Por Bruno Ernesto
Se para uns, a galinha-d’angola, introduzida no Brasil nos tempos coloniais vinda da África Ocidental, parece apenas um animal de estimação, nas mãos de um cozinheiro habilidoso, vira algo especial. Não sabe o que perde.
E não me refiro a um restaurante chique, com mesa escolhida pelo garçom, primo piato, couvert, avaliação no Tripadvisor e coisa e tal; nem essas bobagens de quem cheira a rolha, mas mistura frutos do mar com queijo.
Guiné à cabidela é um dos meus pratos favoritos. Talvez pato – igualmente à cabidela – e uma boa carne suína dividam posição.
Aliás, estamos cevando uns Guinés para, muito em breve, prepararmos um apetitoso almoço. Não tem dia, nem hora; mas não demora.
Eles passam pra lá e pra cá o dia inteiro, naquela gritaria de tô fraco pra lá e pra cá, como se me enganassem quanto ao peso e tamanho.
Ciscam como quem tem TOC e são mais desconfiados que gato quando o dono chega com outro cheiro.
Lembram ligeiramente um Jacu, aquele pássaro que ingere e processa o fruto do café, produzindo uma das iguarias mais exóticas que se tem notícia. Talvez o Casu marzu esteja nesse páreo.
Se bem que há coisas que não devemos nos preocupar tanto assim com o processo, apenas o resultado. E não falo de Maquiavel, nem de como são feitas as leis e as salsichas.
Assim, fiquei a imaginar se o empirismo que habita todo curioso, serviria para transformar o Guiné noutro Jacu.
E isso me tem consumido quando vejo eles descansando na sombra de um pé de café que plantei para daqui uns dois anos tomarmos uma xícara e, quem sabe, eles experimentem os frutos e virem concorrente do Jacu.
Se der certo, ótimo. Se não, a panela os espera. Até lá, observa-los-ei, feito a raposa que os ronda.
Atentai bem.
Um forte abraço.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog
























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