quarta-feira - 04/11/2026 - 10:30h
DOMINGO, 08

Apae Mossoró promove sua 17ª Feijoada Solidária

Banner de divulgação da 17ª Feijoada Solidária (Reprodução do BCS)

Banner de divulgação da 17ª Feijoada Solidária (Reprodução do BCS)

A 17ª Feijoada Solidária da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE Mossoró) está marcada para o próximo domingo (08). O evento começa ao meio-dia, na própria sede da entidade, no Abolição II.

Será muito mais que um momento de alegria e confraternização. É uma oportunidade de fortalecer nossa instituição, contribuir com nossos projetos e garantir a continuidade dos serviços oferecidos às pessoas com deficiência e suas famílias.

A iniciativa terá o apoio de vários artistas locais, como André da Matta, Alinne Reis, Alan Jones, DJ Yan Dantas, Ewerton Linhares, Renata Falcão, Forró dos 3 e Nataly Vox.

Venha celebrar, saborear e fazer parte dessa corrente do bem! Sua presença faz a diferença!

Anote

Dia 08/11
A partir do meio dia
Na sede da APAE Mossoró
Senha por apenas R$ 25.00

Ingressos a venda em nossa instituição e com nossas mães APAEanas.

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quarta-feira - 04/11/2026 - 09:04h
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Ezequiel e Fábio Dantas apostam tudo em Cristiane Dantas presidente

Fábio, Cristiane e Ezequiel: costura política em andamento (Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS)

Fábio, Cristiane e Ezequiel: costura política em andamento (Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS)

Unha e carne, o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB) e o ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) apostam todas as suas fichas num objetivo comum à próxima legislatura da Assembleia Legislativa do RN (ALRN): a eleição de deputada Cristiane Dantas (PSDB) à presidência. Eles não perdem tempo e trabalham com afinco nesse projeto.

Mulher de Dantas, Cristiane é o nome que ambos costuram, sobretudo após apoio que seus respectivos grupos deram à candidatura de Cadu Xavier (PT), o “Cadu de Lula”, à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), já no segundo turno.

O PSDB têm apenas três deputados, mas espera somar com os sete da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), fechando questão em torno de Cristiane. Tarefa adicional é obter pelo menos mais três votos na oposição.

E mais um detalhe: expectativa é ter o apoio irrestrito do governador eleito e de Fátima Bezerra.

A ALRN é composta por 24 assentos parlamentares e está sob a presidência de Ezequiel Ferreira desde fevereiro de 2015. Nesse período, ele continuamente obteve seis mandatos presidenciais, ao longo de quase 11 anos, ou seja, três legislaturas.

Partidos com eleitos/reeleitos em 2026

Nas eleições de 4 de outubro, a divisão de eleitos/reeleitos ficou assim:

PL – 07

PT – 04

Progressistas – 04

PSDB – 03

PV – 03

UB – 02

MDB 01

Veja AQUI mais informações sobre as eleições a deputado estadual este ano no RN, com votação de cada um dos eleitos/reeleitos, quem não se reelegeu, quem não foi candidato etc.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
quarta-feira - 04/11/2026 - 08:20h
BRASÍLIA

Senado aprova PEC da Segurança; maioridade penal fica fora

Senadores aprovaram matéria sem um único voto contrário (Imagem: Lula Marques da Agência Brasil)

Senadores aprovaram matéria sem um único voto contrário (Imagem: Lula Marques da Agência Brasil)

Agência The News para o BCS

De zero. O Senado aprovou na noite de ontem, por unanimidade, a PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a integração entre os órgãos de segurança e fortalecer o combate ao crime organizado. Foi 73×0 no primeiro turno e 75×0 no segundo.

Na primeira vez que a pauta foi para votação, o texto ficou travado porque os senadores estavam discutindo se deveriam incluir a redução da maioridade penal nele. No fim das contas, eles decidiram que o tema será tratado de forma separada.

O que vai mudar com a novidade

Sistema Único de Segurança Pública (SUSP): É criado e entra na Constituição, com regras de integração entre União, estados e municípios.

Ministério da Segurança Pública: Permite que o governo federal crie uma pasta permanente para o tema — que hoje é Secretaria dentro do Min. da Justiça.

Combate ao Crime Organizado: Prevê regimes mais rigorosos para lideranças de organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares.

Polícias Federal e Rodoviária: Amplia a atuação da PF em crimes interestaduais/internacionais e estende o policiamento da PRF para ferrovias e hidrovias federais.

Polícias Municipais e Recursos: Autoriza a criação de polícias municipais civis e coloca na Constituição os repasses dos Fundos Nacionais de Segurança e Penitenciário.

E como fica a questão da maioridade?

Agora, a ideia é que a redução da maioridade penal vire uma outra Proposta de Emenda à Constituição, a ser votada do zero. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se comprometeu a acelerar a votação dela.

O PL defende redução para 16 anos em casos de crimes de menor gravidade e para 14 anos nos hediondos. Já o PT propõe maioridade para 16 anos apenas para crimes hediondos, mantendo 18 para os demais. O partido era visceralmente contra, mas no fim da campanha eleitoral deste ano, o presidente Lula (PT) adotou discurso de mudança.

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quarta-feira - 04/11/2026 - 03:34h
SÁBADO, 7

“Noite do Pop Rock Brasil” embalará Feira de Vinil e Afins

Banda Descendentes é atração da noite de sábado (Foto: Divulgação)

Banda Descendentes é atração da noite de sábado (Foto: Divulgação)

A Feira de Vinil e Afins de Mossoró realiza neste sábado, 7 de novembro, mais uma edição dedicada aos apaixonados por música, cultura e colecionismo. Desta vez, o evento terá como tema a “Noite do Pop Rock Brasil”, celebrando um dos períodos mais marcantes da história da música brasileira.

A programação acontece a partir das 18h, no Cafezal Café e Bistrô, com entrada gratuita.

O destaque musical da noite será a apresentação da Banda Descendentes, grupo formado por alunos e ex-alunos do IFRN, que promete embalar o público com um repertório dedicado ao pop rock nacional, resgatando canções que marcaram gerações e continuam presentes na memória afetiva dos brasileiros.

Além da programação musical, a feira reunirá expositores e colecionadores de discos de vinil, oferecendo ao público a oportunidade de encontrar títulos de diferentes gêneros e épocas, descobrir raridades e ampliar suas coleções. O encontro também é um espaço para troca de experiências, conversas sobre música e valorização da cultura do disco.

A Feira

Consolidada como um importante ponto de encontro para os amantes da música em Mossoró, a Feira de Vinil e Afins tem contribuído para fortalecer a cultura do colecionismo e estimular o interesse pelas mídias físicas, especialmente entre as novas gerações. A iniciativa reúne, em um mesmo ambiente, apaixonados por LPs, admiradores da música brasileira e pessoas interessadas em conhecer melhor o universo dos discos de vinil.

