domingo - 05/04/2026 - 10:44h

“Demian”, de Hermann Hesse

Por Honório de Medeiros

Hesse, uma leitura que parece imperecível (Foto: Swissinfo.ch/Reprodução do BCS)

Hesse, uma leitura que parece imperecível (Foto: Swissinfo.ch/Reprodução do BCS)

A Luz e as Trevas, o Bem e o Mal

“O caminho que sobe e o que desce é o mesmo” (Heráclito de Éfeso, dito “O Obscuro”).

“- Mas terá que aceitar isso – retrucou Woland, e o sorriso irônico entortou sua boca. – Você mal apareceu no telhado e já disse bobagens, e vou dizer onde elas residem: na sua entonação. Você pronunciou suas palavras de tal maneira como se não reconhecesse as sombras, e muito menos a maldade. Não seria muito trabalho de sua parte pensar na seguinte questão: o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras?” (Mikhail Bulgákov, O Mestre e Margarida).[1]

Quem, nos anos 70, gostava de ler, possivelmente teve entre as mãos algum livro de Herman Hesse.

Talvez Sidarta, no qual ele romanceou a vida de Gautama Buda, ou mesmo O Jogo das Contas de Vidro e O Lobo da Estepe, os mais cultuados; quem sabe Demian; Gertrud; Pequenas Histórias; Narciso e Goldmund, para mencionar os mais conhecidos.

É possível que Demian seja considerado um livro menor, assim como Gertrud, sua continuação.[2] Na verdade, a crítica teceu e tece loas à O Jogo das Contas de Vidro e, em menor escala, a O Lobo da Estepe, muito embora o mais famoso seja Sidarta.

Em Demian, Hesse nos apresenta a um enigmático adolescente e sua mãe, mulher bela e misteriosa iniciada em uma seita religiosa, o Cainismo, que fascinam Sinclair, colega dele de escola e relator da história.

O Cainismo foi uma seita gnóstica cristã do século II, considerada herética pela Igreja Católica, que venerava Caim como filho de um espírito superior ao que teria engendrado seu irmão Abel.

Quando essa questão aparece na convivência entre Demian e Sinclair, aquele aponta, como ponto-de-partida para a iniciação do amigo na doutrina, o conhecimento da vida de uma relação de personagens significativos, embora condenados pela história oficial, começando por Eva, depois Caim, irmão de Abel, cujo nome batiza a seita, bem como Judas Iscariotes, dentre outros.

Sabe-se que o Cainismo foi resgatado no século XIX da total obscuridade por Lord Byron, o cultuado e maldito poeta romântico inglês, e hoje é possível que somente exista em obras emboloradas de historiadores praticamente desconhecidos, a grande maioria ocupando estantes empoeiradas no “Cemitério dos Livros Esquecidos” que fica em Barcelona, do qual nos deu a conhecer Carlos Ruiz Zafón, em famosa tetralogia.

Voltando a Demian, a pergunta que ele faz a Sinclair no processo de sua iniciação nos segredos da seita, durante o transcorrer da trama, é se haveria Adão sem Eva; Abel sem Caim; Jesus, sem Judas, e assim por diante. Evidentemente, a verdadeira pergunta, implícita e fundamental, é se haveria a Luz, sem as Trevas.

Não é ousadia supor que o Cainismo seja descendente do Zoroastrismo ou Mazdeísmo, a religião dominante no Império Persa por volta do século VI a.C. até a invasão e dominação, no reinado de Dario III, por Alexandre “O Grande”, rei macedônio.

O zoroastrismo professava uma interpretação dualista do mundo, entendendo-o como governado pelas forças antagônicas do Bem e do Mal. Existiria um deus supremo, criador de dois outros seres poderosos que seriam extensões de sua própria natureza: Ormuzd (ou Ahura-Mazda, ou ainda Oromasdes, segundo os gregos), a fonte de todo o Bem, e Ariman (Arimanes), a fonte de todo o Mal, depois que se rebelou contra seu criador.

Os conflitos entre o Bem e o Mal seriam constantes até o momento em que os adeptos de Ormuzd venceriam, condenando Ariman e os que o seguiam às trevas eternas.

Tampouco é ousadia acreditar que o Maniqueísmo seria parte dessa linhagem herética e gnóstica originada na Pérsia. Muito tempo depois renascida no Império Romano (sécs. III d.C. e IV d.C.), sua doutrina, plena de um dualismo religioso sincretista, consistia em afirmar, também, a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), assim como em localizar a matéria e a carne na escuridão.

Do Maniqueísmo foi seguidor, por um bom tempo, ninguém mais, ninguém menos, que Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja, talvez o mais importante pensador católico, autor da “magnum opus” De civitate Dei (A Cidade de Deus), por quem Santa Mônica, sua mãe, tanto rezou para o converter.

Avançando no tempo, mas ainda na mesma linhagem, essa mesma percepção gnóstica, dualística, da realidade, constituiria o cerne da doutrina do Catarismo, professado pelos Perfeitos, os quais a Inquisição, no Século XIII, varreu da face da França, naquela que seria a Primeira Cruzada da Igreja Católica, liderada por São Luis, o nono Rei da França.

Questões como essa suscitaram debates ardentes durante os famosos e esotéricos anos 60 e 70, quando se questionava o modelo de vida que o capitalismo impunha ao mundo. Havia, então, um inebriante fascínio pelo Oriente misterioso dos zoroastristas, cainitas, maniqueístas, iogues, faquires, dervixes, sadhus, budistas, taoístas e seu estilo de vida, enquanto contraponto à hegemonia da sociedade de consumo e do marxismo ocidental.

