quarta-feira - 12/02/2025 - 23:32h
Chamada pública

Uern obtém recursos à preservação da Coleção Mossoroense e jornais

Trabalho a ser desenvolvido preservará acervos importantes (Foto: Uern)

Trabalho a ser desenvolvido preservará acervos importantes (Foto: Uern)

A Universidade do Estado do RN (UERN) teve dois projetos aprovados na Chamada Pública Finep/MCTI Recuperação e Preservação de Acervos-2024. Preveem o apoio a projetos de infraestrutura e serviços de preservação e restauração de acervos científicos e histórico-culturais.

O resultado da seleção foi divulgado nesta semana pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Dentre os acervos que serão catalogados, armazenados e digitalizados, está a Coleção Mossoroense, que corresponde à maior coleção temática do Brasil, com cerca de 4.500 títulos, cujos assuntos tratam de várias áreas do conhecimento, desde paleontologia e geografia à poesia potiguar.

Jornais

Também será feita a digitalização da Hemeroteca composta pelos jornais O Mossoroense (1872-1990), O Bando (1949-1959), Gazeta do Oeste (1977-2016) e O Comércio de Mossoró.

Coordenado pelos professores Lindercy Lins e Fabiano Mendes, do Departamento de História, o projeto foi contemplado com R$ 1,6 milhão. Permitirá, a partir da instalação de equipamentos multiusuários no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Uern (NUDOPH), avanço para assegurar a digitalização e preservação de documentos e fontes orais fundamentais para a produção acadêmica e a memória histórica regional.

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Categoria(s): Comunicação / Cultura / Educação
domingo - 22/10/2023 - 08:10h

Escrever crônica

Por Marcos Ferreira

Foto ilustrativa de Patrick Fore

Foto ilustrativa de Patrick Fore

Sexta-feira passada, ao topar comigo numa clínica do Centro, um leitor me disse que todo domingo lê o que escrevo neste Blog. Ora! Fiquei satisfeitíssimo com tamanha fidelidade. Acrescentou que me segue no Instagram e acompanha meus textos desde minha época de jornal O Mossoroense e Revista Papangu, aumentando assim meu regozijo. Senti-me uma espécie de Rubem Braga falsificado.

Meu leitor se anunciou como José Mota, professor aposentado da rede estadual. Deu-me um aperto de mão e informou que é mineiro de Juiz de Fora e que veio para cá na década de 1960, ainda adolescente, em companhia dos pais, que eram mossoroenses.

Tipo simpático, esguio, cerca de um metro e oitenta, mais velho que eu uns dez anos, ostentava uma farta cabeleira quase intocada pela calvície. Daí a pouco, entre uma coisa e outra, perguntou-me como é escrever crônica. Sim. Foi bastante específico, de maneira que pude concluir que eu não estava perante um leitor despreparado. O homem tinha ciência sobre o referido gênero literário.

José Mota poderia ter perguntado, por exemplo, como é escrever um conto, talvez um artigo, um poema ou um romance, no entanto não fez isso. O que interessava a ele era um macete, uma fórmula ou receita acerca de como trazemos à luz essa gema prosaica alojada entre o artigo e o conto. Então, descambando para o lugar-comum, tentei explicar que a crônica é essencialmente elaborada a partir de notícias e imagens do cotidiano, uma equilibrada mistura de imaginação e realidade, e que nem sempre dispomos da primeira nem da segunda. Aí, à falta de assunto e imaginação, confessei que a gente cava um pênalti, ou seja, inventa uma história qualquer.

Notei que José Mota, que em certo ponto da conversa me revelou que era professor de língua portuguesa, fez a pergunta já conhecendo a resposta. Achei que estivesse apenas realizando um teste, avaliando a minha teoria sobre o assunto, recordando seu tempo de sala de aula. Não sei qual nota me deu, mas gostei de tê-lo conhecido. Torço que algum dia apareça no espaço reservado à opinião do leitor. Ao contrário de alguns, ele sabe distinguir conto de crônica e crônica de artigo.

Assim como outras peças do artesanato linguístico, escrever crônica não cabe em truques ou manuais. Está acima de teorias, de ensaios e currículos. Toda hora nos deparamos na internet, nas redes sociais, com indivíduos vendendo segredos de escrita criativa, prometendo glória e sucesso àqueles aspirantes a escritores. A propaganda é boa e decerto mexe com a cabeça de muitas pessoas.

