segunda-feira - 28/07/2025 - 12:28h
Tudo dominado

Como Pipa e outros paraísos caíram nas mãos de facções criminosas

"Sindicato" é dona do pedaço e tem normas próprias para deixar tudo em "ordem." (Foto: Getty Images)

“Sindicato” é dona do pedaço e tem normas próprias para deixar tudo em “ordem.” (Foto: Getty Images)

Por Vitor Tavares (BBC News Brasil)

Coqueiros, águas mornas, frutos do mar… Venda de drogas à luz do dia, “olheiros” monitorando as esquinas, assassinatos violentos e uma vida local dominada pelo poder paralelo das facções. Essa descrição hoje serve para três dos principais (e mais bonitos) destinos turísticos de praia do Nordeste brasileiro: Porto de Galinhas, em Pernambuco; Pipa, no Rio Grande do Norte; e Jericoacoara, no Ceará.

E as semelhanças não param por aí. Praias mais famosas de seus respectivos Estados, as três mantêm um certo clima de tranquilidade, com regras do crime organizado para coibir roubos contra aqueles que as visitam – uma forma de não afastar os turistas que movimentam a economia e o tráfico na região.

Para quem mora ali, porém, a presença e a crueldade das facções são bastante conhecidas, das ameaças a quem não cumprir ordens e decapitações, aos pontos de venda em espaços centrais das vilas, segundo moradores, autoridades e pesquisadores com quem a BBC News Brasil conversou nas últimas semanas.

Por trás do cenário de violência, está o processo de expansão das facções pelo Brasil, antes restritas às grandes cidades e fronteiras, e a alta circulação de dinheiro nessas vilas que concentram festas e turistas de alto poder aquisitivo.

Pipa

Na praia mais famosa do Rio Grande do Norte, Pipa, na cidade de Tibau do Sul, as tarefas do crime são cuidadosamente divididas.

“Só falta assinar a carteira, são organizados demais”, diz uma fonte da Polícia Civil do Estado à BBC News Brasil.

Entre os cargos, estão o “vapor”, que anda com bolsas carregadas de drogas para venda, e o “visão”, como são chamados os olheiros que ficam nas esquinas avaliando o movimento suspeito e identificando possíveis interessados.

Geralmente meninos muito jovens de regiões carentes, eles têm salário definido, trabalham em escalas de 12 horas por dia, sete dias corridos, com folgas nos dias seguintes. E também pagam uma mensalidade para serem membros do grupo criminoso.

“Você se sente observado por eles o tempo todo”, conta Cláudia, uma moradora local. Nos bares, o assunto costuma ser ignorado pelos moradores, e quem fala é aconselhado a silenciar.

Os jovens são membros do Sindicato do Crime, facção surgida no Rio Grande do Norte em 2013, dentro do Presídio de Alcaçuz, na Grande Natal – onde, cinco anos mais tarde, haveria um massacre com 27 mortos em um confronto do grupo com o PCC.

Após se expandir para fora da prisão, em Natal, o grupo seguiu o caminho da expansão pelo Estado, onde as forças de segurança são mais frágeis, explica a antropóloga Juliana Melo, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“O Rio Grande do Norte é pequeno, mas estratégico porque tem fiscalização fraca nos portos e pouca inteligência policial, com foco de punir. O Estado é o ponto mais próximo da Europa e está do lado do Ceará, outro ponto importante”, ressalta Melo.

Há uma estimativa de que hoje haja 20 mil filiados ao Sindicato do Crime no Estado, segundo uma fonte policial com familiaridade com o assunto disse à BBC News Brasil.

Quando a facção nasceu, já havia um plano de chegar logo a Pipa. Isso porque, segundo relato dessa fonte, dois de seus fundadores eram da região.

“Então a dominância da praia tinha valor simbólico e político para a facção”, diz.

Mas a chegada à praia também era estratégica, por conta da alta circulação de turistas de alto poder aquisitivo.

Muito além de destino paradisíaco, nos últimos anos Pipa se consolidou como um dos grandes pontos de festas do litoral nordestino.

“Essa facção vive basicamente do tráfico, e aqui virou polo de gente em buscas de festas e com uma vibe liberal, de uso não só de maconha, mas de drogas sintéticas”, completa a fonte.

Em Pipa, o tráfico era tão escancarado que chegou a ter uma “lojinha” para venda de drogas em uma galeria no centro da vila – fechada recentemente numa operação da Polícia Civil. Alguns serviços da praia também seriam controlados pelo poder paralelo.

Tribunal próprio

Como em outras praias, o Sindicato do Crime tem seu próprio tribunal que “investiga, acusa, julga, pune e executa”, diz à BBC News Brasil um investigador.

Essa organização está prevista no próprio estatuto de criação do grupo, documento com 21 artigos ao qual a BBC News Brasil teve acesso.

O grupo estabelece um código de conduta rígido para manter “a ordem e o respeito dentro da comunidade” (ou “quebrada”). Entre as principais regras aos membros , estão proibições de agressões, traições afetivas (“talaricagem”), som alto à noite, vínculos com outros grupos e até uso de crack e do medicamento rivotril, “pelo efeito devastador que elas causam na vida de quem usa”. O remédio só é liberado por membros que demonstrem receita médica.

O documento estabelece que problemas devem ser resolvidos com os líderes locais e que os membros devem buscar sempre a “paz” na comunidade. Quem sai do grupo é proibido de seguir no crime.

“Às vezes, a gente é chamado para resolver algum problema como roubo, quando a gente chega no local, a facção já passou por lá e saiu”, conta a fonte policial.

Mas essa aparente tranquilidade é abalada quendo há rivalidade dentro da própria facção ou a chegada de um novo grupo.

“Antigamente, a gente sentia que a facção protegia a vida dos moradores aqui. Mas quando começa a disputa entre eles, tudo fica mais tenso”, diz Cláudia, moradora da região que acompanha de perto os casos.

O triplo homicídio de dezembro, em pleno centro da vila, ocorreu porque um novo grupo rival do Sindicato do Crime tentava se estabelecer na praia. Mas não conseguiu.

Recentes operações da Polícia prenderam líderes do grupo. Só em 2024, 97 pessoas foram presas. Segundo a Polícia, o prejuízo causado ao crime com apreensão de drogas foi de R$ 1,3 milhão – e o crime hoje estaria mais “desorganizado” na região.

Mas moradores e investigadores sabem que há uma facilidade de o grupo se reorganizar. “Quando a polícia desmantela, amanhã já tem outro líder”, diz Cláudia.

Em nota, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte disse que tem focado no combate a organizações criminosas, o que tem contribuído para a redução dos homicídios na região. No primeiro semestre, foram dois homicídios em Tibau do Sul.

“Generalizações que associem a localidade ao domínio de grupos criminosos devem ser rechaçadas”, diz a nota.

Veja matéria completa clicando AQUI.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
domingo - 16/03/2025 - 06:34h
Alto Oeste

Quatro homens são mortos em confronto com policiais militares e civis

Policiais apreenderam armas e munições (Reprodução)

Policiais apreenderam armas e munições (Reprodução)

Portal Nordeste e Repórter Caveira

Na tarde desse sábado, 15 de março de 2025, uma operação que envolveu policiais civis e militares do Grupo Tático Operacional (GTO), em Luís Gomes-RN, comunidade rural de São Bernardo, foi marcada por intenso confronto armado com membros da facção criminosa Nova Okaida. O grupo estava no local com a intenção de executar um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme informações obtidas pelas autoridades.