A edição de novembro também reforça a proposta de aproximar a música ao vivo da experiência de garimpar discos, transformando a feira em um espaço de convivência cultural e de valorização da produção musical brasileira.
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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
terça-feira - 03/11/2026 - 23:54h

Pensando bem…

O sucesso é a soma de pequenos esforços – repetidos dia sim, e no outro dia também.

Robert Collier
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terça-feira - 03/11/2026 - 19:50h
UFERSA

Estudante morre em Residência Universitária; causa é desconhecida

Corpo foi encontrado em Residência Universitária (Foto: Pedro Cézar/Mossoró Hoje)

Corpo foi encontrado em Residência Universitária (Foto: Pedro Cézar/Mossoró Hoje)

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) decretou a suspensão de todas as aulas da graduação nesta terça-feira (03) no Campus Mossoró, após o falecimento do estudante de Agronomia Zidane Pereira da Silva, de 26 anos.

O jovem foi encontrado desacordado por colegas no banheiro da Residência Universitária na noite de ontem (segunda-feira, 02). A causa da morte está sendo investigada pela Polícia Científica do RN. Laudo deverá sair em cerca de 40 dias, mas corpo foi liberado para sepultamento.

A Ufersa afirmou que presta assistência à família, originária de Aracati-CE.

Zidane iria concluir curso este ano. Era visto por colegas como uma pessoa introvertida, estudiosa, com hábitos simples e evangélica (veja reportagem em vídeo AQUI).

Nota de Pesar – Zidane Pereira da Silva

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) manifesta pesar pelo falecimento do estudante do Curso de Agronomia Zidane Pereira da Silva, 26 anos, natural de Aracati/CE, residente da Moradia Estudantil no Campus Mossoró.

Colegas da Moradia o encontraram desacordado dentro do banheiro, na noite do dia 02. De imediato, contactaram os órgãos de segurança competentes e comunicaram o ocorrido à Pró-reitoria de Assuntos Estudantis.

A causa da morte ainda não foi identificada e está sendo investigada pela perícia. A universidade está prestando assistência integral à família e mantém-se à disposição dos órgãos investigativos.

Neste momento de luto e dor, a Ufersa presta sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas e à comunidade acadêmica.

Nota do BCS – Dia 15 de maio deste ano, a estudante de agronomia, também da Ufersa, Gilderlânia Alves da Silva, 23 anos, passou mal no interior da instituição. Foi socorrida e ficou internada no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), onde veio a óbito dia 20 do mesmo mês. Era natural de Baraúna.

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terça-feira - 03/11/2026 - 18:00h
MESA DIRETORA

Federação escolhe Kleber para conversas sobre eleição na ALRN

Kleber Rodrigues tem a inclusão como uma de suas principais bandeiras (Foto: Eduardo Maia)

Kleber Rodrigues recebeu incumbência de liderar grupo e conduzir diálogos (Foto: Eduardo Maia/Arquivo BCS)

Em reunião nesta terça-feira (3), na sede do União Brasil no RN, em Natal, deputados estaduais e federais que integram a Federação União Progressista no RN, decidiram, ao declarar a unidade do grupo, delegar ao deputado Kleber Rodrigues (UB), a função de coordenador dos entendimentos sobre a eleição da mesa diretora da assembleia enjoativa do Rio Grande do Norte (ALRN).

O encontro contou com a participação do deputado federal João Maia (PP) e dos deputados estaduais Kleber Rodrigues, Neílton Diógenes (PP), Nelter Queiroz (UB), Júlio César Câmara (PP) e Cinthia de Allyson (UB).

Josivan Bibiano (MDB) também fechou questão em torno da posição conjunta.

Em viagem, Robson Carvalho (UB) foi representado por um assessor. O deputado federal Benes Leocádio (UB) também esteve ausente, mas o presidente estadual do UB, José Agripino, falou em seu nome.

Ao todo, Federação e MDB têm sete deputados à próxima legislatura. As conversas vão incluir o PL que terá mais sete.

Ao todo, Federação e MDB têm sete deputados à próxima legislatura. As conversas vão incluir o PL que terá mais sete.

Cronograma institucional

1. Posse dos deputados estaduais: 1º de fevereiro de 2027. Os 24 parlamentares eleitos e reeleitos assumirão seus mandatos para a legislatura 2027–2030.

2. Instalação da 20ª Legislatura: ocorre após a posse, com a abertura dos trabalhos parlamentares.

3. Eleição da Mesa Diretora: também em 1º de fevereiro, logo após a posse dos deputados, em sessão preparatória.

4. Mandato da nova Mesa: biênio 2027–2028.

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Categoria(s): Política
terça-feira - 03/11/2026 - 12:48h
GOVERNO DO RN

Marqueteiro é pensado por Cadu Xavier para Comunicação

Bonavides foi nome de peso no marketing eleitoral (Foto: redes sociais)

Bonavides foi nome de peso no marketing eleitoral (Foto: redes sociais)

Marqueteiro da campanha vitoriosa de Cadu Xavier (PT) a governador do RN, Lucas Bonavides está sendo pensado pelo futuro governante para assumir a Comunicação do Estado.

Ele saiu bastante prestigiado não apenas pelo resultado final da campanha, mas em face das próprias estratégias definidas e conteúdos dos programas eleitorais.

Um detalhe que não passa despercebido é o sobrenome de Lucas: Bonavides.

Ele é irmão da deputada federal reeleita Natália Bonavides (PT).

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terça-feira - 03/11/2026 - 09:30h
MARAVILHA!

Esfera incandescente pousa e posa na praia de São Cristóvão

Registro feito no último dia 1º em Areia Branca

Registro feito no último dia 1º em Areia Branca

É beleza que você quer?

Então, tome!

Destaque para o pôr do sol na praia de São Cristóvão, em Areia Branca, Costa Branca do RN.

Registro com câmera de celular, sem qualquer filtro ou edição especial.

A “chapa” foi feita pelo advogado André Luís Oliveira, nesse último dia 1º de novembro.

A gente divide com nossos webleitores a beleza dessa esfera incandescente.

Poética!

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terça-feira - 03/11/2026 - 07:48h
ACJUS

Entidade cultural tem eventos que marcam seus 12 anos de atividades

Arte para divulgação

Arte para divulgação

A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) celebrará seus 12 anos de fundação com uma ampla programação religiosa, literária, educacional e cultural, nos dias 4, 5 e 6 de novembro de 2026, das 14 às 21 horas. As atividades acontecerão na Catedral de Santa Luzia e no Teatro Lauro Monte Filho, no Espaço BNB Cultural, reunindo escritores, acadêmicos, educadores, estudantes e representantes de diferentes segmentos da sociedade mossoroense.