Sei que nem tudo é tempo perdido. Alguns desses mestres caça-níqueis têm muito o que ensinar a quem tenha capacidade de aprender e possua, digamos assim, um talento inato. Escritores famosos e bem-sucedidos deste país já passaram por essas escolinhas, por esses cursos virtuais. É justo dizer, portanto, que sempre é possível tirarmos algum aprendizado até mesmo de quem, aparentemente, não tem o que nos ensinar. Tudo pode servir de mote e também resultar em nada.

De repente um sujeito estica o beiço na calçada do Mercado Central e afirma que vai sair o cavalo no jogo do bicho; outro discorda, assegura que será a vez do peru, e isso pode ser matéria para se escrever uma crônica enriquecida com a mais autêntica trivialidade do dia a dia. É verdade que a escrita tem vontade própria e, às vezes, somos governados ao invés de governar. Uma tarde dessas sentei na intenção de produzir uma crônica, mas findei parindo um conto. E vice-versa.

Hoje, motivado por aquele encontro com o professor José Mota, entrei nessa enrascada de opinar sobre o que é escrever crônica. Sei que alguns desses teóricos da escrita criativa apontarão um monte de defeitos no meu texto. Talvez porque não tive a inegociável paciência de reler e reescrever esta página umas dez ou vinte vezes. Segundo Ruy Castro, escreve bem quem reescreve bem.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 28/10/2022 - 15:30h
Filme

“Jararaca”, o Huno da nova espécie

Em 1927, um bando de cangaceiros liderados por Lampião acampava nas cercanias de Mossoró na iminência de uma invasão à capital do oeste potiguar. No calor dos acontecimentos, o jornal O Mossoroense estampava a seguinte manchete: “Os Hunos da nova espécie”, atribuindo ao Rei do Sertão e seu bando a mesma sede de conquista do povo nômade que ficou famoso por conquistar a Europa sob a liderança do Rei Átila.

Cartaz do filme de Augusto Lula, que tem estreia definida para 1º de novembro (Reprodução do Canal BCS)

Cartaz do filme de Augusto Lula, que tem estreia definida para 1º de novembro (Reprodução do Canal BCS)

A invasão de Lampião fracassou, mas deixou para trás uma lenda em torno do mais controverso ‘cabra’ do bando’: o cangaceiro Jararaca. É ele quem personifica o “O Huno da Nova Espécie”, título do novo curta-metragem do diretor natalense Augusto Lula.

O filme será lançado no dia 1º de novembro às 19h30 e 20h, no cemitério de São Sebastião, em Mossoró, e foi finalizado depois de 20 anos do início das filmagens.

José Leite Santana

Quinto projeto autoral do diretor, “Huno da Nova Espécie” traça a transformação do bandoleiro José Leite Santana, o Jararaca, no imaginário popular. Do fim trágico, quando estava sob custódia da polícia e foi praticamente enterrado vivo em uma cova no cemitério, depois de ter levado um tiro no peito e passar a noite na cadeia. Até os dias de hoje, uma figura cultuada pelo povo, a quem lhe atribui milagres.

Jararaca foi soldado raso do Exército, mas largou a instituição em busca de melhoria financeira no banditismo. Com seu conhecimento de artilharia, foi aceito no grupo. Apesar da curta trajetória no bando de Lampião, as circunstâncias de sua morte o tornaram uma figura mística décadas depois.

O túmulo no cemitério de Mossoró é um local de romaria e acredita-se que ele obra milagres, pois se arrependeu de seus pecados no momento antes de sua morte. “Jararaca passou de cangaceiro tido como sanguinário a santo popular. Seus milagres e má fama se confrontam até hoje no imaginário popular”, comenta o diretor Augusto Lula.

Para Augusto Lula, que não aguentava mais “carregar uma corcunda na cabeça “, mostrar a construção dessa devoção popular, da vida e morte, do deus e do diabo, purgatório, inferno e céu e da santificação pelo povo, muitas vezes não se consegue explicar.