A ação policial foi desencadeada após uma denúncia de ameaça de morte contra uma pessoa, o que levou a polícia a se deslocar até o local informado. Porém, ao chegarem à área, os policiais foram surpreendidos a tiros pelo grupo da Nova Okaida, dando início ao confronto. Durante o tiroteio, quatro suspeitos foram feridos e, apesar de socorridos e levados ao Hospital Municipal Vereador Antonio Linhares, não resistiram aos ferimentos e morreram.

O incidente aconteceu na localidade de Alto dos Cândidos, nas proximidades do Distrito de Vila São Bernado, na zona rural da cidade, marcado por um intenso confronto armado.

Mortos

Entre as vítimas fatais, foi identificado Alan Franklin de Andrade, de 19 anos, morador do Bairro Bela Vista, na cidade de Uiraúna, no estado da Paraíba, distante cerca de 12 km de Luís Gomes. Outro nome confirmado é o de um homem conhecido apenas como “Toinho”, residente em Luís Gomes. Ambos faleceram devido à gravidade dos ferimentos.

Durante a ação, a polícia apreendeu armas e munições utilizadas pelos criminosos. Os corpos dos suspeitos foram encaminhados ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) de Pau dos Ferros (RN) para os devidos exames.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Luís Gomes, que busca entender mais detalhes sobre a operação e a dinâmica do confronto. A reportagem segue acompanhando o caso e atualizando a população sobre novas informações.

Segundo a Polícia além dos mortos, dois suspeitos ainda estão foragidos, e até o momento não foram localizados ou presos. A polícia continua suas buscas para capturá-los.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Luís Gomes fica a 2004 quilômetros de Mossoró e a 442 de Natal, com população de 9.286 habitantes. Está localizada na região do Alto Oeste do RN. Até bem poucos anos era um lugar pacato, absolutamente tranquilo.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
  • San Valle Rodape GIF
sexta-feira - 17/03/2023 - 11:24h
Reação

Segurança do RN afirma que já prendeu 73 suspeitos de ataques

Segurança Pública do RN faz mais um balanço das operações de combate ao crime organizado que desde terça-feira (14) toca terror no RN, já atingindo mais de 40 cidades.

Veja os dados simplificadamente:

-73 suspeitos presos 20 armas de fogo apreendidas

– 4 simulacros de arma de fogo apreendidos

– 62 artefatos explosivos apreendidos

– 22 galões de gasolina apreendidos

– 10 motos apreendidas

– 2 carros apreendidos.

Os ataques continuaram no dia passado, tanto na capital como no interior.

No pátio da Secretaria Municipal da Mobilidade Urbana (STTU), no Ribeira, em Natal, 14 motos foram incendiadas na noite desta quinta-feira (16). Ninguém ficou ferido. Ninguém preso ainda e fogo controlado.

Em Pedra Preta, um ônibus para transporte de estudantes foi incendiado.

Em São Gonçalo do Amarante, bandidos atearam foto em depósito de medicamentos da municipalidade. Prejuízos devem passar de 10 milhões de reais, além do comprometimento no atendimento à população.

Em Mossoró, tentaram incendiar unidade da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN) no Alto de São Manoel, mas fogo não se alastrou.

Em Mossoró, ainda, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis teve seu depósito atingido pelo fogo. União de associados e vizinho impediu avanço do incêndio.

Estação ferroviária em São José de Mipibu teve princípio de incêndio, após coquetel molotov ser jogado no prédio. Chamas foram detidas.

Supermercado foi atacado e roubado no bairro das Rocas (Natal).

Carros e ônibus foram incendiados em Parnamirim e Natal.

Comércios movimentados como do bairro Alecrim ficaram parcialmente abertos ou fecharam muito cedo.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
sexta-feira - 17/03/2023 - 09:28h
Pesquisadora afirma

Sindicato e PCC se uniram por melhorias nas prisões do RN

Atos criminosos nas ruas se repetem e não parece ser isolado, podendo eclodir outras vezes

Por Jeniffer Mendonça (Ponte Jornalismo)

O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), que é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, indica uma série de violações de direitos humanos, como doenças, comida estragada e tortura, em cinco unidades prisionais inspecionadas pelo órgão entre 21 e 25 de novembro de 2022, no RN. Dentre elas, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que foi palco de um massacre em janeiro de 2017 com 26 mortos após uma investida de presos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o Sindicato do Crime.

Ônibus atacado em Mãe Luíza esta semana, em atos criminosos (Foto: redes sociais)

Ônibus atacado em Mãe Luíza esta semana, em atos criminosos (Foto: redes sociais)

“Em 16 anos de experiência na área [de segurança pública], nunca havia presenciado uma situação tão desumana. O que vimos é realmente chocante. Em literalmente todas as celas que entramos tinha no mínimo uma pessoa machucada. O severo nível de tortura praticada nas unidades prisionais, sobretudo em Alcaçuz, nos deixou muito impressionados”, disse ao Poder360 Barbara Coloniese, que integra o MNPCT.

Para Juliana Gonçalves Melo, antropóloga, pesquisadora do sistema prisional e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), os ataques, que já aconteceram de forma parecida desde 2016, são formas que a massa carcerária encontrou para ter suas solicitações atendidas. “Os presos não querem comer caviar, eles querem um alimento que não estrague e não faça mal”, aponta. A forma de protestarem é tocando terror.

A situação chegou num ponto limite em que a rivalidade entre PCC e Sindicato do Crime, que chegou ao auge em 2017 e permanece com planos de vingança, teve uma trégua, segundo a pesquisadora.

Veja trechos da entrevista dela à página:

Ponte — Essa não é a primeira vez que cidades do Rio Grande do Norte são alvo de ataques como aconteceram nesta semana. Esses episódios estão relacionados? O que está por trás dos ataques que começaram na madrugada de terça-feira?

Juliana Gonçalves Melo — A meu ver, eles têm, sim, uma relação de continuidade, ainda que existam peculiaridades em cada situação. Por exemplo, em 2015 a gente tinha a instalação de bloqueadores de celulares no Presídio Estadual de Parnamirim e, a partir disso, teve uma revolta no sistema [prisional] e tivemos ataques em prédios públicos, a ônibus etc. Esses eventos, de uma forma geral, estão vinculados à questão prisional. Por um lado também é uma mensagem de força, de poder que as facções tentam demonstrar, e, ao mesmo tempo, demandas por melhorias dentro do sistema prisional que, no Brasil, é horrível. Nosso sistema prisional é um sistema marcado por inúmeras violações de direitos elementares, entre eles o direito à própria vida, como aconteceu no Massacre de Alcaçuz, em 2017, que é um momento superimportante para entender um pouco desse contexto no Rio Grande do Norte.

Ponte — Por quê?

