Por Bruno Ernesto
Nem sempre o tempo permite aproveitar o almoço com a calma que merece, e você sabe bem disso.
Uma boa dica é tomar uma xícara generosa de café antes e outra após o almoço.
Mas nem tanta calma. Mastigar oitenta vezes antes de deglutir já é paciência demais.
Nem vamos falar sobre misofonia.
O certo é que, se for enfrentar uma fila num “selvisérvice”, aí que temos que ter paciência.
Tem gente que, quando não tosse, conversa ou espirra em cima do bufê; fica três ou cinquenta minutos separando a cebola do feijão verde; uns cinco ou sessenta minutos calculando o número de grãos de arroz branco que pretende comer; outros nove ou duzentos minutos para decidir se vai querer macaxeira frita ou cozida – e pensa que devemos aguardar o ritmo dela, como se o Código de Trânsito Brasileiro tivesse eficácia plena em frente à bandeja com salada de batatas – e, após, solenemente, vai direto para aquela mesa que você estava de olho desde quando chegou ao restaurante.
Não sei você, – acredito que sim – mas, em certos restaurantes temos um garçom preferido. Não, não se trata de uma relação simbiótica ou que tomemos aquela sincronia como algo combinado.
Por vezes, uma cortesia, a rapidez no atendimento, quer seja pela ortodoxia, ou apenas e tão somente os santos se bateram.
A bem da verdade, também acredito que haja essa reciprocidade tácita entre nós e eles.
Ultimamente tenho evitado restaurantes pelos mais diversos motivos, mas, inevitavelmente, preciso frequentá-los.
Num deles surgiu um novo garçom, sempre impecável, e deve contar com seus menos de vinte e cinco anos de idade. Muito cortês, atencioso e atento. Lacônico desde sempre – isso pude perceber – mas com um profissionalismo pouco visto ultimamente.
Duas ou três vezes após o primeiro contato, notei que ele sempre me olha de modo enviesado quando pergunta o que quero beber para acompanhar o almoço.
Sempre digo a mesma coisa: nada, obrigado.
– Não vai beber nada?
Não, obrigado.
Ele põe as mãos nos bolsos da calça. Me olha dois ou três segundos, franze a testa e depois o canto da boca discretamente. Olha pra cima como quem não acredita, suspira e sai em direção à mesa ao lado. Não sem antes olhar novamente.
Acho que ele pensa:
– Esse cara nunca almoça bebendo nada! Vai se entalar!
Das seguintes vezes, aparentemente indignado, vai e volta. Olha de longe, de perto. Passa com um olho fixo, enquanto o resto do corpo segue.
Será que torce ou espera eu me engasgar?
Certamente diria: – Eu sabia!?
Acredito que não. Certamente não. Talvez não. Não duvido. Eu diria!
Como diz o velho brocardo africano, só um tolo testa a profundidade da água com os dois pés.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog
























…E por falar em tolo, me vem ao bestunto a historia verdade verdadeira de um doido da minha querida e nunca esquecida Apodi. Trata-se de⁸ um tolo adoidaiado de nome “Neguinho de Jacó”. Pois num em uma noite de lua-cheia o dito doido pulou o muro baixo do Cemitério e se apossou de muitos Terços e Rosários pendurados em Cruzes fincadas em Covas de antigos defuntos e, em adiantado estado de loucura subiu a Serra Apodi onde existia um antigo Cata-Ventos do DNOCS (Departamento de Obras Contra as Secas) , ali instalado no governo do grande humanista Juscelino Kubistchek, atendendo solicitação do meu tio-avô Coronel Lucas Pinto, via Deputado Federal Major Theodorico Bezerra. O certo é que o doido subiu até o pico do cata-vento e passou toda a noite a cantarolar melodias sertanejas do grande Luiz Gonzaga Ao saber deste melodrama, a familia procurou o Delegado de Policia para que o meamo diligenciasse juntamente com três soldados convencer o doido a descer do Cata-vento. Após insistentes pedidos do Delegado, o doido respondia : Se quiser pode subir aqui e me dar voz de prisão. O ajuntamento da gente curiosa caiy em estrepitosa gargalhada. Alguns comentaram: pense num doido sabido !. Saudade do doido sabido da minha amada terra.
Ótima crônica! Certas situações de restaurantes são muito desagradáveis. As de selfie Service são horríveis. Agora que os protocolos de luvinhas foram abolidos, dá um certo receio de contaminação: pessoas que mexem no nariz e outras espirram e vão sujando o que tocam. Às vezes causam constrangimento a insistência de alguns garçons e a postura de vigias. Acho-as incômodas. Mas o que fazer? Quando viajamos é bem pior! Fico desconfortável quando a pessoa coloca o pão baguete no saco de papel e com a mesma mão pega o dinheiro e passa o troco, na França. Como eles se comportaram na pandemia? Depois desse comentário alongado, aconselho comer devagar pra não engasgar! Vai que o garçom não foi treinado em manobra de desengasgue!