Jararaca (centro), capturado e ferido, mas que depois foi executado (Reprodução/arquivo)

Jararaca (centro), capturado e ferido, mas que depois foi executado (Reprodução/arquivo)

“O Huno de uma Nova Espécie” conta com participações especiais da voz de Pedro Mendes e também de Cyro Papinha, ex-apresentador do programa policial Patrulha da Cidade. As imagens e entrevistas foram captadas no Dia de Finados de 2004 2005, 2007 e 2019 no cemitério de São Sebastião.

A produção é de Danielle Brito, e dos assistentes de produção Raquel Lucena, Paulinha Maux e Gustavo Luz. Imagens de Juliano (Steadicam), Augusto Lula e Danielle Brito. A arte em xilogravura é de Erick Lima.

Mixagem e masterização de Jota Marciano. Os textos narrados por Papinha são de Fenelon Almeida e Luís da Câmara Cascudo. A música cantada por Pedro Mendes é a introdução de ‘Sentinela’, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

“Foram muitos anos tentando organizar as ideias e o filme não ficou como eu sonhava, mas a vida é muito curta e precisava colocar um ponto final no curta, pois o meu possível encontro com Jararaca no juízo final fica cada vez mais próximo no Dia de lágrimas (Lacrimosa), aquele que ressurgirá das cinzas um homem para ser julgado”, reflete o diretor.

“Portanto, poupe-o, ó Deus misericordioso Senhor Jesus e conceda-lhe a paz eterna, Amém,” finaliza.

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Categoria(s): Cultura / Gerais
quinta-feira - 27/01/2022 - 08:48h
Bastidores de um rompimento

Caminhos da política

Laíre faz relatos desconhecidos do público (Foto: arquivo)

Laíre faz relatos desconhecidos do público (Foto: arquivo)

Por Laíre Rosado (O Mossoroense)

O ex-senador Garibaldi Alves afirmou que rompeu política e familiarmente com o ex-deputado Henrique Alves. Quando do rompimento de Carlos Augusto com os tios, Dix-huit declarou que, em política, o primeiro que apodrece é o sangue. Na aliança política entre familiares o vínculo se mantém enquanto atende ao interesse de todos.

Em 2006, Garibaldi nos fez passar por vexame semelhante ao que está expondo Henrique. Acreditava que o apoio de Rosalba Ciarlini era fundamenta para sua eleição ao Senado. Foi assim que, pelo telefone, marcou encontro comigo e com Sandra, em nosso apartamento na capital do estado, no cruzamento das ruas Antônio Basílio com Rui Barbosa.

Uma visita do grande líder Garibaldi deveria ser motivo de alegria, mas não foi o que aconteceu. Depois dos cumprimentos iniciais, sem arrodeio, disse que estava precisando do apoio da ex-prefeita de Mossoró e avisava que eu e Sandra, então deputada federal, deveríamos buscar outro partido, deixando o PMDB, partido a que estávamos filiados há vários anos. De maneira enfática, repetiu que não teríamos mais espaço para disputar novas eleições filiados ao partido onde tivemos grandes vitórias.

Ponderei que poderíamos conviver com Rosalba em um mesmo partido. Não havia necessidade de cancelamento de nossa filiação ao PMDB, partido que amávamos e onde nos sentíamos confortáveis. Pedi somente que, caso ele concordasse, queria que o anúncio dessa nova composição fosse feito por nosso intermédio, para evitar uma reação maior dos correligionários. Fiquei surpreso com a reação de Garibaldi, afirmando não havíamos entendido sua decisão e que tínhamos que sair do PMDB. E completou, quanta ironia meu Deus, que entenderia qualquer posição que assumíssemos.

Perguntei sobre o diretório municipal do PMDB em Mossoró e ele respondeu que esse assunto não era mais de minha responsabilidade. Perguntei ainda se Rosalba assinaria ficha de filiação partidária e, mais uma vez, ele não me respondeu. Sempre fui muito tranquilo em minhas reações emocionais, mas não suportava a decepção profunda que tomou conta de Sandra

NÃO PROCUREI O DEPUTADO HENRIQUE ALVES acreditando que, mesmo se não concordasse com Garibaldi, não o enfrentaria, quando a justificativa era sua eleição ao Senado. Procuramos Geraldo Melo, além de correligionário, nosso amigo, com provas de solidariedade desde o tempo de Vingt Rosado. Contamos da visita de Garibaldi e ele demonstrou perplexidade, sem querer acreditar no que estava ouvindo. Perguntou se nós concordaríamos em um novo encontro, dessa vez com a sua presença. Geraldo seria candidato ao Senado nessas eleições e tinha interesse em manter unido a base de apoio. Viajei até Brasília e, no apartamento de Sandra, conversamos novamente com Garibaldi, com a participação de Geraldo Melo.

