domingo - 03/10/2021 - 07:20h

Réquiem para Chico Rodrigues

Por Marcos Ferreira

Quarta-feira, 29 de setembro de 2021; dez horas e vinte minutos desta manhã de céu azul. Enquanto escrevo esta página de adeus, que há de ser mais de uma, o meu velho e bom amigo Francisco Rodrigues da Costa (o Chico de Neco Carteiro) é sepultado no mesmo túmulo em que há vários anos jaz a sua amada esposa Zezinha. Esta era a vontade do insigne areia-branquense, ele que adotou Mossoró como o seu segundo berço desde a juventude, isto há quase sete décadas.

À noite, coração apertado, eu fui ao velório. Lá permaneci por cerca de hora e meia. Ofereci meus pêsames aos familiares, sobretudo aos netos e bisnetos, visto que as duas únicas filhas do escritor são falecidas. No velório, entre muitos rostos desconhecidos, encontrei apenas dois representantes do universo literário mossoroense: os escritores Raimundo Antônio e Marcelo Almeida.

Charge de autoria do chargista, caricaturista e cartunista Túlio Ratto

Charge de autoria do chargista, caricaturista e cartunista Túlio Ratto

Creio que os literatos ausentes no velório foram ao enterro. Coisa que não fiz. Não reúno condições emocionais para encarar um momento como esse. Despedi-me de Chico Rodrigues, portanto, à noite. Foi o nosso último encontro; ao menos neste plano. Espero reencontrá-lo qualquer dia, quando deste mundo eu também me despedir. Aí retomaremos as nossas longas, quase infindáveis conversas, especialmente sobre literatura, música e inúmeros fatos de Areia Branca.

Ali no caixão, sob o transparente véu que lhe cobria o rosto, Chico Rodrigues estava lívido, com o ar sereno de quem cumpriu a sua jornada com leveza e bonomia, além de muita coragem e resiliência para enfrentar os duros golpes que sofreu ao longo da vida. Agora, após oitenta e oito anos de pé, firme e forte, o apaixonante cronista de Saudades e outros livros do gênero enfim descansa.

Não mais lhe ouviremos os maravilhosos chistes; não mais usufruiremos do seu bom humor por vezes ácido e zombeteiro. Não mais, ao menos por enquanto, testemunharei as suas tiradas, a sua verve espirituosa, estremecendo a barriga protuberante com uma gargalhada muda.

Chico não teve vida fácil, todavia, como poucos, ele sempre soube sorrir com uma facilidade que nos contagiava. Possuía o dom da boa prosa; e não só na oralidade, mas também na sua escrita saborosa.

Além de seu leitor cativo, daí a pouco me tornei seu revisor. Muita coisa que produziu, antes de enviar para publicação, ele confiava ao meu crivo. Daí por diante nossa amizade se tornou mais estreita. Frequentava a minha casa amiúde, bebíamos um cafezinho, ele aboletado em uma rede que eu lhe armava aqui na área da frente. Falávamos de tudo e de todos, no bom sentido, claro.

QUANDO MUITOS ESTAVAM ENTREGANDO OS PONTOS, baixando as cortinas no show da vida, eis que Chico Rodrigues resolveu iniciar a sua admirável carreira de escritor com mais de setenta anos de idade. Eu o conheci por volta do ano de 2004. À época ele escrevia crônicas para o jornal Gazeta do Oeste. Publicou quatro livros de crônicas e dois romances, já viúvo e após ter perdido duas filhas. Tais dissabores nunca foram capazes de contaminá-lo com amargura nem pessimismo.

Chico Rodrigues era (difícil usar o verbo nesse tempo!) um dos melhores escritores memorialistas do Rio Grande do Norte, opinião esta que compartilho com o escritor e crítico literário Manoel Onofre Júnior. Conquistou leitores de diversas partes do estado com suas crônicas eivadas de saudosismo e precisão histórica, sobretudo ao discorrer sobre as memórias de sua poética Salinésia.