Itep recolheu corpos em Alcaçuz e começou a fazer primeira identificações (Foto: divulgação)

Itep recolheu corpos em Alcaçuz e identificações levaram vários dias (Foto: Arquivo)

Juliana Gonçalves Melo — O Massacre de Alcaçuz foi avisado. Os familiares avisaram que ia acontecer, mandaram ofícios para a Secretaria de Justiça. Os ofícios foram arquivados e o massacre aconteceu com 27 mortos oficialmente e uma lista muito maior de desaparecidos. E esses ataques vêm com a perspectiva de denunciar violações no sistema prisional que tiveram uma intensificação muito forte a partir do Massacre de Alcaçuz. Em 2017, o Presídio de Alcaçuz tinha cinco pavilhões. O quinto pavilhão era ocupado pelo PCC, que consegue pular para o pavilhão quatro, onde estava o Sindicato do Crime, e assassina todo mundo que estava ali. Poucos conseguiram fugir pelo telhado e a gente teve uma situação de guerra que se estendeu por quase 10 dias. Eu começo a trabalhar e a pensar na questão faccional com a Natalia [antropóloga Natalia Firmino Amarante, que foi orientada por Juliana em uma dissertação de mestrado sobre o Sindicato do Crime] nesse contexto.

Ponte — O noticiário tem apontado que a ordem dos ataques partiu do Complexo Penitenciário de Alcaçuz. Só lá houve maiores restrições ou afeta o sistema prisional potiguar como um todo?

Juliana Gonçalves Melo — Esse presídio foi um verdadeiro campo de concentração, pelo relato dos familiares, mas um grande foco de denúncia, por exemplo, é o presídio em Ceará-Mirim, que atualmente é considerado um lugar em que os presos estão sendo bastante torturados. As famílias fazem denúncias em relação a isso, mas as famílias são criminalizadas, tidas como mentirosas e as denúncias não avançam. Você tem o Presídio Mário Negócio, em Mossoró, que eles sempre falam da questão da fome, que a comida vem apodrecida. E isso tá criando uma hierarquia também entre eles, então tem um preso que não consegue comer e compra do outro que consegue comer menos da metade da quentinha dele por 50 reais. Não é só em Alcaçuz. Alcaçuz é considerado um berço, uma prisão simbólica para o Sindicato do Crime, um lugar de destaque e é a maior prisão do estado. Os presos não querem comer caviar, eles querem um alimento que não estrague e não faça mal. [Eles pensam que] se o Estado não me ouve por bem, ele vai me ouvir através da violência. Se eu fizer a greve de fome, ninguém vai ligar. Se eu fizer culto religioso, ninguém vai ligar. Se eu fizer passeata, ninguém vai ligar. Agora, se eu começar a fazer ataques, isso chama a atenção.

Ponte — O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Francisco Araújo, disse de início que os ataques estariam relacionados a operações policiais que prenderam lideranças do Sindicato do Crime e apreenderam drogas e armas. Isso de fato pode ser uma das motivações?

Juliana Gonçalves Melo — Desde 2017 estão apreendendo drogas e armas e prendendo lideranças. É mais do mesmo. São gotas de um copo cheio. De outubro para cá, aumentaram muito os assassinatos nas periferias. Tem os grupos de extermínio também. Outra coisa é que se pensou que, enfim, eles [presos] poderiam receber alimentos da família e que iria voltar a visita íntima, mas isso foi frustrado. Existe muita resistência do Sindicato dos Agentes Penitenciários em relação a isso também.

Ponte — Esses ataques coordenados desde 2016 mostram que o Sindicato do Crime está se aperfeiçoando?

Juliana Gonçalves Melo — Eles pegam o modelo do crime organizado que vem com o Comando Vermelho, com o PCC, que é quem chega primeiro nas prisões, que chegou com esse modelo e fez os primeiros “batismos”. Antes da chegada do PCC, a gente tinha outra dinâmica. Por exemplo, um senhorzinho que plantava maconha e vendia solto, ou briga de família de uma rua contra outra rua. Você não tinha essa dinâmica de crime organizado como o PCC. O PCC chega devagar em 2006 e vem com uma estrutura de “você paga uma mensalidade que, assim quando você for preso, a gente vai te ajudar com advogado”. [De tratar como] “Você não é um verme, você é irmão.”

Ponte — E como está essa questão da rivalidade com os ataques recentes?

Juliana Gonçalves Melo — O que a gente está vendo de um modo muito temporário, muito restrito, é um aceno para que se esqueça esse tempo, essa rivalidade, para que todos lutem por melhoria no sistema, porque eles estão reivindicando que todos estão sofrendo desde 2017 e que nada avançou no sentido das pautas reivindicatórias deles. Eu pensei que essa rivalidade não teria fim tão cedo porque tem uma memória muito forte do massacre, uma tentativa de vingança. Foi uma guerra que não ficou só nas prisões, ela se estendeu para as ruas e muitas pessoas foram mortas. Eu não sei dizer se é uma paz temporária, se a rivalidade ainda é a mesma, mas o “salve” coloca que é um momento de união porque eles estão percebendo que o Sindicato não tem força sozinho para levar essa mensagem de forma mais efetiva. Mas se é uma união temporária, falsa, a gente ainda não tem elemento ainda para falar, precisa de um tempo para refletir. Talvez seja uma união estratégica. O PCC não está tanto em Natal, ele está mais deslocado para Mossoró, então é tudo muito novo, muito complexo e eu não imaginava que isso poderia acontecer tão cedo.

Ponte — Essas são as únicas facções que atuam mais fortemente no estado?

Juliana Gonçalves Melo — Sim. A gente tem a presença do GDE [Guardiões do Estado, do Ceará], tem presença da Família do Norte [do Amazonas], tem outras facções que tentaram se estabelecer, mas que foram diluídas. Mas as duas mais fortes são essas. Por exemplo, o Sindicato do Crime ideologicamente está associado ao Comando Vermelho. Então tem todo esse jogo aí que envolve o Brasil como um todo.

Ponte — A governadora Fátima Bezerra (PT) assumiu pela primeira vez em 2019, dois anos após o massacre, e foi reeleita em 2022. Como a gestão dela afetou essa questão no sistema prisional?

Juliana Gonçalves Melo — A perspectiva é de que as coisas fossem melhorar porque [o partido] tem mais sensibilidade com a questão dos direitos humanos, das desigualdades sociais. Mas, assim como o presidente Lula não vai conseguir fazer tudo que ele quer porque está envolvido por um Congresso e cheio de amarras, a Fátima também não conseguiu avançar muito nessa pauta. Ela deu algumas sinalizações e tem um processo de abertura no sistema para remição de pena pela leitura que está em andamento, mas não foi ainda concretizado de forma efetiva. E ela acaba sendo também refém de velhas lógicas que existem ali e que são totalmente contrárias à perspectiva de direitos minimamente assegurados aos presos. Essa questão tem que ser colocada. Eu vejo o governo do PT bem intencionado, mas amarrado por várias estruturas que impedem um movimento mais livre. A gente sabe que a questão prisional é um grande tabu na sociedade.

Pedidos (ou exigências) feitas pelo Sindicato do Crime (Reprodução)

Pedidos (ou exigências) feitas pelo Sindicato do Crime (Reprodução)

Ponte — Que medidas deveriam ser tomadas para encerrar os ataques?

Juliana Gonçalves Melo — Acho que se deveria estabelecer melhorias dentro do sistema, poder entrar alimento [enviado por familiares] de novo, fortalecer as políticas de reinserção através da remição de pena pela leitura, pelo trabalho. Cobrar do Ministério Público e da Defensoria Pública uma atuação mais eficaz em relação à proibição de de tortura. Eu acho que isso seria muito importante, para escutar os familiares com respeito, com simetria, e não julgá-los como se fossem criminosos. A base de tudo também é a educação porque sete de cada 10 presos não tem nem ensino fundamental.

