Por Eduardo Andrade
Vez ou outra, deparamo-nos por aí com alguém matutando acerca de alguma das inquietações que a humanidade carrega desde que o mundo é mundo. Para o leitor mais distraído, aponto duas das mais frequentes: de onde viemos? Qual o nosso destino?
Algumas dessas inquietações afligem a natureza humana há tanto tempo e, às vezes, de forma tão intensa, que já se tornaram objeto de debate e estudo nas mais diversas áreas — filosofia, episódio do seriado Chaves, letra de música… não há espaço onde elas não possam surgir.
Não faz muito tempo também fui tomado por uma inquietação imensurável. Ela se revelou numa prateleira de supermercado, estampada em forma de um singelo aviso em um pacote de amendoim: “Atenção, alérgico: contém amendoim!”.
Durante algum tempo me questionei o quanto aquele aviso era inútil. Foi o meu pensamento: o alérgico alfabetizado identifica a palavra “amendoim” destacada na gôndola ou mesmo no próprio pacote do produto antes mesmo de observar o tal aviso destinado a ele. E, se for alguém não alfabetizado, o aviso lhe será irrelevante por natureza.
Preciso ser honesto e confessar que aquele simples aviso no pacote de amendoim me assombrou por alguns bons dias, até eu conseguir vencer minha ignorância e chegar à conclusão de que, na verdade, ele é algo essencial.
Fui além: eis aí um tipo de providência tão necessária que deveria ser replicada em várias situações cotidianas, pois vivemos tempos em que o óbvio precisa ser dito, explicado, demonstrado e repetido à exaustão, na esperança de salvar algum dos muitos desavisados.
Vivemos um período em que a informação está absurdamente disponível. Dois cliques, uma simples pesquisa, e está tudo aí na tela, disponível para ser visto e revisto, esperando de você apenas o mínimo de capacidade reflexiva e bom senso.
No entanto, apesar de tanta informação disponível e mesmo com a maior parte dos assuntos relevantes sendo relativamente simples de compreender, o brasileiro continua embarcando em barca furada: é a promessa de enriquecimento fácil; é a dieta milagrosa; é a promessa eleitoral dos políticos de sempre, que estão aí faz tempo e, tudo indica, permanecerão por muito mais.
E, por falar em política, sendo ano eleitoral e vivendo tempos em que o óbvio precisa ser dito, que conste nas urnas: “Atenção, eleitor: contém mentiroso profissional”.
Eduardo Andrade é enxadrista amador e torcedor do Flamengo








































