De Cézar Alves em seu Twitter:
– Número de homicidios por universo de 100 mil habitantes no Brasil é de 22.7. Em Mossoro é 54.23.
E continua: “Estado está brincando com a vida alheia.”
Jornalismo com Opinião
De Cézar Alves em seu Twitter:
– Número de homicidios por universo de 100 mil habitantes no Brasil é de 22.7. Em Mossoro é 54.23.
E continua: “Estado está brincando com a vida alheia.”
Pelos cálculos do comandante-em-chefe do DEM, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, o partido fará pelo menos oito vereadores nas eleições do próximo ano.
A aposta não é por acaso.,
Ele não enxerga com otimismo apenas. Trabalha para isso.
Nas últimas semanas, Carlos trabalhou incisivamente para atrair antigos colaboradores à sigla, além de esvaziar potenciais adversários, entre eles até o PSD do “aliado” Robinson Faria, vice-governador.
Nota do Blog – Faz sentido a visão de Carlos.
Depois o Blog traz detalhes sobre essa engenharia e faz estudo baseado em eleições passadas, com conjecturas quanto ao pleito de 2012.
Aguarde.
Por Beatriz Bandeira
Um vento morno
de salitre e fogo
abre flores de sal
nos velhos muros.
Esquálidos meninos macilentos
tangem bandos de cabras esqueléticas
e, sob um sol que queima
e um chão que abrasa,
desenham Portinaris na paisagem.
“Índio é terra que anda”
disse um poeta.
E eu vejo em tua gente,
retorcidas raízes, rijos caules,
e essa força que brota
de entranhas minerais
da terra calcinada, e se prolonga
em duras caminhadas.
Mossoró, Mossoró, predestinada aurora,
pioneira de lutas precursoras
castigada e sofrida sentinela
de históricas vigílias.
Um vento morno
de salitre e fogo
abre flores de sal
nos velhos muros
e lágrimas de dor
choram meus olhos
de saudade e de ausências consumidas.
Beatriz Bandeira – Poetisa
* Do livro “100 Poetas de Mossoró”, Fund. Guimarães Duque, Fundação Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense, 2000, RN
Desabafo da promotora da Saúde de Mossoró, Ana Ximenes, em seu Twitter:
– Eu espero que na próxima campanha eleitoral não haja nenhuma menção a projetos para saúde. Seria de irônico se não fosse cínico.
Nota do Blog – Se essa visão fosse manifestada por este Blog poderia parecer desmedida; talvez até resultasse em mais um processo judicial.
Outros, até poderiam considerá-la, uma bravata.
Muitos não entendem a diferença entre consciência social e arroubo.
Por isso chegamos onde chegamos.
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Do Blog de Oliveira Wanderley
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aprovou na sessão desta terça-feira (23) a criação de duas novas Zonas Eleitorais – 70ª e 71ª – em Natal e Mossoró. A proposta foi apresentada pelo corregedor eleitoral, desembargador Saraiva Sobrinho.
Segundo Saraiva Sobrinho, a criação das novas Zonas Eleitorais irá beneficiar significativamente a população da Zona Norte de Natal e de Mossoró. O projeto de criação de nova Zona Eleitoral em Natal foi formulado pela Coordenadoria de Direitos Políticos e Cadastro Eleitoral/CRE, em razão da desproporção entre o número de eleitores da 69ª Zona Eleitoral e os demais cartórios da capital.
Já o pedido de criação de nova Zona Eleitoral em Mossoró decorreu do elevado número de eleitores, o que também ocasionou a necessidade de designação de juízes auxiliares nas últimas eleições municipais, além da necessidade de ajuste do desequilíbrio na quantidade de eleitores de uma zona em relação à outra. A proposta aprovada pelo TRE seguirá para o Tribunal Superior Eleitoral(TSE).
Parece uma guerra civil. Os números assustam. E podem ser piores, pois o Governo do Estado omite e camufla informações oficiais. São pelo menos 138 pessoas assassinadas em 2011, em Mossoró. Por enquanto.
Dados levantados por jornalistas (como Cézar Alves), sites que cobrem o setor policial e outras fontes de informaçãomostram esses números assustadores.
Mossoró está acuada, vítima da impotência do poder público no dever de garantir segurança e de seu próprio crescimento (sempre carregado de mazelas).
Veja o relatório sobre as vítimas AQUI.
A sucessão mossoroense promete algumas surpresas. E uma certeza: a prefeita de direito “Fafá “Rosado (DEM) fica até o final de sua gestão. E ponto final.