Veja matéria e entrevista na íntegra clicando AQUI.

*Ponte Jornalismo é uma organização sem fins lucrativos criada para ampliar o debate sobre os direitos humanos por meio do jornalismo. Tem como objetivo aumentar o alcance das vozes marginalizadas pelas opressões de classe, raça e gênero, permitindo a aproximação entre diferentes atores das áreas de segurança pública e justiça, colaborando, assim, na sobrevivência da democracia brasileira.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
quarta-feira - 15/03/2023 - 13:38h
Mossoró tensa

Prefeitura usa Guarda Municipal à garantia de coleta de lixo

Apesar da aparente tranquilidade da madrugada em Mossoró, a prefeitura local usa escolta armada da sua Guarda Municipal para acompanhar coleta de lixo por caminhão compactador e equipes nesta quarta-feira (15).

Mesmo com esse anteparo contra ataques criminosos (que ainda continuam em vários municípios do RN), todos trabalham sob tensão.

A própria atuação da empresa terceirizada Vale Norte, responsável pela coleta de lixo, está sendo restrita.

Ontem, ocorreram vários ataques em Mossoró com sérios prejuízos materiais. Um caminhão coletor da Vale Norte foi queimado, além de duas caçambas e vários veículos num pátio da municipalidade

*Veja série de matérias sobre o assunto que já postamos nas últimas horas: AQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI).

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Administração Pública / Segurança Pública/Polícia
terça-feira - 14/03/2023 - 19:16h
Combate à violência

Governo Federal vai enviar 100 homens e 30 veículos

Depois de uma reunião virtual das forças de segurança federal e estadual, articulada pela governadora Fátima Bezerra (PT), o Ministério da Justiça anunciou nesta terça-feira (14) o envio de policiais, armamentos e viaturas para reforçar o efetivo estadual no combate à criminalidade registrada nas últimas horas no Rio Grande do Norte.

Reunião em Brasília gerou decisão de envio de pessoal e veículos (Foto: Daniel Cabral)

Reunião em Brasília gerou decisão de envio de pessoal e veículos (Foto: Daniel Cabral)

Fátima, que viajou a Brasília para tratar de projetos nas áreas social, financeira e de infraestrutura viária, suspendeu a agenda para focar nas medidas de reforço à segurança junto ao Ministério da Justiça, onde conversou com o ministro Flávio Dino e teve reuniões com o secretário executivo Ricardo Cappelli e o secretário Nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar.

“A determinação do ministro é atender prontamente e integralmente toda solicitação do Governo do RN neste momento”, disse Cappelli, que atuou como interventor da segurança no Distrito Federal após os ataques terroristas de 08 de janeiro deste ano.

Ele garantiu ainda o envio de pelo menos 100 integrantes da Força Nacional e trinta viaturas ao Rio Grande do Norte.

*Veja série de matérias sobre o assunto que já postamos nas últimas horas: AQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI).

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Administração Pública / Política / Segurança Pública/Polícia
  • Repet
terça-feira - 14/03/2023 - 17:22h
Socorro!!

Fecomércio apela ao imediato reforço da segurança pública

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (FECOMÉRCIO/RN) emite nota oficial em que pede o reforço imediato das “ações ostensivas de todas as forças de segurança pública do Estado”, para evitar mais atos criminosos em escala, como ocorridos nesta terça-feira (14).Segurança Pública

Veja íntegra abaixo:

A Fecomércio/RN, principal entidade representativa dos segmentos do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, enfatiza a necessidade premente de reforço das ações ostensivas de todas as forças de segurança pública do Estado, de forma a conter os atos criminosos que se intensificaram desde a madrugada desta terça-feira, 14, que têm se multiplicado na capital e em cidades do interior nas últimas horas, causando terror e amedrontando a população.

Além do clima de insegurança, impactando direta e seriamente nas atividades econômicas, os fatos divulgados pela imprensa demonstram os graves e preocupantes prejuízos que vêm sendo impostos a toda sociedade, especialmente aos estabelecimentos empresariais, com destruição do patrimônio público e privado, além dos riscos à vida dos potiguares.

É preciso que sejam tomadas, imediatamente, medidas enérgicas pelas autoridades constituídas, de modo a garantir a segurança da população e dos negócios regularmente estabelecidos, inclusive mediante a requisição de forças federais, se preciso for, de maneira a preservar a vida, nosso bem maior, com a punição dos envolvidos nestes ataques criminosos.

*Veja série de matérias sobre o assunto que já postamos nas últimas horas: AQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI).

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais / Segurança Pública/Polícia
terça-feira - 14/03/2023 - 09:02h
É guerra!

Sindicato do Crime convoca todos os irmãos em luta contra o Estado

A facção criminosa originária do próprio RN, denominada de Sindicato do Crime, assume responsabilidade pelos ataques que começaram à madrugada desta terça-feira (14) e segue nesta manhã, contra prédios e patrimônios públicos, como veículos, além de empresas privadas (veja AQUI).

Ocorrências seguem à manhã desta terça-feira no RN (Foto: redes sociais)

Ocorrências seguem à manhã desta terça-feira no RN (Foto: redes sociais)

Paralelamente, circula em redes sociais uma nota dirigida a seus seguidores e outras facções, convocando a uma guerra contra o Estado. O objetivo é “buscar melhoria para todos do sistema carcerário”. Veja abaixo a íntegra:

COMUNICADO GERAL PARA TODO O CRIME DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

A FAMÍLIA SINDICATO DO CRIME SAÚDA A TODOS OS IRMÃOS, AMIGOS E COMPANHEIROS COM UM FORTE LEAL E SINCERO ABRAÇO!!
VINHEMOS ATRAVÉS DESSE “RL” DEIXAR TODOS CIENTES QUE APARTIR DESSA DATA (14/03/2023), O CRIME DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE ESTÁ UNIDO PARA LUTAR EM PROL DO MESMO OBJETIVO. QUE O RESPEITO E A UNIÃO VENHA SE MANTER DENTRO E FORA DO SISTEMA PRISIONAL, POIS A POPULAÇÃO CARCERÁRIA DO ESTADO DO RN VEM PASSANDO POR OPRESSÕES, HUMILHAÇÃO, DESRESPEITO VIVENDO EM UMA SITUAÇÃO DEGRADANTE A QUAL O CRIME VEM SOFRENDO.

ENTÃO CHEGOU A HORA DE DARMOS A RESPOSTA EM CIMA DE TODO ESSE SOFRIMENTO, E LUTARMOS PELA MESMA CAUSA QUE TODAS AS INDIFERENÇAS SEJA APAZIGUADA DURANTE ESSA LUTA. PRINCIPALMENTE ENTRE ”(SIGLAS), E QUE TODO O CONFRONTO E O (CRIME) SEJA CONTRA O (ESTADO). RESSALTAMOS QUE TODOS OS NOSSOS CONVIDADOS, QUEBRADA E SISTEMA ESTÁ APTO PARA APOIAR QUALQUER CRIMINOSO QUE ESTEJA EM CONFRONTO COM O (ESTADO).

