“O poder ilimitado corrompe a mente dos que o possuem.”
William Pitt
Jornalismo com Opinião
“O poder ilimitado corrompe a mente dos que o possuem.”
William Pitt
O final de semana, com presença da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) em Mossoró, não foi apenas de campanha nas ruas, empinando a candidatura a prefeito da vereadora Cláudia Regina (DEM). Nos bastidores, o trabalho foi ainda mais forte.
Ponto delicado da estada de Rosalba em Mossoró – e passagem vapt-vutp de seu marido Carlos Augusto Rosado (DEM) – foi o cerco ao vereador e ex-candidato a prefeito Chico da Prefeitura (DEM).
Havia zunzunzum no ar que indicava possibilidade de Chico levar sua numerosa família, aliados e capital de votos para o palanque da deputada estadual Larissa Rosado (PSB), candidata a prefeito pela oposição. Mas essa hipótese terminou estancada.
Um dos “remédios” utilizados para aplacar a insatisfação de Chico com a cúpula do seu grupo foi a nomeação de sua filha Rafaella Nogueira da Rocha (PTB) para a Coordenadoria Financeira do Detran. Tudo foi acertado no final de semana.
Rafaella vai substituir Willy Saldanha, que foi exonerado desse cargo e nomeado o diretor geral do próprio Detran.
Vale lembrar que Rafaella foi um “trunfo” que Chico carregou durante bom tempo da pré-campanha, para tentar se viabilizar como candidato a prefeito. Ele ameaçou instrui-la para ser candidata a vereador pelo petebismo ao lado de Larissa ou mesmo ser opção a vice-prefeito. O PTB formalizou aliança em apoio à Larissa; Rafaella ficou em silêncio.
Saiba mais sobre este e outros assuntos nos acompanhando no Twitter clicando AQUI, ó!
O vereador, adoentado, a ponto de ser desenganado em longo internamento hospitalar, não ascendeu como candidato a prefeito. Também não concorre à reeleição. Optou por segurar Rafaella e lançar seu irmão “Dão” como herdeiro político, à Câmara Municipal.
Agora, Chico dá o pulo do gato para viabilizar a eleição de Dão através de Rafaella e outros benefícios não revelados, através do Estado e Prefeitura de Mossoró.
Ele está no sexto mandato consecutivo de vereador, iniciado com a eleição em 1988.
Nota do Blog – A governadora promete dar apoio diferenciado à candidatura de Dão, assegurando sua eleição a vereador. Ainda esta semana, ela pessoalmente desembarca em Mossoró para exaltar essa postulação.
Enfim, definitivamente Rosalba, Carlos e a máquina entram na campanha. Saiam da frente!
A direção estadual do PT do B resolveu fazer funcionar uma rígida chave-de-roda para enquadrar alguns candidatos a vereador pela sigla, em Mossoró.
O partido está alinhado e coligado na aliança “Mossoró Mais Feliz”, encabeçada pela candidata a prefeito Larissa Rosado (PSB). Contudo, alguns candidatos fazem campanha à parte, em apoio à Cláudia Regina (DEM), concorrente à prefeitura no governismo, Coligação Força do Povo.
O impasse é agravado, porque no próprio governismo os candidatos dissidentes do PT do B estão sendo isolados e entregues à própria sorte. São como párias, sem direitos ou um pingo de apoio e solidariedade pelo sacrifício que fazem.
Situação muito delicada, que se diga.
Dentro da Coligação Mossoró Mais Feliz, o PT do B faz aliança com o PCdoB, tendo apresentado conjuntamente 42 candidatos a vereador. Há nítida possibilidade dessa comunhão dos dois partidos eleger pelo menos um vereador.
A coligação governista em Mossoró está com mais um foco de “incêndio” para aplacar. Outra vez aparece em evidência a disputa à Câmara Municipal.
Diversos candidatos a vereador estão sendo asfixiados, sem receberem o menor apoio à campanha. Estão morrendo por “inanição”.
Mas o problema não é generalizado. A queixa é que existem “cartas marcadas” ou candidaturas preferenciais que estão “estourando” recursos sem qualquer problema.
A estratégia, segundo denúncia ouvida por este Blog, é levar alguns candidatos à desistência, para que sejam transformados em “apoios” a candidatos da preferência do Palácio da Resistência (sede da prefeitura).