A programação integra o Ano Acadêmico Vanda Maria Jacinto e terá como destaques os projetos Mossoró, Cidade do Livro e da Leitura — A Festa dos Livros e Lendo, Escrevendo e Aprendendo, iniciativas idealizadas e desenvolvidas pela ACJUS com o propósito de incentivar a leitura, valorizar a produção literária e fortalecer a preservação da memória histórica e cultural de Mossoró e região.

A celebração também estará associada aos aniversários de instituições de ensino que participam das atividades, entre elas a Escola Rotary, que comemora 69 anos, a Escola Estadual Padre Sátiro Cavalcanti Dantas, com 29 anos, e a Escola Duarte Filho, com 52 anos.

Mossoró, Cidade do Livro e da Leitura

Um dos momentos mais aguardados da programação será a culminância do projeto Mossoró, Cidade do Livro e da Leitura, nos dias 5 e 6 de novembro, no Teatro Lauro Monte Filho.

A iniciativa reunirá escritores integrantes da ACJUS, autores convidados de Mossoró e representantes da produção literária regional, proporcionando um encontro entre diferentes gerações de escritores e leitores.

A expectativa é de que o evento reúna mais de 30 lançamentos de obras inéditas, além de uma exposição de livros anteriormente publicados, muitos deles já reconhecidos pela contribuição à literatura, à história e à memória regional.

A proposta é dar maior visibilidade à produção intelectual mossoroense, projetando a cidade no cenário literário estadual e nacional, com a perspectiva de ampliar o alcance de suas realizações culturais para além das fronteiras brasileiras.

Mais do que uma oportunidade de lançamento e comercialização de livros, o projeto pretende fortalecer o intercâmbio entre autores e leitores, estimular novas produções e reafirmar a importância do livro como instrumento de conhecimento, cidadania e transformação social.

Outro importante destaque das comemorações será o projeto Lendo, Escrevendo e Aprendendo, desenvolvido pela ACJUS junto às escolas da rede pública de ensino.

A iniciativa busca despertar nos estudantes o interesse pela leitura, especialmente em uma época marcada pela presença crescente das tecnologias digitais e pelo uso intenso das telas no cotidiano de crianças e adolescentes.

Por meio do projeto, os alunos são incentivados a conhecer obras clássicas da literatura local, regional e nacional, ampliando seus conhecimentos, desenvolvendo a capacidade de interpretação e descobrindo o universo da criação literária.

Além da leitura, o projeto estimula a produção de textos pelos próprios estudantes, permitindo que expressem suas ideias, experiências e percepções sobre diferentes temas.

Os trabalhos selecionados, a partir das atividades desenvolvidas nas escolas participantes, poderão integrar publicações organizadas no âmbito do projeto, valorizando o protagonismo estudantil e proporcionando aos jovens a experiência de ver suas produções transformadas em livros.

Durante as comemorações, a ACJUS também prestará homenagem especial aos estudantes da rede pública que se destacaram nas atividades de leitura, reconhecendo o esforço, a dedicação e o desempenho alcançado.

Início

As comemorações terão início na quarta-feira, 4 de novembro, às 17h30, com uma missa em ação de graças na Catedral de Santa Luzia.

Na quinta-feira, 5 de novembro, a programação será aberta às 14h, com apresentação do Coral da Escola Municipal Rotary. Em seguida, acontecerá a palestra Profissões do Futuro: Meus Superpoderes e o Futuro, reunindo representantes das áreas jurídica, educacional e institucional.

O público também poderá acompanhar a apresentação da peça teatral Entre Dois Rios, sob coordenação da professora Leila Maria de Araújo Tabosa, além de atividades com estudantes da Escola Municipal Duarte Filho. À noite, a partir das 18h30, haverá exposição e lançamento de livros.

Na sexta-feira, 6 de novembro, as atividades terão início às 14h30, com participação de estudantes da Escola Estadual Padre Sátiro Cavalcanti Dantas e uma roda de conversa sobre os desafios e as oportunidades da leitura digital na era das telas.

A programação noturna contemplará reflexões sobre o pioneirismo da mulher potiguar, apresentação da Orquestra Sinfônica da Escola Estadual Padre Sátiro Cavalcanti, exibição de documentário sobre a história da ACJUS e debates dedicados à memória de personalidades que contribuíram para o desenvolvimento de Mossoró.

Um dos momentos solenes da programação acontecerá na noite de 6 de novembro, com a outorga de importantes honrarias concedidas pela Academia.

Serão entregues as Medalhas Ruy Barbosa, Sátiro Cavalcanti Dantas e Maria Helderi de Queiroz Diógenes Negreiros, além da Comenda Cultural e Social Acadêmico Milton Marques de Medeiros e do Diploma de Honra Acadêmica ACJUS.

As distinções reconhecerão personalidades que se destacaram em diferentes áreas de atuação, contribuindo para o desenvolvimento cultural, educacional, jurídico e social da comunidade.

A programação também reservará um momento especial de homenagem in memoriam aos acadêmicos Milton Marques de Medeiros, Maria Helderi de Queiroz Diógenes Negreiros, Sátiro Cavalcanti Dantas, Elder Heronildes da Silva, Carlos Alberto Lima Filgueira e Francisco Péricles de Amorim.

Doze anos de compromisso com a cultura e a sociedade

Fundada em 5 de novembro de 2014, a Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró construiu, ao longo de sua trajetória, uma atuação voltada à valorização do conhecimento, da cultura, da educação, da memória e da cidadania.

Reconhecida como instituição de utilidade pública no âmbito de Mossoró e do Rio Grande do Norte, a ACJUS também possui reconhecimento como Patrimônio Histórico-Cultural Imaterial do Estado e integra o Colégio de Academias Jurídicas do Brasil.
Sua sede social e administrativa funciona no Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros, igualmente reconhecido como Patrimônio Histórico-Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte.

Serviço

Evento: ACJUS 12 Anos — Celebrando a Literatura e a Memória Mossoroense
Datas: 4, 5 e 6 de novembro de 2026
Dia 4: Missa em ação de graças, às 17h30, na Catedral de Santa Luzia.
Dias 5 e 6: Programação literária, educacional, artística e cultural no Teatro Lauro Monte Filho – Espaço BNB Cultural, em Mossoró.
Destaques: Projetos Mossoró, Cidade do Livro e da Leitura e Lendo, Escrevendo e Aprendendo; lançamentos literários; apresentações culturais; debates e entrega de honrarias.
Entrada: Gratuita.
Realização: Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS).

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terça-feira - 03/11/2026 - 07:04h
GOVERNO LULA 4

Fátima Bezerra pode ir para a Esplanada dos Ministérios

Fátima tem postulação diretamente vinculada às tratativas da chapa e campanha presidenciais (Foto: arquivo/2017)

Fátima e Lula: afinação política e muitos elogios (Foto: Arquivo BCS/2017)

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), tem sido citada na bolsa de apostas do Palácio do Planalto para compor o governo Lula (PT).

