The News especial para o BCS

Paulo Maluf, Mário Covas, Marília Gabriela, Lula da Silva, Ronaldo Caiado e Collor de Mello (Foto: Internet)
O ano era 1989 e o brasileiro assistia, pela primeira vez, a um debate presidencial ao vivo na televisão. A Band, emissora responsável, foi a pioneira no formato e na junção dos presidenciáveis.
Era a primeira eleição direta para o cargo em quase 30 anos e a primeira após a Constituição de 1988.
Sem fórmula definida, o que chegava ao brasileiro era algo totalmente novo, em uma tentativa de replicar o modelo que já funcionava nos EUA.
A transmissão foi comandada por Marília Gabriela e reuniu nove candidatos no 1º turno, entre eles, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Mário Covas e dois que ainda estão ativos: Lula e Ronaldo Caiado.
Pense que por ser a primeira edição, não existia regras de tempo ou roteiros, e muito menos um filtro que existe hoje nos candidatos. Eles discutiam entre si, com direito a réplica, tréplica e interrupções.
Também não existia lei que obrigasse convite a partidos com representação mínima no Congresso. Se fizermos o paralelo com a eleição de 2026, candidatas como Samara Martins (UP) e Clarice Barão (DC), poderiam participar dos debates junto com Lula, Flávio, Caiado, Zema, Cury e Renan.
No primeiro de todos, a ausência foi adotada…
Fernando Collor, que era líder nas pesquisas, não participou dos debates no primeiro turno. A equipe decidiu blindar Collor de ataques dos adversários e evitar o desgaste de um confronto direto.
A mesma estratégia e justificativa usada pela campanha de Lula esse ano de 2026, que foi o primeiro a confirmar sua ausência no debate de hoje à noite, também na Band.
Nos anos seguintes, o formato foi se adaptando
Em 1994, o debate só confirmou o que as pesquisas indicavam: Fernando Henrique Cardoso, com o Plano Real recém-lançado, venceu Lula ainda no primeiro turno.
Em 1998, mesma dupla, mesmo roteiro — FHC buscando a reeleição, folgado o suficiente para repetir a estratégia da ausência e reduzir a exposição. Venceu.
Em 2002, Lula convenceu mais nos debates com um discurso mais moderado, puxado pela Carta ao Povo Brasileiro, e venceu depois de três tentativas.
Em 2006, já presidente e sob o desgaste do mensalão, discutiu menos do que qualquer reeleito até ali — foi para o segundo turno, o primeiro presidente-candidato a não vencer de cara até então, e saiu vitorioso contra Alckmin com menos votos proporcionais do que tinha tirado no primeiro turno.
Primeiro debate também transmitido pela internet
Além dos tradicionais encontros televisivos, chegava ao público uma novidade que antecipava o papel que as redes sociais assumiriam nas eleições seguintes.
Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio disputaram a sucessão de Lula, e a candidatura de Marina, então pelo PV, foi o grande fator de instabilidade da corrida.
Por incrível que possa te parecer, junto ao Partido Verde, ela cresceu ao longo da campanha e puxou votos suficientes para impedir uma vitória de Dilma já no primeiro turno, forçando um segundo turno contra Serra. De qualquer forma, Dilma ganhou.
Pulando para oito anos na frente, em 2018, Jair Bolsonaro, favorito nas pesquisas, não pode comparecer aos debates em razão do atentado sofrido durante sua campanha.
Para a imprensa, os encontros sem o candidato foram descritos como mornos e de baixa audiência. É provável que você nem se lembre…
Ele venceu sem ter debatido cara a cara com Fernando Haddad, seu adversário no segundo turno, repetindo — dessa vez por circustâncias médicas — o mesmo que Collor, FHC e Lula.
Em 2022 teve confronto, sim
Na eleição mais recente, em 2022, o cenário foi um pouco diferente. O primeiro debate reuniu seis candidatos na Band, em parceria com Folha, TV Cultura e UOL: Bolsonaro, Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke e Luiz Felipe d’Ávila. Era a primeira vez que Lula e Bolsonaro, os dois favoritos, dividiam o mesmo palco.
No debate final daquela campanha, promovido pela Globo, três dias antes da votação do 2º turno, Lula e Bolsonaro tiveram cerca de 50 minutos cada. Os dois trocaram xingamentos e se atacaram o tempo todo.
A coisa foi tão intensa que agências de checagem contabilizaram quase 40 declarações falsas ou exageradas trocadas entre os dois naquela noite.
Lula, que para muitos se destacou mais nos debates, acabou vencendo Jair e tomou a faixa para si, caminhando para sua 7ª eleição.
Enfim, 2026…
Faltando 42 dias até o dia da votação, a Band transmite hoje o primeiro debate oficial do ano. Sem os dois líderes da corrida, o protagonismo vai todo para as alternativas, com grande expectativa para o estreante em debates: Renan Santos.
Zema e Caiado, apesar de concorrentes à presidência pela primeira vez, já participaram de pelo menos 4 debates cada em suas vitórias como governadores.
Um ponto importante: Para 54% dos brasileiros, as redes sociais são o principal meio de se informar sobre política. Sem cortes, o debate não gera muito barulho.
Em tempos de podcasts, vídeos no youtube, Reels e TikTok, o formato mais tradicional de todos — o debate na TV aberta — testa hoje à noite se resiste à própria lógica que ajudou a criar.
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