Não por outra razão ainda hoje encontramos, em alguns nichos pulverizados que a internet tende a ressaltar, uma preocupação esotérica com a vida que parece muito distante do feijão-com-arroz cotidiano ao qual estamos acostumados.

Existem também espaços diminutos, embora alvoroçados, no campo das ideias, resultantes de raízes solidamente firmadas nessa tradição oriental, que se voltam para a tentativa de explicar os fenômenos da antimatéria, física quântica, teoria do caos, em uma perspectiva mais aberta, resvalando para a metafísica, menos atenta ao rigor metodológico ortodoxo próprio da ciência.

Que o diga Fritjof Capra, famoso físico teórico autor de O Tao da Física e O Ponto de Mutação.

Por fim, quanto a Herman Hesse, é possível entender que em Demian e Gertrud, ele tratou obliquamente, ao utilizar o Cainismo como pano de fundo da trama cujo epicentro é a relação entre Demian, Sinclair e Gertrud, da origem e essência do Bem e do Mal.

Mais: ao fazê-lo, trouxe para a claridade, ou pelo menos tentou, a misteriosa seita que seus personagens professavam e, para quem optou por se aprofundar na questão, os mistérios do Zoroastrismo, Maniqueísmo e Catarismo.

Todas essas seitas conectadas pela crença na Realidade enquanto emanação de uma divindade única e suprema, e constituída pela existência concomitante e antagônicas do Bem e do Mal (a Luz e as Trevas), formando a unidade definitiva e primordial de todas as coisas.

[1] BULGÁKOV, Mikhail. O Mestre e Margarida. Rio de Janeiro: Alfaguara. 2003.

[2] HESSE, Hermann. Demian. Rio de Janeiro: Record. 2015.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 05/04/2026 - 09:54h
Disputa presidencial

PT discute plano B e admite nos bastidores substituição de Lula

Camilo Santana e Fernando Haddad são pensados, dizem colunista e cientista político da Veja
"Camilo é uma liderança importante que precisa ser utilizada em nível nacional", disse Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

“Camilo é uma liderança importante que precisa ser utilizada em nível nacional”, disse Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e o aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriram, nos bastidores do PT e do Palácio do Planalto, uma discussão sensível: a possibilidade de o petista não disputar a próxima eleição presidencial.

No programa Ponto de Vista, em plataforma on-line da revista Veja, o colunista Robson Bonin e o cientista político Marco Antonio Teixeira analisaram o cenário e apontaram que a sucessão no campo governista já está em curso — ainda que de forma não oficial.

Segundo Bonin, a hipótese de substituição do presidente não é mais tratada como improvável dentro do governo. O avanço da rejeição e o risco eleitoral têm alimentado essa discussão.

“Há muita gente que acredita dentro do PT que ele deveria se preocupar com o fato de poder terminar a biografia perdendo para o filho do Bolsonaro”, afirmou.

A avaliação interna, segundo ele, é de Lula pode até vencer, mas já enfrenta desgaste suficiente para colocar sua candidatura sob questionamento estratégico.

Quem são os nomes testados para a sucessão?

O nome de Camilo Santana surge como uma aposta para o futuro do partido, com apoio dentro do governo. Bonin afirma que ele foi testado em pesquisas e é visto como um quadro com potencial de crescimento.

Ao mesmo tempo, Fernando Haddad aparece como alternativa mais imediata. Para Teixeira, o ex-ministro reúne condições mais concretas para uma eventual substituição no curto prazo.

“Haddad já tem praticamente a mesma intenção de voto que o Lula, com algo em torno de 10% a menos de rejeição”, disse.

Por que Haddad ainda enfrenta resistência no PT?

Apesar de ser um nome competitivo, Haddad não

é unanimidade dentro do partido. Bonin aponta que há desconfiança sobre seu perfil político e sua disposição para a disputa.

Segundo ele, setores da legenda consideram que o partido precisa de um candidato mais combativo, disposto a enfrentar a campanha com maior intensidade.

O PT consegue se renovar?

Para Teixeira, o debate expõe uma dificuldade estrutural do partido: a renovação de lideranças. O cientista político afirma que o PT ainda depende fortemente de figuras consolidadas.

“Há uma incapacidade do PT de se renovar, de produzir lideranças novas”, disse.

Nesse contexto, Camilo é visto como um projeto de médio prazo, enquanto Haddad surge como solução mais imediata – caso Lula recue.

O avanço de Flávio é mérito próprio?

Na avaliação de Teixeira, o crescimento do senador está menos ligado a qualidades individuais e mais à rejeição ao governo.

“Esse crescimento do Flávio é muito mais uma negação ao Lula e ao PT do que méritos do próprio Flávio”, afirmou.

O fenômeno reforça o caráter polarizado da disputa, em que o voto tende a ser orientado pela rejeição ao adversário.

Ainda há espaço para uma terceira via?

Os analistas são céticos quanto à viabilidade de uma alternativa fora da polarização. Para Teixeira, o cenário aponta para uma disputa direta entre lulismo e bolsonarismo.

“Dificilmente teremos um processo propositivo”, assinalou.

A tendência, segundo ele, é de uma eleição marcada por confronto direto entre os dois campos, com pouco espaço para candidaturas intermediárias.

Nota do BCS – Sinceramente, não acredito na materialização dessa hipótese. Porém, é nítido o desconforto presidencial com o atual estágio da pré-campanha. Quarta-feira (01), em entrevista a uma televisão do Ceará, ele disparou sobre o ex-ministro da Educação e senador cearense: “Camilo é uma liderança importante que precisa ser utilizada em nível nacional.”