Embora fosse um mau leitor declarado, “sem qualquer influência dos clássicos”, como ele próprio costumava dizer, escreveu uma das mais belas obras autobiográficas da literatura norte-rio-grandense, o romance Perdão (o primeiro), lançado em 2014 pela editora Sarau das Letras com prefácio do professor e escritor Aécio Cândido. Julgo importante ressaltar que nesse momento Chico Rodrigues já contava oitenta e um anos de idade, mas demonstrando fôlego de jovem literato.

Ultimamente, entretanto, o mossoroense de Areia Branca vinha acusando o peso da sua longeva existência. A voz suave estava quase sumida, cortada pela asma e pelo cansaço. Emagrecera sobremodo e perdera muito da sua habitual alegria e bom humor. Os olhos globulosos pareciam cada vez mais distantes. Há poucos dias recebi uma ligação dele às três da madrugada. Tomei um susto.

— O que foi, amigo? — indaguei por telefone.

— Nada, poeta. Só achei que estava acordado.

— Não com os remédios que tomo toda noite.

— Escritor de verdade escreve até altas horas.

Não era apenas isso. Insone, acometido por ansiedade, tomando medicação para esse transtorno, Chico carecia apenas conversar com alguém. Não fui o único a quem ele telefonou a horas mortas. A doutora Luzia Praxedes, por exemplo, sua amiga e esposa do escritor Clauder Arcanjo, recebeu algumas dessas ligações.

Sim, o cronista precisava tão somente trocar umas palavras com os amigos. Pareceu-me até que estivesse se despedindo de alguns de nós, inconscientemente.

Assim como o meu pai, muito da cultura de Chico Rodrigues advinha da música, que ele recitava com precisão devido à sua poderosa memória. Ao contrário do meu pai, não era bom cantor. Nem foi de modo algum um literato que viveu debruçado sobre leituras. Escrevia bem e bonito graças ao seu talento inato para contar histórias, especialmente aquelas já bastante recuadas no tempo.

Tinha o hábito de vincular os assuntos que debatíamos a uma determinada música. No meio de uma conversa, de repente, evocava uma letra e compositor para ilustrar seu raciocínio e comentários. Sabia de cor Vicente Celestino, Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Sílvio Caldas, Noel Rosa, Cartola, Lupicínio Rodrigues, Orestes Barbosa.

Bem-humorado, costumava cantarolar para mim a canção “Quando eu me chamar saudade”, grande sucesso do Nelson Cavaquinho:

“Por isso é que eu penso assim

Se alguém quiser fazer por mim

Que faça agora

Me dê as flores em vida

O carinho, a mão amiga

Para aliviar meus ais

Depois que eu me chamar saudade

Não preciso de vaidade

Quero preces e nada mais”.

Peço desculpas, caro amigo Chico, por não lhe ter oferecido tais flores em vida. Não ao menos assim, publicamente. Os dias e anos vão passando e a gente imagina ter mais tempo. Agora aguardemos o nosso reencontro.

Marcos Ferreira é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 29/09/2021 - 08:46h
Adeus

Chico bom

Daqui a pouco irei sepultar Francisco Rodrigues da Costa (veja AQUI), 88.

“Chico de Neco Carteiro.”

Ele adorava e enfatizava esse batismo de vida.

Morreu sereno, em paz (veja AQUI).

É mais um desfalque no time dos bons.

Eu, que não tenho 1 milhão de amigos (ou seguidores), fico menor nesse adeus.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
  • San Valle Rodape GIF
terça-feira - 28/09/2021 - 20:50h
Mossoró

Sepultamento de Francisco Rodrigues da Costa é nessa quarta-feira

Chico: velório e sepultamento em Mossoró (Foto: Web)

Chico: velório e sepultamento em Mossoró (Foto: Web)

O corpo do escritor Francisco Rodrigues da Costa, 88, nosso “Chico de Neco Carteiro”, está sendo velado no Centro de Velório Geraldo Xavier de Medeiros, desde o princípio da noite.

Fica na Rua José Negreiros, 340 – centro de Mossoró, próximo ao Museu Municipal Lauro da Escóssia.

O sepultamento acontecerá às 10 horas dessa quarta-feira (29), no Cemitério São Sebastião, Centro.

O grande Chico faleceu nessa terça-feira (28), de causas naturais, em sua residência (veja AQUI).