Sandra deixou um muito claro a Garibaldi que estávamos atendendo a uma sugestão de Geraldo, mas não acreditava que Garibaldi reconsiderasse sua decisão de não nos querer no PMDB. Em poucos minutos, diante da frieza e Garibaldi, Geraldo foi acometido de uma crise de enxaqueca que o obrigou a usar medicamentos para concluir o diálogo.

Não havendo mais nada a acrescentar, Garibaldi despediu-se de mim e de Sandra e convidou Geraldo para descerem juntos no elevador, para analisar algum detalhe da conversa, disse ele. Geraldo lhe respondeu que, diante das colocações que havia escutado, não havia mais espaço para nenhuma conversa.

Foi então que Sandra, olhando para os dois, disse “Geraldo, hoje, nós somos os traídos, mas amanhã você é quem será enganado por Garibaldi. Há indícios seguros de que ele já fechou com a candidatura de Rosalba Ciarlini ao Senado.” Ao que parece, Geraldo imaginou essa hipótese inteiramente impossível, mas foi o que aconteceu.

Poucos dias depois de Garibaldi formalizar o apoio a Rosalba como candidata ao Senado, encontramo-nos com Geraldo que foi se dirigindo a Sandra e afirmando, “amiga, você tinha toa razão. E eu não quis acreditar que isso pudesse acontecer”.

No final, Sandra foi reeleita deputada federal. Rosalba foi eleita senadora, com o apoio de Garibaldi. Geraldo não conseguiu voltar ao Senado e o próprio Garibaldi foi derrotado por Wilma de Faria, eleita governadora do estado. Passado o período eleitoral, Garibaldi chegou a reconhecer que tinha cometido um erro político ao trocar o apoio de Sandra e Laire por Rosalba e Carlos Augusto. Não somente por conta de votos, mas pelo desequilíbrio que isso provocou em Mossoró e Região Oeste.

Quem sabe, no futuro Garibaldi Alves volte a admitir ter incorrido em outro erro político, desta vez mais grave que o primeiro. Afinal de contas, como ele mesmo declarou, é um rompimento familiar e político.

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domingo - 08/08/2021 - 04:10h

Hoje não tem crônica

Por Marcos Ferreira

É isso mesmo, hoje não tem crônica. Não tem porque o texto que produzi para este domingo, iniciado na sexta-feira à noite e quase concluído neste sábado, por volta das cinco da tarde, foi apagado por mim acidentalmente, claro. De maneira desastrosa, portanto, numa infeliz e involuntária combinação de teclas enquanto eu digitava, eis que o documento do Word súbito se fechou. Gelei.

Quando tornei a abrir o arquivo, cujo título era “Divina proteção”, sofri um baita choque: não continha uma palavra, uma letra sequer. Das quase três páginas que eu escrevera até àquele instante, restou só uma, mas rigorosamente em branco. Levei as mãos à cabeça, desnorteado. “Agora ferrou”, concluí.Tecnologia, informática, homens trabalhando,manutenção

Sim, eu estava (ainda estou, aliás) ferrado. O sentimento de impotência foi absoluto. Perdi tudo, tudinho, e, a esta altura, já noite de sábado, 7 de agosto de 2021, não tenho como tirar outro coelho da cartola. Não sou mágico das palavras, nem posso reescrever, do zero, o “Divina proteção”. Minha memória, durável quanto um Sonrisal num copo com água, não me permite essa façanha.

Após uma boa sequência de tantos domingos sem faltar com o prezado leitor e a gentil leitora, apareço nesta manhã de sol e céu azul (banco aqui a moça do tempo) com as mãos abanando. Achei por bem, contudo, prestar-lhes este esclarecimento por meio disto, que eu planejara ser uma simples nótula.