Veja íntegra e vídeo AQUI.

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Categoria(s): Política
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domingo - 05/04/2026 - 09:20h

Reler

Por Bruno Ernesto

Foto de autoria de Bruno Ernesto, 2023

Foto de autoria de Bruno Ernesto, 2023

Assim como texto algum pede para ser lido, nenhum escritor escreve esperando que alguém leia.

É mais ou menos como a vida.

Ler requer iniciativa, vontade, interesse, curiosidade e tempo.

O tempo pode ser chuvoso, de férias, sobrando, faltando, rápido, lento, fase ou apenas uma oportunidade.

Quantas oportunidades o tempo requer, nos tira, mas também nos dá?

Quando passa, passa. Claro! Mas, como você tem passado, afinal?

Há páginas que precisam ser lidas e relidas em diferentes fases, como a vida.

Este talvez seja o segredo da boa leitura.

Ariano Suassuna tinha razão: quem gosta de ler não morre só.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertão.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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domingo - 05/04/2026 - 08:10h

O amor é o bem maior

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa em estilo renascentista com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa em estilo renascentista com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Na bela música lindamente cantada por padre Zezinho, um dos versos diz que “o amor é o bem maior, difícil de encontrar”. No mesmo sentido, são as palavras em 1 Coríntios, 13:13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”

No mundo contemporâneo, ou melhor, desde sempre, o homem não procura vivenciar esse amor que traz paz para a alma e dá bons frutos. O homem, na sua ganância insaciável, vive a promover guerras por todos os cantos. Hoje mesmo, mundo afora, guerras matam milhares de pessoas; crianças padecem, choram, ficam órfãos.

Dizia-se, na época da pandemia do coronavírus, que a humanidade sairia melhor daqueles dias de isolamento social; que entenderia o real significado do amor, da empatia, do bem conviver em sociedade. O tempo, infelizmente, mostrou-nos a dura realidade da insensatez, da ausência de humanidade que continua a permear as relações entre os homens.

As dificuldades do cotidiano, a dura batalha para enfrentar a vida, fazem-nos seres humanos individualistas. É cada um por si. Nem precisamos ir longe. O Brasil, tomado de assalto por interesses de grupos privilegiados, há tempos atravessa uma crise econômica e social sem fim. Já estou careca de ouvir o mesmo lenga-lenga das promessas vazias.

Hodiernamente, com o advento das redes sociais, vivemos em mundos díspares. De um lado, o mundo real, não palatável. Doutro, o mundo virtual, no qual se posta uma vida que nem sempre está em sintonia com a verdade. Ademais, a internet se tornou uma terra sem leis, sem respeito, sem pudor. Agride-se o outro pelo simples prazer de agredir.

Por isso, em mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa Leão XIV afirmou: “comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias”.

É claro que não é fácil amar pessoas que nos fizeram algum mal; seria romantizar a dura e crua realidade da convivência humana, buscando um mundo utópico. No entanto, façamos a nossa parte. Tentemos cultivar o amor em nossos corações, pois o amor é o bem maior.

Assim, neste Domingo da Ressurreição do Cristo Jesus, base da fé, que possamos decantar e, sobretudo, inspirar-nos com a bela música entoada pelo padre Zezinho:

Foi esse amor que fez a sepultura abrir; e o meu Salvador em glória ressurgir; o amor é inspiração, na vida uma canção, o amor”.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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domingo - 05/04/2026 - 06:22h

Homenagem ou “desomenagem”? Sobre nomes e memória…

Por Marcos Araújo

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Dois episódios foram notícias nesta semana no Rio Grande do Norte, envolvendo simultaneamente memória, homenagem e desonra.

A primeira notícia veio de Natal: o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra o município para garantir a alteração do nome de bens e logradouros públicos que fazem apologia ao golpe militar de 1964 ou a agentes da ditadura que durou até 1985.

A segunda veio de Pau dos Ferros: a prefeitura lançou uma votação popular pela internet para escolher o nome de seu novo centro administrativo, com três candidatos disputando entre si, entre eles, o eterno Padre Sátiro Cavalcanti Dantas.

Tomadas separadamente, cada uma dessas iniciativas encontrou defensores convictos. Juntas, elas nos convidam a refletir sobre algo que vai além dos campos políticos e eleitorais: o que significa, afinal, honrar alguém? O que é verdadeiramente uma homenagem? Como se constrói a memória de um povo?

Quanto à causa do MPF, entendo que ela é legítima em sua essência. Há uma diferença moral substantiva entre preservar a memória histórica de um período — por mais sombrio que seja — e erigir homenagens permanentes a quem praticou ou chancelou a tortura de cidadãos. Uma rua chamada “31 de Março” não é um arquivo; é uma celebração. Uma praça com o nome de um general que assinou atos institucionais não registra a história — ela a glorifica.

Contudo, há um risco nos excessos da pureza retrospectiva. O filósofo espanhol Jorge Santayana advertia que “quem não consegue lembrar o passado está condenado a repeti-lo”. A questão não é apagar nomes das pedras, mas educar as consciências sobre o que aqueles nomes representaram. A solução mais honesta não seria simplesmente trocar uma placa pela outra, como se a história fosse um placar em que apenas um lado pode vencer — e sim acrescentar ao espaço público a narrativa crítica que falta, com memoriais, marcações explicativas, e a educação que nenhuma liminar judicial substitui.

Aqui a advertência de Milan Kundera, em O Livro do Riso e do Esquecimento, permanece perturbadoramente atual: “O primeiro passo para liquidar um povo é apagar a sua memória. Destruir os seus livros, a sua cultura, a sua história.” O romancista tcheco falava dos totalitarismos que pretendiam reescrever o passado — e o aviso serve, com igual força, para todos os lados do espectro político. Apagar nomes sem explicá-los pode ser, paradoxalmente, a vitória definitiva do esquecimento sobre a memória.