Era natural de Areia Branca e lançara oito livros.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
terça-feira - 28/09/2021 - 10:00h
Grande perda

Lá se foi nosso amigo “Chico de Neco Carteiro”

Chico, eu e o também escritor Clauder Arcanjo em 2009, Areia Branca, noutro lançamento de livro do autor nativo

Chico, eu e o também escritor Clauder Arcanjo em 2009, Areia Branca, noutro lançamento de livro do autor nativo (Arquivo pessoal)

Faleceu nessa terça-feira (28), em sua casa no Abolição I, em Mossoró, nosso amigo e escritor Francisco Rodrigues da Costa, um areia-branquense da gema.

O óbito foi de causa natura, provavelmente infarto enquanto dormia.

Aguardamos maiores informações sobre velório e sepultamento para transmitirmos a tantos amigos e admiradores.

Chico era um mossoroense de coração, sem nunca largar as raízes do seu lugar-berço.

Aquele mesmo que adorava ser tratado por “Chico de Neco Carteiro”, que tinha sempre um sorriso leve e uma palavra amena para seus interlocutores.

Alguém com a prosa sempre recheada de uma memória detalhista, fotográfica e cinematográfica.

Vá em paz, cabra!

E obrigado pela generosa amizade.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
  • Repet
quinta-feira - 08/06/2017 - 08:42h
Livro

“Porto Franco” chega hoje à noite ao Lula Restaurante em Natal

É hoje (quinta-feira,8), às 19h, no “Lula Restaurante” em Natal, o lançamento do novo livro do escritor Francisco Rodrigues da Costa.

“Porto Franco” foi lançado mês passado (dia 25) em Mossoró. É outra obra germinada pela Editora Sarau das Letras.

Em Natal, a noite de autógrafos é oportunidade de juntar colônias potiguares de municípios da região, como Mossoró e Areia Branca.

O escritor nasceu em Areia Branca, mas fez de Mossoró o seu porto seguro.

O Lula Restaurante fica à Rua Xavier da Silveira, 1047, Nova Descoberta.

Nota do Blog – Prestigiei-o em Mossoró, “Chico de Neco Carteiro”.

Em Natal, o amigo comum David Leite é meu representante “ad hoc”.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
quinta-feira - 25/05/2017 - 07:10h
Livro

“Porto Franco” será apresentado hoje em noite de autógrafos

É hoje (quinta-feira, 25), às 19h, na Biblioteca Ney Franco Duarte em Mossoró, o lançamento do novo livro do escritor Francisco Rodrigues da Costa. Noite de autógrafos que promete ser bastante concorrida.

Oportunidade de conhecermos “Porto Franco”, em passeio por uma referência importante à economia e ambiente social da região salineira, que é muito pouco conhecido.

A publicação sai pelo selo Editora Sarau das Letras.

Confirmo presença.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
domingo - 29/01/2017 - 11:02h
Livro

O Porto Franco com os olhos de Francisco Rodrigues

Francisco, 'nosso' Chico de Neco Carteiro (Foto: Vivian Galvão)

Está nas providências finais o livro “Porto Franco”, do escritor areia-branquense Francisco Rodrigues.

É o sétimo de sua lavra.

Outra vez, pela Editora Sarau das Letras.

“Narro a importância de Porto Franco, que fez de Areia Branca o sexto porto do Brasil em volume de carga. Eu até desprezo a identificação do ‘rio Mossoró’ ou ‘rio Ivipanim, como o bairrismos areia-branquense propaga, para localizá-lo na maré”, comenta o escritor.

“Admito que contrario Câmara Cascudo e Francisco Fausto, dois consagrados escritores”, conta Francisco Rodrigues.

A partir daí, diz ele, há leque de crônicas e artigos que descrevem a vida em torno do Porto Franco, “as salinas em sua fase artesanal, a linha férrea de Mossoró até esse local”, com transporte de cargas e gente.

