domingo - 12/04/2026 - 17:38h
Duplicação da BR-3034

Rodovia é interditada para explosão de rochas

A BR-304 no trecho Mossoró-Assú, em obras de duplicação desde janeiro deste ano, sofreu interdição neste domingo (12). À altura do quilômetro 99 houve explosão – com pleno êxito – de um bloco de rochas para sequência dos serviços.

Responsável pelo trabalho, a Construtora Luiz Costa (CLC) teve suporte da Polícia Rodoviária Federal (PRF/RN) no isolamento do local, o que causou engarrafamento.

O prazo total para conclusão das obras é de 36 meses. Ao final, os usuários terão uma rodovia duplicada, com canteiro central de 7 metros, duas faixas de rolamento de 3,60 metros cada, além de acostamento interno de 1 metro e externo de 2,5 metros.

O “Lote 1B” é empreendimento com 57,6 quilômetros da rodovia entre Mossoró e Assú. O investimento do Governo Federal  é de aproximadamente R$ 370 milhões, através do Novo PAC.

Toda a 304 tem 418 Km, de Natal-RN a Beberibe-CE. Porém, a duplicação no RN tem esse lote e o 2B, com trecho de 38,1 quilômetros entre Macaíba e Riachuelo.

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domingo - 12/04/2026 - 14:22h

Banhos de chuva

Por Odemirton Filho

Ah, você não sabe o quanto é bom esse banho de chuva (Foto ilustrativa)

Ah, você não sabe o quanto é bom esse banho de chuva (Foto ilustrativa)

O menino tomava banho de chuva. Feliz. Dava voltas e mais voltas em derredor da rua Tiradentes e da rua José de Alencar, no centro de Mossoró. Aproveitava as biqueiras dos prédios e das casas. Vez em quando, seu pai e suas irmãs o acompanhavam nesses banhos de alegria.

Às vezes, ao lado de amigos, o menino andava pelas ruas adjacentes, na sua bicicleta Caloi. Ele se arriscava, diga-se, pois os raios rasgavam o céu. No entanto, sabe-se que quando somos crianças o medo não faz parte do dia a dia, porquanto o desejo de se aventurar sempre fala mais alto.

É certo que a infância deixa um legado de bons momentos. O menino sente saudades dumas coisas. O banho de chuva é uma delas. Por quê? Porque a água que caia do céu era sinônimo de alegria. Naqueles anos do início da década de oitenta, o menino sonhava, brincava, sorria, e também chorava.

Em 1985 o rio Mossoró transbordou. Foi um inverno inclemente; uma enchente daquelas. As ruas do centro da cidade ficaram alagadas, e o comércio cerrou as portas. O menino estava lá, andando pelas ruas, com as águas batendo em sua cintura.

Muito jovem, ele começou a ajudar na padaria de seu pai em pequenas tarefas, condizentes com a idade, a exemplo de encher os pacotes com bolachas sete capas. Decerto, essa pequena labuta contribuiu sobremaneira para moldar o caráter do homem que enfrentou, e enfrenta, desafios.

Como toda criança, o menino cultivava sonhos. Quando se é jovem, na maioria das vezes não se sabe qual o rumo seguir. É preciso que os pais ou o responsável pela educação, mostre-lhe o caminho. Nem todos, infelizmente, podem contar uma história feliz sobre a sua infância.

E aí, com o passar do tempo, seguimos outros rumos. Encontramos pedras na estrada, dificuldades que embaçam a visão sobre o mundo. A vida, como sabemos, não é linear, já que existem sinuosas curvas no decorrer de nossa existência.

Entretanto, quando volvemos os olhos para a nossa infância, e lá tínhamos o mínimo de amor e de alegria, tem-se a certeza que, apesar de curta, a infância ocupa um pedaço no coração de cada um.

O menino, hoje adulto, aqui e acolá abre um tímido sorriso quando vê a chuva caindo, pois lembra daqueles banhos de chuva, quando, todo molhado, saboreava as bolachas sete capas da padaria de seu pai.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 12/04/2026 - 12:36h

Um bairro chamado Lagoa do Mato

Por Antônio Francisco

Poeta Antônio Francisco em arte produzida com recursos de IA e com foto de Wilson Moreno para o BCS

Poeta Antônio Francisco em arte produzida com recursos de IA e foto de Wilson Moreno para o BCS

Nasci numa casa de frente pra linha,
Num bairro chamado Lagoa do Mato.
Cresci vendo a garça, a marreca e o pato,
Brincando por trás da nossa cozinha.
A tarde chamava o vento que vinha
Das bandas da praia pra nos abanar.
Titia gritava: está pronto o jantar!
O Sol se deitava, a Lua saía,
O trem apitava, a máquina gemia,
Soltando faísca de fogo no ar.

O galo cantava, peru respondia,
Carão dava um grito quebrando aruá,
A cobra piava caçando preá,
Cantava em dueto o sapo e a jia,
Aguapé se deitava e depois se abria,
Soltava seu cheiro nos braços do ar
O vento trazia pro nosso pomar,
Vovô se sentava no meio da gente
Contando história de cabra valente
Ouvindo lá fora o vento cantar.
Mas hoje nosso bairro está diferente.

Calou-se o carão que cantava na croa,
A boca do tempo comeu a lagoa
E com ela se foi o sossego da gente.
O vento que sopra agora é mais quente
E sem energia não sabe soprar.

A máquina do trem deixou de passar,
Ninguém olha mais pros raios da Lua
Que vivem perdidos no meio da rua
Por trás dos neóns sem poder brilhar.

Perdeu-se traíra debaixo do barro,
O sapo e a jia também foram embora.
Aguapé criou pé, deu no pé e agora?
Só rosas de plástico tristonhas num jarro,
Fumaça de lixo, descarga de carro,
Suor de esgoto pra gente cheirar,
Telefone gritando pra gente pagar,
Um louco na rua rasgando uma moto,
Um besta na porta pedindo o meu voto
E outro lá fora querendo comprar.

Um carro de som fanhoso bodeja:
Tem água de coco, tem caldo de cana,
Cocada de leite, gelé de banana,
Remédio pra caspa, tem copo, bandeja.
Uns quatro vizinhos brincando de igreja
Vão pra calçada depois do jantar.
O mais exaltado começa a pregar:
Jesus é fiel, castiga, mas ama!
E eu sem dormir rolando na cama
Pedindo a Jesus pro culto acabar.

E pegue zoada por trás do quintal:
Salada, paul, pomada, paçoca,
Pamonha, canjica, beju, tapioca,
A do Zé tem mais coco, a do Pepe é legal!
Dez bola, dez bola, só custa um real!
Mas traga a vasilha pra não derramar!

Apuveite! Apuveite!
Que vai se acabar!
E alguém grita: gol!
Minha casa estremece
E eu digo baixinho: meu Deus se eu pudesse
Armar minha rede no fundo do mar!