Hannah Arendt, em A Condição Humana, observou que a pluralidade — a convivência dos diferentes — é a condição fundamental da vida política. Uma democracia que seleciona quais fragmentos do passado merecem existir no espaço público corre o risco de repetir, com sinal trocado, o mesmo gesto autoritário que pretende condenar: o de decidir, de cima para baixo, o que o povo deve ou não deve lembrar.

A segunda história é mais delicada e, a quem conheceu Padre Sátiro Cavalcanti Dantas de perto, absolutamente desconcertante.

Padre Sátiro foi um daqueles homens raros que fazem a história sem nunca querer protagonizá-la. Ativamente responsável pela mudança social e educacional do Estado, viveu na discrição, e fez do silêncio uma forma de eloquência mais poderosa do que muitos discursos. Era daqueles sobre quem se deveriam nomear os melhores e maiores prédios públicos, sem alardes, exatamente porque jamais pediria isso — e porque, se soubesse, rogaria que não se fizesse.

É precisamente por isso que submetê-lo a uma disputa eleitoral pela internet — com campanha, votos e mobilização de eleitores de outros municípios — é uma forma involuntária, mas real, de desonrá-lo. Não por má-fé dos incentivadores, certamente. Mas porque o gesto desconhece profundamente quem foi o homenageado.

As aclamações populares são, por natureza, voláteis. A santidade autêntica — e a grandeza humana genuína — não se submete ao humor da praça. Colocar Padre Sátiro numa urna virtual, em competição com outros candidatos, é transformar em espetáculo aquilo que ele construiu como doação silenciosa. É reduzir a um like o que foi uma vida inteira de presença. A nomeação deveria ser direta, sem entremeios popularescos.

Há ainda o problema prático da legitimidade do processo. Uma votação aberta, sem fronteiras municipais, em que qualquer pessoa de qualquer canto do estado — ou do país — pode interferir na decisão sobre o patrimônio simbólico de uma cidade, não é democracia: é uma pesquisa de popularidade disfarçada de civismo. Tocqueville, ao analisar os riscos da democracia moderna, alertava para aquilo que chamou de “tirania da maioria” — a possibilidade de que o número sufoque o direito, a experiência e a memória compartilhada de uma comunidade específica.

Já que estamos na semana santa, lembro o episódio do lava-pés, aquele momento que Jesus se ajoelha diante de seus discípulos e realiza o serviço mais baixo que existia naquele tempo (lavar os pés de alguém). Pedro protesta: “Nunca me lavarás os pés.” E Jesus responde com uma frase que deveria ser tatuada na consciência de quem pensa em honrarias públicas: “Se não te lavar, não terás parte comigo.”

Padre Sátiro lavou muitos pés em vida — metafórica e talvez literalmente. Não queria louros. Nem admitiria se submeter a disputa. Certa feita, os dois lados políticos tradicionalmente adversários quiseram aclamá-lo prefeito de Mossoró, no que foi por ele devidamente recusado. Não merece ter seu nome colocado em disputa…

O que as duas histórias têm em comum?

Homenagens verdadeiras não se fazem por decreto judicial nem por votação popular. Fazem-se pelo testemunho vivo. Médici não merece nome de rua. Padre Sátiro não carece de escolha por votação. O primeiro não tem mérito histórico. O segundo, possui mérito demais para estar se submetendo a uma disputa risível. A consciência de se nomear um espaço público é assumir uma responsabilidade narrativa perante as gerações futuras.

Um povo que decide mal quem merece ser lembrado não comete apenas uma injustiça com o passado — ensina uma mentira ao futuro sobre quem ele mesmo quer ser.

Marcos Araújo é professor e advogado

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domingo - 05/04/2026 - 03:00h

Demônios da Guerra

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Estamos (ao menos por enquanto) no bem-bom. Nenhum sinal de guerra à vista. Dormimos e acordamos sem a ameaça constante de mísseis, de bombas desabando sobre nossos telhados ou cabeças. O Brasil, apesar dos pesares, continua sendo uma nação pacífica aos olhos do planeta. E graças a Deus! Pois aqui não dispomos de aparato bélico para suportar vinte e quatro horas de arranca-rabos com nenhuma superpotência armamentista.

Estamos a anos-luz do poderio de um vespeiro como Rússia, Estados Unidos ou Israel. Nesse aspecto, exceto por alguns arroubos armamentistas, nossa pátria de chuteiras continua manquitolando com um apetrecho pífio ante os marimbondos de fogo que guerrilham em alguns territórios do mundo.

Considero imoral um elemento como Vladimir Putin pedir um cessar-fogo na contenda entre Estados Unidos, Irã e Israel, enquanto ele mesmo sustenta há quatro anos um massacre covarde sobre a Ucrânia. Eu sei, já toquei nesse assunto dia desses, no entanto a mídia da Terra inteira não fala em outra coisa e aí a gente acaba se repetindo na hora de cumprir a missão de dar cabo de uma crônica. As contendas estão em diversas regiões. Basta pegarmos o celular ou ligar a tevê que o sangue por pouco não espirra contra nossos rostos. Isso tudo é tão deplorável, tão abjeto.