O DEM ferve, sim.
Na sucessão natalense, poucas devem ser as surpresas e uma certeza: se Carlos Eduardo Alves (PDT) e Wilma de Faria (PSB) estiverem juntos, não tem para mais ninguém.
A hipótese, viável, é que Wilma – como este Blog antecipou há vários dias – coloque a deputada estadual e sua filha, Márcia Maia (PSB), como vice do ex-prefeito.
Bem, mas é ainda muito cedo para afirmações irremovíveis e descartes definitivos.
“A chegada do professor Josivan ao partido foi o fato novo na política mossoroense e aponta que o partido está cada vez mais convicto de que deverá sair com candidatura majoritária própria”, destaca Assis Filho, dirigente do PT em Mossoró.
Segundo ele, no caso de Josivan Barbosa (reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA) se lançar como pré-candidato a prefeito, haverá mais um importante momento dentro da agremiação.
“A minha pré-candidatura já está posta. Se por ventura for esse também o propósito de Josivan, então vamos às prévias. Será bom para o partido e muito bom para Mossoró, que terá uma candidatura oriunda de debates, de discussões em que a solução dos grandes problemas de Mossoró é o seu tema central”, analisa.
Na próxima quarta-feira (10), a partir de meio-dia, no restaurante Trattoria (Mossoró), um almoço será oferecido pelo deputado estadual Agnelo Alves (PDT), a convidados da imprensa local.
Às 20h, desse mesmo dia, ele lançará o livro “Carta ao humano”, na Estação das Artes Elizeu Ventania, dentro da Feira do Livro de Mossoró.
Agnelo, um pouco antes, às 11h, visitará a prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), para convidá-la ao lançamento do seu livro.
Carta ao humano foi lançado mês passado em Natal. É uma coletânea de crônicas escritas por Agnelo entre 1974 e 1982, com publicação no jornal Tribuna do Norte.
Nota do Blog – Participei do lançamento em Natal. E, o livro, já o consumi. É um material documental interessante, que me ajuda a conhecer o período descrito, com a boa prosa do autor.
Bom o mossoroense ficar atento.
No ar existem mais coisas do que aviões oficiais e alguns privados, que pousam no Aeroporto Governador Dix-sept Rosado.
Ninguém estranhe se pipocar interdição desse aeródromo, por decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Inspeção feita há poucos meses, no aeroporto mossoroense, parece que gerou relatório extremamente questionador das condições técnicas do Dix-sept Rosado.
Anote, por favor.
Em recente encontro social em Mossoró, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM) não tergiversou diante de dois vereadores que saçaricam para posar no PSD.
Recomendou-se que não. Melhor não.
Para quem está meio alheio à política potiguar, bom lembrar: em caso de formalização de nascimento do PSD no Rio Grande do Norte, a sua direção vai ficar com o vice-governador Robinson Faria (PMN), articulador político emérito, frio e ousado.
Tudo que Carlos Augusto não quer e não gosta. Nos outros.
P.S – Outro detalhe: o PSD em Mossoró, sob as mãos de Robinson, é algo extremamente incômodo para os planos político paroquiais e em nível de Estado, para o grupo de Carlos Augusto Rosado.
Longevo e experiente político mossoroense que morreu quando vivenciava o terceiro mandato como prefeito de sua cidade, Dix-huit Rosado costumava fazer digressões sobre o poder.
– Quando alguém bota a ‘bunda’ na cadeira, a coisa muda – repetia ele a privilegiados interlocutores, salientando o que é a fascinação do mando.
Para bom entendedor, fica o recado.
Até aqui, explicitamente, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) não manifestou qualquer preferência à sucessão em Natal e Mossoró por qualquer nome.
Diria sua entourage, usando lugar-comum: “É muito cedo!”
Em tese, sim.
Para o leigo em política, essa tese pode ser engolida facilmente.
Mas na prática não é assim que a engrenagem funciona.
As conversas e alguns projetos estão em andamento. E, por favor, não fique pensando que a governadora e seu grupo estão à margem de tudo, esperando a “banda” passar.
Um termômetro da pujança econômica de Mossoró, tangida pela iniciativa privada, pode ser vista nos ares.
Atualmente, cinco helicópteros fazem parte do elenco de aeronaves adquiridas por grupos empresariais originárias de Mossoró. Outros dois estão sendo aguardados.
Também é crescente a aquisição de carros com blindagem.
E ninguém se apresse em falar em suposto estrelismo e esnobismo diante dessa tendência.
