quinta-feira - 23/07/2020 - 11:46h
Prefeitura

Com histórico de rombo na previdência, Rosalba evita reforma

Prefeita de Mossoró repete trilha de esperteza para não se comprometer politicamente com obrigação

A prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini (PP), não se mexe para colocar em pauta na Câmara Municipal de Mossoró projeto de lei que adeque o Regime Própria de Previdência Social (RPPS) à Emenda Constitucional 013/2019 do Governo Federal.

Rosalba sacou mais de R$ 234 milhões nos últimos dias de governo; na prefeitura, a incerteza é a mesma (Foto: arquivo)

O assunto, em ano eleitoral, foi desviado para mais à frente para evitar desgastes à imagem da prefeita e à sua própria bancada.

Mesmo assim, ela não deixou de mexer no Previ-Mossoró. Em março, parcelou pela terceira vez em sua atual gestão o pagamento de obrigações patronais em atraso (veja AQUI) do Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró (Previ-Mossoró).

Agora mais recentemente, dia 16 de junho – veja AQUI, Rosalba e sua bancada conseguiram aprovação do projeto de lei 1.275 de 8 de junho, que suspende o pagamento da contribuição previdenciária do município até o fim do seu mandato (31 de dezembro próximo). Isso mesmo que você leu.

Segundo a lei, o Previ-Mossoró fará a apuração dos valores devidos, que serão pagos em até 60 meses, a partir de janeiro de 2021, sem a incidência de encargos. Significa dizer que um novo prefeito (a) ou a própria Rosalba, sendo reeleita, é que arcará com a obrigação e mesmo assim não terá como cobri-la dentro do próximo mandato.

Pelo texto da matéria, essa dívida (se não for negociada mais uma vez, novamente, de novo), só será concluída em dezembro de 2025, já noutra gestão.

Rosalba deixará um déficit no Previ-Mossoró que deverá chegar aos R$ 158 milhões. Por enquanto.

Rombo no Governo do RN

Quando foi governadora (2011 a 2014), ela começou a implosão da previdência estadual, justamente no último mês de governo, dezembro de 2014. Só o então deputado estadual Fernando Mineiro (PT) foi contra na Assembleia Legislativa e alertou que estava se construindo uma tragédia anunciada.

– “Dentro de poucos anos essa manobra feita hoje terá como consequência o aumento do rombo do Fundo Previdenciário”, alertou (veja AQUI).

– “Com essa manobra, a governadora Rosalba Ciarlini vai posar de ter deixado o pagamento dos servidores em dia e se livrar de processos de inelegibilidade, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal”, observou Mineiro em entrevista no dia 18 de dezembro de 2014, data da aprovação do projeto.

A então governadora fez quatro saques para coberturas de folhas de pessoal numa sequência de poucos dias, que totalizaram R$ 234,157, 572,32. À época, o Fundo Previdenciário que assegurava pagamento de aposentados e pensionistas tinha um aporte de cerca de R$ 973.091,050,64 só em aplicações de longo prazo no mercado financeiro (procedimento comum às RPPS’s).

Rosalba vinha mantendo salários atrasados por 15 meses consecutivos. Desde então, o buraco previdenciário nunca foi tamponado e implodiu de vez na gestão de Robinson Faria (PSD), seu ex-vice, a quem apoiou em Mossoró na campanha à sua sucessão em 2014. Em troca, o próprio Robinson articulou na Assembleia Legislativa a aprovação de mudança legal do sistema previdenciário, unificando os Fundos Previdenciário e Financeiro (Lei Complementar nº 526) – veja AQUI, o que ensejou as retiradas vultosas.

Rosalba apoiou Robinson ao governo e teve dele aval para começar saques do Funfir (Foto: arquivo)

O Fundo Financeiro do Estado do Rio Grande do Norte (FUNFIR) teve seu último saque, com amparo de decisão judicial, em junho de 2018. Foram arrancados R$ 321.377,459,67 – que inclusive estavam aplicados.