Sem recursos, eles estariam fragilizados para essa conversão da condição de candidato ao papel de cabo eleitoral.
Os candidatos mais beneficiados seriam Chico Carlos (PV) e Alex Moacir (PMDB), ambos ex-secretários da prefeitura. Os mais prejudicados são certos candidatos que revelam boa intenção de votos, através de pesquisas internas, que o Palácio da Resistência não revela.
Por Karenine Fernandes
Os funcionários e pacientes do Hospital Rafael Fernandes (Mossoró) fazem um apelo à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) para que não seja fechado o laboratório desse órgão hospitalar.
A única bioquímica do Hospital Rafael Fernandes acaba de ser tranferida para o Hospital Regional Tarcisio Maia.
Nota do Blog – Governadora, ouça esse repórter provinciano que conhece bem a sua terra e adora esse torrão de graça. O apelo dos servidores, pacientes, familiares etc. ligados ao Rafael Fernandes é muito pertinente.
Providencial a intervenção da repórter social Karenine Fernandes ao içar o tema.
A candidata a prefeito de Mossoró pela Coligação Mossoró Mais Feliz, Larissa Rosado (PSB), deu um ar emocional ao encontro com sua militância nesta segunda-feira (23) à noite.
Ela anunciou ao lado de suas duas filhas, que está grávida. Será o primeiro filho (a) do seu segundo casamento, com o agrônomo Paulo Sidney. Eles casaram-se este ano.
A revelação pública ocorreu na denominada “Casa 40”, antigo endereço da família da parlamentar, no bairro Nova Betânia, onde todas as segundas-feiras existe concentração política da candidata e demais concorrentes eleitorais do seu grupo.
Para deliberar sobre o Projeto de Lei que “Autoriza o Estado do Rio Grande do Norte, por intermédio do Poder Executivo, a contratar parcelamento e reparcelamento de créditos devidos à União e dá outras providências” e o Projeto de Lei Complementar que “Altera a remuneração de servidores públicos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)”, a governadora do RN, Rosalba Ciarlini (DEM), enviou ofício no final da tarde desta segunda-feira (23), ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Ricardo Motta (PMN), para convocar, extraordinariamente, a Assembleia Legislativa do Estado do RN.
Em virtude do recesso parlamentar em que se encontra a Assembleia Legislativa e exercendo a prerrogativa da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, a governadora convocou a Casa Legislativa encaminhando duas mensagens governamentais: nº. 042/GE e nº. 043/GE, em 23 de julho de 2012.
A Proposta Normativa do Governo pretende reestruturar a remuneração de ocupantes de cargos públicos de provimento efetivo – precisamente, de Professor e Técnico Administrativo, no âmbito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
“É inegável que os professores e técnicos administrativos da UERN, no regular exercício de suas atribuições, contribuem de forma decisiva para o êxito do processo de formação acadêmica dos estudantes universitários”, disse a governadora, salientando em sua mensagem que toda ação governamental que represente a possibilidade de estimular a prestação de melhores serviços estatais na área da educação pública superior reveste-se de grande valor social.
A Assembleia Legislativa também vai apreciar o Projeto de Lei que “Autoriza o Estado do Rio Grande do Norte, por intermédio do Poder Executivo, a contratar parcelamento e reparcelamento de créditos devidos à União e dá outras providências”.
A Proposição oferece recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), como garantia do adimplemento das prestações referentes ao parcelamento e como medida necessária à implementação do disposto na futura Lei, determina ao Poder Executivo a inserção nas Leis Orçamentárias Anuais, durante o prazo que vier a ser estabelecido para o parcelamento previsto, de dotações suficientes à amortização das respectivas prestações.
Com informações do Governo do Estado.
O jornalista e escritor João Batista Machado lançará seu novo livro “Política em Atos e Fatos” em Mossoró, na Feira do Livro, às 20h, dia 09 de agosto próximo.
O jornalista Emery Costa estará no bate-papo com o autor na mesma noite de autógrafos.
A Feira do Livro acontecerá no Expocenter.
Nota do Blog – Não tenho dúvidas quanto ao sucesso do lançamento desse novo livro de “Machadinho”, um autor aplaudido por seus trabalhos de resgaste da história política potiguar, além de grande caráter.
Estarei lá, na turma do “gargarejo”.
