quarta-feira - 12/07/2017 - 22:10h
Sucesso

Progel ratifica selos de qualidade em sua área de atuação

A empresa mossoroense Progel Gestão de Recursos Naturais, referência em sua área de atuação, foi aprovada nesta quarta-feira (12) por auditoria de manutenção das normas ISO 9001 e ISO 14001.

Esse selo de excelência foi afixado pela estimada certificadora BVQI, que monitorou com êxito a implementação contínua do sistema de Gestão de Qualidade.

Nota do Blog – Parabéns aos seus sócios, Paulo Coelho e Gutemberg Dias.

Muito mais sucesso a vocês e equipe.

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Categoria(s): Economia
domingo - 09/07/2017 - 08:54h

Saúde Pública precisa com urgência de gestão

Por Gutemberg Dias

A saúde pública hoje é um dos grandes gargalos para toda e qualquer gestão. A demanda é crescente e os recursos não crescem na mesma proporcionalidade, ou seja, a cada dia a saúde pública sofre um pequeno estrangulamento que se não sofrer ajustes vai terminar entrando em colapso.

Em Mossoró não é diferente das cidades de porte igual. Mas, aqui ainda existe muito recurso entrando na saúde. É suficiente para resolver toda demanda? Acredito que não, mas tenho a convicção que se algo for feito do ponto de vista da gestão é possível salvar recursos para serem reinvestidos em serviços que estão com deficiência além do tolerável.

Acredito que não necessariamente se precise ter alguém com formação na área de saúde para fazer a gestão da pasta. Muitas vezes se tem ótimos profissionais na área de saúde, que não são bons gestores. Por isso, acredito que para municípios onde as secretarias são grandes, a exemplo de Mossoró, o ideal era que o secretario fosse alguém que conheça profundamente de gestão pública e tenha, obviamente, conhecimento gerais do funcionamento do sistema de saúde.

Em outros artigos já dei exemplo dos plantões que com uso de tecnologia (software para montar escala e ponto eletrônico) foi possível salvar mais de um milhão de reais mês (veja AQUI). Pergunto se essas mesmas ferramentas continuam sendo utilizadas?

Já vou respondendo que “não”.

Tivemos recentemente a denúncia por parte da imprensa de que uma irmã do atual secretario de Saúde, Benjamin Bento, recebeu mais de dez mil reais/mês em vantagens (plantões), fato estranho e, certamente, sem sustentação quanto à real efetivação dos referidos plantões.

Hoje, a Atenção Básica tem que ser o ponto focal de qualquer gestão municipal. Não cabe mais as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) de nossa cidade ainda utilizarem as fichas de atendimento em papel. A informatização da saúde é um caminho que não pode encontrar barreiras, já que ela vai solucionar vários problemas que hoje atingem esse segmento no âmbito da gestão pública.

Através da informatização será possível realizar todas as marcações de consultas através de aplicativos que garantirão o fim das filas físicas nas unidades de saúde, bem como, vai ser possível adequar as marcações de acordo com a carga horária médica.

Outro ganho é a redefinição do fluxo de comunicação ao paciente das consultas marcadas ou canceladas. Nesses casos, a informação será compartilhada de forma online beneficiando o usuário e, também, o serviço que poderá readequar suas demandas de acordo com as informações processadas no sistema.

A informatização garantirá, sobremaneira, a redução de custos com medicamentos. Como todo o processo é informatizado, a própria consulta do médico já define os procedimentos a que o paciente será submetido como, por exemplo, o medicamento que deverá ser ministrado ou entregue pela farmácia. Dessa forma, o controle do estoque passa a ser feito de forma eletrônica e atrelado ao procedimento médico.

Nesse sentindo, acaba-se o descontrole de estoque e, sobretudo, a perda de medicamentos por extravios ou vencimento dos mesmos, haja vista que serão remanejados de acordo com a demanda em cada unidade de saúde. Além disso, o controle referente a demanda para reposição dos estoques passa a ser mais eficiente, subsequentemente, melhorando os processos licitatórios, haja vista que serão planejados de acordo com o controle do estoque na Farmácia Central.

Quantos milhões de reais poderão ser salvo com o investimento na informatização, talvez eu não consiga precisar, mas se levarmos em consideração que o município investe mais de R$ 160 milhões na saúde anualmente, vislumbra-se a possibilidade de estabelecer uma meta de otimização de pelos menos 15% desse montante ano. Algo que considero passível de atingimento.

Reiteramos a importância da discussão sobre a gestão da saúde pública se aprofundar, ser dividida com colegiados ligados à área e à própria sociedade, tendo como prioridade a satisfação dos usuários, sem protecionismos politiqueiros e freando distorções que comprometem qualidade no serviço e sustentam uma “sangria” continuada do erário. Nossa contribuição não é fabricando críticas ou replicando denúncias, mas ofertando ideias, propondo saídas, como tem defendido e ofertado o Blog Carlos Santos sistematicamente.

Para que uma meta dessas seja atingida é preciso, sobremaneira, investimento e boa vontade dos gestores em enfrentar muitos obstáculos de todos os tamanhos e natureza. Será que a gestão municipal topa esse desafio?

Se topar vai garantir, sem sobra de dúvida, uma melhora substancial no atendimento que pode ser aferido pelos dados colhidos no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). Inclusive, os dados mostram que nossa infraestrutura e espacialização dos equipamentos municipais são de fácil acesso, ou seja, em média até 10 minutos qualquer cidadão acessa um equipamento.

O problema é quando o cidadão adentra esse equipamento de prestação de serviço e não tem a mesma agilidade no atendimento. Eis a questão.

Gutemberg Dias é graduado em Geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo / Saúde
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domingo - 25/06/2017 - 07:30h

Privatização dos espaços públicos como regra e não exceção

Por Gutemberg Dias

Hoje vamos conversar um pouco sobre a questão da privatização dos espaços públicos. Como Mossoró está num período festivo, realização do Mossoró Cidade Junina, essa temática fica mais clara para os leitores do Blog do Carlos Santos, haja vista que são mais notórios os excessos em períodos como esse.

Destaco que uma das funções do estado de direito é a delimitação dos bens públicos, separando-os dos bens privados. Lembro que os bens públicos são aqueles que pertencem ao coletivo da sociedade, mas não são de ninguém, ou seja, as ruas, vias e passeios públicos (calçadas) são exemplos de bens que podem ser aproveitados por todos, mas não podem se tornar exclusividade de pessoa alguma.

Falar na privatização dos espaços públicos remete a vários pontos, como a ocupação irregular dos passeios públicos, ocupação das vias públicas destinadas a circulação de veículos, uso de espaços públicos para auferir renda a iniciativa privada entre outros.

Especificamente, no âmbito desse tema, quero abordar a ocupação dos passeios públicos, os quais são destinados por lei ao livre acesso dos transeuntes e que não podem ser ocupados, na totalidade, por outras atividades. Farei isso trazendo alguns exemplos e, sobretudo, o que diz o Código de Obras e Edificações e Posturas (Lei Complementar n. 47/2010) de Mossoró.

Vários são os desrespeitos a legislação em Mossoró, seja durante o dia ou durante a noite, e nesse sentido é muito fácil identificar os abusos por parte dos ambulantes, lojas comerciais e, sobremaneira, os restaurantes de nossa cidade que ocupam irregularmente os passeios públicos impendido, por vezes, o transito de pedestres nesses equipamentos. Quantas vezes somos obrigados a transitar nas vias destinadas aos veículos automotores devido a impossibilidade de transitar nas calçadas?

Os bares e restaurantes são finos em descumprir as determinações do Código de Obras e Edificações e Posturas. Uma caminhada pelo chamado Corredor Cultural – Av. Rio Branco – mostra claramente o que exponho aqui.

Como exemplo, sito um restaurante ao lado do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado. Desde o “Pingo da Mei Dia” privatizou “geral” o passeio público, nesse caso, passando de todos os limites aceitáveis, colocando grades em toda parte frontal e lateral do estabelecimento.

Vale destacar que essa ocupação irregular não é de hoje e, também, não só praticada por esse estabelecimento em específico. O que fica claro é que a certeza da impunidade a cada dia eleva o grau de ocupação dos passeios públicos sem o mínimo de constrangimento.

O Código de Obras e Edificações e Postura em seu Art. 131 diz:

Os passeios públicos (calçadas) são bens públicos de uso comum do povo, de acesso livre, não podendo ser impedidos do trânsito de pedestres.

Já o Parágrafo Único, desse mesmo artigo, deixa bem claro o que é acesso livre, vejamos:

Entende-se como acesso livre aqueles passeios desobstruídos de barreiras arquitetônicas (barracas, mobiliários, desníveis, obstáculos, equipamentos, veículos, mercadorias, produtos e objetos em geral) que venham a impedir ou dificultar o trânsito livre de pedestres em geral.

A ocupação do passeios públicos, geralmente, nem sequer são compreendidos como irregularidades pela população de um modo geral, tendo em vista que esse tipo anormalidade está enraizada profundamente na nossa cultura e, dessa forma, virou senso comum.

Lamentavelmente, a conduta que é adotada pela administração municipal se mostra inadequada, ineficiente e ineficaz. Essa afirmativa tem lastro na recorrência dessa irregularidade, porque mesmo os estabelecimentos atentando contra as disposições que regem o uso e ocupação do solo não existe nenhum tipo de sanção que efetivamente solucione esta problemática.

Para mim, os gestores municipais, de um modo geral, têm adotado uma postura bastante negligente no que diz respeito à tomada de decisões que possam sanar esse problema que atenta contra a sociedade.

Será que essa inércia tem relação com o possível desgaste eleitoral? Ou será que mesmo falta de pulso para fazer valer a lei?

Nesse sentido, a gestão municipal se  omite duplamente: primeiro, por não fazer cumprir a lei, punindo os infratores; segundo, por não oferecer nenhuma estrutura para que essas irregularidades não aconteçam de forma sistemática.

Para depois não dizerem que eu estou atentando contra os estabelecimentos comerciais, a própria lei complementar n. 047/2010 em seu Artigo 137 diz:

Ressalvado o disposto no §2º do art. 132, toda calçada deve possuir faixa livre de, no mínimo, 1,20m (um metro e vinte centímetros) de largura, para a circulação de pedestres (…)

Sendo assim, para efeito de ocupar o passeio com algum mobiliário, que a faixa mínima seja obedecida. Esse simples gesto fará com que esse articulista-colaborador do Blog Carlos Santos, certamente, volte a esse espaço para parabenizar muitos empreendedores e, também, a gestão municipal, caso comece a fazer valer o que está escrito na lei.