O registro é do Folha de São Paulo nesse dia 2, na prestigiada coluna Painel.

Ela poderá ganhar um ministério na área social.

Lula costuma se referir de forma elogiosa a Fátima, que elegeu seu sucessor no governo potiguar. O presidente afirma que ela, durante anos, sofreu ataques violentos e machistas no estado e que sempre resistiu de forma altiva.

A eventual nomeação também atenderia ao critério de ter número expressivo de mulheres na equipe.

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terça-feira - 03/11/2026 - 06:38h
Senado

Davi Alcolumbre e Rogério Marinho estão em luta por presidência

Rogério Marinho pediu vistas durante votação (Foto: Carlos Moura/Agência Brasil)

Rogério Marinho tem força de uma bancada numerosa e Alcolumbre tenta minar suas forças no PL (Foto: Carlos Moura/Agência Brasil/Arquivo BCS)

O G1 noticia que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta costurar um amplo acordo a fim de se reeleger ao cargo, mas encontrara um obstáculo no PL, que, na próxima legislatura, terá a maior bancada na Casa, com 28 senadores.

O partido deve formalizar amanhã a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) ao cargo.

Apoiado pelo Planalto, mas na busca por votos entre a oposição, Alcolumbre tem acenado com a votação de uma anistia aos condenados pela tentativa de golpe após as eleições de 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas no PT, a ideia de Alcolumbre não é bem vista.

O vale-tudo está longe de ter limites na corrida desse cobiçado poder.

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terça-feira - 03/11/2026 - 05:54h
38ª EDIÇÃO

Feira Industrial e Comercial da Região Oeste começa quinta-feira

Banner de divulgação

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A 38ª Feira Industrial e Comercial da Região Oeste (FICRO) terá abertura às 19h30 da próxima quinta-feira (5), no Thermas Hall, em Mossoró.

A Ficro acontecerá até o sábado (7), no próprio Thermas Hall, numa iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM).

A feira funcionará entre 16 e 22 horas com palestras, exposições de produtos, marcas e serviços, apresentações musicais, área de alimentação e outras atrações.

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domingo - 01/11/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“Sofremos mais na imaginação do que na realidade.”

Sêneca

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domingo - 01/11/2026 - 11:28h
Luto

O adeus de padre Canindé

Padre Canindé tem legado enorme à comunidade católica (Foto: Arquivo)

Padre Canindé tem legado enorme à comunidade católica (Foto: Arquivo)

A Diocese de Santa Luzia de Mossoró se despede, com profundo pesar e gratidão, do Padre Francisco Canindé dos Santos, falecido neste sábado, 31 de outubro, aos 89 anos, em Assú (RN).

Foram mais de 60 anos de sacerdócio, dos quais 46 dedicados à Paróquia de São João Batista, em Assú. Um pastor que fez do Evangelho compromisso com a vida, a educação, a justiça social e a dignidade humana.

Padre Canindé não apenas anunciou a Palavra de Deus. Caminhou com seu povo, defendeu causas sociais, incentivou a educação e ajudou a construir a história do Vale do Açu.

Sua trajetória foi reconhecida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), que lhe concedeu, em setembro deste ano, o título de Professor Honoris Causa.

Parte o sacerdote, permanece o testemunho. Seu legado continuará vivo na memória da Igreja Diocesana e no coração de tantas gerações que encontraram nele um pastor próximo, corajoso e comprometido com os mais necessitados.

Velório ocorre neste domingo (1º) na Igreja Matriz de São João Batista, em Assú.

Às 16h, Missa de Corpo Presente, presidida pelo bispo Dom Francisco de Sales. Logo após a celebração, sepultamento no Cemitério de Assú.

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domingo - 01/11/2026 - 09:28h

Fuga segura

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Sempre fui fã da ficção científica. Uma paixão diletante, claro. E que, segundo me lembro, começou com leituras adolescentes da “littérature d’anticipation” de Jules Verne (1828-1905) e da “science fiction” de H. G. Wells (1866-1946). Mas quem não viraria fã após devorar maravilhas como “Viagem ao centro da Terra”, “20 mil léguas submarinas”, “A máquina do tempo” e “A guerra dos mundos”?

Já adulto, além de continuar enxergando a ficção científica como uma forma lúdica e segura de fugir da dura realidade – o que já é, em si mesmo, uma maravilha, confessemos –, sobretudo descobri ser a ficção científica um dos mais instrutivos gêneros literários existentes (observação que transponho e confirmo quando se trata também do cinema e da TV).

Para além da circunstância da posterior realização de muitas das “ficções” previstas pelos autores “visionários”, a ficção científica é, sem dúvida, o mais filosófico dos gêneros literários/cinematográficos/televisivos, como bem põe Daniel Shaw, em seu interessante “Film and Philosophy: Taking Movies Seriously” (Wallflower Press, 2008), cujo título curiosamente parece ser uma derivação do clássico do jusfilósofo Ronald Dworkin (1931-2013), “Taking Rights Seriously”.

De fato, cuidadosamente observando, a ficção científica trata de questões eminentemente filosóficas, como as diferenças entre o ser humano e as máquinas, a própria identificação do indivíduo em si, as implicações do presente no futuro da humanidade, o conceito de tempo, os perigos da sacralização da tecnologia e de certos mecanismos de controle social, a possibilidade e os impactos de um contato com seres alienígenas, entre muitos outros temas.

Aliás, se é verdade essa íntima ligação da ficção científica com a filosofia, não menos verdadeira é a sua relação com a ciência jurídica, sobretudo com aqueles aspectos mais conceituais dessa badalada ciência. Basta lembrar, na tela grande ou no papel, “I, Robot”, o filme com Will Smith e Bridget Moynahan representando os mocinhos, mas baseado na obra do gigante Isaac Asimov (1920-1992), com suas famosas “Três Leis da Robótica”. Exemplo claro de lógica deôntica ou jurídica, essas “leis” visavam tornar possível a existência de uma inteligência artificial que não se revoltasse contra o domínio do ser humano.

Outro exemplo na grande tela é “Minority Report”, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise, Colin Farrell e Kathryn Morris, entre outros, baseado em obra homônima do grande Philip K. Dick (1928-1982), em que o futuro é enxergado de antemão e o “culpado” de um futuro crime pode ser punido antecipadamente à (e assim evitada) sua ocorrência.

Quanto à ficção científica na TV, lembro a minha série favorita, “Star Trek” ou “Jornada nas Estrelas”, criação de Gene Roddenberry (1921-1991), a sua “série original” (do capitão Kirk, do senhor Spock), a “próxima geração” ou as muitas outras versões/séries posteriores e filmes da franquia. E, para comprovar essa relação televisiva entre a ficção científica e a ciência jurídica, cito e recomendo um interessantíssimo livro: “Star Trek Visions of Law & Justice” (editado por Robert Chairs e Bradley Chilton e publicado pela Adios Press, 2003).

