
Lula e Flávio: embate depois de uma diferença pequena no primeiro turno (Imagens: Ricardo Stuckert-PR/ Carlos Moura- Agência Senado)
The News especial para o BCS
Faltam menos de duas semanas para o segundo turno. A disputa chega a essa fase de um jeito que poucas pesquisas previam: o primeiro round foi o mais apertado dos últimos 24 anos, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 1,9 pontos percentuais.
Foi também uma votação que renovou o Congresso e parte dos governos estaduais. Então o que saiu das urnas diz também sobre o tamanho do apoio que cada lado terá para governar.
Serão 13 dias sob a grande pergunta: Lula tem chance de virar ou já está ganho para Flávio? Spoiler: não temos a resposta. Mas vamos analisar alguns números que podem te ajudar a entender o contexto e as chances de cada cenário.
Vamos começar com os números concretos que já temos. Flávio teve 47,03% dos votos válidos (56,1M) e Lula teve 45,16% (53,9M). A diferença foi de 1,87pp (2,2M), mais apertado que os 5,2pp no primeiro turno de 2022 — só que para Lula.
Leia também: Flávio vence Lula, mas segundo turno definirá eleição
Pense no paralelo de um jogo de futebol: a diferença de “gols” é 2,2 milhões de votos. É isso que Lula precisa para virar. Mas aqui já precisamos considerar algo: quantos “gols” Flávio já consegue marcar logo no início do segundo tempo?
Para isso, vamos nos basear nos números da última pesquisa PoderData/Aya divulgada, que perguntou aos entrevistados em que votaram no 1º turno e qual será o voto no segundo:
56,1M do Flávio Bolsonaro: 94% mantém, 5% migra para Lula.
53,9M do Lula da Silva: 92% mantém, 5% migra para Flávio, 3% branco, nulo ou não sabe.
3,5M do Augusto Cury: 56% Flávio, 27% Lula, 17% branco, nulo ou não sabe.
2,7M do Renan Santos: 48% Flávio, 25% Lula, 28% branco, nulo ou não sabe.
2,6M do Ronaldo Caiado: 57% Flávio, 19% Lula, 23% branco, nulo ou não sabe.
0,3M do Romeu Zema: 72% Flávio, 10% Lula, 18% branco, nulo ou não sabe.
0,3M de outros: 39% Lula, 19% Flávio, 42% branco, nulo ou não sabe.
6M de brancos/nulos: 61% mantém, 22% Flávio, 18% Lula.
Somando esse tanto de número, a migração de votos para Flávio soma 9M, enquanto a migração de votos para Lula soma 6,1M. Ou seja, com base nesta pesquisa, Flávio amplia mais 2,9M de votos ao placar, ficando com uma vantagem de 5,1M no placar.
E as abstenções…
A grande aposta da campanha de Lula está nas abstenções. Você deve ter visto posts de influenciadores, artistas e pessoas do seu ciclo que apoiam o Lula incentivando quem anulou ou quem não foi votar no primeiro a ir às urnas no segundo.
A lógica é simples: Esse grupo é mais propenso a assumir uma opinião, já que não está preso a nenhum nome ainda. Bom, sem falar no tamanho dele: 6 milhões de pessoas votaram branco/nulo e impressionantes 33,4 milhões não compareceram — totalizando 39,4 milhões.
“Ok, mas qual a chance dessa abstenção diminuir?”
Primeiro, vamos ao histórico de abstenção. De 1989 a 2018, os números de ausentes aumentou do primeiro para o segundo turno. Em 2022, essa lógica reverteu com uma leve queda (Veja gráfico no fim desta postagem).
Entre apostar em manter o histórico ou manter a tendência recente, o melhor é olhar esse número mais no detalhe — afinal, aqui é a grande oportunidade para uma virada inédita de Lula ou uma maior diferença de Flávio.
Anote
Nunca um vencedor do primeiro turno perdeu o segundo turno. Mas nunca a diferença foi tão curta quanto a dessas eleições (1,9pp). A menor até então foi do Lula em 2022, de 5,2pp. Na ocasião, Jair reduziu essa diferença para 1,8pp, mas não conseguiu virar.
Mas, voltando às abstenções, algo curioso… Nestas eleições, a abstenção em Norte (18,4%) e Nordeste (19,4%) foi menor, enquanto no Sudeste (22,7%) foi maior. Historicamente, a lógica era outra, com Norte e Nordeste liderando abstenção.
Olhando por estado, a tendência fica clara: estados em que Lula liderou, a abstenção foi menor, enquanto estados em que Flávio liderou a abstenção foi maior.
Você pode ler esse dado, pelo menos, de duas formas: (i) Lula tem espaço para crescer nos estados em que perdeu ou (ii) nos estados em que tem mais espaço para a abstenção reduzir, o Flávio pode ter ainda mais vantagem.
De qualquer maneira, é bem possível que as duas campanhas estejam olhando para esses números e planejando os próximos 14 dias de campanha. A matemática das eleições nunca é óbvia e depende sempre da narrativa, das notícias e da estratégia de cada campanha.
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Com isso, o primeiro colocado na votação, Douglas Ruas (PL), supera os 50% dos votos válidos, sendo eleito direto, sem precisar duelar nas urnas contra o segundo colocado, Eduardo Paes (PSD).