Nota do Blog – Aguardo seu livro, “Chico de Neco Carteiro”.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
domingo - 07/12/2014 - 04:17h

Crime e expiação em Areia Branca

Por Nelson Patriota

Num famoso conto de Borges, Caim e Abel se encontram na outra vida e se olham, interrogativos, até que um deles pergunta: “Fui eu quem o matei ou tu que me mataste?”. E conclui Borges, um crime só prescreve com o esquecimento. Na vida, porém, são raros os que esquecem os crimes que cometeram ou as injustiças que sofreram; é comum, mesmo, que tal mácula persiga os humanos ao longe de toda uma vida.  O professor João Faustino Ferreira Neto, vítima de um acúmulo de injustiças que não conseguia esquecer, escreveu, na idade madura, um livro em que exorcizou seus algozes, intitulando-o de “Eu Perdoo”.

Autor de um crime involuntário e inteiramente improvável na quadra da sua juventude, o escritor areia-branquense Francisco Rodrigues da Costa precisou atingir a maturidade dos setentanos para pedir, de forma conclusiva, perdão e misericórdia pelo seu erro. O relato dessa história, seus antecedentes e suas decorrências estão contidos no relato autobiográfico “Perdão” (Sarau das Letras, 2014).

Mas ao contrário do que se poderia supor, “Perdão” não é um livro triste, isto é, marcado por ideias pessimistas ou niilistas. Seu viés se volta mais para a descrição do trabalho de reparação de um erro de juventude e de retomada da vida. Dada, porém, a dimensão da falta, só na idade madura, com a distância que uma longa idade oferece, pôde o autor encontrar as palavras, o tom e o roteiro de sua expiação.

Em seu minucioso e indispensável prefácio, intitulado “Uma vida que dá romance”, o escritor Aécio Cândido observa que Francisco Rodrigues começou a escrever seu livro depois dos 70 anos. “Hoje, com 81 anos, já publicou quatro livros, sendo este o quinto”, assinala e, sem conter seu espanto ante a fecundidade literária desse escritor tardio e fecundo, conclui: “Um desempenho invejável para qualquer um”.

A leitura de “Perdão” ajuda a entender por que Francisco Rodrigues estava fadado à escrita literária. Basta observar como ele manipula a arte do diálogo, de um lado e, do outro, se prende a minúcias na descrição de pessoas e situações, o que garante colorido e vivacidade ao que escreve. Os episódios em torno do soldado Catota ou do delegado Revoredo, personalidades opostas ligadas ao período prisional do autor, são uma boa mostra de suas habilidades de narrador. Tipos interessantes, curiosos e intrigantes desse mesmo jaez despontam a cada momento nas páginas do livro.

Um terceiro exemplo: a descrição do “affaire” que o então prisioneiro Francisco Rodrigues tem com a prostituta Margarida, cujos desenvolvimentos surpreendem pelas revelações que faz desse envolvimento singular, porque baseado na troca de favores sexuais, onde não faltam requintes e minudências eróticas, mas onde também avultam qualidades humanas improváveis em relações dessa natureza.

Sendo relato biográfico (ou semibiográfico, como quer Aécio Cândido), “Perdão” é, por força, um rico documento sociológico que faz revelações interessantes sobre as relações de trabalho na indústria salineira e pesqueira do município de Areia Branca e circunvizinhanças, sem descuidar dos jogos de poder, contraparte incontornável da vida provinciana, e do lazer e entretenimento que a animam.

O livro se encerra com uma revisita ao ano de 1954, ano fatídico na vida do autor, cujo agosto cumpriu com sobras os prognósticos populares que o reservam como celeiro de desgostos. Foi assim na vida de Francisco Rodrigues que teve, em João Faustino, um apoio fiel ao seu projeto de autoexposição. Quanto tempo um homem precisa para promover o perdão ou, expiando a culpa, ser perdoado?

As experiências vividas por João Faustino e Francisco Rodrigues indicam que um e outro desiderato exigem um esforço que, em verdade, se amolda ao sincero desejo de cada protagonista e só dele parece depender.

Nelson Patriota é escritor

* Texto originalmente publicado no jornal “Tribuna do Norte”

Compartilhe:
Categoria(s): Artigo
  • Repet
quinta-feira - 31/07/2014 - 09:17h
Lançamento

“Perdão” – Um livro de memórias e história

É hoje (31 de julho, quinta-feira), o lançamento do mais novo livro do escritor Francisco Rodrigues da Costa. Está marcado para as 19h.