Acredito que hoje o melhor caminho para a gestão iniciar a retomada dos passeios públicos é notificar os estabelecimentos e abrir um diálogo franco com aqueles que estão, por hora, desrespeitando a legislação. Porém, precisa deixar claro que a partir de um determinado momento não será mais aceito a transgressão aos dispositivos legais.

Espero não ter sido enfadonho. Mas, esse tema precisa ser objeto de reflexão de todos que querem o bem de Mossoró e acreditam numa sociedade mais justa.

Gutemberg Dias é graduado em Geográfica, Mestre em Ciências Naturais e empresário

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domingo - 18/06/2017 - 10:26h

Gestão dos resíduos sólidos é um caminho sem volta

Por Gutemberg Dias

Estamos no mês que se comemora a semana do meio ambiente. Atualmente essa temática tem um apelo muito forte no âmbito da gestão pública. Mas será que as gestões locais deram ou dão uma atenção forte a esse segmento?

Mossoró é uma cidade de médio porte já com seu sistema de gestão ambiental consolidado, ou seja, a gestão pública é responsável pelo licenciamento ambiental de vários segmentos e, também, pela fiscalização. Trocando em miúdos, a gestão municipal pode interferir de forma consistente nessa temática, podendo imprimir uma nova dinâmica na concepção do cuidar do meio ambiente.

Digo isso pois acredito que a gestão municipal além de cumprir seu papel no tocante ao licenciamento e fiscalização no âmbito do meio ambiente, ela deveria, também, encontrar soluções para os desafios que as cidades do porte de Mossoró apontam quanto à gestão ambiental do uso do solo.

Depois de grande esforço, técnico e financeiro, o município conseguiu implantar um aterro sanitário que do ponto de vista legal, havia se tornado uma exigência. Com isso foi garantido, em tese, o fechamento do lixão das Cajazeiras que se tornou um fator positivo em relação à melhoria da gestão ambiental do uso solo.

Infelizmente a gestão dos resíduos sólidos urbanos está além da dos resíduos sólidos domésticos. A geração de resíduos sólidos provenientes da construção civil e, também, das podas passou a ser, na atualidade, um grande desafio para a municipalidade. Haja vista que esses resíduos estão sendo descartados em áreas sem o mínimo controle ambiental.

Quem trafega pelas ruas de Mossoró não tem como não se deparar com entulhos provenientes de restos construtivos e, também, restos vegetais provenientes das podas feitas nas residências. Esses resíduos deixam a cidade suja e feia esteticamente, bem como, contribuem para o aumento de vetores como ratos, baratas, pernilongos entre outros, que podem causar doenças à população.

Parte desse problema repousa nos donos das residências que insistem em cometer um crime ambiental ao sujar o meio ambiente e, a outra parte, na gestão municipal que não coíbe essa prática e nem cria os mecanismos necessários para assegurar o descarte correto desses resíduos.

Pelo porte de Mossoró, já está passando da hora de se ter um aterro destinado aos resíduos sólidos da construção civil devidamente licenciado e operacional. Inclusive com perspectiva de se instalar uma usina de reciclagem na área do mesmo. Essa usina poderia vir de uma PPP (Parceria Público-Privado) com os maiores geradores de resíduos ou com alguma empresa que quisesse empreender nessa área, no caso iria transformar o que hoje é refugo em matéria prima novamente. Indago a gestão atual se algo do gênero está sendo pensado?

Vale destacar que com as podas temos os mesmos problemas. Nesse caso é preciso levar em consideração que além dos munícipes que fazem podas em suas residências, a própria prefeitura é responsável, também, pela geração quando é ela executa a poda das árvores nas áreas públicas. Hoje não sei para onde esses resíduos são destinados, lembro que até a gestão da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), o destino era o antigo lixão das Cajazeiras.

Diante do problema é mister afirmar que estruturar no âmbito da prefeitura um setor que passe a cuidar paulatinamente desse assunto é uma exigência para ontem. Principalmente no que tange a criar todo o processo de regulação da geração, manejo e descarte dos resíduos sólidos da construção civil e das podas, com objetivo de organizar toda a cadeia, que se inicia com o gerador, passa pelas empresas de papa-entulho e termina no descarte final.

Deixo aqui mais uma singela contribuição à atual gestão, a Mossoró e ao seu povo, como tenho feito ao longo de uma série de artigos no Blog Carlos Santos, a convite do seu editor, jornalista Carlos Santos.

Coloco o tema dos resíduos sólidos urbanos na pauta de discussão da gestão ambiental do uso do solo, como esta página já desencadeara através de postagens especiais (veja AQUI) e do também articulista Carlos Duarte. Não podemos simplesmente fechar os olhos para esse problema que só se avoluma ao longo dos anos.

Planejar algo consistente hoje para sanar essa deficiência poderá representar num futuro próximo o cuidado com o meio ambiente, bem como, a geração de uma outra cadeia de valor com a regulação desses resíduos.

Espero que a equipe de meio ambiente e, também, da limpeza urbana pensem foram do quadrado e nos traga boas novas quanto a esse tema.

Gutemberg Dias é graduado em Geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário.

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domingo - 11/06/2017 - 13:32h

Gestão de custos – uma saída para a crise

Por Gutemberg Dias

Gerir o público passou a ser uma grande dor de cabeça para muitos gestores, principalmente, aqueles que não têm em sua essência o tino de gestão corporativa, ou seja, aquele que simplesmente foi eleito pelo povo, mas não está preparado para administrar uma engrenagem tão complexa quanto a máquina pública.

Com a crise, que vem solapando as finanças públicas desde alguns anos, os gestores públicos tiveram que mudar seu modo de pensar e, sobretudo, agir. Nem todos conseguem. Não dá mais para ficar sentado na cadeira esperando que os recursos caiam do céu, foi-se o tempo das vacas gordas.

Em Mossoró não é diferente. O município já teve sua época áurea quanto a ter dinheiro sobrando nos cofres. Hoje, como tantos outros municípios, amarga um déficit financeiro que impacta negativamente os investimentos e, também, a forma de gerir a máquina pública.

Costumo dizer que gestor bom não é aquele que administra na bonança. Se conhece um bom gestor nos momentos de crise e falta de recursos, já que ele terá de mostrar suas habilidades para superar as dificuldades de forma criativa, muitas vezes tomando medidas corajosas e impopulares.

Mas, vamos pensar um pouco como podemos superar os obstáculos que hoje dificultam a gestão pública em Mossoró. Escrevi nesse espaço que um dos caminhos mais lógicos para superar a crise financeira é aumentar a arrecadação, obviamente, sem criar novos tributos que venham onerar o contribuinte.

O outro caminho ou o outro lado da moeda, é a redução de custos. Como fazer isso em meio a uma estrutura tão grande e inúmeros tentáculos? Fácil, de forma alguma. Mas tenho a convicção que é possível estabelecermos critérios e mecanismos simples que podem contribuir em muito à redução dos custos operacionais da máquina administrativa.

Mossoró, especificamente, tem uma estrutura administrativa extremamente grande – com pleonasmo, assim mesmo. Basta entender que a folha de pessoal bruta responde a mais de 50% de tudo que o município arrecada. É sabido que na gestão pública não se tem a manobra, como na iniciativa privada, de demitir funcionários para aliviar os custos, dessa forma, o gestor precisa pensar outras alternativas de reduzir os custos.

Vários são os caminhos. Não se pode exonerar servidores, mas é possível criar mecanismos para controlar horas extras, plantões e, também, otimizar as equipes.

Lembro que enquanto estive secretário de Planejamento na PMM, a secretaria desenvolveu um trabalho focado à Secretaria de Saúde, que resultou na redução mensal de algo próximo a R$ 1 milhão de reais só com plantões em sete equipamentos. Na ocasião fizemos apenas o básico, ou seja, informatizar as escalas e implantar efetivamente o ponto eletrônico.

Acredito que outra saída para reduzir os custos é a revisão dos contratos. Existe uma máxima na iniciativa privada que para vender para o setor público é preciso aumentar o valor, devido a inconsistência nos pagamentos. Mas isso precisa ser revisto e logo.

Se a gestão tem a certeza que tem como quitar seus contratos é preciso que faça a renegociação urgente dos mesmos. Quantos serviços ou materiais estão sendo fornecidos levando em conta a lógica que eu citei anteriormente? Acredito que são muitos e, se a gestão não for para cima, nenhum centavo será salvo.

A reorganização administrativa é outra saída para a redução dos custos. Atualmente a gestão municipal em Mossoró tem inúmeros equipamentos distribuídos em várias partes da cidade que podem ser fechados, obviamente sem causar prejuízos ao cidadão ou que podem ser melhor utilizados.

É preciso pensar no compartilhamento dos espaços com foco na redução de custos. Com isso quero dizer que um equipamento que tem espaço ocioso, por exemplo na saúde, pode ser compartilhado com o desenvolvimento social e assim integrar serviços com redução dos custos com água, energia, limpeza etc.

Outro ponto importante é fazer análise sistemática dos processos. Por exemplo: há controle da frota? Há controle do abastecimento? Há rastreamento dos veículos próprios e locados? Há controles de diárias e viagens? As compras gerais para as secretarias são unificadas para ter ganho em escala? Essas são algumas perguntas que precisam ser respondidas pela gestão em Mossoró.

Diante do que foi exposto não tenho dúvida que para redução dos custos e, sobretudo, a adequação das despesas a receita existem vários caminhos a seguir.

Resta saber se a gestora municipal tem essa visão e quer enveredar por esses caminhos. O mais fácil, sem sobra de dúvida, é reclamar da crise e deixar o tempo passar, com aposta no discurso do “retrovisor” e na propaganda personalista.

Mas se realmente quiser mudar a cara do município só existe uma coisa a fazer: arregaçar as mangas e ser criativa e corajosa na tomada de decisão.

Já faz um tempo que venho dizendo que a gestão pública em Mossoró tem jeito, basta sair do quadrado.  Ou do oito, como queira.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre pela UERN e empresário

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domingo - 28/05/2017 - 06:50h

Um caminho a seguir com foco nas receitas próprias

Por Gutemberg Dias

Hoje vamos falar sobre as receitas próprias do município de Mossoró. Destaco de antemão que comparada às despesas são poucas, mas que podem garantir um bom fôlego a gestão se forem geridas e utilizadas de forma coerente.