Bom, dito tudo isso, indago: existe coisa melhor do que apreender filosofia ou ciência jurídica fugindo da hoje errática realidade do direito brasileiro? Existe, mas talvez não seja tão seguro quanto.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República,  doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 01/11/2026 - 08:28h

Vanitas

Por Bruno Ernesto

Igreja Westerkerk-Amsterdam (Foto: Bruno Ernesto/2024)

Igreja Westerkerk-Amsterdam (Foto: Bruno Ernesto/2024)

Há um tipo de pintura que foi muito popular no século XVII, época de ouro das grandes obras do barroco, do realismo psicológico, cuja característica principal é nos lembrar que a vida, os prazeres e as riquezas são passageiros.

Para isso reúnem símbolos que representam o transcurso do tempo e a inevitabilidade do fim através de objetos simples do nosso dia a dia, os quais muitas vezes sequer lembramos de sua existência, como relógios, caveiras, flores murchando, frutas apodrecendo ou uma simples vela apagando, como um latente aviso de que a vida nem atrasa, nem negocia, e que são conhecidas em latim como Vanitas, ou, sugestiva e simplesmente, vaidade.

Representa a brevidade da vida, dos prazeres mundanos e o que muitos temem: a inutilidade das riquezas.

Havia, sobretudo, uma forte carga de valores, ideias, crenças e princípios que orientavam a vida naquele tempo, mas que hoje passam totalmente despercebidos por nós; talvez, em grande parte, por não darmos mais importância ao que deveria acontecer naturalmente: viver.

Nesse período também surgiu a técnica de pintura que ficou conhecida como tenebrismo, e que permitiu um impacto inicial para quem observa aquela cena hiperfocada, carregada de luzes sobressaindo muitas vezes não uma, mas várias cenas dramáticas, em um contraste extremo entre a luz e a escuridão, e que reforçou aquele gênero de pintura.

Foi um estilo de pintura popular na arte holandesa daquele tempo, que muito lembra essas pinturas do tipo natureza-morta que hoje ficam penduradas nas paredes de muitas cozinhas, muitas delas já engorduradas próximas ao fogão, e nela vemos cestos de frutas belíssimas.

Guardadas as proporções, talvez hoje o que mais simbolicamente representa isso seja o aviso na tela do celular de que a bateria está prestes a descarregar, pois não há quem não deixe de fazer o que estava fazendo para tentar poupá-la e que, intimamente, se arrependa de ter assistido ao vídeo de dez minutos atrás que custou oito por cento da bateria.

Acredito que a maior noção e representatividade de finitude hoje se resuma a isso, e talvez não aconteça apenas com você.

Para ilustrar esse apego à lembrança da nossa finitude, gosto sempre de tomar como exemplo as anotações de Anne Frank em seu diário, aquele escrito no quarto secreto do anexo da casa da Prinsengracht, 263.

Na incerteza de uma saída, totalmente isolada do contato exterior, e na ansiedade pela possível descoberta do seu esconderijo, as badaladas dos sinos da Igreja Westerkerk, que fica a não mais de cem passos daquele esconderijo, lhe serviam, além de um contato com o mundo exterior, como um lembrete da medida do tempo, mas que nada podia fazer. Tão perto e tão longe.

Aquela igreja ainda hoje é a maior igreja protestante da cidade de Amsterdam, e possui um detalhe incomum em ambas as portadas de sua entrada, mas que dá o mesmo recado da Vanitas, com aqueles crânios esculpidos, plenamente visíveis para quem passa na pracinha.

Se para uma pessoa desatenta isso nada significa, ou talvez lhe seja indiferente diante das circunstâncias da vida, amanhã é um daqueles dias que nos fazem refletir um pouco sobre a fugacidade da vida e um dilema: o que mais lhe assusta, viver ou morrer? É medo do que ainda precisa ser vivido ou a incerteza do que virá depois?

Rubem Alves, ao ser perguntado se a vida era uma causa perdida, respirou profundamente e disse que ela é perdida, pois um dia ela acabará. Mas até lá, ela é um desafio, uma aventura.

Amanhã talvez seja um daqueles dias em que você fale as mesmíssimas palavras que queria escutar enquanto conforta alguém. Na mesmíssima sequência, como quem fala para si diante de um espelho.

Amanhã, quando vir multidões de pessoas imóveis, mudas e cabisbaixas diante de pequenos retratos, flores e epitáfios, lembre-se do que Graciliano Ramos disse, pois quando se quer bem a uma pessoa, a presença dela conforta. Só a presença, não é necessário mais nada.

Porém, não esqueça de Manoel de Barros, pois andando devagar é que atrasa o dia.

Bruno Ernesto é escritor, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica
domingo - 01/11/2026 - 07:00h

O Cine Pax e as lembranças que o tempo não apagou

Por Eriberto Monteiro

Cine Pax funcionou até o ano de 2008, num período que durou quase 65 anos (Foto: autor não identificado)

Cine Pax foi inaugurado em janeiro de 1943 (Foto: autor não identificado/Arquivo do BCS)

Semana passada eu publiquei uma crônica afetiva que trouxe ao cenário o porteiro do Cine Pax, Raimundo Nonato Albuquerque, carinhosamente conhecido como “Balão” (veja AQUI). Dessa vez, quero transportar-me em mais uma crônica afetiva ao interior do saudoso Cine Pax, um dos mais importantes espaços de entretenimento e convivência social da história de Mossoró por muito tempo.

Inaugurado em 23 de janeiro de 1943, com capacidade para aproximadamente 1.200 espectadores, o Pax marcou gerações de mossoroenses até encerrar definitivamente suas atividades, em janeiro de 2008, após 65 anos de existência.  Criado por Jorge Pinto (empresário e ex-prefeito de Mossoró), o seu projeto arquitetônico é atribuído ao arquiteto francês George Munier.

Para termos uma ideia da grandiosidade desse empreendimento, basta compará-lo ao Teatro Municipal Dix-huit Rosado, inaugurado em 2004, com capacidade para pouco mais de 700 espectadores. Ou seja, mais de seis décadas antes, Mossoró já possuía um cine-teatro capaz de acomodar um público consideravelmente bem maior que os atuais em casa de entretenimento.

Mas, para quem viveu aqueles tempos, o Pax representava muito mais do que números, cadeiras e uma enorme tela de projeção. Era um verdadeiro templo da sétima arte, onde a imaginação ganhava asas e cada sessão proporcionava uma aventura diferente.