Para suprir a necessidade das escolas que estão sem professores, a secretária de Estado da Educação (SEEC), Betânia Ramalho, está adotando uma série de medidas. Até a próxima quarta-feira (25), vai publicar no Diário Oficial do Estado a nomeação de aproximadamente 900 professores na segunda chamada do concurso.
Outra medida é a prorrogação por igual período dos contratos dos professores temporários que estão em exercício, de acordo com a Lei Complementar Nº 9.353/2010. A prorrogação foi publicada no DOE da última sexta-feira (20).
Além disso, a SEEC está dobrando o número de professores com horas suplementares, onde os servidores que já trabalham em regime de 30 horas semanais, passam a trabalhar 40. No total, 2.197 professores do estado estão recebendo hora suplementar em 2012. Ao mesmo tempo, continua o remanejamento dos professores que estão fora de sala de aula.
“A equipe da secretaria está avaliando o rol de servidores de cada escola e corrigindo as distorções. Há escolas em que o número de professores em atividades de apoio pedagógico é superior ao de profissionais em sala de aula e o nosso foco é a sala de aula”, destacou Betania Ramalho.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Estado.
Nota do Blog – Só um lembrete: professores contratados há meses continuam se queixando da falta de pagamento. O Blog recebe constantes queixas nesse sentido. Vejam essa questão como prioridade, por favor.
Todos nós aplaudiremos e noticiaremos o fato, mesmo que seja uma obrigação inerente a quem contrata o serviço dessas pessoas.
Desapareceu sábado (21), por volta de 7h, em Tibau (42 quilômetros de Mossoró), uma criança de nome Cíntia Lívia, filha de Vânia Maria de Araújo.
Segundo relato de sua família, essa criança de 12 anos de idade saiu para comprar algo num comércio perto de casa e não retornou à sua casa. Desde então, há uma aflição em face do sumiço, sem que ocorra nenhuma informação capaz de localizá-la.
Informações que ajudem a encontrá-la devem ser repassadas às autoridades policiais e à família, através deste número telefônico: (84) 8857-1159 e 9471-3100.
Espalhem essa informação por redes sociais (Facebook, Twitter, Orkut etc), busquemos ajudas de veículos de comunicação convencionais (jornais, rádios, TV´s).
* Acompanhe o caso também por nosso Twitter: www.twitter.com/bcarlossantos
Na próxima sexta-feira (27/07/2012) Mossoró vai receber Haroldo Dutra (de Minas Gerais) no Requinte Buffet, a partir das 20h.
Ele falará sobre o livro “Paulo e Estevão” de Chico Xavier.
A entrada é franca. A promoção é do movimento espírita de Mossoró.
Haroldo Dutra é escritor e orador espírita, integrante da União Espírita Mineira, atual responsável pela seção “Cristianismo Redivivo” da revista “O Reformador/FEB”, estudioso do Novo Testamento, lingüista especializado nos idiomas grego e hebraico, além de juiz de Direito de Minas Gerais.
Do Blog de Marcos Dantas
O Instituto Perfil realizou nos dias 13 e 14 deste mês em Caicó uma pesquisa de opinião com o objetivo de avaliar as intenções de voto para o próximo pleito de prefeito, e indicativos de voto para vereador. A pesquisa foi quantitativa e ouviu eleitores residentes e domiciliados em Caicó.
Se as eleições fossem hoje o candidato Roberto Germano (PMDB) vencia com folga seus adversários. Roberto lidera a estimulada com 54% das intenções de votos. O segundo colocado é Hugo Marinho (PP) com 11,2%, seguido de Dra. Francielle com 4% e Hiran Lucena com 0,6%. O número de indecisos é de 23,2% e branco/nulo é de 7%.
Foram realizadas 500 entrevistas em vários bairros e comunidades rurais da cidade. A margem de erro 4,37% e o intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo RN-00037/2012.