Vale destacar que esse tipo de receita tem sua aplicação em sua grande parte livre, ou seja, pode ser destinada a qualquer atividade do município sem nenhum tipo restrição. Salvo as taxas em relação aos serviços públicos que obrigatoriamente são aplicadas neles próprios, como a taxa de limpeza, contribuição de iluminação e multas de trânsito.

Essas taxas correspondem a uma pequena parcela do montante arrecadado, não chegando a 10% de toda a arrecadação própria.

Alguém tem noção quanto nosso município arrecada com recursos próprios? E o que poderia fazer para melhorar essa arrecadação, sem onerar ainda mais o cidadão?

Vamos, primeiro, entender melhor quais são as principais receitas próprias de um município. Podemos dividi-las em tributárias (Impostos, taxas e contribuições de melhoria), que nesse contexto se enquadram o IPTU, ITR, ITBI, ISS, taxa de limpeza etc; contribuições (Contribuição de Iluminação Pública); transferências constitucionais (FPM, ICMS, IPI, IPVA etc); patrimonial, relacionada à exploração econômica do patrimônio público e; serviços, que decorrem da cobrança de tarifas sobre os serviços públicos (ônibus, mercados, feiras entre outras).

Mossoró no ano de 2015 arrecadou em receitas próprias R$ 198 milhões, já levando em consideração as deduções para formação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Obviamente que existe a contrapartida para o financiamento do SUS que leva no mínimo 15% desse montante e a complementação da educação que chega a 5%.

Sendo assim, fazendo os descontos dos 10% das taxas, 15% do SUS e mais 5% da educação, se tem uma redução sobre o montante de 30%, ou seja, o gestor municipal em 2015, teoricamente, teria algo próximo aos R$ 138 milhões para investimento. Só que isso não acontece devido a quase totalidade desse recurso ir para o pagamento da folha.

Por isso, hoje é imprescindível que a gestão da prefeita Rosalba Cialini (PP) comece a pensar em alternativas para aumentar a arrecadação própria. Principalmente, devido à queda constante das transferências como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Uma ela já implementou que foi o aumento do IPTU. Porém, considero que a forma utilizada foi de extrema maldade com os munícipes, mas isso mostra que a equipe econômica dela está se mexendo na cadeira para buscar alternativas para o aumento das receitas.

Particularmente, acredito que para garantir o crescimento sustentado da receita  é preciso criar indicadores e estabelecer metas para os tributos mais relevantes, fazendo uma análise comparativa.

Para tanto, é preciso que a gestão da prefeita foque na gestão fiscal, não criando novos tributos ou sobretaxando os já existentes, mas entendendo como se dá essa arrecadação e como é possível fazê-la ser mais eficiente.

Um ponto importante que precisa ser levado em consideração é a questão da redução dos volumes de recursos sonegados. Vamos pegar o exemplo da maior fonte de arrecadação própria do município no ano de 2015 que foi a participação no Imposto sobre Circulação dos Serviços (ICMS), com R$ 87 milhões.

Se houver, por exemplo, uma parceria do município com o estado para melhorar a eficiência na fiscalização não tenho dúvida que esse número poderia crescer. Assim, como a arrecadação advinda da participação no IPVA que em 2015 foi de R$ 15 milhões. E assim por diante.

Outro exemplo claro é a questão da dívida ativa do município. A Procuradoria que responde por esse setor tem que focar suas ações nas grandes causas e criar um mecanismo mais simples para cobrar dos pequenos devedores, como por exemplo, inscrição no SERASA/SPC. Dessa forma, os processos de maior monta sempre seriam prioridade.

Não tenho a mínima dúvida que se a prefeita Rosalba Cialini orientar bem sua equipe de tributação, bem como, criar mecanismos de controle efetivos dos gastos, ela tem condições nos próximos três anos de reorganizar as finanças sem onerar mais os contribuintes.

Soluções existem, basta pensar e agir para fora do quadrado.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre pela UERN e empresário.

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domingo - 21/05/2017 - 05:06h

Terceirizados – Solução ou problema na gestão municipal?

Por Gutemberg Dias

Nos últimos anos Mossoró se destacou no quesito contratação de servidores terceirizados através de várias empresas. Esses profissionais têm um papel importante no serviço público, haja vista que suprem a falta de servidores efetivos em várias áreas. Mas tenho a convicção que o quantitativo de vagas está além do necessário no âmbito da Prefeitura de Mossoró.

Terceirizados fazem manifestação em frente ao Teatro Dix-huit Rosado, uma rotina nos últimos anos (Foto: arquivo)

Na última terça-feira (16/05) lendo o Blog do Carlos Santos me deparei com uma matéria onde a Prefeitura de Mossoró detalha o pagamento às empresas terceirizadas (veja AQUI).

No post a PMM expõe que já pagou no ano de 2017 mais de R$ 16,5 milhões e informa que 51% desse montante são referentes a débitos anteriores. Logo, em relação a esse ano, já são mais de R$ 8,2 milhões pagos para quitar os serviços prestados pelas empresas, ou seja, algo próximo de R$ 2 milhões mensais.

Fazendo um comparativo com o ano anterior observa-se que não existe muita diferença dos valores pagos pela gestão anterior em relação à atual. Com isso quero dizer que a nova gestão não fez nenhuma ação efetiva no que tange a redimensionar os contratos com as empresas que administram os terceirizados.

Seguindo a lógica de desembolso apresentada pela gestão municipal no ano de 2017, o gasto com servidores terceirizados será da ordem de R$ 32,8 milhões. Vale salientar que, ainda, resta o pagamentos dos meses em atraso e dos acordos feitos na justiça.

Alguns caminhos precisam ser impostos pela gestão para ter um maior controle desses contratos, bem como, as bases de contratação precisam ser repactuadas de forma a garantir melhores resultados para o município.

Primeiro, essas vagas em via de regra são preenchidas por indicações políticas e não estão, muita das vezes, relacionadas à necessidade dos setores que contratam. Sendo assim, é imprescindível um senso em relação aos servidores terceirizados.

Segundo, a gestão precisa ajustar o quadro de lotação de terceiros por órgão e, nesse mesmo diapasão, fazer a relocação dos terceiros conforme os salários pagos. Nesse caso, uma análise criteriosa dos valores pagos precisa ser confrontada com as funções que essas pessoas estão exercendo.

Terceiro, pagar apenas por serviço efetivamente prestado. Nesse caso a prefeitura não contraria o servidor terceirizado e sim a função a ser exercida no âmbito da administração. Com isso, as possíveis faltas de servidores não acarretaria dispêndio aos cofres públicos, pois o pagamento só seria realizado mediante substituição do profissional.

Quarto, efetivamente fazer o controle dos servidores terceirizados que estejam de férias. Isso se faz necessário pois não havendo esse controle, obviamente que dependerá da má fé da empresa, o erário poderia pagar dobrado por determinado servidor. Infelizmente isso é possível e o controle pode inibir atos ilícitos.

Quinto, controlar os terceirizados demitidos. Essa ação segue a lógica de evitar pagamento por terceirizado que já não faz mais parte do contrato.

Por fim, todas as empresas que fornecem mão-de-obra devem ter seus funcionários controlados por ponto eletrônico, os quais serão auditados pela gestão municipal mensalmente para o efetivo pagamento das horas trabalhadas em cada função contratada.

Se a gestão municipal utilizar essa receita de bolo, tenho plena convicção que poderá, ao final do ano, contabilizar uma redução de até 15% com gastos com terceirizados.

Destaco que o exposto nesse artigo nada mais é que fazer gestão focada em indicadores e números para se racionalizar o uso do dinheiro público. Sem esse tipo de controle e análise sistêmica os recursos financeiros podem escorrer pelo ralo sem muita cerimônia.

Tenho certeza que o cidadão mossoroense agradecerá e muito esse tipo de controle, pois assim poderá sobrar recursos para se investir em áreas prioritárias como saúde e educação.

Tenho procurado oferecer ideias, contribuição, sugestões, questionamentos e amplo estudo técnico – com conhecimento de causa – à gestão municipal, no sentido de colaborar para que ela funcione. O espaço cedido a convite do editor desta página, jornalista Carlos Santos, foi aberto com uma ponderação muito clara:

– “Gutemberg, vamos oferecer elementos ao bom debate, à discussão elevada, longe desse cabo-de-guerra cretino entre quem é contra e quem é a favor da ‘Rosa’, coisa que não leva a nada. Só alimenta nosso atraso político“.

É isso que temos feito. Voltaremos a esse e outros temas serão focalizados.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre pela UERN e empresário

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domingo - 14/05/2017 - 08:40h

Cargos comissionados comprometem folha e investimentos

Por Gutemberg Dias

À semana que se encerrou ontem, um dos temas que ocupou o noticiário político de Mossoró, mesmo que tenha sido em sua grande parte na imprensa livre (internet), foi a questão que a Prefeitura Municipal de Mossoró atropelou decreto editado por ela mesma quanto à ocupação dos cargos em comissão. São os chamados “cargos comissionados”, como tratados popularmente.

Pelas contas de Erasmo Firmino, Blog do Tio Colorau (veja AQUI), já são 524 nomeações para ocupar cargos em comissão. Como a lei complementar n. 122/2016 estabelece um total de 702 cargos a serem nomeados pelo prefeito da hora e desse total, 186 são funções gratificadas que devem ser ocupadas por servidores públicos municipais de carreira, restariam apenas 516 cargos a serem nomeados sem que houvesse vínculo algum com o quadro de servidores da municipalidade.

Partindo-se da premissa de que 524 cargos foram ocupados por pessoas que não tem vínculo com a prefeitura, conforme dados colhidos do Jornal Oficial do Município (JOM), a prefeita Rosalba Ciarlini (JOM) desobedece o próprio decreto que assinou e que estabelecia que só preencheria no máximo 50% dos cargos definidos em lei.

Oficialmente, a prefeita já nomeou 173 pessoas além do que seu primeiro decreto prescrevia, como o Blog Carlos Santos apontou em matéria especial (veja AQUI).