Antônio Francisco Teixeira de Melo é poeta e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC)

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Categoria(s): Poesia
domingo - 12/04/2026 - 12:08h

Carmina Burana

Por Bruno Ernesto

Exposição “Reflexões, conexões e afetividade”, de Flávio Cerqueira, CCBBRJ (Foto de autoria de Bruno Ernesto, 01/2026)

Exposição “Reflexões, conexões e afetividade”, de Flávio Cerqueira, CCBBRJ (Foto de autoria de Bruno Ernesto, 01/2026)

Por acaso, você brinca com a sorte? De quem?

De tempo em tempo, algum evento histórico parece surgir como algo original, sem precedentes.

Todavia, a história tem mostrado de forma clara, que, além da mera repetição, trata-se de uma reiterada e contínua condição que ganha força, recrudescendo a tal ponto, que nem a sorte ajudará.

Por acaso, você sabia que Adolf Hitler, antes de se materializar no que foi, tentou, com grande esforço e dedicação, por duas vezes, ingressar na Academia de Belas Artes de Viena?

Pelas regras da academia, a primeira reprovação ainda lhe possibilitava uma última tentativa.

Seus desenhos foram considerados de baixa qualidade, e a segunda rejeição sepultou seu sonho de ser pintor – um grande pintor, deve ter pensado -, pois em 1907, a regra da Academia era de total impossibilidade de reabilitação do candidato rejeitado.

Daí, seguiu o rumo que seguiu, e aconteceu o que aconteceu.

Quem teve sorte?

Sair antes da chuva, passar o sinal antes de fechar, desligar o leite antes de ferver, jogar no bicho, lembrar do nome do personagem e a senha do cadeado da mala na fila da imigração, talvez não sirva como parâmetro.

Nem mesmo lembrar o nome do seu interlocutor após mais de quarenta minutos de conversa franca – porém tensa, pelo esquecimento -, lhe trará uma boa sensação.

Sorte que é sorte, tanto dá quanto tira. Tanto cura quanto oprime.

Ora é pura, ora é poder. Ora sombria, ora velada.

O que é sorte, afinal?

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 12/04/2026 - 11:38h

O ocaso de uma hegemonia

Por Yan Boechat do Canal Meio para o BCS

Arte ilustrativa do Canal Meio

Arte ilustrativa do Canal Meio

Analogias históricas para explicar o presente raramente são exatas e muitas vezes levam a conclusões, se não equivocadas, ao menos distorcidas pelo calor do momento. Mas com o frágil acordo de cessar-fogo na guerra liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, diplomatas, historiadores e aliados antigos de Washington estão cada vez mais tentados a chegar a uma conclusão desconfortável para o Ocidente: a de que este pode ser o “momento Suez” dos Estados Unidos. Assim como a crise de 1956 sinalizou o declínio terminal do poder global britânico, o conflito de duas semanas contra a República Islâmica deixou a credibilidade americana em frangalhos, a economia mundial duramente impactada, o dólar fragilizado e criou um vácuo de influência que Pequim parece ter preenchido com uma rapidez alarmante.

O que começou como uma demonstração de força para paralisar o programa nuclear de Teerã terminou em um impasse onde o regime dos aiatolás permanece no comando do Estreito de Ormuz e continua capaz de atingir alvos americanos e de seus aliados mais próximos no Oriente Médio, além, claro, de se colocar em uma posição na qual pode ditar os termos para um acordo de paz de longo prazo. Para observadores internacionais, a guerra “está começando a parecer uma derrota militar, mais séria do que o Iraque ou o Afeganistão”, como diz Bruno Maçães, ex-secretário de Estado de Portugal. A crença em uma América todo-poderosa, capaz de garantir o fluxo global de petróleo e resolver qualquer crise, está desaparecendo.

A guerra por opção

O enfraquecimento do Estado americano não é uma questão puramente militar, mas também um declínio de governança e de sua capacidade de projetar poder de forma concreta ou simbólica. O conflito demonstrou, em um único incidente, como Washington é capaz de realizar um julgamento precário do estado de coisas e, consequentemente, agir de maneira errática. Diferentemente de conflitos anteriores, esta foi uma “guerra de escolha”, iniciada sem consultas aos aliados e após uma série de políticas que já haviam gerado profunda desconfiança — desde guerras tarifárias até a bizarra ameaça de tomar a Groenlândia da Dinamarca, uma das fundadoras da OTAN e, até segunda ordem, aliada fiel da política externa americana.

Internamente, o Departamento de Defesa, insistentemente chamado de Departamento da Guerra, sob o comando de Pete Hegseth, injetou uma camada de nacionalismo cristão que muitos especialistas acreditam ter minado a coesão das Forças Armadas e a imagem externa do país. Ao descrever operações militares como “milagres de Páscoa” e invocar uma “guerra santa” contra o Islã, Hegseth transformou o conflito em uma “política do Armagedom”. Analistas como Melissa Deckman, do Public Religion Research Institute, notam que Hegseth usa abertamente uma linguagem sectária que promove a ideia de uma América que deve exercer domínio cristão sobre a sociedade.

Essa retórica alienou aliados muçulmanos críticos ao Irã — como Turquia, Paquistão e Egito —, também serviu como uma “bonança de propaganda” para o recrutamento de grupos terroristas como a al-Qaeda, o Estado Islâmico e reforçou o espírito de Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica iraniana. Além disso, a purga de oficiais que não se alinhavam com a visão de Hegseth, incluindo o primeiro capelão-chefe negro do Exército, Major General William Green Jr., gerou temores de que o Pentágono esteja aplicando um “teste religioso de fato”, violando a Constituição e enfraquecendo a pluralidade necessária para a eficácia militar.

Doeu no bolso

O impacto na economia mundial foi devastador, mas as cicatrizes mais profundas podem estar no sistema financeiro. Durante décadas, a capacidade de Washington de “armar” o dólar e desconectar adversários do sistema Swift foi seu “grande porrete”. No entanto, na guerra do Irã, esse porrete quebrou na mão de quem o empunhava, assim como já havia demonstrado pouca eficácia contra a Rússia. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo mundial, não apenas fez dispararem os preços do produto como forçou o mundo a buscar alternativas ao sistema financeiro americano.

Teerã, já sob sanções extremas, encontrou formas de vender petróleo em renminbi (moeda chinesa) e agora exige que companhias de navegação paguem pedágios em criptomoedas para garantir a passagem de navios. “O sistema de dólar, que por tanto tempo foi fonte de estabilidade global, evoluiu para ser uma fonte de instabilidade à medida que se tornou mais armado”, diz o analista Daniel Davies, da Frontline Analysts em um artigo no jornal inglês Financial Times.

O isolamento econômico do Irã, assim como o da Rússia, falhou em parar sua máquina de guerra, enquanto o custo para os aliados dos EUA foi imenso. Mais grave ainda: a guerra exauriu o arsenal tecnológico americano. A defesa contra mísseis iranianos exigiu que os EUA disparassem, às vezes, 10 ou 11 interceptores para derrubar um único alvo, o que esgotou rapidamente os estoques.