Todavia, como percebem, findei me alongando. A simples nótula descambou para relatório. Às vezes, apesar do hábito da concisão que adquiri na feitura de sonetos metrificados com rigor, especialmente nos versos decassílabos, tenho certa dificuldade em ser objetivo, de ir direto ao ponto. Aí, perdoem esta alegoria, falo algo proporcional a uma farmácia para expressar um comprimido.

Outro dia, porém, topei com um leitor generoso na calçada do antigo Cine Pax. Nossos caminhos eram opostos, ainda assim nos detivemos por uns breves minutos. Disse-me, entre uma coisa e outra, que acompanha meus escritos desde O Mossoroense e da Revista Papangu. De repente ele acrescentou:

— Aquele seu texto; que poder de síntese!

Vejam isso: “poder de síntese”. Trata-se de uma frase batida, genérica, não raro empregada na falta de algo melhor ou mais substancial a ser dito, mas não posso negar que me senti lisonjeado. Esse generoso e simpático leitor, que conheço apenas de chapéu, referia-se a uma crônica curtinha (pouco mais de uma página) que expus neste blogue, se não erro na conta, há dois ou três domingos.

— Qual?! — indaguei tomado de curiosidade.

— Você fala dos pirilampos. Esqueci o título.

— Sei… Chama-se “Um simples vaga-lume”.

— Ah, foi esse aí, rapaz! Achei uma beleza.

— Hum, obrigado — respondi todo satisfeito.

Natália Maia, por outro lado, minha adorável e sincera noiva, não se ilude com qualquer textinho que lhe apresento. É a mais insuspeita e impiedosa avaliadora que possuo. Certo dia me fuzilou com o seguinte parecer sobre um conto que escrevi para um concurso literário: “Fraco. História confusa, sem pé nem cabeça.” Resultado: não ganhei sequer menção honrosa no referido concurso.

Nem as ostras produzem somente pérolas. Como também os poetas, cronistas, contistas, etc., não dão a conhecer unicamente rebentos literários preciosos. Aqui e acolá, ou no mais das vezes, surgem pedras falsas, gemas sem luz própria, de brilho emprestado, meros arremedos de outros autores e obras.

É verdade que há depoimentos (perdoem a imodéstia) que me dão orgulho, pois tenho consciência de que fiz por merecê-los. Pudera. Nunca me dediquei a outra coisa na vida com que me identifique mais que escrever. É esperado, então, que eu possua autocrítica, condições de compreender quando produzo algo deveras apresentável ou digno não mais do que a lixeira de um computador.

Retomando o assunto do início, perdi o que eu escrevera para este domingo. Creio, por mais suspeito que seja, que ocupei a telinha com umas boas três páginas que poderiam agradar ao prezado leitor e à gentil leitora. Infelizmente, por uma trapalhada ao digitar, como foi dito, acabei sem nadica de nada.

Indaguei, de mim para comigo, se não haveria, no elenco da Igreja Católica, um santo protetor dos escritores. Se não propriamente dos escritores, protetor ao menos das produções dos literatos, para interceder e evitar o extravio de literatura. “Há tantos santos por aí para tantas finalidades e causas”, continuei a pensar. Julgo de grande importância, avaliem isto, um santo protetor das letras.

E que tal um São Aparecido das Palavras?

As horas voaram. Não pude resgatar, reescrever, a crônica extraviada. Perdeu-se, escafedeu-se. Duvido de que depois, com a cabeça mais fria, eu me aventure e obtenha êxito em extrair dos escaninhos da minha memória nebulosa aquelas quase três páginas que se perderam numa lambança dos meus dedos.

Carlos Santos, meu editor, a quem chamo em outro trabalho literário de “o homem dos suspensórios”, ele que é o único indivíduo que avistei nesta prosaica cidade com o referido adereço incorporado ao seu vestuário, há de publicar estas linhas de improviso torcendo o nariz, meio a contragosto, pois me paga um gordo pró-labore por algo melhor que isto. Lamento se fui indiscreto.

O perigo agora, diante desta nota indiscreta, é outros participantes do blogue (como David Leite, Rocha Neto, Odemirton Filho e Inácio Augusto de Almeida) entrarem com pedido de remuneração. Esses quatro, pelo que eu sei, escrevem de forma abnegada, por completo amor às letras municipais.