A lei complementar n. 122/2016 – que rege a contratação/nomeação dos comissionados – tem um anexo que explicita todos os cargos e funções gratificadas que o gestor tem o direito legal de preencher. O anexo II é composto por uma sequencia de tabelas que especificam os cargos/funções, símbolo, quantitativo e valores unitários.

Muitos perguntam quanto é que a prefeitura gasta com cargos comissionados. Segundo a lei complementar n. 122/2016 a municipalidade pode ter um desembolso mensal de R$ 1.754.375,00 se todos os cargos/funções estiverem ocupados. Porém, vale destacar que esse montante de recursos não está acrescido dos encargos sociais e trabalhistas, que com base no Tribunal de Contas da União (TCU) chega a 69%. Dessa forma, o valor mensal sobe para R$ 2.964.893, 75.

Fazendo uma análise anual dos valores para remunerar os cargos comissionados e as funções gratificadas, a Prefeitura Municipal de Mossoró poderá desembolsar R$ 35.578.725,00 durante um ano fiscal. Se comparado com o montante da receita realizada no ano de 2016 que consta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2018 (R$ 483.834.199,00), os cargos em comissão nesse ano corresponderam a 7,35% da receita primária do município. Atualmente, a folha de pessoal estaria em torno de R$ 25 milhões, comprometendo bastante a capacidade de investimento do Executivo.

Já para a perspectiva de arrecadação para 2017 esse mesmo percentual cai para 5,27%, número que não acredito que seja alcançado em função da frustração recorrente de receita.

Ainda com base no anexo II da lei complementar n. 122/2016 os cargos com maior quantitativo de vagas para nomeação são as funções gratificas (FG I a IV) que somam 186, Diretores de Unidade (DU) com 140 vagas e, na sequência, os Chefes de Divisão (CD) com 100 vagas para livre nomeação do gestor.

O total desses cargos somam 426 (60%) e representam  31,28% de todo custo com os cargos em comissão.

Os números são incontestes e mostram que a previsão do impacto desse tipo de contratação pela municipalidade tem variação de 5 a 8% sobre o montante da receita primária do município. Não resta dúvida que pode ser melhor trabalhado e reduzido uma parcela desse universo que foi levantado.

Ainda, numa perspectiva de redução do impacto dos comissionados sobre a receita, poderia se pensar no aumento das funções gratificadas que são destinadas aos servidores efetivos. Sem sombra de dúvida é uma sugestão para a reforma administrativa que se avizinha, ou pelo menos foi prometida e que quase cinco meses depois só apareceu de verdade na criação de mais uma secretaria, a da Cultura, com pelo menos outros 50 cargos comissionados.

Pelo visto, o governo da prefeita Rosalba não tinha de verdade um projeto de gestão e com a administração correndo, tenta paralelamente esboçar algo para apresentar à Câmara Municipal.

Outra sugestão é a criação de um mecanismo para controle efetivo das nomeações para que a lei não seja ferida e não descambe para uma sanção ao gestor quanto a uma improbidade administrativa.

Fica a indagação ao webleitor em relação à real necessidade de tantos cargos em comissão e, também, dos servidores terceirizados: será que não são exagerados? Provavelmente, sim. Ainda mais em tempos de crise, com necessidade de redução drástica de custos.

Outro segmento que tem um impacto muito grande sobre a receita são os servidores terceirizados. Acredito que o desembolso mensal da prefeitura nesse segmento deva ser superior em mais de 25% dos valores pagos aos comissionados. A contratação dessas pessoas muitas vezes seguem indicação meramente política, onerando gastos da prefeitura, mas aliviando a pressão politica de grupos e vereadores.

Será objeto de outra análise no futuro.

Gutemberg Dias é geógrafo, mestre pela UERN e empresário

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo
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sábado - 13/05/2017 - 10:46h
2018

PCdoB estuda nomes para lançar à Assembleia Legislativa

Gutemberg concorreu à prefeitura (Foto: Wigna Ribeiro)

No âmbito do PCdoB, pelo menos quatro nomes têm sido pensados e outros devem se juntar a eles, como prováveis candidatos à Assembleia Legislativa no próximo ano pela sigla.

O partido entende que poderá obter até duas cadeiras na Casa, na montagem de uma nominata representativa e consorciado com outros partidos de igual tendência.

Atualmente, o PCdoB tem a deputada Cristiane Dantas ocupando assento na AL.

Mas o ex-candidato a prefeito de Mossoró Gutemberg Dias e o ex-prefeito apodiense Flaviano Monteiro estão em boa cotação interna à disputa.

Liste-se, ainda, o ex-vereador em Natal George Câmara.

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Categoria(s): Política
domingo - 07/05/2017 - 09:10h

Uma “Cidade” Junina de sucesso muito antes de junho

Por Gutemberg Dias

O Mossoró Cidade Junina já é um evento consolidado em Mossoró. Não vejo mais como ele sair do calendário festivo de nossa cidade, nem como a Prefeitura Municipal de Mossoró deixar de ser o organizador geral do evento.

Vejo na imprensa que a prefeitura agora é que iniciou o processo de sua organização. Certamente, do ponto de vista da legalidade, vai cometer alguns equívocos para colocar a edição desse ano no ar.

Esse evento há muito que vem dividindo pensamentos. Imagino que os webleitores se lembram das celeumas criadas entre a oposição e a situação quanto a utilização de recursos públicos para fomentar essa grandiosa festa. Talvez eu tenha até falado na época sobre esse tema.

Mas, que a confusão era grande isso era, basta ver as manchetes dos jornais e blogs como O Mossoroense, Gazeta do Oeste, Jornal de Fato, Blog o Carlos Santos entre outros.

Acredito que as partes tinham razão no que falavam, ou melhor dizendo, meia razão. Concordo com a oposição quando dizia que a prefeitura deveria investir em saúde, educação etc ao invés de contratar bandas caríssimas, mas entendo a prefeitura quando dizia que o evento fazia girar a economia local e, para isso, era necessário investir recursos próprios no Mossoró Cidade Junina.

Vamos entender como funciona hoje a organização do MCJ. Primeiro a prefeitura abre processo licitatório para contratação de empresa para arrecadar patrocínios e, também, outro processo para a organização do evento. Geralmente a empresa que ganha o certame para captar recursos não é a responsável pela realização do evento.

Como sempre as licitações acontecem às vésperas de se iniciar o MCJ, a empresa que se habilita para captar recursos não tem tempo para trabalhar e se acomoda com os patrocínios que chegam por gravidade, ou seja, como ela vai ganhar um percentual sobre o que for arrecadado o que entrar é lucro, seja pouco ou muito.

Esse modelo que vem sendo feito há muito tempo não ajuda a desmamar o evento das “tetas” do erário público. E como não se arrecada a contento para bancar o evento, sobra para o cofres públicos cobrir o grosso da festa. Em números, “acredito” que o MCJ nunca conseguiu arrecadar mais que R$ 800 mil em patrocínio a cada ano.

De outro lado, a empresa vencedora do certame para organizar o evento fica na dependência da liberação de recursos para dar gás na montagem do MCJ. Se a prefeitura atrasa um dia de quitação de medição, sempre, quase sempre, surge a velha história que a festa não vai acontecer, que banda não sobe em palco e por aí vai.

Dito isso, é notório que o formato de organização da festa está equivocado, principalmente, quando se pretende diminuir a participação de recursos próprios da prefeitura. Mantendo essa receita nunca teremos um MCJ bancando, em grande parte, pela iniciativa privada, como acontece em Caruaru e Campina Grande.

A diferença dos eventos nessas duas cidades é que eles já começam a ser planejados quando se encerram. Aqui só lembram do MCJ depois do Carnaval. Dessa forma, o tempo para atrair patrocinadores é inexequível, pois ninguém vai colocar grande quantidade de recursos onde não se tem um projeto de retorno de mídia garantido.

Ainda é bom lembrar, que os grandes patrocinadores tem planejamento orçamentários destinados a eventos como esses, no caso eles não têm recursos disponíveis a qualquer hora e tempo.

Dados colhidos em veículos de comunicação mostram que Caruaru investiu em 2014 um pouco mais de R$ 11 milhões para realizar o seu São João, sendo que 60% desse montante veio de patrocínios, ou seja, algo próximo a R$ 6,6 milhões.

No ano passado o MCJ, se não me engano, estava orçado em R$ 3,5 milhões. Vale destacar que em anos anteriores a festa teve orçamentos maiores. Se fizermos uma analogia com Caruaru e aqui se conseguisse captar 60% em patrocínio, o desembolso do município teria sido de apenas R$ 1,4 milhão.

Considerando que o MCJ é um evento consolidado regionalmente, que mantém um formato muito parecido com os dois maiores do Nordeste (Caruaru e Campina Grande), que num raio de 300 km não existe outra festa do mesmo porte e que está a menos de 300 km de duas capitais, não resta dúvida que vale apena se investir, do ponto de vista do marketing, nesse evento.

Para 2018, o que sugiro à Prefeitura Municipal de Mossoró é que inicie o processo licitatório para contratar a empresa de captação já no mês de julho/2017 e que o “deadline” para licitar a empresa organizadora do evento aconteça em fevereiro/2018.

Planejando, dessa forma, acredito que será possível captar um grande volume de recursos via patrocínios e, também, garantir que o processo licitatório para a organização do evento esteja encerrado até meados de abril/2018, dando tempo suficiente para a empresa organizar a contento o evento, evitando, assim, falhas na realização do MCJ.

Outra coisa, todo o valor captado, obrigatoriamente, deve ser depositado na conta única do município com destinação específica para o MCJ e as bandas devem ser contratadas diretamente pela municipalidade, podendo ser feita por dispensa de licitação e sem a interferência de agenciadores, fato garantido por lei, e que agiliza o processo de montagem da grade que se torna de extrema importância para garantir o interesse dos patrocinadores.

Tenho a certeza que se planejar esse evento de forma profissional teremos um dos maiores São João do Nordeste, competindo com Caruaru e Campina Grande, sobretudo, com baixo investimento por parte da municipalidade.

Alguém duvida que seria diferente?

Gutemberg Dias é geógrafo, mestre pela Uern e empresário

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Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 05/05/2017 - 08:38h
Alívio

Royalties dão salto de 76% a mais no erário mossoroense

Do Mossoró Hoje

Pelo menos em relação aos repasses obrigatórios dos royalties referentes à produção de petróleo, a Prefeitura de Mossoró não tem do que reclamar. Os cofres do Município foram contemplados, entre janeiro e abril deste ano, com cerca de R$ 7 milhões, um incremento de 76% se comparado ao mesmo período de 2016, quando foram transferidos R$ 3,9 milhões.

