O mercado americano representa uma janela de exportação (setembro a outubro) em função da competição com a manga peruana. O Peru tem 72 plantas (packinghouses adaptados para tratamento hidrotérmico da manga) de exportação de manga enquanto que o Brasil tem apenas 12 (11 no Submédio do Vale do São Francisco e uma no Rio Grande do Norte – Finoagro em Ipanguassu).

A exportação de manga é apoiada pela instrução normativa 12 de 2010 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 30/08/2020 - 11:16h

Produção e exportação de manga devem ser prioridades

Por Josivan Barbosa

O Polo de Agricultura Irrigada RN – CE precisa aumentar a área de produção com manga, especialmente na região da Chapada do Apodi, compreendendo os municípios que possuem mais de uma fonte de água como é o caso da região polarizada pelo município de Apodi que apresenta facilidade na exploração da água do lençol freático Arenito-Açu. A área de produção com manga no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE é praticamente a mesma da década de 90.

Depois da desativação das áreas de produção de manga no Vale do Açu no final da década de 90 que pertenciam à Frunorte, nenhuma outra empresa avançou na produção de manga. A produção de manga para exportação está concentrada em apenas uma empresa, a antiga Finobrasa (hoje Finoagro).

Fruta tem baixa exportação (Foto ilustrativa)

A maior parte da produção de manga para exportação do Brasil está concentrada no Vale do São Francisco que responde por cerca de 85% da exportação da fruta do país. O Brasil exporta apenas 15% do que produz.

Exportação de manga II

A manga é produzida o ano todo, mas a produção concentra-se no segundo semestre (outubro a dezembro). Com a desvalorização do real frente às principais moedas dos países importadores (dólar, euro e libra) o preço para o produtor está mais atrativo, apesar do aumento no custos de produção, já que boa parte dos insumos são adquiridos de multinacionais.

Os principais concorrentes no mercado internacional são Peru (produz de dezembro a março) e países da América Central (Guatemala, Costa Rica e Honduras). Os países produtores da África (Senegal, Costa do Marfin e Mali) produzem nos meses de Maio e Junho e  Israel, que produz de  Julho a Setembro.  O mercado Europeu cresce cerca de 10 a 15% ao ano, ou seja, a cada sete anos dobra de tamanho. Há países europeus que apresentam um consumo elevado de manga e outros cujo consumo ainda é muito pequeno.

O consumo per capta médio anual europeu de manga é de aproximadamente meio quilo, entretanto, Portugal é um grande consumidor com 3,5 kg e Suiça 1, 7 kg. Isso mostra o grande potencial de crescimento do mercado europeu para a manga e, assim, o Polo de Agricultura Irrigada RN – CE tem na manga uma excelente alternativa para diversificar a produção que está concentrada no melão e melancia, com cerca de 20 mil hectares.

Exportação de manga III

Um das grandes empresas  exportadoras de manga do Brasil para a Europa no Vale do São Francisco é a Agrodan (Agropecuária Roriz Dantas) que possui uma área de 1200 hectares e que planeja aumentar nos próximos anos para cerca de 2000 ha. O mercado interno, apesar da crise financeira da população após a pandemia ter retraído, mas tem muito potencial.

Há duas áreas no Rio Grande do Norte que poderiam ser usadas pelas empresas para a produção de manga. A segunda etapa do DIBA (Distrito Irrigado Baixo-Açu) e o Distrito Irrigado Santa Cruz do Apodi.

/A Segunda etapa do DIBA possui 3000 ha, com lotes empresariais de 100 hectares cujo investimento está sendo feito pelo Governo do RN da ordem de R$ 10 milhões oriundos do empréstimo do Banco Mundial (RN Sustentável/RN Cidadão).  Até o momento já foram licitados 2000 ha e entregues às empresas que estão investindo em infraestrutura para iniciar a produção.

O projeto do Distrito Irrigado Santa Cruz do Apodi está parado, mas espera-se que a Bancada Federal viabilize a retomada da obra, que já consumiu muitos milhões de reais.

Mel

De acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) produtos agropecuários menos tradicionais na balança comercial brasileira como cera, mel, lácteos, chás, mate e especiarias têm aumentado a participação nas exportações do país e ajudado a impulsionar os embarques do setor, liderados por grãos e derivados, carnes, produtos florestais, açúcar, etanol e café. A CNA mantém um projeto de promoção dessa cesta de produtos no exterior, além de frutas e pescados, ainda carentes de mercados em outros países.

A inclusão do mel nesta variedade de produtos exportados vem ao encontro dos apicultores do Semiárido Nordestino que passaram por tempos difíceis durante a última grande seca (2011-2017).

Projeto Eólico Serra do Mel

Em plena pandemia, a Echoenergia conseguiu concluir, com três meses de antecedência, as obras do projeto eólico Serra do Mel I que recebeu R$ 1,5 bilhão em investimentos. Com isso, atingiu a marca de 1 gigawatt (GW) de potência instalada, se tornando a 2ª maior geradora eólica do país, considerando ativos em operação.

A próxima grande obra é o desenvolvimento do complexo adjacente Serra do Mel II, que envolve aportes de mais R$ 1 bilhão. E, assim, a nossa Serra do Mel avança num setor estratégico, o de energia renovável.

Casa dos Ventos

A comercializadora Capitale Energia acaba de fechar um PPA (contrato de compra e venda de energia) de longo prazo com a Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras de projetos eólicos do país. O acordo prevê o fornecimento de 13 megawatts (MW), por um prazo de 10 anos, a partir de uma das sociedades de propósito específico (SPEs) do complexo eólico Rio do Vento, que está sendo desenvolvimento pela Casa dos Ventos no Rio Grande do Norte. A empresa já está em negociação com outros geradores renováveis para novos acordos do tipo, e o próximo contrato deve envolver um empreendimento solar.

Com investimentos de R$ 2,4 bilhões, o Rio do Vento terá oito parques eólicos, com potência total de 504 MW e expansão já planejada para uma segunda fase. Apenas uma pequena parte da energia do complexo foi vendida no ambiente regulado (ACR): o principal foco está na venda ao ambiente livre (ACL), por meio de PPAs com consumidores de médio e grande porte.

Os exemplos acima mostram mais uma vez a importância da formação no Estado do RN de profissionais voltados para a geração de energia (engenheiros de energia) o que aumenta a responsabilidade da Universidade do Semiárido em reativar o curso de Engenharia de Energia.

Seguro agrícola para o melão

O seguro agrícola no Brasil com subvenção do MAPA historicamente não atende nem 10% da área plantada e tem sido restrito aos grandes produtores de grãos e às grandes cooperativas do Sul e Sudeste do país. Ocorre que, a atual ministra da agricultura, Tereza Cristina tem avançado no incremento dos valores reservados anualmente no Plano Safra, tendo a perspectiva de triplicar de valor na safra 2020/21 que era, até o Plano Safra anterior, em torno de apenas meio milhão de reais. Com o aumento no valor disponibilizado pelo Governo Federal, há uma oportunidade para que parte da produção de frutos seja beneficiada pela primeira vez na história. Nesse sentido, a cultura do melão pelas características de susceptibilidade a contratempos climáticos pode ser a primeira a despertar o interesse das seguradoras.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Rural do Semiárido (UFERSA)

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