— Você tinha que bater com a língua nos dentes?! — protestará “o homem dos suspensórios” logo que pôr os olhos nestas páginas.

Longe de mim, porém, querer semear a discórdia ou atrair despesas para este prestigioso canal de informação, opinião e cultura. Quem sabe na próxima semana, se der o peru no jogo do bicho, eu banque um lauto almoço para o Carlos Santos no Restaurante Prato de Ouro, onde a comida é supimpa.

As horas voaram, repito. Meus olhos queimam. No mais, prezado leitor e gentil leitora, melhor dizendo, hoje temos crônica, sim!

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 09/05/2021 - 04:00h

Saudades do papel

lendo jornal, jornal impresso, leitor de jornal, homens lendo jornalPor Marcos Ferreira

Porque hoje é domingo, e os domingos são especialíssimos para mim, embora muita gente goste mais das sextas-feiras e dos embalos do sábado à noite, bateu-me esta saudade romântica, singular quanto plural. Coisa de um passado ainda jovem, desabrochado numa quadra de 1997. Ano mágico em que fundamos neste município a Poetas e Prosadores de Mossoró (Poema).

Aqui tento remoçá-la — a saudade — pelo rememorar de sons, cores, olfato, legendas, fotografias. Pois é. As saudades possuem cheiro, têm ruídos, são imagéticas e quase palpáveis.

Retomo a pauta da morte material dos jornais, mortandade que se alastrou por todos os lugares deste país e do mundo. Em solo tupiniquim, entre outros vetustos diários que deixaram o suporte do papel ou faliram por completo, permito-me citar quatro veículos: Diário de Pernambuco (1825), Jornal do Commercio (1827), jornal O Mossoroense (1872) e o Jornal do Brasil (1891).

Exceto pelo Jornal de Fato, que resiste e prossegue sob a batuta de César Santos, jornalista vocacionado e gestor meritório (devemos dar a César o que é de César!), todos os veículos impressos de Mossoró quebraram. Foi assim, por exemplo, com a Gazeta do Oeste (1977).

Ao contrário de O Mossoroense, hoje limitado à sua plataforma on-line, a Gazeta extinguiu-se completamente. “Sua última edição foi às ruas no dia 31 de dezembro de 2015”, conforme registrado no blogue do Carlos Santos à época. Em tempo, Carlos é um dos pioneiros da blogosfera local.

Antes do primeiro galo bicar o sol e abrir os olhos da manhã, os jornais impressos afloravam no útero mecânico das rotativas; flores de tinta e celulose cujas pétalas-páginas revelavam a fragrância e o flagrante, o escândalo e a moral, a paz e a guerra, o Deus e o Diabo de cada novo amanhecer.

Ao menos para mim, que tive a honra de fazer parte de duas redações enriquecedoras, em O Mossoroense e na Revista Papangu, ter em mãos os veículos impressos (semanários, diários ou mensários) era algo incomensurável, uma experiência indescritível. Não havia nada mais urgente ou importante que o jornal que líamos naquelas primeiras horas do domingo.

Os jornais chegavam aos lares e leitores tão naturalmente como chegavam o leite e o pão. E, estando os três na mesa (o jornal, o pão e o leite), não raro alimentávamos primeiro os olhos.

Era uma necessidade inadiável de muita gente. Em seu bojo de alegrias e dores, sempre tão esquadrinhado, diverso e único, o jornal representava o pregão dos pregões: “Olha o jornal!”, exclamavam jornaleiros nalguns pontos do Centro, comerciando notícias ainda fresquinhas àquela época.

Eu pensava em coisas desse tipo a cada edição, especialmente quando um texto de minha autoria (um soneto, uma crônica ou conto) estava gravado em páginas do velho O Mossoroense ou da Papangu. Assim, cada qual com sua tiragem, periodicidade e público, os veículos impressos tomavam rumos imprevistos. Gostávamos de tocar o papel, manejar as folhas, sentir-lhes a textura, o olor da tinta.

Aquilo possuía vida, densidade, tinha a cara, o cheiro e a fala do povo. Eu me sentia, repito, orgulhoso de fazer parte daquela engrenagem, apesar de alguns indícios de mordaça, da tácita censura que rondava a nossa expressão escrita.

