quinta-feira - 07/10/2010 - 11:41h

FHC lembra que nem Lula pode tudo


Deu no "El País" (Espanha) hoje:

Estas eleições demonstraram que ninguém mais faz aqui o que bem entende, nem Lula. Por isso foi importante chegar ao segundo turno. Porque é positivo e democrático que o inegável prestígio popular de Lula não se traduza na possibilidade de impor uma norma homogênea. O eleitorado brasileiro tem sensibilidade para, quase instintivamente, distribuir mais o poder."

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 79 anos, que ganhou as eleições em duas ocasiões no primeiro turno – de 1996 a 2003 – e permaneceu calado na última campanha de seu grupo – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) -, nega que tenha diferenças com José Serra – "é meu amigo há 45 anos, nos falamos quase todos os dias" – e se mostra esperançoso com a possibilidade de conseguir atrair boa parte do voto que a candidata ecologista, Marina Silva, conseguiu no primeiro turno.

FHC recebe "El País" e o jornal argentino "La Nación" dois dias depois das eleições, em seu escritório na fundação que preside, e entra rapidamente no assunto.

"O Partido Verde não é uma instituição como acontece na Alemanha", diz. "Aqui não tem uma estrutura que apoie Marina. Ela é o símbolo que atraiu um eleitorado muito diverso, não só ecologista, mas que também a apoia por motivos confessionais."

Nota do Blog – FHC tem análises coerentes quanto ao segundo turno, Lula e o próprio papel do PV na nova disputa.

O segundo turno faz bem ao Brasil e mesmo ao futuro governo, consciente de que não poderá impor suas vontades sem um contraponto.

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Comentários

  1. Silva diz:

    Bom! Muito bom, isso!

  2. Silva diz:

    Muito boa, a análise do blog tb

  3. Rui Nascimento diz:

    Só não consigo entender porque essa coerência de FHC só aparece agora no 2º turno. O que mudou agora? O Brasil, Lula, Serra ou FHC?
    Quanta hipocrisia!

  4. LIA QUEIROZ diz:

    Assunto: Dilma Rousseff, a bala de prata e as possibilidades do segundo turno.

    Por Crispiniano Neto, Coluna Prosa e Verso, Jornal de Fato em 06/10/2010.

    Os dirigentes do PT e os eleitores de Dilma, especialmente os que frequentam a blogosfera passaram as três últimas semanas fazendo muitas apostas sobre qual seria a “bala de prata” usada pela mente maquiavélica de José Serra e o seu partido de fato, o PIG – Partido da Imprensa Golpista para forjar um segundo turno.

    Usando a “inteligência” do banditismo político tão bem mostrado no livro “Murro na Cara” do marqueteiro americano Vitor Paolozzi, o serrismo evitou os manjados escândalos onde são mostradas rumas de dinheiro que não se sabe de onde vêm nem para onde vão, compras de dossiês que nunca aparecem, debates editados com os piores momentos do candidato do PT e outras que estavam sendo esperadas. Inclusive a coisa virou até gozação, com pessoal brincando com o absurdo e o ridículo.

    A bala de prata nasceu de um padre enlouquecido, fundamentalista irresponsável que lançou uma frase mentirosa, dizendo que Dilma tinha dito que “nem Cristo lhe tiraria esta vitória”. Todos sabem que Dilma nunca disse isso, mas a campanha de Serra e os seus raivosos seguidores que destilam ódio sempre que falam em Lula, Dilma, no PT e no Nordeste, repetiram a mentira não apenas mil vezes como pregava Josef Goebbels, ministro de Hitler, mas milhões de vezes, usando a força da internet.

    É a modernidade das cavernas. Não só reverberaram a mentira como montaram uma estratégia. Em cima da frase que Dilma não disse, acrescentaram a pauta que candidatos evangélicos inescrupulosos exploram desde a campanha de Lula de 2002, com os itens da legalização do aborto, que Dilma também não declarou defender, o casamento gay que ela também não disse apoiar em lugar algum. Inclusive esta mesma baboseira foi usada contra Fátima Bezerra em Natal, que agora se sagrou campeã de votos, foi usada contra Jandira Feghalli no Rio de Janeiro e contra Marta Suplicy em São Paulo, ambas recém-eleitas, com votações estupendas.

    A campanha de Serra não apenas repercutiu a mentira como montou uma gigantesca rede de calúnia e difamação usando evangélicos mais conservadores e alienados, bem como setores carismáticos da Igreja Católica. Dois segmentos religiosos que cerraram fileiras no exército do diabo para difundir a mentira tripla, ferindo pelo menos dois mandamentos da Lei de Deus, o segundo que manda “não tomar Seu santo nome em vão” e o oitavo que diz para “não levantar falso testemunho”.

    O papel dos religiosos não foi apenas um exercício de analfabetismo político, foi um gesto pecaminoso e canalha. Especialmente de pastores e padres que embarcaram nesta ação criminosa. Despejaram votos em Marina, pois que Serra era e continua sendo inaceitável para a maioria deles, mas estiveram a serviço de Serra e do capital. E capital se chama dinheiro e a Bíblia também diz que não se pode servir a Deus e ao dinheiro, pois não se pode servir a dois senhores.