Negócio da China

Ironicamente, a reconstrução desse estoque de armas depende agora da China, que detém um monopólio quase total sobre o processamento de gálio e outros metais de terras raras, como o neodímio, essenciais para mísseis de alta tecnologia. O preço do gálio saltou 32% no último mês, dando a Pequim uma alavancagem sem precedentes sobre a indústria de defesa americana.

Se Washington projetava uma imagem de desordem e beligerância, Pequim emergiu estrategicamente como o agente de estabilidade nesta crise que impactou o mundo como poucas outras na história contemporânea. “Enquanto parecemos enlouquecidos e falamos em bombardear um país até a idade da pedra, a China parece uma pacificadora”, disse ao New York Times Rajan Menon, professor emérito de Ciência Política da City University.

O papel de Pequim na mediação das negociações em Islamabad, no Paquistão, que levaram ao cessar-fogo, solidificou sua imagem como uma potência responsável. Para a China, o conflito foi uma oportunidade de observar como a Marinha dos EUA opera e de consolidar sua influência no Oriente Médio, onde já havia mediado a inesperada aproximação entre a Arábia Saudita e o Irã em 2023. Analistas sugerem que a China não precisou fazer muito esforço; o governo Trump, ao aceitar as exigências iranianas para o cessar-fogo, essencialmente “abriu a porta” para a diplomacia chinesa.

Agora, o presidente chinês Xi Jinping se coloca em uma posição de força superior nas futuras negociações com Washington. A dependência americana de minerais chineses para se rearmar e o papel de Pequim como garantidor do fluxo de energia transformaram a dinâmica de poder. A China não apenas venceu no campo diplomático, mas também garantiu que o mundo visse os Estados Unidos como um parceiro imprevisível e pouco confiável.

Analistas de política externa traçam paralelos sombrios com a Operação Tempestade no Deserto de 1991. Naquela época, os EUA destruíram o exército de Saddam Hussein, mas falharam em alinhar estratégia e política, caindo em uma armadilha de contenção de uma década que exauriu sua legitimidade. Hoje, os EUA enfrentam um risco semelhante: um regime iraniano enfraquecido, mas intacto, capaz de mobilizar a opinião pública global contra um cerco americano visto como irracional e, ao mesmo tempo, incapaz.

Viver com o que se tem

O governo Trump recuou da retórica de derrubada do regime, mas o custo de “apenas conter” o Irã será uma presença militar permanente e confrontos repetidos que prejudicam a economia internacional. Para evitar o desastre, especialistas sugerem que Washington deve fazer o que os líderes não fizeram nos anos 1990: aprender a viver com o regime existente, por mais desagradável que seja, e oferecer um caminho para a normalização econômica em troca de conformidade nuclear.

No entanto, a imprevisibilidade de Trump e a influência de falcões messiânicos como Hegseth tornam essa transição diplomática incerta. O fracasso em negociar uma saída diplomática clara deixará os EUA mais isolados do que nunca, especialmente em uma era em que não são mais a única superpotência.

Para o Partido Republicano, o custo da aventura iraniana pode ser o fim do controle do Congresso americano. Apesar das declarações de vitória da Casa Branca, estrategistas operam sob um clima de pânico. O aumento no custo de vida, impulsionado por preços de gasolina acima de US$ 4 por galão (3,8 litros), tornou-se o tema central da campanha, eclipsando qualquer outra mensagem econômica. “Esta guerra no Irã quase cimenta o fato de que perderemos as eleições de meio termo em novembro — o Senado e a Câmara”, admitiu um deputado republicano próximo à Casa Branca ao site Politico.

O sentimento de que o tempo está contra o presidente é reforçado por dados eleitorais recentes: na Geórgia e em Wisconsin, democratas superaram as expectativas em distritos historicamente republicanos, capitalizando sobre a ansiedade dos eleitores com a inflação e a instabilidade.

Com a aprovação de Trump estagnada em 39%, o eleitor médio está focado no próprio bolso. Para muitos americanos, a guerra no Irã não foi um milagre espiritual ou uma vitória estratégica, mas um erro caro que tornou a vida mais difícil. Estrategistas republicanos temem que, se a tendência continuar, novembro será um “banho de sangue” nas urnas.

A guerra do Irã pode ser lembrada como o momento em que a clareza moral e a superioridade militar dos Estados Unidos foram substituídas por uma política de fragmentação e dependência. Ao tratar aliados como inimigos e permitir que a retórica religiosa dominasse a estratégia militar, Washington destruiu a legitimidade de seu próprio poder. Enquanto os Estados Unidos tentam se rearmar com minerais comprados de Pequim e o dólar luta para manter sua relevância frente a moedas digitais e alternativas chinesas, o mundo já busca portos seguros preferíveis à influência americana.

O desafio de Trump agora não é apenas militar, mas a aceitação dolorosa de que a era da hegemonia incontestada terminou no Golfo Pérsico. Para sobreviver, Washington precisará aprender a arte da diplomacia em um mundo onde não pode mais simplesmente dar as ordens.

Yan Boechat é jornalista

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domingo - 12/04/2026 - 10:40h

Subliminar – como o inconsciente influencia nossas vidas

Por Honório de Medeiros

Stephen Hawking e Leonard Mlodinow: parcerias (Reprodução)

Stephen Hawking e Leonard Mlodinow: parcerias (Reprodução)

Aos meus alunos da disciplina Filosofia do Direito, vez por outra eu propunha o seguinte problema:

“Façam de conta que vocês são chefes de uma estação de trens, responsáveis, entre outras coisas, pela direção que as locomotivas devem tomar em seus percursos diários.

Um dia, durante o expediente, vocês recebem um comunicado urgente lhes informando que uma das locomotivas que passam em sua estação está completamente desgovernada e em alta velocidade.

Em sua estação vocês têm a possibilidade de conduzir a locomotiva, apertando os botões A ou B, por duas diferentes opções.

Seu tempo para decidirem é extremamente curto. Algo como segundos.

Vocês sabem que na linha A trinta homens estão trabalhando na manutenção. E sabem que na linha B cinco homens lá trabalham fazendo o mesmo.

Qual a decisão de vocês?”

Em todos os anos de ensino, a resposta foi sempre a mesma: todos optaram por apertar o botão B.

Ao lhes indagar por que faziam assim, respondiam-me que lhes parecia certo submeter a linha na qual estavam menos homens à possibilidade do choque.

Então eu lhes perguntava: “e se, na linha B, estava um engenheiro de manutenção, que por coincidência, era pai de vocês e um irmão, seu auxiliar”?

Seguia-se um silêncio embaraçoso. A grande maioria se recusava a responder a questão. Um ou outro, muito pouco, tendia para um lado ou para o outro.

Questões como essas começam a ser esmiuçadas pela psicologia social, um ramo que em muito deve seus avanços à combinação de duas vertentes poderosas: a teoria da seleção natural de Darwin, e o afã em larga escala, tipicamente americano, de realizar pesquisas de campo.

É nesse nicho que transita Leonard Mlodinow, festejado autor de O Andar do Bêbado, em seu novo livro denominado Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas.