VAMOS MOSTRAR PROS GOVERNANTES DO ESTADO DO RN QUE ESTAMOS UNIDOS E PREPARADOS PARA LUTAR UM PELOS OUTROS, DEIXAMOS CLARO QUE NÃO IREMOS ADMITIR ALGUM IRMÃO, AMIGO OU COMPANHEIRO TOME ATITUDE ISOLADA E PASSAR POR CIMA DA NOSSA DETERMINAÇÃO. O INTUITO E OBJETIVO DESSA UNIÃO É BUSCAR A MELHORIA PRA TODOS OS SISTEMAS CARCERÁRIO, E DA RESPOSTAS EM CIMA DE TODAS COVARDIA E SOFRIMENTO QUE O CRIME VEM PASSANDO TODOS ESSES ANOS , JUNTOS EM UMA SÓ UNIÃO VAMOS A LUTA POIS ASSIM SOMOS MAIS FORTES A UNIÃO FAZ A FORÇA E DIFERENÇA.

A FAMÍLIA SDC-RN ESTÁ DETERMINANDO A TODOS IRMÃOS E COMPANHEIROS, QUE PARA ATACAR TODOS TIPOS DE ÓRGÃO PÚBLICO O QUE FOR PARA TOCA O CAOS GERAL NO ESTADO.
OBS DEIXAMOS FRIZADO QUE NÃO SERÁ PERMIDO ROUBOS A ÔNIBUS E NEM A HOSPITAIS 🏥 E UPAS , E DE FORMA ALGUMA MECHER COM A POPULAÇÃO DE BEM DO NOSSO ESTADO.
A FAMÍLIA SDC-RN IRÁ PAGAR 5 MIL, POR CADA UM DESSES QUE OPRIMI NOSSOS IRMÃOS E COMPANHEIROS DENTRO E FORA DO SISTEMA.

FINALIZAMOS ESSE RELATÓRIO DESEJANDO VITÓRIA NA GUERRA .
*⚖️ASS: SINDICATO DO CRIME DO RIO GRANDE DO NORTE.⚖️ *

Bombeiros tentam conter incêndio em veículo escolar (Foto>: redes sociais)

Bombeiros tentam conter incêndio em veículo escolar (Foto>: redes sociais)

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
  • San Valle Rodape GIF
terça-feira - 14/02/2023 - 06:16h
Operação Plata

Lavagem de dinheiro por facção criminosa é investigada no RN

Operação no RN teve busca e apreensão com resultado bem expressivo de armas e munições (Foto: MPRN)

Operação no RN teve busca e apreensão com resultado bem expressivo de armas e munições (Foto: MPRN)

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta terça-feira (14) a operação Plata. O objetivo é apurar a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de integrantes de facção criminosa. A suspeita é de que o grupo criminoso tenha lavado mais de R$ 23 milhões com a compra de imóveis, fazendas, rebanhos bovinos e até com o uso de igrejas.

A operação Plata cumpriu sete mandados de prisão e outros 43 de busca e apreensão nos Estados do Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Paraíba, e ainda no Distrito Federal. A ação teve o apoio da Polícia Militar potiguar e dos Ministérios Públicos de cada Estado onde houve cumprimento de mandados e, ainda, do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Ao todo, participaram nacionalmente do cumprimento dos mandados 48 promotores de Justiça, 56 servidores e ainda 248 policiais.

Igreja evangélica é um dos alvos da operação de hoje (Foto: MPRN)

Igreja evangélica é um dos alvos da operação de hoje (Foto: MPRN)

As investigações que culminaram na deflagração da operação Plata foram inciadas em 2019, com o objetivo de apurar o tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas, além do crime de lavagem de dinheiro. O esquema é liderado por Valdeci Alves dos Santos, também conhecido por Colorido. Valdeci é originário da região do Seridó potiguar e é apontado como sendo o segundo maior chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que surgiu nos presídios paulistas e que tem atuação em todo o Brasil e em países vizinhos.

O esquema de lavagem de dinheiro, de acordo com as investigações do MPRN, já perdura por mais de duas décadas. Valdeci foi condenado pela Justiça paulista e atualmente está preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde foi cumprido novo mandado de prisão nesta terça-feira.

No Rio Grande do Norte, Valdeci tem como braço-direito um irmão dele, Geraldo dos Santos Filho, também já condenado pela Justiça por tráfico de drogas. Pastor Júnior, como é conhecido, foi preso em 2019 no Estado de São Paulo fazendo uso de documento falso. Geraldo estava cumprindo a pena em regime semiaberto.

As investigações do MPRN apontam que os irmãos Valdeci e Geraldo ocultaram e dissimularam a origem criminosa de seus recursos provenientes do tráfico de drogas por meio do uso de “laranjas” recrutados de várias regiões do país. O dinheiro era lavado com a compra de bens e animais em nome desses laranjas, a maioria irmãos, filhos, cunhados e sobrinhos de Valdeci e Geraldo. A suspeita é que o esquema tenha movimentado pelo menos a quantia de R$ 23 milhões.

Além de Valdeci e Geraldo, a operação Plata cumpre mandados de prisão contra outras cinco pessoas, inclusive uma pessoa de confiança que atuava como “tesoureiro” do grupo criminoso no Rio Grande do Norte. Os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas cidades potiguares de Natal, Jardim de Piranhas, Parnamirim, Caicó, Assu e Messias Targino. Houve ainda cumprimento de mandados nas cidades paulistas de São Paulo, Araçatuba, Itu, Sorocaba, Tremembé, Votorantim e Araçoiaba da Serra; em Brasília/DF, Fortaleza/CE, Balneário Camboriú/SC, Picuí/PB, Espinosa/MG e em Serra do Ramalho e Urandi, ambas na Bahia.

A pedido do MPRN, houve também a retenção do passaporte de um dos filhos de Valdeci, e oito pessoas passarão a ter monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira.

Valdeci Alves dos Santos e Geraldo dos Santos Filho são investigados na operação Plata ao lado de pelo menos mais outras 22 pessoas. A Justiça determinou o bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite de R$ 23.417.243,37 relacionados a 28 contas bancárias dos suspeitos.

Uso de igrejas

O dinheiro do grupo é proveniente do tráfico de drogas. O lucro do comércio ilegal era lavado com a compra de imóveis, fazendas, automóveis, na abertura de mercados e até com o uso de igrejas. Segundo já apurado pelo MPRN, Geraldo dos Santos Filho e a mulher dele abriram pelo menos sete igrejas evangélicas. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em algumas dessas igrejas.

Segundo já apurado pelo MPRN, Geraldo dos Santos Filho e a mulher dele abriram pelo menos sete igrejas evangélicas nos estados do Rio Grande do Norte e de São Paulo. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em algumas dessas igrejas.

A pedido do MPRN, além do bloqueio de contas bancárias, a Justiça também determinou o bloqueio de bens e imóveis, a indisponibilidade de veículos e a proibição da venda de rebanhos bovinos.

Todo o material apreendido será analisado pelo MPRN para apurar se há envolvimento de outras pessoas nos crimes. Valdeci dos Santos permanecerá preso na Penitenciária Federal de Brasília. Os demais presos na operação Plata foram encaminhados ao sistema carcerário potiguar e estão à disposição da Justiça.

NIP

A lavagem de dinheiro investigada na operação Plata contou com a atuação do Núcleo de Informações Patrimoniais, que foi implementado pelo MPRN no ano passado.