Eu guardo lembranças inesquecíveis daquele cinema. Gostava muito de assistir aos filmes, principalmente sentado na primeira fileira, bem próximo ao enorme ventilador que ficava instalado embaixo do palco. O vento era tão intenso que, ao término da sessão, meus olhos estavam ardidos e ressecados. Mesmo assim, aquele era um dos meus lugares preferidos.

Aos domingos, nos tradicionais vesperais dominicais, eu estava lá. O cinema era meu ponto predileto, principalmente quando a programação oferecia sessões duplas ou até triplas. Eram horas de diversão, emoção, suspense e muitas gargalhadas. Mas, nem tudo acontecia conforme o esperado. Havia uma situação que provocava a indignação generalizada da plateia: os famosos “roubos”. Era assim que chamávamos quando alguma coisa dava errado durante a projeção.

Às vezes, a película queimava ou se rompia, obrigando o operador a interromper a sessão para fazer o remendo. Em outras ocasiões, o projecionista não aguardava o encerramento de um rolo e acionava o seguinte antes da hora, fazendo desaparecer cenas inteiras do filme. E aí começava o espetáculo dentro do próprio cinema. Os protestos eram inevitáveis. Gritos de “roubo!”, assobios estridentes, vaias e até chutes nas cadeiras transformavam a sala numa verdadeira algazarra ou campo de guerra.

Cine Pax e Pavilhão Vitória, na Praça Rodolfo Fernandes (Foto: Autoria não identificada/Arquivo do BCS)

Cine Pax e Pavilhão Vitória, na Praça Rodolfo Fernandes (Foto: Autoria não identificada/Arquivo do BCS)

Ninguém aceitava perder um pedaço da história, principalmente quando a cena interrompida era justamente uma das mais emocionantes ou picantes.

Passado o tumulto, a projeção recomeçava e tudo voltava ao normal, como se nada tivesse acontecido, mesmo que a cadeira tivesse quebrada.

Ao final do filme, já do lado de fora, os jovens ficavam imitando socos no ar, chutes e gestos que remetiam ao filme que acabara de assistir.

Outra mania que eu tinha era mastigar os chamados “torreiros de pipoca”. Aqueles grãos de milho que não estouravam durante o preparo. Acredito que vocês conheçam essa “iguaria” por muitos pipoqueiros, descartáveis. Enquanto muitos os desprezavam, eu fazia questão de comprar e passar todo filme mastigando demoradamente. Eram duros como pequenas pedras e certamente não faziam nenhum bem à minha dentição. Mas quem se preocupava com isso naquela idade?

E assim, entre o barulho dos projetores, o vento forte do ventilador, os gritos de “roubo!”, os assobios da plateia, a gritaria e os grãos de milho que mastigava com força, construí algumas das mais bonitas recordações da minha juventude.

Hoje eu posso dizer que o Cine Pax fez parte da minha vida e guardo essas recordações com alegria e ao mesmo tempo tristeza pelo seu fechamento. Mas ele continua vivo na minha memória, pois tive o privilégio de frequentar por longos anos da minha vida.
Sua história se confunde com a própria trajetória cultural de Mossoró, quando ir ao cinema era um acontecimento aguardado com entusiasmo durante toda a semana. E se confunde com a história da minha própria vida.

Obs: A fotografia abaixo não tem autoria identificada, foi gentilmente cedida por Jorge Luiz Mendes Pinto, filho do proprietário do Pax, a quem agradeço pela valiosa contribuição à preservação da memória histórica e afetiva de nossa cidade.

Telão, palco e parte das cadeiras à plateia no antigo Pax (Foto: cedida, mas sem identificação de autoria)

Telão, palco e parte das cadeiras à plateia no antigo Pax (Foto: cedida, mas sem identificação de autoria)

Eriberto Monteiro é escritor, pesquisador e administrador da página do Facebook Mossoró do Passado.

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 01/11/2026 - 05:48h
PODER POLÍTICO

PL terá 39% do Senado e governo precisará atrair mais apoios

Partido terá em suas mãos um poder que há décadas nenhum partido conseguiu atingir
Senado terá peso importante na próxima legislatura e na relação com o governo (Foto: Agência Senado)

Senado terá peso importante na próxima legislatura e na relação com o governo (Foto: Agência Senado)

Quando os senadores recém-eleitos tomarem posse, em fevereiro, o PL passará a ostentar a maior bancada de um único partido na história recente do Senado. Dos 81 parlamentares, 29 pertencerão ao partido — 36% da Casa. Desde a promulgação da Constituição de 1988, que definiu as regras eleitorais modernas, nenhum partido chegou ao início de uma legislatura (o período de quatro anos entre as eleições) com uma bancada de senadores tão numerosa.

Para comparação, o PL terá quase o triplo de senadores do PT, que será a segunda maior bancada, com 10 parlamentares — 12,5% do total.

O tamanho e a correlação de forças entre as bancadas exerce influência decisiva em diversos procedimentos:

Definição da pauta legislativa (o que será votado e quando)

Aprovação e rejeição de projetos

Modificação de projetos em votação, por meio da apresentação de destaques

Eleição do presidente do Senado e dos demais membros da Mesa

Escolha dos presidentes das comissões

Indicação dos relatores nessas comissões

Formação e comando de blocos parlamentares

Aprovação e rejeição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades indicadas pelo presidente da República

Convocação de ministros do governo para prestar esclarecimentos

Criação e bloqueio de comissões parlamentares de inquérito (CPIs)

Impeachment de autoridades

Manutenção e derrubada de vetos presidenciais

Embora tenha atingido uma dimensão que lhe confere peso importante nas atividades, o PL mesmo assim não chegará a responder pela maioria do Senado sem formar blocos ou costurar acordos com outras siglas.

Para aprovar projetos de lei complementar ou indicações para cargos importantes — como o Supremo Tribunal Federal (STF) — são necessários pelo menos 41 votos favoráveis. No caso de propostas de emenda à Constituição (PECs), são 49 votos.

A última vez em que um partido iniciou a legislatura fazendo sozinho a maioria do Senado foi em 1987, quando o PMDB tinha 46 dos então 72 assentos que havia no Senado — quase 64%. Aquele ano também começou com apenas nove bancadas partidárias, e cinco delas tinham de um a dois senadores.

Gráfico da Agência Senado

Gráfico da Agência Senado mostra diferenças entre bancadas atualmente e o que virá em 2027

A última vez em que um partido iniciou a legislatura fazendo sozinho a maioria do Senado foi em 1987, quando o PMDB tinha 46 dos então 72 assentos que havia no Senado — quase 64%. Aquele ano também começou com apenas nove bancadas partidárias, e cinco delas tinham de um a dois senadores.

De lá para cá, a trajetória foi de diluição da distribuição de senadores entre os partidos. Hoje, nenhum partido concentra tanto da composição do Senado: o PL, que já é a maior bancada, começou o ano com 15 parlamentares, e as maiores bancadas subsequentes tinham 13 (PSD), 10 (MDB), nove (PT) e oito (PP). O ano de 2027, assim, marca uma reversão na tendência moderna do Senado.

O líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), diz que foi “por desejo dos brasileiros” que seu partido será, na próxima legislatura, o maior tanto no Senado quanto na Câmara (onde terá 121 dos 513 deputados):

— Essas marcas são expressivas e mostram a conexão que o PL tem com a sociedade brasileira. Isso também nos dá uma responsabilidade muito grande nas duas Casas.

Segundo Marinho, foi por "desejo dos brasileiros" que o PL chegasse a esse tamanho (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Segundo Marinho, foi por “desejo dos brasileiros” que o PL chegasse a esse tamanho (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Do lado governista, o senador Paulo Paim (PT-RS) defende que, independentemente do tamanho das bancadas, o compromisso com o país deve se sobrepor às disputas ideológicas:

— O Senado sempre foi um espaço de debate, negociação e construção de consensos. Independentemente das diferenças ideológicas, temos a responsabilidade de colocar os interesses da população acima das disputas partidárias, priorizando as políticas sociais e o desenvolvimento do Brasil.

O tamanho das bancadas é influente na composição da Mesa do Senado. A Presidência é altamente estratégica porque o senador que comanda a Casa controla a pauta de votações e dita o ritmo dos trabalhos parlamentares. O presidente é, portanto, decisivo para que o Senado se dedique mais às pautas do governo ou às da oposição.

Os demais cargos costumam ser preenchidos por acordo, e quanto maior o partido ou bloco de partidos, mais cargos ele pode ocupar e maior é o seu poder de escolha sobre quais serão esses cargos. Depois da Presidência, a 1ª Vice-Presidência e a 1ª Secretaria (principal cargo administrativo do Senado) são as funções mais cobiçadas, porque também integram a Mesa do Congresso Nacional.

Peso de bancadas se revelam em matérias importantes (Gráfico da Agência Senado)

Peso de bancadas se revelam em matérias importantes (Gráfico da Agência Senado)

O maior partido do Senado ganha também o direito de presidir um número de comissões proporcional ao tamanho de sua bancada e de ser o primeiro a escolher quais delas deseja comandar. Vale ressaltar que essa prioridade é uma praxe do Parlamento e está sujeita a dinâmicas da política que podem levar a outra forma de decisão sobre esses cargos.

À frente dessa fila informal, os partidos costumam optar pelas comissões de maior peso político e regimental, como a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Além de concentrarem a tramitação de projetos de grande impacto, essas comissões são o caminho por onde passam todas as indicações para cargos no Judiciário e no Banco Central.

O impacto do comando das comissões na produção legislativa é direto. São os presidentes que decidem as propostas que irão a votação e que indicam os senadores que atuarão como relatores delas.

Além disso, a composição partidária de cada comissão é, por determinação regimental, proporcional à composição do Senado como um todo. No ano que vem, portanto, o PL deterá 36% dos assentos de cada um dos 16 colegiados temáticos.

Destaques

Os maiores partidos também têm mais acesso aos chamados destaques. Um dos instrumentos mais valiosos de negociação no Senado, eles permitem separar um trecho específico de um projeto ou emenda e votá-lo à parte.

Diferentemente dos destaques individuais dos senadores, que precisam do aval do Plenário e costumam ser rejeitados em bloco, os destaques partidários devem necessariamente ser votados. O número de destaques automáticos de cada partido é proporcional ao tamanho de sua bancada, o que dá às grandes legendas um elevado poder de barganha para negociar alterações nas propostas e influenciar a redação final.

Sozinho ou num bloco parlamentar, o PL ocupará no ano que vem tanto a Liderança da Maioria (por ter o maior número de senadores) quanto a Liderança da Oposição (por ter o maior número de senadores adversários do governo). O consultor legislativo Gilberto Guerzoni Filho explica que essas duas lideranças dão a quem as ocupa vantagens institucionais, administrativas e regimentais expressivas:

Marcos Rogério (PL-RO) conduz reunião na Comissão de Infraestrutura: maior bancada partidária do Senado escolhe as comissões que deseja presidir (Andressa Anholete/Agência Senado) Fonte: Agência Senado

Marcos Rogério (PL-RO) conduz reunião na Comissão de Infraestrutura: maior bancada partidária do Senado escolhe as comissões que deseja presidir (Andressa Anholete/Agência Senado)

— Quando um partido assume uma liderança, ganha muito mais que um cargo simbólico. Passa a contar com uma estrutura administrativa que inclui equipe, gabinete e recursos e amplia sua capacidade de atuação. Além disso, o líder dispõe de mais espaço e tempo de fala nos debates, pode orientar a posição da bancada nas votações e participa de forma mais ativa das negociações e deliberações. Tudo isso aumenta significativamente a influência política e institucional do partido no processo legislativo.

O partido mais numeroso, sendo da oposição, terá maior poder de fiscalização sobre os atos do governo, seja na criação de CPIs, seja na convocação de ministros de Estado para prestar esclarecimentos.

Também será capaz de, com mais facilidade, derrubar vetos presidenciais e rejeitar indicações do presidente da República para postos como os de embaixador, diretor de agência reguladora, procurador-geral da República, diretor do Banco Central e ministro do STF.

Governo tem que negociar

— Um partido que controla mais de um terço do Senado obriga o governo a negociar previamente os nomes para os tribunais superiores, o Ministério Público, o Banco Central e até as agências reguladoras. Se o governo não considerar a opinião dessa bancada oposicionista, correrá um risco político alto na votação no Plenário — avalia Guerzoni Filho.

O diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Neuriberg Dias, lembra que, historicamente, os presidentes da República conseguiram formar com relativa facilidade, com a maioria dos partidos no Congresso, uma base de apoio e governabilidade. A situação agora será diferente, segundo ele:

— A próxima legislatura deve ter uma oposição mais forte e organizada no Senado. Com o crescimento da bancada do PL e de aliados, esse grupo ganha mais capacidade de influenciar a elaboração das leis e fazer avançar as suas pautas. Não será apenas uma oposição de discurso, mas uma oposição com peso efetivo nas decisões da Casa.

Fonte: Agência Senado

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial
domingo - 01/11/2026 - 03:30h

Aqui em casa pousou uma esperança

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Sabe, caro leitor, não podemos perder a esperança. Eu sei que às vezes é difícil, dá uma vontade danada de “chutar o pau da barraca”, pois muitos dos nossos planos não são concretizados e os problemas parecem insolúveis.

No entanto, é preciso manter acesa a chama da esperança. Li o conto da poetisa Clarice Lispector que tem o nome desta crônica. Como sempre, a poetisa é singular. Então, valho-me da licença poética para discorrer sobre a esperança nesses tempos de desalentos.