Mlodinow é doutor em física e ensina no famoso Instituto de Física da Califórnia. Mais que isso, ele é coautor, junto com Stephen Hawking – sim, isso mesmo – de alguns livros de inegável sucesso tanto de público quanto de crítica.

Em Subliminar” Mlodinow, fundamentado em vasta pesquisa, apresenta hipóteses instigantes, como essa que eu transcrevo abaixo:

“Como enuncia o psicólogo Johathan Haidt, há duas maneiras de chegar à verdade: a maneira do cientista e a do advogado. Os cientistas reúnem evidências, buscam regularidades, formam teorias que expliquem suas observações e as verificam. Os advogados partem de uma conclusão (com) a qual querem convencer os outros, e depois buscam evidências que a apoiem, ao mesmo tempo em que tentam desacreditar as evidências em desacordo. Acreditar no que você quer que seja verdade e depois procurar provas para justifica-la não parece ser a melhor abordagem para as decisões do dia a dia. (…) Podemos dizer que o cérebro é um bom cientista, mas é um advogado absolutamente brilhante. O resultado é que, na batalha para moldar uma visão coerente e convincente de nós mesmos e do resto do mundo, é o advogado apaixonado que costuma vencer o verdadeiro buscador da verdade”.

Muito embora o autor refira-se a advogados, claro que ele alude a todos quanto lidam com a tarefa de produzir, interpretar e aplicar a norma jurídica.

Em assim sendo faz sentido acreditar, como muitos acreditam, que os juízes, por exemplo, primeiro constroem um ponto de partida extrajurídico (sua visão do mundo, seus valores, seus interesses pessoais, etc.) e, somente depois, buscam evidências que apoiem suas futuras decisões.

A Retórica é exatamente isso..

A hipótese, a partir da qual os operadores do Direito constroem esse ponto de partida, pode ser lida em um dos mais instigantes capítulos da obra de Mlodinow: “In-groups and out-groups”. Nesse capítulo o autor chama a atenção para um fenômeno que, hoje, é fato científico: a tendência que temos de favorecer “os nossos”:

“Os cientistas chamam qualquer grupo de que as pessoas se sentem parte de um ‘in-group’, e qualquer grupo que as exclui de ‘out-group’. (…) É uma diferença importante, porque pensamos de forma diversa sobre membros de grupos de que somos parte e de grupos dos quais não participamos; como veremos, também veremos comportamentos diferentes em relação a eles.

Quando pensamos em nós mesmos como pertencentes a um clube de campo exclusivo, ocupando um cargo executivo, ou inseridos numa classe de usuários de computadores, os pontos de vista de outros no grupo infiltram-se nos nossos pensamentos e dão cores à maneira como percebemos o mundo.

Podemos não gostar muito das pessoas de uma maneira geral, mas nosso ser subliminar tende a gostar mais dos nossos companheiros do nosso ‘in-group’”.

Essa constatação – de que gostamos mais de pessoas apenas por estarmos associados a elas de alguma forma – tem um corolário natural: também tendemos a favorecer membros do nosso grupo nos relacionamentos sociais e nos negócios.

Ou seja, como diz o senso comum: para os amigos tudo; para os indiferentes, a lei; para os inimigos, nada…

Se assim o é, e a ciência vem mostrando que sim, um dos corolários da obra de Mlodinow é pelo menos intrigante, e dá razão ao que dizem, desde há muito, os anarquistas e marxistas: a “visão de classe” contamina as decisões do aparelho judiciário. Não somente do aparelho judiciário. Contamina a produção, interpretação e aplicação da norma jurídica.

Isso quanto aos marxistas e anarquistas. Quanto aos darwinistas, nem se discute mais o assunto. Para quem não é anarquista ou marxista, basta Gaetano Mosca, que também aborda, brilhantemente, essa perspectiva, quando trata da “classe política dirigente”.

E quanto ao mundo jurídico? Neste caso, ainda está muito atrasada a discussão. Ainda há “juristas” que crêem ser o Direito uma ciência…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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domingo - 12/04/2026 - 09:50h

Depois da despedida – os caminhos do luto no câncer infantojuvenil

Por Keillha Israely

Arte ilustrativa envido pela própria autora do texto

Arte ilustrativa envido pela própria autora do texto

A única certeza que temos nessa vida é a de que um dia iremos morrer. Porém, a morte é algo tão ruim e temido que se torna difícil discorrer sobre ela. Sem falar nas perdas, todos nós tememos perder alguém que amamos, e em qualquer profissão ou espaço de atuação, é desafiador lidar com a morte, as perdas e despedidas, pois, não estamos preparados para enfrentá-las.

O câncer carrega significados pesados, e muitas vezes, está arraigado ao diagnóstico a sua relação com a morte. Entretanto, sabemos que ao longo do tempo e com o avanço da medicina e diagnóstico precoce, os índices de cura têm crescido. Porém, ainda hoje lidamos com muitos pacientes que chegam com diagnóstico tardio, avanço da doença, e as perdas são grandes, o número de óbitos é bem considerável, e não são apenas números, são vidas, pessoas queridas, amadas.

Durante atuação como assistente social na Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, tive e tenho sempre que aprender a lidar com as perdas, e não é algo fácil. Na nossa convivência cotidiana nos tornamos próximos, com preocupações, e também carinho. É como se nos tornássemos uma grande família.

Lidar com a morte, com o luto, requer do profissional uma espécie de controle que é difícil de explicar, pois nós sentimos, mas naquele momento é necessário que a intervenção profissional seja realizada da melhor forma possível. Isso, por mais simples que seja: no contato telefônico com a família, na articulação com o município para conseguir o benefício eventual de auxílio funeral, quando a família não possui condições financeiras de arcar com os custos do funeral, até no abraço, ou no silêncio que acolhe, quando já está tudo organizado para despedida.

O suporte social é fundamental antes, durante e após o tratamento, e o acompanhamento no luto é importante, pois o paciente partiu, mas deixou a família, que adoece e sofre junto. Essa necessita de apoio não só do assistente social, mas também do psicólogo e dos demais profissionais de apoio. Retomar a vida sem um filho ou qualquer ente querido não é fácil, considerando que muitos pais e acompanhantes pararam suas vidas por um determinado tempo para se dedicarem ao cuidado. E muitos relatam a dificuldade em retomar atividades antes realizadas, o retorno ao trabalho, ao cotidiano familiar.

É necessário um suporte e acolhimento para família, assim como, para nós profissionais, pois, também precisamos aprender a lidar com a morte, e com esse luto que é compartilhado.

Keillha Israely – Assistente Social na Casa Durval Paiva

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domingo - 12/04/2026 - 08:16h
Inverno 2026

Gigante hídrico está a 14 centímetros de nova sangria

Numa linguagem bem coloquial, vamos de notícia só da boa. Nosso vizinho Ceará espera com ansiedade que o Açude Orós, o segundo maior reservatório de água do estado, atinja sangria logo em breve. Faltam apenas 14 centímetros para transbordar.

