Por Odemirton Filho
Nesse corre-corre no qual vivemos tudo parece que é pra ontem. São muitos os compromissos. A instantaneidade tomou conta de nossas vidas. Sentar à mesa e tomar um simples café com amigos se tornou uma luta medonha. A pressa se tornou a regra, e os dias passam a galope.
No cotidiano, somos sobejamente atarefados. O trabalho consome, praticamente, a inteireza dos dias. O tempo livre, no mais das vezes, é diminuto. Vivemos para trabalhar e tentar pagar as contas. Por consequência, entabular uma conversa com quem quer que seja, sempre fica para depois.
Trazemos sobre os ombros o peso das responsabilidades. Raras são as pessoas que conseguem conduzir a vida com a virtude da leveza. Ser leve, ressalte-se, não é se furtar as responsabilidades cotidianas. Na verdade, é encarar com serenidade os problemas do dia a dia, apesar dos pesares, na tentativa de suavizar a carga que transportamos.
Não é fácil, é claro, pois os problemas são muitos. Avolumam-se. E, num mundo polarizado e intolerante, o ambiente se torna cada vez mais “pesado”. A maioria se fecha na sua bolha e não consegue se libertar, vislumbrando o horizonte.
Despojar-se de nossas convicções parece que se tornou motivo de fraqueza. O diálogo não encontra terreno fértil para vicejar. Talvez, a dura realidade da vida tenha colocado sobrepeso no fardo que costumamos carregar.
Navegando mares pelo mundo afora, a velejadora Tamara Klink, no livro, Bom dia, Inverno, escreveu:
“A gente se acostumou a viver nos intervalos do trabalho. Dos amigos, bastam as festas. Dos anos, bastam as férias. Das semanas, bastam os fins. Das pessoas, os bens. Da música, os plays. Das comidas, proteínas. Do mar, as praias. Das notícias, os títulos. Da floresta, os frutos. Do clima, o conforto. Das famílias, os nomes. Dos países, os números. Das mães, o passado. Dos pais, os presentes. Dos filhos, a presença. Do futuro, basta a promessa”.
Odemirton Filho é oficial de justiça
























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