Os números constam no Demonstrativo de Distribuição da Arrecadação do Banco do Brasil, acessível a qualquer cidadão por meio do site //www.bb.com.br. De acordo com o sistema, abril foi o mês em que Mossoró recebeu o maior volume de royalties esse ano: R$ R$ 2.891.895,44. Em 2016, no mesmo mês, o repasse foi de apenas R$ 867.090,54.

No geral, a gestão da prefeita Rosalba Ciarlini recebeu no primeiro quadrimestre desse ano R$ 6.994.643,62, já com os descontos obrigatórios. Entre janeiro e abril de 2016, esse total, também contabilizadas as retenções, foi de R$ 3.973.092,22.

Reajuste no barril

E o que explica o aumento significativo das receitas? Para Gutemberg Dias, presidente da Redepetro RN, movimento que visa ampliar a competitividade de empresas fornecedoras de bens e serviços da cadeia de petróleo e gás natural, o principal fator que justifica esse incremento nos repasses está no reajuste do preço do barril de petróleo.

“O que não significa dizer que o processo de desaceleração dos investimentos na região acabou, pelo contrário, ele continua, as empresas ainda passam por um grande sufoco, com dificuldades em renovações de contratos, continuam deixando a cidade”, destacou.

Gutemberg, que também foi candidato a prefeito por duas vezes, avalia que o impacto do crescimento das receitas é positivo para as finanças do Município, mas que é preciso saber onde e como investir esse dinheiro. “A própria cadeia de petróleo e gás necessita desse investimento por parte do Município”, conclui.

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
domingo - 23/04/2017 - 08:06h

A realidade distorcida nas leis orçamentárias e seus números

Por Gutemberg Dias

A prefeitura de Mossoró enviou para a Câmara Municipal a LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias para que seja apreciada pelo legislativo e, se os vereadores assim quiserem, fazerem as propostas de alteração que acharem necessárias.

A LDO é parte de um processo maior para se organizar o orçamento municipal, vejamos o que diz o portal da Câmara dos Deputados: “compreende as metas e prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento”.

Com base na definição podemos dizer, sem medo de errar, que a LDO vai estabelecer os objetivos e metas para gestão do ano de 2018 e, geralmente, segue as principais linhas estabelecidas no Plano Plurianual (PPA) e as propostas que fazem parte do plano de governo do gestor, claro que estabelecidas de forma técnica para não se ferir o ordenamento jurídico.

A outra parte do orçamento está assentada na LOA – Lei Orçamentária Anual que segundo Erick Resende é “o instrumento de planejamento utilizado pelos governantes para gerenciar as receitas e despesas públicas em cada exercício financeiro. Também conhecida como Lei de Meio, representa elemento fundamental na gestão dos recursos públicos, uma vez que sem ele o administrador não recebe autorização para executar o orçamento”.

Essas duas leis mais o Plano Plurianual Participativo (PPA) definem como os recursos do município podem ser aplicados. Agora será que essas peças jurídicas são bem elaboradas ou, mesmo, utilizadas de forma coerente na administração pública?

Primeiro, é bom lembrar que os orçamentos são de domínio público. Pergunto aos leitores, quanto de vocês tiveram acesso a essas peças? Quantas vezes a prefeitura de forma organizada e clara convidou a sociedade civil para ajudar na formulação dessa leis?

O orçamento participativo seria um caminho, mas não pode ser um arremedo como gestões passadas em Mossoró fizeram. Uma maquiagem para poder publicar nos jornais e blogs que ouviu a população e que a elaboração do orçamento teve a participação popular.

Digo sem pestanejar que as  peças orçamentárias são em sua maioria uma colcha de retalhos e, sobretudo, cópias dos anos anteriores. Pode pegar uma peça orçamentária de 10 anos e comparar com a atual, existem poucas mudanças.

Essa falta de cuidado com a peça orçamentária, em Mossoró, está embasada na falta de uma cultura de planejamento. Primeiro, para o fechamento da LOA as secretarias deveriam apresentar todo um planejamento dos investimentos. Sabe quantas enviam? Nenhuma. Geralmente a SEPLAN – Secretaria do Planejamento monta as planilhas com base no entendimento dela. Segundo, o fechamento deveria ser feito de forma integrada com as demais secretarias, já que os secretários titulares é que irão efetivamente desenvolver o orçamento.

Por essa falta de sinergia, quando o orçamento é aprovado e aberto no inicio do ano, podem observar que o Jornal Oficial do Município – JOM começa a ser carregado com uma enxurrada de remanejamentos. Isso é uma prova cabal que não houve planejamento orçamentário e, a partir desse momento, se inicia o chamado exercício acrobático para que o orçamento dê certo.

Outro ponto que gostaria de trazer nesse artigo é a falta de compreensão do gestor quanto à definição do valor final do orçamento. O que Mossoró vem fazendo ao longo dos anos é aplicando as correções inflacionárias e acrescentando, por vezes, a perspectiva de aumento de arrecadação.

Na realidade, isso está correto em parte. Veja que vendo a série histórica dos orçamentos municipais eles nunca foram menores que o ano anterior, mesmo nos momentos de crises econômicas, salvo o de 2017 que apresentou uma diferença para baixo de algo próximo a R$ 11 milhões.

Essa engenharia de não reduzir os orçamentos, repousa na perspectiva do gestor poder gastar (leia-se investir), ou seja, ele ou sua equipe sabe que não terá arrecadação suficiente no ano seguinte, mas resolve manter um orçamento alto, pois garante ao prefeito a manobra para contratar obras/serviços, mesmo não tendo dinheiro em caixa para os pagamentos. Isso é um dos problemas dos rombos que passam de gestão para gestão.

Vamos exemplificar isso com dados reais. No ano de 2016 o município de Mossoró arrecadou algo próximo a R$ 550 milhões de reais, o orçamento que estava aprovado pela CMM era de R$ 685 milhões, ou seja, houve um frustração na arrecadação de R$ 130 milhões, mas certamente o gestor utilizou todo o orçamento disponível, mesmo não tendo o dinheiro em caixa.

Já o orçamento de 2017 o valor aprovado foi de R$ 674 milhões. Pergunto: por que não houve uma redução, já que houve uma frustração da receita em 2016 e a projeção para 2017 não é muito diferente?

Quando das primeiras reuniões para definição do orçamento de 2016, participei na condição de Secretário de Planejamento. Minha recomendação foi analisar os últimos três períodos e fazer uma projeção para os dois períodos subsequentes, como diz a lei.

Acreditava que o orçamento não poderia ser muito superior a R$ 550 milhões. Não levaram em consideração e não fiquei no governo para lutar por essa certeza.  Esse ano teremos mais uma frustração orçamentária e, consequentemente, se a atual gestora não segurar o contingenciamento, já anunciado por ela, não será muito diferente do seu antecessor.

Infelizmente, nos moldes que o orçamento municipal em Mossoró é elaborado, posso afirmar que ele está mais para uma peça de ficção onde a realidade é distorcida pela vontade do gestor.

Uma coisa que contribui sobremaneira para que o orçamento não tenha a devida função é a falta de estrutura da Secretaria Municipal de Planejamento que, desde seu nascedouro, não tem um elenco de pessoal adequado para gestar um orçamento de qualidade e nem condições de coordenar, efetivamente, as gerências avançadas de planejamento e finanças nas demais secretarias. Destaco que  nenhum gestor que passou pelo Palácio da Resistência investiu nessa pasta, inclusive a atual gestora em seus últimos três mandatos e no início do atual.

Por isso, deixo o seguinte questionamento: como queremos ter uma cidade bem planejada se nossos gestores não investem maciçamente para estruturar a Secretaria Municipal de Planejamento?

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) terá três anos e nove meses pela frente. Acredito que nesse espaço de tempo, obviamente, se ela quiser, dará para fazer dessa secretaria seu braço direito. Esse é o caminho que apontei no período em que estive por poucos meses nessa pasta, mas infelizmente não tive acolhido o meu apelo.

Gutemberg Dias é formado em geografia, mestre em recursos naturais e ex-candidato a prefeito de Mossoró.

P.S. Informo ao webleitor que em breve vamos iniciar uma série de artigos discutindo um modelo de gestão pública que possa garantir um lastro para um crescimento ordenado e planejado de nossa querida Mossoró.

Vamos utilizar recursos multimídias para deixar a apresentação bem didática.

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo
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terça-feira - 11/04/2017 - 19:02h
Mossoró

O perigo da “oposição social” que ronda Rosalba Ciarlini

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e seu grupo não têm o que temer, aboletados no governo. Pelo menos em relação à denominada “oposição” política.

Ela inexiste.

Quem faz oposição ao governo Rosalba?

Tião Couto (PSDB), segundo colocado nas eleições municipais do ano passado?

Gutemberg Dias (PCdoB), agradável surpresa e terceiro colocado na mesma disputa?

A bancada contrária na Câmara Municipal de Mossoró?

O ex-candidato a prefeito “Cinquentinha” (hoje, no PSDC)?

O antecessor Francisco José Júnior (PSD).

O governador Robinson Faria (PSD).

Nada, nada, nada disso.

Todos inexistem até aqui como tal. Uns, por incapacidade; outros, por estratégia.

O problema que ganha corpo de forma lenta, gradual e expressiva é a “oposição social”, muito mais letal do que a política.

É a voz das ruas.

Ela germina nas unidades básicas de Saúde (UBS’s) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s) com precário atendimento e falta de medicamentos; nas ruas e avenidas esburacadas e cobertas por lixo; na escola com escassez de merenda, na insegurança do centro à periferia e no desemprego que não é estancado.

E tudo fica grandiloquente nas queixas que se espalham nas redes sociais, através de vídeos, textos, fotos e áudios. Esse perturbador boca a boca virtual cresce em proporção geométrica.

A prefeita e sua entourage palaciana não podem ignorar esse fenômeno. Se o fizerem, por arrogância ou falta de sensibilidade política, pode contabilizar rápido e crescente prejuízo.

Quanto à oposição política, nada a temer. Por enquanto.

Essa inexiste. Ainda.

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domingo - 09/04/2017 - 09:10h

O que mudou em 100 dias com Rosalba?