    A César o que é de César; a Deus o que é de Deus. Resta entender o papel de Marina nisso tudo e dos seus apoiadores, intelectuais, ecologistas, militantes de primeira grandeza, que a lançaram na tentativa de elevar o debate político. Como aceitaram passivamente este papel ridículo e cretino para uma candidatura que veio para, ao contrário de Chacrinha, comunicar e não para confundir. Mas que só serviu para confundir.

    Marina achanou-se, foi para a sarjeta ética. O PV e os seus apoiadores também. Ficaram devendo à História do Brasil o gesto digno do SOL de Sergipe que retirou a candidatura da sua postulante ao governo sergipano quando ela descambou serra abaixo no discurso que chama Dilma terrorista e outras cretinices. Agora se preocupam com o papel de Marina no segundo turno. Acham que ela vai decidir a disputa. E, inocentemente muitos petistas querem rastejar em busca do seu apoio.

    Marina já provou que é mau caráter ao não devolver o mandato do partido de onde saiu. O PT foi bonzinho com ela, mas também teve a inteligência de não fazê-la de vítima. Hoje fica claro que Marina é isso mesmo, um apêndice da direita. Ela é na política o que é na religião. Conservadora e oportunista. Age, literalmente, de má-fé.

    Concordo com Paulo Henrique Amorim. Marina não tem qualquer controle sobre seus votos. Os que nela votaram por serem de esquerda, ou são esquerdistas sérios e não votarão em Serra de jeito nenhum. São, isto sim, potenciais eleitores de Dilma, independente de qual a postura de Marina.

    Os que nela votaram por força da mentira também não vão esperar posição dela para se definirem, pois iam votar em Dilma e quando se assustaram com as mentiras também não quiseram votar em Serra. Aí são pelo menos os oito por cento que se decidiram por ela nos últimos quatro ou cinco dias.

    Admitamos que descambem para Serra. Dilma teve 47.651.434 de votos e Serra obteve 33.132,283. A maioria de Dilma sobre Serra no primeiro turno é de 14.519.151 votos. Marina contabilizou 19.636.359.

    Admitindo-se que 40% dos seus votos vão para Dilma independentemente dela, por serem de pessoas de esquerda, progressistas e que não admitem Serra de jeito nenhum, Dilma terá mais quase oito milhões de votos, que somados à metade dos votos de Plínio de Arruda Sampaio do PSOL, Zé Maria do PSTU, Ivan Pinheiro do PCB e Rui Costa Pimenta do PCO, chegaremos a 56 milhões de votos.

    Nesta hipótese José Serra com seus poucos mais de 33 milhões de votos, recebendo quase doze milhões dos que votaram em Marina e todos os 150 mil votos dos direitistas José Maria Eymael e Levy Fidelis, não passará dos 45 milhões de votos, levando, no segundo turno, uma surra de 11 milhões de votos.

    Melhor que ir atrás de Marina, é a militância petista, o marketing da campanha e os prefeitos, deputados, governadores e vereadores do PT, PMDB, PDT, PRB, PTN, PSC, PR, PTC, PSB e PC do B, além do movimento sindical, os movimentos populares, a igreja progressista e quem mais tenha amor ao Brasil, correrem a convencer pelo menos 10 a 20% dos 24.610.296 que não foram votar, a, por fim, irem às urnas, levando uns 10 ou 20% dos 9.603.594 que votaram branco e nulo a protestarem contra a mentira de agora e o atraso do governo demotucano.

    E aí teremos Dilma eleita presidente do Brasil, com mais de 60 milhões de votos, disputando com Barack Obama a condição de estar no Guiness Book como a maior votação presidencial do mundo.

    E Marina que fique neutra ou apoiando Serra, pois qualquer uma das duas posições levará, inexoravelmente, sua biografia para a lata do lixo da história.

  5. Ricardo menezes diz:

    O presidente Lula devia se espelhar no ex presidente FHC, q cidadão democratico.

  6. JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA diz:

    Fernando Henrique Cardoso, não é depositário de qualquer coerência, posto que, suas “sentenças e/ou máximas” não têm qualquer consistência.
    Sejam elas orais “ou escritas. soam antagônicas às suas práticas, durante o quase insuportável período em que administrou este País.
    Há registros em que, para justiificar seus atos ignominiosos, declarou que aquilo que escreve ou fala não se trata de convicções arraigadas, mas, de mero palavrório oportunista.
    Que “estadista” de fancaria – pois, artífice de trabalho grosseiro – pode criticar outrem?
    Coerente, haveria sido, se tivesse realizado um governo irrepreensível – coisa que sabida e reconhecidamente – não o fez.
    Incoerente, em definitivo, pois, não enfrentou, sequer, uma eleição presidencial em segundo turno.
    Por que então, prega aos outros, aquilo que não foi sua prática política?
    É a vetusta prática do: faça o que eu digo, mas, não faça o que eu faço!

  7. Everton Carlos da Costa Cardoso diz:

    No dia 30 de setembro, pensando que já estava eleita no primeiro turno, Dilma Rousseff escreveu no seu blog: “Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que difarçadamente se alegraram com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem conhecimento, competência e caráter para governar”. Agora que não ganhou no primeiro turno, Dilma quer se aliar com Marina? Como a candidata de Lula é incoerente, como incoerentes são todos os petistas.

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