Rodrigues: tempo e reflexão

Rodrigues apresentará a publicação sob o título “Perdão”, na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, em Mossoró, no centro da cidade.

O título é outro trabalho da editora Sarau das Letras.

Terá apresentação do escritor, poeta e ex-vice-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN) Aécio Cândido.

Perdão é um livro de memórias. Percorre um tempo de 60 anos, resgatando fatos e situações delicadas vividas pelo escritor, que o remete a uma reflexão.

O autor tem outros livros publicados pela Sarau das Letras.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
segunda-feira - 28/07/2014 - 14:45h
Quinta-feira, 31

“Perdão” será lançado na Biblioteca Ney Pontes Duarte

A editora Sarau das Letras fará lançamento de mais um título. Outra vez, o escritor areia-branquense Francisco Rodrigues da Costa lançará livro.

Dessa feita acontecerá nessa quinta-feira (31), na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte (Mossoró), às 19h.

O livro é “Perdão”, memórias do autor que após 60 anos de uma história acha que é tempo de se manifestar.

O prefácio é do poeta, escritor e ex-vice-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), Aécio Cândido.

Nota do Blog – Vou arrumar meu picuá e ajeitar os horários, para prestigiar seu lançamento, meu caro “Chico de Neco Carteiro”.

Esbarro por lá.

Aguarde-me.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
domingo - 16/12/2012 - 06:56h

Becos, ruas e esquinas

Por Francisco Rodrigues da Costa

Acredito que toda criança, quer nascida ou não na cidade em que viveu, guarde na memória os seus becos, ruas e esquinas. Por mais importante que se torne quando adulta, suponho que não os esqueça. Fernando Pessoa, por exemplo, não lembraria os de sua Lisboa encantadora? De Salamanca, por Miguel de Unamuno idolatrada, ele os olvidaria? Alexandre Dumas, sem dúvidas, conheceria os de sua romântica Paris.

E Castro Alves, o condoreiro abolicionista, de sua memória jamais se apagariam as esquinas da Bahia, onde tanta poesia cantou. Carlos Lacerda, que em cada esquina procurava um presidente para depor, com certeza tinha desenhados na sua cachola todos os becos e esquinas da Cidade Maravilhosa.

Deixemos os que já partiram desta vida. Vamos a São Paulo. Fico imaginando a Mogi das Cruzes, do meu amigo Mario Silveira, mogiano até a medula, será que ele esqueceu a esquina da Cel. Souza Franco, ou a da Senador Dantas? Garanto que não. Como viva na sua cuca está a esquina da Livroeton.

Vamos dar uma voltinha aqui mais perto da gente: Osair Vasconcelos, estou certo, carrega no pensamento a esquina da Rua do Gango, de sua Macaíba. O Beco da Lama, em Natal, sem dúvida, é lembrado pela grande maioria dos seus boêmios.

O diabo é quem discute com Paulo de Balá. Este, além dos becos, ruas e esquinas, guarda na lembrança um punhado de currais da sua Acari.

E o que dizer de Manoel Onofre Júnior, “de camisa aberta ao peito, pés descalços e braços nus”, esqueceu suas andanças pelos becos e ruas da sua inolvidável Martins? Du-vi-d-o-dó. O poeta e escritor Marcos Medeiros, que viveu a infância em Santana do Matos, lembraria pelo menos a Rua Cel. Manoel Antonio de Macedo, esquina com o Beco da Matança.

O famoso Beco das Frutas, aqui em Mossoró, seria esquecido pelos escritores Francisco Obery Rodrigues e Elder Heronildes, ou pela grande maioria dos mossoroenses?

Chego finalmente, aos becos, ruas e esquinas de Areia Branca. E inicio pelo Beco da Galinha Morta, cuja popularidade é conhecida por alguns amigos que fiz na cidade espanhola de Salamanca. Também muito falado foi o Beco do Panema, assim mesmo: Beco do Panema como a meninada chamava. Deixou de existir quando o libertaram das cercas que o ladeavam.