Ora! Vejam só! Estados Unidos, ave de rapina do globo, usam como pretexto para massacrar, atacar o Irã a história de que este estaria produzindo armas atômicas, enriquecendo urânio para a fabricação de armamento nuclear. É a velha história de que macaco não olha para o próprio rabo. E se estiver fazendo isso?! Onde está o crime, já que os xerifes internacionais já fizeram? É público e notório que os Estados Unidos, seguidos por Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte são os Estados que mais possuem essa espécie de armaria. Por que, então, a imperiosa América, que se queixa de ser o berço da liberdade, não direciona a sua máquina mortífera contra uma Rússia ou qualquer um desses atores? De jeito algum. Pois temem, sabem que Moscou não leva desaforos para casa. Além de medo, a terra do Tio Sam não se mete a besta, não ousa exibir suas garras perante uma China.

O que os norte-americanos gostam e sempre fizeram foi chutar cachorro morto, atacar nações inferiores do ponto de vista militar. Lembram do que fizeram (em agosto de 1945) com o Japão, especificamente Hiroshima e Nagasaki? Causaram a morte imediata de quase duzentas mil pessoas, em sua maioria civis, idosos, mulheres e crianças, gente que não tinha nada a ver com o peixe.

O cheiro de pólvora e sangue parece ter impregnado minha cabeça e meu coração. Sinto-me indignado com o que está acontecendo, porém minha indignação não adianta de nada. Os demônios da guerra seguirão massacrando inocentes, impondo a sua política de carnificina. Que tempos primitivos vivemos!

Marcos Ferreira é escritor

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sábado - 04/04/2026 - 23:16h

Pensando bem…

“Grandes pensamentos falam apenas com as mais contemplativas mentes, mas grandes ações falam com toda a humanidade”

Emily P Bissell

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sábado - 04/04/2026 - 17:20h
Chapa majoritária

No PDT e chance de ser um nome ao Senado, Rafael Motta abraça o PT

Ontem no Seridó e quinta-feira em Natal com Cadu e Samanda, além de dirigentes do PDT, Rafael filiou-se (Fotomontagem do BCS)

Ontem no Seridó e quinta-feira em Natal, com Cadu e Samanda, além de dirigentes do PDT, Rafael retomou marcha política (Fotomontagem do BCS)

Filiado ao PDT na quinta-feira (02), o ex-deputado federal Rafael Motta já se inseriu em programação política do pré-candidato a governador Cadu Xavier (PT).

Nessa sexta-feira (03), posou ao lado dele e da pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT), mossoroense que é vereadora em Natal. O trio esteve em Carnaúba dos Dantas no Seridó, onde evento religioso e social da Paixão de Cristo atraiu multidão.

O segundo nome ao Senado do governismo será o próprio Rafael Motta?

É possível, mas nada está oficialmente confirmado. O assunto ganha corpo num tom de “é provável.”

Lá em 2022…

Em 2022, com forte possibilidade de reeleição à Câmara dos Deputados, Motta resolveu ser candidato ao Senado em faixa própria. O governismo investiu no ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT à época), o descartando.

Rafael Motta acabou dando ajuda considerável ao ex-ministro Rogério Marinho (PL), contendor comum, que foi eleito com o racha dos votos no campo político do centro-esquerda.

Rogério Marinho empalmou 708.351 votos, ou 41,85% dos votos válidos, superando Carlos Eduardo, com 565.235 votos (33,40%), e Rafael Motta (PSB), com 385.275 votos (22,76%).

Em 2023…

Já em 2023, sem mandato, Rafael Motta virou titular da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Natal em novembro de 2023, governo Álvaro Dias (Republicanos, hoje no PL). Durou pouco. Em março de 2024 pinotou fora com planos de ser candidato a prefeito.

E em 2024…

Em 2024, com planos de ser candidato a prefeito de Natal pelo PSB, Motta viu-se obrigado a saltar para o Avanteo. O PT local usou sua força com comando nacional do PSB, para que ele não obtivesse legenda à empreitada.

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sábado - 04/04/2026 - 16:40h
Política

Filiação de Bibi Costa ao PL causa insatisfação no prefeito caicoense

Bibi Costa, irmão de Vivaldo, não deve ter apoio de Dr. Tadeu (Fotomontagem do Blog do Marcos Dantas)

Bibi Costa, irmão de Vivaldo, não deve ter apoio de Dr. Tadeu (Fotomontagem do Blog do Marcos Dantas)

A filiação do ex-prefeito caicoense Bibi Costa ao Partido Liberal (veja AQUI), neste sábado (04), não soou bem aos ouvidos do prefeito de Caicó, Dr. Judas Tadeu dos Santos (“Dr. Tadeu”, do PSDB). Em entrevista ao jornalista Marcos Dantas, ele deixou claro que seu apoio o ex-prefeito não terá. Bibi Costa é irmão do deputado estadual Vivaldo Costa (PV), líder político de Dr. Tadeu.

“Bibi virou bacurau. Eu sou da bandeira do ‘Papa’ (apelido de Vivaldo Costa). Não tenho como estar num processo desse”, afirmou, sinalizando o distanciamento político.

Dr. Tadeu também citou episódios recentes para justificar sua posição, incluindo o voto do deputado Adjuto Dias, filho de Álvaro Dias (PL), contrário à possibilidade de Vivaldo Costa assumir uma vaga na Assembleia Legislativa, em substituição a George Soares (que foi escolhido pelo voto para o Tribunal de Contas do Estado do RN-TCE).

Ainda segundo o prefeito, o retorno de Bibi ao cenário político reforça divergências antigas. “Bibi se afastou da política e agora comprova posições que já eram percebidas, como ter votado em Sandra Kelly (adversária de Tadeu, apoiada à prefeitura em 2024 por Álvaro Dias). Nunca me quis na prefeitura. Lamento que ele se alie a quem não quis ajudar Vivaldo na volta à Assembleia”, declarou.