A criação de setor especializado em recuperação de ativos e investigação patrimonial proporcionou ao MPRN uma unidade de referência voltada à persecução patrimonial promovendo a melhoria das atividades de investigação e inteligência no combate aos crimes financeiros e com repercussão financeira.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
segunda-feira - 29/07/2019 - 09:46h
Reportagem especial

BBC Brasil mostra epidemia de homicídios que assola Mossoró

Enviado especial aponta como a falta de efetivo policial e impunidade, por exemplo, fomentam crimes

Reportagem especial do site BBC News Brasil traça perfil de uma das cidades mais violentas do Brasil: Mossoró. O material foi postado na manhã desta segunda-feira (29). É assinado pelo jornalista Leandro Machado, enviado especial ao município potiguar.

Homicídios cresceram 247% em Mossoró entre 2003 e 2018, diz dados do Observatório da Violência do RN (Foto: Cézar Alves)

As três facções e o ciclo de vinganças por trás da epidemia de homicídios em cidade do Nordeste” é o título da reportagem.

“A violência em Mossoró é uma espécie de símbolo do que aconteceu no Nordeste nos últimos anos. O crescimento econômico e populacional foi acompanhado pela chegada de redes criminosas do Sudeste, como o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o carioca Comando Vermelho (CV)”, descreve a reportagem densa e fartamente editada com fotos, números e depoimentos.

Falta de policiamento e impunidade

Uma das referências à consulta da BBC News Brasil sobre o assunto é o jornalista Cézar Alves do portal “Mossoró Hoje”, que “cobre a violência na cidade desde os anos 1990”, assinala. Ele também assina algumas fotos na matéria.

Quem também é ouvido é o coronel da Polícia Militar, Alvibá Gomes, que fala redução do efetivo policial no município, além do promotor público Ítalo Moreira: “Problemas de investigação e, por consequência, a impunidade, são outros fatores que estimulam as vinganças em Mossoró, garante o promotor criminal”.

Segundo o delegado Rafael Gomes Arraes, hoje, a Delegacia de Homicídios de Mossoró (DEHOM), criada em 2012, tem 700 inquéritos sem resolução. “A gente se sente incapaz”, comenta ele.

Veja matéria completa clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
  • Repet
domingo - 09/06/2019 - 08:28h

Facções e terrorismo – e as engrenagens do crime no Brasil

Por Eduardo Cavalcanti

De início, cabe esclarecimento acerca de tema de crucial importância para qualquer estudo minimamente sério no que toca às causas e consequências de crimes de complexa e elevada gravidade. Isto diz respeito ao que chamamos de Criminologia. Uma parte desta ciência, preocupa-se com dados, estatísticas, levantamento criterioso de informações e fatos sobre determinado movimento ou organização criminosa, enfim, de competentes, amplos e aprofundados estudos criminológicos.

No Brasil, há um vácuo imenso no que diz respeito a pesquisas sobre as causas e consequências dos atos criminosos que se agravam de forma epidemiológica. Há um clamor social diário para a diminuição dos crimes. Nas campanhas eleitorais, o mote da segurança pública é eixo principal de quase todos os programas de gestão dos candidatos.Entretanto, torna-se importante enfatizar que não há qualquer possibilidade de se eliminar a violência em ambientes sociais. Faz parte da própria natureza da sociedade a quebra da regra e a violação da norma. O crime, portanto, é algo inerente ao viver social. Mas, é perfeitamente possível e razoável buscar e exigir do Estado a implementação de mecanismos e instrumentos de controle para se obter índices aceitáveis de violência.

A violência, aqui restrita aos atos criminosos de grande gravidade, não se destaca por uma ou outra causa. Há causas diretas e indiretas. Há fatores de curto, médio e longo prazos. Assim, é um movimento multifatorial. Não se pode ainda simplesmente defender um discurso meramente abstrato para se entender o aumento da violência no Brasil. E, neste aspecto, para se tentar entender esta violência desenfreada, somos ricos em “achismos”, tais como: o problema é a péssima qualidade da educação, a desigualdade social é principal causa, o capitalismo individualista gera toda esta violência, somos um país jovem que ainda precisa de muita maturação, o socialismo destrói todos os valores sociais, etc.

Chegam alguns até a culpar nossos descobridores e a miscigenação daí decorrente. Portanto, há “sociólogos de plantão” para todo gosto.

De outro modo, há um dado que, por mais incerto e ainda não devidamente escrutinado, merece a devida atenção sobre o aumento da violência. Atualmente, as facções, que comandam grande parte do sistema carcerário brasileiro, representam, se não a mais importante, uma das principais engrenagens propulsoras dos atos criminosos de alta gravidade no Brasil. Tráfico de drogas e de armas, homicídios, extorsões, sequestros, roubos, latrocínios, estupros, enfim, toda sorte de crimes de elevada periculosidade.

Não se quer aqui descortinar as causas ou razões sociais da criação e desenvolvimento destas organizações criminosas, mas pontuar a necessidade de mudança da legislação penal brasileira.

Estima-se que, atualmente, existam cerca de 70 (setenta) facções no Brasil. O Comando Vermelho (CV), presente em 12 (doze) estados da federação, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando em 23 (vinte e três) estados, representam as duas maiores facções. Há ainda outras de âmbito local ou regional, tais como “Okaida”, “Família Monstro”, “Família do Norte”, “Bonde dos Malucos”, “Sindicato”, “Bala na Cara”, entre outras.

As facções, diante da comprovada ineficácia do Estado em controlar o sistema carcerário, comandam vários presídios brasileiros e representam, atualmente, as responsáveis pelo agravamento e aumento, nos últimos anos, de crimes de alta lesividade social.

E os tentáculos das facções estão crescendo e se fortalecendo, ingressando em diversos setores do Estado e da sociedade. Não há mais aquela ideia primitiva de um grupo de criminosos que se associam para prática de hediondos crimes. Hoje, observam-se estruturadas organizações criminosas que promovem atos graves de violência com fins econômicos, sociais e políticos.

Deste modo, a legislação penal brasileira pode avançar, por meio de medidas adequadas, para melhor instrumentalizar os órgãos de controle. E uma das medidas, a meu ver, é enquadrar determinados crimes praticados por facções como atos de terrorismo.

A Lei nº 13.260, de 16/03/2016, dispõe que “o terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.

Essa legislação não incluiu aqueles atos criminosos que atingem a integridade social e o funcionamento das instituições do Estado. Em verdade, parte dos crimes promovidos por facções buscam fragilizar o Estado e atingir de forma profunda o meio social.

A lei brasileira que regulamenta o conceito de terrorismo e estabelece medidas de investigação possui instrumentos legais que poderiam auxiliar os órgãos de controle no enfrentamento destas organizações criminosas.

A Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção do Terrorismo, subscrita pelos países membros e signatários em Varsóvia no dia 16 de maio de 2005, esclarece que os atos terroristas, pela sua natureza ou contexto, visam intimidar gravemente uma população ou obrigar indevidamente um governo ou uma organização internacional a praticar ou a abster-se de praticar qualquer ato, ou desestabilizar gravemente ou destruir as estruturas fundamentais políticas, constitucionais, econômicas ou sociais de um país ou de uma organização internacional.