Por Gutemberg Dias

No Brasil se convencionou dar um prazo de 100 dias  para os novos gestores sentarem na cadeira e porem em prática parte do que eles propuseram na campanha eleitoral. Na realidade, considero esse tempo um prazo para alinhar o governo na perspectiva de dar um rumo a nova gestão.

Para os novos prefeitos eleitos em 2016 esse prazo fecha na segunda-feira (10/04). Respeitando esse período, chegou a hora de nos posicionarmos e fazermos uma análise sobre os 100 primeiros dias de gestão da prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

Destaco que faço essa analise não com a intenção de torcer para o quanto pior, melhor. Faço com a certeza que essa gestão tem tempo para criar algo novo e fazer a cidade avançar. Vivo aqui e quero ver Mossoró se desenvolvendo e gerando oportunidades para seu povo nas diversas áreas.

Não resta dúvida que a gestão do ex-prefeito Francisco José Júnior (PSD) deixou grandes problemas a serem superados, mas isso já era sabido por todos os candidatos à época, ou seja, a perspectiva de administrar Mossoró com o olho no retrovisor não poderia ser o norte de nenhum eleito.

Mas, vamos lá entender o que realmente a prefeita eleita desenvolveu até o momento. Para facilitar nossa análise vamos separar as ações desenvolvidas por áreas, como saúde, funcionalismo, educação, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, segurança, infraestrutura etc.

Começando pela saúde que tem um apelo forte perante a sociedade, observa-se que nesses 100 dias pouco se avançou. Basta ver que a rede de atenção básica continua com os mesmos problemas deixados pelo gestor anterior. Assim, como a falta de medicamento continua recorrente nas unidades básicas, um exemplo é a questão das insulinas.

Ainda, na saúde, a imprensa continua expondo os sucessivos atrasos nos pagamentos dos serviços contratados, fato que ocorria sistematicamente no governo anterior.

Quanto ao funcionalismo público a gestão divulgou fortemente que estava com os salários em dia, um feito que merecia grandes aplausos, porém a gestão estava fazendo apenas sua obrigação constitucional, ou seja, pagar os servidores dentro do prazo legal. Mas, o discurso de pagar em dia deixou um rastro de atraso, no caso, os salários de novembro e dezembro que foram negociados para se pagar de forma parcelada.

Na área da educação quase não se houve ou se viu algo de concreto divulgado pela imprensa e, também, pela própria gestão. Tirando o atraso do início do ano letivo, não foi possível identificar nenhum avanço ou direcionamento que mudasse o quadro recebido da gestão anterior.

Vale destacar que a mesma análise feita para educação se aplica para o desenvolvimento social. A secretária Lorena Ciarlini, filha da prefeita Rosalba Ciarlini, tirando suas aparições sistemáticas ao lado da mãe e/ou representando-a em eventos administrativos, não tem o que mostrar, além de tocar os projetos já consolidados na pasta.

No quesito infraestrutura apenas idas e vindas a Brasília para garantir o que já havia sido garantindo de repasse e que a gestão anterior não conseguiu materializar do ponto de vista financeiro. Inclusive parte dos recursos solicitados e alardeados, ainda, são promessas para as administrações anterior a de Francisco José. Vale um destaque positivo para a operação tapa-buraco que foi iniciada de forma muito acanhada, mas que em alguns locais dá um alívio aos moradores.

No desenvolvimento econômico não se tem muito a mostrar. Primeiro que enquanto a gestão não entender que é preciso dotar essa área da gestão de estrutura muito pouco ela terá a oferecer à sociedade.

Na cultura, o feito positivo e louvável foi a recriação da Secretaria de Cultura, acordo feito por todos os candidatos no pleito anterior com a classe artística da cidade. Mas, pelo andar da carruagem, vai cometer o mesmo erro da gestão anterior na formatação do maior evento da cidade, o Mossoró Cidade Junina, que será montado a toque de caixa, assim como aconteceu no ano passado.

Já na segurança a única ação efetiva foi o fechamento das BIC’s, que em parte concordo com sua decisão. Fora isso, apenas os duelos (veja AQUI) públicos e deselegantes com o governador Robinson Faria (PSD) quando da inauguração do projeto Ronda Cidadã.

Feito esse resumo podemos dizer que a gestão não tem muito a mostrar nesses 100 primeiros dias. Tenho a certeza que na segunda-feira a prefeita irá se pronunciar e parte de seu discurso será ainda o de campanha, principalmente, amparada no retrovisor e no mote que está reconstruindo Mossoró.

É preciso ser consciente que 100 dias é muito pouco tempo para definir grandes mudanças, mas nesse período é possível elaborar planos objetivos para garantir uma gestão focada no resultado. Mas, infelizmente não é o que se anuncia. A própria formação do secretariado deixa claro que o viés da gestão não está centrado num contexto técnico, digamos que se alicerça numa base familiar e política.

Uma grande perda para a gestão, no meu entender, foi a saída do chefe de gabinete(Kadu Ciarlini, filho da prefeita), que no contexto da gestão era o novo. Não conseguiu manter o pote na cabeça, talvez não pela inexperiência, mas pela falta de autonomia de impor uma forma nova de gerir.

No mais, a gestão de Rosalba Cialini nos remete ao passado. Fala e age como se fosse aquela prefeita do terceiro mandato, que repassou o poder a Fafá Rosado em 1º de Janeiro de 2005. Praticamente reedita o seu último mandato (2001-2004) à frente da Prefeitura de Mossoró. Porém com um diferencial: nessa fase, ela tinha muito recurso em caixa.

Se o cenário nacional não melhorar e, sobretudo, a gestão não inovar na forma de gerir a máquina pública, podem anotar, esse governo será muito parecido com o período em que a prefeita passou a frente do executivo estadual, ou seja, não terá muito para mostrar ao seu final.

Gutemberg Dias é geográfo, mestre em recursos naturais, empresário e ex-candidato a prefeito de Mossoró.

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domingo - 26/03/2017 - 14:04h

Por que a Saúde vive na UTI?

Por Gutemberg Dias

A austeridade administrativa propalada pela atual gestão precisa levar em consideração uma análise criteriosa sobre três grandes áreas, quais sejam, a saúde, educação e desenvolvimento social. Essas três áreas são responsáveis por mais de 70% de todo o orçamento do município.

Hoje vamos nos deter a falar sobre a saúde que é o setor que mais se aplica recursos no âmbito municipal. Para se ter uma ideia, no ano de 2015 essa área respondeu por 32% dos investimentos próprios da prefeitura de Mossoró. Tendo orçamento total dessa pasta girado entorno de R$ 140 milhões. Logo, o gestor que quiser focar em redução de custos precisa, sem sombra de dúvidas, pensar numa gestão profissional dessa secretaria.

Quando falo de uma gestão profissional, levanto a ideia de se ter um executivo com especialização em gestão administrativa, não apenas um médico ou enfermeiro, com farto conhecimento técnico. Obviamente, que existe bons técnicos na área de saúde que podem ter qualificação em gestão administrativa. Mas, para gerir um montante de recursos desses e a complexidade que é o emaranhado administrativo um técnico, por si só, não é suficiente.

Mas, vamos analisar um pouco os números. Mossoró  em 2015 recebeu de transferência do SUS algo próximo a R$ 75 milhões. Vale destacar que de todo esse montante transferido 41% vieram do teto municipal da média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar, 8% do piso da atenção básica fixo (PAB-Fixo), 6% do programa saúde da família, 6% agentes comunitários de saúde e 6% teto municipal do controle do câncer. Os demais 32% das transferências estão associados a outros programas e serviços.

Vale destacar que constitucionalmente o município de Mossoró é obrigado a transferir à saúde, a título de complementação, 15% de sua arrecadação com impostos/taxas ou transferências estaduais ou federais, ou seja, a popularmente conhecida contrapartida. Pois bem, como em 2015 a arrecadação girou em algo próximo a R$ 198 milhões, obrigatoriamente, mais R$ 29,7 milhões tiveram de ser destinados a saúde.

Somando os números acima podemos dizer que em 2015 Mossoró tinha um orçamento aproximado de R$ 104,7 milhões para investimento na área de saúde. Porém, vale destacar que nesse mesmo ano a contrapartida do munícipio foi maior, ou seja, 17% a mais do que deveria repassar, elevando esse número para R$ 138,3 milhões. Ainda, some-se a esse número as diversas emendas parlamentares que devem gerar um incremento de mais uns 2 ou 3%. Se a Secretária de Saúde de Mossoró fosse um município estaria entre os 20 maiores municípios em receita no estado do Rio Grande do Norte.

De outro lado vem as despesas nessa área da gestão municipal que demanda um custo altíssimo e, por vezes, é maior que as receitas. Mas, como falta dinheiro com tantos recursos alocados para esse setor? A resposta é simples, falta uma gestão profissional que administre esse montante de recurso como um organismo a parte do todo municipal.

Vou dar um exemplo. No início de 2016 a Secretaria de Planejamento desenvolveu um trabalho de reordenação nas unidades que dispõe de plantão no âmbito da saúde municipal, o resultado foi a redução de mais de 1 (um) milhão de reais/mês só com plantões. Imagine um trabalho desses sendo feito de forma mais ampla.

Outro ponto que merece destaque na gestão da saúde é com relação ao investimento na Atenção Básica. É preciso o município focar nessa área e, sobretudo, fazer a população voltar a acreditar nesse setor, pois só assim haverá uma diminuição na pressão sobre os serviços de alta e média complexidade, os quais respondem pelo maiores custos na saúde.

Outro caminho passa pela reestruturação de todos os contratos ativos na área de saúde. Muitos dos que estão em vigor precisam de ajustes para que sejam adequados a realidade municipal e, também, a questão da demanda. Não tenha dúvida que esse ponto específico é um vespeiro.

Por fim, acredito que a informatização ampla e irrestrita na saúde pode ser outro ponto de forte controle das despesas. Para se ter uma ideia, a falta de insumos nas unidades de saúde está associada, basicamente, a falta de gestão do estoque na farmácia central ou nas próprias unidades. Ainda, acredito que se fizermos um balanço de entrada e saídas dos insumos, com base nos atendimentos, o saldo que deveria ser zero é negativo, isso devido a falta de controle que gera desperdícios.