Em conversa com o mesmo Marcos Dantas, Bibi Costa minimizou as críticas do prefeito – que chegou a cogitar se candidatar a deputado estadual, mas recuou. Para o ex-prefeito, a prioridade é defender os interesses do Seridó e Caicó. O fato de nunca ter sido aliado de Álvaro Dias, pré-candidato a governador e originário do município, não é relevante. Conflitos políticos ficam no passado.

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Categoria(s): Política
sábado - 04/04/2026 - 15:20h
Agora vai!

Álvaro Dias finalmente se filia ao Partido Liberal

Coronel Hélio, Álvaro Dias, Rogério Marinho e Joanna Guerra: PL (Foto: reprodução)

Coronel Hélio, Álvaro Dias, Rogério Marinho e Joanna Guerra: PL (Foto: reprodução)

Agora vai. Está valendo. O pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, assinou ficha de filiação ao Partido Liberal (PL) neste sábado (04). Foi saudado pelo presidente da legenda no RN, senador Rogério Marinho, na sede regional em Natal.

Principal nome do grupo político para a disputa, substituindo o próprio Marinho, que não conseguiu viabilizar postulação ao governo, Álvaro Dias chega ao PL após ter presidido o Republicanos no estado.

Ele iria se filiar dia 21 passado, em evento ocorrido no Boulevard Hall, em Parnamirim. Porém, com bastidores efervescentes, que o levaram a perder o Republicanos para o adversário Allyson Bezerra (UB), adiou ingresso no PL.

Mas hoje, ao lado dele, também chegou a vice-prefeita natalense Joana Guerra, que antes presidia o Republicanos em Natal.

Além de Álvaro Dias e Joana Guerra, também assinaram ficha de filiação ao PL o vereador de Mossoró, Cabo Deyvison (ex-MDB) e o ex-prefeito de Caicó, Bibi Costa.

Depois das filiações, os novos filiados participaram de reunião estratégica na sede do partido, com o senador Rogério Marinho. Também esteve presente o pré-candidato ao Senado, Coronel Hélio, além de outras lideranças políticas do partido.

Veja vídeo AQUI.

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sábado - 04/04/2026 - 10:30h
Maravilha!

Cachoeira é um espetáculo de beleza nesse inverno

Imagem deslumbrante da Cachoeira do Caiano nessa sexta-feira (03).

Localiza-se no município de Frutuoso Gomes, a cerca de 350 Km de Natal e 138 Km de Mossoró.

Essa queda d’água é um dos pontos mais visitados durante o período chuvoso, que transforma as paisagens da região.

🎥 @levicarlos_

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sábado - 04/04/2026 - 03:38h
IESE 2025

RN tem quatro universidades entre as mais empreendedoras do Brasil

Reitoria da Uern será sede do governo por alguns dias (Foto: Arquivo)

Uern fica em 49º posição no país, segundo dados divulgados pela Brasil Júnior (Foto: Arquivo)

Quatro universidades do Rio Grande do Norte estão entre as avaliadas do país no Índice de Instituições de Ensino Superior Empreendedoras (IESE) 2025, divulgado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aparece em 24º lugar no ranking nacional. O estado também aparece no estudo com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), a Universidade Potiguar (UnP) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).

No recorte regional, o Rio Grande do Norte aparece em 4º lugar no desempenho do Nordeste. Das 10 universidades mais bem avaliadas da região, duas são potiguares: a UFRN, em 2º lugar, e a Uern, em 10º.

Nesta edição, foram coletadas 34 mil respostas de estudantes de 92 universidades e 29 institutos federais de todas as regiões do país. Além do ranking geral, o estudo reúne análises por região, pesquisa de percepção discente e recortes por dimensão, como cultura empreendedora, inovação, extensão, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro.

“Mais do que mostrar posições, o IESE ajuda a tornar mais visível o impacto que a educação empreendedora pode gerar dentro e fora das instituições. Quando a gente olha para esses resultados, o que aparece não é só desempenho, mas a capacidade de formar jovens com repertório para transformar realidades, propor soluções e contribuir de forma concreta com o desenvolvimento do país”, diz Vithória Rodrigues, presidente executiva da Brasil Júnior.

Veja a classificação das universidades do Rio Grande do Norte no estudo:

  • 24º Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • 49º Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • 63º Universidade Potiguar
  • 82º Universidade Federal Rural do Semi-Árido

No desempenho dos institutos federais, o Rio Grande do Norte aparece com o resultado mais forte da região. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) lidera o Nordeste e figura entre os destaques nacionais do estudo.

O estudo mostra como universidades e institutos federais se estruturam para estimular o empreendedorismo no ambiente acadêmico. Pela metodologia do IESE, a proposta é identificar pontos que precisam de atenção e indicar oportunidades de melhoria a partir de indicadores ligados ao ecossistema empreendedor universitário.

A Brasil Júnior conduz o relatório desde 2016. Divulgado a cada dois anos, o levantamento busca contribuir para a melhoria da vivência universitária e da qualidade do ensino superior brasileiro.

Mais informações: //iesempreendedoras.brasiljunior.org.br/ 

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sábado - 04/04/2026 - 02:44h
O traço e a palavra

Tibau do Sul e praia da Pipa por Gustavo Sobral

Títulos serão apresentados no próximo dia 7 (Reprodução do BCS)

Títulos serão apresentados no próximo dia 7 (Reprodução do BCS)

Encontro marcado. Será na próxima terça-feira (07), em Natal, a exposição de desenhos e lançamento dos livretos Conversas da Praia e Brevíssima história de Tibau do Sul e da Praia da Pipa.