O Açude Orós, em Orós, localizado no centro-sul do Ceará, é o segundo maior reservatório do estado, com capacidade de 2,1 bilhões de metros cúbicos. Inaugurado em 1961, é fundamental para o abastecimento e segurança hídrica da região, recebendo grandes aportes com chuvas. A barragem, no rio Jaguaribe, é também um ponto de turismo.

A última sangria oficial do Açude Orós, o segundo maior do Ceará, ocorreu em 26 de abril de 2025. O reservatório atingiu 100% de sua capacidade, momento histórico no estado.

Apenas o açude Castanhão o supera em capacidade hídrica É o maior reservatório público de usos múltiplos do Brasil, com capacidade para 6,7 bilhões de metros cúbicos de água. Concluído em 2002, o gigante hídrico, que acumula 36% da água do estado, inundou a antiga cidade de Jaguaribara, forçando a transferência de sua população.

Imagem – @drone_do_sertão

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domingo - 12/04/2026 - 07:30h

Civilização e livros

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Retornando recentemente de férias (inclusive no que diz respeito às nossas crônicas semanais), a minha intenção era hoje escrever suavemente sobre as paragens por onde andei nesse período “sabático”. Marrocos e Portugal, para ser mais preciso. E misturando a coisa com um quê de literatura e cinema, como de praxe.

Todavia, nestes últimos duros dias, não se fala de outra coisa senão da guerra pelas bandas do Oriente Médio – no Irã/Pérsia, no respectivo Golfo e seus múltiplos países, na Palestina/Israel, no Levante/Líbano e por aí vai – e de suas consequências políticas e econômicas globais. Muita destruição e morte. Houve até quem prometesse acabar, da noite para o dia, suponho que com bombas – quiçá radioativas, estúpidas e inválidas –, uma civilização inteira. Milênios de história da Pérsia – e vidas, não esqueçamos – eliminados por um ato unilateral de vontade. Desnecessário comentar a barbárie da coisa. Ela é estupidamente eloquente. Coisa do Coisa Ruim, diriam os mais espiritualizados.

Naquelas bandas, no Golfo Pérsico, já pus os meus pés (o tal “boots on the ground”, embora pacificamente) nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar, por um punhado de dias, de passagem para a Índia (sonhando ser um E. M. Forster?) e para o Japão. Mas nunca estive no Irã. Nem sei se, em meio a esses radicalismos e essas estúpidas guerras, um dia terei oportunidade de lá ir.

Da grande Pérsia, da sua história, da sua civilização e das civilizações que ao derredor deixaram suas marcas (Babilônia, Báctria e por aí vai), o que aprendi, ou por onde “viajei”, o fiz sobretudo através dos livros. E, desses livros, um deles tem lugar especial na minha alma literária (um dos meus top 5, como já disse em outras oportunidades): “Creation” (1981), de Gore Vidal (1925-2012), que, para escrever esta crônica, tenho em mãos em duas edições, uma em inglês (Abacus, 2008) e outra no nosso bom português (“Criação”, Nova Fronteira, 1984).

Nessa obra-prima, Cyrus Spitama, a personagem principal, grego e persa ao mesmo tempo, é neto do profeta Zoroastro/Zaratustra (fundador do Zoroastrismo, uma das religiões monoteístas mais antigas do mundo, originária da antiga Pérsia). Representação perfeita do “homem viajado”, ao derredor do século V antes de Cristo, foi embaixador persa perante a Índia, a China e a Grécia de então. Através de Cyrus Spitama, somos apresentados a Cyro (o Grande), a Cambisses, a Dario (o Grande) e a Xerxes, os grandes (e haja grandes nisso) governantes persas da dinastia dos Aquemênidas.

Cyrus Spitama é um homem que, através de pequenos ajustes de datas confessados por Vidal (uma mentirinha branca, a favor do nosso deleite), topa, em direção ao Ocidente, com os gregos Péricles, Pitágoras, Demócrito, Tucídides e Heródoto, entre outros luminares que aquela civilização produziu.

Vai à China, de mestres do Taoísmo e de Confúcio, no Oriente mais distante. No meio do caminho, ele passeia pela Índia de Sidarta Gautama (o Buda), de Mahavira (fundador do Jainismo) e de seu discípulo/rival Gosala, com suas filosofias e teologias tão misteriosas para nós “ocidentais”. Uma vida entre reis, pensadores, profetas e magos, de encontros e desencontros, um romance que é, antes de tudo, uma aula de história, geografia, filosofia, religião e política.

O nosso Paulo Francis – e que saudades do “Manhattan Connection” de outrora –, polemista dos bons, em crônica intitulada “A criação de Gore Vidal”, republicada no seu livro “Diário da Corte” (Três Estrelas, 2012), afirma, entre outras diatribes, que “Creation”, retratando o apogeu do grande Império Persa, “sugere que o humanismo já disse tudo o que tinha a declarar em 500 a.C.”. Não sei se é bem assim. Mas, definitivamente, não quero que a “antirrosa atômica” transforme a civilização persa, ou qualquer outra civilização, em algo “sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada”.

No mais, que Jeová, Alá, Zoroastro ou mesmo o Coisa Ruim sempre nos permita conhecer das coisas e viajar através dos livros.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
domingo - 12/04/2026 - 06:26h

O velório de Epifânia

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com uso de IA para o BCS

Arte ilustrativa com uso de IA para o BCS

Suponho que não tivesse quarenta anos. Ou um pouco mais. Todavia, em razão de um mal súbito, morreu no fim da tarde de ontem enquanto realizava uma faxina na casa da senhora Raimunda, sua vizinha aqui no Conjunto Walfredo Gurgel, precisamente à Rua Euclides Deocleciano, número 37. A trabalhadora Epifânia Santos, eis o nome da falecida, costumava dizer a alguns vizinhos próximos, com os quais tinha bom relacionamento e batia papo, que ela não era nada mais do que uma peniqueira.

Essas conversas descontraídas e bem-humoradas ocorriam na calçada desse nosso grupo que denominei de Fofoca News. A gente se reúne ali (do final da tarde até certo horário da noite) na junção das calçadas da faladeirazinha Rucilene Pinheiro e Maria Sayonara. Para ser justo, Sayonara não dá palpite na vida de ninguém. Com as cadeiras nesse ponto, então, falamos um bocado do varejo urbano, sobre Deus e o mundo. Tudo isso, que fique bem claro, de forma saudável, sem qualquer maldade.

Às vezes, fazendo pouco-caso da própria condição econômica, Epifânia dizia coisas desse tipo sobre si mesma: “Eu só sei fazer faxina e não tenho nem onde cair morta.” Mas caiu, entretanto, justo na residência da senhora Raimunda. Foi um alvoroço medonho. O Samu veio sem demora, contudo só fez confirmar o óbito de Epifânia. Era muito espirituosa e não tinha cabresto na língua. Dizia o que lhe dava na telha, zombando das próprias dificuldades financeiras em certas ocasiões. Uma noite, com seu jeito desbragado e brincalhão, falou o seguinte às amigas: “Ei, bichinha, a minha vida não é fácil, não. É um bêbado chamando na porta, uma velha gemendo e um cachorro perebento de um lado para o outro. Sem falar na ruma de gatos”.