O beco onde o doutor Vicente Dutra tinha seu consultório dentário também já não existe; desapareceu com a demolição daquele quarteirão que ia da esquina da Mossoró Comercial até à esquina da oficina do “Ferreiro”, avô de Naldinho.

Outro beco, que nem nome tinha, iniciava na esquina do bar de Clodomiro, na Barão do Rio Branco, terminando na Travessa dos Calafates. E, por falar em esquina, os garotos da Rua do Meio jamais esquecerão as esquinas da loja de Pedro Leite e a da casa onde morou Adauto Ribeiro, vizinha ao primeiro cinema da cidade, como, igualmente, a esquina da casa de Caboclo Lúcio e a esquina da casa de Manoel Bento, todas na Rua Cel. Fausto.

Finalmente, a loja de Pedrinho Rodrigues, na Rua Barão do Rio Branco, fazendo esquina com a Rua da Frente: quantos meninos por ali passaram visando o banho na maré, de olho nas frutas que os “beijus” sacudiam na água.

Difícil é haver, em qualquer parte deste planeta, um vivente que não recorde os seus becos, ruas e esquinas.

Francisco Rodrigues da Costa é escritor areia-branquense e a crônica em destaque faz parte de seu mais recente livro, com título homônimo

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
sábado - 15/12/2012 - 08:50h
Livro

Passeio emocional de um cronista chega à capital

A Editora Sarau das Letras convida-me para o lançamento do livro “Becos, Ruas e Esquinas de Francisco Rodrigues da Costa, meu querido amigo a quem trato por “Chico de Neco Carteiro”.

O lançamento será no dia 19 de dezembro de 2012 (quarta-feira), às 18 horas, na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), na Rua Mipibu, 443, Natal [RN].

A orelha é do escritor Manoel Onofre Júnior, o prefácio é do poeta e escritor Clauder Arcanjo, o posfácio do escritor Claudio Guerra, editor do baú de Macau – memória e história.

O livro é um passeio emocional, com profundo esmero lírico, pelas memórias mais remotas do autor, desde seu endereço afetivo – Areia Branca.

A publicação foi lançada recentemente no Memorial Luiz Fausto de Medeiros, em Areia Branca.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
sábado - 01/12/2012 - 12:12h
Boa prosa

Bilhete de “Chico de Neco Carteiro”

Carlos Santos,

Hoje, como Emery Costa de O Mossoroense, prefiro falar de amenidades. E, para isso, recorro à minha querida Areia Branca. Ontem, 30/11, foi lá o dia do lançamento do nosso livro BECOS RUAS E ESQUINAS.

E como fiquei feliz com a sua presença prestigiando o evento. Muito obrigado.

Por sinal, numa das crônicas do livro, eu me refiro a Maura, sua

mãe, o último dos Moicanos da classe de telegrafistas da décadas de 40/50, operadores do Telégrafo em Mossoró.

Eu, ainda menino, na minha terra, tive a honra de trabalhar com ela. Sua letra, tanto manuscrita, como “nos traços e pontos” do código Morse era simplesmente linda. Saudades.

Renovo meus agradecimentos pela sua presença de ontem a noite. Abraçaço. Abraçaço?

Sim, pegando carona no novo termo da nossa língua: “Sabadaço, jogaço, morenaço”, etc. Obrigaduuuuuuuu, como diz Fábio Júnior.

Chico de Neco Carteiro (Francisco Rodrigues da Costa).

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica / Cultura
sexta-feira - 30/11/2012 - 08:23h
Hoje

Noite de crônicas em Areia Branca

A noite de hoje me convida a arranchar em Areia Branca, coisa aí de 19h.

Encontro ameno com muita gente conhecida, no lançamento de mais um livro do escritor nativo Francisco Rodrigues da Costa, a quem eu e outros amigos tratamos por “Chico de Neco Carteiro”, codinome herdade da sua mais pura infância.

Ele vai lançar o livro de crônicas “Becos, ruas e esquinas”, editado pela Editora Sarau das Letras, no recém-inaugurado Memorial Luiz Fausto de Medeiros.