Encaramos obstáculos, uma antipatia velada, subjacente, rancores, ímpetos de ranço e prepotência, reprimendas. Mas, com a alegria com que os passarinhos anunciam cada raiar do sol, não emudecemos, tecemos nossa teia verbal, vencemos a intolerância, a ferocidade e o cerco das hienas.

Hoje tudo está modificado. Vivenciamos a hegemonia dos portais eletrônicos, dos sites, das redes sociais e da blogosfera. Jornalistas outrora assalariados, dançando conforme a música que os patrões tocavam, sem tanto crédito nem opinião própria, agora são donos das suas vozes, adquiriram autonomia para dizer o que querem ou aquilo que lhes convém.

Como está na moda falar, são empreendedores, chefes de si mesmos. Não todos, pois ainda há aqueles sob a regência do patronato, contudo grande parcela é autossuficiente. Em meio a esses, talvez em número expressivo, há homens e mulheres admiráveis, dignos de respeito.

Vejo no mister de jornalista, como em poucos outros, uma paixão e um glamour típicos. É aí que muitos, literalmente, dão o sangue pela missão de informar. Tornam o público ciente dos acontecimentos nas mais diversas esferas da sociedade, rompendo a barreira do medo e da mordaça.

Nunca fui nem me pretendi jornalista, mas tive a oportunidade de trabalhar e interagir com admiráveis pessoas desse ramo, quando o sangue e a tinta (no tempo da tinta) corriam pelas veias expostas do homem de imprensa. Desse universo advém todo o seu penar e a sua delícia, o seu torpor e o seu ópio.

Pouca coisa lhes importa mais do que isso. Até eu, na época dos impressos, lembro de que várias vezes, movido por aquela sensação do dever cumprido, não fui para casa não sem antes passar pela oficina e pôr o meu exemplar debaixo do braço.

Sentia-me atraído pela sala de impressão, gostava da voz metálica da rotativa, daquele matraquear que geralmente se estendia pela madrugada. Só depois, portanto, eu deixava a oficina com o sentimento de que fizera a minha parte, satisfeito com a crônica, o conto ou poema ali gravado.

O jornal em papel era uma espécie de viajante do tempo que noticiava e que era notícia. Quantos homens e mulheres não se uniram e se deixaram por meio de suas folhas; quantas carreiras não foram construídas e arruinadas ao longo do seu expediente e curso. Havia em sua esteira factual um ciclo de apogeu e debacle, mortes e nascimentos, otimismo e desesperança. Entre outros veículos, a mídia escrita e impressa era a mais charmosa, romântica e sedutora.

Oito e dez. Dia nublado, aspergido por uma suave garoa. Bateu-me esta saudade do papel. Penso que num domingo assim, antes de provarmos o leite e o pão, estaríamos à mesa lendo um jornal impresso.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
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terça-feira - 19/05/2020 - 10:44h
Mídia

Carlos Santos – Ao Vivos estreia como laboratório jornalistico

Veja na caixa de vídeo abaixo, estreia do projeto experimental Carlos Santos – AOS VIVOS, em que batemos papo com o jornalista Saulo Vale do Blog Saulo Vale.

Esse novo canal do Blog Carlos Santos foi implantado em nosso endereço no Instagram (veja AQUI). Foi ao ar nessa segunda-feira (18), às 21h.

Conversamos sobre jornalismo (rádio, TV, webjornalismo e impresso), Universidade do Estado do RN (UERN), pandemia, vida pessoal do entrevistado, política estadual e municipal, papel da Justiça Federal e Ministério Público na luta contra a Covid-19, além de algumas abobrinhas.

Experiência

O Carlos Santos – AOS VIVOS é um projeto experimental, embrionário e laboratorial. Antecede investimento mais esmerado desta página, a ser desenvolvido adiante, em que pretendemos instigar o colaboracionismo de internautas e convergência de mídias num ambiente multiplataforma.

É um canal para a gente jogar conversa fora, não fazer um monte de coisas e sei lá o quê, semanalmente – sempre às segundas-feiras, às 21 horas.

* Inscreva-se em nosso canal no Youtube (acesse clicando AQUI) para avançarmos nesse projeto jornalístico.