Sei que não é fácil gerir o sistema de saúde de um município do tamanho de Mossoró, mas pela experiência que tenho em gestão sei que, também, não é impossível. Por isso, acredito que se a gestão pública municipal enveredar por um gestão profissional ela terá grandes conquistas a mostrar ao final de um mandato de quatro anos.

Agora, para finalizar, deixo a seguinte indagação:

– Você, enquanto usuário, acredita que o problema da Saúde é a falta de recursos?

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró e dirigente da Redepetro/RN.

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domingo - 19/03/2017 - 04:04h

Uma guerra que não pode ser nossa

Por Gutemberg Dias

A violência toma conta do Brasil. Os números, de forma silenciosa, mostram que vivemos uma guerra não declarada em vários estados e cidades.

Ao analisarmos os números, o Brasil entre os anos de 2011 e 2015 computou 278.839 mortes intencionais. Esse número é maior que as mortes registradas na guerra da Síria que foram de 256.124, no mesmo período. Não resta dúvida que estamos em guerra. Agora que guerra é essa? De quem é essa guerra?

Quanto a quem morre, observa-se que 54% das mortes acometem jovens entre 15 e 24 anos. Outro número que merece destaque é que 73% das pessoas assassinadas são pretos e pardos. Esses números denotam, claramente, que a população mais pobre está mais vulnerável a violência no Brasil.

Os investimentos na segurança pública são volumosos. Em 2016 foram investidos 76,3 bilhões. Entre os anos de 2002 e 2015 aconteceu um crescimento de 62% nos recursos destinados a segurança. Já as despesas com a segurança pública equivalem a 1,38 do Produto Interno Bruto (PIB).  Será que ainda falta dinheiro ou ele está sendo empregado de forma equivocada?

Os municípios (224,9%) investiram mais em segurança pública ante a união (86,9%) e os estados (61,9%). Essa desproporção nos investimentos se assenta na corrida dos gestores municipais em dar resposta aos munícipes. O cidadão está ali perto do prefeito que é cobrado sistematicamente para garantir sua segurança e de seus familiares.

Verdadeiros exércitos de guardas municipais estão sendo formados.Os números apresentados acima estão no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que foram lançados em novembro do ano passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Como diz um amigo matemático – “os números não mentem”.

Descendo para o estado do Rio Grande do Norte,  os números apresentados pelo Observatório da Violência do RN (OBVIO) mostram que nos três primeiros meses do ano já batemos todos os recordes de mortes intencionais, ou seja, a violência está instalada sem previsão de arrefecimento no estado onde o mote do governo é a segurança pública.

Os números apresentados pelo OBVIO são alarmantes. No ano passado (2016) nesse mesmo período tínhamos uma contagem na ordem de 381 assassinatos, hoje já temos 515 casos registrados, ou seja, um aumento de 35,17% no mesmo período comparando 2016 e 2017.

Vale destacar que os casos de mortes intencionais tem sua maior incidência na região metropolitana de Natal e, conforme dados do OBVIO, já passam dos 65%. Em números absolutos a capital lidera na região metropolitana e no estado com mais de 130 mortes.

Mossoró não é diferente. Estamos vivenciando momentos críticos na segurança pública. O cidadão já não tem a mesma coragem de estar nas ruas. Quando decide sair sempre está na retranca e atento ao ambiente ao seu entorno. Podemos dizer que o mossoroense está em constante estado de alerta.

A chacina ocorrida na última semana, que ceifou a vida de seis jovens, mostra que a violência em nossa cidade não está para brincadeira. Infelizmente o governo do estado e, também, a segurança pública municipal não se compadeceram em relação a esse crime bárbaro. Me corrijam se eu estiver enganado!

É chegada a hora da população começar a se movimentar de forma organizada para cobrar das autoridades ações efetivas e enérgicas em relação a insegurança. Não é possível ficarmos calados quando, só nesse três primeiros meses, 50 mortes intencionais já foram registradas na cidade. Sem contar as vítimas que se encontram internadas com risco de morte, podendo, a qualquer momento, aumentar o número.

Fora as mortes intencionais, soma-se ao bolo da insegurança os assaltos nas ruas, invasões de residências, roubos de caros e motos  e furtos que se alastraram na cidade. Vale destacar que hoje não existe mais horários específicos para os ataques, basta existir a oportunidade que os meninos do mal cometem seus delitos.

No início desse artigo fiz alguns perguntas. Espero que você possa responder e me ajudar a compor o cenário que vivemos. Bem como, faço um último questionamento, talvez muito simples e claro:

– Você acredita no modelo de segurança pública oferecido pelo estado brasileiro (leia-se municípios, estados e união)?

Eu já tenho minhas respostas, mas quero ver a sua!

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró e dirigente da Redepetro/RN

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sexta-feira - 17/03/2017 - 22:28h
FM 98

Gutemberg Dias estreará como comentarista em rádio

Gutemberg: estreia (Foto: Wigna Ribeiro)

Gutemberg Dias estreia segunda-feira (20/03) como comentarista no programa “Boca da Noite” com Ugmar Nogueira na FM 98 (Rádio Cidadania), de Mossoró.

Vai comentar as principais notícias do cenário nacional e local de segunda a sexta-feira a partir das 17h30.

Ele foi secretário do Planejamento da Prefeitura de Mossoró na gestão Francisco José Júnior (PSD) e candidato a prefeito pelo PCdoB no ano passado.

Nota do Blog – Sucesso ao Gutemberg, que faz parte do nosso elenco de articulistas dominicais.

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domingo - 12/03/2017 - 09:19h

A Previdência Social que não é para todos nós

Por Gutemberg Dias

A reforma da previdência, alardeada pelo governo Temer e defendida pela maioria dos deputados e senadores, vai causar sérios danos ao futuro do povo que, realmente, trabalha nesse Brasil.

A tramitação do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016 no Congresso causa grandes discussões entre os parlamentares, principalmente, entre os que não concordam com o texto apresentado, já que todo o conteúdo remete a uma mudança enorme nas condições das regras atuais, tirando direitos dos trabalhadores que, inclusive, já estão no mercado de trabalho.

A questão da idade mínima para se aposentar aos 65 anos (homens e mulheres) e ter uma contribuição mínima de 25 anos, para muitos especialistas, tende a causar uma distorção muito grande quando se compara o Brasil como um todo. Isso devido a variação da expectativa de vida nas diversas regiões do país e, sobretudo, as oportunidades de empregos que garantem a contribuição regular.

Para mim, existe um agravante no processo da idade mínima de 65 anos para aposentadoria associado aos 25 anos de contribuição, ou seja, essa condição não garante a aposentaria integral ao trabalhador. Ela garante de imediato um percentual de 76% sobre a média dos salários.

Para o trabalhador ter a sonhada aposentadoria integral ele precisará completar 49 anos de contribuição. Um crime contra uma grande parte da população brasileira que entra no mercado formal de trabalho tardiamente e tem uma expectativa de vida abaixo da média nacional que é hoje de 75,5 anos de acordo com o IBGE.

Ora, se levarmos em conta um cidadão comum, principalmente, aqui do chão árido do nordeste brasileiro, a expectativa de aposentadoria com base nas novas regras é baixíssima, vai morrer literalmente trabalhando e, pior, tendo contribuído para não poder gozar desse direito universal.

Existem outros pontos polêmicos no âmbito da reforma, um exemplo é a questão da pensão por morte que na nova regra só vai garantir 50% do valor recebido ao pensionista, podendo ser acrescida de 10% para cada dependente, bem como, ela não poderá ser acumulada com um outro benefício. Já pensou nas famílias que dependem da renda do marido e da mulher, ambos, aposentados, como vai sobreviver quando um ou outro vier a falecer?

O governo federal no discurso de convencimento diz que existe um rombo na previdência. Para se ter uma ideia, ele afirma que em 2015 o déficit foi de R$ 86 bi, já em 2016 de R$ 150 bi e a previsão para 2017 de R$ 180 bi. Agora esse mesmo governo esquece de falar sobre as dividas do setor público e privado com o INSS.

Nessa batida todo o déficit alardeado pelo governo poderia ser sanado só com os recursos advindos da cobrança das dividas das grandes empresas que giram entorno de 426 bilhões de reais. O que o governo está fazendo é transferindo essa grande dívida ao trabalhador de forma  irresponsável e, sobretudo, com pitadas de crueldade.

Os parlamentares governistas podem até votar essa reforma, mas se prepararem que os resultados de seus votos virão nas urnas em 2018. As centrais sindicais iniciaram o processo de mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras e o povo já começa a falar com consistência sobre as mudanças e os impactos negativos.

No Rio Grande do Norte dos onze parlamentares no Congresso apenas dois se manifestaram contrários ao PEC 287/2016, a senadora Fátima Bezerra (PT) e a deputada federal Zenaide Maia (PR), os demais engrossam o caldo da base governista que acredita que a reforma salvará o INSS e garantirá ao povo uma aposentadoria digna.

Infelizmente, esses parlamentares que irão votar a favor da reforma não precisam se preocupar, pois já garantiram suas rechonchudas aposentadorias pelo mínimo tempo de serviço ou desserviço ao povo no Congresso Federal.

Eu digo “não” à reforma da previdência como ela está sendo apresentada. E você?

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito e dirigente da Redepetro/RN

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domingo - 05/03/2017 - 07:45h

O ‘retrovisor’ não pode ser projeto de gestão

Por Gutemberg Dias

Passado o Carnaval, a maior festa popular brasileira, diz o ditado “que o ano começa”. Nessa linha de pensamento, muita coisa tende a acontecer após esse período, principalmente, a retomada das ações governamentais que, geralmente, ficam em letargia até o período carnavalesco, sobretudo, em ano pós-eleitoral.

Para os que foram eleitos em 2016, dois meses de mandato já foram consumidos. A maioria usou o período pré-carnaval para enfatizar o momento de crise e passar, por vezes, desapercebido no meio do caos político que vive o Brasil.

Mas, o Carnaval passou e o povo já não tem mais a expectativa de uma grande festa para esquecer os problemas do cotidiano. Agora é hora dos gestores públicos colocarem suas equipes para pensar, bem como,  aproveitar o batalhão de comissionados e servidores para trabalhar dentro de um planejamento que gere resultados concretos à sociedade.

Não cabe a partir de agora o discurso do “retrovisor”, ou seja, quem está dirigindo a máquina administrativa no momento foi eleito no pleito passado. Dessa forma, ao assumirem os respectivos mandatos, também, assumiram o passivo das gestões passadas e as resoluções dos problemas passaram a ser deles.