Em Portugal, por exemplo, a legislação específica considera grupo, organização ou associação terrorista todo o agrupamento de duas ou mais pessoas que, atuando concertadamente, visem prejudicar a integridade e a independência nacionais, impedir, alterar ou subverter o funcionamento das instituições do Estado previstas na Constituição, forçar a autoridade pública a praticar um ato, a abster-se de o praticar ou a tolerar que se pratique, ou ainda intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral.

No Congresso Nacional, tramita o Projeto de Lei nº 9555/2018 que pretende  qualificar como ato terrorista qualquer ato praticado por facção criminosa. No entanto, a prática de qualquer crime por estas organizações criminosas não se configura ato de terrorismo, mas aqueles que, por sua gravidade, atinjam a integridade social e o funcionamento das instituições do Estado.

Eduardo Cavalcanti é promotor de Justiça no RN, mestre em Direito pela PUC/RS e doutorando em Direito pela Universidade de Lisboa

Compartilhe:
Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 15/04/2019 - 10:42h
RJ

Estado bandido humilha e mata cidadãos

Em Muzema (RJ) prédio irregular desabou (Foto: G1)

Se o Rio de Janeiro tivesse a importância (nenhuma) e o peso político (nenhum) do Rio Grande do Norte, já estaria sobre intervenção federal.

Ali tudo parece ser submundo.

Milícias e facções tomam conta do estado.

A banda “honesta” é o Estado legal, ou seja, a pior.

Que coisa!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
  • San Valle Rodape GIF
sexta-feira - 11/01/2019 - 09:26h
Mossoró

Mais 15 presos são transferidos para Penitenciária Federal

Parte dos presos deverá ser redistribuída (Foto: Web)

Do Blog Saulo Vale

Mais 15 presos foram transferidos na madrugada de hoje para a Penitenciária Federal de Mossoró, informa a Agência Brasil.

A operação foi concluída às 6h30 da manhã e contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional e Governo do Ceará.

De acordo com o Ministério da Justiça, foram removidos até o momento 35 presos.

Na quarta-feira (9), já haviam sido levados para Mossoró 20 detentos.

De lá, eles podem ser distribuídos para outros presídios federais localizados em outras cidades.

A transferência desses presos faz parte das ações das forças de segurança nacional e do Ceará para conter a onda de violência.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
sexta-feira - 11/01/2019 - 08:30h
Linha dura

Pivô de ataques no CE poderia estar no Governo Fátima

Bastidores revelam que êxito de Mauro Albuquerque criou paradoxalmente algumas resistências

Pivô de protestos de facções criminosas no Ceará, que tocam terror no estado em dezenas de ataques a bens privados e públicos, o ex-secretário de Justiça e Cidadania (SEJUC) do Governo Robinson Faria (PSD), Luís Mauro Albuquerque Araújo, 50, poderia estar no RN.

Sua saída do RN – onde teve enorme êxito na gestão prisional – não chega a surpreender. Os bastidores falam.

Mauro é linha dura e tinha resistências de vozes influentes no Rio Grande do Norte (Foto: Mateus Dantas/O Povo)

Após ser anunciado no dia 23 de novembro (veja AQUI) para a Secretaria em Administração Penitenciária (SAPE) do Governo Fátima Bezerra (PT), a ser desmembrada da Sejuc, ele resolveu aceitar convite para ir pro Ceará (veja AQUI).

Vozes ocultas

No RN, lobby de setores funcionais e vozes ocultas, influentes, queriam-no longe. Sua linha dura emparedou o império das facções, desagradou setores do mundo forense e também o sindicalismo.

No Ceará, Mauro é secretário da Administração Penitenciária. Por lá, sua doutrina é de enfrentamento das facções, impondo o que fez com sucesso no RN: “Eu não reconheço facção.” E acrescenta: “Quem manda é o Estado”.

Tem apoio irrestrito do governador cearense Camilo Santana (PT).

A governadora Fátima Bezerra acomodou interesses, como em quase tudo relacionado à escalação de sua equipe de Segurança Pública. Escutou bastante – ou demais – o corporativismo.

Resta saber se adiante não sentirá saudades de Mauro; aquele que foi sem nunca ser sido seu secretário.

Qualquer coisa, chama o Mauro!

Conheça AQUI o perfil e trajetória de Mauro Albuquerque.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
  • Repet
quarta-feira - 12/09/2018 - 08:32h
Primeira mão

Facção dá ordem para fim de uso de fogos e carreata

Incidente tem registro na Zona Oeste de Natal em mobilização da candidata petista Fátima Bezerra

Carreata da candidata ao governo estadual pela Coligação Do Lado Certo, senadora Fátima Bezerra (PT), foi encerrada abruptamente nessa terça-feira (11) em Natal, no bairro de Felipe Camarão.

A movimentação denominada de “Caravana do Coração” cobria a Zona Oeste da capital, quando foi parada no bairro Felipe Camarão por seis homens estranhos sobre motos, até exibindo armas.

"Caravana do Coração" com Fátima esteve na Zona Oeste do Natal nessa terça-feira (Foto: divulgação)

De um deles partiu a ordem de parar a carreata e o uso de fogos de artifícios na área.

A mobilização foi estancada de imediato, até porque “não havia garantia alguma de segurança para os candidatos, militantes e populares”, relata uma fonte ouvida pelo Blog Carlos Santos.

Especificamente, o incidente aconteceu no pátio da feira de Felipe Camarão.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) elaborou um denso relatório sobre a presença intimidadora de facções criminosas em pelo menos 33 municípios do estado (veja AQUI).

Há garantia de tropas federais para 97 municípios no dia das eleições em 7 de outubro próximo.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
quinta-feira - 30/03/2017 - 21:44h
Sem rumo

Governo não sabe paradeiro de mais de 500 bandidos

Diante dos deputados que compõem a Comissão Especial do Sistema Prisional na Assembleia Legislativa, o juiz titular da Vara de Execuções Penais de Natal, Henrique Baltazar, fez revelações e comentários polêmicos sobre o setor.

Baltazar esteve em comissão (Foto: Eduardo Maia)

Foi hoje, quinta-feira (30), em mais uma etapa do trabalho de coleta de informações proposta pelo grupo.

Tornozeleiras

Sobre uso das tornozeleiras eletrônicas, o juiz Henrique Baltazar afirmou que o Governo do Estado não estaria pagando a empresa que faz o monitoramento dos equipamentos e o serviço estaria suspenso, deixando os mais de 500 apenados sem monitoramento. “A secretaria de Segurança não sabe o paradeiro dessas pessoas. Esse é mais um indicativo de porque vivemos com problemas na área de segurança”, alertou o deputado e presidente da Comissão, Kelps Lima (Solidariedade).

“Desativar Alcaçuz seria a repetição do erro cometido com a João Chaves, quando não existia um plano para absorver a população carcerária. Por outro lado, o problema das fugas em Alcaçuz está na técnica que foi escolhida para a sua construção. Visto que entre os túneis utilizados para fugas encontrados lá, existem verdadeiras cavernas que nunca desabaram. O problema maior é de gestão”, frisou.

Facções

O magistrado também disse que “Alcaçuz está controlada, mas o Estado não. Diferente do que é dito, o tráfico de drogas não é o motivo da violência. A violência é provocada pelas facções, pela força do crime organizado”. E acrescentou: “Hoje as facções atuam como verdadeiras multinacionais. Temos duas grandes facções em atuação no país e outras 23 menores que atuam como franquias”, explicou.