Sabe, cara leitora, cada um carrega no coração uma dor, uma saudade, uma decepção. Mas, por outro lado, também carregamos na alma momentos felizes em nossas vidas.

Na verdade, se a gente pensar direitinho, recordaremos tanta coisa boa. Vez ou outra, do nada abrimos um sorriso. Voltamos no tempo, e de lá resgatamos felicidades. Eu lhes confesso: já enfrentei uma peleja medonha na vida. Contudo, ao olhar em volta, agradeço ao Filho do Homem.

Tenho ao meu lado uma amável e resiliente esposa, com a qual há trinta e seis anos compartilho os dias. Aliás, na data de hoje completamos Bodas de Cedro. O cedro, para quem não sabe, é uma árvore de grande porte e madeira nobre, conhecida por suportar ventos e tempestades.

Sim, juntos enfrentamos tormentas. Mas nunca, nunquinha, perdemos a esperança que viriam dias melhores. Assim, quando eu estou na sala de estar com o meu neto, esparramados no chão brincando de carrinho, eu tenho a certeza que tudo valeu a pena.

Os meus rebentos estão trilhando os seus caminhos. Cada um com a sua personalidade e seus objetivos. Meus velhos pais continuam “vivinhos da silva”, graça a Deus. É claro que continuamos a ter alegrias e tristezas, como em qualquer família. Entretanto, jamais perdemos a esperança em dias melhores. Sabe por quê?

Porque aqui em casa pousou uma esperança; e fazemos tudo pra não deixá-la voar.

Odemirton Filho é oficial de justiça

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 01/11/2026 - 02:32h

As mangas de doutor Paulo Renato

Por Júlio Rosado

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

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Desde o momento em que me aposentei na função de motorista de ônibus, há quatro anos, sinto que minha renda gradualmente diminui o poder de compra. Premido pela necessidade, passei a procurar algum trabalho para complementar o ganho do mês. Graças a minha filha que é atendente em uma clínica médica, consegui vaga para ser motorista do proprietário, Doutor Paulo Renato. O emprego veio a calhar pois não exigia muito esforço e eu passava mais tempo na recepção de seu consultório, à espera de alguma tarefa, do que efetivamente dirigindo. Não demorou e, para não ficar ocioso, me tornei uma espécie de faz tudo. Eu precisava ser necessário para não ser dispensado, né?

Quase diariamente, considerando que eu sempre chegava cedo em sua casa para pegá-lo, eu passava pela padaria e providenciava os pães e insumos para seu café da manhã. Enquanto o aguardava, aproveitava para passar água no carro, mantendo-o sempre limpo e apresentável. É bom lembrar que, apesar de ser bem sucedido, ele ainda morava com os pais, um casal idoso que o adotara quando ainda bebê. Se havia uma certeza que aquele homem passava era a de que jamais abandonaria aqueles que o acolheram. Ele os amava.

Doutor Paulo Renato era novo na idade, mas herdara uma boa clientela que fora atendida por seus pais antes de se afastarem das atividades na clínica. Entre seus pacientes havia uma mulher, dona Gildete, que vinha com regularidade mensal para acompanhamento e revisão. Era já de idade avançada. Pelo que soube, vivia só e não tinha condições de pagar um plano de saúde, nem as frequentes consultas. Mas ele sempre a atendia e, para não a constranger, aceitava as sacolas de manga que ela trazia para presenteá-lo. Ela ficava super feliz com a alegria que Doutor Paulo Renato demonstrava ao receber aquele singelo regalo.

Tudo ia bem com meu trabalho. Eu ganhava bem e trabalhava sem me aborrecer. Contudo havia algo que me incomodava. Eu comecei a acreditar que Doutor Paulo Renato seria, verdadeiramente, uma pessoa falsa. Até onde se poderia confiar nele? Digo isso porque, depois de todos os apupos elogiando as mangas que recebia de dona Gildete, dizendo que eram as melhores que já havia provado e que esperava ansiosamente o dia da consulta para recebê-las, tão logo aquela paciente saia da clínica, ele me pedia para jogar as frutas no lixo, recomendando para que ninguém as consumisse.

Eram frutas bonitas, grandes e carnudas, com a casca lisinha. E ele, após tantos elogios graciosos, mandava descartá-las. Doutor Paulo Renato estava me parecendo não ser tão correto como eu imaginara. Faltava-lhe humildade, pensava eu. O desprezo seria, certamente, uma forma cruel de humilhação.

Aquilo me indignava e me consumia de tal modo, que resolvi desobedecer e, ao invés de jogar as frutas no lixo, passei a levá-las para minha casa e utilizá-las no suco ou como sobremesa. Deliciosas. Não haveria doce que se comparasse. Mas não há segredo que não seja descoberto. Minha filha notou o que estava acontecendo ao sentir o forte cheiro de manga que exalava de uma sacola esquecida na mala do carro e, enquanto entravamos na clínica, me passou um sermão sobre confiança, o que foi percebido pelo Doutor Paulo Renato. Ele, ponderado, nada falou. Apenas olhou para mim e pediu, considerando que Dona Gildete não fora à consulta marcada, que eu fosse a sua casa para trazê-la. Contudo, eu deveria ter o cuidado de lembrar de pedir uma sacola com suas deliciosas mangas, elogiando-as por não terem nenhum arranhão. Assim fiz.

Ao chegar à casa daquela paciente, deu gosto de ver sua felicidade em saber da preocupação do médico. Eu mal comecei a falar da encomenda, ela se antecipou e, devido à falta de condições físicas no momento, orientou para que eu fosse ao quintal recolher as mangas. Por recomendação médica, ela estava proibida de comê-las, mas eu poderia escolher as melhores, avisando que sempre levava as madurinhas que caiam no espelho d’água que rodeava a árvore. Dava para sentir a dignidade que ela sentia ao poder, em suas limitações, atender o desejo de um homem tão rico e educado quanto Doutor Paulo Renato.

Fui a seu quintal com uma imagem na cabeça e me defrontei com outra: ao redor da mangueira tudo era um grande charco com água da fossa estourada. As deliciosas mangas que ela recolhia ficavam boiando naquele esgoto, em meio aos dejetos, até serem recolhidas com um puçá em uma vara e levadas para seu médico. Faltava, ali, o mínimo de condições de higiene.

Doutor Paulo Renato, com aquela missão, me deu a maior lição que eu poderia receber. Ele recebia aquelas frutas imprestáveis para o consumo com entusiasmo suficiente para que Dona Gildete ficasse à vontade e com dignidade para recompensá-lo com o mínimo que dispunha para pagar a consulta.

Júlio Rosado é escritor – @juliorosado.escritor

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Categoria(s): Conto/Romance
sábado - 31/10/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“Às vezes, as pessoas não querem ouvir a verdade, porque não querem que suas ilusões sejam destruídas.”

Friedrich Nietzsche

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Categoria(s): Pensando bem...
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