segunda-feira - 12/10/2026 - 10:28h
Entenda a disputa

Lula tem chance de virar ou já está ganho para Flávio?

Lula e Flávio: embate depois de uma diferença pequena no primeiro turno (Imagens: Ricardo Stuckert-PR/ Carlos Moura- Agência Senado)

Lula e Flávio: embate depois de uma diferença pequena no primeiro turno (Imagens: Ricardo Stuckert-PR/ Carlos Moura- Agência Senado)

The News especial para o BCS

Faltam menos de duas semanas para o segundo turno. A disputa chega a essa fase de um jeito que poucas pesquisas previam: o primeiro round foi o mais apertado dos últimos 24 anos, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 1,9 pontos percentuais.

Foi também uma votação que renovou o Congresso e parte dos governos estaduais. Então o que saiu das urnas diz também sobre o tamanho do apoio que cada lado terá para governar.

Serão 13 dias sob a grande pergunta: Lula tem chance de virar ou já está ganho para Flávio? Spoiler: não temos a resposta. Mas vamos analisar alguns números que podem te ajudar a entender o contexto e as chances de cada cenário.

Vamos começar com os números concretos que já temos. Flávio teve 47,03% dos votos válidos (56,1M) e Lula teve 45,16% (53,9M). A diferença foi de 1,87pp (2,2M), mais apertado que os 5,2pp no primeiro turno de 2022 — só que para Lula.

Leia também: Flávio vence Lula, mas segundo turno definirá eleição

Pense no paralelo de um jogo de futebol: a diferença de “gols” é 2,2 milhões de votos. É isso que Lula precisa para virar. Mas aqui já precisamos considerar algo: quantos “gols” Flávio já consegue marcar logo no início do segundo tempo?

Para isso, vamos nos basear nos números da última pesquisa PoderData/Aya divulgada, que perguntou aos entrevistados em que votaram no 1º turno e qual será o voto no segundo:

56,1M do Flávio Bolsonaro: 94% mantém, 5% migra para Lula.

53,9M do Lula da Silva: 92% mantém, 5% migra para Flávio, 3% branco, nulo ou não sabe.

3,5M do Augusto Cury: 56% Flávio, 27% Lula, 17% branco, nulo ou não sabe.

2,7M do Renan Santos: 48% Flávio, 25% Lula, 28% branco, nulo ou não sabe.

2,6M do Ronaldo Caiado: 57% Flávio, 19% Lula, 23% branco, nulo ou não sabe.

0,3M do Romeu Zema: 72% Flávio, 10% Lula, 18% branco, nulo ou não sabe.

0,3M de outros: 39% Lula, 19% Flávio, 42% branco, nulo ou não sabe.

6M de brancos/nulos: 61% mantém, 22% Flávio, 18% Lula.

Somando esse tanto de número, a migração de votos para Flávio soma 9M, enquanto a migração de votos para Lula soma 6,1M. Ou seja, com base nesta pesquisa, Flávio amplia mais 2,9M de votos ao placar, ficando com uma vantagem de 5,1M no placar.

 

Gráfico com desempenho dos candidatos nos estados (Imagem do The News)

Gráfico com desempenho dos candidatos nos estados (Imagem do The News)

E as abstenções…

A grande aposta da campanha de Lula está nas abstenções. Você deve ter visto posts de influenciadores, artistas e pessoas do seu ciclo que apoiam o Lula incentivando quem anulou ou quem não foi votar no primeiro a ir às urnas no segundo.

A lógica é simples: Esse grupo é mais propenso a assumir uma opinião, já que não está preso a nenhum nome ainda. Bom, sem falar no tamanho dele: 6 milhões de pessoas votaram branco/nulo e impressionantes 33,4 milhões não compareceram — totalizando 39,4 milhões.

“Ok, mas qual a chance dessa abstenção diminuir?”

Primeiro, vamos ao histórico de abstenção. De 1989 a 2018, os números de ausentes aumentou do primeiro para o segundo turno. Em 2022, essa lógica reverteu com uma leve queda (Veja gráfico no fim desta postagem).

Entre apostar em manter o histórico ou manter a tendência recente, o melhor é olhar esse número mais no detalhe — afinal, aqui é a grande oportunidade para uma virada inédita de Lula ou uma maior diferença de Flávio.

Anote

Nunca um vencedor do primeiro turno perdeu o segundo turno. Mas nunca a diferença foi tão curta quanto a dessas eleições (1,9pp). A menor até então foi do Lula em 2022, de 5,2pp. Na ocasião, Jair reduziu essa diferença para 1,8pp, mas não conseguiu virar.

Mas, voltando às abstenções, algo curioso… Nestas eleições, a abstenção em Norte (18,4%) e Nordeste (19,4%) foi menor, enquanto no Sudeste (22,7%) foi maior. Historicamente, a lógica era outra, com Norte e Nordeste liderando abstenção.

Olhando por estado, a tendência fica clara: estados em que Lula liderou, a abstenção foi menor, enquanto estados em que Flávio liderou a abstenção foi maior.

Gráfico com abstenção em que Sul e Sudeste apresentam maiores percentuais (Imagem do The News)

Gráfico com abstenção em que Sul e Sudeste apresentam maiores percentuais (Imagem do The News)

Você pode ler esse dado, pelo menos, de duas formas: (i) Lula tem espaço para crescer nos estados em que perdeu ou (ii) nos estados em que tem mais espaço para a abstenção reduzir, o Flávio pode ter ainda mais vantagem.

De qualquer maneira, é bem possível que as duas campanhas estejam olhando para esses números e planejando os próximos 14 dias de campanha. A matemática das eleições nunca é óbvia e depende sempre da narrativa, das notícias e da estratégia de cada campanha.

Gráfico mostra histórico de abstenções nas disputas presidenciais (Imagem do The News)

Gráfico mostra histórico de abstenções nas disputas presidenciais (Imagem do The News)

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Categoria(s): Política

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