domingo - 10/05/2026 - 08:22h

A praça da vergonha

Por Bruno Ernesto

Imagem de autoria do autor da crônica

Imagem de autoria do autor da crônica

Há exatos noventa e três anos, em dez de maio de 1933, uma fogueira ardeu bem em frente à Universidade Humboldt, em Berlim.

Embora hoje quase não lembre mais uma praça, a Bebelplatz testemunhou o prelúdio de um período sombrio, não só para o povo alemão, porém do mundo inteiro, e que até hoje parece estar em processo rescaldado.

O ato simbólico daquele dia foi eficazmente substituído por outros mecanismos que destilam o ódio e a intolerância utilizando agora mecanismos altamente sofisticados, porém eficazmente silenciosos, como a gentrificação, o isolamento social, o radicalismo político, a segregação religiosa e a já tão conhecida e clássica segregação econômica; além da massificação da frustração pessoal. Talvez esta seja o motor da nova era.

Pensando bem, hoje em dia, queimar livros pare ser coisa de amador; além de que não é um ódio civilizado. Ser explícito demais nem sempre é um excelente método.

Diria que o segredo da maldade está justamente na voz mansa, na mão meio estendida que lhe aperta com as ponta dos dedos, e um sorriso enviesado.

Se você não percebeu, a civilidade do ódio e da intolerância parece ser mais apreciada e valorizada pois utiliza a mesma lógica do magarefe: são poucos os que querem esfolar, mas são muitos os que não dispensam um bom corte de carne no prato.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

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Categoria(s): Crônica

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