Flora Cafeteria (Av. Rodrigues Alves, 443-A, Petrópolis — dentro da floricultura Flor de Algodão) abrigará os eventos simultâneos entre 16 e 19 horas.

O traço e a palavra nascem do movimento pouco comum de lançar, simultaneamente, uma exposição de desenhos e dois livretos que dialogam entre o olhar e o papel. O jornalista e escritor Gustavo Sobral, que já dedicou obras à capital potiguar, agora sai de Natal para lançar luz sobre Tibau do Sul e a praia da Pipa.

Onde antes havia silêncio editorial, surgem registros que cruzam a história local com impressões do cotidiano à beira-mar, em um exercício de “jornalista que desenha” que foge ao habitual.

A obra se divide em duas frentes: Conversas da Praia, um exercício de jornalismo visual e literário que observa o cotidiano como um talk of the beach; e Brevíssima História de Tibau do Sul e da Praia da Pipa, uma crônica histórica em forma de ensaio que parte das pesquisas de nomes como Hélio Galvão e Câmara Cascudo e memórias da Pipa de antigamente.

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sábado - 04/04/2026 - 02:00h
Relatório Volumétrico

Águas de março garantem 40,12% da capacidade total hídrica do RN

A barragem Umari, no município de Upanema, registra atualmente 48,83% da sua capacidade (Foto: Igarn)

A barragem Umari, no município de Upanema, registra atualmente 48,83% da sua capacidade (Foto: Igarn)

O Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (IGARN) fechou o ciclo de seu Relatório Volumétrico dos reservatórios do estado, relativo ao mês de março. Os dados indicam que as reservas hídricas superficiais acumulam atualmente 2.122.991.623 m³, o que corresponde a 40,12% da capacidade total monitorada, estimada em 5.291.480.649 m³.

Ao todo, 19 reservatórios apresentaram aumento no volume de água armazenada em comparação com o último relatório, divulgado no dia 23 de março. Entre os que mais receberam recarga está o açude Malhada Vermelha, em Severiano Melo, que acumula 5.283.677 m³, correspondentes a 70,10% da sua capacidade total, que é de 7.537.478 m³.

O volume atual representa um aumento de 32,11% em relação ao relatório anterior.

O açude Riachão, no município de Rodolfo Fernandes, acumula 3.914.060 m³, equivalentes a 94,63% da sua capacidade total, de 4.136.000 m³, registrando um aumento de 20,27% em relação ao último relatório.

Entre os principais reservatórios do estado, a barragem de Oiticica, em Jucurutu, apresenta 37,27% da sua capacidade, com 276.762.539 m³ acumulados. No relatório anterior, o manancial estava com 250.792.728 m³, equivalentes a 33,77% da capacidade total, que é de 742.632.840 m³.

Já a barragem Santa Cruz do Apodi encontra-se com 53,74% da capacidade, totalizando 322.277.030 m³. No dia 23 de março, o reservatório registrava 321.012.200 m³, correspondentes a 53,53% da sua capacidade total.

A barragem Umari, no município de Upanema, registra atualmente 48,83% da sua capacidade, com 142.988.458 m³ armazenados. No relatório anterior, o reservatório estava com 142.353.779 m³, equivalentes a 48,62% da capacidade total, que é de 292.813.650 m³.

A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, maior manancial do estado, não apresentou recarga no período e acumula 978.936.605 m³, correspondentes a 41,25% da sua capacidade total, que é de 2.373.066.000 m³.

O outro lado

Por outro lado, o relatório aponta a permanência de 19 reservatórios em situação crítica, com volumes inferiores a 10% da capacidade total. Entre eles estão os açudes Itans, em Caicó (0,05%); Sabugi, em São João do Sabugi (2,19%); Passagem das Traíras, em São José do Seridó (0,03%); Esguicho, em Ouro Branco (6,36%); Jesus Maria José, em Tenente Ananias (0,40%); Bonito II, em São Miguel (4,42%); Dourado, em Currais Novos (4,44%); Apanha Peixe, em Caraúbas (3,13%); Gangorra, em Rafael Fernandes (3,00%); Beldroega, em Paraú (5,03%); Tourão, em Patu (2,79%); Zangarelhas, em Jardim do Seridó (6,41%); Alecrim, em Santana do Matos (8,00%); Brejo, em Olho-d’Água do Borges (0,93%); 25 de Março, em Pau dos Ferros (5,41%); São Gonçalo, em São Francisco do Oeste (3,89%); Inspetoria, em Umarizal (4,29%); Lulu Pinto, em Luís Gomes (0,01%), além do açude Mundo Novo, em Caicó, que permanece com volume zerado.

O cenário evidencia a importância do monitoramento contínuo realizado pelo IGARN, especialmente diante da irregularidade das chuvas e da necessidade de garantir a segurança hídrica para o abastecimento humano, o desenvolvimento das atividades produtivas e a sustentabilidade ambiental no Rio Grande do Norte.

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sexta-feira - 03/04/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“Tudo o que é vivo, morre.”

Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida)

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sexta-feira - 03/04/2026 - 23:40h
Potengi

Um rio a caminho do mar

Vamos fazer uma viagem aérea pelo sangradouro da Barragem Campo Grande e pelo caminho do Rio Potengi, que corta São Paulo do Potengi.

Desde a última terça-feira (31), às 10h37, a barragem voltou a sangrar — e o cenário visto de cima é lindo demais.

Aperta o play e acompanha esse percurso.