Epifânia se referia a um irmão alcoólatra, à mãe que se queixa de fortes dores de coluna e ao manso cachorro Favelinha, que possuía um câncer metastático e findou sacrificado. Afora Favelinha, ela cuidava de uns vinte gatos. Vivia pelejando com os felinos para que nenhum ficasse atravessando a rua, com receio de que fosse atropelado. Estive no velório de Epifânia, que ocorreu em sua modesta residência. Com o caixão no meio da sala, o corpo era velado por familiares, entre os quais o irmão embriagado, que volta e meia discursava. Não faltou, obviamente, a presença dos bichanos, cuja quantidade era realmente em torno de vinte indivíduos. Nessa manhã, mais ou menos umas onze horas, estava presente, em meio a pessoas que não conheço, toda a representação do Fofoca News: Cilene Freitas, Maria dos Navegantes, o esposo Magno, a senhora Raimunda, Sayonara, Rucilene e o marido, o motorista Francisco Erinaldo. Um grupo de mulheres, cada uma com um rosário, puxava uma ladainha meio enfadonha. A reza era entrecortada pelo irmão bêbado da defunta. Uma parte dos gatos se posicionou embaixo do caixão; outros cruzavam a sala a todo momento.

Além da mãe, daquele monte de gatos e do irmão cachaceiro, a benquista Epifânia deixou um único filho, um rapazinho na faixa dos quinze anos. Fará muita falta a todos. Também devo dizer que o súbito passamento dela representa um enorme desfalque no nosso time do Fofoca News. Que Deus a receba em Seu reino celestial. Era uma criatura de bom coração. Pelo aspecto tristonho, pareceu-me que aqueles felinos tinham ciência de que perderam a sua amorosa cuidadora.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sábado - 11/04/2026 - 23:44h

Pensando bem…

“A escuridão não pode expulsar a escuridão: só a luz pode fazer isso.”

Martin Luther King Jr.

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sábado - 11/04/2026 - 15:28h
É água!

Um Encanto a mais nesse inverno

O Açude Público do Município de Encanto RN começa a jorrar água por cima do sangradouro hoje, sábado, dia 11 de abril de 2026.

Uma benção.

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sábado - 11/04/2026 - 15:20h
Chuvas

Justiça do Trabalho suspende prazos até terça-feira em Mossoró

Chuvas comprometeram funcionamento seguro do fórum (Foto: TRT21)

Chuvas comprometeram funcionamento seguro do fórum (Foto: TRT21)

Devido às fortes chuvas que atingiram a cidade de Mossoró desde quinta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) suspendeu os prazos processuais, o atendimento ao público e o expediente presencial no Fórum Trabalhista local.

A medida, estabelecida pelo Ato Conjunto TRT21-GP/CR n° 009/2026, foi motivada por problemas na estrutura do prédio, causados pelas intensas chuvas.

Segundo o documento, as chuvas provocaram diversos vazamentos, levando a equipe de engenharia do Tribunal a recomendar o desligamento da energia elétrica para garantir a segurança. A previsão é que os reparos e o restabelecimento da energia elétrica sejam concluídos até
terça-feira, 14 de abril de 2026.

Atendimento Remoto

Durante o período de suspensão, que começou nessa sexta-feira (10), alcançando 13 e 14 de abril, o atendimento ao público será realizado exclusivamente por meio dos canais virtuais de cada unidade, como balcão virtual, WhatsApp e e-mail. O expediente interno será cumprido em regime de teletrabalho.

Audiências Telepresenciais

O Ato Conjunto também autoriza a realização de audiências telepresenciais nos dias 13 e 14 de abril, a critério dos juízes e juízas.

A medida visa garantir a segurança de todos e a continuidade dos serviços, mesmo diante dos transtornos causados pelas chuvas.

Acesse o Balcão Virtual das Varas, disponível no portal ou entre em contato pelo Whatsapp:

1ª Vara – (84) 3422-3604

2ª Vara – (84) 99838-0288

3ª Vara – (84) 3422-3630

4ª Vara – (84) 3422-3601

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sábado - 11/04/2026 - 03:50h
Manifestação

Aprovados em concurso cobram nomeação à Polícia Civil do RN

Decisão foi da 6ª Vara de Natal (Foto ilustrativa/Sesed-RN)

Governo do Estado causa enorme prejuízo a 185 pessoas que completaram estágios de formação (Foto ilustrativa/Sesed-RN/Arquivo)

Concursados da Polícia Civil do RN denunciam descumprimento de decisão judicial e cobram nomeação imediata. São 185 concursados que estão sendo prejudicados pelo Governo do Estado e cobram providências. Veja abaixo Nota enviada ao BCS pela “COMISSÃO DE FORMADOS DA TERCEIRA TURMA DA POLÍCIA CIVIL DO RIO GRANDE DO NORTE”:

Os candidatos aprovados e formados no concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte vêm a público manifestar preocupação e indignação diante da ausência de nomeação de parte significativa dos profissionais que concluíram o Curso de Formação Profissional, realizado entre 20 de outubro de 2025 e 09 de fevereiro de 2026.

Após quase quatro meses de treinamento intensivo, os concursados, confiando no compromisso do Governo do Estado, abriram mão de empregos, residências e do convívio familiar para se dedicarem integralmente à formação exigida para o exercício da função policial. No entanto, até o momento, 185 profissionais permanecem sem nomeação e sem qualquer perspectiva concreta de convocação.

A situação se agrava diante da existência de decisão judicial no âmbito de Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, que determina a nomeação de todos os candidatos que concluíram o curso de formação. A mesma decisão também estabelece a realização de nova turma do curso em até 90 dias e a promoção de novo concurso público até 2027, com o objetivo de suprir o déficit histórico de efetivo da instituição.

Recentemente, o Governo do Estado realizou a nomeação de apenas 178 candidatos, número insuficiente e que corresponde a meras substituições decorrentes de aposentadorias, exonerações e óbitos, sem representar qualquer ampliação do efetivo policial.

Atualmente, a Polícia Civil do RN enfrenta um déficit superior a 3.000 cargos vagos. Mesmo com a nomeação de todos os 363 profissionais formados, o percentual mínimo previsto em lei para ocupação dos cargos ainda não seria atingido.

Além do impacto direto na segurança pública, a não nomeação representa desperdício de recursos públicos. O curso de formação teve custo aproximado de R$ 2,5 milhões aos cofres estaduais, investimento que perde efetividade sem a devida incorporação desses profissionais ao quadro da instituição.

A Polícia Civil exerce papel essencial no combate à criminalidade, sendo responsável pela investigação e produção de provas que subsidiam a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário. O não aproveitamento dos profissionais já qualificados compromete a eficiência do sistema de justiça e a segurança da população.

Diante desse cenário, os concursados reafirmam seu compromisso com a sociedade potiguar e cobram do Governo do Estado o cumprimento da decisão judicial e a imediata nomeação de todos os profissionais formados.