Ao todo, Rosalba e Robinson dilapidaram cerca de 1,2 bilhão de reais que assegurariam tranquilidade a aposentados e pensionistas. Esses proventos estão em xeque há tempos para hoje e o amanhã, pois o Tesouro Estadual mensalmente é obrigado a irrigar a sua previdência com cerca de R$ 135 milhões para completar pagamentos.

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Categoria(s): Política
quarta-feira - 10/04/2019 - 11:10h
100 dias

Elementar, minha cara governadora

A governadora Fátima Bezerra (PT) fechou seu terceiro mês de gestão. Estamos em abril agora, a caminho dos primeiros 100 dias, espaço temporal adotado no universo político e jornalístico para avaliações administrativas.

Como lá atrás, bem no começo, continuam as principais dúvidas em relação ao crucial problema da atualização salarial e redução de déficit das contas públicas, em especial na folha de servidores.

Fátima e seu staff fizeram uma mágica que garante, nos anúncios oficiais, o pagamento “antecipado” do funcionalismo no primeiro trimestre do seu governo. Puro eufemismo. Sejamos mais claros: propaganda enganosa.

Fátima tem espelho do Piauí e força atávica na cabeça, como movimento pendular a decisões (Foto: autor não identificado)

A cronologia de pagamentos não tem sido obedecida, algo que sempre foi combatido pelo PT e entidades sindicais dos servidores públicos. Para trás tem ficado as folhas de Dezembro e 13º de 2018, além de parte de novembro do mesmo ano e resíduos consideráveis do 13º de 2017.

Quando serão pagos? Ninguém se arrisca a estabelecer prazos. Com razão. No último dia 19, em redes sociais, o governismo deixou isso bem claro: “(…) O governo só quitará a dívida herdada da última gestão com recursos extras.”

Tudo dependerá do fluxo de “receitas extraordinárias” exponenciais. Só os recursos regulares do erário não são suficientes à cobertura do passivo herdado do governo anterior.

O governo sonha com antecipação de royalties do petróleo, venda da administração da folha dos servidores a uma instituição financeira, créditos da cessão onerosa do Pré-sal (que a então senadora Fátima era contra), empréstimo, algum socorro da União através do Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF) e cobrança de grandes devedores da dívida ativa.

Porém há algo camuflado nessa narrativa. Fátima Bezerra talvez não consiga melhores resultados por afeição atávica a princípios ideológicos e discurso de campanha. Parece inexorável o aumento da alíquota previdenciária e a venda de patrimônios estatais.

CÓPIA DO PIAUÍ

Acusada de copiar plano de governo do reeleito governador petista piauiense, Wellington Dias, na campanha do ano passado, Fátima bem poderia se espelhar na experiência dele. Desde 2017 que o governador promove arrochos para conter o déficit previdenciário, por exemplo, que mesmo assim deverá chegar a R$ 1,5 bilhão em 2019. Desde 2017 que Dias levou o Piauí a ingressar no PrevNordeste, uma previdência complementar, aumentou alíquota de contribuição do servidor para 14% e promoveu alteração nas regras do pagamento de pensões.

Nesses primeiros meses de gestão, Fátima Bezerra tem realizado economia de ponta de lenço. Na Assembleia Legislativa não ancorou uma reforma administrativa que diminuísse tamanho da máquina pública ou qualquer medida realmente austera.

Como o Blog Carlos Santos postou no último dia 27 de fevereiro, Governo parece acreditar em milagres. Eles não virão.

Sem a adoção de remédios amargos e excepcionais, o quadro tende a se agravar. Comer pipoca Boku’s, tocar pandeiro e receber membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do empresariado rendem notícias, mas não aplacam o apetite da hidra que esvazia o cofre estadual, tornando o Executivo incapaz de promover o básico.