Vídeo produzido na manhã desta sexta-feira (03) Santa e postado em página da Prefeitura Municipal de São Paulo do Potengi,

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 03/04/2026 - 23:14h
De Mossoró para o Mundo

Alunos municipais conhecem exuberância cultural e histórica de Londres

Alunos, ao lado de professoras e do secretário-adjunto, experimentam experiência transformadora (Foto: cedida)

Alunos, ao lado de professoras e do secretário-adjunto, experimentam experiência transformadora (Foto: cedida)

Por Valéria Lima

Os alunos e professores que integram o programa “De Mossoró para o Mundo” vivenciaram mais uma importante experiência cultural e educacional em Londres, na Inglaterra, nesta quinta e sexta-feira, dias 2 e 3. O grupo visitou o Museu de Ciências (Science Museum), um dos mais renomados espaços de divulgação científica do mundo, a Tower Bridge e acompanharam a Troca da Guarda do Palácio de Buckingham.

Bruna Izabelly, da Escola Municipal Duarte Filho, destaca a nova experiência. “Está sendo incrível, conversar com novas pessoas está sendo algo muito interessante”, disse.

Tiago Alexandre, da Escola Municipal Genildo Miranda, no Polo Alagoinha, destacou a experiência. “A programação está sendo fantástica, uma experiência cultural”, pontuou.

A programação faz parte do intercâmbio internacional promovido pela Prefeitura de Mossoró, que oferece aos alunos uma imersão cultural e educacional completa, com curso de inglês, visitas a pontos históricos e experiências enriquecedoras experimentando exuberência cultural e histórica de Londres.

Ao todo, 10 alunos e duas professoras participam do intercâmbio de 15 dias. O secretário-adjunto de Educação, Adler Lincoln, também integra a comitiva.

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Categoria(s): Educação / Gerais
sexta-feira - 03/04/2026 - 15:40h
Luto

O adeus de Jósimo Siqueira de Moura

Reprodução de registro de velório e sepultamento

Reprodução de registro de velório e sepultamento

Registramos o falecimento na manhã desta sexta-feira (03), de Jósimo Siqueira de Moura, 63. Estava em sua residência, em Mossoró, quando foi vítima de infarto.

Velório na Igreja Batista Palavra Viva, rua José Izídio de Lima, 488, Rincão, Mossoró.

Sepultamento acontecerá no Cemitério Novo Tempo, às 10 horas desse sábado (04).

Nota do BCS – Amigo da juventude, que há tempos perdi o contato, mas não o apreço.

Estamos todos na fila.

Descanse em paz, cara!

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 03/04/2026 - 11:24h
Guerra EUA x Irã

Produtores rurais podem ter auxílio do Banco do Brasil

A agropecuária corresponde a 6% fo PIB do Brasil (Foto: Wenderson Araújo Trilux)

A agropecuária corresponde a 6% fo PIB do Brasil (Foto: Wenderson Araújo Trilux)

The News para o BCS

O Banco do Brasil está avaliando auxílios financeiros para os produtores rurais que têm sido afetados pelos conflitos no Irã.Por que isso seria necessário?

Desde que a guerra começou, diversos produtos essenciais utilizados no campo, como fertilizantes e diesel, ficaram mais caros — diminuindo as margens do setor rural.

Apesar de o Banco negar, rumores indicam que entre as medidas analisadas está a extensão dos prazos dos empréstimos, possibilitando que os produtores adiem parte dos pagamentos.Contudo, essa operação possui riscos, considerando o atual contexto do banco…

  • 🗓️ Pagamentos em dia: A inadimplência acima de 90 dias do banco subiu de 3,2% para 5,2% entre 2024 e 2025 — puxada principalmente pelo agronegócio e cartões de crédito.
  • 📉 Saúde financeira: Os empréstimos pressionariam o balanço do Banco, que estaria avaliando algumas possibilidades, como venda de ativos, para aumentar o capital da empresa.

Atualmente, o BB é o maior financiador do agronegócio no país, e as preocupações com o segmento fazem sentido — se esse setor vai mal, quer dizer que uma parte importante da economia não está bem.

Pense que a agropecuária corresponde a 6% do PIB brasileiro e foi responsável pelo crescimento de 33% da economia nacional no ano passado.

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Categoria(s): Economia / Política
sexta-feira - 03/04/2026 - 10:54h
Antônio Martins-RN

O sertão virou mar

Sítio Pico Branco, zona rural de Antônio Martins, região Oeste do RN, sexta-feira (03).

Nas últimas 48 horas, a chuva abençoou essa terra com mais de 200 milímetros, e o Riacho do Pico Branco voltou a correr forte, levando suas águas diretamente para o grande Açude do Corredor.

Na “passagem molhada”, no trecho que liga a comunidade do Pico à comunidade Maniçoba, a força das águas revela a grandiosidade desse presente divino.

É Deus derramando chuva sobre o sertão e, com ela, renovando a esperança no coração de todos nós, nordestinos.

03 de abril de 2026.

Texto e 🎥 de @drcesaramorim_

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sexta-feira - 03/04/2026 - 04:44h
É água!

Reservatório na região Oeste do RN sangra nessa quinta-feira

Notícia boa da página @riachodacruzrn: açude do município de Riacho da Cruz começou a sangrar nessa quinta-feira (2º).

O açude público de Riacho da Cruz (também conhecido como Açude Riacho da Cruz II), no Oeste do Rio Grande do Norte, tem capacidade de armazenamento de 9,6 milhões de metros cúbicos de água.

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quinta-feira - 02/04/2026 - 23:38h

Pensando bem…

“Aqueles que dizem que algo não pode ser feito deveriam sair do caminho daqueles que estão fazendo.”

Joel Arthur Barker

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