Violência e relação custo-benefício justificam os investimentos.
Ouvido ao chão, como recomenda um matreiro índio Sioux. Fique atento a um movimento quase inaudível, que pode causar estrago sem precedentes à saúde em Mossoró e região.
O serviço de atendimento e tratamento a pessoas com câncer, que funciona num compartimento anexo do Hospital Wilson Rosado, passou a ser objeto de uma disputa de odor insuportável.
A assistência pode ser suspensa nos próximos dias.
Lamentavelmente, mais de 850 pacientes que hoje são atendidos pelo serviço podem sofrer as consequências dessa queda-de-braço nauseante, além de outros que venham a necessitar desse serviço especializado.
Por enquanto é o que posso informar, a pedido de órgãos fiscalizadores e investigativos de Estado, já alertados sobre a questão.
Vou levantar dados mais minuciosos para, se for o caso, exumar essa podridão inescrupulosa que já concorreu para fechamento de vários hospitais na cidade.
Nada é por acaso.
Argh!
Deu no portal Terra
Um avião de pequeno porte que fazia o percurso Recife-Natal caiu, na manhã desta quarta-feira, logo depois de decolar do aeroporto dos Guararapes, na capital pernambucana. A aeronave caiu em um terreno próximo à avenida Boa Viagem, entre o Recife e o município de Jaboatão dos Guararapes. O coronel Valdir de Oliveira, do Corpo de Bombeiros, confirmou 16 mortos.
O avião com capacidade para 19 passageiros pertence a empresa aérea regional Noar Linhas Aéreas. O modelo era um bimotor turboélice, um L-410, também conhecido como LET, usado principalmente para o transporte em pequenas e médias distâncias.
A empresa começou a operar em junho de 2010 e se especializou em pequenos percursos a preços reduzidos. As linhas da NoAr ligam capitais e cidades nordestinas, como Recife, Maceió, Aracaju, João Pessoa, Natal, Caruaru e Mossoró.
Deu no Diário de Pernambuco On Line
De acordo com a Infraero, a aeronave da empresa Noar deixou o Aeroporto Internacional dos Guararapes às 6h51 com destino a Natal, no Rio Grande do Norte com dois tripulantes e 14 passageiros.
O acidente aconteceu na avenida Boa Viagem em um terreno nas proximidades do II Comar, depois do Parque Dona Lindu, onde geralmente são armados circos. O trânsito no local é bastante complicado.
De acordo com as primeiras informações, a avião pegou fogo após chegar ao solo. Logo após a decolagem, o piloto teria informado à torre de controle que estava com problemas e que faria um pouso forçado.
O empresário Geraldo Jorge, um dos representantes da empresa de aviação, informou que neste momento a empresa está cuidando do atendimento às famílias das vítimas para então se pronunciar sobre o acidente.
Nota do Blog – A aeronave viajaria com destino a Natal, com pouso final em Mossoró.
Havia informações de que pelo menos um dos passageiros mortos é de Mossoró.
Em contato com uma operadora de viagens que trabalha com a Noar, a Trento (Mossoró), o Blog foi informado que havia um passageiro (Aluízio Félix Filho), que trabalha na Itapetinga Agro-industrial, com voo para Mossoró. Mas ele embarcou ontem e não hoje. Ufa!
Depois trago mais detalhes.
Veja mais FOTOS AQUI.
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Até o final dos anos 90, o Rio Grande do Norte tinha cerca de 30 campos de aviação, aeródromos, que muitos erroneamente tratavam como aeroportos.
E hoje?
No interior, só em Mossoró, Assu e Currais Novos temos equipamentos aeroportuários homologados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Alguns outros estão registrados como referências, mas não homologados.
Enquanto isso, no vizinho Ceará, uma política de Estado há muitos anos coloca os cearenses numa dianteira, com aeroportos sendo homologados em vários pontos estratégicos, à potencialização econômica.
Pobre Rio Grande “Sem Sorte”
Continua a ocupação do prédio da Diretoria Regional de Educação (DIRED), em Mossoró. Estudantes universitários e secundaristas, além de outros segmentos sociais, não recuam.
E a polícia cerca o prédio.
O clima é tenso desde o final da tarde.
Policiais, fortemente armados, intimidam os manifestantes que estão desde o dia 16 passado no prédio, cobrando melhorias a educação e diálogo com o governo.
A ordem judicial é para desocupação do imóvel. O acampamento denominado de “#primaverasemrosa” resiste à decisão da Justiça e ameaça enfrentar a força policial.
