A crise que faz morada no supremo tribunal federal (com letras minúsculas, sim) deve demorar a sair de lá. Com o papel de zelar pela Constituição, esse poder vive uma turbulência profunda justamente porque deu as costas à sua função nuclear.
O stf (minúsculo, sim) transformou-se eminentemente em um tribunal político, com ala pró e contra o governo, com lado bolsonarista ou petista/lulista/esquerdista. Porém, claro, existem exceções em seu plenário. Aqui fora, na multidão, também não faltam torcidas de A e de B, defensores deste ou daquele ministro, lacradores contra outros.
Durante anos e décadas, muitos de nós, assim como gerações anteriores, não tínhamos o mínimo conhecimento sobre nomes e sobre o próprio funcionamento da suprema corte brasileira (tudo minúsculo, sim).
No início deste século, começou uma mudança extrema de comportamento, com a espetacularização dos egos na mídia e por meio da comunicação própria do stf, que passou a transmitir julgamentos e outras atividades.
O que parecia ser um avanço na transparência e na democracia, ao longo do tempo tem-se mostrado como espelho de vaidades, ostentação do poder individual e escárnio.
Se antes era a política que envergonhava os brasileiros, muitos enojados com ela, hoje é no Judiciário que reside esse sentimento de forma mais acentuada, alimentando um olhar depreciativo sobre as togas e os togados.
O Estado de Direito e a independência do Judiciário diante do poder político estão nus. Há muito a ser esclarecido, explicado e, quem sabe, justificado. Julgá-los e sentenciá-los imediatamente, monocraticamente ou coletivamente, não. Mas, até aqui, os caríssimos ministros optam pelo silêncio. Resguardam-se. Talvez, com olhar superior, entendam que não devem nada à sociedade.
Para mim, não vale mais repetir uma máxima drenada da letra/música de Chico Buarque, “Fado Tropical”, que eu sempre usava em textos esperançosos neste BCS: “Esta terra ainda vai cumprir seu ideal (…)”. Chega!
Continua valendo, entretanto, outro aforismo que cunhamos: “Em Brasília tem de tudo, menos o Direito.”
Mas torço, sinceramente, para que esse cenário mude — e mude rapidamente —. Torço para que possamos afirmar, aliviados: “Existem juízes no Distrito Federal.”
Ave!
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Faço uma virtual subscrição ao seu texto genial em LETRAS GARRAFAIS!
Tinha razão o saudoso Colega e um dos grandes Cates nordestinos Dr. APOLÔNIO CARDOSO, que triuxe para a leitura amena o famoso texto do grande Rui Barbosa, intitulado de “TRIUNFO DAS NULIDADES”. Simplificou-o para a seguinte frase : “De tanto ver is burros mandar nos homens de inteligência, às vezes chego a pensar que a burrice é uma Ciência”.. Emblemática e instigante. Saudade do célebre Autor da música “FLOR DE MOCAMBO”.
Em adendo ao comentário anterior : onde se lê “grandes Cates leia-se GRANDES VATES nordestinos.
O pessoal que adere ao texto do Editorial do supostamente jornalismo de opinião ( Em verdade de Ocasião), é o mesmíssimo que escrevia textos santificando um certo Sérgio Mori Agente da Cia.
Em suma, a depender do contexto de ordem política e das relações de interesses inconfessáveis vinculadas o S.T. F , nas palavras da mídia corporativa, pode ser uma Maravilha ou o pior dos infernos..!!!
Em RESUMO, a pauta obscurantista com o velha, canalha e manjado discurso anti corrupção, ESPECIALMENTE destacado através do seu moralismo de GOELA….
Efetivamente não se cansa…
Quem conhece minimamente nossa história política e nosso viés reacionário, bem sabe o porquê e por quantas razões essas figuras agem sorrateira e incessantemente….!!!