Comissão dos Classificados do Concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte – Turma 3 PCRN

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sábado - 11/04/2026 - 02:50h
Mossoró

Catedral tem modificação na programação de missas dominicais

Fiéis solicitaram ajuste de horário e foram atendidos (Foto: Arquivo)

Fiéis solicitaram ajuste de horário e foram atendidos (Foto: Arquivo)

A Paróquia de Santa Luzia, em Mossoró (RN), comunica à comunidade de fiéis e à sociedade em geral a ampliação dos horários de celebrações dominicais na Catedral de Santa Luzia.

Atendendo à significativa participação dos fiéis durante a Semana Santa, especialmente na celebração das 17h, o pároco, Padre Antoniel Alves, decidiu manter este horário de forma permanente, oferecendo mais uma oportunidade para a vivência da fé e da comunhão eclesial.

A partir deste domingo, 12 de abril, a Catedral passa a contar com os seguintes horários de Missa aos domingos: 6h, 9h, 11h, 17h e 19h.

Nas comunidades, permanecem os horários já estabelecidos: na Capela de São Vicente, às 7h, e na Capela da Ilha de Santa Luzia, às 17h.

A iniciativa busca favorecer a participação dos fiéis, oferecendo maior flexibilidade e acolhimento a todos que desejam vivenciar o momento de fé.

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sábado - 11/04/2026 - 01:26h
Mossoró

Justiça rejeita tentativa de paralisação de obra da Arena Nogueirão

Arena Nogueirão terá edificação tocada por grupo empresarial local (Arte: Reprodução)

Arena Nogueirão terá edificação tocada por grupo empresarial local (Arte: Reprodução)

Do TCM Notícia

Nesta sexta-feira (10), o juiz Pedro Cordeiro Júnior, da Vara da Fazenda Pública de Mossoró, negou a concessão do pedido de tutela de urgência, impetrado pela Liga Desportiva Mossoroense (LDM), para a suspensão das obras de construção da Arena Nogueirão, em Mossoró.

Logo após a formalização da Parceria Público-Privada (PPP) entre a Prefeitura de Mossoró e a Nacional Construtora, a LDM entrou com novo pedido de liminar no processo que pede a reversão do terreno onde foi construído o Nogueirão. O caso tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Mossoró desde 2024 e tem como réus o 6º Ofício de Notas e a Prefeitura de Mossoró.

Na nova decisão, o magistrado afirmou que o início das obras não altera substancialmente o cenário jurídico, não sendo suficiente para caracterizar perigo de dano à LDM. Segundo o juiz, a paralisação das obras em curso implicaria prejuízos relevantes e de difícil reparação ao ente público e aos particulares envolvidos.

Na decisão, Pedro Cordeiro também destaca que a interrupção do empreendimento comprometeria a implementação de política pública voltada à reestruturação de importante equipamento urbano.

Por fim, o juiz acrescenta que a concessão da tutela implicaria risco maior à coletividade, configurando hipótese típica de incidência do perigo de dano inverso.

Em entrevista ao programa TCM Comunidade, nesta sexta-feira (10), o procurador-geral do Município, Tales Belém, destacou a decisão favorável e ressaltou que, em nenhum momento, as obras haviam sido interrompidas.

Nota

Por meio de nota enviada ao Jornalismo TCM, a Nacional Construtora, responsável pela realização das obras, também se manifestou sobre a decisão.

A Nacional Incorporadora e construtora Ltda vem a público manifestar-se acerca da recente decisão judicial que indeferiu o pedido formulado pela LDM (Liga Desportiva Mossoroense) de suspensão das obras do Arena Nogueirão.

A empresa recebe a decisão com serenidade e respeito, reafirmando sua confiança nas instituições e no devido processo legal. O entendimento da Justiça confirma a regularidade das ações adotadas até o presente momento, bem como o cumprimento rigoroso das normas legais, técnicas e administrativas aplicáveis ao empreendimento.

Desde o início, a Nacional Incorporadora e construtora Ltda tem conduzido suas atividades com responsabilidade, transparência e compromisso com o desenvolvimento urbano e social, prezando pela legalidade e pelo interesse público.

Reiteramos que as obras do Arena Nogueirão seguem em conformidade com as exigências dos órgãos competentes, mantendo o cronograma previsto e observando todos os parâmetros de segurança e qualidade.

A empresa permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais, reforçando seu compromisso com a sociedade e com a correta execução do projeto.

Mossoró 10 abril de 2026

Nacional Construtora e Incorporadora Ltda.

Nota do BCS – Torcer agora que os falsos desportistas, as cassandras e políticos que adotaram o estelionato político-eleitoral, via esporte, não interfiram mais uma vez.

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sexta-feira - 10/04/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia.”

Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

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sexta-feira - 10/04/2026 - 12:36h
Pesquisa e gente

“O que diz a rua”?, uma lição de doutor Tarcísio de Vasconcelos Maia

Tarcísio Maia não abria mão de pesquisas, mas sabia ouvir a voz das ruas (Fotomontagem FJA)

Tarcísio Maia não abria mão de pesquisas, mas sabia ouvir a voz das ruas (Fotomontagem FJA)

O ano? Não lembro. Era comecinho da década de 90, redação do jornal Gazeta do Oeste. Ao lado do repórter político Gutemberg Moura e do repórter fotográfico Raimundo Nunes, desabei para a Fazenda São João, coisa aí de uns seis quilômetros – a partir do Centro de Mossoró, às margens da RN-015, rodovia até Baraúna.

Missão: fazermos uma entrevista à estreia da série que criei na Editoria Geral do periódico, denominada de “Conversando com…”. Teríamos bate-papo “pingue-pongue” (perguntas e respostas diretas), para publicação em página inteira no domingo. À nossa espera, o ex-governador Tarcísio de Vasconcelos Maia.

Chinelos de couro, cadeira de balanço, pernas cruzadas, sem nenhuma alteração de voz, com a mesma modulação, ele premiou-nos com uma conversa que fez o Gazeta do Oeste pipocar no interesse do leitor. Gutemberg Moura, assim recordamos há pouco, também não esquece a mesa pro almoço com carneiro e tudo que gostamos da culinária sertaneja. À mesa, ainda, o deputado estadual Carlos Augusto Rosado.

Por que mesmo todo esse nariz de cera (jargão do jornalismo que indica uma abertura longa que não chega ao assunto que interessa)? Por um detalhe que me remete aos dias de hoje, com essa avalanche de pesquisas para todos os gostos e muitas descrenças e dúvidas.

“O que diz a rua?” Assim Doutor Tarcísio emendava a prosa, off da entrevista, assuntando sobre o jogo do poder, a luta pelo voto. Sempre atento a pesquisas, ele conhecia números e o pensamento popular por emaranhados de dados. Mas jamais, jamais mesmo, deixava de ouvir a voz que vinha da massa-gente, do povo.

Era importante o que se dizia pela boca do engraxate, no Café e Bar Mossoró, no Posto Cinco, entre as paredes do Alto do Louvor, na pedra do Mercado Central, no Buraco do Tatu ou Praça do Pax. O rádio e o jornal impresso valiam, claro.