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Categoria(s): Comunicação
segunda-feira - 22/04/2019 - 08:18h
Item de Currais Novos

Nova pesquisa à Prefeitura de Mossoró será divulgada

Do Blog Thaisa Galvão

Depois da pesquisa sem os nomes da ex-deputada Larissa Rosado (PSDB) e do deputado Bernardo Amorim (Avante) em Mossoró, já tem nova consulta sendo feita na cidade com os nomes dos dois.

A pesquisa divulgada foi feita pelo instituto Seta por encomenda do Blog do Barreto.

Essa que está sendo feita é do instituto Item Pesquisa, de Val Araújo, que não quis revelar quem contratou.

Como 2019 não é ano eleitoral, as pesquisas podem ser feitas sem registro, portanto, podendo omitir o responsável.

Se a lógica me deixar falar, posso até dizer que a pesquisa é de interesse ou de Larissa ou de Bernardo, apostando mais no segundo…

A pesquisa misteriosa tem os seguintes nomes na

Estimulada:

Alysson Bezerra (SDD)

Bernardo Amorim (Avante)

Gutemberg Dias (PCdoB)

Isolda Dantas (PT)

Jorge do Rosário (PR)

Larissa Rosado (PSDB)

Rosalba Ciarlini (PP)

Serão 600 entrevistas que começaram neste sábado e seguem até a terça-feira.

Nota do Blog Carlos Santos – A última vez que o Item de Currais Novos apareceu com pesquisa em Mossoró foi na acirrada campanha municipal de 2012, com sondagem sob encomenda do então jornal impresso O Mossoroense, publicada no dia 2 de outubro, cinco dias antes do pleito: O Mossoroense/Item vê Larissa com 48,5% e Cláudia Regina com 41,2%.

Leia também: Rosalba tem considerável reprovação pessoal e administrativa;

Leia também: Rosalba lidera corrida pré-eleitoral; oposição se aproxima.

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Categoria(s): Política
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segunda-feira - 07/11/2016 - 15:54h
Hoje

Morre em Natal o jornalista Leonardo Sodré

Segunda triste: morte do jornalista amigo Leonardo Sodré, o “Léo”, em Natal.

Duelava contra um câncer no pulmão que virou metástase.

 

Léo: amigo (Foto: arquivo)

Estava internado no Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL.

Gente da melhor qualidade que nos deixa humanamente mais empobrecidos.

Em Mossoró, chegou a editar o jornal O Mossoroense.

Trabalhamos juntos num projeto didático-cultural de amplitude estadual, na década passada.

Era também escritor, autor de alguns títulos como “Crônicas do Beco”.

Gente da melhor qualidade que nos deixa humanamente mais empobrecidos.

Vá com Deus!

* O velório acontece no Centro de Velório Morada da paz na Avenida São José em Natal. A missa de corpo presente será amanhã às 9h e enterro às 11h no Morada da Paz em Emaús-Parnamirim.

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Categoria(s): Comunicação
quarta-feira - 30/12/2015 - 12:56h
Mudança

“O Mossoroense” encerra ciclo impresso e fica apenas Online

O jornalista Cid Augusto anuncia agora, dentro do programa Observador Político (TV Mossoró e FM 93), a migração do jornal “O Mossoroense” para a plataforma apenas on line (AQUI).

Segundo ele, 2016 começa com essa mudança radical, mas comenta que “não é motivo para tristeza”. Mostra números que apontam o ambiente da Internet como mais favorável ao jornalismo de O Mossoroense que existe há 143 anos.

“Não estamos vivendo um momento ruim, é um momento bom”, assegura.

Impresso

Diretor de redação do impresso, Cid diz que não descarta a hipótese de um dia O Mossoroense retornar ao formato impresso como semanário ou até mesmo “revista”, com conteúdo mais analítico-opinativo e material especial.

O jornalista considera a sobrevivência dos três jornais impressos em Mossoró – O Mossoroense, Gazeta do Oeste e Jornal de Fato – como extremamente difícil. Em sua avaliação, sem maciça injeção de anunciantes públicos, todos estão fadados ao fim. “A menos que mostre o fundo das calças”, comenta jocosamente.

Nota do  Blog – Sucesso ao ‘novo’ O Mossoroense.

A migração não é o fim, mas um outro começo nesse admirável mundo novo.

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