Veja abaixo os resultados das perguntas Estimulada, Espontânea e Rejeição:
Estimulada
Roberto Germano (PMDB) – 54%
Hugo Marinho (PP) – 11,2%
Dra. Francielle (PPS) – 4%
Hiran Lucena (PRP) – 0,6%
Branco/Nulo – 7%
Não sabe – 23,2%
Espontânea
Roberto Germano – 28,9%
Hugo Marinho – 6,6%
Dra. Francielle – 0,8%
Hiran Lucena – 0,2%
Outros – 0,2%
Branco/Nulo – 6,4%
Não sabe – 57,2%
Rejeição
Não rejeita nenhum 42,2%
Não sabe/sem resposta 23%
Hugo Marinho 8,4%
Hiram Lucena 8,4%
Roberto Germano 7,4%
Rejeita todos 5,6%
Dra. Francielle 5%
Por Leonel Rocha (Coluna Felipe Patury, Revista Época)
A prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), enfrenta uma rejeição acachapante de 90% da população. Sem grandes perspectivas na política, ela faz planos para o ano que vem, quando não terá mais obrigações na prefeitura.
Evangélica, pretende partir em retiro espiritual para Miami, onde quer recarregar as energias para tocar seu novo projeto: abrir uma sucursal da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte.
Agora que perdeu a fé dos eleitores, ela decidiu virar pastora. Até que faz sentido. Os natalenses querem mesmo que Micarla vá com Deus…
“A maneira de evitar erros é ganhar experiência. A maneira de ganhar experiência é cometer erros.”
Laurence J. Peter
Chico Buarque é uma legenda da Música Popular Brasileira (MPB). Roda Viva é uma daquelas canções eternas, que vence o tempo e encanta as mais diversas gerações.
Neste vídeo postado nesta série do Blog do Carlos Santos, as imagens são do Festival da Record de 1967. O artista canta sob aplausos intensos da plateia, ao lado do grupo MPB 4.
(…) Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu…
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá …
Aproveite e não deixe que a “roda viva” dê todo o destino à sua própria história.
Boa semana.
Veja a letra AQUI.
Por Elio Gaspari (Folha de São Paulo)
ONIPOTÊNCIA
As operadoras de celulares sabiam que a Anatel poderia puni-las. Duvidaram e acenderam um fósforo para mostrar que não havia gasolina no tanque. Havia.
Nota do Blog – A Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) demorou a agir. São milhões de consumidores vítimas dessas operadoras que promovem uma pilhagem bilionária, sem prestarem serviço sequer razoável.
Promovem um estelionato em escala nacional, vendendo o que não podem fornecer. Agora são obrigadas à suspensão de vendas de serviços e produtos, enquanto não garantirem a qualidade do que é negociado.
Por Carlos Santos
“Ninguém se realiza com o que é perecível”, (Sêneca)
Uma cena não me sai da cabeça, entre tantas da infância tão distante cronologicamente. É recolhida com enorme facilidade dos recônditos de minha memória, porque guarda uma ambiguidade. É boa, é ruim. É marcante.
Vamos à ela:
Sou flagrado ao lado de uma trupe, em espalhafatoso corre-corre entre carteiras escolares. Uh-huuu!! Era algazarra de meninos imperativos ou que desejavam extravasar uma energia pessoal e coletiva que parecia inacabável.
A presença daquela mulher à porta, com mãos sobre as cinturas, braços arqueados, seria suficiente para nos impor ordem e o necessário silêncio ao ambiente. Impávida. Onipotente. Parecia nascida de um filme de Hitchkock, em preto em branco, com solene autoridade.
Seus olhos fixos e penetrantes, protegidos por lentes de óculos em armação grossa, escolheram a mim para sustar o alarido. Nada mais seria necessário para nos intimidar, lhe digo. Paralisado, ouvi-a: “Você já ficou bom para estar se danando?”
O menino de cabelos escorridos, lábios carnudos, braços e pernas longilíneos desabou ali mesmo. O saçaricado foi substituído por uma resposta quase inaudível, de cabeça baixa e coração acelerado. A respiração saía por um bico. Era medo, vergonha. Um misto disso:
– Não senhora!
A professora Dagmar Filgueira, diretora geral do “Educandário Dom Bosco”, recebera-me poucos anos antes à sua sala com delicada finura. A matrícula escolar estava confirmada e eu faria parte de um projeto pedagógico todo seu, que tinha a marca de quem dedicara a vida à educação. Enxergava a família como princípio de tudo e, a escola, o suplemento indispensável à formação do homem.
Eu não entendia nada desse lero-lero, nem me interessava muito por estudar, cumprir regras, atender a exigências escolares. De algum modo, eu já tinha muitas normas em casa e não gostava. Os anos seguintes, cerca de dez, foram muitos dos melhores momentos de minha existência entre corredoes, escadarias, pátio, cantina e salas de aula.