Saiba mais clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
  • Repet
quinta-feira - 02/02/2017 - 17:30h
Recomendação

Facções em Presídio Federal de Mossoró causam preocupação

O Ministério Público Federal (MPF) em Mossoró enviou uma recomendação ao Ministério da Justiça e ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) para que seja providenciada a total separação dos presos pertencentes às diferentes facções criminosas, dentro da Penitenciária Federal localizada naquele município.

Presídio Federal de Mossoró é um dos cinco do país (Foto: arquivo)

Em uma inspeção realizada na terça-feira (31), o procurador da República Emanuel Ferreira (autor da recomendação) conversou com diretores e chefes administrativos da penitenciária e ouviu relatos quanto ao temor dos agentes de que, devido ao aumento do número de presos, não seja mais possível efetuar a devida separação das facções, de modo a evitar possíveis confrontos.

Saiba mais detalhes AQUI.

MPF fará audiência sobre tráfego urbano na BR-304

Está definida audiência do Ministério Público Federal (MPF) sobre o tráfego urbano da BR-304, em Mossoró. Ocorrerá nesta segunda-feira (6), na sede Procuradoria da República. Das 9h às 11h da manhã, o procurador da República Emanuel Ferreira irá reunir informações da comunidade, sobretudo dos moradores do bairro Dom Jaime Câmara, e de representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Polícia Rodoviária Federal e Prefeitura, entre outros órgãos.

O objetivo é discutir a necessidade de construção de passarelas, instalação de redutores de velocidade e outros itens de segurança na BR-304, como a iluminação, principalmente nos trechos duplicados dentro da zona urbana de Mossoró. A ausência desses itens tem representado risco à vida das pessoas que atravessam ou trafegam pela rodovia diariamente.

Com informações do MPF/RN.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
quinta-feira - 19/01/2017 - 09:20h
Violência

Ataques criminosos em Caicó atingem vários veículos

A cidade de Caicó vivenciou a noite de quarta-feira (18) com vários atos de vandalismo, rebelião na Penitenciária Estadual do Seridó, o Pereirão, e veículos incendiados, inclusive três pertencentes à frota da secretaria municipal de Saúde.

Veículos da Prefeitura foram incendiados na própria garagem à noite passada (Foto: cedida)

O prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, se pronunciou sobre o fato através das redes sociais.

“Nossa equipe, de forma incansável, fez de tudo para evitar que toda a frota de veículos do Município fosse dizimada por atos de vandalismo”, disse.

“Conseguimos evitar que mais de 50 máquinas e automóveis fossem destruídos. Vamos trabalhar forte para conseguir novos veículos para a Saúde. Digo ao povo de Caicó que a gestão está ao lado de cada um de vocês”, afirmou Batata.

No Pereirão, um presidiário foi morto e pelo menos dez estariam feridos. Um ônibus da empresa Jardinense também foi atacado.

Presidiário, usando celular, ligou para emissora de rádio reforçando clima de terror e avisando que a maioria dos internos não desejava presença de nenhum membro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles seriam do Sindicato do RN, outra facção criminosa.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
  • San Valle Rodape GIF
quinta-feira - 19/01/2017 - 07:43h
Pronunciamento

Governador fala sobre ataque e diz não negociar com facções

O governador Robinson Faria (PSD) gravou um vídeo com 58 segundos de duração, atestando que o Governo do Estado “não negocis” com facções criminosas e tem agido para aplacar a força do crime.

Distribuiu o vídeo à imprensa e em redes sociais no final da noite dessa quarta-feira (18).

Também garante que em face desse vigor no tratamento do caso, a bandidagem passa a promover ações de terror, para intimidar o poder público e apavorar os potiguares.

– Vamos nos unir e vamos vencer mais esse desafio – convocou.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
quarta-feira - 18/01/2017 - 23:44h
Temor

Carros oficiais caracterizados podem atrair ataques

Carro oficial foi queimado nessa quarta-feira (Foto: redes sociais)

Veículos adesivados da Justiça e do Ministério Público passam a circular sem caracterização.

Prevenção contra ataques criminosos, como aconteceu hoje à tarde (veja AQUI) em relação a um veículo oficial do Governo do Estado.

Bandidos realmente tocam terror.

Está “tudo sob controle”.

Deles, lógico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Administração Pública / Segurança Pública/Polícia
  • San Valle Rodape GIF
quarta-feira - 18/01/2017 - 23:36h
"Tudo sob controle"

Bandidos espalham terror de Natal a municípios do interior

Pipocam pela Grande Natal e avançam pelo interior, ataques criminosos promovidos por facções criminosas. Em Natal existe o maior foco de problemas com várias ocorrências. Pelo menos 13 veículos foram queimados.

Mas já há rebelião na Penitenciária Estadual do Seridó em Caicó, o “Pereirão”.

Ônibus foi queimado hoje à noite em Macau, mostrando que terror avança pelo interior (Foto: Eduardo Carlos)

Veja um resumo das ocorrências até às 22h30 de hoje:

– Um ônibus incendiado na Praia do Meio, Zona Leste; dois ônibus incendiados no Terminal do Vale Dourado, Zona Norte; oito ônibus incendiados em Felipe Camarão, na Garagem Gontijo (antiga São Geraldo), na Zona Oeste.

– Mãe Luiza: carro com adesivo do Governo do Estado parcialmente queimado e com vidro quebrado (provavelmente tiros);

– Tentativa de ataque no Terminal do Parque dos Coqueiros; 14ª DP em Felipe Camarão foi alvejada por balas; 1ª DP em Cidade Alta, alvejada e com bilhete de facção reivindicando autoria dos ataques.

Parnamirim

– Um micro-ônibus queimado em Bela Vista, Parnamirim, na Região Metropolitana;

Macau

– Um ônibus queimado em Macau, no interior do estado.

Caicó

– Rebelião na Penitenciária Estadual do Seridó – Pereirão, em Caicó. Fala-se em pelo menos um morto e dez feridos;

– Prefeitura de Caicó atesta que perdeu duas camionetes e uma Kombi incendiadas, comprometendo atendimento a pessoas que fazem hemodiálise. A municipalidade retirou toda sua frota das ruas e teme que haja mais ataque, pois sua oficina fica perto do Pereirão.

– Um ônibus da empresa Jardinense também foi atacado.

Veja também AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
segunda-feira - 11/04/2016 - 22:42h
Henrique Baltazar

“Governo entregou presídios a facções criminosas”, diz juiz

O juiz das Execuções Penais, Henrique Baltazar, foi entrevistado hoje à noite pelo Jornal das Seis da FM 96 do Natal. De novo, ele foi inquirido sobre o sistema prisional do Rio Grande do Norte:

“Governo lavou as mãos e entregou o controle dos presídios às facções criminosas que atuam no Rio Grande do Norte”, disse Baltazar sem qualquer rodeio.

Nada foi feito

– Os que fogem, voltam a cometer crimes ou vão pra outro estado, acrescentou na mesma entrevista.

Na opinião do magistrado, “tirando as ações do Ministério Público, contra as facções criminosas, o que foi feito? Nada. O Governo não fez nada”.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Veja também mais informações sobre outra fuga em Alcaçuz (AQUI).

Compartilhe:
Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.