O então governador Robinson Faria (PSD) recebeu o Governo do RN em janeiro de 2015 com a folha praticamente em dia, graças à manobra que acertou com a sucessora Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP). Na Assembleia Legislativa houve aprovação da fusão de fundos Financeiro e Previdenciário do Estado, seguido de saque de mais de 200 milhões de reais, em dezembro de 2014.

Em poucos meses, ele solapou essa fonte de recursos para complementar folha e a partir de janeiro de 2016 atrasou continuamente (36 meses) o desembolso do funcionalismo.

Com Fátima, tudo poderá se repetir numa proporção ainda pior. Se atualizar pagamento funcional com as sonhadas receitas extraordinárias, sem reduzir drasticamente o déficit da folha (na casa dos 120 milhões/mês), logo em seguida tudo voltará ao “normal”.

Elementar, minha cara governadora.

* Texto originalmente publicado no último dia 1º, marcando os primeiros 100 dias do Governo Fátima Bezerra, marca completada nesta quarta-feira 10 de Abril de 2019.

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segunda-feira - 01/04/2019 - 06:30h
ANÁLISE

Elementar, minha cara governadora

A governadora Fátima Bezerra (PT) fechou seu terceiro mês de gestão. Estamos em abril agora, a caminho dos primeiros 100 dias, espaço temporal adotado no universo político e jornalístico para avaliações administrativas.

Como lá atrás, bem no começo, continuam as principais dúvidas em relação ao crucial problema da atualização salarial e redução de déficit das contas públicas, em especial na folha de servidores.

Fátima e seu staff fizeram uma mágica que garante, nos anúncios oficiais, o pagamento “antecipado” do funcionalismo no primeiro trimestre do seu governo. Puro eufemismo. Sejamos mais claros: propaganda enganosa.

Fátima tem espelho do Piauí e força atávica na cabeça, como movimento pendular a decisões (Foto: autor não identificado)

A cronologia de pagamentos não tem sido obedecida, algo que sempre foi combatido pelo PT e entidades sindicais dos servidores públicos. Para trás tem ficado as folhas de Dezembro e 13º de 2018, além de parte de novembro do mesmo ano e resíduos consideráveis do 13º de 2017.

Quando serão pagos? Ninguém se arrisca a estabelecer prazos. Com razão. No último dia 19, em redes sociais, o governismo deixou isso bem claro: “(…) O governo só quitará a dívida herdada da última gestão com recursos extras.”

Tudo dependerá do fluxo de “receitas extraordinárias” exponenciais. Só os recursos regulares do erário não são suficientes à cobertura do passivo herdado do governo anterior.

O governo sonha com antecipação de royalties do petróleo, venda da administração da folha dos servidores a uma instituição financeira, créditos da cessão onerosa do Pré-sal (que a então senadora Fátima era contra), empréstimo, algum socorro da União através do Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF) e cobrança de grandes devedores da dívida ativa.

Porém há algo camuflado nessa narrativa. Fátima Bezerra talvez não consiga melhores resultados por afeição atávica a princípios ideológicos e discurso de campanha. Parece inexorável o aumento da alíquota previdenciária e a venda de patrimônios estatais.

CÓPIA DO PIAUÍ

Acusada de copiar plano de governo do reeleito governador petista piauiense, Wellington Dias, na campanha do ano passado, Fátima bem poderia se espelhar na experiência dele. Desde 2017 que o governador promove arrochos para conter o déficit previdenciário, por exemplo, que mesmo assim deverá chegar a R$ 1,5 bilhão em 2019. Desde 2017 que Dias levou o Piauí a ingressar no PrevNordeste, uma previdência complementar, aumentou alíquota de contribuição do servidor para 14% e promoveu alteração nas regras do pagamento de pensões.

Nesses primeiros meses de gestão, Fátima Bezerra tem realizado economia de ponta de lenço. Na Assembleia Legislativa não ancorou uma reforma administrativa que diminuísse tamanho da máquina pública ou qualquer medida realmente austera.

