Por Odemirton Filho
Fizesse chuva, fizesse sol, eu gostava de ir à casa de minha avó, na rua 06 de janeiro. Quase toda tarde ia com minha mãe e minhas irmãs. Quando descia do carro, corria pra rua vizinha, onde jogaria bola com os meus primos; as ruas naquela época ainda eram de areia.
Entrava pela noite jogando bola. Ao terminar, tomava sopa de feijão na casa de minha tia, picava pão francês e colocava no prato e, às vezes, ovos pra dar “sustância”. Quando estava enjoado da sopa, comia arroz de leite com carne assada lá em vovó.
Eram tardes/noites maravilhosas, com uma ruma de primos. Alguns mais velhos, outros, da minha idade ou mais jovens. Cada um com suas manias e apelidos. Eram o “Magrela”, “o Jarrão”, o “Mentirinha”, o “Saraça”.
Não conto as vezes que vi meu avô Vivaldo Dantas de Farias sentado na cadeira de balanço, lendo um livro, assistindo ao noticiário da televisão ou conversando sobre política. A Belina azul estacionada na garagem. Minha avó ficava pela cozinha, dando ordens ou na beira do fogão finalizando a “janta”; vez ou outra dava “carão” nos tios e primos mais danados.
Recordo vagamente da fábrica de redes da qual eles eram donos. Dos meus avôs por parte de pai, não lembro, eles morreram quando eu ainda era bem pequeno.
Depois voltávamos pra casa, na rua Tiradentes. Então, eu ia brincar com os meninos da rua Francisco Ramalho, jogar mais bola ou conversar “miolo de pote” no pé da calçada. Outras vezes, íamos andar de bicicleta no patamar da Igreja de São Vicente.
Quando ficava um pouco mais tarde, ficava assistindo a novelas ou algum programa humorístico dos anos oitenta. Na infância, é claro, havia os sonhos, os medos, as alegrias e tristezas. Lembro de muitos pedaços da minha infância; alguns foram doces como doce de leite.
Na verdade, “são sempre enormes as coisas da infância, as maiores que teremos na vida, eu penso. As mais inesquecíveis. Talvez, as mais sentidas como verdadeiras. Passamos o resto do tempo atrás dessa sensação”. (fragmento do livro, Véspera, da escritora Carla Madeira).
Odemirton Filho é oficial de justiça
























Faça um Comentário