Celular e essa barafunda das redes de horrores sociais não existiam, é importante sublinharmos.

Quando hoje alguém me pergunta se essa ou aquela pesquisa é a certa, calado estou e calado fico. Lembro de Doutor Tarcísio.

“O que diz a rua?”

P.S – No dia 10 de abril de 1998, Tarcísio Maia faleceu no Rio de Janeiro, aos 81 anos. Coincidência essa postagem. Estamos em 10 de abril de 2026.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 10/04/2026 - 10:34h
Cláusula de Barreira

Eleição de deputado federal é prioridade absoluta dos partidos

Arte produzida com recursos de IA para o BCS

Arte produzida com recursos de IA para o BCS

Em 2026, a cláusula de barreira exigirá dos partidos políticos pelo menos 2,5% dos votos válidos ou 13 deputados federais eleitos em um terço dos estados, percentual que algumas legendas não vão conseguir bater. Esse mecanismo da legislação eleitoral é usado para reduzir ao máximo o número de siglas e começou a ser aplicado em 2018.

A fórmula produz maior concentração de poder e recursos públicos em poucas legendas.

Mais deputados, mais recursos dos fundos Eleitoral e Partidário, mais poder político na arena do Congresso Nacional, além de um lugarzinho na propaganda política em Rádio e TV.

Por isso que é tão importante eleger parlamentares e a prioridade dos partidos deixou de ser a governança dos estados federados.

A Emenda Constitucional 97 foi aprovada pelo Senado Federal em outubro de 2017, com exigências gradativas até 2030, quando cada partido só sobreviverá obtendo 3% dos votos válidos ou 15 deputados federais.

Em 2017, antes das eleições de 2018, o Brasil tinha 35 partidos registrados no TSE. Hoje o total é de 30. Entre 2018 e 2024, o número de partidos ou federações com representação no Congresso Nacional desceu de 30 para 16. No mesmo período, o número total de siglas com registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caiu de 35 para 25.

Nas eleições de 2022, apenas 12 dos 28 partidos e federações que disputaram conseguiram alcançar a cláusula de desempenho. Os 16 que ficaram de fora perderam o direito ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de rádio e TV a partir de fevereiro de 2023.

Partidos “vivos”

Em ordem alfabética, veja a lista dos partidos “vivos”, que vão tentar ocupar as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados: AGIR, AVANTE, CIDADANIA, DC (Democracia Cristã), MISSÃO, MDB, MOBILIZA, NOVO, DEMOCRATA, PCB, PCdoB, PCO, PSDB, PDT, PT, PL, PRD, PRTB, PSB, PSTU, PSD, PSOL, PV, PODE (Podemos), além de Progressistas, Republicanos, Rede, Solidariedade, UP e União Brasil.

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sexta-feira - 10/04/2026 - 08:02h
Campanha ao governo

Avante é 7ª sigla com Allyson; ele terá 60% do tempo de TV

Allyson enfileira grande elenco de partidos e tempo de sobra (Edição de imagem do BHG)

Allyson enfileira grande elenco de partidos e tempo de sobra (Edição de imagem do BHG)

Do Blog Heitor Gregório

O Avante é mais um partido que vai integrar a coligação do pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil).

Levará mais 22 segundos de tempo de TV no horário eleitoral, e, com isso, Allyson terá em torno de 60% do horário gratuito de TV.

Integram o arco de aliança de Allyson o União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSD, Solidariedade e Avante.

Nota do BCS – O partido era comandado no RN pelo empresário Jorge do Rosário, que migrou para o PL.

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  • Art&C - PMM - Abril de 2026
sexta-feira - 10/04/2026 - 07:30h
Banco Master

Defesa de Vorcaro corre para apresentar delação até a próxima semana

Daniel Vorcaro em identificação criminal na Polícia Federal

Daniel Vorcaro em identificação criminal na Polícia Federal

Do Canal Meio e outras fontes para o BCS

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, corre contra o relógio para entregar ainda na próxima semana a proposta de delação premiada de seu cliente, que, como conta Malu Gaspar, incluiria o pagamento de multas bilionárias. A expectativa dos advogados é ter a delação homologada rapidamente, dado o impacto das revelações, mas os investigadores da Polícia Federal estão céticos, duvidando que Vorcaro vá contar logo tudo o que sabe.

A pressa da defesa tem motivo: o banqueiro teria pelo menos R$ 10 bilhões em fundos não identificados no exterior, e teme que os gestores dessas aplicações possam sacá-las à revelia. Com a delação e a identificação desses fundos, eles seriam bloqueados pela PF. (Globo)

Os números do caso Master impressionam. O banco pagou mais de meio bilhão de reais a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025, segundo documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. A farra do Master mostra que ao menos 15 bancas receberam mais de R$ 10 milhões no período, incluindo alguns dos principais escritórios do país. Entre os maiores beneficiários está o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, que recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025. Outro relatório de posse da CPI mostra operações em dinheiro vivo, garantias com valores inflados e repasses a empresas de Nelson Tanure, que nega ser sócio oculto do Master.

O próprio Vorcaro ainda desembolsou cerca de R$ 60 milhões para financiar eventos internacionais de alto padrão ao longo de 2024, segundo documentos da PF. As despesas incluem fretamento de jatinhos, shows, brindes de luxo e distribuição de bebidas, em encontros que reuniram autoridades e convidados brasileiros em Londres, Nova York e Lisboa, incluindo eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”. (Folha)

Gilmar Mendes, aliás, viajou de Diamantino (MT) para Brasília em 1º de janeiro de 2025 em uma aeronave operada por uma empresa ligada a Vorcaro. O voo ocorreu após a cerimônia de posse de seu irmão, Chico Mendes, como prefeito do município. A aeronave era operada pela Prime You, empresa de compartilhamento de aviões que tinha ligação com Vorcaro. (UOL)

Enquanto isso… O Palácio do Planalto ficou irritado com a defesa que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez da atuação de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no caso Master. O depoimento de Galípolo à CPI do Crime Organizado contrariou a estratégia, combinada com o próprio presidente do BC, de jogar no colo de Campos Neto, indicado à presidência do BC por Jair Bolsonaro, a responsabilidade pela crise. (Globo)

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sexta-feira - 10/04/2026 - 04:30h
Disputa presidencial

Lula de novo, mais uma vez, novamente, outra vez…

Lula afirmou em 2004 que o partido não poderia errar na questão ética (Foto: Web)

Lula tentará o quarto mandato (Foto: Web/Arquivo)

O Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou cinco das últimas seis eleições presidenciais no pais.

Enfrenta sérias turbulências agora, mas não será fácil desbancá-lo.

Lula admite que pode não ser o candidato (veja AQUI). Blefa.

Não creio que desista por temor da derrota. Não combina com ele nem com líderes de massa com seu perfil.

Jogará todas as fichas à reeleição, ou seja, o quarto mandato presidencial.

De novo tentará ampliar sua base, a “Frente Ampla” de 2022, num cenário muito complicado, como as próprias pesquisas mais recente mostram.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
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