sábado - 02/02/2008 - 20:52h

Força policial e o exercício da força (dentro e fora do estádio)

Tenho acompanhado aqui pela Net mesmo, noticiário e comentários sobre incidente entre policiais militares e dirigentes esportivos, em sua maioria ligados ao ABC. O festim carnavalesco ofusca um pouco o problema.

O caso teria ocorrido na quinta (31), após o jogo Baraúnas 0 x 0 ABC no Estádio Nogueirão. 

Vou meter minha colher no caso.

Creio que está existindo um superdimensionamento da questão. Além disso, se ignora um rol de conflitos fora do Nogueirão, após o jogo, que levou a polícia à necessária abordagem de veículos e torcedores. Pode ter ocorrido excesso no uso de palavras e no tom delas? Sim, não duvido.

Acompanhei a partida em meio a torcedores do ABC. 

À saída, a provocação levou uma parte desse grupo para cima de torcedores do Baraúnas. Um dos componentes da facção organizada alvinegra chegou a disparar rojão em sentido horizontal, direto, com óbvio objetivo de ferir algum oponente. O corre-corre provocou pânico entre torcedores – pacíficos – de verdade.

A intervenção policial que vi foi para dispersar o tumulto e prender eventuais responsáveis. Um jovem que teria usado esse rojão foi preso e com ele encontrada, ainda, uma porção de maconha. Houve registro de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e em seguida esse indivíduo foi libertado.

Com a flexibilidade de nossa legislação, no próximo jogo ele estará novamente à vontade para repetir ou ampliar sua fúria. 

Outros veículos que deslocaram torcedores do ABC para Natal, como algumas vans, passaram por igual revista. O que imagino era o temor da polícia de novos confrontos, onde lâminas artesanais-caseiras, foguetões e armas de fogo pudessem ser usadas. A selvageria tem crescido dentro e fora dos estádios.

Volto a afirmar que não sei o tom das palavras e gestos dos policiais nas abordagens aos dirigentes esportivos. Entretanto, é fundamental que se assinale o fato gerador da ação policial, de características repressivo-preventiva. Os PM´s tinham que agir.

Já fui vítima da truculência policial estando calado, só, em meio a uma multidão e com as mãos nos bolsos. Sóbrio e desarmado. Além de ficha limpa.

O fato aconteceu há uns sete anos. Imagino que por estar vestido com um macacão e tênis surrado, aos olhos dos militares (na época Metropol, "Mete o Pau", segundo a picardia popular) possuía perfil do periférico delinquente. Uma ótima presa para ser surrada e ficar por isso mesmo.

Salvei-me porque em meio à multidão, num espetáculo  do "Auto da Liberdade" em Mossoró, evitei polemizar e saí de fininho. Ia apanhar muito se fosse diferente.

Em essência, a gênese da violência policial ou eventuais cenas de despreparo, deriva da formação (na academia), aliada à impunidade. Sempe ela, a impunidade.

De minha parte, ser revistado em qualquer local, público, não me causa constrangimento. Sinto-me seguro. Não ando armado, não porto droga, não promovo arruaças etc. Portanto estou tranquilo.

Carteirada, ligar para comandante militar, secretário de Segurança, nem pensar. E olha que tenho acesso a muitos.

Lamentável nisso tudo, é que vejo no meu lindo RN, o futebol se transformar em outro estopim da violência. Ha um quadro de doença psicossocial em expansão. Ã‰ fácil observar que em boa parte das torcidas organizadas, o exercício de torcer fica em segundo plano.

Muitos dos valentões e baderneiros voltam para casa sem condições de narrar pelo menos um lance do jogo, que teria acompanhado. Até porque, não é essa sua prioridade. Torcer é um detalhe menor.

Vale mesmo intimidar, oprimir, massacrar e espalhar o terror numa demonstração de poder. O poder que no Ã­ntimo – de modo invididual – não existe em cada um desses idiotas uniformizados.

Sobram recalques e fragilidades. 

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Categoria(s): Blog

Comentários

  1. angelo alves diz:

    Caro Carlos Santos, entendo que toda a violência que estampa hoje mundo a fora, origina-se unica e exclusivamente pela ausencia dos rigosres da lei, seja em que instancia for.
    grande abraço
    angelo alves

  2. Westerley Ramalho diz:

    Fúria Jovem, que não tem nada a perder, pois já perderam e foram, só para tumultuarem. É os bossaís de Natal(Metropole), pra bagunçarem na colônia(Mossoró).
    Povo nosso, uni-vos contra esses pulhas. Policia neles, pau neles.

  3. Edmo Sinedino diz:

    Caro Carlos,
    sou seu fã desde os meus tempos de Jornal de Natal, quando desembarquei meio perdido em Mossoró para fazer matérias de política (veja só!) e fui muito bem recebido por você. Diante de todo acontecimento, tenho que concordar que deve ter havido mesmo o “você sabe quem sou?´´, mas a minha indignação é porque, como você, já passei e testemunheio muitas vezes a falta de preparo da polícia em todo lugar. Um grande abraço e obrigado pelas informações. É uma honra ser seu colega de portal.

  4. Lucílio Filho diz:

    Carlos, o tema que vc levantou passa exclusivamente pela falta de punição, ou seja o sujeito pinta e borda e sabe que não lhe acontece nada, o nível de violência que tem surgido após alguns jogos do campeonato estadual tem afastado o torcedor de bem, que quer ir vibrar pelo seu clube e por isso teme pela sua integridade. Não é toa que o público tem diminuído, e a média de público tem sido muito baixa; Tá na hora das autoridades constituídas tomarem providências. Um Abraço L. Filho

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