Como o Blog Carlos Santos postou no último dia 27 de fevereiro, Governo parece acreditar em milagres. Eles não virão.

Sem a adoção de remédios amargos e excepcionais, o quadro tende a se agravar. Comer pipoca Rufus, tocar pandeiro e receber membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do empresariado rendem notícias, mas não aplacam o apetite da hidra que esvazia o cofre estadual, tornando o Executivo incapaz de promover o básico.

O então governador Robinson Faria (PSD) recebeu o Governo do RN em janeiro de 2015 com a folha praticamente em dia, graças à manobra que acertou com a sucessora Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP). Na Assembleia Legislativa houve aprovação da fusão de fundos Financeiro e Previdenciário do Estado, seguido de saque de mais de 200 milhões de reais, em dezembro de 2014.

Em poucos meses, ele solapou essa fonte de recursos para complementar folha e a partir de janeiro de 2016 atrasou continuamente (36 meses) o desembolso do funcionalismo.

Com Fátima, tudo poderá se repetir numa proporção ainda pior. Se atualizar pagamento funcional com as sonhadas receitas extraordinárias, sem reduzir drasticamente o déficit da folha (na casa dos 120 milhões/mês), logo em seguida tudo voltará ao “normal”.

Elementar, minha cara governadora.

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sábado - 01/12/2018 - 19:39h
Atraso salarial

‘Herança’ de Rosalba e Robinson vai ser passada para Fátima

Atraso salarial não é uma novidade (ruim) e recente na administração estadual, mas com o governador Robinson Faria (PSD) chega ao paroxismo da dramaticidade.

Ele caminha para completar em dezembro de 2018, último mês de sua gestão, o total de 36 meses consecutivos de atraso salarial, ou seja, três anos.

Rosalba apontou caminho do saque do Fundo Previdenciário que serviu a Robinson por um ano (Foto: arquivo)

E é provável que ainda deixe para a sucessora Fátima Bezerra (PT), pelo menos dois meses em atraso (veja AQUI).

Robinson manteve o pagamento em dia para todos os servidores das administrações direta e indireta, apenas de janeiro a dezembro de 2015, primeiro ano do governo. Foi anabolizado com retiradas mensais do Fundo Previdenciário, que chegou ao “volume morto”.

Antes de Robinson, sua antecessora Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP) tinha atingido o topo do satanismo contra o servidor estadual. Atrasou salários a partir de setembro de 2013, mesmo assim por poucos dias – mês a mês.

Fundo Previdenciário

Só no último dias de sua gestão, dezembro de 2014, colocou tudo em dia. Foi com ela, porém, que o Fundo Previdenciário (FUNFIR) começou a ser implodido àquela época.

Antes de ambos, no final dos anos 80, o então governador Geraldo Melo (PSDB) enfrentou consequências desastrosas de planos econômicos fracassados do Governo Federal e não conseguiu honrar folha de pessoal em dia por bom período.

Se não encontrar qualquer solução mágica e tiver o apoio altruísta de outros poderes, por exemplo, é provável que Fátima Bezerra complete essa time dos piores malfeitores à vida do funcionalismo estadual em todos os tempos. A herança bate à porta do seu governo.

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quinta-feira - 18/01/2018 - 14:36h
Ação cautelar

MP tenta impedir na Justiça novos saques do Funfir

Ipern administra Funfir (Foto: arquivo)

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) entrou com ação cautelar na Justiça potiguar para impedir os saques do Fundo Financeiro do Estado do Rio Grande do Norte (FUNFIR) de aplicações financeiras a vencer contratadas através de instituições financeiras (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) por parte do Governo do Estado.

O pedido foi enviado pela 60ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Natal e aguarda decisão, uma vez que o projeto que libera o uso dos recursos deverá ser apreciado em votação na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (18).

O processo tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública da capital.

O Funfir é administrado pelo Instituto de Previdência dos Servidores Estaduais do Rio Grande do Norte (IPERN),

Veja AQUI a íntegra da cautelar.

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