Os desfiles escolares sempre em farda impecável, acordar cedinho para a educação física e a inapetência para o esporte também constam dessas reminiscências.
Diversos amigos da época os conservo até hoje. Entretanto, existem aqueles que estão guardados apenas na fisionomia da meninice, sem nome. Vejo-os passar e com eles também passam filmes da infância. Retorno ao Dom Bosco em frações de segundos. De lá, acredito, nunca saí de verdade.
Professores como Deusa e Oscar são eternas referências. Com “Tamela” há uma dívida enorme e insanável, além de confissão do réu confesso: continuo um desastre na matemática e graças a algumas “colas” sobrevivi ao seu rigor de ensino. Ficam as desculpas, mas sobretudo o agradecimento.
“Dona Dagmar”, entre todos, incluindo o diretor “Filgueira”, era a própria instituição. Uma tutora de cada um de nós, por confiança de nossos pais. A preceptora à moda milenar dos romanos e gregos, que parecia ter tocado a pedra filosofal. Se a vida lhe foi longa, ainda maior é o que soube germinar.
Em suas cartas que deram vida ao livro “Sobre a brevidade da vida”, o filósofo Sêneca fala sobre o real significado da existência humana, em relação a seu rápido transcurso temporal. No fundo, ele dilata essa importância a partir do que de melhor se pode fazer do tempo terreno. “Ninguém se realiza com o que é perecível”, assevera o pensador.
A professora Dagmar conseguiu se multiplicar nos seus milhares e milhares de ‘filhos’, fardados, em fila indiana na direção da sala de aula, no pátio a cantar o hino nacional, no repique do tarol em todos os 7 e 30 de setembro, no grito de gol do time de handebol na quadra esportiva.
Por falar em tempo, creio que ainda é possível dizer à professora-diretora que valeu a pena essa infância, cada segundinho da convivência. Mesmo dessa lonjura, não me desapego dessa parte da vida que se agarra a gente como tatuagem, para nunca mais nos largar.
Todos os dias, de algum modo, voltamos a ser criança, a cruzar o chão de terra, a fazer burburinho diante da sirene que nos chama de volta ao banco escolar, a rasgar o joelho em mais uma carreira desembestada.
Ah, não posso deixar de esclarecer! Fiquei bom.
Depois de muitos anos de sofrimento, várias crises, internamentos, angústia minha e de meus velhos, balão de oxigênio e pânico pelo o ar que me fugia, superei a doença, professora Dagmar. Há tempos aquela asma torturante foi embora, sem deixar saudades.
Agora lhe respondo melhor, sem a voz chiada e temerosa, porque me fiz mais forte e autoconfiante, também graças a ti. Acho que tudo valeu e continua valendo a pena.
Do jornal O Globo
O fato de magistrados se rebelarem contra uma lei e decidirem contrariar determinação do órgão de controle da Justiça lembra atitudes de corporações sindicais.
Tão ou mais grave que o fato em si é a motivação dele: os rebelados se opõem à aplicação nos tribunais da Lei de Acesso à Informação, passo importante no processo de democratização do país.
São contra a transparência no destino dado ao dinheiro do contribuinte — pelo menos nas Cortes —, um requisito de qualquer sociedade moderna.
Em reunião realizada na quarta-feira pelo Colégio Permanente de Tribunais de Justiça, os 24 presidentes dos TJs se colocaram contrários à resolução do Conselho Nacional de Justiça — cujo presidente é o mesmo do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto — que estabeleceu ontem o dia do esgotamento do prazo para a divulgação da lista nominal de juízes e servidores do Judiciário, com respectivos salários e adicionais. Como determina a lei.
Mas, felizmente, não há uma posição monolítica do Judiciário. O Supremo, no final de junho, divulgou seus dados — não poderia ser de outra forma, por ser a Corte a última linha de defesa do estado de direito. Ontem, como determinado pelo CNJ, foi a vez do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As resistências ocorrem nos tribunais regionais, por sinal, como em outras ocasiões, quando o CNJ atuou na linha da moralização. Por exemplo, contra o nepotismo. Também partiu dos TJs o movimento, derrotado no STF, para manietar a corregedoria do conselho. Agora, como das vezes anteriores, alinha-se aos tribunais a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
A argumentação contrária à divulgação dos rendimentos de juízes e servidores se baseia na Constituição. Seja na garantia à privacidade ou em interpretações de que a própria Carta não determinaria uma transparência tão grande quanto a fixada pela Lei de Acesso.