No Brasil, se tornou comum o gestor que assume o executivo debitar as dívidas herdadas ao seu antecessor e, simplesmente, fazer de conta que o passado não faz parte do presente. Nessa batida, inicia a gestão tentando pagar “em dia” os salários dos servidores e tentando arrumações que deem maior visibilidade.

Porém, esquece, o astuto gestor, que a prefeitura é impessoal e os problemas herdados passam a ser da nova gestão.

Claro que isso não é uma regra geral. Têm gestores que encaram os problemas e imprimem um ritmo administrativo que, às vezes, o caos do passado é engolido pelas ações proativas posta em marcha na nova gestão. Esses são os verdadeiros executivos, pessoas que pensam o público com visão estratégica e forte convicção no cuidado da coisa pública.

Os bons gestores não fazem pirotecnia de suas façanhas. Geralmente, mostram o que fazem de forma natural e deixam o povo decidir se foram ações corretas e de resultado para a coletividade.

Hoje com a velocidade da informação, que é mais ágil que rastilho de pólvora no mundo das redes sociais, a fama ou a desgraça de um gestor público toma rumos inacreditáveis se comparado ao passado recente.

Com tudo o que estamos passando, está chegando a hora do “político gestor” assumir o papel no lugar do “político” nesse novo mundo que vivemos. Os problemas são recorrentes, assim como muitos gestores, que infelizmente reassumem mandatos que já nascem fadados à mesmice.

A sociedade quer ação efetiva que se reverta em melhoria palpável nos serviços públicos que são acessados pela grande massa de gente. Nesse compasso é que os novos gestores precisam ter consciência que antes de serem políticos precisam ser “políticos gestores”.

O que posso dizer, aos que usaram parte de seu precioso tempo para ler esse artigo, é que não têm segredo em gerir quando se tem propósito e, sobretudo, convicção que sua contribuição é mais um tijolo na estrutura do processo construtivo de uma máquina publica eternamente em construção.

Gutemberg Dias é dirigente da Redepetro e ex-candidato a prefeito de Mossoró

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Categoria(s): Artigo
domingo - 26/02/2017 - 04:18h

O futuro econômico de Mossoró ainda passa pelo petróleo

Por Gutemberg Dias

Mossoró, com o processo de desinvestimento da Petrobras, a maior operadora brasileira de campos petrolíferos, vem amargando sucessivas perdas de empregos ligados ao setor e, também, uma retração do mercado, principalmente, o setor do varejo e imobiliário.

Há alguns anos era difícil encontrar placas indicando imóveis para alugar. Hoje basta dar uma pequena volta em qualquer bairro de nossa urbe que nos deparamos com as placas apresentando imóveis para locação. Virou parte do mobiliário urbano.

Feito esse preambulo, para dizer que a economia de Mossoró não anda bem, faço a seguinte indagação: como reaquecer o mercado local a curto e médio prazo? Talvez muitos achem que seja uma pergunta de difícil resposta, mas não é. Existe muitos caminhos a serem seguidos, basta ter planejamento e perseverança para fazer acontecer.

Um dos caminhos e, certamente, o mais fácil é a revitalização da cadeia de petróleo e gás. Digo isso com base na capacidade produtiva/serviços embarcadas em Mossoró e, também, em perspectivas de atração de novos empreendimentos a partir de um possível revitalização do setor.

O Governo Federal, através do Ministério de Minas e Energia (MME) no final de janeiro/2017, lançou o programa REATE. Esse programa trata da Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo Terrestre e pretende triplicar a produção terrestre brasileira de aproximadamente 150 mil para 500 mil barris/dia nos próximos anos.

Dentro desse contexto, a cidade de Mossoró, a partir da sua posição geográfica e de sua capacidade de prover bens e serviços para a cadeia do petróleo, pode ser trabalhada para se tornar um grande “hub” de serviços para atender a indústria petrolífera desde a Bahia até o Maranhão, quiçá a região amazônica.

Obviamente, para que isso aconteça, será preciso que o poder público municipal e estadual sejam grandes parceiros nessa empreitada. Principalmente, no tocante a mostrar que a cidade tem vocação e capacidade para absorver a demanda que virá com o novo cenário que está sendo desenhado para o setor e, sobretudo, serem os catalizadores da atração de grandes empresas que queiram investir localmente com foco no atendimento da cadeia de petróleo e gás.

Vale destacar que trabalhar, hoje, a revitalização da cadeia de petróleo e gás em Mossoró é o caminho mais fácil para se retomar o aquecimento da economia local e regional, haja vista que o incremento de recursos nessa área é volumoso e, naturalmente, é gerador de empregos diretos e indiretos.

É bom deixar claro que outros setores são importantes e que precisam entrar no radar, como as energias renováveis (eólica e solar),  turismo e o ordenamento do polo universitário. Esse último de extrema importância para o suporte tecnológico para atender o setor petrolífero e os demais segmentos.

Com base no exposto fica claro que temos um caminho a seguir e ele precisa ter a parceria do poder público e privado. É preciso que todos os atores estejam juntos nesse objetivo, pois, só assim, seremos capazes de reescrever uma nova página quanto ao reaquecimento econômico a partir, incialmente, da revitalização da cadeia de petróleo e gás.

O mundo já reconhece o Brasil como uma grande referencia no desenvolvimento de tecnologias para o seguimento petrolífero. Nesse mesmo diapasão, para mim e tantos outros colegas, Mossoró tem tudo para se transformar na maior referencia nacional em soluções para o setor de petróleo e gás. Garantindo, dessa forma, uma retomada histórica de seu potencial produtivo e, sobretudo, retomando sua pujança econômica, de outrora, num curto e médio prazo.

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró (2016) e presidente da Redepetro RN

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domingo - 19/02/2017 - 05:58h

Aperte o cinto porque o emprego sumiu

Por Gutemberg Dias

Nessa última semana, vendo uma matéria na mídia televisiva falando sobre o desemprego no Brasil, me deu um estalo e resolvi pesquisar sobre os dados de Mossoró diretamente no CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e, na sequência, escrever esse artigo.

A procura na rede é muito simples, o que demora é juntar as informações nas diversas planilhas que o site nos oferece e, consequentemente, montar a sua planilha de trabalho com as informações que você pretende gerar. Num escala de dificuldade (0-10) posso afirmar que não passa de quatro.

Mas, vamos ao que interessa.

Inicialmente foi levantada a série histórica do saldo de emprego dos últimos 10 (dez) anos, ou seja, de 2007 a 2016. O número absoluto é positivo, Mossoró nesses dez anos teve um saldo de 12.127 postos de trabalho. Infelizmente quando se compara os números ano a ano, observa-se que a curva estatística é decrescente e com padrão acentuado, conforme se observa no gráfico 1.

A grosso modo, analisando o gráfico, vê-se que de 2007 a 2016 a tendência sempre foi de declínio, com exceção do ano 2010, quando a cidade teve resultado bastante positivo, corroborado com um saldo de 5.104 postos de trabalho. Podemos dizer que 2010 foi o ponto fora da curva.

Os anos seguintes se mostraram com uma relação de declínio, tendo uma ou outra variação pequena para cima.

Ainda, trabalhando os números, fiz um levantamento específico do cenário de empregos em Mossoró no ano 2016. O resultado apresentado pelo Caged para esse ano correspondeu a uma perda de 3.070 postos de trabalho.

Se comparado ao ano anterior (2015) houve um aumento de 59,55% na perda de postos de trabalho (gráfico 2).

Mirando a lupa, especificamente, para o que aconteceu durante o ano de 2016, observa-se que janeiro já começou com saldo negativo (-80 postos), tendo o maior pico negativo em fevereiro (-1.122 postos), daí mostrando uma redução na relação.

O fato interessante é que entre os meses de julho e setembro o saldo foi positivo. O mês de agosto apresentou um saldo de 1135 postos, ou seja, podemos dizer que agosto anulou o mês de fevereiro. Porém, a partir de outubro o saldo passou a ser negativo.

Com os dados apresentados se observa uma nítida tendência de aumento de perda de postos de trabalho para o ano de 2017, bem como, devido a intensidade da curva, infere-se que a retomada para saldo positivos não ocorrerá a curto prazo, principalmente, quando se analisa em conjunto com o cenário nacional.

É importante destacar que comparado o resultado dos entes federativos no ano de 2016, Mossoró ficou com percentual de retração maior que a media estadual (-4,36) e nacional (-3,33%), espalmando o percentual de -5,31%. Esses números mostram que o ano de 2016 não foi para emprego na capital do Oeste Potiguar.

A partir da análise desses números se faz necessário pensar em algumas alternativas com foco na geração de emprego, principalmente, no que tange aos empregos de maior perenidade, haja vista, que os empregos temporários não contribuem para reversão do quadro. Vale destacar que nos dois últimos anos os meses que empregam o maior número de temporários não teve resultado positivo.

Um caminho que vislumbro a curto e médio prazo, para reversão do atual cenário de perda de postos de trabalho, passa pela união de todos os segmentos produtivos e o setor público, na perspectiva de lutar pela revitalização da cadeia de petróleo e gás. Precisamos focar em oportunidades no segmento de energias renováveis, criar efetivamente as condições ideais para a efetivação do distrito industrial e, sobremaneira, reativar o setor da construção civil que historicamente é responsável pelas maiores perdas na variação relativa.

É bom lembrar que grande parte das obras de infraestrutura do município e, também, do estado e união, encontra-se em letargia ou paralisadas. Com isso quero dizer, que os entes federativos têm um papel importante nessa perspectiva de retomada do emprego aqui em Mossoró e no resto do Brasil.

Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró (2016) e presidente da Redepetro RN

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo / Economia
terça-feira - 07/02/2017 - 22:21h
Articulista

Paulo Linhares no Blog Carlos Santos

Paulo: no time

O advogado Paulo Linhares vai passar a compor nosso timaço de articulistas dominicais.

Escreverá sobre que assunto?

Qualquer coisa que for pertinente à sua massa cinzenta privilegiada.

Outros reforços virão ainda se juntar a Honório de Medeiros, Carlos Duarte, Marcos Pinto, Francisco Edilson Leite Pinto Júnior (que está em falta e será chamado aos ‘carreteis’), Gutemberg Dias, François Silvestre, David Leite etc.

Aguarde.

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