Com a cara pintada, pronunciando palavras de ordem e promovendo o episódio através de redes sociais como Twitter e facebook, os manifestantes deixam o Governo do Estado em situação delicada.
Se ocorrer alguma tragédia, a gestão Rosalba Ciarlini (DEM) ficará definitivamente marcada pela intolerância.
A polícia cumpre seu papel. E até aqui, que se diga, atua com efeito moral-psicológico, mas sem uso de violência bélica ou física.
Depois trago mais detalhes.
É hoje o Dia Nacional de Mobilização da Central Única dos Trabalhadores (UT). Em Mossoró, as atividades serão iniciadas às 8h30, com concentração dos trabalhadores em frente à Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).
Em seguida, haverá carreta pela avenida Francisco Mota, passando pela Presidente Dutra em direção ao Centro da cidade.
Outras atividades serão desenvolvidas durante este dia.
O evento será centrado na discussão de três eixos principais definidos pela central: trabalho e sindicalismo (ganhos reais e cláusulas sociais nas campanhas salariais do 2º semestre; redução da jornada para 40 horas semanais semm redução de salário; liberdade e autonomia sindical; fim do Imposto Sindical; combate às práticas antissindicais; fim do Fator Previdenciário; e combate à precarização e à terceirização); alimentação (reforma agrária, PEC do Trabalho Escravo; luta contra os agrotóxicos; e contra o modelo agrário atual) e educação
Há 35 dias com um braço fraturado, sem ter como passar por cirurgia em Mossoró, um paciente foi finalmente levado por um amigo para Currais Novos, esta semana.
Na cidade seridoense teve a garantia de meios para, finalmente, botar um fim em seu sofrimento.
“Metrópole do futuro” é realmente outra coisa.
Por Honório de Medeiros
Um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublado do dia 13 de junho de 1927 e, aproximadamente cem metros além, a bala atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a olhos fixos e vazios voltados para o céu acima, bem ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, onde, na esquina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja imagem, do seu nicho decenal, tudo contemplava.
Era o começo do fim.
No alto da casa do Prefeito Municipal – o líder que começara a epopéia -, no telhado, o atirador viu quando outro cangaceiro, de um trigueiro carregado se aproximou, rastejando e disparando, da vítima, e começou a rapiná-lo, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e jóias. Calmamente, mirou e aguardou.
Pressentindo o perigo iminente o bandido ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados para servirem de barreira. Foi apenas um momento, mas foi fatal.
Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida o cangaceiro foi atingido.
O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Seus parceiros, paralisados, perplexos, observavam incrédulos. Começou a debandada.
Enquanto os resistentes percebiam que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava.
Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões.
Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário.
Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor se precaver. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão mentirosa. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada.
O que estava feito, estava feito, e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem em alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo, por muito e muito tempo, e a contaria apenas para alguns escolhidos.
Naquele dia banal, muito tempo depois, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente dos que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém.
Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a lhe contar todo o episódio, detalhe por detalhe.
O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências.
No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por algum tempo. Em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto se aproximou de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes.
Quase oitenta anos haviam se passado do episódio. O neto, agora, era cinqüentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela platéia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família.
Contou tudo.
Fechou-se o ciclo.
Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolpho Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora Manoel Duarte. Esta é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, que registro, aqui, a história, e a Kydelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Estado do RN e da Prefeitura do Natal
P.S – Décadas depois desse feito, ele foi homenageado com o nome de um largo à Avenida Rio Branco, além de busto, de frente onde fora sua casa. Mas na construção da chamada “Praça da Convivência” no primeiro governo Fátima Rosado (DEM), o busto foi retirado.
A peça de bronze foi localizada semanas depois num depósito de ferro velho, pronta para ser derretida. A intervenção de sua família e do então “Jornal Página Certa” fez com que o governo municipal arranjasse um meio de reparar o crime à história e à cultura de Mossoró, doando outro espaço à fixação do busto.
No próximo sábado (18), a partir das 16h30, acontecerá o I Twittencontro Mossoró no PittsBurg, Rua João da Escóssia, bairro Nova Betânia (Mossoró).
Haverá participação de músicos como Dayvid Bakulejo e Forró Pé de Serra.
Entre os palestrantes, o professor de Comunicação Social da UFRN e jornalista, Ricardo Rosado; jornalista Esdras Marchezan (grupo Diários Associados); vereadora Cláudia Regina (DEM) e jornalistas locais Julierme Torres e Iuska Freire.
A inscrição, no local, é um quilo de alimento não-perecível.