Até mais tarde, se Deus quiser.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
quarta-feira - 28/11/2012 - 12:25h
Fatos e Gente

Gerais… Gerais… Gerais… Gerais

O Clube de Tiro de Mossoró (CTM) vai realizar sua confraternização de final de ano no dia 9 de dezembro, a partir das 9h. À ocasião vai promover competição interna como ensaio para o Campeonato de 2013. Em seguida, como ninguém é de ferro, churrasco para sócios e participantes. No próximo domingo (2), o CTM vai participar do Torneio Open de Caicó, sob comando do seu presidente, odontólogo Ricardo Escóssia.

INSEGURANÇA – “Pela falta de segurança em nossa cidade (Areia Branca) a Escola Educandário foi arrombada nessa madruga (28). Levaram 2 nootbooks, objetos pessoais das irmãs e todas as chaves da escola, sendo suspensa as aulas. Toda semana a nossa cidade vem sendo aterrorizada por bandidos, seja residência ou comerciantes e o pior é que nossa guarnição é de apenas 5 policiais que trabalham em revesamento, viaturas sucateadas. Estamos completamente desprotegidos” – Gleydson Tavernard, estudante, em seu endereço no Facebook.

O corpo do escritor e pesquisador Raimundo Soares de Brito, 90, o  “Raibrito”, está sendo velado no salão de entrada da Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte (Mossoró). Ele faleceu ontem em Natal. Será sepultado ao final da tarde de hoje no Cemitério São Sebastião em Mossoró. Que descanse em paz.

O III Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa (FINC) acontece neste sábado (01/12). Os 18 curtas selecionados no concurso Minuto Verde (ligado à sustentabilidade) ainda estão abertos à votação no site do evento, o //fincbrazilbf.com/, até amanhã (29/11). Devido a problemas de agenda com algumas atrações, o FINC será mais enxuto: acontecerá somente no sábado, das 18h às 22h. O festival a céu aberto será na praia de Baía Formosa, litoral sul do Estado.

Obrigado a leitura deste Blog a Paulo Cesário (Natal), Manoel Dantas (Mossoró) e ao casal Guido Morais-Ângela, além da filha de ambos, Vitória, da Vidraçaria Kristal (Mossoró).

Tem sido mais arriscado do que andar nas ruas de Cabul ou Bagdad, espichar o corpo numa casa de praia em Tibau. Assaltos e arrastões fazem parte dos medos de quem topa o risco de curtir Tibau. Eu adoro casa de praia: desde que não seja minha. E hoje está difícil até mesmo passar rápido por lá na casa dos outros.

“Trajetória política de um jovem líder”. Esse é o título de livro a ser lançado no próximo sábado (1º) na Câmara Municipal de Grossos, às 19h. A publicação homenageia o ex-prefeito João Dehon Neto da Costa, o “Dehon Caenga”, que foi assassinado em 23 de junho de 2005 por policiais civis no município de Santa Maria, numa operação tresloucada e equivocada. A ideia do livro partiu da irmã do enfocado Melânia Caenga (atual vice-prefeita de Grossos).

O Tenda Music Club vai de overdose de forró na róxima sexta-feira (30). Receberá público certamente numeroso para ser saudado pelas bandas Lagosta Bronzeada, Forró Danado e André Luvi.

Areia Branca vai testemunhar e participar na próxima sexta-feira (30) do lançamento de mais um livro de filho ilustre. Será no Memorial Luiz Fausto de Medeiros, inaugurado há poucos dias. O escritor Francisco Rodrigues da Costa, que gosta de se apresentar como “Chico de Neco Carteiro”, autografará a partir das 19h o livro “”Becos, Ruas e Esquinas”, editado pela Editora Sarau. Seus textos, em forma de crônica, são um passeio afetivo e telúrico pelo passado. Meu querido, me aguarde. Se Deus quiser estarei aí para prestigiá-lo.

Chico, eu e o também escritor Clauder Arcanjo em 2009, Areia Branca, noutro lançamento de livro do autor areia-branquense

O Studio de Dança Clézia Barreto fará nova temporada no Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Será nos dias 14, 15 e 16 de dezembro. Vai apresentar o seu 18º espetáculo, com o título de “Abracadabra”.