Em carta aberta divulgada ontem, o presidente do TJ do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, pede, inclusive, que o plenário do STF decida sobre a divergência.
Pode ser que este seja o destino final da polêmica. Mas é necessário entender o pano de fundo dela. Na verdade, o Judiciário passa por um choque cultural desde a aprovação, em dezembro de 2004, do projeto de emenda constitucional n 45, base do atual processo de reforma do Poder.
A PEC instituiu, entre outras novidades, o CNJ. E a partir dele os tribunais regionais e todas as Cortes deixarem de ser “torres de marfim” isoladas, possessões sem qualquer supervisão. A Lei de Acesso, posta em execução, como tem de ser, pelo STF e CNJ, é mais um abalo nas fundações destas “torres”.
Não é por coincidência que corporações sindicais de servidores públicos em geral têm a mesma reação de juízes.
O funcionalismo público como um todo nunca teve qualquer visão ampla de prestadores de serviços. Também formaram castas, as quais não consideram estar obrigadas a prestar contas sequer a quem lhes paga o salário, a sociedade.
Tanto que várias categorias se encontram em greve, mesmo em atividades essenciais. A rebelião de juízes é parte de um todo.
Por Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira (1886-1968) – poeta pernambucano
Por Honório de Medeiros
Estou pensando que não voto mais em oligarquias, bem como não voto mais em quem apóia ou é apoiado por oligarquias. Qualquer oligarquia.
Na “Ciência política”, oligarquia é a forma de governo em que o poder político está concentrado num pequeno número de pessoas identificáveis por interesses particulares tais como riqueza, laços familiares, empresas ou poder militar.
Estados em que isso acontece são muitas vezes controlados por poucas famílias proeminentes que repassam a sua influência ao longo de gerações.
Ressalvo, desde já, que já votei e, até mesmo, já trabalhei para algumas oligarquias. Assumo meu erro. O que eu não quero é continuar a errar.
Nada há de pessoal contra quem quer que seja nessa tomada de posição. Ela decorre de uma percepção amadurecida do processo político.
Trata-se de não mais crer que alianças táticas com o inimigo ideológico permitam algum tipo de avanço na luta pelo fortalecimento da Democracia e do bem-estar da Sociedade como um todo.
Ao longo dos anos foi essa minha crença, minha ilusão acalentada desde os bancos da Faculdade de Direito onde ingressei convicto da nossa possibilidade de mudar o mundo por dentro, jogar o jogo da elite política: torná-lo menos injusto.
Hoje, essa crença não existe mais.
A história demonstrou e demonstra, a cada dia, que os inimigos da Sociedade são muito mais perigosos do que supõe a nossa pretensão de entendê-los e combatê-los. Tais inimigos acreditam estarem certos em fazer, por si, e pelos seus, apenas, o possível e o impossível para sobreviverem no caos social no qual vivemos.
Nada pior que combater quem crê no que está fazendo, mesmo quando essa crença é uma distorção, um equívoco.
São eles, esses inimigos, predadores. Não têm consciência do mal que causam, ao longo do tempo, a si, aos seus, e aos outros, e quando o têm, cedem ávidos e velozes aos argumentos que pretendem legitimar suas ações equivocadas.
São elos de uma estrutura manipuladora, voraz, amoral, que os gratifica, aliena e lhes dá o amparo intelectual para seguirem em frente em sua cegueira existencial.
Os avanços que esses inimigos apresentam como progresso são armadilhas, apenas armadilhas para os desassistidos, que aparentam tudo mudar, para que tudo continue igual ao que era antes, no quê, aqui, parodio o Príncipe de Salinas, esse personagem canônico fundamental de Lampedusa e da literatura ocidental.
Não quero mais fortalecer essa estrutura.
Claro que meu gesto é uma gota d’água no Oceano da política, do jogo do poder. Demasiadamente pequena gota insignificante. Não importa. Convido outros a compartilharem, se for o caso, esse pequeno gesto.