Será na comunidade rural mossoroense do Jucuri, no dia 15 de dezembro, às 20h, precisamente no Bar do Chicó, o encontro artístico entre os poetas Maurílio Santos e Nildo da Pedra Branca. Com eles, artistas como Antônio Francisco, Concriz, Alvaci Tavares-Kléber Morais, Caio César Muniz e outros nomes. Arrumem um bom tamborete para mim. Deverei esbarrar nesse evento para prestigiá-los e curtir prosa e verso.

O Requinte Buffet será o espaço da cerimônia de premiação do TOP Mossoró, que acontece todos os anos para homenagear os estabelecimentos empresariais mais lembrados pelos consumidores mossoroenses. O prêmio é uma realização da Quattro Comunicação Integrada em parceria com o Instituto Certus de Natal.  A edição deste ano acontecerá nesta quinta-feira (29), a partir das 21h.

O empresário Patrício Francisco, o português mais potiguar que conhecemos, nos liga para avisar que vai reabrir o restaurante Álibi, em Tibau. Pede sugestão e convoca para “ouvir e dizer” uma turma bem bacana que fez parte do primeiro momento do restaurante. Adianta a data da reabertura – será dia 29 de dezembro. Coluna de Paulo Pinto (O Mossoroense).

Luís Felipe Scolari confirmado como futuro técnico da Selação do Brasil para Copa de 2014 e o ex-treinador Carlos Alberto Parreira como coordenador técnico. O primeiro, bom técnico e um grosso por natureza; o outro, gente polida. Aguardemos o futebol com a força do treinador e a classe do coordenador.

O Restaurante Pinga-Fogo já funciona normalmente no espaço gastronômico do Thermas Hotel e Resort em Mossoró. Boa pedida. Ao mesmo tempo as obras do restaurante na área de piscina seguem de forma célere, não obstante alguns percalços técnicos. Mas cá para nós e o povo da rua: melhorem o piso da pista de cooper. Do jeito que está é um convite a acidentes. Muitos hóspedes mais idosos evitam-na.

Dia 1º (sábado), é para quem gosta do bom e velho rock and roll. Tem mais uma edição do Rock Grande do Norte no Oba Restaurante (saída para Fortaleza e Tibau), logo a partir das 20h. A banda carioca Detonautas, com seu rock melódico e pesado é a principal atração. Merece bom público. Ingressos antecipados na Center Plantas.

Anote: pelo o que ouvi e colhi nos bastidores, o Carnaval de Tibau será de arrepiar em termos de atrações e estrutura. Com o suporte a ser garantido pelo Estado em termos de segurança e mobilidade, deverá atrair público de várias partes do país. Anote, por favor.

Depois que a bandidagem explodiu e implodiu o Banco do Brasil de Baraúna (32 quilômetros de Mossoró) há alguns meses, seus clientes são obrigados a se deslocarem para Mossoró onde são atendidos. Mas enfrentam longas filas e às vezes situações bizarras. Ontem, relata um correntista, não foi atendido em Mossoró pelo BB porque era feriado em Baraúna. Ah, tá!

Após a doação de uma sanfona para o Museu do Vaqueiro, o cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos está de volta ao Forró da Lua, acompanhado de outra estrela da música nordestina: a cantora Elba Ramalho. O evento especial será próximo sábado, dia 1º de dezembro, na Fazenda Bonfim, estrada da lagoa (Grande Natal). A noite será mais longa e com muita música, poesia e a tradicional fogueira. Segundo informa o idealizador Marcos Lopes, a ocasião especial é para marcar as comemorações do centenário de Luiz Gonzaga (13/12). Os portões abrem às 20h.

Aceite essa boa dica: se quiser ficar bem ‘enfatiotado’, com terno, blazer, costume, paletó etc. é só fazer contato com a Eliane Targino do Ponto dos Ternos (84) 8705-0504 ou (84) 9956-4828. Ela também faz ajustes e reparos em roupas em geral. Mesmo não tendo meu corpinho de canário belga e  canelas de talo de coentro, você vai sair arrumado.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.