Pode não resultar em nada, mas faz com que eu, hoje, me sinta mais limpo.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Natal e do Estado do RN.
O deputado federal Rogério Marinho (PSDB), candidato a prefeito do Natal, concedeu entrevista ao jornal Diário de Natal, publicada pelo impresso no dia de hoje. Articulado, Marinho falou sem subterfúgios às perguntas mais incisivas.
Interessante, é que ele trata o ex-prefeito e adversário Carlos Eduardo Alves (PDT) por “Carlos Alves”. Veja abaixo trechos dessa conversa dele com o jornal:
Diário de Natal – O senhor acredita que o fato de ter apoiado a candidatura da prefeita Micarla de Sousa (PV) em 2008, assim como o grupo político que o apoia, pode prejudicar sua campanha no pleito deste ano?
Rogério Marinho – Quem tem esse sentimento são vocês que entendem do processo político e são observadores mais privilegiados. A população não tem esse sentimento. A população está vendo o processo eleitoral à distância. Depois, 51% do eleitorado de Natal votou com Micarla de Sousa. Não estou só. Mais da metade de Natal fez a mesma coisa. Nós tínhamos naquela oportunidade um quadro completamente diverso. As pessoas que estiveram no palanque de Micarla estão apoiando a candidatura de Hermano Morais (PMDB) e a de Carlos Alves também. É importante lembrar isso. Essas pessoas todas repensaram seu apoio em função da performance que ela apresentou no decorrer da administração. Errar é humano. Persistir no erro é burrice.
E acrescentou: “O quadro na época era um quadro que de um lado nós tínhamos uma imposição, que eu diria autoritária, arrogante, ditatorial, feita de cima para baixo, pelo governo federal, o estadual e o próprio prefeito da cidade da época, Carlos Alves, que inclusive foi contra o próprio partido em função de uma carreira solo. Então, tínhamos como opção aceitar a candidata imposta de cima para baixo ou votar em alguém que não tinha passivo, pois não havia exercido cargo público, nem passado. Tinha sim uma boa imagem perante à opinião pública por ter sido durante 15 anos âncora de um telejornal. Nós optamos, na ocasião, politicamente nos contrapor contra essa imposição que ceifou uma série de candidaturas que hoje estão aí: Mineiro (PT), Hermano e Rogério Marinho, que paradoxalmente são candidatos hoje.”
Diário de Natal – A sua candidatura é vinculada ao governo Rosalba Ciarlini (DEM)?
Rogério Marinho – A nossa candidatura tem uma vinculação muito clara. Isso é facilmente perceptível. Ela tem vinculação com o sentimento que a cidade tem de que precisa, necessita de profissionalismo, gestão e responsabilidade com o futuro. A governadora Rosalba e o seu partido, o Democratas, nos apóiam. Se é esta a vinculação, sim ela existe. Agora, nossa candidatura foi gestada de maneira muito árdua, diferente das candidaturas tradicionais. Minha candidatura não nasceu de um gabinete, nem por imposição nem por indicação desse ou daquele chefe político. Nós fizemos um trabalho de buscar, desde o início, sentir a realidade de Natal, com um diagnóstico desenvolvido por meio de reuniões, seminários, avaliações. A partir daí, apresentamos um projeto que queremos ver testado pela população da cidade nessas eleições.
Diário de Natal – A governadora e o senador José Agripino participarão do seu programa eleitoral? Estarão presentes no seu palanque?
Rogério Marinho – Eles já estão. Estiveram na minha convenção, inclusive. No momento oportuno, conversaremos a respeito. Não há qualquer constrangimento, pelo contrário.
Diário de Natal – Por qual característica o senhor pretende marcar seu nome nessa campanha, para que o eleitor identifique sua candidatura?
Rogério Marinho – Gostaria de ser identificado como alguém que estudou para ser candidato, se preparou para ser candidato, estudou sobre o tema. Não foi fácil. Subimos uma ladeira. Sinto-me preparado para administrar minha cidade. Agora, é claro que minha linha principal, minha bandeira, o que acho mais importante na educação pública é a educação. Para mim, é um grande constrangimento verificar que Natal ostenta o índice de ser o pior município nessa área. Isso me constrange, me incomoda e vou lutar bastante para mudar essa situação.
“A felicidade é um sentimento simples; você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber a sua simplicidade.”
Mario Quintana


